Ao pegarmos nossas malas, o Artur disse:

-Acompanhe-me. — Ele pegou em minha mão e correu velozmente, até me surpreendi com a velocidade na qual ele correu, senti a força nos fios do meu cabelo voando para trás. Ele correu mais rápido do que um carro e, finalmente, chegamos ao topo de um morro. O Artur recitou:

-Charles de Castro. –Em um instante, um portal se abriu para a escola de magia, eu fiquei observando, sem palavras e o Artur falou:

-Vamos. –Como a escola estava próxima de nos, não fomos correndo e o Artur tocou a campainha. Uma câmera saltou para fora, nos analisando e a porta abriu-se. Surpreendi-me com o tamanho da escola, havia vários pardais das neves iguais ao Gali, o Artur me ordenou para colocar o Galileu Ardebal ao lado deles, ouvi uma discussão de aves iniciarem-se e o Ardebal participando.

Perguntei a ele:

-Quem vai me apresentar a escola?

-A Camila. –Fomos ao refeitório e eu me sentei no banco, à espera da Camila. Dez minutos após, ela chegou. A Camila tem um cabelo macio, pesado, bem comprido, fios de um louro escuro, uma cor muito linda. A franja bem dividida no meio em duas partes, de um jeito bem adolescente. Olhos pretos, bem escuros, lembrando a noite. Olhar que lembra uma pessoa feliz, carinhosa e carente. Nariz do início até o fim afinado e bem desenhado. Lábios bem formados e bem definidos, de um cor-de-rosa não muito forte, delicado até. Maças do rosto fofinhas e femininas. Pele de um bronzeado normal, de textura macia.

Ela conversou comigo:

-Alice... É seu nome?

-Como você sabe?

-O diretor anda falando bastante de você.

-Mau, com certeza.

-Não! Ele fala que você é bem poderosa.

-Eu não tenho poderes.

-Isso porque você ainda não sabe usá-los. Para isso, te convidaram para a escola. Ah, tenho que apresentar a escola a você. Siga-me. — Subimos as escadas brancas, de gesso e ela me mostrou onde ficam os banheiros, o refeitório, salas de magia, a estufa de plantas e, por último, o dormitório. Ela abriu lentamente a porta do dormitório feminino, entrou e me convidou para entrar e disse:

-Sinta-se em casa.

-Obrigada. –Arrumei minhas roupas dentro do armário do dormitório e fomos até o refeitório. O diretor Charles me deu boas vindas:

-Estamos aqui reunidos para acolher a aluna nova, Alice. Seja bem-vinda, querida. Esses são os professores... –E assim, ele seguiu o seu discurso e finalmente pude me sentar. Sentei-me à mesa em que a Cah e mais quatro pessoas estavam. As pessoas da mesa se apresentaram:

-Oi, Alice. Sou Ruan. –Ele tem cabelo médio, sem franja, terminam na altura do pescoço, fios do cabelo de cor preto, olhos intensos, pretos também, olhar destemido, difícil de interpretar. Um sorriso fechado, mas alegre. Pele branca, poucas espinhas, barba grisalha, bem jovem. Nariz de batata bem desenhado e fino, bonitinho até. Bochechas finas, mas masculinas.

-Prazer, Alice. Sou Amanda. –Ela é linda; os cabelos dela vão até a altura do pescoço, fios loiros delicadamente acinzentados e levemente repicados, uma franjinha feminina para o lado, também repicada, lábios bem delineados, sorriso delicado, lembrando uma mistura de delicadeza com um pouco de ousadia. Nariz afinado, legal até a parte terminal do nariz. Olhos pretos como a noite, um olhar com um brilho lembrando infância. Bochechas bem formadas e levemente coradas com uma cor de rosa bem clarinha. Cor da pele meio branca, com um bronzeado bem leve, textura suave, delicada.

-Oi, Alice...

-Oi. –Sorri, sem mostrar os dentes. –Como se chama?

-Gabriel. –Ele tem o cabelo quase loiro, levemente espetado, olhos na claridade cor de mel brilhante, em luz baixa castanhos claros, em ambientes escuros, castanhos escuros. Quando os olhos ficam umedecidos, se tornam castanhos esverdeados. Olhar corajoso, ao mesmo tempo inocente, um olhar que traz esperança de seguir em frente lembrando coisas do passado. Lábios suavemente carnudos, meio avermelhados, dentes salientes, jeito de sorrir meigo e carente. Nariz fino, nada de mais. Estatura bem alta para a idade. Pele jovem, de um bronzeado claro. Maças do rosto quase sempre claras, comuns. Rosto fino, bem definido, sem muitas espinhas, nenhuma talvez.

-Alice... Seja bem-vinda.

-Obrigada, qual é o seu nome?

-Bruno. –Ele é mais ou menos alto, acho que ultrapassa uns cinco centímetros de mim, então, ele deve medir um metro e setenta e seis centímetros. Os lábios dele são um pouco carnudos, meio aveludados, olhos negros, um brilho forte que lembra esperança no olhar dele. Maças do rosto cheinhas e com sardas bem fraquinhas, quase transparentes, só chegando de perto para notá-las. O cabelo dele é um castanho bem forte, quase preto, ele tem uma franja pequena até uns dois centímetros acima das sobrancelhas, a parte terminal do cabelo dele bate mais ou menos no pescoço, alcançando um pouco a gola da camiseta dele. O nariz dele é um pouquinho comprido e bem afinado, jeito de sorrir que lembra uma pessoa engraçada e meiga. Pele clara, de textura normal. Nem preciso dizer que o Artur não me cumprimentou, pois já nos conhecemos. O diretor começou a falar:

-Hora do almoço. Que sirvam as coxinhas e os temperos! –Todos comemoraram, peguei uma coxinha e agradeci a moça que estava servindo, uma loira, com os fios de cabelo presos em um coque, com alguns fios delicadamente caídos, olhos verdes e brilhantes, pele branca, boca bem avermelhada, maças do rosto fofas, sorriso educado, de estatura alta, vestida com o uniforme de trabalho respondeu:

-Não é preciso agradecer, querida.

-É por educação. –Sorri e ela alargou ainda mais o sorriso que já havia em sua face. Ela saiu, continuando a servir coxas de galinha para as pessoas. A Amanda disse, voltando-se para mim:

-Aqui, o povo se organiza em cinco grupos. O dos Depressivos. –Ela dizia o nome do grupo e apontava discretamente para a mesa. –Das Patricinhas ou Descoladas, como preferir. Dos Nerds, Skatistas e dos Normais. –Perguntei:

-Quem são os normais?

-Nós. –Ela sorriu. O diretor tocou o sino e todos subiram as escadas em direção aos dormitórios.

-Venha, Alice. –A Cah me mandou segui — lá. Eu segui todas as pessoas e entramos no dormitório, eu e outras meninas no feminino, os meninos no masculino, óbvio.

-O que tem que fazer agora? –Perguntei, fechando a porta do dormitório.

-São dados alguns minutos após o almoço, para descansar. Vou escovar os dentes.

-O. K. Eu também. –Fui ao banheiro, há cinco banheiros e a mesma quantidade de camas em cada dormitório. São grandes. A Cah falou que se vier mais pessoas, há bastante espaço. Peguei minha escova de dente, coloquei o creme dental, me olhei no espelho e escovei os dentes, um por um. Fiz três bochechos rápidos e guardei a escova e o creme dental dentro do armário pequeno do banheiro. Limpei minha boca na toalha e a Cah disse:

-Eu, a Amanda e o Gabriel somos irmãos... Só pra você saber. –Ela sorriu.

-É, eu bem que estranhei, vocês têm um olhar muito parecido. –Ela riu de leve com o que eu falei.

-Vamos descendo?

-O. K. Só espere eu colocar meu relógio de pulso. –Peguei meu relógio que estava dentro da mala ainda, amarrei a fivela no meu pulso e desci com a Cah. Ficamos uns cinco minutos conversando e após o sinal para a aula tocou. Todos subiram as escadas, eu acompanhei todos até a sala de magia. O mestre chegou e destrancou a porta, todos entraram, eu e a Cah entramos por últimas. O professor se apresentou:

-Boa tarde, Classe. –Ele colocou o óculos meia lua com a armação cor prata.

-Boa tarde, professor Kathorian. –A classe respondeu monotonamente. Ele se aproximou de mim e disse:

-Hm... Vejamos. Temos algo novo para a nossa coleção? Srta. Alice, onde está a sua varinha? –Ele me fitou e eu respondi:

-Não me disseram que era para possuir uma varinha... –Corei.

-Oh! Sua menina burra. Como você acha que em uma escola de magia não se vá precisar da varinha? Hoje eu lhe empresto a minha amiga. Mas só hoje, não irei tolerar nas próximas aulas, entendeu bem, mocinha?

-Sim senhor!

-Ótimo. Tenho que testar seus poderes. –Ele observou para a terra que estava em um pote de vidro e me mandou fazer flores brotarem. –Recite: Flor nascendo.

-Flor nascendo. –Não nasceram flores e sim um cacto espinhoso.

-Hm... Pelo jeito sua vocação não é terra e plantas.

Após o teste do ar, no qual eu quase assassinei a sala inteira, fomos para o teste do fogo e da água:

-Primeiramente na água e após no fogo. Diga: água a vapor. –Inclinei a varinha e recitei o código, a água lentamente evaporou e o professor me parabenizou. A vez do fogo:

-Dessa vez diga: fogo escuro. –Ao aproximar a varinha e dizer o código mágico, o fogo abaixou e virou cinza. O professor concluiu que tenho vocação para água e fogo.

Quando a aula terminou, o Artur me deu uma linda e delicada varinha, guardei dentro da minha bolsa, agradeci a ele e fui ao refeitório jantar com os demais. Depois, subi ao dormitório e escovei meus dentes, pus uma camisola e acendi uma vela, para andar pelos corredores à noite.

Senti alguém me seguindo discretamente. Sussurrando, perguntei:

-Quem é?

-Minha avó. –Uma voz doce e rouca me respondeu. Aproximei-me e disse:

-Artur?

-Isso, me queime o rosto com a vela.

-Ah, me desculpe.

-O que faz acordada a essas horas?

-Pergunto o mesmo.

-Observando as pessoas, você?

-O mesmo.

-Vou ver se a Carolina está tomando banho!

-Quem é Carolina? –Perguntei boiando.

-Uma garota do grupo das patricinhas.

-Não fiz isso, não, Artur. Perda de tempo...

-Está com ciúmes?

-Não. –Saí um pouco triste, subindo as escadas e aturando os risos provocantes do Artur. Ele correu atrás de mim, segurou a minha mão, olhou no fundo dos meus olhos e disse:

-Você sabe que eu te amo.

-Me engana que eu gosto, viu?

-Nossa! Que fora.

-Me deixa em paz.

Meio magoada comigo mesma, fui para o dormitório e o Artur ficou mandando mensagens por celular. Eu não respondi absolutamente nenhuma.