Acordei no dia seguinte e me arrumei para trabalhar. Vesti uma calça jeans cinza, prendi meu cabelo em uma trança e coloquei um all star, comi um pedaço de bolo de chocolate que eu fiz e bebi um copo de leite.

-Bom dia, Alice. –Procurei quem estava falando, me dei por conta que era o Gali.

-Ah! Bom dia, Gali. –Comecei a fazer carinho na cabeça dele.

-Obrigado pelo cafuné. –O pus em meu ombro e enquanto não faltavam dez minutos para começar o trabalho, fiquei conversando um pouco com o Gali:

-Quer torrada ou sua comida mágica?

-Hm... Torrada. –Fiz que sim com a cabeça e coloquei um pedaço de torrada no bico dele. Vi o horário e fiquei assustada, só faltavam cinco minutos para o trabalho. Saí apressadamente e peguei o ônibus, sorte minha que tive tempo de pegá-lo.

Cheguei ao escritório, coloquei meus livros ao lado do meu netbook e de repente senti uma coisa em meu ombro, imagina quem era?

-Oi. –Ardebal me olhou e ainda teve a coragem de me dar ‘’oi’’. Falei baixinho:

-Ardebal, como você parou aqui?

-Está muito irritada?

-Não. Eu estou muito feliz. Olhe minha cara de felicidade!

-Ainda bem.

-Olha... Gali. Você não conhece sarcasmo?

-Isso nem existe no reino das aves.

-Sarcasmo é uma zombaria maliciosa.

-Obrigado por explicar. –Segui o resto do meu dia atendendo pedidos de mercadoria de várias empresas, as fábricas precisam de muito material para deixar armazenado. Meu setor aqui é auxiliar de compras. Tive sorte que o meu chefe não descobriu que o Gali estava comigo. Ganhei alguns brindes de Natal e fui para casa.

No dia seguinte, arrumei o meu apartamento com enfeites natalinos, demorei uns minutos, mas havia ficado perfeito.

De repente, meu telefone tocou e atendi:

-Alô? Quem é?

-Você sabe. –Demorei um pouco para me lembrar daquela voz forçada e ele respondeu:

-Quero que compareça ao aeroporto de Brasília. Encontre-me em um banco em frente a uma loja de doces.

-Certo. –Respondi. Arrumei a mala, coloquei as coisas mais importantes e levei o Gali junto. Estava saindo e meu avô perguntou:

-Ei. Aonde você vai?

-Ao aeroporto.

-Para que?

-Hm... Melhor eu deixar uma carta. –Peguei uma folha de papel vazia e uma caneta, escrevi:

Querido avô.

Quero comunicar ao senhor que uma escola de magia está me chamando e eu preciso ir, eu não sei se volto, não sei nada, mas eu acho que parece ser algo importante. Você vai ficar bem e talvez eu volte cedo.

Atenciosamente, Alice.

Quando ele acabou de ler, os olhos dele se encheram de lágrimas. Nunca vi o meu avô chorar e eu o abracei muito forte e disse:

-Desculpa, é que eu preciso ir.

-Se eu soubesse que esse dia chegaria, eu teria te tratado melhor!

-Eu te amo e você vai ficar no meu coração.

-Obrigado por tudo, Alice.

-Bem, não damos valor às pessoas até perdê-las eternamente... –Meu avô chorou muito e eu fechei a porta e o ouvi gritando ‘’Você foi um péssimo avô!’’. E coisas do tipo.

Peguei um táxi e fui ao aeroporto. Tenho que admitir que estou com frio na barriga, nervosa e com um pouco de medo. Procurei o banco em frente a uma loja de doces e avistei um rapaz com orelhas de elfo, com cabelos parecidos com do Artur e um roupa preta, na qual parecia ser antiga, pelo número exagerado de buracos e manchas.

Aproximei-me lentamente e comecei a falar com o rapaz:

-Olá? –Ele me olhou de cima abaixo, com um olhar destemido e misterioso, então respondeu:

-Olá... Alice.

-É você? –Ele respondeu à minha pergunta com uma voz idêntica a do Artur:

-Sou.

-Já que estamos aqui, me diga o seu nome.

-Você deve saber. –Ingenuamente, respondi:

-Artur? –Ele abriu um sorriso com um ar de malicia e respondeu:

-Acertou.

-Então, era você o rapaz que ficava me atormentando nas ligações?

-Sim. Mas o Charles que me ordenou colocar esse ‘’plano’’ em prática.

-Ah. E quem é Charles? Estou por fora.

-Diretor da Hawk High School.

-Aquela escola de magia?

-Exatamente. Entrei nela quando saímos das aulas de faculdade.

-Quando nós vamos para a HHS?

-Em 15 minutos.

-E minha passagem?

-Eu paguei. –Ele sorriu.

-Obrigada e não precisava.

-Pode me agradecer com um abraço. –E este é o outro lado fofo do Artur, ele não é de pedir beijo, ou coisas safadas. O abracei fortemente, fazendo carinho devagar e levemente na face dele.

Quinze minutos se passaram e entramos no avião. Ele me ajudou a carregar minhas coisas e sentamos nas poltronas.

-E o Galileu Ardebal?

-Você não o viu?

-Não...

-Ele está aqui em meu ombro. –Virei e ele pode avistar o Gali. Ele tocou de leve no peitinho do Galileu, para ele dar as patas e ir com ele. O Artur recitou uma palavra:

-House of bird. –Em um instante, uma gaiola dourada com comida e água de aves apareceu e ele colocou o Gali ali dentro. Eu disse:

-Muito obrigada. O Galileu estava sem onde ficar.

-Não há de que. –O vôo durou aproximadamente catorze horas, fomos assistindo filmes de ação e aventura durante a viagem, desembarcamos no aeroporto do Canadá e esperamos nossas malas.