Último dia de aula, a maioria de meus colegas felizes e desesperados para o dia de amanhã, porque iniciará as Férias de Verão. Como é o último dia de aula, a professora Geralda só mandou a classe escrever uma redação sobre ecologia geral. Em poucos minutos, escrevi e li para ver se estava bom, entreguei e fui liberada para me retirar. Peguei minha mochila, coloquei os cadernos dentro e o estojo. Geralda me deu permissão para me despedir de minhas amigas e amigos; dei um abraço na Isis, na Eduarda, na Yasmin, no Lincoln e, por ultimo, no Artur.

Fui para casa de ônibus, cheguei e meu avô não estava em casa, esquentei o arroz do almoço e um pedaço de pizza de calabresa. Jantei, escovei os dentes e comecei a navegar pela internet, fui ler algumas notícias recentes e encontrei, como sempre de acidentes e tragédias, tráfico e violência. Porém, uma notícia me chocou muito, postada por um homem em uma rede social:

Vocês nunca chegaram tão perto do fim da raça humana, cada vez mais próximo. Eu juro que as portas do mal destruirão todo o bem existente nesse mundo, a humanidade nunca viu e nunca verá uma destruição, na qual ninguém será capaz de evitar. Filhos irão morrer, pais e mães chorarão e a tristeza, a raiva e o ódio predominarão como nunca em todo o universo. O céu não terá estrelas, o sol não terá a lua, o amor só terá o ódio e tudo o que existe de ruim dentro de minha caixa será libertado, gemidos de dor e lágrimas de tristeza serão comuns em todos. O humano terá o resultado que merece, não vão existir esperanças e o mundo ficará sem cores e sem vida, a única coisa que restará será a morte, a tristeza e o ódio.

Li aquela ameaça virtual duas vezes e fiquei pensando se aquilo acontecerá ou não, li alguns comentários enviados pela ameaça, várias pessoas duvidaram, o que me fez sentir certa duvida; será que eu estou sendo uma boba, iludida ou isso realmente acontecerá? Qual será o nome dessa pessoa, ela ou ele existe ou não? Meu cérebro parecia que iria explodir, pareciam estar saindo faíscas explosivas prontas para estourar.

Talvez eu deva parar de ficar me questionando e falar quem eu sou. Meu nome é Alice, tenho dezessete anos de idade e moro no Brasil, infelizmente, esse país que por certas pessoas não possui cultura e é humilhado por vários países do mundo, ao menos em minha opinião, perdoe-me quem gosta do Brasil, moro na cidade de Brasília. Moro com meu avô, que ultimamente não vem me dando muita atenção; ele só pensa em ir ao parque e fazer exercícios com os amigos dele.

Desde que tenho oito anos de idade, faço a limpeza da casa, porque meus pais morreram quando eu tinha apenas quatro anos de idade, eu quase fiquei depressiva e prefiro não lembrar deste episódio, eu tenho vontade de me matar, dormir para nunca mais acordar quando penso em meu pai e minha mãe. O pior é quando chega o Dia das Mães ou dos Pais e eu não tenho ninguém para presentear.

Tenho um tio no qual está preso desde que tenho nove anos de idade, o nome dele é Jack Maral e ele foi confundido com um homem muito parecido com ele, só que a barba do meu tio é maior e o nome do fugitivo é Jackie Marall, quase igual. Ou pelo menos, acho que foi por esse motivo que meu tio foi preso.

Também tenho um grande amor pelo Artur, meu melhor amigo de faculdade. Cabelo levemente raspado nas laterais, topete médio, definindo os ângulos do rosto. Olhos castanhos escuros, comuns. Olhar querendo passar de menino inocente, mas no fundo, bem brincalhão. Nariz fino e bem desenhado. Lábios médios, bem formados. Pele lisa, suave, morena. O Artur é carinhoso, romântico, educado, gentil e atencioso.

Tenho cabelos longos e muito pesados, até a altura do busto, castanho escuro e um pouco dourado nas pontas. Tenho franja inteira que alcança delicadamente 1 centímetro abaixo das sobrancelhas, lábios avermelhados e carnudos, bem delineados, nariz normal, um sorriso contido que nunca mostra os dentes, maças do rosto coradas, olhos castanhos escuros e, em um ambiente bem iluminado, castanho claro com brilho. Sou sensível, romântica, tímida, generosa. Meu defeito é a insistência e às vezes o exagero. Gosto de ler, escrever, fazer amigos, odeio comprar roupa, estar em ambientes lotados e barulhentos, não gosto de salto alto e saia, odeio rosa e gosto da combinação de cores preto e vermelho, ou verde petróleo e cinza. Adoro jogar vôlei, andar de skate, correr na grama de pé descalço. Valorizo a liberdade. Amo ficar ao ar livre, sentir a sensação de liberdade na pele e gosto muito de animais. Quando estou entediada, freqüentemente escuto música ou entro no computador.

Fechei a janela do meu quarto, está muito frio lá fora, estou com pantufas e com meu pijama de inverno, apesar de ser verão agora, esta noite o frio predomina. Hoje é dia 22 de Dezembro, amanhã é meu último dia de trabalho em meu escritório, só volto das férias no dia 23 de Janeiro, isso é, um mês somente de folga.

Olhei o horário. É uma hora da manha, mas fique tranqüilo, eu sou acostumada a dormir tarde e, muitas vezes não durmo e nem por isso fico com sono.

Como fiquei acordada até as cinco da madrugada, ouvi alguns barulhos estranho e no inicio supus que era somente algum animal assustado lá fora ou o vento, não há porque de acreditar em fantasmas. De repente, recebo uma ligação às três da manhã:

-Alô? -Atendi. O outro lado da linha não deu resposta, repeti. -Alô, quem fala? -Então, decidiram responder:

-Como se chama? -Uma voz rouca, um pouco grossa, misteriosa e parecia estar sendo forçada perguntou.

-Não vou dar meus dados pessoais até que você não diga de que empresa e quem está falando.

-Certo. Seu nível de inteligência é adequado. Aqui é da Instituição de Magia, agora diga o seu nome.

-Magia? Isso não existe, apenas em contos de fadas. Meu nome é Alice.

-Magia existe sim, por isso em pouco tempo estaremos embarcando em sua cidade e levaremos você para o nosso Instituto.

-Que história é essa? Você é louco ou algo do tipo?-Ele respondeu:

-Adeus.

-Não, espere! -Quando me dei por conta, ele já havia desligado o telefone e eu fiquei pensando no que havia acontecido, mas não sei por que, comecei a pensar que quando essa Instituição viesse aqui, minha vida mudará definitivamente. Mas, porque será que uma Instituição de Magia viria aqui me buscar? Que tipos de interesses eles tem comigo? Essas são algumas perguntas que não querem calar.

Às quatro da madrugada, ouvi outro barulho, porém este parecia estar vindo da minha janela.

Meio insegura e curiosa, decidi abrir uma fresta da janela do meu quarto, vi apenas penas brancas e cinzas, abri um pouco mais a janela e me dei por conta que era um passarinho. Disse para mim mesma:

-Nossa. O que essa ave faz aqui?

-Sou um pardal das neves. Venho do Canadá, de uma escola de magia. -Quase tive um ataque e perguntei:

-Uau! Você fala?

-Sim. O Instituto de Magia me ordenou a ser seu mascote e dar recados de varias partes do mundo.

-Muito interessante. Mas, não tenho gaiola, nem adereços de passarinho.

-Não há problema. Eu posso dormir em cima de sua cadeira por enquanto e tenho comida mágica nesse bolso pequeno. -Eu puxei uma pequena sacola embaixo da asa direita dele, coloquei um grão no bico dele e ele comeu.

-Ótimo!-Respondi.

-A Escola de Magia chega aqui, em sua cidade, amanhã.

-Você poderia me dizer por que essa Escola quer vir aqui?

-Não. Você terá que chegar ao Canadá e descobrir sozinha. É um teste de inteligência. Como aquele do telefone, mas este é outra etapa.

-Certo. Obrigada por tudo. Qual é o seu nome?

-Galileu Ardebal.

-Vou te chamar somente de Gali.

-Claro que sim. -Às cinco horas da madrugada, deitei, pus o Gali em cima da cadeira e fui dormir.

-Boa noite, Gali.

-Boa noite para você também, Alice.