Notas iniciais
Mais um capítulo!

3. Surpresas


Lizzie


Enquanto Catherine balbuciava seus pedidos de desculpa para mim, a única coisa em que eu conseguia pensar era em como eu queria matá-la.

Depois de ter percorrido quase o colégio inteiro gritando o nome dela por aí – visto que ônibus Escolar tinha chegado e eu não queria que ela o perdesse – aonde fui encontrá-la? Num corredor perto do refeitório, se pegando com Erik Daniels.

Grrr! Eu estava i-ra-da. Mas logo o clima ruim entre nós duas passou, embora eu mal conseguisse responder com algum entusiasmo às perguntas que Catherine me fazia.

Eu ainda estava triste. Agora, tinha mais um motivo para isso. Meu Deus, Stella D’Amore é uma vagabunda.

Quando o motorista do Escolar parou em frente à minha casa, uma das primeiras, eu saí e Catherine me acenou através do vidro com um biquinho de dengo. Como se já estivesse sentindo a minha falta. Eu ri e acenei de volta antes de virar as costas para entrar em casa.

Depois de ter guardado as coisas no meu quarto, desci as escadas para procurar Mandy. A minha irmã, dois anos mais nova do que eu, costumava chegar mais cedo, já que a escola dela era mais perto de nossa casa.

– Mandy? – chamei, adentrando no cômodo que eu gostava de chamar de “2ª Sala de Estar”.

– Meniiiiiiiina, você não sabe! – ela rapidamente correu ao meu encontro. – Fofoca nova!

Eu não pude deixar de dar uma risadinha. Mandy era mais enturmada do que eu na escola, e, bem, apesar de não ser suuuper popular, ela sempre sabia tudo da vida de todo mundo. Eu, desinformada até a alma, costumava tomar conhecimento das fofocas por meio dela.

– Conta.

– Sabe o Rick Daring?

– Sim, aquele que é namorado da Alexis – associei. – O que é que tem?

– ELES TERMINARAM! – bradou ela.

– Mentira!

– VERDAAAAADE! Ele disse que ela era uma ciumenta possessiva e tudo mais! – Mandy soltou uma gargalhada de prazer.

– Sério?! Ah, mas já estava mais do que na hora daqueles dois terminarem! – surtei, como se eu tivesse alguma coisa a ver com o romance dos pirralhos de 14 anos. – Nunca vi casal mais grudento!

– Idem! – minha irmã fez uma careta de nojo. – Não agüentava mais ver aqueles dois se pegando no meio da escada e... NÃO, pior! Os barracos que a Alexis armava! Era cada absurdo...

– Você se lembra quando uma vez a Isabelle foi abraçar o Rick, e a Alexis ficou danada por que o abraço durou quase um minuto?

Nós duas rimos juntas.

– Claro! Mas esse aí não foi nada perto do que ela fez com a mulher da cantina quando ela piscou pro Rick – Mandy revirou os olhos.

Eu dei mais uma risada.

– Aquela garota era insuportável, Mandy.

– Muito! Mas agora Rick Daring está solteiro. E adivinha quem vai estar entre as candidatas à futura namorada dele? – ela balançou as sobrancelhas sugestivamente.

– AH, TÁ, IRMÃ! Boa sorte com esse sonho impossível – debochei.

– Você vai ver só. – Ela sorriu para mim.

Eu retribuí o sorriso. Adorava esses momentos, quando eu e a Mandy estávamos em paz. Costumávamos brigar muito quando aparecia um motivo.

Mandy deu as costas para mim como se tivesse acabado de lembrar algo que tinha para fazer. Mas parou no meio do caminho e voltou-se para mim novamente:

– Ah, mais uma coisa. Eu soube que ontem, no McDonald’s, a Stella D’Amore deus umas indiretas pro Jake Hanson. Tipo, alguma coisa sobre as ficadas deles poderem se tornar alguma coisa a mais e etc...

Meu sangue estava gelado desde que ela pronunciara Stella D’Amore.

– E...?

– Bom, parece que ele arregalou os olhos e disse que ainda a via mais como amiga. Meu Deus, Lizzie, segundo testemunhas, a gente PRECISAVA ter visto aquele barraco! – ela urrou. – Disseram que a Stella ficou furiosa e começou a discutir pesado com o Jake, e que ele saiu de lá com uma expressão hor-rí-vel de raiva.

Eu ri, de felicidade e de alívio.

– Ah, minha nossa! Essa foi ótima! Eu queria ter visto a cara da Stella – abri um sorrisinho maldoso. – Então era por isso que o grupinho dela não estava andando junto com o grupinho do Jake e os caras hoje... – refleti. – Oh!

E aquela idiota da Stella ainda tinha dito para mim hoje – bom, meio que indiretamente – que eu não era boa o bastante para o Jake! Ai, que raiva! A garota sem-noção nem se garante e fala de mim. Que ódio, e eu me encolhi toda! Se ao menos tivesse descoberto isso antes...

– Tem tanta gente sem noção no mundo, né não? – uma voz nova comentou, lendo meus pensamentos.

Surpresa, eu me virei para ver quem era que estava atrás de mim.

– KEVIN! – com um grito nada discreto e um sorriso, eu me joguei nos braços dele.

– Whoa! Calma, mana, calma – disse ele, tendo aberto os braços no segundo exato para me pegar. – Eu só fui pra faculdade, eu não tinha morrido, não!

Eu ri de alegria, e depois comecei a chorar de emoção.

Eu tinha sentido tanto a falta do Kevin! Não era a mesma coisa desde que ele tinha ido para a faculdade, era ele quem sempre me animava depois que eu ganhava uma bronca. Mandy, na maioria das vezes, achava bem-feito para mim: ela nunca se demonstrava compreensiva. Apesar da quase-popularidade e de suas notas não serem grande coisa, ela nunca tinha ficado em recuperação e achava que nunca ia ficar. ARGH, o mundo é tão injusto!

Kevin, não. Ele me ouvia, deixava eu chorar em seu ombro e dizia que logo, logo eu voltaria ao meu normal: ou seja, tirar dez em tudo. Ele não ficava me lembrando o quanto era mais nerd que eu, ou como nossos pais estavam orgulhosos de que ele tivesse entrado na Finnigam – uma das melhores faculdades de nosso País de Grimmes.

Eu enxuguei as lágrimas antes que encharcasse a camisa dele. Afastei-me de Kevin para vê-lo melhor, e, ao fazê-lo, comecei a chorar novamente. Ele estava mais bonito do que nunca! Ou talvez eu tivesse me esquecido de que ele sempre fora daquele jeito.

Ele estava com um meio-sorriso estampado no rosto, tinha o cabelo castanho e os olhos verdes de sempre que provavam que ele era meu irmão. A franja dele era perfeita, e caía divinamente para a direita, numa linha logo abaixo de suas sobrancelhas. Por entre os fios, eu podia ver o desenho grosso – mas bonito – delas. Se Kevin fosse uma mulher, ele sofreria muito menos com a pinça do que eu, certeza.

Ele desfez o sorriso e ergueu a mão para enxugar minhas lágrimas assim que a primeira escorreu por meu rosto.

– Não chore, Liz! O que foi? O que aconteceu?

– N-nada – eu consegui dizer, meio soluçando. – É... tão bom você estar aqui!

Ele abriu um sorriso presunçoso.

– Eu sei que faço muita falta...

Eu ri e dei um tapinha de leve em seu ombro.

– Demais, convencido, faz falta demaaais! Não tem ninguém para me contar piada ruim logo no café da manhã... para lembrar ao papai e à mamãe que o mundo está cheio de tarados e que eu não devia sair muito tarde da noite com as minhas amigas... para comer o último biscoito favorito do papai e pôr a culpa em mim.

– Ei! Eu não faço nada disso! – ele riu, cínico.

Fuzilei-o com os olhos por um segundo, mas logo voltei a abraçá-lo. Dessa vez, agarrei-me a meu irmão mais velho como se não quisesse soltá-lo nunca mais.

– Quando você vai voltar para o campus?

Ele suspirou.

– Logo, Lizzie. Não vou poder passar muitos dias aqui...

Eu o abracei com mais força.

– Por que não larga a faculdade e volta para estar comigo quando eu precisar de você? – choraminguei, sentindo molhar um pouco, com meu rosto, a camisa dele. – Eu te amo tanto, Kevin...

Ele retribuiu o aperto.

– Eu sei, Lizzie... Eu também te amo.

Notas finais
Por favor, não me abandonem agora! A fic vai ficar mais interessante... ui ui.