Before The Sunrise
21 Preocupado
Notas iniciais
COMO ASSIM CINCO RECOMENDAÇÕES????
COMO ASSIM 9 REVIEWS NO PRIMEIRO CAPÍTULO? [AAAAAAAAAAAAAA]'
EU JURO QUE TÔ MORRENDO DE EMOÇÃO AQUI! :'D
Obrigada, obrigada, obrigada, MUITO obrigada! Dedico esse cap. a todos que fizeram recomendações, ok? EU AMO VOCÊS! ♥
Obs: Esse capítulo é cheio de reflexões do Aiden.
21. Preocupado
Aiden
Eu tinha acabado de deixar Cole em sua casa. Agora, enquanto dirigia sozinho rumo à minha, condenava-me impiedosamente por tudo o que tinha acontecido naquele dia.
Não sabia por que diabos a maldita da Stella resolvera aparecer bem quando eu estava com Catherine e Lizzie, mas agora o estrago já estava feito. Eu tinha de aceitar que toda e qualquer boa coisa que eu tivesse conseguido, nos últimos dias, fazer Lizzie pensar de mim – e com muito esforço – devia ter ido para o ralo!
Balancei a cabeça para os lados, incrédulo. Calma. Catherine não odeia você. Pelo menos, ao sair, ela deixou parecer isso, tentei me confortar.
Não deu muito certo. Isso porque, mesmo que não me odiasse, ela devia ter pensado coisas horríveis de mim, assim como Lizzie. PQP, mas por que é que eu estava tão preocupado com isso?!
Suspirei. Podia sentir que, no fundo, já tinha me acostumado à idéia de aos poucos me tornar amigo delas. Elas são tão..., detive-me, por falta de um adjetivo apropriado. Legais? Ótimas?
Só parei momentaneamente de pensar nessas questões ao avistar minha garagem. Abri o portão com o controle, estacionei meu Chevrolet Corvette Grand Sport azul da melhor maneira possível e, após tirar meus livros de escola, fechei a porta do carro com todo o cuidado. Segui para dentro resmungando.
Notei de repente que não tinha pensado muito em Jake até então. Apesar de que esse pensamento realmente não me causava surpresa. Eu estava familiarizado a enfrentá-lo desagradavelmente como hoje, na verdade era uma situação a que estava quase acostumado. E depois, ele era um idiota! Pra que perder meu tempo com ele?
Bufei, recordando o dia em que decidi me afastar de Jake Hanson. Não tinha sido por motivos nada agradáveis, eu não gostava nem de lembrar.
Para ser sincero, eu e Jake nunca nos demos muito bem, apesar de ambos sempre termos feito parte do grupo dos populares e, portanto, termos sido obrigados a andar juntos. Até aí tudo bem, nossa relação era suportável, apesar da inveja evidente que Jake tinha de mim. Ele pensava que eu não via quando ele me olhava atravessado por eu ser um ímã até maior do que ele para garotas. Bem, acontece que eu via, mas sempre fazia vista grossa.
E quem era que se encaixava de maneira mais instável no meio dessa situação toda? Exatamente, Stella D’Amore.
Stella era uma das garotas que preferia eu a Jake Hanson. Dava pra ver nos olhos dela. Paquerava Jake simplesmente por ele ser “o” mais popular, mas sempre foi notável sua maior queda por mim.
Eu nunca gostei dela. Claro que não cabia em mim de orgulho e satisfação quando a garota mais bonita e desejada de todo o colégio me encarava como se precisasse me ter, os olhos azuis determinados e maldosos repletos de ambição e cobiça. Mas, ao mesmo tempo, eu me roía de ódio ao lembrar todas as atrocidades que ela já tinha cometido – a maioria, contra pessoas que nunca mereceriam. E apesar de nunca ter sido tão ruim quanto hoje, olhar para Stella era sempre assim, uma via de mão dupla. Tão bonita quanto odiosa. Perversa, mas impossivelmente sexy.
Por um lado, era difícil resistir à tentação que era Stella, eu tinha de admitir. Mas por outro, para qualquer um que não fosse um babaca extremamente egoísta e fútil, era até fácil.
Difícil, quando você se importava o mínimo que fosse com as outras pessoas, era não odiá-la.
E, no entanto, pelo que eu sabia, ela ainda era mil vezes melhor do que Jake. Não fora por Stella ou qualquer um dos motivos acima o que me fez realmente nunca mais querer olhar o Hanson nos olhos.
A atração entre mim e Stella nunca foi tão... selvagem, pensei, assustado, passando os dedos por um de meus livros, agora largados em cima da cômoda de meu quarto.
Talvez não fosse tão surpreendente assim, levando-se em consideração os fatos. Afinal, eu estava um caco. Carência + raiva anormal de Jake + experiências recentes fortemente traumáticas... Isso podia muito bem ser igual a aumento insuportável do meu tesão por Stella D’Amore. Ah, que ótimo! Era realmente do que eu estava precisando.
Quando você estava com a Brittany, nem ligava para a Stella.
O pensamento me fez estremecer. Eu apertei os olhos com força, tentando desesperadamente afastar a dor. NÃO! Eu não vou pensar nela nunca mais! Prometi a mim mesmo, antes de abrir a porta do quarto com um movimento brusco e descer as escadas.
Na metade dos degraus, trombei numa figura alta de cabelos ruivos. Ergui o olhar para a conhecida, surpreso.
– Mãe?!
– Olá, Aiden! – ela abriu seu sorriso radiante para mim. – Já voltou da escola? Que bom! Agora vai se arrumar, anda. – Victoria Hills tentou me empurrar de volta escada acima, contudo, eu era mais forte do que o suficiente para resistir.
– Como assim “vai se arrumar”? QUÊ? A gente vai para onde?! – joguei as perguntas num jato.
Minha mãe soltou uma gargalhada gostosa. Mesmo atônito, senti uma vontade inexplicável de sorrir. Era incrível o efeito que Victoria tinha sobre as pessoas. E não é pelo fato de ela ser minha mãe, não, mas ela era muito bonita. Realmente bonita. Eu esqueci temporariamente de todos os problemas que me atormentavam um minuto atrás, parando para me concentrar no seu cabelo perfeito e nos olhos azuis profundos; esses últimos dos quais eu tinha puxado a cor, mas não a vivacidade.
Caramba, pensei de repente. Até que esse tom do cabelo dela me lembra muito o da Glynda. Vai ver por isso achei a sombria tão bonita!, refleti comigo mesmo.
– Não se lembra que combinamos da ir à praia hoje, todos nós juntos? – Ela finalmente explicou.
Eu gelei. Todas as lembranças da desagradável aventura em Orazón correram por meus pensamentos.
– Ir... à... p-p-p-praia? – gaguejei.
Victoria semicerrou os olhos para mim, estranhando meu comportamento.
– Qual o problema, Aiden? – ela quis saber, parando para franzir a testa. – Você sempre gostou tanto de praia!
É, até passar por maus bocados em uma.
– Ahn, é que eu não estou muito a fim de ir agora... – soltei uma desculpa esfarrapada. Depois, suspirei. Controle-se, Aiden. De manhã NÃO TEM PERIGO, deixa de ser medroso!, lembrei-me.
E depois, você por acaso vai deixar de ir à praia para sempre... por causa disso?
Entristeci com o pensamento. E foi ele que me fez decidir.
– Quer saber? Esquece. Eu vou! – abri um sorriso para minha mãe.
– Isso mesmo! – ela me retribuiu o sorriso. – Depois, suba pra trocar de roupa, ok? – me ordenou, enquanto eu descia o resto da escada. – Seu pai vai passar pra nos buscar daqui a pouco! Ouviu?!
– TUDO BEM! – gritei em resposta, já escancarando a porta da cozinha.
Deparei-me com uma figura mínima escondida atrás da porta da geladeira. Sorri para os pezinhos pequenos dobrados na ponta.
– Annabeth. – Chamei com uma voz travessa, em sinal de reconhecimento.
Minha irmã rapidamente fechou a porta da geladeira, desceu da ponta do pé e me encarou com um olhar culpado.
– A-Aiden?
Eu ri de sua expressão.
– Procurando chocolate de novo? – adivinhei.
– Não! – mentiu ela, com sua voz bonitinha de criança. Eu arqueei uma sobrancelha. – Tudo bem, estava – admitiu-me com um suspiro, cruzando os braços e fazendo biquinho.
Eu ri. Ela estava tão bonitinha enfiada em seu biquíni rosa e amarelo, lambuzada de protetor solar no rosto!
– Annie, você não existe! – bronqueei, fazendo uma careta engraçada, antes de agarrá-la rapidamente pela cintura e depositá-la no ombro.
Anna começou a rir de cabeça para baixo, tentando tirar os cabelos do olho.
– AHAHAHAHAHA! Para com isso, Aiden!
Divertindo-me com a situação, coloquei-a no chão. Ela me deu um tapa na barriga.
– Ei! – reclamei, estranhando quando ela arregalou os olhos.
– Caraca, QUE DURO! – Annabeth encarou sua mãozinha vermelha e eu ri. – Não ria! – zangou-se ela. – Tá vermelho, ó!
– Mimada – balancei a cabeça, antes de rir novamente e beijar-lhe a palma da mão “machucada”.
– Obrigada – ela sorriu docemente para mim. – Acho que tá melhor, olha! – exibiu-me a palma.
Revirei os olhos para ela.
– Fala sério, Anna! Não tá nada!
– Não era você quem dizia que seu machucado sempre ficava melhor depois da mamãe dar um beijinho?
– Isso foi antes de eu crescer e perceber que não tinha nada a ver! – expliquei-me.
– Mentira! – exasperou-se ela. – Mamãe sempre disse que você deixava de fazer careta de dor quando ela beijava seu dodói!
Eu caí na gargalhada. Mas que história! Tudo bem, talvez tivesse que admitir que achava mesmo, quando era pequeno, que os beijos da minha mãe eram mágicos. E eu sei que sempre agi como se fossem, achando que estava doendo menos cada vez que ela encostava os lábios lá... Caraca, tô falando sério, isso deve ser psicológico. É aquele negócio da “força do pensamento”! Fazem você acreditar TANTO nesses beijos, que você pensa que funcionam mesmo. Só me defendendo, aqui. É claro que já sei que é tudo mentira.
Eu enxuguei uma lágrima que caiu de tanto riso.
– Ah, Annabeth Hills... Você ainda tem tanto a aprender da vida.
Inacreditavelmente, ela sorriu para mim e estendeu os bracinhos. Escancarei a boca para ela, como quem diz “tá falando sério?”, mas ela fez um gesto de impaciência, então a peguei no colo.
– Você sabe que quando crescer eu não vou poder fazer mais isso, não é? – indaguei.
– Duvido muito! – Anna soltou outra risadinha. – Você é muito forte – assegurou, beliscando rápido um de meus ombros. – Mais forte até que o papai! – foi minha vez de rir com essa.
– Ah, tá, até parece! – ironizei.
– É sério! Ele já reclama que eu tô ficando pesada!
– Bom, acontece que você já tem NOVE anos – lembrei.
– É, mas você não reclama! – ela me fez um biquinho. Eu ri.
– Isso não quer dizer nada, Anna – sorri para ela. – A não ser que o papai é muito mais reclamão do que eu, o que é a mais pura verdade.
Annabeth riu com gosto. Chegou até mais perto de mim no impulso de levantar a cabeça para dar a gargalhada, o que me fez sentir seu conhecido hálito de chocolate. Balancei a cabeça, enquanto minha irmãzinha menor se acabava de rir nos meus braços. A boca dela estava sempre com cheiro de chocolate. Ela adorava todos os sabores: ao leite, branco, meio-amargo, crocante...
Eu fixei meu olhar em seu rosto e sorri. Ela era tão linda, especialmente quando ria daquele jeito. Annie era muito parecida comigo. Ambos tínhamos os cabelos pretos de Tyler, e os olhos azuis e pele clara de Victoria. Os desconhecidos podiam dizer de longe que nós éramos irmãos.
– É verdade! – Anna começou a ofegar quando finalmente parou de rir. – O papai reclama de tudo!
Eu sorri para ela e pus um dedo em seus lábios.
– Dá próxima vez, vê se cresce e ri menos – eu gargalhei quando Anna fechou a cara. – Agora, tenho que ir me arrumar. – Falei, colocando-a no chão e beijando-lhe rapidamente o alto da cabeça.
– Pera aí! AAAAAAAAAAIDEN! – ela berrou quando eu já estava na porta.
Intrigado, girei o corpo para encará-la outra vez e arqueei uma sobrancelha.
– O que foi?
– Ahn... Pega um chocolate pra mim? – Anna pediu baixinho, mordendo o lábio inferior.
Automaticamente, uma expressão de humor tomou conta do meu rosto. Senti um sorriso travesso brotar em meus lábios e balancei a cabeça para os lados, reprovativamente.
– Deixa eu adivinhar. Está lá no alto da geladeira? – supus, também sussurrando.
– E mamãe não quer que eu pegue. – Annie confessou, me fazendo rir.
– Última vez – avisei, abrindo a porta da geladeira.
Logo avistei o tal chocolate. Estava na prateleira mais alta. Revirei os olhos e o parti, entregando um pedacinho de nada para Anna.
– Só isso? Que mixaria! – ela reclamou em voz baixa. Claro que eu ri pela milésima vez naquele dia.
– Vê se pode, e ainda reclama! – bronqueei. – Olha o açúcar, gordinha!
Annabeth bufou. Era minha tática preferida de irritá-la, minha irmã odiava que a chamassem de “gordinha”. Claro que ela não era gorda, até porque a única coisa que comia em excesso era o chocolate, mas ficava realmente chateada quando todos começavam a falar sobre a provável alta taxa de glicose que teria quando adulta.
– Seu malvado!
– Comilona – devolvi, piscando para ela.
– AAAAAAAAAAIDEN! – Victoria gritou de repente da sala. – CADÊ VOCÊ? VAI SE ARRUMAR, MENINO!
– Tenho que ir – dei de ombros, bagunçando o cabelo da minha irmã antes de deixá-la cuspindo fogo na cozinha, e segui rindo para meu quarto.
***
O dia na praia fora, definitivamente, o máximo.
Chegamos os quatro rindo em casa. Eu, Tyler, Victoria e Anna.
– Tadinho do cara que estava ao lado da gente! – meu pai comentou pela 39ª vez.
– Também, né, Tyler?! Você tinha que jogar a lata de cerveja amassada nele! – minha mãe o repreendeu, também pela 39ª vez.
Eu e Annabeth inevitavelmente rimos mais ainda.
– Não, mãe! O cara que estava do lado da gente foi atingido pela minha bola – corrigi. – O que estava na nossa frente é que levou a lata de cerveja na cabeça.
– Céus, que vergonha! – Victoria escondeu o rosto entre mãos e caiu na gargalhada.
– Fomos o terror da praia hoje – reconheceu meu pai.
– Foi tão legal! IUPIII! – comemorou Anna antes de dar sua trocentésima pirueta do dia. – Eu achei tantas conchinhas! E até uma especial!
– Que bom, meu amor – mamãe sorriu para a filha. – Não se esqueça de lavar antes de guardá-las, tá bem?
– Tá – Annabeth concordou pura e simplesmente, com um sorriso de orelha a orelha no rosto.
Eu corri para tomar banho. Quando terminei, desci as escadas correndo e fui para a cozinha novamente, pegar alguma coisa para comer.
Tirei uma maçã da geladeira e dei uma dentada. Olhei em volta enquanto comia e, para minha surpresa, encontrei os “tesouros” de Annabeth dentro da pia da área de serviço.
Hum, pensei. Devem estar aí porque ela acabou de lavar, e examinei as conchas de diferentes tamanhos e formas, sem mais resíduos de areia. Um dos objetos em particular me chamou atenção. Eu arqueei uma sobrancelha, pois não parecia normal ele estar ali. Sem falar que era... estranhamente familiar.
Eu o peguei com a mão livre e estudei-o. Assim que a maçã acabou, ouvi meu telefone tocar no bolso da calça.
Fui até o lixeiro e joguei o “toco” da fruta, ficando apenas com o objeto estranho em mãos. Livrei uma mão para pegar o celular.
– Alô? – atendi, enfiando a suposta concha no bolso traseiro.
– Aiden? – ouvi, surpreendentemente, a voz de Brian do outro lado da linha, o que me sobressaltou.
– BRIAN?
– Eu mesmo! – confirmou ele.
– Como conseguiu meu número?!
– Ah, acontece que o Freddie acabou de virar grande amigo da Riley, daí ela... AH, esquece! A história é grande e eu tenho poucos créditos, ok? – revirei os olhos. – Vamos para o mais importante. Escuta, descobri que Lizzie e Catherine estão pensando em voltar para a praia hoje à noite, perto do portal – Brian sussurrou o último pedaço.
Eu dei um pulo.
– O QUÊ?! – gritei. Depois baixei a voz: – Como assim?
– Acontece que a Catherine perdeu um enfeite de cabelo lá ou coisa parecida – ele revelou. Bufei. – É, eu sei, também acho que seria MUITO MAIS SIMPLES E SEGURO comprar um enfeite novo, mas tem significado sentimental familiar e blábláblá...
– Mulheres – revirei os olhos novamente.
– Escuta, por favor – agora, a voz de Brian era quase uma súplica. – Eu não sei você, mas eu acho que não podemos deixá-las irem sozinhas... Quer dizer, quem sabe o que pode acontecer naquele lugar à noite! E depois, nós quatro juntos demos sorte uma vez! E se tudo o mais der errado dessa, quanto mais gente, melhor – concluiu o raciocínio.
– “Melhor” sob que ponto de vista?
– Ora, melhor sob o ponto de vista de sermos atacados! – esclareceu-me.
– Nossa. Acho que devíamos deixá-las se virarem sozinhas!
– Por favor, Aiden! Qualé! Não podemos abandoná-las.
No fundo, senti que ele tinha razão. Podia sentir todas as células do meu corpo formigando, como que avisando o perigo de deixá-las por sua conta. E depois, à minha forma, eu também não queria perder Catherine e Lizzie.
Estremeci. E então molhei os lábios, antes de dizer:
– Tudo bem. Que horas nos encontramos?
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