Before The Sunrise

11 Perdidos com um Idiota


Notas iniciais
Tá aqui, um pouco antes do que achei que fosse sair, rs! E aí? Curiosos? APROVEITEM, PQ EU AMO ESSE CAPÍTULO! *U*'

11. Perdidos com um Idiota


Lizzie


Água. Era isso que havia por trás daquele redemoinho vermelho-escarlate.

Como eu queria matar alguém! Eu estava assustada. Tínhamos passado por uma espécie de portal ou sei lá! Tem coisa mais assustadora que isso?!

Eu lutei para chegar à superfície. Ao conseguir, desandei a tossir. Tinha sido uma queda forte; eu sentia como se todas as células do meu corpo estivessem repletas de água. Depois de algum tempo, reparei que o nível dela não era tão alto assim – chegava um pouco abaixo dos meus seios.

Eu não tossia sozinha. Brian e Catherine me acompanhavam.

– Afinal, POSSO SABER O QUE ACONTECEU AQUI?! – eu gritei, revoltada. – Vocês enlouqueceram, é isso? Vão me dizer que por pura livre e espontânea vontade resolveram pular num redemoinho sinistro que estava dentro de um buraco na areia às SEIS HORAS DA MANHÃ?

– Lizzie, eu... – Brian parou para tossir mais uma vez. – Desculpe, mas não sei o que aconteceu!

– Nem eu! – ajuntou Catherine, entre uma tosse e outra. – Depois que aquele vulto vermelho, com olhos, garras e dentes tentou engolir a Lua e eu vi aquele buraco... E-eu simplesmente fui atraída para lá, como que por mágica! Parecia que alguém controlava minhas vontades, amiga, eu não era mais eu mesma!

– Foi exatamente isso que aconteceu comi...! – Brian começou, mas interrompeu sua fala quando uma quarta pessoa emergiu da água.

– Aiden! – eu não fiz nenhum esforço para conter a raiva em minha voz, e trinquei os dentes.

Aiden tossia violentamente; mais do qualquer um de nós, talvez porque ele tivesse passado muito mais tempo submerso. Ao acabar, ele deu uma grande golada de ar e só então olhou em volta. Seus músculos da face paralisaram ao nos ver.

– Então era você que estava nos seguindo! – acusou Brian, com uma expressão nada amigável.

Eu, Catherine e Brian começamos a reclamar ao mesmo tempo. Nem ao menos sei do que estávamos falando, era impossível entender o que cada um estava dizendo! Eu xingava daqui, Brian chorava de lá, Catherine era um meio-termo entre nós dois. Até que Aiden se enfureceu.

– AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAH, CALEM A BOCA! Vocês querem me deixar explicar?! – ele pediu, fazendo nós nos silenciarmos. – É, eu segui vocês sim. Com meus amigos, Cole Stryder e Jeremy Jackson. Porque não tinha nada melhor para fazer! E então veio aquele... – ele encolheu os ombros. – Vulto vermelho ou sei lá, e então eu senti uma... coisa pelo buraco na areia. Cole e Jeremy chamaram meu nome, mas eu mal pude ouvi-los. Era como se estivesse... em transe ou...

O silêncio prevaleceu por algum tempo. Deus, eu sou a única daqui que não viu vulto vermelho nenhum na Lua e não se sentiu atraída por aquele buraco?!

– Foi exatamente o que aconteceu conosco. – Catherine disse após longos segundos; seu olhar para Aiden era de compreensão. Ele respirou, aliviado.

– Bom. Pelo menos não estou ficando maluco...

– Espera aí. Você tem dois amigos chamados... o quê? – Brian franziu as sobrancelhas.

– Cole Stryder e Jeremy Jackson – respondeu Catherine, dando de ombros. – Também nunca ouvi falar!

Aiden bufou.

– Eu. Tenho. Amigos. Não. Populares. Ok? – ele rosnou entredentes.

E daí, quem é que está interessado na sua vida?!, eu pensei, enfurecida, mal-humorada até o último fio de cabelo. Mordi o lábio internamente por um segundo, para não dizer nenhuma besteira, e comecei a sair da água.

– Lizzie? Ei, Lizzie! Esperaaa!

Só então eu reparei que estávamos num tipo de caverna ou gruta. As paredes eram escuras, negras; pareciam estar se desfazendo em mil pedaços, não porque não aparentassem ser firmes, mas porque estavam repletas de buracos em forma de círculo. Eu andei até a parte mais rasa e meus pés finalmente tocaram chão seco. Precisei pisar num monte de pedrinhas pequenas, o que quase me fez cair do salto, mesmo ele sendo baixo. Apenas umas quatro ou cinco rochas pontudas brotavam de cima, mas era para chegar até o chão, lembrando uma espécie de cortina. Nada parecia muito normal.

Espremi meu vestido e meu cabelo molhado (droga, lá se foi o dinheiro da escovinha!) e olhei para cima. O teto era liso. Mas espere aí!... Havia uma mancha vermelho-escura logo acima de onde meus amigos se encontravam, na água. Apesar de escura, parecia ardente; como a chama de uma fogueira. Era pequena, mas estava diminuindo ainda mais, o que me fez pensar que ela já fora maior. Era a mancha do redemoinho! Por onde nós fomos jogados.

Não conseguia acreditar que todas as coisas pelas quais eu tinha passado nos últimos minutos não podiam ser explicadas de um modo racional, mas apenas como mágica. Isso me angustiava. Eu tapei a boca, mas não disse nada. Antes que eu fosse capaz de articular as palavras, a mancha desapareceu completamente.

– É seguro aí, Lizzie? – a voz de Catherine cortou meus pensamentos.

Eu abri a boca, mas nada saiu. Então fiz que sim com a cabeça.

– Vamos – ela murmurou para Brian e Aiden, embora o som tivesse ecoado pela caverna, bastante audível.

Eles começaram a nadar em minha direção. Logo, também estavam em terra firme, espremendo o cabelo ou as roupas e pisando em mil pedrinhas pequenas.

– Então, Elizabeth Jane Johnson – começou Catherine enquanto tirava os sapatos. Eu fiz uma careta. Nunca era um bom sinal quando ela usava meu nome todo. – Você gritou por mim e pelo Brian, o que quer dizer que não se sentiu atraída por aquele buraco. Posso saber por que você pulou?!

Eu apertei os olhos para ela.

– Acontece, Catherine Marie Reynolds – devolvi, entredentes –, que quando você pulou naquele maldito abismo logo depois do Brian, você esbarrou em mim, eu perdi o equilíbrio e caí. É por isso que eu estou aqui!

Ela recuou, surpresa.

– Desculpe, e-eu não...

Bufei, mas nenhuma de nós duas disse mais nada. Comecei a tirar os sapatos também. Brian e Aiden faziam o mesmo com o casaco do smoking, a gravata borboleta e as meias.

– Eu só espero que tudo isso seja um sonho – murmuro Brian, a voz trêmula. – Nada daqui parece real, nada sobre como chegamos aqui faz sentido, eu não tenho a menor idéia de como vamos ficar se...

– Infelizmente não podemos contar com a sorte, ficar sentados aqui e esperar que tudo isso seja apenas um sonho – interrompeu Aiden. – Devíamos arrumar um jeito de sair desse lugar.

Aquela voz me irritava profundamente, mas eu não ousei demonstrar. Se tínhamos que ficar perdidos juntos, então devíamos ajudar uns aos outros. Eu trinquei os dentes pelo tempo que achei necessário antes de falar, pois queria que meu tom saísse normal.

– Muito sensato – observou Catherine enquanto tirava grampos do cabelo molhado, soltando-o.

– Ali – apontei para um corte profundo nas paredes da gruta que eu tinha visto antes.

Todos nós observamos a saída. Era alta, embora não muito larga. Achei que conseguiríamos passar por ela, bastava nos imprensarmos de lado. Meu Deus, como aquela caverna era pequena, afinal. Alta, mas pequena. Pelo menos na parte de terra firme. Eu olhei para o outro lado, para a água de onde viemos. A caverna não acabava ali. Sem dúvida a água vinha de algum lugar, mas a tendência era ir ficando mais fundo caso resolvêssemos seguir por aquele caminho. Sem falar que aquelas águas escuras não me inspiravam confiança.

Segundos mais tarde, nós quatro passávamos pela brecha, um de cada vez. O primeiro foi Brian, que estava começando a se sentir meio claustrofóbico* naquele lugar, embora ele normalmente não fosse.

– E aí? – gritamos para ele depois que passou.

– Tudo legal! – ele gritou em resposta. – Tem mais um pouco de água aqui, mas podem vir!

– Vai você agora, Lizzie – Catherine me ordenou numa voz suave e um tanto maternal.

Eu me surpreendi pelo zelo, por Catherine querer que eu saísse daquele lugar horrível antes dela. Encontrei seus olhos e eles pareciam ainda um tanto culpados por ela ter me feito cair no abismo sem saber. Eu sorri tentando confortá-la, “está tudo bem agora”, meu sorriso dizia. Eu sabia que nada tinha sido por querer. Catherine me amava e acabava de dar mais uma prova disso.

– Rápido – pediu Aiden. Eu pisquei, voltando à realidade, e entrei na fenda.

Não foi difícil sair. Brian segurou minha mão para me dar apoio no fim, pois eu tinha de dar um pequeno salto. Pulei para o chão onde ele se encontrava, e fiz um pouco de barulho devido à água que ele tinha mencionado. Batia em meus tornozelos.

Foi a vez de Catherine e eu e Brian seguramos, cada um uma das mãos dela, na hora de pular. Aiden foi o último, mas recusou ajuda.

Nós demos a volta no que parecia ser um lago – sempre pela margem – e finalmente, finalmente terra de verdade. Não pedras, como na caverna, ou areia, como em volta do lago, mas havia grama além dele. Nós corremos para ela, fazendo uma breve curva íngreme para cima.

– Erm, pessoal...

Brian não precisava ter dito nada. Estávamos tão surpresos quanto ele. Se do lago, que estava embaixo, nós não podíamos ver o que havia lá em cima, agora, depois de alcançada a grama, podíamos.

Um palácio. Grande, imenso. Feito de pedras negras, exatamente iguais às da gruta. Várias eram as torres, milhares de luzes acesas, por entre janelas e espaços abertos podíamos ver centenas de guardas marchando rapidamente em fileira, embora não houvesse nenhum nas portas. E, além do palácio, a vários metros de distância, uma cidade. Com casinhas de madeira e palha.

Molhei os lábios, antes de dizer:

– Onde nós estamos?


* Medo de lugares fechados.

Notas finais
AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAH, ERA O AIDEN! Alguém esperava por isso? CLARO QUE NÃO! *w* OMG! O que será que vai acontecer? Desculpa se ficou tedioso, mas como eu disse, eu amo esse capítulo. Pf, pf, pf, DEIXEM REVIEWS!