Before The Sunrise
8 Festa do Ano
Notas iniciais
8. Festa do Ano
Catherine
Domingo, dia 26 de maio às oito da noite. Spectaculaire Salón.
Ansiosa, eu puxei suavemente o pulso de Liz atrás de mim, assim que o segurança forte e de óculos escuros confirmou a presença de nossos nomes na lista. Ela estava nervosa, mas não demorou a me seguir.
Nós passamos pela porta e nossos queixos caíram. Milhares de luzes coloridas piscavam, alternando entre si para iluminar o escuro ambiente. Vários garçons circulavam, oferecendo refrigerante e todo o tipo de bebida aos convidados. O primeiro andar do local era enorme e eu apostava que o segundo era maior ainda. A pista de dança e o bar estavam lotados, embora não fossem as únicas opções de divertimento ali (tinha piscina, cassino, boliche, pista de patinação de gelo – PARA QUE, MEU DEUS? – e... como é o nome daquele jogo de rebater o disco? Isso só para COMEÇAR).
– Oh. Meu. DEUS! – surtou Liz.
Eu bati palminhas empolgadas. Estava me achando com meu vestido vermelho suuuper decotado (admito mesmo!) e minha maquiagem carregada que demorou duas muito longas horas para ficar pronta. Meu cabelo estava com cachinhos artificiais (bom, meu cabelo já é naturalmente cacheado, mas ninguém pode negar que usar o babyliss depois de uma escovinha básica deixa os cachos muito mais bonitos e definidos!) e metade estava preso para cima, com um enfeite de strass no lado esquerdo.
Lizzie também estava linda, apesar de ter escovado o cabelo e me deixado com saudade de suas ondas. O vestido dela era um tomara-que-caia azul-marinho, que contrastava lindamente com sua pele branca e a deixava neurótica – Liz nunca gostou muito de tomara-que-caia, toda a hora ela pensava que estava caindo mesmo. Ela subiu o vestido pela 108ª vez desde que saímos de casa, antes que eu pudesse arrastá-la para a pista de dança.
Stella encontrava-se no centro da pista, embaixo de um globo de espelhos e rodeada por seus “amigos” mais chegados – os populares da cidade. O vestido dela era rosa-choque e batia no chão, claramente inspirado no visual de antigamente, tipo aqueles vestidos de princesa; mas era lindo, isso não posso negar. O cabelo dela estava preso para cima num coque divino, com alguns cachos loiros soltos batendo em seus ombros. E ela tinha uma coroa enorme na cabeça que parecia ter custado uma fortuna! Ainda dançava feito uma vadia, mas o fato daquele vestido nos impedir de ver a bunda dela rebolando já melhorava muito o meu humor.
– BRIAN! – eu acenei e gritei para ele ao vê-lo a poucos metros de mim (o que, numa festa tão de arromba, é praticamente do outro lado do mundo). Fiquei feliz quando percebi que ele tinha me notado, e comecei a quicar como uma bola no chão até que Brian viesse me abraçar.
– Que bom que você veio! – exclamou Liz.
– Já estou terrivelmente arrependido! – disse ele, gritando para que pudéssemos ouvir alguma coisa. – Esse ano tem muito mais gente e, pior, parece que estão todos muito mais loucos!
– Você quer dizer muito mais animados! – eu ri. – Cara, essa festa vai ser muito melhor que a do ano passado, vai ser a melhor noite da minha vida!
– O QUÊ?! – ele fez uma cara de quem não tinha entendido tudo.
Eu ri, e, não me incomodando em repetir, puxei-o para dançar. Brian ficou um camarão de início, parecia que ia morrer cada vez que eu punha minhas mãos na cintura dele para balançar-lhe os quadris e bancou o Pior Dançarino do Mundo Oficial. Eu não desisti! Dancei perto, puxei-o com força pela mão quando ele tentava fugir e dei muitas bundadas nele e em Lizzie para animá-los quando começavam a ficar borocoxôs.
Aos poucos, a minha alegria passou para eles. Liz, que antes apenas dava passinhos para o lado ou me imitava, começou a rebolar e descer até o chão por conta própria. Até o Brian – depois de HORAS – se soltou. Começou a dar soquinhos no ar, a retribuir as minhas bundadas e até tentou imitar alguns caras perto de nós que arriscavam passos super rápidos de hip-hop ou coisa parecida. Sophie, Kayla, Whitney e Nicole juntaram-se a nós em algum momento; eu não saberia dizer qual foi.
Eu estava em transe. Dançava animada, no ritmo da música, como todos por volta das onze horas faziam ali. O DJ começou a tocar forró (isso aí, um som típico do Brasil, mas aqui em Grimmes temos de tudo!) e eu dancei com pelo menos 6 caras diferentes. Todos, sem exceção, me convidaram com um sorriso sexy no rosto, e foi quando eu tive certeza absoluta de que estava linda. Por fora e por dentro. Eu nunca me sentira melhor!
Rindo, tropecei para fora da pista de dança, com Lizzie, em algum momento em que já estava completamente sem noção do tempo. Nós fomos pegar um pouco de ponche e quem sabe atacar alguns doces e salgadinhos, nossa, eu nem acreditava que ainda não tínhamos comido nada.
– Aaaaaaaai, está tudo tão bom! – disse ela, pondo 1 500 coxinhas na boca.
– Porrrrrca – brinquei, enquanto punha para dentro mais ou menos a mesma quantidade de brigadeiros.
E então eu o vi. Patrick Smith.
Uaaaaaaau, ele estava ainda mais gato do que o normal naquele smoking e a visão que tive dele me fez engolir de uma vez todos os brigadeiros e quase engasgar.
– Li-Lizzie! – eu berrei, tossindo. – É ele!
Ela olhou para ele e depois riu da minha cara, o que fez parte das coxinhas voltarem para fora de sua boca.
– Ai, droga! Viu só o que você me fez fazer, Cathy? – Sei que ela esperava um sorriso de deboche meu, mas tudo o que eu consegui fazer foi encará-la com uma interrogação gigante nos olhos. – O quê? Sobre o Patrick? Você não sabe o que fazer? Catherine Marie Reynolds, VOCÊ NÃO ESTÁ PRODUZIDA ASSIM À TOA, lembra? Você mesma disse isso!
Eu me perguntei por um segundo como ela sabia exatamente quais perguntas estavam circulando em minha cabeça, como ela sabia exatamente o que deveria dizer. Mas isso foi só por um segundo. No segundo seguinte, Catherine Marie Reynolds estava de volta, em toda a sua sensualidade, charme e confiança.
Como uma poderosa deusa, eu atravessei o salão. Estava consciente de todos os olhares em mim, o que me fazia sentir mais imponente e incrivelmente mais gostosa.
Eu não precisei nem ao menos chamar por Patrick. Ele me notou.
– Ora, ora, Catherine Reynolds. – Ele abriu um dos sorrisos mais perfeitos do mundo para mim. – Você está simplesmente in-crí-vel esta noite.
Eu tive que me segurar para não surtar. Tipo, “AAAAAAAAAAAH, COMO ASSIM PATRICK SMITH SABE O MEU NOME, COMO ASSIM ELE ACABOU DE DIZER QUE EU ESTOU INCRÍVEL?”, mas felizmente consegui ficar de boca fechada.
Cuidadosamente, abri um sorriso que esperava ser tão ou quase tão sedutor quanto o que Patrick havia me lançado. Meus olhos brilharam de vitória quando eu ouvi um doce arfar escapar por seus lábios.
– Obrigada, Patrick. Então, a Stella mais uma vez se superou – comentei. – Casa cheia.
– Talvez cheia até demais.
Senti minha boca se retorcer num sorriso malicioso.
– Quer ir para algum lugar mais reservado? – ele me perguntou, arqueando aquelas sobrancelhas perfeitas.
Como se eu fosse dizer não!
– Claro. – Eu disse, caprichando no charme em minha voz.
***
Perfeito, era a palavra que ecoava em minha mente. Eu tropeçava pela multidão, recém-saída da parte mais escura da festa e de uns amassos muito bons e muito quentes com ninguém mais, ninguém menos do que Patrick Smith. Tonta, agitada e louca da vida para contar todos os mínimos detalhes para a minha melhor amiga, Liz, um de meus tropeços acabou sendo maior e mais feio do que os outros num garoto alto de cabelos escuros.
– Desculpe, foi mal! – eu disse rapidamente, antes de me virar para voltar a seguir meu caminho, mas o garoto me impediu. Agarrou-me pelo braço.
– Catherine? Era você ali com Patrick Smith?
O som daquela voz congelou-me. Lentamente, eu virei o rosto para encarar aquele conhecido, torcendo, cruzando os dedos mentalmente para que não fosse...
Merda. PQP MESMO! Era o Erik Daniels.
Eu arqueei uma sobrancelha para ele.
– Sim. Por quê?
– Vocês estavam ficando, certo?
Eu corei, mas mantive os olhos nele. Eu e Erik tínhamos ficado uma vez, só isso e ponto final. Eu não ia deixá-lo pensando que eu estava envergonhada agora, de maneira alguma, ou que ele era meu dono.
– Estávamos.
– E ele beija bem?
– Beija – eu disse na lata.
– Melhor do que eu?
Só então entendi aonde Erik queria chegar. Ele não estava bem me repreendendo.
– Para falar a verdade, tô meio esquecida – provoquei. – Não sei. Por quê?
– É claro que não beija. – Ele sorriu maliciosamente para mim, zero modesto.
– Você acha?
– Posso provar.
Tudo o que eu senti depois foi meu corpo apertado contra a parede, os lábios de Erik me beijado com rapidez e requinte, e os sons abafados dos meus gemidos enquanto eu tentava não rir. Senhor, não permitais que eu perca minha virgindade hoje!, pensei com humor enquanto deixava Erik me fazer delirar – delirar pela segunda vez àquela noite.
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