Before The Sunrise
9 Atitudes Impensadas
Notas iniciais
Obs: Esse capítulo contém um ser falando que álcool é bom, fikdik.
9. Atitudes Impensadas
Freddie
Eu não conseguia acreditar em mim mesmo.
Sentado em frente à porta da festa de Stella, barrado junto com outros 2 000 penetras, eu esvaziava a garrafa de cerveja que tinha adquirido. Eu sabia como escalar o muro; podia tentar entrar pela porta dos fundos, como se fosse algum garçom ou coisa parecida; enfim, tinha mil e uma maneiras planejadas de entrar naquela festa, mas havia perdido toda a coragem e a vontade de ir. Aliás, eu não sabia nem se um dia eu as tive. Assim como também não sabia por que, ao invés de voltar para casa antes que meus pais se dessem conta da minha saída, eu continuava sentado na calçada, observando os caros na rua, embebedando-me.
Eu bebi. Não sei quantas. Formei um círculo com uns caras que nunca tinha visto antes e começamos a rir exageradamente alto e a debater sobre a vida. Algumas histórias eram bem tristes, mas pra que chorar? Existe remédio melhor que álcool nesse mundo?!
– É ISSO AÊ, MANO! – eu e os outros dissemos pela milésima vez naquela noite para um companheiro e juntamos nossas garrafas/copos de cerveja/pinga/uísque/cachaça/vodca/sei-lá-mais-o-quê no ar, originando um alto tilintar. Depois rimos com se não houvesse amanhã, continuando a nos chamar carinhosamente de “amigos”, embora não nos conhecêssemos.
Aos poucos eles foram saindo. Talvez para voltar para casa ou para aprontar algumas atividades ilegais naquela noite. Eu fiquei. Parei de receber garrafas. E, acho que lentamente, fui saindo do estado de embriaguez.
Eu conhecia meu organismo o suficiente para saber que a dor de cabeça só viria no dia seguinte, então resolvi aproveitar os poucos momentos que ainda tinha bêbado. Bom, bêbado não, acho que posso dizer só um pouco fora do normal. Não era muito o álcool que eu sentia agora em meu corpo. O sono vinha, mas eu não queria dormir.
Até que, em algum momento da madrugada, um vulto alto e bem-vestido escancarou a porta do majestoso salão, e saiu de lá correndo, chorando.
Eu estava com a cabeça apenas parcialmente virada para a porta, mas quando aquele vulto saiu, me chamou a atenção, e eu girei mais o pescoço para acompanhar a pessoa com os olhos. Era uma garota, eu tinha observado antes, mas não podia mais vê-la.
Até que ela tropeçou em mim.
– Desculpe! – disse a garota numa voz chorosa, esforçando-se para equilibrar o corpo e não cair em cima do estranho, no caso, eu.
Berrei um “ai” mal-humorado, pus-me a massagear minhas costas atingidas e virei novamente o rosto para frente para poder vê-la.
– Riley Mitchell? – surpreendi-me.
Duas lágrimas secas estavam no rosto dela; ela enrolava os cabelos com as mãos como se quisesse fazer um rabo-de-cavalo, mas ao som de minhas palavras, largou o cabelo e arregalou os olhos.
– Freddie Gilbert? O que está fazendo aqui fora?
– Eu ia perguntar o mesmo a você. – soltei um soluço.
Minha voz ainda estava meio estranha, então Riley balançou a cabeça negativamente com uma expressão de nojo, tirando uma conclusão tardia:
– Você está bêbado.
– Não estou! – exaltei-me. Tudo bem, eu ainda estava um pouco. Soube disso quando me vi reparando em como ela estava gostosa naquele vestido tubinho preto.
Ela nem me deu ouvidos. Provavelmente porque todo bêbado nunca diz que está bêbado.
– Você parece triste – arrisquei dizer.
Riley tornou a olhar para mim, mas dessa vez de um jeito totalmente diferente de qualquer um com que ela já tivesse me olhado antes. Seus olhos não pareciam os de uma patricinha arrogante – mas os de uma garota comum que estava sofrendo.
– E-eu... – ela hesitou. Mas então, como se lembrasse que eu estava “bêbado” e provavelmente não me lembraria de nada do que ela dissesse naquele momento, Riley desmoronou na parte da calçada ao meu lado e desandou a chorar, cobrindo o rosto com as mãos. – A culpa é minha, toda minha! POR QUE eu tinha que dar em cima dele, por quê?! Eu nunca devia ter desafiado a Stella! Mas eu queria ter a coragem de fazer isso, como a Olivia...
Eu não sabia o que fazer. Hã? O que era aquilo?! POR QUE ELA ESTAVA DIZENDO ISSO PRA MIM? Preso num beco sem-saída, resolvi fingir que estava tão chapado quanto ela pensava e envolvi seus ombros.
– Não, não chora, Riley! Felicidade, aí... – eu disse numa voz que esperava ter saído muito grogue, e passado para ela que eu estava num estado de espírito muito do louco.
Ela gemeu por três vezes e fungou.
– Para de me chamar de Riley! Meu nome é Blair – corrigiu com raiva.
– É claro que é – debochei, mas me arrependi por minha voz ter saído quase normal.
– Ela tinha razão... – continuou Riley, e eu respirei aliviado por ela não ter percebido meu recente deslize. – Nem eu, nem ninguém pode tirá-lo dela. Ela é perfeita demais! Por que o Jake escolheria outra no final das contas?!
Pisquei, atônito, e em seguida trinquei os dentes. Jake Hanson. Era disso que ela estava falando, então! Ela tinha tentado seduzi-lo e Stella provavelmente tinha armado o maior barraco e esfregado na cara da “amiga” que Jake não a queria. Que Riley não era boa o bastante para ele... Assim como tinha feito com Liz.
– Ril... Blair, não é verdade. Você é boa o bastante para o Jake, sim! – gritei. Eu estava consciente que iria me arrepender dessa atitude depois, mas no momento aquilo não me importava. – DROGA, VOCÊ É PRA LÁ DE GOSTOSA! Se o Jake não é capaz de perceber isso, então ele é CEGO! E ele pode ser muita coisa, mas cego não é! A Stella muito provavelmente sabe disso, e é a razão dela ficar tão furiosa com você! E... Bom, MAS POR QUE VOCÊ AINDA CORRE ATRÁS DO JAKE? Tá na cara que ele é um idiota, de qualquer maneira! POR QUE VOCÊS MENINAS NÃO SE CANSAM DE IDOLATRÁ-LO?!
Terminado meu discurso revoltado, ofeguei algumas vezes, porque o ar me faltava. Riley me encarava com surpresa.
– Você... acha? Bem... Obrigada, eu... nunca vi por esse lado! – admitiu-me ela. – Mas... se eu não correr atrás do Jake Hanson, quer dizer, você acha que algum dos caras populares poderia se apaixonar por mim?
Eu fiz uma careta e revirei os olhos.
– Precisa ser um cara popular?!
– Quem, então?
Eu virei o rosto novamente para ela e abri a boca para falar alguma coisa, mas me esqueci o quê. Algo nos novos olhos de Riley, olhos castanhos brilhantes, desviou a minha atenção. Eu me vi inclinando-me cuidadosamente para mais perto dela, para observar melhor aqueles olhos...
Riley recuou alguns centímetros e arfou. Não sei por que, mas aquilo despertou uma vontade em mim. Vontade que surpreendentemente, segundos depois, eu a cumpri.
Eu puxei Riley pela cintura e encostei meus lábios nos dela. DEUS, eu definitivamente devo estar bêbado!
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