Before The Sunrise
10 Estopim
Notas iniciais
Esse capítulo eu vou dedicar a todos que aumentaram a minha popularidade. Obrigada, divos!
10. Estopim
Brian
– OH-MEU-DEUUUUUUUUS! NÃO ACREDITOOOOOOOO! BATE NA MINHA CARA E DIZ QUE EU TÔ SONHANDO!
– MENOS, Liz, menos! – Catherine berrou para Lizzie, embora por dentro ela própria estivesse surtando e morrendo de vontade de gritar aos céus.
– Catherine, SUA VADIA GOSTOSA! – eu ri, feliz por ela.
Cathy sorri para nós e tossiu. Ela estava começando a ficar meio rouca... Minha cabeça pendeu para o lado e só então percebi o quanto mal me agüentava em pé. Tinha sido uma noite e tanto! O cansaço me consumia.
– Vamos embora? – Catherine perguntou num bocejo. – Que horas são?
Eu olhei meu relógio e arregalei os olhos.
– 5h30 da manhã! – Ela e Lizzie pularam no sofá.
– COMO ASSIM? Tudo isso?! Nem senti o tempo passar!
– Oh-meu-Deus, a minha mãe vai me MATAR! – Lizzie cobriu o rosto com as mãos.
– Ainda bem que meus pais estão viajando! – Catherine exclamou, provavelmente diante da idéia de encará-los àquela hora, como Lizzie ia ter de fazer.
– Bom, meus pais não vão nem perceber – fiz pouco caso, dando de ombros. Eu tinha chegado das outras festas da Stella meia-noite em casa e, mesmo assim, meus pais sempre estavam dormindo!
Eles costumavam dormir cedo, simplesmente não conseguiam ficar acordados até muito tarde, não importava se seu filho único estivesse fora de casa ou não. Às vezes, eu tinha a impressão de que meus pais nem ligavam para mim. Hum, isso me lembrava que os pais da Catherine não sabiam sobre ela estar na festa da Stella agora, e ela teria que cuidar para que nunca descobrissem...
– Bom, já que eu estou ferrada de qualquer jeito... – Lizzie suspirou. – Não querem dar uma voltinha na praia?
Eu e Cathy nos entreolhamos. Não sei bem o motivo, mas eu estava morrendo de vontade de ir à praia naquele momento e li nos olhos dela que ela também. Eu estava cansado, mas meu corpo inteiro pareceu se animar um pouco mais diante da idéia de dar uma volta na orla, ver o mar pela última vez naquela noite, antes de ir para casa dormir. Talvez até víssemos o sol nascer – não estava longe disso.
– Está bem. Vamos – eu disse.
A praia não era longe. Apenas a uns dois quarteirões daquele salão chique – eu sei, difícil de acreditar, não é? Mas, na cidade litorânea de Steklyn, a maioria das boas construções ficava perto do mar.
Saímos da festa e, quando o frio da noite me envolveu, eu pensei que talvez não tivesse sido uma idéia tão boa assim – era tarde, estava escuro, e o que nós éramos além de três fracos adolescentes que não sabiam bem se defender? E se aparecesse um assaltante?! E se um de nós fosse raptado, e se acontecesse alguma coisa, e se...
Então, eu juro que senti uma rajada de vento me atravessar, mas essa, apesar de selvagem, passou-me confiança. Ela rondou meu coração, acalmando-o; fazendo sumir o medo em meu peito.
Eu olhei para Catherine e seu rosto era tranqüilo, sereno, como se pressentisse que não havia perigo nenhum, assim como eu. Olhei para Lizzie e ela estava mais apreensiva, mas, talvez pela confiança súbita de seus amigos na noite, ela teve coragem suficiente para nos seguir.
E nós andamos em direção à praia. Conversamos calmamente e rimos baixo algumas vezes; não havia ninguém na rua para nos destratar ou nos fazer mal, não naquele dia. Por três vezes, eu tive a impressão de que alguém estivesse nos seguindo, embora meus instintos não tivessem disparado por causa disso. Mesmo assim, sempre que virava para me certificar, não via ninguém.
Nós nos sentamos no último trecho de calçada antes da areia e ficamos observando a beleza das ondas batendo nas rochas.
– Que lindo – murmurou Liz.
– Eu poderia ficar aqui para sempre. – Cathy suspirou, fechando brevemente os olhos e deitando a cabeça em meu ombro.
– Cinco e cinqüenta oito. – Eu disse, olhando para a Lua, depois de fitar brevemente o meu relógio.
Catherine abriu os olhos. Eu me vi perguntando o que estava em seu campo de visão naquele momento. Bom, sem dúvida ela devia poder ver o mar e, além disso, meus pés apoiados na areia e meus braços envoltos às minhas pernas dobradas ao meio. Porém, seus olhos estavam fixos aonde eu supus ser o meu relógio digital.
– Cinco e cinqüenta e nove – ela sussurrou, confirmando minha hipótese, e, ao som das palavras, o vento cessou.
Eu, Catherine e Lizzie nos entreolhamos, mas não dissemos nada. E então eu arregalei os olhos. Um brilho vermelho surgiu no centro da Lua cheia, no começo, pequeno, mas então ele se expandiu e...
O brilho criou olhos e garras e depois investiu como se quisesse engolir o astro prateado. Pus os braços na frente do rosto e gritei, mas o som não saiu de minha garganta. Eu abaixei as mãos segundos mais tarde, para não ver mais nada exceto o azul-escuro do céu, as estrelas, e a Lua em seu tamanho normal.
– MAS O QUE FOI ISSO?! – Catherine berrou e eu soltei a respiração, aliviado por não ter sido o único a ver o que parecia ter sido uma ilusão, ou... momento de insanidade.
– Isso o quê?! – Liz arregalou os olhos para ela. Oh. Essa não, Lizzie não viu...
Meus pensamentos foram interrompidos de repente. Só sei que, no segundo seguinte, eu fitava novamente a praia. Havia um buraco na areia. E daí que tem um buraco na areia?, pensei, mas minha atenção estava fixa nele...
Catherine se levantou. Eu também. Quando percebi, nós dois caminhávamos para a praia, rumo ao buraco. Liz gritou nossos nomes, mas eu mal dava ouvidos. Era uma força maior – algo que me atraía para aquele lugar, por alguma razão me puxava para ele, eu apenas a sentia, não conseguia desafiá-la, não resistia...
Meus pés tocaram uma das extremidades do abismo, fazendo um pouco de areia cair dentro dele, e eu me surpreendi por ter chegado tão perto sem me dar conta. Agora, eu e as garotas rodeávamos o buraco. Eu tapei a boca com o punho. Dentro da terra, girava um redemoinho. Não de água, mas de alguma matéria que eu desconhecia. O redemoinho tinha cor vermelho-sangue e rodava no sentido anti-horário; eu não podia sequer ver areia através dele.
Estou ficando louco, pensei. E então senti uma presença atrás de mim, apenas alguns segundos antes de perder totalmente a consciência para a força superior novamente e me jogar naquele redemoinho.
Não duas, mas três pessoas me seguiram.
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