Before The Sunrise
2 Absoluta
Notas iniciais
2. Absoluta
Catherine
Ah-meu-Deus, nosso Brian Harris é muito nerd!, foi o meu pensamento quando avistei meu querido amigo caminhando ao encontro do nosso lindo grupinho: eu, Lizzie, Nicole, Kayla, Sophie e Whitney.
Brian estava com o cabelo castanho-claro ridiculamente bem-penteado, cheio de gel e sem nenhum fio fora do lugar. Usava uma calça que sobreviveu aos tempos do meu avô, e seus óculos pretos de tartaruga – aqueles bem grandes com lentes redondas – pareciam maiores e mais feios que o habitual.
Só faltava mesmo uma camiseta de Guerra nas Estrelas, com dois daqueles caras esquisitos cruzando espadas e uma frase típica de nerds estampada no meio, do tipo: “OS ALIENS VIVEM ENTRE NÓS”. Haha! Ainda bem que o Brian era hipermétrope e ia tirar os óculos nesse ano. Melhoraria muito a cara de nerd dele.
Eu abafei um risinho. Ao lado dele estava o Freddie, nosso amigo mais fofo. Achei o cabelo castanho-castanho (como me refiro aos cabelos castanhos médios, que não são nem tão claros, nem tão escuros) dele diferente, mais curto, talvez ele tivesse cortado. Fred tinha os olhos também castanhos – como os meus, lindos! – e um rosto muito bonitinho. Merda, Frederick Gilbert poderia ser um cara perfeito... Se não fosse a sua tendência a gostar de bandas esquisitas. Argh.
Kayla terminou de contar a história sobre como seu irmão tropeçou no cachorro e caiu na piscina da casa dela. Eu e as meninas rimos.
– Demais, Kayla! – eu fui a primeira a comentar.
– Meu irmão é um idiota! – ela o xingou, rindo um pouco mais.
– Um idiota gato – brincou Nicole. – Quando é que você vai me apresentar a ele?
– Cruz-credo, amiga! Never! Deus te livre, ele é um namorado péééssimo! – estrilou Kayla.
– A Nikki só pensa em homem, gente – lembrou Sophie.
– Eu sei! Por isso estou preocupadíssima com o futuro conjugal dela. Filha, nenhum homem quer mulher galinha... Oh!
Todas rimos do tom de voz “materno” de Lizzie.
– Querer eles querem, mas só fazem comer e depois as galinhas que se lasquem! – gargalhou Whitney.
– CREDO!
Lizzie encarava a tadinha da Whitney boquiaberta. Pelo menos ela já está melhor. Fazendo piadas. Parece que esqueceu todo aquele drama com os pais, pensei, e sorri para minha melhor amiga. Hum, bem, eu sabia que a Liz não gostava muito da Whitney. Na verdade, Lizzie achava Whitney uma vadia. Bom, com os homens, ela era mesmo. Mas isso queria dizer que a Whit não era uma boa amiga? Claro que não, e era isso o que eu andava tentando provar para a Lizzie!
Para mim, tudo é uma questão de influência.
Freddie e Brian finalmente chegaram perto o suficiente de nós.
– E aí, galera? – cumprimentou Freddie.
– Olá todo mundo! – disse Brian.
– Oi, meninos! – nós seis fizemos coro.
– E as novidades? – perguntei com um sorriso.
Freddie e Brian se entreolharam e soltaram uma gargalhada.
– Qual é a graça? – quis saber Lizzie, arqueando as sobrancelhas para eles.
Freddie terminou de rir e limpou a garganta.
– A novidade é que vocês estão sentadas a apenas alguns metros das “Patricinhas Insuportáveis” – ele disse, e apontou para uma mesa atrás da nossa.
Eu tive de me virar na cadeira para olhar. E, ao constatar que ele tinha razão, eu e as meninas soltamos uma exclamação de surpresa.
– Merda! – xingou Whitney.
– Como não percebemos que Stella D’Amore e suas clones estavam tão perto da gente? – murmurou Liz, cheia de ódio na voz. Ela estava com tanta raiva que nem parou para repreender Whitney, observei.
– Será que elas ouviram alguma coisa do que dissemos? – Sophie especulou baixinho, arregalando os olhos.
– Não quero ser chata, mas devem ter ouvido, sim – sussurrou a sempre sincera Kayla. – Nós conversamos alto demais!
– Aaai, nãããããããão, por favor, não! – Nikki implorou aos céus, em um tom não tão baixo. – A última coisa de que eu preciso é que o mundo inteiro fique sabendo da minha quedinha pelo Jake Hanson!
– Ou da minha! – ajuntou Liz.
– Relaxem, amigas... – Sophie tentou acalmá-las.
– Não sei por que vocês estão tão preocupadas! – Brian resolveu expressar-se. – Todo mundo tem uma queda pelo Jake Hanson, meu Deus!
– Eu, não – lembrei. Fui ignorada.
– Concordo! Acham mesmo que Stella D’Amore vai se preocupar em espalhar por aí que vocês estão na lista? – Freddie completou.
– Acontece – sibilou Kayla – que Stella D’Amore é simplesmente a fofoqueira mentirosa mais impiedosa deste colégio. E ela nos odeia! Vai fazer de tudo para apimentar a fofoca e transformá-la numa coisa ruim, vocês não entendem?! Lizzie e Nikki não falaram simplesmente “oh, sabe o Jake Hanson? Ele é bonito!”, nada disso. Elas falaram tipo “OH, MEU DEUS, O JAKE HANSON É LIIIIINDO!” E ainda mencionaram o apelido que a Elizabeth deu para ele: Jake Handsome.
É, com essa, posso dizer que ela silenciou o Freddie e o Brian.
– Nossa, Kayla, agora ajudou muito! – ironizou Nicole.
– Total! – concordou Lizzie, corada até a alma.
Eu entendia a preocupação delas. Stella podia até se chamar D’Amore(ela é descendente de italianos, e o sobrenome tem o significado meio que “do amor”), mas de amor não tinha nada! O negócio daquela bruxa lá era: trevas, ódio e fofoca. Sem falar que era uma oferecida, estava dando mole pro Jake Hanson há anos e mesmo assim ela nunca conseguiu transformar aquelas ficadas “ocasionais” deles em coisa séria. Se manca, vadia, o Jake não quer vocêêêêê!
Se nós achávamos que não podia piorar, no segundo seguinte ela e seu exército de marionetes (mais conhecidas como Riley Mitchell e Olivia Dickens) riram naquelas vozes super finas e enjoadas que tinham e se levantaram de sua mesa.
– Que idiotinhas! – comentou Olivia com as “amigas”.
– Não vamos fazer nada?! – indagou Riley. Riley já tinha sido loira falsificada, creio eu que na tentativa de tentar ficar mais parecida com Stella (bleargh). Mas agora seu cabelo castanho estava mais natural do que nunca, visto que suas amigas uma vez a compararam com a Blair Waldorf (isso mesmo, aquela de Gossip Girl) e agora Riley se achava a própria Blair. Inclusive, todos a ajudavam nessa fantasia sem fundamento, passando a chamá-la de “Blair”.
– Blair, não vale à pena gastar saliva com essa gente – replicou Stella, parando para mexer no cabelo insuportavelmente loiro e liso que tinha, com aquele ar de patricinha popular e autoritária típico dela.
Bufei, e Stella virou as costas para seguir as amigas.
– Mesmo porque elas não têm a menor chance com Jake Hanson. – Ela murmurou antes de ir, encarando fixamente, durante alguns segundos, Lizzie por sobre o ombro.
Mesmo centrada em Stella, eu pude ver pelo canto do olho quando Lizzie se encolheu na cadeira. Com um sorriso discreto de vitória, a patricinha tornou a cabeça para frente e seguiu rebolando.
Bem, droga. Stella D’Amore podia ser uma cachorra, mas era quase impossível não ter medo dela.
Infelizmente, depois dessa o sinal tocou e tivemos que voltar para as nossas respectivas salas. Fred e Brian saíram surpresos, eu e as meninas, abaladas.
Sentei meio triste no meu lugar. Sophie e Whitney, que eram da minha sala, bem que tentaram me animar, mas eu estava pensando no problema a mais que minha melhor amiga agora tinha acrescentado à bagagem.
– Ei, Catherine, tudo bem aí?
Virei-me para encarar Erik Daniels, que estava sentado do meu lado. Ele sempre teve uma quedinha assumida por mim, mas eu ainda não tinha dado uns pegas nele.
– Não muito – admiti.
– Por acaso teria alguma coisa a ver com sua arqui-inimiga, Stella D’Amore?
– Como sabe que ela é minha inimiga? – arregalei os olhos. Ele riu.
– Eu sei tudo sobre você, meu amor. – Erik piscou para mim.
Eu sorri sugestivamente.
– E se eu dissesse que sim?
– Bem, nesse caso, teria que te confessar uma coisa. Sabe, Stella D’Amore pode ser a rainha das garotas populares nesse colégio, mas, na minha opinião, quando se trata de beleza, você é igualmente absoluta.
Uuuui! Derreti. Depois de uma dessas...
Com a ajuda da minha mão direita, joguei meu cabelo para trás – gesto que costumava ser o meu charme – e de novo sorri, desta vez o mais sedutoramente que pude, para Erik.
– Absoluta, eu? – dei uma risadinha. – A-do-rei.
Fale com o autor