Been Here All Along
21 20. Angustia
Notas iniciais
–Nicole foi sequestrada por Irina.
No mesmo instante, minha cabeça girou, só ouvia as suplicas de Edward para que eu respondesse, mas não conseguia. Em seguida, minha vista escureceu, e a única coisa que pensei antes de desmaiar, foi em como eu iria me manter calma, enquanto Nicole estava nas mãos de uma louca, e em meu bebê, que mesmo pequenino em meu ventre, já passava por estresses. Sim, eu estava grávida.
Pov. Edward
–Como assim ela sumiu? – Meus nervos estavam em turbilhões, minha mente explodiria a qualquer momento, só de saber que Nicole corria, ou não, perigo com a louca da Irina.
–Se acalme Senhor Cullen. – Tentava inutilmente a diretora me acalmar.
–Como quer que me acalme sabendo que minha filha está nas mãos de uma louca?! – Exaltei-me assustando-a. – Poderia me explicar também a tamanha irresponsabilidade de deixar Nicole sair da propriedade sem o acompanhamento de algum familiar autorizado.
–Este é o problema Senhor Cullen. A mulher que veio, tinha uma autorização assinada com sua caligrafia e nome. Por isso que não duvidamos de nada.
–Como assim? Eu não assinei nada em relação á isso. — Aos poucos tentava me acalmar, precisa entender pelo menos um pouco a mente doentia de Irina.
–Essa mulher, ela veio aqui com uma autorização em seu nome, pois pelas normas da escola, é inaceitável que uma criança saia sem que os responsáveis venham buscá-la ou alguém tenha uma autorização dos pais. Por isso que não desconfiamos de nada.
Mas como Irina tinha coseguido minha autorização? Ah não ser que ela tivesse forjado uma com assinaturas antigas minhas. Pois seus cheques eram todos em meu nome. Tenho a certeza que a vadia guardou algum.
–Ela disse o que era de Nicole?
–Se apresentou como tia da criança. E que você tinha autorizado que ela levasse a menina para passear, pois como vinha poucas vezes no ano, queria ficar mais tempo com a sobrinha.
–Minha filha não ofereceu nenhuma resistência?
–No começo, sim. Pois ela perguntou quem era a mulher. Mas quando a mulher se aproximou dela, deu-lhe um abraço, e sussurrou algo em seu ouvido, não deu para escutar, mas depois disso Nicole relaxou. E seguiu de mãos dadas com a mulher, indo em direção a um carro.
–Lembra-se como o carro era?
–Sim. Era preto.
–Mas alguma coisa?
–Não. Mas temos câmeras de segurança de todas as saídas do colégio, até a esquina. Provavelmente podemos localizar quem era a mulher e o carro que usava.
–Ficarei agradecido se puder fazer isso.
Enquanto a diretora puxava as gravações, pensava comigo mesmo, como contaria para Bella. Eu já estava nervoso, imagine ela, que se descabelava quando acontecia algo com nossa filha, e com Irina envolvida, sua reação, não seria nada calma.
–Senhor Cullen, as únicas imagens são essas. Onde mostram a mulher e Nicole saindo e entrando no carro.
Aproximei-me do computador olhando o vídeo. Era ela, vadia dos infernos, andava tranquilamente até o carro. Levando consigo meu bebê inocente. Meu receio era o que ela poderia fazer com Nicole.
–Vou matá-la. – Sussurrei para mim mesmo. – Poderia dá um zoom, acho que posso ver a placa do carro. – A diretora atendeu prontamente o meu pedido. – Preciso ligar para minha esposa. Poderia fazer uma copia desse vídeo?
–Claro que posso. Você a conhece?
–Hã?
–A mulher do vídeo.
–Infelizmente sim. – Assenti pesadamente. – Com licença.
Disquei o numero de Bella, que foi atendido no terceiro toque.
–Bella, aconteceu uma coisa. – Fui direto ao ponto, meu tom era agonizante, dando para senti-lo a quilômetros.
–Edward, pelo amor de Deus, o que aconteceu? Diz que não foi nada com Nicole. – Porque ela tinha que ser tão sensitiva, agora eu tenho a certeza que Bella pressentia isso desde cedo, seus gestos estavam estranhos, e ela só estava esperando o momento certo para a confirmação.
–Infelizmente foi. Mas por favor, acalme-se e se estiver em pé se sente.
–Como você quer que eu fique calma, se o seu nervosismo é palpável. E por favor, não me deixe mais aflita. O que houve com nossa filha. – Continuei em silencio, procurado forças, onde não tinha para lhe dar a noticia. – Fala Edward. – Choramingou. Eu precisava falar.
–Nicole foi sequestrada por Irina. – Soltei tudo rapidamente em um fôlego só.
Mas o que veio a seguir me assustou. O silencio na linha foi substituído por um baque no chão, como se Bella houvesse desmaiado.
–Bella, Bella, querida... Bella... – Gritei pelo aparelho, tentando me comunicar com ela inutilmente. Só que uma voz feminina respondeu, era Tanya.
–Edward? É a Tanya. O que aconteceu? Bella está desmaiada ao meu lado.
–Oh Deus! Nicole foi sequestrada pela louca da mãe biológica dela. Cuida de Bella, chegarei em alguns minutos.
–Santo Cristo! Fica calmo, tentarei acordar Bella. Até daqui a pouco.
Desliguei, virando para a diretora, que tinha a copia em suas mãos. Agradeci, pedindo desculpas em seguida. Pois mesmo acontecendo tudo isso, a instituição não tinha culpa de nada. Afinal, Irina tinha planejado isso. E a autorização estava em suas mãos.
Sai em disparado com meu carro, chegando minutos depois no escritório de Bella. Entrei, sendo recebido por Tanya, que estava desesperada.
–Bella acordou. Mas não para de chorar, não sei mais o que fazer.
–Onde ela está?
–Na sala dela.
Com passadas largas, cheguei a sua sala. Encontrando uma Bella tremula e pálida, sentada em sua cadeira giratória, com um copo entre as mãos, e lagrimas abundante rolando em seus olhos chocolates.
–Meu bem, acalme-se. – Aproximei dela, ajoelhando-me em sua frente, acariciei suas coxas, enquanto a mesma continuava imóvel, apenas os soluços denunciavam sua mobilidade. – Tudo ficará bem.
–Meu bebê Edward, meu bebê, eu a quero, aqui, comigo. – Falava com a voz entrecortada pelo choro e nervosismo.
–Eu sei querida. Você acha que eu não desejo que nossa filha esteja aqui, segura em nossos braços. – Sussurrei enxugando com meus dedos, as lagrimas que caiam de seus olhos.
–Tenho medo do que essa louca possa fazer com ela. – Soluçou. – Mesmo não a conhecendo pessoalmente, o caráter que ela mostrou, quando abandonou Nicole, demonstra que Irina não vale nada.
–Não vamos pensar no pior. Nicole daqui a pouco estará de volta. A diretora do colégio me deu uma cópia das câmeras de segurança da portaria do colégio. E mostra quando Irina leva Nicole, sabe-se lá para onde, e o mais importante, é que no vídeo mostra a placa do carro.
–E se ele tiver deixado de lado. Apenas o usando para pegar Nicole.
–Isso é provável. Mas tudo que se faz, deixa pistas, por mais planejado que seja. Irei na delegacia prestar queixa do sequestro.
–Vou com você.
–Não Bella. Você não está em condições para ir comigo.
–É claro que estou, e não discuta comigo. Nicole também é minha filha, e irei participar das buscas, não ficarei esperando noticias de braços cruzados, como uma monga, enquanto nossa filha está com aquela louca.
–Tem certeza? – Levantei-me do chão, encostando-me a mesa, observando Bella ir até ao banheiro que tinha na sala, ao lado de uma instante com seus livros. – Por que você tem que ser tão teimosa? – Perguntei derrotado, sabendo que essa guerra já estava perdida.
–Apenas porque não gosto de ficar de braços cruzados, quando alguém que amo, corre perigo, será que é tão difícil você entender?
–Quando se trata de você, a pessoa envolvida, não. Mas é difícil para mim.
Ela se aproximou de mim, ficando frente a frente, com o rosto quase que no mesmo nível que o meu. Botou suas mãos, ao lado de meu rosto, e sussurrou.
–Lembra-se do que falei na primeira vez que fomos à delegacia, para mostrar a carta de Irina, e acusá-la por abandono de incapaz, quando ainda éramos apenas bons amigos?
–Estamos juntos nessa. – Minha voz saiu quase inaudível.
–É você lembra. E sabe, eu não estava brincando ou mentindo quando falei isso. Nicole foi a responsável por nos unir, e se estamos juntos nisso, sempre será por ela.
–Você é uma mulher maravilhosa, sabia? Sempre vou te agradecer por entrar em minha vida. – Acariciei seus longos cabelos. -Nem precisa. Você e Nicole são os grandes responsáveis por minha felicidade. Agora apenas precisamos ser forte, pois como você disse; tudo ficará bem.
–Pronta para ir? — Depositei um beijo em sua testa, para em seguida, selar nossos lábios.
–Sim.
Despedimos-nos de Tanya, que pediu para que lhe avisasse se tivesse alguma noticia, e rumamos em direção à delegacia. Bella já estava mais tranquila, mas seu rosto estava um pouco inchado pelo recente choro. Só que sua expressão de mulher forte e destemida tinha voltado novamente. Ela poderia até está destroçada e com medo por dentro, porém odiava demonstrar isso.
Ainda estava preocupado com seu desmaio, poderia achar que foi por causa da noticia, mas tenho meus motivos para desconfiar de outras coisas. Já que não era a primeira vez que acontecia, de três semanas para hoje, Bella já tinha tido varias tonturas, e dois desmaios, sempre que acordávamos, ela rodopiava e caia na cama tonta. Conversei com ela sobre isso, mas sempre falava que era o cansaço. Depois de que isso tudo acabar, e espero que logo, irei levá-la ao medico, com sua, ou contra vontade.
O trajeto foi rápido e silencioso, cerca de quinze minutos depois, já estávamos em frente à delegacia. Absortos em nossos próprios pensamentos, entramos. Sendo atendidos pelo mesmo delegado da primeira vez, Sr. Black.
–Boa tarde Sr. e Srª. Cullen, o que os trazem aqui? – Nos cumprimentou, apontando para as cadeiras a frente de sua mesa. Sentamos em silencio, até ser quebrado por Bella.
–Nossa filha, Nicole, foi sequestrada. – Foi direto ao ponto, fazendo o delegado arfar.
–Quando? Suspeitos? – Era evidente seu atordoamento, o delegado se comoveu na primeira vez que soube do caso, e bem Nicole se deu bem com ele, já que nos seus aniversários, ele e sua esposa sempre estavam presentes.
–Hoje à tarde, na saída do colégio. E sim, Irina Denali, lembra-se dela? – O tom de Bella era profissional. Eu sempre me surpreendia com sua coragem em qualquer circunstância.
–É a mãe biológica da Nicole, estou certo? A mesma que a abandonou logo que nasceu?
–Sim, ela mesma.
–Mas por quê?
–Não sabemos, desde o ocorrido, não recebemos telefona, ameaças, nada. Apenas o silencio.
–Só que temos uma prova. A diretora do colégio de nossa filha nos deu a copia do circuito de segurança, e bom, nele, mostra a placa do carro, e Nicole sendo levada por ela. Acho que isso pode nos ajudar.
–E muito Edward. Agiremos o mais rápido possível, vocês terão sua filha de volta, e qualquer contato com a suspeita avise-nos. Pois já iremos começar as buscas. Está com a cópia? – Bella tirou de sua bolsa o pequeno cd e entregou ao delegado. – Isso será de grande ajuda.
–Obrigado Sr. Black.
–Estou apenas fazendo o meu trabalho. Apenas peço que mantenham a calma, pois isso sempre é delicado, cada caso é uma forma, e queremos que ocorra da melhor maneira possível, para todos os envolvidos.
[...]
Chegamos em casa por volta das cinco da tarde. No caminho de volta, Bella tinha ligado para Rose e Alice, que no mesmo instante ficaram nervosas, mas tentamos acalmá-las.
Tudo estava em perfeito estado. Só que nossa casa, continha um silencio tenebroso. Sem risos, sem conversas, sem gritos, sem nada, apenas silencio. Bella não quis comer, apenas tomou um banho e ficou na sala comigo, esperando o telefone tocar. E foi nessa espera terrível, que ouvimos o tocar do aparelho.
Atendi no primeiro toque, e era quem nos esperávamos.
–Oi amor, sentindo falta da fedelha?
–Irina, cadê minha filha? Onde ela está?
–Calma querido. Vamos com calma. A nojentinha está aqui do meu lado, e céus, ela não para de chorar, muito mimada.
–O que você fez com ela sua cobra? – Ela soltou uma gargalhada nojenta, que me deu ânsia.
–Só falei umas verdades que ela precisava ouvir. Ela é bem inteligente, pois parece que entendeu.
–Que coisas?- Perguntei entre dentes.
–Quem é sua mãe, o porquê de tê-la abandonado, sobre seu papai e a mulherzinha que ele arranjou essas coisas.
–Sua nojenta, você não ver o que faz para a menina. Ela é apenas uma criança Irina, apenas uma criança.
–Mas já sabe das coisas. Só que não é disso que quero tratar com você. Pois se você quer sua filhinha, terá que fazer o que eu mandar.
–É dinheiro que você quer?
–Basicamente. Passei esses anos te vigiado, e vejo que ficou ainda mais rico, e quem sabe, não pode me dá míseros trocados, por sua querida filha.
–Quanto você quer?
–Não é só assim. Quanto você quer. Temos que conversar, negociar.
–Fala Irina. Estou perdendo a paciência.
–Você acha que tem esse direito, olhe que estou com o seu bebê, e sabe-se lá o que farei com ela. Então calado.
–Desculpa, mas não faça nada com ela. E pelo amor de Deus, ela é sua filha, como pode tratá-la assim.
–Essa remelenta, nunca foi minha filha, eu sou a botei no mundo, contra minha vontade é claro. Pois ela apenas me trouxe gorduras que eu não tinha, mas que já foram consertadas. Ou seja, ela apenas foi um erro em minha vida, então pena dela, eu não tenho.
–Ok! Eu já entendi. Agora me fala. Quanto você quer para devolver minha filha?
–Dez milhões.
–O que? É muito.
–Não para você. É isso, ou nunca mais verá Nicole.
–Eu aceito, aceito. Mas como irei lhe dar esse dinheiro?
–Você irá entregar pessoalmente. Mas primeiro, sem policia, ou qualquer coisa do tipo, ou já sabe.
–A data e a hora? – Fui curto e grosso.
–Amanhã. As 18h00min. O endereço ligo amanhã para avisar. Fique atento. Só é fazer tudo que eu mandar, e terá sua menininha.
A linha ficou muda, encerrando a ligação. Bella que estava escutando tudo tinha lagrimas nos olhos, e raiva contida neles.
–Essa mulher é um monstro. Eu quero matá-la. – Passou as mãos no rosto em sinal de nervosismo. – O que irá fazer?
–Dá o que ela quer; dinheiro.
–Você não está pensando em ir sozinho, não é?
–Claro que vou. É o bem está de nossa filha que está em jogo.
–Não, não, nada disso. Nem cometa essa besteira. Irei ligar para o delegado, e ele irá saber o que fazer.
–Bella não podemos...
–Eu não irei botar sua vida e de Nicole em risco por causa de uma louca.
[...]
–Já sabe o que fazer Cullen?
–Sim. Mas se algo der errado?
–Não irá, confie em você. Já analisamos a área, e como sabe apenas ela está na casa com a menina, e o amante fica do lado de fora vigiando.
–Ok!
Já tínhamos planejado tudo, passamos a noite em claro para fazer a emboscada. Irina já havia ligado mais cedo, avisando o local, que era fora da cidade, perto de um sitio que conhecia bem. Já que costumava ir pelas redondezas quando meus pais estavam vivos.
O dinheiro já estava em mãos, eu tinha colocado em uma grande mochila, pois não era pouco o conteúdo. Bella iria ficar com os oficiais, enquanto eu falava com a louca, para tentar pelo menos despistá-la até dá o sinal verde para os policiais. Que a cercariam, e enfim levaria para o lugar seu de origem, a cadeia. Eu estava confiante nesse plano. Tudo iria dar certo, e daqui algumas horas, Nicole estaria conosco.
Partimos por volta das 16h00min da tarde, pois o caminho era longo. A área era rodeada de verde e marrom por onde passava, exalando um ar de tranquilidade, que não favorecia no momento. Paramos alguns metros antes, desci do carro, indo até o passageiro onde abri, saindo meu porto seguro de lá, e puxei-a para um abraço.
–Tudo vai ficar bem. Qualquer barulho estranho que ouvir, não corra, espere, até que eu der o sinal, está bem? – Afastei dela, tocando em seu rosto úmido. – Eu te amo.
–Eu também te amo. Tenha cuidado e traga Nicole para nós novamente. – Abracei-a apertado novamente, beijando seus cabelos.
O delegado Black se aproximou.
–Está pronto Edward?
–Sim.
–Quando der o sinal verde, invadimos. Mas fique sabendo que se tiver qualquer barulho, não esperaremos.
–Ok! Não posso discutir em relação a isso.
–Boa sorte.
–Obrigado.
Beijei Bella mais uma vez, e entrei no carro. O percurso até a casa era pequeno, já que tínhamos percorrido grande parte do trajeto. Parei uns vinte metros, de uma casa abandonada, que tinha boa aparência, mas o modo exalava abandono.
No portão tinha um cara. Era loira, com o corpo de Emmett, e da minha mesma estatura, bem seria o amante dela. Ele estava de braços cruzados sobre o peito, que dava a aparência de ser maior que eu. E pelo volume em sua cintura, demonstrava a arma localizada naquele local.
Fui até ele, parando de frente ao grandão.
–Você deve ser o Cullen? – Assenti para a voz dura e tediosa. – Irina lhe espera. – Ele se aproximou de mim, colocando as mãos em meu corpo.
–O que está fazendo! – Exclamei tenso.
–Calado, riquinho de merda. – Tive que ficar né, ainda tinha minha filha para salvar. Só depois percebi que ele me revistava, bem procurando alguma arma, sorte que o delegado ouviu minhas suplicas de não ir armado, ou meus miolos estariam por todos os lados agora. – Está limpo, pode entrar, Irina te espera na sala.
A cara possui um quilo de poeira pelos cômodos, o único lugar mais arrumado era a sala, onde a mulher que não via a seis anos estava sentada, em sua pose de autoridade, a perua de sempre.
–Oi querido! Sentiu minha falta. – Sua voz me dava ânsia, não conseguia olhar para ela, sem ter essa sensação.
–Cadê Nicole? – Perguntei sem rodeios.
–Sem pressas. Primeiro iremos conversar.
–Não estou aqui para conversas. – Falei rude.
–Tsc, tsc, tsc, acho que você se esqueceu de quem é que manda aqui. Eu estou no controle, então eu que dito as regras, e digo que agora iremos conversar.
Esperei ela continuar, se era isso que tinha que fazer para ver minha filha novamente, não faria objeções.
–Soube que você se casou com uma songa-monga, porque pelo amor de Deus, Edward. Você já escolheu melhor. – Como se ela fosse melhor de que Bella, idiota, não chegava nem meio fio de cabelo de minha esposa.
–Você não sabe nada sobre ela. – Ela soltou uma risada irônica, e olhou para mim.
–Tem tanta certeza assim? Não te contei? Nesses últimos anos desde a minha partida, fiquei vigiando sua vida, pois se eu precisasse de dinheiro, teria formas e jeitos de possuir. Sei tudo o que passa em sua vida, até o dia de que conheceu a sem sal, botei um detetive em suas costas, sem que percebesse.
–Sério irina não estou para conversar, quero minha filha.
–Eu tenho ódio dessa nojenta pequena, sempre foi ela, sempre. Tudo Nicole em primeiro lugar, se eu soubesse que seria assim, terei matado a remelenta no segundo que me descobri grávida.
Então tudo era ciúmes, essa mulher é doente.
–Irina, ela era apenas um bebê, precisava de cuidados, claro que a atenção seria toda voltada a ela, e você como mãe, tinha que compreender isso.
–Nunca. Ela apenas serviu para destruir minha vida. E você... – Apontou o dedo em riste para meu rosto. — Nunca serviu para nada, apenas para bancar minhas mordomias. James sim, que é um homem de verdade. – Sorriu em um tom apaixonado, sim, isso mesmo, pensei que ela jamais seria capaz de amar alguém.
–Você quer mesmo continuar isso? Já que nos odeia tanto, porque não entrega logo minha filha? – Perguntei da forma mais calma de pude, já que a desequilibrada poderia fazer algo.
Ela não falou nada, apenas saiu em direção a um corredor, soltei um suspiro agoniado. Irina tinha sérios problemas de carência.
Minutos depois, ela apareceu, com Nicole amarrada nos pequenos braços. Estava fraca, como se não tivesse comido ou bebido nada. Seu choro e estado foram os suficientes para quebrar meu coração.
Seus olhos se encontraram com o meu, e pude ver um pouco, de desespero e felicidade, mas acima de tudo, confusão.
–Papai... – Sussurrou cansada.
–Não era isso que você queria sua querida filha, aqui está ela.
–Solte-a, por favor. – Supliquei, odiava me sentir inútil.
A contragosto ela soltou, joguei a mochila sobre seus pés, enquanto abraçava meu bebê fortemente.
–Vai ficar tudo bem querida. Eu te amo. Você nunca mais sairá perto de mim. – Sussurrei de modo que Irina não escutasse. Olhei em seus olhos amedrontados, beijando sua cabeça.
–Que linda cena. Pena que isso não irá durar tanto tempo. — Quando olhei em sua direção. Estava com uma arma apontada para mim.
–O que você irá fazer? – Perguntei protegendo minha filha.
–Não acha obvio demais? Sério que você estava achando que iria sair daqui ileso, junto com sua filhinha querida. Claro que não, você é tão tolo Edward. – Era hora, eu precisava apertar o botão, ou correria o risco que nunca mais voltar para os braços da minha mulher, junto com minha filha. Apertei o botão, agora só restava esperar e rezar.
–Não faz isso Irina. Você já tem seu dinheiro, não era o que você queria.
–Isso não é o suficiente, para que eu esteja completa.
–Para de pensar em vingança, e pense apenas em você. Quer mesmo carregar duas mortes nas costas, quando simplesmente poderia sair por aquela porta, e me deixar viver minha vida em paz. – Tentei conversar.
–Vocês são tão insignificantes para mim, que suas mortes, seriam um alivio, e não um peso sobre mim.
Sua mão já apertava o gatilho, mas quando iria disparar, ouvimos um barulho de tiro no lado de fora, e isso a fez ficar mais nervosa.
–Quem é que está ao lado de fora, Edward! – Gritou raivosa. Apertando ainda mais o gatilho.
Não respondi, fazendo-a ficar com ainda mais raiva.
–Responda. Ou irei estourar seus miolos. – Ouvimos mais tiros, e foi nisso que ela apontou a arma para mim.
Empurrei Nicole para o chão, no mesmo instante que ela disparou a arma, a bala corria em minha direção, tentei desviar, mais em vão, pois passou de raspão, atingindo meu braço.
Quando Nicole gritou assustada, o som de arrombamento da porta foi audível, e disparo também. Irina havia sido atingida pelos policiais. Bella entrara gritando por mim e Nicole. E a ardência no meu ombro, continuava.
–Oh meu Deus! Você está ferido.
–Eu estou bem. Cadê Nicole?
–Está com Emmett, o mandei tirá-la daqui, pois não tenho condições de fazer o mesmo.
–Ele está aqui?
–Liguei para ele, logo que saímos de casa. Ele chegou instante depois de sua saída. Não sabe o quanto fiquei assustada.
–Agora está tudo bem. – Levantei-me com cuidado, sendo amparado por Bella. – Quero ver nossa filha.
Fomos a passos lentos até a porta de entrada. Ainda vi o corpo inerte de Irina ao chão. E na saída o de James, seu até então companheiro. Apenas esperava que Nicole não tivesse visto isso, seria demais para sua cabeçinha.
Minha menina estava tomando água nos braços do padrinho e comendo algumas bolachinhas quando nos viu. Emmett falou algo para ela, que olhou em nossa direção, que apesar de está um pouco abatida, deu-nos um pequeno sorriso. Mas seus olhos correram imediatamente para meu ombro ensanguentado.
–Papai ta machucado? – Perguntou assustada.
–Eu estou bem querida, não se preocupe.
–Você está se sentindo bem, meu anjo?
–Sim. Fiquei com tanto medo mamãe, aquela mulher era louca.
–Agora tudo já passou, não precisa medo, estamos aqui. – Falei, enquanto Bella a abraçava apertado, como se ela pudesse fugir do calor de seus braços. Acariciei seus cabelos, com meu braço em perfeito estado, e agradeci aos céus por tudo ter corrido bem.
–Mamãe posso fazer uma pergunta? – Fui tirado de meus pensamentos, obrigando-me a ouvir a conversa das duas.
–Claro.
–Por que aquela mulher ficava dizendo que a senhora não é a minha mamãe? É mentira dela, não é?
E chegava a hora da “conversa”, não era como tínhamos planejado, mas precisava ser esclarecida.
Continua...
"Angústia é um nó muito apertado bem no meio do seu sossego".
Fale com o autor