Because Of All

3 You've Got To Walk To Make Any Ground


Notas iniciais
(The Last Song - Foo Fighters)
Como eu disse, a história só começa mesmo aqui. O começo foi chato, mas essencial para entender algumas coisas.
Algumas coisas ainda estão meio confusas, mas tudo vai se clarear, prometo XD

–Seu primeiro nome de novo, senhorita? – perguntou a mulher jovem e bem vestida, com batom vermelho e cabelo arrumado, que estava atrás do balcão. Seu sotaque era tão forte que chegava a ser difícil de entender o que falava.

– Ana Carolina. – falei, ainda olhando em volta, sonhadora.

– Quarto individual, não é mesmo? – perguntou ela e eu assenti. Todos do departamento gastronômico têm quarto individual com cozinha expandida, por razões de prática e tudo o mais. Pois é... Tem suas vantagens. – Sua chave, senhorita. Quarto 573, Ala Norte.

Ela me deu uma chave. E só. Agora era comigo.

Saí do Edifício Administrativo e dei logo de cara com um mapa do campus. Logo que descobri onde ficava a Ala Norte, saí andando.

E me impressionei mais a cada passo. Aquele campus... Era... Simplesmente não tenho palavras para expressar a beleza daquele lugar.

O chão todo de paralelepípedos. Simplesmente muito verde, grama, árvores. E edifícios maravilhosos.

As aulas de toda a universidade começariam na segunda, de modo que todos novos estudantes já estavam se acomodando nos dormitórios, e aqueles que já eram veteranos também já voltavam de suas férias.

Então todos os estudantes dos seis departamentos da Chadwick estavam de bobeira pelo campus.

Pôr do sol, lugar bonito, gente nova, país dos meus sonhos, dava pra pedir mais?

Um borrãozinho que corria na minha direção me fez pensar que dava. Chegando mais perto vi uma Bia de casaco, afinal, o outono já estava começando, e na Inglaterra fazia muito mais frio que no Brasil.

– AAAAH! Cara, não acredito que a gente conseguiu! – gritou, pulando em cima de mim, quase me derrubando no meio da rua.

– Eu seeei! – falei, animada – Você viu que coisa linda que é esse lugar? – perguntei, com um sorriso, olhando em volta.

– Óbvio que eu vi, eu estou surtando desde que eu cheguei!

Respirei fundo. Aquele ar britânico passando pelos meus pulmões. Definitivamente era uma sensação inesquecível.

– E aí, viu o Lucas por aí? – perguntou. Neguei.

– Mas eu preciso ir para o meu quarto. Vem comigo? – pedi.

– Mano, como eu queria que você fosse minha colega de quarto! – falou.

– Relaxa, de vez em quando você dorme no meu, só pra relembrar os velhos tempos.

Sorrimos.

Porque não sorrir? Estava no terceiro ano da faculdade, na Inglaterra, com meus dois melhores amigos, fazendo gastronomia. Ou seja, eu estava realizando meu sonho.

Mas no momento eu estava atravessando a universidade com uma mala enorme sendo arrastada atrás de mim, fazendo barulho naqueles paralelepípedos.

Meu salto machucava, porque era realmente muita coisa que tivemos que andar. Mas, finalmente, conseguimos. Abri a porta do quarto 573.

Cacete.

Não tem outra descrição. O quarto era MUITO melhor que eu esperava.

A cozinha era quase metade do dormitório. Era grande, espaçosa, dava pra fazer muita coisa lá.

Tinha uma mesinha, que ia dar para comer, mexer no computador... E tinha um quarto com uma bi cama e um banheiro pequeno.

Mas era tudo muito arrumadinho e bonitinho.

Pois é... Primeiro mundo, sabe como é...

Então, eu comecei a desfazer minha mala (só comecei, porque era MUITA coisa), a Bi me ajudou, e depois a gente foi dar uma volta por aí, ver se achávamos o Lu.

– Se eu não me engano, ele só chega amanhã... – falei, depois de um tempo que estávamos andando.

Bia parou.

– Vai se fuder. Porque você não disse antes? – perguntou, me olhando brava.

Abri a boca para responder quando senti algo nas minhas costas. Cambaleei e quase caí para frente, mas esse “algo” estava me segurando pela cintura.

– É porque eu estou aqui. – falou. Soltou-me e deu um abraço de urso na Bia, dando um beijo na bochecha de cada uma de nós, em seguida.

– Oi. – disse Bi, finalmente, rindo.

– Oi, moças. Que negócio é esse de só chegar amanhã? Eu cheguei de madrugada, já arrumei meu dormitório, já fiz amizade com meu companheiro... E tudo isso antes de vocês pisarem fora do avião. – Lu olhava para mim. Seu tom debochado era o mesmo de sempre, ele deixava a barba crescer levemente.

– Eu só achei, tá? Não é minha culpa. – eu ria, sem graça.

Todos nós sorríamos incansavelmente.

Acabamos decidindo sentar em um espaço vazio no gramado e conversar um pouco sobre as férias.

Não podia ser nada mais perfeito.



Acordei cedo para tomar café. Fiz panquecas, café, e comi uma banana. Então vesti uma roupa simples e pus o uniforme por cima. Acabei de desfazer a mala e fui até o departamento gastronômico.

Eu ainda não tinha entrado lá. Mas quando eu entrei, fiquei boquiaberta. Era perfeito. Na entrada tinha um pequeno café, que podia ser usado por todos do campus. O que é bom, já que assim ninguém precisa atravessar a universidade inteira para chegar à Ala de alimentação, que é na entrada do campus, enquanto aqui era o extremo oposto. Sem falar que a comida deve ser incrível.

Passei na recepção e defini minha grade horária (que era muito mais flexível do que no Brasil). E assim eu tinha tempo pra tudo. Uma aula de manhã e uma à tarde.

Entrei em minha primeira aula, e vários alunos já estavam na sala. O professor, um sujeito gordo e narigudo, entrou na sala.

– Bonjour, classe. Eu sou Antoine Gusteau. Vou dar a maior parte das aulas de culinária para vocês ao longo desse ano. – sua voz era envolvente. – Embora muitos de vocês já sabem, vale reforçar. A primeira parte das aulas é demonstrativa, a segunda, é prática. Toda a teoria será acoplada na aula demonstrativa. – ele se encontrava atrás de uma bancada, no ambiente frontal da sala, que é uma cozinha do chef professor.

Os alunos ficam em bancadas menores, com um espaço vazio e um stovetop, apenas. Todos os ingredientes pareciam ficar nas laterais da sala, onde havia algumas portas metálicas.

Menos de quinze alunos estavam na sala, e eu não cheguei a olhar o rosto de nenhum. Eu só amava demais tudo aquilo.

Na realidade, o meu caso não era o mesmo de Bia e Lucas. Enquanto eles vieram terminar o curso de quatro anos aqui, eu fiz um curso gastronômico completo de dois anos no Brasil, e optei por reforçar com um curso muito mais reconhecido, da faculdade mais tradicional do mundo, de um ano.

Então eu realmente tinha mais conhecimento que boa parte ali.

– Mas hoje será uma aula diferenciada, porque quero reconhecer os conhecimentos que vocês já possuem. Como sei que cada um vem de um lugar, família e cultura diferente, quero que cada um cozinhe algo que saiba e que te represente, ao mesmo tempo algo que se adeque ao seu humor atual. – ele falou. Gostei desse professor. Houve silêncio por alguns instantes. – O que estão esperando, podem cozinhar!

Decidi fazer um risoto de cogumelos.

Olhando em volta, chegava a ser engraçado. Alguns realmente sabiam o que estavam fazendo, como eu, já outros não tinham a menor ideia.

Pouco depois de uma hora, todos os pratos estavam finalizados, e primeiro o chef Gusteau provou todos os pratos, depois permitiu que degustássemos uns os dos outros.

Quando começou a passar de bancada em bancada provando, percebi que eu seria a última. Alguns pratos eram elogiados, outros ele disse que e como podiam melhorar, já outros foram mais neutros.

Até que chegou minha vez, e a primeira coisa que ele fez foi elogiar como eu havia empratado o risoto.

Então ele provou, e logo que pôs na boca arregalou os olhos.

– Isso está maravilhoso! – exclamou com um sotaque francês. – Sei reconhecer uma boa chef quando como sua comida, e você será grande! – só pude sorrir. Isso nem se comparou aos elogios que ele dera aos outros pratos.

Então veio a degustação. Provei alguns pratos muito ruins, alguns médios, e um ou outro ótimo.

Todos pareceram adorar meu prato.

E assim a aula passou em um piscar de olhos.

E chegou a hora do almoço, quando me sentei com meus dois amigos e apenas curtimos e conversamos e nos desligamos do mundo.


Notas finais
Sim, Antoine Gusteau é inspirado no personagem de Ratatouille (só meu filme favorito de todos os tempos).
Bom, espero que tenham gostado. :3 Desculpa a parte chata da aula, juro que não tem muito isso, mas foi importante pra algumas coisas aí que vão acontecer... É.
Deixem reviews. Eu preciso saber se eu realmente devo continuar essa história.