Because Of All

5 We Could Spend A Lifetime Waiting Here


Notas iniciais
(Razor - Foo Fighters)
A história está ficando cada vez mais fácil de escrever.
Boa leitura.

POV Rick:

Acordei mais disposto naquele dia do que no dia anterior.

Era meu sexto ano naquele campus, mas eu percebera, ontem, que agora isso não era mais algo ruim, como quando eu fazia engenharia.

Agora era muito mais agradável.

Sem falar na garota bonitinha que fez um risoto na aula da manhã. Ela tem todas as aulas junto comigo, o que com certeza é interessante.

Pus uma camiseta e um jeans, com o uniforme por cima. Eu ainda não tinha me acostumado com o uniforme, mas esse tipo de coisa é meio irrelevante. Daqui a pouco passa.

Fui pra a aula. A morena já tinha chegado. Estava com uma carinha de sono, mas continuava bonita. Tinha prendido o cabelo num rabo, e os cachos caíam até um pouco mais em cima nas costas, agora.

Passei atrás dela e senti seu perfume. Sentei na mesma bancada de costume, ao seu lado. Ela mesmo assim não olhou.

Eu devia ir falar com a garota. Mas agora o professor estava falando. Tudo bem, eu esperava até a gente começar a cozinhar.

Hoje era aula de técnicas básicas da culinária francesa, então o chef passou quase o tempo todo falando coisas para fazermos, corrigindo as pessoas...

Então, por um tempo, a classe ficou em silêncio. Hora de falar com ela. Olhei para o lado.

Ah, cara, não dava. Ela estava tão focada cozinhando. Tão bonitinha... Eu não queria atrapalhar.

Saindo da aula, ela disparou na frente, então também não consegui falar.

Até cheguei a vê-la na hora do almoço. Mas ela estava com um cara... Rapidinho ele, hein? Já no segundo dia... Ah, deixa pra lá.

Na aula da tarde, enquanto a professora falava sobre higiene e todo aquele treco chato, ela estava fechando os olhos de sono.

– Psiu. – investi.

Os olhos cor de mel pousaram em mim, agora bem abertos. Ela ficou em silêncio, me olhando com um semi-sorriso, então decidi progredir.

– Acho que ela não vai gostar se você dormir. Só faltam dez minutos. Você aguenta. – falei, com o canto da boca teimando de virar mais pra cima do que deveria.

Ela sorriu.

Eu já tinha a visto sorrir, porque ela fazia o tempo todo enquanto cozinhava, mas dessa vez ela sorriu pra mim. Senti um frio na barriga.

– Acho que também não vai gostar de ver a gente conversando. – sua voz. Sua voz era linda. E ela tinha sotaque americano. Bem que eu percebi que ela não era daqui.

Agora eu não consegui evitar e abri um sorriso.

Então fiquei quieto, porque ela tinha razão. Além do mais, eu tinha respeito a qualquer chef que fosse brilhante o suficiente para pisar naquela escola.

Ao fim da aula, eu nem tive tempo de virar e a garota já tinha sumido.

Tá, ia ser difícil. Mas tudo bem. Eu tinha que ir à academia, de qualquer jeito, então passei no meu novo e melhorado dormitório (o meu antigo era menor, e eu tinha que dividir com um cara estranho) e troquei de roupa.

Chegando lá, só tinha duas esteiras vazias, dos dois lados de uma garota baixa que acabara de chegar.

Ao me aproximar, vi, para a minha sorte, que era a mesma garota da aula. Ela se virou com um olhar um tanto cruel, mas eu sorria. Então adquiriu uma expressão mais simpática.

– Você de novo! – eu disse.

– Você lembrou. – ela sorriu. Eu nem precisava fazer exercício, porque ela já conseguiu fazer o ritmo do meu coração acelerar um pouco...

– É óbvio que eu lembrei, temos todas as aulas juntos. – liguei a esteira e comecei a aquecer.

– Temos? – sua expressão era fofa. Óbvio que eu sabia que ela não tinha a menor ideia, aquela garota era completamente distraída. Eu ri.

– Temos. – ela corou um pouco. Ou será que era o exercício? Difícil dizer...

– Quer dizer que você reparou, né? – eu sorri. Legal, ela já estava me provocando. É um avanço. Aposto que ela não fazia isso com o garoto do almoço.

– Todo mundo reparou em você, pequena. – abriu um sorriso de volta.

– Ah é, é?

– Claro. – sua expressão pedia que eu prosseguisse. — Você começou com um elogio do Chef Gusteau. Daí já começaram a te olhar, e viram como você é apaixonada quando cozinha,- ok, quem viu isso fui eu... — e como tudo que você toca vira incrível. E, claro, para completar, — sorri torto — tem esse sorriso.

Ela sorriu e corou mais.

– É... – ela ficou sem graça. – Eu vou... – apontou para a esteira e ficou quieta correndo.

Depois de meia hora eu desliguei a esteira e me virei para ir embora.

– Vou indo. Te vejo amanhã na aula.

Já havia virado quando ela me chamou.

– Espera! – parei e reprimi meu sorriso. Tentei fazer uma cara sexy quando virei, mas deve ter ficado estranho. – É... Qual o seu nome?

É. Talvez eu tenha esquecido um pedaço importante da coisa.

– Richard... Rick. E o seu?

– Ana. – deu um sorriso e voltou a correr. Eu fui para meu quarto, tomei um banho, e tentei esquecer aquele sotaque fofo americano.



No dia seguinte eu dormi demais, e cheguei atrasado para a aula. Não que ninguém tenha parado para olhar ou que a Ana tenha sentido minha falta.

Ela estava muito fofa quando eu cheguei, batendo uns ovos, sei lá pra o que. Parei para observá-la e abri um sorriso.

POV Ana:

Senti um par de olhos sobre mim e espiei de canto de olho. Vi que era o Rick. Ele tinha chegado e estava parado olhando para mim.

Retribuí o olhar.

– O que foi? – perguntei, sorrindo torto.

– Nada... – ele continuava com um sorriso bobo no rosto. – Sabe, acho que você devia sorrir com mais frequência. – ele disse.

– Você acha que eu sorrio pouco? – perguntei, fingindo ofensa. Óbvio que não foi isso que ele quis dizer.

– Não. – falou. – Não é isso que eu quis dizer, né. – disse apenas. Ficou quieto por alguns instantes, criando certo suspense. Como se eu não imaginasse o que ele ia dizer... – É que você tem o sorriso mais lindo do mundo.

Me peguei tentando me matar, mas acho que só sorri de volta.

Por quê?

Normalmente nenhum garoto fofo ia vir falar comigo desse jeito. Mesmo. Mas claro que é só eu prometer que não queria me envolver em nada, que não queria machucar ninguém, que não queria complicar as coisas pro meu lado mais tarde, que vem essa coisa linda na minha vida.

Eu só virei e continuei o que estava fazendo.

Acabando a aula, eu nem tive tempo de fugir o mais rápido que eu pude, porque antes disso pegaram no meu pulso. Preciso falar quem? Não, né. Você entendeu.

– Posso almoçar com você? – perguntou, com um sorriso que não me deixou dizer não.

– Claro. – fomos andando até os restaurantes, do outro lado do campus. Demorava uns vinte minutos para chegar lá.

– Posso perguntar algo? – por favor, nada que me deixe mais sem graça. Resolvi assentir, tímida. – Você não tem sotaque daqui. – observou. Óbvio. Eu nunca ia conseguir falar de um jeito tão sexy — É dos Estados Unidos, né?

Eu ri.

– Não. – disse. – na verdade eu sou do... Brasil.

Ele deu um risinho.

– Tá, desculpa, foi uma pergunta idiota. De que parte dos EUA você é? – eu parei e olhei pra ele. Sério mesmo que ele achou que eu estava brincando?

– É sério, eu sou do Brasil. – repeti. Ele riu mais uma vez.

– Não acredito em você. Você tem sotaque americano. – disse, teimoso.

– É porque eu ouço inglês americano – falei, irritada, mas brincalhona -, mas é sério.

– Mentirosa. Seu inglês é bom demais. – deu um sorriso torto.

– Morre.

– Ainda não acredito em você. – ele riu de deboche.

Eu ri também, e nos sentamos em uma mesa vazia. Pegamos comida, e começamos a conversar enquanto almoçávamos.

Até que chega uma Bia e, sem mais nem menos, senta ao meu lado.

– Oi. – disse ela, em português. – Quem é essa coisa maravilhosa que está aqui me olhando com cara de desentendido, hein?

– É o Rick, que faz aula comigo. – respondi, também em português. Ele nos olhava com uma expressão interessante, sem ter a mínima ideia do que estava acontecendo. – eu aceitei almoçar com ele hoje.

Ela abriu um sorriso malicioso.

– Era com ele que você estava falando ontem na academia? Mal conhece o garoto e já tem um encontro, hein, vadia? – manteve a mesma expressão maliciosa de antes.

– Sim, era com ele. – falei. – E não, não é um encontro. Espera, você me viu ontem na academia? O que você estava fazendo lá, anoréxica filha da mãe?

– Cala a boca que você também é magra. – disse. – E é sim um encontro, olha como ele olha para você.

Eu dei um sorrisinho, que logo que me toquei foi substituído por uma expressão mais triste. Ela se tocou e parou de sorrir.

– Isso te lembra de algo? – falei, distante, voltando àquele dia.

– Foi mal. – disse ela, antes mesmo de eu terminar a frase.

Mudei de assunto e simplesmente apresentei os dois. Então me toquei de uma coisa.

– Ah – há! Viu, eu disse! Eu sou do Brasil. – me referi ao fato de a gente estar falando em português até então.

– Eu falo espanhol, e não é isso que vocês estavam falando. – falou ele, sério.

Eu e Bia nos entreolhamos. Rimos.

E rimos, e rimos... É... Tenso.

– Cara, no Brasil a gente fala português. – falei, por fim.

– Mentirosa. – me acusou novamente, com o mesmo sorriso torto no rosto.

– Sério, pode pesquisar.


Notas finais
E aí, gostaram? Deixem reviews XD