Because Of All

6 Into The Night We Shine, Lighting The Way We Drive


Notas iniciais
O nome inteiro do capítulo é "Into the night we shine, lighting the way we drive by." (Next Year, Foo Fighters).
Será que eu curto ff? NÃAAAO! ~ironia~
boa leitura :3

– Sumiu hoje no almoço, hein? – falei, bagunçando o cabelo do Lucas, que estava sentado num aparelho de malhar as costas.

Ele agora malhava. É, acho que há quase três anos ele começou e... Digamos que ele não é mais aquele garoto magricela de antes, sabe como é... Mas o que também é decepcionante, porque quando a malhação começou a fazer efeito a gente já não estava mais junto.

– Pois é. – sua voz indicava que já estava malhando há um tempo. Isso e a camiseta levemente suada. – Eu estava em reunião hoje no almoço. – comentou, parando de puxar ferro. – Alguns professores querem me oferecer uma bolsa parcial pelo meu discurso.

Meus olhos se iluminaram.

– Sério? – perguntei, sorridente. Ele assentiu. Eu abracei-o, mesmo que suado. – Eu sempre disse que você era bom.

Ele corou.

–... Com discursos. – completei, devido à ambiguidade daquela frase.

– É, bom, isso é o que eles acham. – ele levantou-se e mudou de aparelho.

– Fico feliz. – ele sorriu com a minha consideração.

Suas covinhas apareceram. Sempre que eu via as covinhas eu... Começava a me lembrar demais das coisas. Balancei a cabeça, dei meia volta e comecei a correr. Coloquei música alta, pra me desligar do mundo.

Corri por duas horas. Então voltei pro quarto e me enfiei no chuveiro. E dormi que nem um bebê.



– Posso te roubar para o almoço mais uma vez? – perguntou perto demais do meu ouvido. Tentei não deixar transparecer os arrepios.

– É... Tá. – andamos em silêncio por certo tempo.

– Ei, sabia que eu realmente pesquisei se no Brasil se fala português? – aquele sorriso bobo não saía do seu rosto. Era engraçado, porque ele era uns vinte centímetros mais alto que eu. Não que isso fosse muito difícil...

– Pesquisou? – ergui as sobrancelhas ao perguntar. – Agora acredita em mim?

– Continuo desconfiado. – admitiu. – Você não é confiável.

Rimos. Avistei Bi e Lucas sentados em uma mesa próxima.

– E aí, gente? Tem problema se ele sentar com a gente? – perguntei. Bia fez que não, me lançando olhares e mais olhares sugestivos. Lucas encarou o cara, sério, e só assentiu, tirando o laptop da cadeira para ele se sentar.

POV Rick:

A Ana me arrastou para uma mesa onde a garota bonita de ontem, a tal amiga brasileira, e mais um cara estavam sentados.

Chegando mais perto, percebi que era o tal garoto que estava almoçando com ela uns dias atrás.

Ana disse alguma coisa em português, que eu não entendi, óbvio. Então eles assentiram e o tal cara tirou um laptop da cadeira, para eu sentar. Ele não parecia lá muito feliz.

O cara era brasileiro?

– Oi, eu sou o Richard. – falei, estendendo a mão para ele. Ele me cumprimentou.

– Lucas.

POV Ana:

– Você também é amigo da Ana do Brasil? – ouvi o Rick perguntar, sem muita discrição, com ênfase em “amigo”. Aquilo era um pouco desconfortável pra mim.

– Sou sim. – Lucas sorriu. Ótimo, ele foi gentil. – E você? Faz gastronomia com ela?

Rick só assentiu e nós começamos a comer. Ficou um silêncio constrangedor depois disso.

Eu e Rick voltamos andando em uma direção, e Bia e Lucas foram em outra, porque os prédios nos quais eles estudam são vizinhos.

– Então... – ele disse, tentando quebrar o silêncio, enquanto caminhávamos, já na metade do caminho. – Aquele cara... Bom amigo? – perguntou, um pouco sem graça.

– É, sim. Já somos melhores amigos, eu, ele e a Bia, há uns cinco anos. – falei, com um sorriso inexpressivo. – eu e a Bia há um pouco mais de tempo, até.

Ele pareceu pensar por um segundo.

– Sem querer ser indelicado nem nada – bagunçou o cabelo, aparentemente com vergonha – mas quantos anos você tem?

– Dezenove. – às vezes, quando eu dizia aquilo, eu não acreditava muito nas minhas próprias palavras. Tinha partes de mim que ficavam presas no passado, enquanto outras tentavam avançar no futuro...

– Só? Nossa, que novinha.

Minha risada saiu com um tom de irritação e reprovação.

– Quantos você tem, senhor eu-sou-velho-e-experiente? – brinquei. Ele soltou um risinho fraco.

– Vinte e três.

– Nossa, velho, hein? Quase idoso. – brinquei.

– O cabelo já vai cair... – sua expressão brincalhona era fofa. É.



Eles se serviram e se sentaram à mesa. Tínhamos combinado de jantar juntos na sexta. Abri o vinho e servi os dois e a mim mesma.

– E o britaniquinho de ontem, hein? – comentou Lu, subindo as sobrancelhas de modo sugestivo. – Anda pegando ele? – brincou. Dei um tapa em seu ombro, com um sorriso envergonhado.

– Vai se fuder. Não me conhece mais, é? – perguntei. Ou seja, não, não estava pegando ele.

– Tá bom, vamos reformular a pergunta... – deu um gole de vinho e prosseguiu. – Pretende pegar? – abriu um sorrisinho malicioso.

– Você quer morrer, moleque? – perguntei, ameaçando-o com a faca (lê-se faca sem ponta e inofensiva).

– Ui, estressada. – ele e Bia se entreolharam e o olhar dela respondeu a pergunta com um “sim”.

– Eu não quero ficar com ele, tá? – falei, mas ambos ergueram as sobrancelhas, porque sabiam que era mentira. – eu só vou estudar aqui até novembro. Depois eu não sei o que vou acabar fazendo. Talvez eu saia daqui e volte pro Brasil, talvez eu fique, mas até eu descobrir, prometi a mim mesma que eu ia ficar na minha. – comi uma garfada. — Só não quero ninguém machucado nessa história. – completei.

Eles entenderam o recado e calaram a boca. Deram a primeira garfada, e a expressão deles disse tudo.

– Cara, — começou Lu – como é bom ter uma amiga que cozinha. – Eu sorri, e Bia assentiu, concordando.

Então, depois que acabamos com nossos pratos e metade da garrafa de vinho, eu trouxe a sobremesa. Brownie.

Enchi o meu de calda de caramelo. De volta aos dez anos, é...

Caiu um pedaço de brownie, sujando minha roupa.

– Cara – Bia riu. – você nunca muda.

Sorri.

– Não mesmo. – admiti. Era tão bom tê-la por perto. Ter os dois... – Gente, durmam aqui hoje. – convidei. – A Bia dorme no meu quarto e o Lucas no sofá.

– Não quero dormir assim. – falou Bia, apontando para sua roupa. – acho que passo lá no meu quarto, pego umas coisas, aviso a Kate e volto aqui. – eu assenti.

– Eu acho que vou fazer o mesmo, mas tudo bem. Vai ser legal. – disse Lucas, com um sorriso.

Quando acabamos a sobremesa foi isso que eles fizeram.

Chegaram juntos, deviam ter se encontrado no caminho. Eu já estava de pijama, com um shortinho e uma camiseta baby-look. Meu conceito de pijama.

Lucas me olhou durante um pouco mais de tempo do que eu consideraria aceitável. Mas tudo bem, afinal, nunca a gente ia superar cem por cento de tudo que a gente passou.

E mais, ele é homem.

Ainda mais perdoável quando ele colocou seu pijama, uma camiseta colada branca e uma calça cinza. Ainda bem que olhar não tira pedaço...

Mas voltando, bebemos mais um pouco de vinho (eu disse UM POUCO, tá?) e acabamos dormindo.

Acordei no dia seguinte para fazer café para nós três. Preparei waffles e pus a mesa, com suco, iogurte, geleias, manteiga, pães, frutas...

Fazer o que, eu gosto de agradar quem eu amo.

Pouco depois os dois estavam de pé e a gente tomava café. Lucas comeu pouco, mas tomou umas três xícaras de café.

Já a Bia comeu uns três waffles com nutella. Ri comigo mesma. Nada mudou...


Notas finais
#luquinhastarado #sóqnão
reviews XD