Because Of All
8 Something I Wasn't Sure Of, But I Was Into
Notas iniciais
– O nome dela era Jenny Wortley. – respondeu, com nostalgia estampada em seu rosto. – ela tinha cabelos encaracolados cor de mel e olhos bem escuros. – eu não pude deixar de sorrir com a meiguice que era o jeito que ele falava dela. – a gente tinha uns doze anos. Eu não sei, não lembro bem o que aconteceu. Só que... Um dia a gente era amigo, e no dia seguinte eu comecei a achar o sorriso dela bonito, comecei a me preocupar com meu cabelo e minhas roupas, e a querer beijá-la. – a essa altura minha bochecha já doía de tanto sorrir. Eu só queria apertar as bochechas daquela criatura. Imagina um Rick de doze anos apaixonado? Coisa mais fofa. – Eu me lembro do quanto eu achava isso meio nojento na época... Mas, de qualquer jeito, chega de falar de mim. Me fala do seu primeiro amor.
Uma parte de mim queria evitar esse assunto até o último segundo. Já uma outra parte queria desentalar a garganta. Afinal, já fazia uma eternidade e meia que eu não falava sobre isso.
– Bom... – eu dei um riso, um tanto forçado. – foi com o Lucas. Apaixonar de verdade foi. – admiti. Ele não parecia muito surpreso.
– Eu bem notei que tinha algo entre vocês dois. – confessou.
– É... Tinha. – continuei. – a gente tinha catorze anos quando isso começou. – seus olhos me mandavam prosseguir, silenciosamente – no começo a gente tinha uma quedinha um pelo outro. Depois ficamos muito amigos. E aí, no segundo ano, começamos a namorar. E ficamos juntos por um tempo. – ele parecia intrigado para ver como isso acabaria — Só que no fim do terceiro ano, as coisas começaram a ficar estranhas. E por causa de vestibular e tudo o mais, a gente decidiu terminar e ficar só amigos. – falei. – e é assim até hoje.
– Quer dizer que vocês dois realmente se envolveram? – ele se aproximou. Óbvio, a essa altura a gente já acabara de comer e só continuava a beber vinho. Eu assenti.
– No passado. – fixei. Olhávamos um muito fundo no olho do outro.
– E o futuro? – perguntou.
Aquela pergunta teve um efeito diferente em mim do que deveria. Ao invés de pensar no que ele realmente queria, ou seja, se eu pretendia voltar com o Lucas algum dia, meus pensamentos se dirigiram em outra direção.
Naquele momento eu me toquei que deveria parar de me privar das coisas agora por medo do que ia acontecer no futuro. Então decidi ser feliz ali, naquela hora. Não só porque tudo dentro de mim me dizia para fazê-lo, mas principalmente porque o futuro é só um conjunto de consequências do agora.
– O importante mesmo – estávamos muito próximos agora. Nossas respirações começaram a se misturar – é o agora. – afirmei, e ele entendeu o recado, pude perceber o brilho em seus olhos.
Então, como que instantaneamente, ele acabou com o espaço entre nós, e nossos lábios se tocaram em um só gesto, com certa urgência. Primeiro o beijo foi, de certa forma, tímido, mesmo que apaixonado. Mas, aos poucos, começou a esquentar.
Eu sentia uma sensação maravilhosa, e foi assim que soube que tinha tomado a decisão certa. Realmente gostava do Rick, e, se assim era, eu tinha mesmo que ficar com ele.
Ficamos nos beijando por algum tempo no tapete, eu arranhando sua nuca e ele me puxando para perto de si pela cintura.
Então, ainda me beijando, ele levantou-se, me puxando consigo. Foi andando de costas em direção ao quarto. Nesse ponto, parávamos de nos beijar diversas vezes, apenas por intervalos grandes o suficiente para conseguirmos sorrir.
Ele abriu a porta do quarto e me derrubou na cama. Deitou-se sobre mim e logo me beijava novamente. Comecei a desabotoar sua camisa.
Dei de cara com a mais pura perfeição em forma de tanquinho. Abri um sorrisinho carregado de malícia, que pareceu agradá-lo, porque desceu sua boca para meu pescoço, me causando arrepios.
Depois de pouco tempo nossa roupa já estava no chão, e eu estava só de lingerie e ele só de cueca boxer. Branca. E eu mal podia me aguentar para não morder cada centímetro daquele corpinho delicioso.
Eu não era virgem, e isso definitivamente é algo que eu mudaria se pudesse, porque o idiota que transou comigo pela primeira vez sumiu do mapa depois de uma semana.
Mas, voltando, ele tirou meu sutiã, e desceu sua boca mais ainda, até meus seios. Até que tirou minha calcinha e sua boxer. Colocou a camisinha (é isso aí, crianças, proteção em primeiro lugar!).
Quando ele me penetrou, eu só conseguia pensar na minha sorte de ter aquele garoto maravilhoso.
Aos poucos, o ritmo foi aumentando até que tivemos, ao mesmo tempo, um orgasmo.
E ali dormimos, eu babando em cima dele, e completamente nus.
Acordei desorientada no dia seguinte. Pisquei por um tempo, até que consegui abrir os olhos. Senti algo duro contra minha coxa, e percebi que era o pênis do Rick. Do Rick. Arregalei os olhos.
Só aí me toquei do que tinha acontecido noite passada. Dei um sorrisinho.
Olhei em volta. Cara, que sensação boa, acordar em cima dele, com a boca entreaberta, dormindo de um jeito fofo.
Então meus olhos pousaram em um despertador que tinha do lado da cama dele. Daí eu me toquei que era sexta.
– Rick. – sussurrei em seu ouvido. Embora eu não quisesse acordá-lo, porque ele estava uma gracinha, eu precisava. – Acorda.
Ele gemeu, em protesto. Então abriu os olhos, e logo em seguida, um sorriso que misturava satisfação e malícia.
– Bom dia. – falou, me puxando contra si pela minha cintura.
– Sem tempo pra isso. – reclamei, mesmo que não quisesse. – falta menos de quinze minutos pra a aula. A gente dormiu demais.
– Vamos faltar. – pediu, em um tom quase infantil, com os olhos carregados de planos.
– Hoje é sexta. – falei, e seus olhos se arregalaram.
A gente não tinha tempo pra toda aquela enrolação!
– Puta que pariu! – ele levantou e eu fiz o mesmo. – a gente não pode chegar atrasado nem fudendo para a primeira avaliação do ano! – eu assenti.
– Eu sei, porque você acha que eu te acordei? – gritei, colocando minha roupa, que estava no chão.
Entrei em seu banheiro e lavei o rosto. Pelo menos eu não estava com cara de sono, então até dava pra viver sem maquiagem até a hora do almoço.
Prendi meu cabelo num coque, a única solução que consegui achar para o nó que ele estava depois de ontem.
– Pronta? – Rick perguntou quando eu saí do banheiro. Assenti. Ele se arrumou em menos de um minuto e estava perfeito. Já eu, estava horrível.
Dei mil graças a Deus por eu guardar um uniforme reserva junto ao meu cepo de facas, na minha bancada de costume.
Nós dois saímos correndo, mesmo que o prédio gastronômico fosse ao lado do dormitório do Rick. E chegamos em cima da hora, dando tempo suficiente apenas para eu colocar o uniforme por cima da roupa.
Respirei fundo e olhei para Rick. Foi por pouco.
Estava morrendo de fome, porque eu não tinha tomado café (o que valeu a pena, em primeiro lugar porque eu tirei dez na avaliação. Rick também foi muito bem, a segunda maior nota da sala. E também por que... Né), então decidi almoçar rápido e só depois passar no meu dormitório e ajeitar o meu visual.
Peguei comida e sentei em na mesa em que a Bia e o Lucas estavam. Bia me olhou em um misto de surpresa e malícia.
– Tá bom, porque você está usando a mesma roupa que eu te vi usando ontem à noite e está com um sorriso idiota no rosto, hein? – perguntou, e Lucas pareceu desconfortável.
Eu tinha me esquecido disso. A Bia me vira com essa roupa na noite anterior. É, fudeu.
– É... Gente... Eu vou indo. – Lucas levantou, sem graça. Ele já acabara de comer, e, embora eu soubesse que ele realmente estava muito ocupado ultimamente, eu também soube que ele não queria ouvir o resto da conversa. – eu vejo vocês hoje à noite.
Nós tínhamos combinado de jantar na minha casa de novo.
– E aí, desembucha, criança. – Bia ordenou.
– Eu pretendia contar depois, com mais calma, porque eu realmente preciso comer rápido pra dar tempo de passar no meu dormitório. – confessei.
– Querida, se você queria ser discreta, então porque apareceu com a mesma roupa, que, a propósito, não é nada diurna? – Bi ergueu as sobrancelhas.
– Eu trocaria de roupa se a gente não tivesse acordado atrasado para a avaliação.
– Para de enrolar e fala logo, filha. Eu sabia que você ia ter um encontro quando te vi ontem à noite. Sabia! – ela foi direta, me obrigando a falar.
– Não era um encontro. – ela me olhou, claramente discordando. – ontem quando eu saí da aula, à tarde, o Rick me encontrou, e ele viu que eu estava meio chateada, então me convidou pra jantar com ele. Só que as coisas fugiram um pouco do controle... – eu estava corada, então decidi só olhar para a comida para não ter que enfrentar os olhares da Bia. – e é melhor você chegar mais cedo hoje à noite em casa, que daí eu conto os detalhes. Agora eu tenho que ir. – fugi para meu dormitório antes que ela pudesse me seguir, e então finalmente troquei de roupa e me arrumei direito.
Notas finais
Ignorem, e deixem reviews
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