Because Of All
9 Don't Carry The World Upon Your Shoulders
Notas iniciais
Good leitura XD
Assim que acabei o banho já ouvi a campainha. Fui abrir a porta.
– Tá. – Bia falou antes mesmo que eu pudesse dar “oi”. – Eu passei o dia inteira ansiosa, então é melhor você falar logo, criança. – disse rápido, enquanto andava para sentar-se no sofá.
Eu corei.
– Oi, Bi! Tudo bom com você? Quer entrar? – ironizei e ela deu uma falsa risadinha.
– Sem enrolação. – foi breve.
Fechei a porta e sentei-me ao seu lado, cruzando as pernas.
– Onde eu parei?
– Você não me disse porra nenhuma, isso sim. – seus braços estavam cruzados.
– Tá.
Respirei fundo.
– A gente estava jantando e ele me elogiava, e era fofo, e tudo o mais. – eu ficava muito sem graça para contar essas coisas. – Daí a gente começou a conversar e eu me toquei que não podia ficar triste agora, sem ele, com medo do que ia acontecer depois. Ainda mais tão perto dele... – admiti. Bia estava atenta, escutando. – então teve uma hora que a gente ficou perto demais. – eu queria um saco para esconder minha cara. Mesmo Bia sendo minha melhor amiga, eu tinha vergonha de falar sobre isso com ela. Não porque eu não queria que ela soubesse. Eu queria. Só não me sentia cem por cento à vontade falando disso. – E então a gente começou a se beijar. E depois que as coisas esquentaram, eu... Ele... Foi me puxando para o quarto dele. E então... Você sabe.
Ergueu as sobrancelhas, rindo, maliciosa.
– Cara. – ela comentou, reprimindo um sorriso. – Eu sabia que vocês dois iam ficar! Eu tinha certeza absoluta!
– É...
– E agora? Vocês vão continuar ficando ou...
– Não sei. – interrompi-a. – eu ainda não tive tempo de conversar com ele.
– Ele é gostoso? – perguntou, e então bateu a mão na testa. – Óbvio que ele é gostoso... Mas ele é tão gostoso quanto parece? – seus olhinhos ansiavam por minha resposta.
– Mais. – respondi, lembrando.
Então nós ouvimos a campainha. Abri a porta para o Lucas.
Como eu estava cansada depois da avaliação, decidi só servir alguns queijos com vinho naquela noite, e depois a gente comia sorvete.
– Mas então. – reuni minhas forças para falar aquilo, por mais que não quisesse. Eu só queria expressar que não me sentia mal com o assunto. O que era mentira, é claro. – O que aconteceu com o “Garotas bonitas não fazem direito. É chato demais pra elas”, hein, senhor garanhão? – fiz uma voz debochada da qual Bia riu. Lu apenas corou.
– Quem, a Sarah? – eu assenti, de sobrancelhas erguidas. – Ah, ela é do primeiro ano, então não faz nenhuma aula comigo. Mas eu passei um tempo com ela essa semana porque ela também está concorrendo pela bolsa.
Ele não olhava para a gente. Tímido como sempre.
– Hm... – eu e Bia dissemos em coro. Nos entreolhamos, e sorrimos com malícia. – E aí, pegando ela? – nós dissemos, ainda juntas.
– Não, né. – ele corou.
– Pretende pegar? – Bi disse, imitando-o. Ele ficou quieto, o que me irritou um pouco.
Quem cala, consente.
Quando acordei já passava de meio dia e meia. Era sábado, mas, como eu estava com preguiça de cozinhar ou de fazer qualquer coisa, decidi simplesmente ir até os restaurantes e comer algo por lá.
O campus estava mais cheio do que o normal, como todo fim de semana, principalmente na hora do almoço.
Não havendo muitas mesas vagas, eu tive que olhar bem atentamente em volta para achar alguma.
E nessa de procurar, acabei achando uma outra coisa. Uma Bia almoçando.
Mas ela não estava almoçando sozinha.
Não, ela estava com, ninguém mais, ninguém menos, que um ruivo.
POV Bia:
Eu almoçava sozinha. Num sábado. Altamente deprimente, eu sei.
Mas o Lucas estava meio estranho, e eu não ia simplesmente chamar o garoto. A Ana, parecia que estava dormindo, já que eu liguei pra ela e ela não atendeu, o que não costuma acontecer.
Rebekah, minha colega de quarto, tinha dormido com um jogador aleatório de futebol. Hayley estava viajando.
E eu estava com fome. Então foda-se.
– Oi. – ouvi uma voz masculina suave atrás de mim, que me fez virar. Dei de cara com um ruivo. Um. Ruivo.
Eu nem tinha visto que tinha algum ruivo no campus. Porque, acredite, eu notaria. Ainda mais com aqueles olhos verde-acinzentados.
E o sorriso.
– Tem problema se eu sentar com você? – ele segurava uma bandeja de fajitas. – É que não tem nenhuma mesa vazia. – justificou-se. Não precisa justificar não. É. – E você com certeza me parece ser a pessoa mais interessante por aqui. Interessante demais pra estar sentada sozinha.
Eu abri um sorriso do tamanho do universo.
Ah, não. De novo não.
– Claro. Senta aí. – arrastei uma cadeira pra trás.
Ele era lindo.
Tentei não parecer uma idiota, mas é claro que provavelmente não estava dando certo.
– A propósito, eu sou o Jeremy. – lançou-me um olhar que simplesmente me fez derreter.
– Eu sou a Bia.
– Você não é daqui, é? – perguntou, notando. Neguei.
– Sou do Brasil. – ele assentiu.
– Que legal. E você faz faculdade do que, Bia? – meu coração acelerou um pouco com ele me chamando pelo nome.
– Psicologia. – ele sorriu. – E você?
– Publicidade.
Eu ia fazer publicidade. Até que uma baixinha morena me mandou seguir os meus sonhos. E falando nela...
– Oi. – me encarou, completamente sugestiva, se aproximando. Fez cara de “não vai me apresentar para o seu ‘amigo’?”.
– Oi, Ana. Esse aqui é o Jeremy. Jeremy, essa é a Ana. – ele lançou um sorrisinho simpático em sua direção. – tem problema se ela sentar com a gente?
POV Ana:
– Tem problema se ela sentar com a gente? – Bia perguntou, e eu fiz questão de olhar a reação do garoto.
Um sorriso simpático mascarou sua expressão de criança de quem roubaram um doce.
– Claro que não. – ele falou. É... Claro...
Bia foi dormir no meu dormitório de novo, eu mandei um sms para ela pedindo para ela vir.
Hoje, os papéis se inverteram, e eu que comecei a falar com a pobrezinha assim que abri a porta, sem dar tempo para ela respirar.
– Quem era aquele? – perguntei, apenas.
– Aquele era um deus grego que pediu pra sentar comigo meio instante antes de você chegar.
Eu sorri, feliz pela minha amiga.
– E depois que eu saí, o que aconteceu, criança?
– Ele me passou o telefone dele. – por mais que ela tentasse manter a expressão neutra, um sorriso bobo teimava em aparecer em seu rosto.
– Finalmente arranjou um ruivo, hein? – comentei. Aquela garota tinha uma obsessão por ruivos MUITO além do normal desde que eu a conheci.
– Provavelmente ele nem tá interessado em mim. – voltou a seu lado pessimista e tirou aquele sorriso da cara – Ou então ele vai quebrar meu coração. Sempre acontece.
Eu quase matei aquela garota.
– Cara, o garoto pediu pra sentar com você, e ele tá totalmente na sua! – falei. – Você não viu a cara de decepção que ele fez quando eu fui sentar com vocês? Ele te deu o telefone! E para de pensar que vai acabar mal o que ainda nem começou, tá me ouvindo? – aconselhei. E é pra isso, meus amigos, que servem as irmãs (lê-se melhores amigas). – você tem dezenove anos, e tem a vida inteira pela frente, então para de pessimismo e aproveita o seu ruivinho.
Notas finais
Então deixem um review XD
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