Because Of All

21 Love And Pain Are One And The Same


Notas iniciais
O nome todo do cap é "Just Like Blood And Rain, Love And Pain Are One And The Same" (One And The Same, Audioslave)
Capitulozinho flashback pra chorar.

Eu acordei. Não era tarde. Eu simplesmente não conseguia me acostumar com acordar muito depois das sete. Eram oito e meia. Acho que isso era bom até, para um sábado. Tinha vezes que eu acordava às seis e não conseguia mais dormir.

Fui tomar café da manhã e passear com meus dois cachorros.

Quando voltei já eram nove e meia. Que hora ele dissera que chegaria mesmo? Ah é, à uma.

Era agosto e fazia frio. Estava nublado, e com cara de que ia chover. O que seria bom, porque estava muito seco e não chovia há tempos.

Fiquei no computador, vi um filme, almocei, e quando vi, já era hora.

Ao descer para encontra-lo, percebi que realmente chovia. Forte até. Não muito, como naquelas tempestades de verão, mas chovia bastante.

O carro que eu já conhecia parou na frente do prédio e ele saiu, do banco do passageiro. Estava lindo, com um casaco da gap branco e calça jeans. Mas lindo. Cumprimentei a mãe dele, que sempre gostou muito de mim, e então nós subimos.

Ficamos jogando videogame e conversando por um tempo.

– Está com fome? – perguntei. Ele assentiu, sem tirar os olhos da TV. – Vamos na cozinha comer alguma coisa.

Nos levantamos e fomos pegar uma fatia de bolo.

– Você que fez? – perguntou, com a boca cheia de bolo. Fofo.

– Aham. Tá bom?

– Tá delicioso. Acho que se você não fosse fazer gastronomia eu ia te esganar, sério. – brincou, e eu soltei um risinho.

– Cala a boca, Lu.

– Mas sério, falta pouco tempo pra a gente se formar e ir pra a faculdade. – falou. – só... – parou para calcular – um ano e três meses.

Naquele momento fomos interrompidos pelo interfone tocando. Eu atendi. O porteiro avisou de uma entrega que eu tinha que retirar.

– Quando você acabar aí vamos descer. – nisso ele colocou o último pedaço de bolo na boca.

Entramos no elevador e descemos os quatro andares até o térreo. Estava muito gelado lá, e, devido à minha esperteza, óbvio que eu tinha esquecido o casaco.

O porteiro era aquele bonzinho que eu gostava. Pediu para eu assinar uma coisa e me deu um pacote do Sedex.

Naquele momento eu tive uma ideia.

Olhei pra fora. Ainda chovia. Pronto, era perfeito.

– Ei, sabe o que eu sempre quis fazer? – eu tinha um sorrisinho sonhador no rosto. Lucas pediu que eu prosseguisse. – beijar alguém na chuva.

Naquele momento ele percebeu onde aquilo ia dar, e arregalou os olhos.

– Nem fudendo, Ana. – falou. – a gente vai ficar resfriado.

– Tira seu casaco e seu tênis. – falei. Por mais que contrariado, ele obedeceu. Eu os coloquei junto com meu celular e o pacote.

– Tem certeza? – perguntou.

– Mas é claro. A gente é novo, tem que aproveitar a vida enquanto pode. – falei, com o mesmo sorriso empolgado.

– Eu não quero não, viu. Isso vai dar errado.- ele relutou, mas eu sabia que Lu estava era doidinho pra fazer isso.

Mal ele teve tempo de terminar essa frase e eu já o puxara para fora, e agora estávamos na chuva.

Ele ficou boquiaberto por um tempo, sem acreditar e sem reação.

– Sua louca! – exclamou, me puxando para perto.

– Ei, você que escolheu namorar comigo. – falei. Ele colou seus lábios nos meus.

Aquele beijo foi, realmente, como todos os nossos beijos. Cheios de amor, românticos, calmos... Mas também foi totalmente diferente. Aquele momento foi simplesmente inesquecível, e ficaria guardado em minha mente, detalhe por detalhe, pelo resto da minha vida.

Nos separamos, já totalmente ensopados. Nossos sorrisos um para o outro por pouco não estavam grudados. Eu ainda mantinha meus braços ao redor de seu pescoço, e ele ainda estava com a mão em minha cintura.

– Eu te amo, Ana. – Lucas disse. Aquele sorriso idiota grudou no meu rosto e não saiu mais. Era esse o bom da gente. A gente já namorava há vários meses. Ele já tinha dito eu te amo antes, assim como eu também. Mas nunca em vão. Nada perdia o significado, no nosso relacionamento.

– Também te amo. – dei-lhe um selinho.

Foi então que pegamos as coisas e demos a volta correndo no prédio até a entrada de serviço. Entramos na casa pela área.

Parei pra pensar por um segundo. Como a gente ia fazer isso sem molhar a casa inteira?

Tirei minha blusa, ficando só de sutiã em sua frente. Espremi a blusa e deixei em cima do tanque. Ele só me observando sem camiseta.

– Fica aqui que eu vou lá dentro colocar uma roupa seca e pegar uma toalha pra você. – falei. Ele assentiu, quase tão corado quanto eu.

Fui até meu banheiro, separei uma toalha pra ele, tirei a calça e me sequei, colocando uma roupa quente correndo logo em seguida, porque eu estava congelando. Levei a toalha até a área.

– Eu vou fechar a porta aqui, você tira a roupa, dá uma espremida nela, se seca, e põe só a calça e o casaco, ok? – ele assentiu, e assim o fizemos.

– Pronto, Ana, pode abrir aqui.- sua voz atravessou a fresta da porta, soando abafada. Abri a porta e o levei até meu banheiro. Pluguei o secador.

– Vamos secar você? – falei, com uma cara brincalhona e o secador na mão. Apontei-o para um dos braços da camiseta, que logo já estava só levemente úmido, e assim ocorreu com o resto dela. Ele a colocou. – Agora você seca a calça no seu corpo mesmo.

Assim ele o fez, enquanto eu fiquei a seu lado sem fazer nada, distraída. Do nada sinto um jato de ar quente na minha cara. Olhei para ele, que estava com uma cara de criança levada.

– Filho da mãe. – falei, arrancando o secador de sua mão e lançando um jato frio em sua direção.

– Vadia. Frio é mancada. – sorri, travessa. Dei-lhe um selinho. A mãe dele ligou logo em seguida, pedindo que ele descesse.

Vale lembrar que ele estava uma gracinha de cabelo molhado. Descemos de mãos dadas. Chegando em frente ao carro, a janela estava abaixada.

– Filho, o que aconteceu com você? – sua mãe perguntou dando uma risadinha fraca.

– Essa doida aqui que me puxou pro meio da chuva. – brincou ele.

– Eu me responsabilizo total e completamente. – falei. Ela riu.

– Não tem problema. Vocês são jovens, tem que se divertir.

– A gente se divertiu, mãe.- disse ele, admitindo mais pra mim que pra ela. Eu sorri.

– Tchau, Lu. – abracei-o.

– Podem dar um beijo pra se despedir, eu fecho os olhos. – ela disse.

Fiquei parada olhando para Lucas, quase que perguntando silenciosamente o que eu deveria fazer. Mas ele só respondeu com um beijo.

– Tchau, Ana. Até segunda na escola.- falou baixinho, quase em um sussurro.

Eu contive toda a felicidade que sentia naquele momento.

– Até.

Notas finais
Quem gostou deixa review em homenagem à Ana e o Lu lindinhos com quinze aninhos apaixonados e felizes ♥