Because Of All

22 I Let Go Of A Rope


Notas iniciais
Título completo - I let go of a rope thinking thats what held me back, and in time I realize its now wrapped around my neck
(Thumbing My Way, Pearl Jam)
Eu sei, demorei uma eternidade. Mas good leituris

Acordei na minha cama. A Bi estava do meu lado. Que estranho, eu achei que nós duas tínhamos dormido no sofá.

Levantei-me e me troquei. Fui até a cozinha pegar uma xícara de café e vi Lucas deitado no sofá, dormindo. Ele tirara o casaco de neve e agora estava só de camiseta de manga comprida.

Ele estava uma gracinha dormindo.

Abri um armário para pegar o pó de café e ele acordou com o barulho.

– Bom dia. – falei. – Desculpa ter te acordado.

– Não tem problema. – falou, sorrindo fraco, ainda sonolento.

– Quer café? – ele assentiu. Esfregou as costas, aparentemente com dor – Sabe que podia ter dormido no quarto, né? É bicama de casal. Cabem quatro naquele quarto.

– Tudo bem, eu ia acabar acordando vocês de qualquer jeito. Fui eu quem levou as duas para o quarto. – eu sorri em agradecimento. Lu levantou-se e foi ao banheiro. Voltou logo depois, com uma cara mais de acordado. Se sentou na mesa da sala e eu servi o café para nós dois.

– Obrigada. – ele me olhou nos olhos, mesmo que por apenas um segundo.

Aquilo me levou de volta ao sonho.

Cara, porque que eu tinha que sonhar com aquilo, me diz? Aquilo acontecera há mais de quatro anos. Porque meu sonho tinha que reproduzir exatamente aquele momento?

Bia saiu do quarto, com muita cara de sono.

– Bom dia. – sentou-se à mesa.

– Quer café? – ofereci. Ela negou.

– Brigada, dormi bem essa noite. – comentou.

– Que nem um anjinho. – completei.

Ela abriu um sorriso meigo.

– E você?

Suspirei, como que tirando um peso, uma angústia, de dentro de mim.

– Não tão bem quanto você.



– Como foi de ano novo? – ouvi a voz de Rick atrás de mim. Ele tinha um semi sorriso em seu rosto.

– Bem, e você?

– Também. Passei com a minha família, todas aquelas tradições que te lembram da sua infância. – sorri, assim como ele. – e você?

– Com a Bia e o Lu em uma praia na França. – notei certo ciúme em seu olhar.

Conforme a aula continuou, eu me arrependi daquelas palavras. Eu só não queria causar a ninguém a dor que me causaram um dia...

Arrastei-me até o outro lado do campus para almoçar. Bia estava em uma mesa. Lu chegou logo em seguida.

Sarah veio logo atrás.

– Oi, gente! – falou com falsa animação. – Tudo bem se eu sentar aqui, né?

Eu já me preparava para lançar um falso “Claro”. Minha boca já estava entreaberta, meu coração já começava a desmoronar, aos poucos, eu já sentia tudo caindo aos pedaços dentro de mim. Mas Lucas respondeu antes que eu ou Bia pudéssemos falar algo.

– Na verdade, Sarah, hoje eu queria almoçar só com as duas, se você não se importa.

Ele disse aquilo de modo simpático, quase que consolando a pobre vadia, mas algo em seu tom expressava tanta raiva que quase me deu gosto.

Eu disse quase.

O que deu gosto mesmo foi de ver a cara da retardada. Como se alguém tivesse atropelado seu filhotinho de chihuahua.

– Claro, sem problema. – disse com um sorriso desanimado. Um sorriso tão falso quanto a criatura em si. Então, antes de sair, fuzilou a mim e a Bia mortalmente.

Aquilo melhorou consideravelmente meu dia. De fato.

Eu ia abrir minha boca para dizer algo como “bem feito”, ou qualquer coisa do gênero, mas no lugar, decidi ficar quieta e respirar fundo.

Lu me lançou um sorrisinho meigo.

– Como foi voltar às aulas? – perguntou Bia.

– Difícil. – disse Lu.

– É, pra mim também. Eu tinha me esquecido da matéria super difícil que estava aprendendo. – comentou Bi.

– Pra mim foi bom. – “fora ter que enfrentar o Rick...” completei mentalmente.



Já eram duas da madrugada.

Eu não conseguia dormir, pensando no mesmo que pensei durante o dia inteiro.

No Lucas, é claro.

De algum jeito, tudo que tivemos cabia em meus pensamentos. Não sei como, porque é realmente muita coisa. Mas se tem algo de que eu tenho certeza é que pela minha cabeça se passava tudo.

Do primeiro olhar trocado ao sorriso que eu vira hoje no almoço, passando pelo nosso primeiro beijo, por quando ele me pediu em namoro, por aquele dia que nos beijamos na chuva, pelo dia que terminamos, por todas as vezes que não admiti minha confusão em relação a ele para mim mesma.

Sem deixar pra trás acontecimentos mais recentes, como quando ele disse claramente, em alto e bom som, que não estava ficando com a Sarah. Ou quando dormimos abraçados na noite de ano novo. O nosso momento esclarecedor na chuva...

Tínhamos tanta história.

E chegava a ser cômico.

Se lembro bem, tudo isso começou quando eu decidi que precisava falar com ele, se não ele jamais viria falar comigo. E, bom... Olhe para nós dois agora. Voltamos com o romance, sabemos disso... Mas ele não vai vir falar comigo. E mais uma vez eu terei que fazer algo...

Ouvi um trovão.

Um bem alto. É, era uma madrugada chuvosa, eu não conseguia dormir e pensava em tudo que meu coração não queria admitir. Provavelmente nunca havia me sentido mais perdida como naquele momento. Mais sozinha. Mais desprotegida, inocente e indefesa.

E com medo.

Por um momento, tive uma daquelas coisas infantis de ouvir um barulho e me assustar. Uma batida.

Calma.

Ouvi de novo, dessa vez com mais urgência. Alguém batia na porta. Será que eu deveria atender, a essa hora...?

Como se não me importasse, saí debaixo do cobertor, peguei um casaco grande e coloquei-o em volta de meu corpo, levantando amedrontada mente para abrir a porta.

Dei de cara com Lu, molhado, com uma expressão triste.

– O que você está fazendo aqui a essa hora, seu louco?! – perguntei em um sussurro que mais parecia um grito por meu tom repreendedor.

– Eu só...

Ele respirou fundo, claramente medindo com cuidado as palavras que usaria a seguir.

– Eu só não podia ficar no meu dormitório com essa chuva sem poder dormir, só pensando em você. Eu não podia, Ana.

Notas finais
TAN TAN...
TAAAAAAAAN
~suspense eterno
se não ganhar reviews eu não vou postaar lala-lala-la-la
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.