Because Of All

11 A Feeling Is So Much Stronger Than A Thoght


Notas iniciais
(Vertigo, U2)
Enjoy, sem mais.

Meu telefone tocou, do outro lado do mundo, enquanto eu acabava de passar maquiagem. Aquele sorriso idiota que não saía da minha cara...

– Alô? – corri para atendê-lo.

– Oi, Ana. – a voz metálica disse do outro lado da linha. Meu coração pulou pra fora do peito. – O que você acha de ir para Londres?

Meus olhinhos brilharam com a possibilidade.

– É muito longe, a gente não vai conseguir ir e voltar hoje. – voltei à realidade. É, esse é o grande problema de ser adulta...

– Eu tenho um meio-irmão. – voltei a sorrir como uma criança sonhadora. Eu já sabia onde isso ia acabar. – que mora lá. Ele tá viajando, e disse que a gente pode passar o fim de semana lá. – eu só queria que ele não estivesse do outro lado da linha, e sim em minha frente, para eu poder beijá-lo. – E aí, topa?

– Claro, né? – eu ri, alegre. – E dá pra negar?

– Então você já está pronta? – perguntou.

– Aham.

– Estou te esperando aqui fora com o carro. – corri para a janela. Então o vi, a poucos metros de distância, exatamente em frente ao meu dormitório. Sorri.

Sim, eu era uma romântica incorrigível. E sim, eu estava radiante com aquele gesto bobo.

Dei uma última geral no lugar, bem a tempo de me tocar que eu ia precisar de coisas para todo o fim de semana. Fiz uma mala rápida e saí, correndo, porque sabia que ele já me esperava.

Tudo coube em minha bolsa, na verdade, porque era só a minha nécessaire, um jeans, duas blusas e um casaco. E mais uma calcinha e um sutiã. Nem coloquei pijama, porque eu tinha plena consciência de que não iria usá-lo.

Saindo, parecia uma cena de filme ou algo do tipo. Ele estava recostado ao carro, mas desencostou-se ao me ver chegando.

Estava boquiaberto.

– Eu pretendia brigar com você por ter demorado. – Rick falou, sorrindo de um jeito bobo e incrédulo. – Mas estou ocupado demais babando.

Fiquei monstruosamente envergonhada.

Mas, verdade seja dita, ele estava maravilhoso. Embora já esfriasse mais do que eu considerava verão, ele erguera as mangas da camisa até a altura do cotovelo, o que eu achava muito sexy. E dei graças a Deus por ele não ter feito a barba, porque assim estava mais que perfeito. Abriu a porta do carro para mim.

Entrei no Polo prata. Ele já era um pouco mais velho, e carros não eram lá tão caros assim na Inglaterra, então realmente não era nada fora do comum.

Eu não preciso dizer o tamanho da minha felicidade, né?

Afinal, o fato de eu estar no carro, ao lado de um garoto perfeito, na estrada vazia, ouvindo música alta, conversando, e indo para a cidade dos meus sonhos já dizia o suficiente. Certo?

Como não tinha trânsito, chegamos em pouco menos de cinco horas, às dez.

Entrando na cidade, eu parecia uma criança de tanta animação. Eu nem parecia ligar para não podermos ver tudo aquilo naquela noite mesmo. Eu só achava tudo perfeito demais pra isso.

Olhava em volta, e tudo era um sonho. Não tinha um lugar que eu não queria visitar. Passando em frente ao Big Ben, todo iluminado, cheguei a perder o fôlego.

Então ele virou o carro em uma rua fofa, com árvores baixas e prédios antigos. Exatamente o tipo de lugar que eu amava. Estacionou em frente a um prédio baixo, de uns cinco andares.

– Richard! – o velho e amigável porteiro exclamou ao vê-lo entrando no prédio. – Quanto tempo! Veio visitar seu irmão?

– Oi, Jones. Vim. Vim, sim. – ele corou, e eu fiz o mesmo. Não era bem essa a história. Mas é claro que ele não ia dizer para o porteiro que teríamos o apartamento só para nós.

Subimos até o quarto andar em um daqueles elevadores antigos, e então ele pegou uma chave que estava escondida no vaso de plantas. Muita originalidade essa, do irmão dele.

O apartamento era grande. De qualquer jeito, maior que eu esperava. Tinha uma sala espaçosa e um quarto de hóspedes, no qual havia uma cama de casal, ao que eu fiquei grata.

Aquele fim de semana seria perfeito.

– Não acredito que pus essa roupa só pra ficar cinco horas no carro. – confessei.

– Bom... – ele sorriu malicioso – se você quiser, a gente pode tirá-la.



Acordei não muito tarde. Eram vinte pras dez. Virei-me para dar um beijo de bom dia em Rick, mas ele não estava lá.

Já devia ter levantado.

Nossas roupas ainda estavam no chão, e eu estava com um pouco de frio de estar nua. Estiquei meu braço, da cama mesmo, para ver se conseguia pegar algo sem precisar sair debaixo do cobertor. Tudo que alcancei foi a camisa dele.

Cheirei-a. É, eu definitivamente ia usar aquilo. Vesti somente a camisa e coloquei minha calcinha, saindo do quarto logo após pentear meu cabelo, que estava um ninho depois daquela noite.

Senti cheiro de panquecas. Me aproximando, dei de cara com um Rick cozinhando de calça e sem camisa.

– Bom dia. – abracei-o por trás. Ele parou o que estava fazendo e virou-se, com um sorriso.

– Bom dia. – beijou-me.

Me afastei para sentar à mesa, onde aquelas tentadoras panquecas de chocolate me esperavam. Ele me encarou por algum tempo.

– Sabe o que me dá raiva? – perguntou, sentando-se ao meu lado. – Que a minha camisa fique muito melhor em você do que em mim.

Eu corei. Comi um pedaço de panqueca. Que manhã mais perfeita.

– Quer que eu tire? – sugeri. Ele me olhou, sonhador e cheio de malícia.

– Não. Quero poder sentir seu cheiro nela depois.

Sorri, mas aquela frase tinha me desmoronado por dentro. Eu conhecia muito bem aquela frase.

Flashback on:

Deixei meu casaco na sala, no intervalo. Quando saí da sala, logo Lucas me puxou para perto de si. Ele me esperava do lado do fora.

Deu-me um beijo.

– Senti saudades suas esse fim de semana. – afirmou.

– Eu senti mais.

Já me afastara dele. Agora esfregava meus braços de frio.

– Porque você está sem casaco? – ele me perguntou, com um ar protetor. – Vai ficar resfriada. Tá doze graus aqui. – abriu seu zíper, tirando seu casaco, colocando-o sobre meus ombros.

Aquele foi o gesto que qualquer garota no mundo amaria, mas que eu gostei mais que ninguém.

– Seu idiota! – xinguei, mantendo meu sorriso no rosto. – não posso te deixar passar frio!

Ele riu, debochado.

– Eu quero que você use o casaco. Em primeiro lugar porque você não vai ficar doente se eu puder evitar. – corei. – E também, você fica uma gracinha com esse casaco enorme.

Eu queria beijá-lo, mas o corredor enchera de gente que descia apressada para o intervalo.

– E, além do mais, — completou, com um olhar tentador. – eu quero poder sentir seu cheiro nele depois.

Flashback off:

Sacudi minha cabeça. A última coisa que eu queria era pensar naquilo.

Depois que acabamos o café, me vesti e eu e Rick fomos dar uma volta pela cidade. Decidimos ir para a London Eye antes de tudo, porque eu queria ter uma vista ampla da maravilhosa Londres.

– Ana? – chamou, quando chegamos ao topo. Eu estava totalmente debruçada no vidro, maravilhada com a paisagem. Virei para trás. Ele tinha uma expressão diferente no rosto. Um misto de felicidade, medo, dúvida... – eu acho que estou apaixonado por você.

Aquilo me pegou de surpresa. Eu definitivamente não achei que ele ia dizer isso. Não agora. Meu coração acelerado me deixou sem reação por alguns segundos. Então dei um passo, para ficar bem perto dele, e dei-lhe um beijo demorado.

– Acho que estou apaixonada por você também, Rick. – era quase um sussurro, mas era o suficiente. Ele abriu um sorriso de canto de boca, embora, por nossos corpos estarem encostados, eu sabia que seu coração palpitava e ele estava radiante.

Aquele definitivamente foi o momento mais incrível do mundo.



Acordei abraçada com ele, no domingo. Olhei no relógio, e ainda era cedo, nem eram nove.

Me peguei sorrindo pela milésima vez naquele fim de semana. Aqueles músculos me apertavam carinhosamente, enquanto ele dormia de modo fofo, com a boca entreaberta. É, ele tinha a mesma mania que eu.

– Rick, acorda. – sussurrei em seu ouvido. Ele abriu os olhos, piscando por um tempo, até que aquele azul brilhante me fitou. – bom dia. – ele já sorria, assim como eu.

– Bom dia. – apoiou sua mão em minha bochecha, acariciando de leve meu rosto, e, logo em seguida, me deu um selinho. Aquela sua mão boba desceu para minhas costas, por sua vez descendo para minha cintura, passando por minha bunda, até chegar a minha coxa.

– É melhor a gente levantar pra resolver tudo da viagem. – falei, sem graça, sabendo onde aquilo ia dar. Ele calou minha boca com um beijo. – Sério, depois a gente faz isso. – insisti.

– Ei, relaxa – falou, com aquele mesmo sorrisinho maroto estampado em seu rosto. – eu já disse que a gente vai sair só depois do almoço. E ainda tá cedo. A gente tem todo o tempo do mundo.

Sua ereção matinal parecia falar mais alto. Eu ri, mas acabei cedendo.



Já eram seis horas quando chegamos novamente à universidade. Levei minhas coisas a meu dormitório. Rick implorou para que eu dormisse em seu quarto, mas eu lhe lembrei de que tínhamos mais uma avaliação na segunda.

Além do mais, esse fim de semana nós já havíamos passado bastante tempo juntos.

Após arrumar minhas coisas, chequei meu celular, bem a tempo de atender uma ligação de Bia.

– Oi, bebê. – falou ela pelo telefone, animada demais pra seu padrão. – Eu te liguei há umas três horas, mas acho que você estava na estrada. – comentou. – Eu tenho coisinhas pra te contar.

Ri. Eu já tinha alguma ideia do que podiam ser essas coisinhas, devido aos acontecimentos daquela semana e ao tom exageradamente alegrinho de sua voz.

– É. Eu também.

– Como foi esse seu fim de semana?

– Bem... – passei um flashback rápido em minha cabeça, de sexta à noite até aquele momento. – digamos que foi o fim de semana mais perfeito da minha vida.


Notas finais
Lalalala limdos ♥
Deixem reviews ou morram (autora legal eu, não?)