Because I Love You 2 .
21 Reyna, mais assustadora que a Annabelle.
Notas iniciais
Muitas coisas passavam pela cabeça de Thalia naquele momento, tantas que ocupavam completamente seu cérebro impedindo-a de pensar direito, uma delas era: O Di Ângelo fica muito sexy de touca.
Concentre-se.
— O que faz aqui? Não devia estar na enfermaria?
— Sim. — Nico deu um sorriso torto. — Mas eu fugi.
Thalia tentou respirar fundo e fingir que aquele sorriso não fez suas pernas tremerem. Droga, por que diabos aquele sorriso fez suas pernas tremerem?
— Hum, não devia.
— Mas precisava. — Nico deu um passo para próximo dela.
— Precisava? — Deu um passo para trás, distanciando-se dele.
— Sim, precisava ver você. — Mais um passo para frente.
— Me ver? — Mais um para trás.
— Te ver. — Repetiu, em um sussurro. Seus olhos procuravam sempre encarar os dela, mas Thalia sempre cortava contato visual.
— Por- Por quê?
— Preciso saber... — Nico se aproximou mais.
Thalia engoliu o seco, por algum motivo suas bochechas estavam quentes, e encarar o chão parecia uma boa idéia. Estava com medo de olhar para Nico, estava com medo de ouvir o que ele tinha para dizer, estava novamente com medo e odiava-se por se sentir daquela forma.
— Precisa saber? — Sua voz falha e atrasada retratava tamanha agonia. — Saber o quê?
Nico abriu a boca, mas antes que pudesse falar um grito o ofuscou:
— Onde ele está?! — A voz de Reyna vinha de dentro das arvores e seus passos eram barulhentos por conta das folhas secas no chão.
— Chalé um. — Outra voz respondeu. — Me disseram que era no chalé um.
Thalia olhou para os lados, nervosa. Não poderia ser pega ali. Com certeza seria culpada pelo que aconteceu com Luke. Não que não fosse... Mas ainda assim não queria se encrencar.
— Venha comigo. — Segurou Nico pela mão, e o puxou, seguindo pelo lado oposto da voz, distanciando-se do chalé um.
Não sabia o tempo que ficou o puxando, mas Nico não parecia se importar, a mão dele apertava a de Thalia com força e aquilo fazia seu rosto ficar ainda mais quente, e seu estúpido coração não parava quieto. Quando não aguentava mais aquela tortura, Thalia soltou a mão dele e virou-se o encarando de vez.
— O que você quer?
— Por que saiu de lá?
— O. Que. Você. Quer?
— Thalia-...
— Me responda de uma vez, para que eu possa ir embora! — Falou um pouco mais alto do que gostaria, Nico se calou e um clima estranho se formou.
Thalia pensou em pedir desculpa, mas não tinha motivos para o fazer. Nico a irritava tanto, ficar perto dele fazia seu corpo reagir de forma que já havia parado a um bom tempo. Aquilo a deixava nervosa, queria ir logo para a festa e beber até aquele frio na barriga passar.
— E-eu... — Nico que até agora fitava o chão, finalmente a encarou. — Eu preciso saber, se foi você quem me ajudou na festa.
A cara de confusão que Thalia fez, foi simplesmente a mais engraçada da historia.
— O quê? — Sua voz soava incrédula. — É só isso?
— S-sim. — Nico corou momentaneamente.
Thalia o analisou com cuidado, por que ele corara por algo tão simples?
— Não. — Mentiu.
— N-não? — A voz de Nico falou. — Como assim não?
— Não, não te ajudei. Não foi eu quem te salvou. N-ã-o.
O olhar dele tornou ao chão. E as suspeitas de Thalia estavam mais que certas, não tinha porque ficar tão decepcionado com um “não” aquilo significava mais para ele, significava muito. E não daria esse gostinho a ele.
— Por que se importa tanto com isso?
Nico não respondeu por um tempo, parecia tentar raciocinar.
— Mas, mas não faz sentido.
— Não faz sentido?
— Eu a ajudaria! — A encarou, seus olhos estavam levemente vermelhos. — Eu a ajudaria sem hesitar, sem nem pensar duas vezes.
Thalia sentiu seu coração apertar por um segundo.
— Pós eu não. — Falou, sua voz soava séria e fria. Por mais que não estivesse daquele jeito por dentro. — Eu não sou como você, não me importo mais.
Suas palavras saíram tão frias quanto o próprio gelo, e o que fizeram com Nico foi parecido também. Quase como se o congelasse no lugar. O olhar dele ficou vidrado nela, embora parecesse ver além, como se fosse invisível, transparente.
— Se era só isso eu já vou. — Thalia se virou e tornou a andar. Com certa dificuldade, suas pernas ainda tremiam.
Nico não interferiu, não a chamou ou correu atrás dela. E por algum motivo aquilo a deixou desconfortável. Fez seu coração hesitar por um segundo e querer olhar para trás. Mas resistiu a tentação e continuou andando, seguiu em frente até sumir completamente da vista dele.
( . . . )
“NÃO?”
Como assim não? Sua resposta não poderia ser: não...
Nico ainda permanecia no lugar, seu cérebro parecia travado “Não me importo mais” Aquelas palavras... Aquelas palavras foram como um soco em suas esperanças e o golpe final em seu coração.
Quais as chances agora?
Não conseguiria tê-la de volta conseguiria?
Engoliu o seco, suas pernas fraquejaram e por um segundo não conseguiu permanecer de pé. Caiu sentado na grama fofinha e permaneceu ali mesmo. A proposta de sua irmã parecia mais tentadora do que nunca.
Estava cansado, casado daquilo tudo. Cansado de seu coração apanhar tanto, cair tantas vezes e ter de tornar, e se por de pé novamente. Estava cansado de correr atrás de uma pessoa que realmente não se importava mais. Aquilo já tinha passado de insistência, já estava em “masoquismo” como sua irmã falara.
Quem sabe não fosse melhor seguir em frente? Fazer como Thalia e esquecê-la também, talvez não conseguisse de primeira, mas a distancia facilitasse. Talvez... Só talvez, aquele vazio em seu coração sempre que está sem ela, secasse. Secasse ao menos um pouco e fizesse a dor em seu peito amenizar.
Suspirou enquanto fitava a grama. Não tinha mais porque insistir.
— Nico? — Annabeth chamara pela quinta vez, passando a mão na frente de seus olhos.
— Há. Oi, Annie. — Ainda permanecia com o olhar fixo no chão.
— Aconteceu algo?
— Na verdade si-...
— Então venha! — Ela o puxou pelo braço, fazendo-o ficar de pé novamente. — Vamos beber até esquecer tudo!
— Beber? — Nico franziu a testa a encarando. Annabeth tinha um sorriso imenso no rosto e vez ou outra soluçava.
— Sim, beber. — Continuou a puxá-lo. — Quer dizer, eu não, mas você parece estar mal então vamos lá! — Annabeth estava super animada.
— O quê?
— Festa, beber, — Soluçou. — Esquecer...
Nico franziu a testa, de inicio não concordou e nem sequer entendeu o que se passava ali. Mas estava cansado de mais para ir contra. Simplesmente deixou-se levar, e o que viu... Não era o que esperava.
— Santa baunilha... — Foi só o que conseguiu falar.
— De mais, não? — Annabeth sorriu lhe dando tapinhas nas costas.
O que estava ali de frente para Nico, era simplesmente uma festa, isso mesmo... Mas não uma festinha de aniversario com balões ou algo assim. Luzes piscavam saindo pelas janelas da casa grande, papel higiênico rodeava-a por completo, á música alta estrondava vindo de lá de dentro, garrafas de diversas bebidas estavam espalhadas pela escada.
— Mas o quê? — Ainda não acreditava no que via. — Como?
— Como disse, demos um jeito.
— A casa grande não é tipo... O lugar onde a Reyna fica? — Dava para ver o medo em suas palavras.
O pouco tempo que convivera com Reyna, ou as poucas vezes que escutava os gritos dela pelo acampamento — Sim, de dentro da enfermaria, ele ouvia tudo de lá. — Reyna parecia assustadora. Quer dizer, ela era legal, mas quando faziam algo que não a agradava. Se tornava em um ser sem alma, dó ou piedade.
— Sim. — Annabeth assentiu, sorrindo.
— Não, você não me entendeu. É, onde, a, Reyna, fica. — Repetiu.
— Tudo bem, tudo bem. Já armamos uma distração para ela. — Tornou a lhe dar tapinhas nas costas empurrando-o para dentro.
— Distração?
— Leo vai distraí-la á noite toda, ele tem tipo... Um penhasco pela Reyna.
Nico sentiu certa vontade de sorrir, Leo e Reyna... Serio? Bom ao menos ele não estava mais apaixonado pela Thalia. Não que isso fizesse diferença agora.
— Vocês estão loucos. — Murmurou.
— Olha, não era para a festa ser aqui. Mas acontece que a maré subiu, e ai a caverna ficou completamente alagada, então... . — Annabeth não tirava o sorriso no rosto, aquilo estava começando á assustá-lo. E ainda por cima, não fazia idéia do que ela estava falando. — Quem não tem cão, caça como gato. — O empurrou para dentro da casa.
Nico cambaleou até equilibrar-se, e assim que olhou para trás, Annabeth havia desaparecido. Assim, completamente, sem deixar rastros. Não que fosse difícil... Com toda aquela gente amontoada e aquelas luzes piscando e musica alta, qualquer um poderia sumir, mas ainda assim... Era á Annabeth.
Suspirou tornando a olhar para frente. Já que estava ali, e tinha levado o maior fora de todos os tempos, e provavelmente morreria quando Reyna descobrisse. Não fazia mal. Caminhou, desviando-se do pessoal e seguindo até um dos cantos onde um dos gêmeos estava.
— O que acha de uma bebida? — Ele sorriu, aquele sorriso de quem está armando algo. — Pensa rápido. — Jogou uma garrafa em sua direção. Mas por sorte, os reflexos de Nico eram bons, não chegava a ser uma Thalia com seu modo ninja, mas dava pro gasto. Ele segurou a garrafa no ar e sorriu. — Uuh, boa pegada.
— Valeu. — Nico agradeceu e afastou-se do menino. Caminhando até a escada e sentando-se ali.
Observou a garrafinha em sua mão: Smirnoff Ice. Boa pedida, além de não ser muito forte, era absurdamente gostoso. Bateu a boca da garrafa no degrau e a tampinha saltou para fora, levou a boca em seguida, dando um golinho somente para experimentar.
Travis é perigoso, vai que batizou isso.
Mas não tinha gosto de nada fora do normal, só aquele gosto gostoso de limão com a leve acidez do álcool. Tornou a beber, sentindo o liquido descer causando leve ardência em sua garganta, aquela sensação que no mesmo momento pareceu aliviar a dor em seu peito.
— Por que está aqui sozinho?
Nico olhou para o lado, uma menina estava em frente à escada. Mas não a reconhecia, devia ser uma dos Romanos.
— Não sou uma boa companhia hoje. — Sorriu de lado. — Acho melhor ficar aqui, e não estragar a festa de ninguém.
— Então somos dois. Posso? — Apontou para o degrau.
— Ah... Fique a vontade. — Nico foi um pouco para o lado, dando passagem para ela.
— Pé na bunda? — Perguntou assim que sentou-se.
— Mais para uma voadora... — Respondeu suspirando.
Ela sorriu. — Somos dois então. — Ergueu a garrafinha. —Tin Tin?
— Tin Tin. — Nico bateu a sua contra a dela, tornando a beber em seguida.
— Então é isso. Somos dois mal amados.
— Somos. — Concordou.
— Desprezados.
— Desprezados. — Repetiu.
— Estamos na merda, de verdade?
— De verdade. — Nico sorriu e a menina o acompanhou, suspirando em seguida.
— Fala serio. — Apoiou o rosto em uma das mãos. — Por que estou sofrendo por um idiota como Ethan?
— Ethan? — Nico sentiu um choque correr sua espinha. — Ethan Nakamura?
— Sim. — Assentiu. — O idiota do Nakamura.
— Ele é seu namorado?
— Era. — Corrigiu. — Mas terminou comigo, parece que encontrou outra garota.
Nico sentiu-se desconfortável. “outra garota” será que poderia ser Thalia?
— Quando aconteceu? — Só notou o quão estranho aquilo soou, quando a menina o encarou com as sobrancelhas arqueadas. — Se não quiser falar tudo bem...
Ela novamente sorriu.
— Estou só brincando, não me importo em falar. Afinal. Ambos estamos na merda.
Nico assentiu dando mais um gole na bebida.
— Então... Quando?
— Hoje de manhã.
Foi inevitável não cuspir. Hoje de manhã? Ethan estava no acampamento? Mas tinha certeza que com aquela surra o levaria no mínimo ao hospital.
— Ele, ele está aqui?
— Sim. — A menina apontou em uma das direções.
Lá estava Ethan, seu rosto estava cheio de curativos, e o olho ainda permanecia roxo. Nico sorriria da situação, se não fosse por um detalhe: Ethan, abraçado com uma garota de cabelos castanhos e repletos de cachos, olhos da cor mel e um sorriso infantil no rosto. Não podia ser...
— Hazel? — Nico levantou-se de súbito.
— Você a conhece? — A menina também se levantou.
— Ela é minha irmã!
— Uau. — Arregalou os olhos. — Se acalma.
— Não, você não ta entendendo... Aquele, aquele garoto é um babaca.
— Você acha que eu não sei? — Fez uma careta mostrando a garrafinha. — Ele terminou comigo não faz nem 24 horas, e já está com outra.
— Há, não por muito tempo... — Nico bebeu de uma só vez o que ainda restava na garrafa, então caminhou, seguindo entre todas as pessoas, indo até Ethan.
Vamos ver se ele gosta de levar uma garrafada.
( . . . )
Fala sério. Quem entra em um chalé e encontra um garoto desmaiado no chão?
Tinha que ser comigo.
Reyna suspirou caminhando até o tal menino que estava estirado no chão. Tentou levantá-lo, mas estava todo molhado com algo.
— Leo, será que pode me ajudar aqui?
Leo assentiu e em menos de um segundo estava agachado ao seu lado.
— Me ajude á levantá-lo. — Pediu. Temia que o que molhasse o menino fosse sangue, mas no fim era só bebida. Leo á ajudou e juntos colocaram ele deitado na cama.
— Luke?
— Você o conhece? — Perguntou limpando as mãos em seus jeans.
— Sim, ele é um idiota.
Reyna sorriu por um segundo e foi como se o mundo entrasse em “pause”. Leo ficou a encarando com a boca aberta.
— Algum problema? — Ela perguntou.
Foi quando finalmente acordou, desviando o olhar, um pouco corado.
— Não, não nem um...
— O que acha que aconteceu com ele? — Reyna tornou o olhar a Luke. Leo já sabia a conversa, Thalia lhe contara tudo, mas não queria que ela sofresse as conseqüências.
— Bom, acho que está bem obvio. Ele bebeu de mais e perdeu a consciência. — Apontou para a garrafa no chão.
— Mas o que ele estava fazendo aqui?
— Luke tem uma queda pela Thalia, esse é o chalé onde ela estava, certo? Ele deve ter vindo aqui falar com ela ou coisa do tipo...
Reyna semicerrou os olhos como se tentasse comprar a historia.
— É, pode ser. — Deu de ombros. — Mas e as marcas no rosto?
— Alergia? — Chutou.
— Alergia? — Reyna o encarou, curiosa.
— É... Olhe, tem um morango mordido ali no chão. — Apontou. — E a boca dele está vermelha. — Apontou para Luke. — Ele pode ter comido ou sei lá...
— Uau.Você é bom. — Reyna parecia surpresa. — Devia fazer parte do CIS.
Leo sorriu.
— Não é pra tanto...
— Tá, mas se ele teve um ataque alérgico, é melhor levá-lo a enfermaria, não?
— Há, sim claro, claro. — Ficou encarando-a.
Reyna franziu a testa estreitando os olhos.
— Então... Vamos?
— Sim! Sim! Vamos. — Sorriu e seu rosto tornou a ficar vermelho. Reyna pegou em um lado e ele do outro.
. . .
— Ah, não acredito que vou passar ó último dia do acampamento, enfurnada em uma enfermaria! — Reyna praguejou, bufando. — Por que nunca tem ninguém aqui?
— Eu acho que todos já foram embora. — Murmurou com um pouco de medo.
— Mas eles não podem ir embora antes de todos os alunos irem.
— Diga isso a eles. — Levantou os braços em rendição.
Reyna suspirou.
— Desculpa, e só que... — Suspirou novamente. — Não é nada, deixe pra lá... — Ela caminhou até o lado de fora, onde tinha uma pequena varanda.
Leo observou Luke mais uma vez, ele estava respirando ainda, depois foi embora, seguindo-a.
— Qual o problema?
— Problema? — Reyna o encarou. — Nem um. Sabe quando organizei o passeio eu queria que ambas as escolas se dessem bem.
— E deu certo não foi?
— Sim. — Reyna deu um sorriso torto. — Deu certo até de mais, ambas as escolas são amigas, ambas se conhecem e se dão bem. Mas no meio de tudo isso... Eu acho que consegui ser odiada.
Leo franziu a testa.
— O quê?
— Todos parecem ter medo de mim. — Reyna suspirou apoiando-se em seus braços que por sua vez estavam apoiados a mureta. — Outro dia tentei ajudar Piper, e o olhar dela mostrava nitidamente “saia daqui” sabe como isso é chato?
— Eu não tenho medo de você. — Leo falou rapidamente.
— Não? — Reyna o encarava sem nem um traço de mudança no rosto, só um sorrisinho de lado. — Pós você é o único.
— Não acho que Piper lhe odeie.
Reyna pareceu interessar-se.
— E só que, bem... Você é linda. — O rosto dele corou ligeiramente. — E Jason era bem seu amigo e-...
— Acha que ela estava com ciúme?
Leo assentiu.
— Mas isso não faz sentido, eu nunca se quer fiquei com Jason, com Percy é diferen-..— Reyna mordeu a língua e cortou contato visual.
— O que você acabou de dizer?
— Nada...
— Você já ficou com Percy?
Ela lhe encarou com o canto do olho, suas bochechas estavam quase totalmente escondidas pelos braços, mas deu para vê-las ficando vermelhinhas.
— Talvez...
Leo arregalou os olhos, definitivamente não esperava por essa. Reyna corou, quer dizer que ela gostava de Percy? Se sim nem tinha como disputar com ele... Percy podia até ser todo lerdo e tal, mas ele era bonitão, seus olhos e seus cabelos até mesmo o físico. E Leo, o que tinha de mais? Não era bonito e nem era forte. Podia dar-se por vencido.
Deu um sorrisinho malicioso.
— Seus danados.
— Foi ha um tempão ta! Quando ele ainda estava em Roma.
— Ele já foi de Roma?
— Sim.
— E vocês namoraram?
— Não... Nós só... Ficamos, algumas, vezes. — A cada palavra a voz dela ficava mais baixa e suas bochechas mais vermelhas. Mas logo ela se recompôs levantando-se de vez e encarando-o de perto. — Mas agora ele está namorando, e você tem que jurar que nunca dirá isso para ninguém, certo? N-U-N-C-A.
Leo sentiu seu coração falhar por um segundo. O rosto dela estava tão perto.
— Cer-certo... — Engoliu o seco.
Reyna sorriu de lado e afastou-se.
— Agora venha, vamos ver se a bela adormecida acordou.
( . . . )
Nunca, em toda sua vida, Thalia vira Annabeth daquela forma.
— Thalia, veja, veja. — Ele se equilibrava em um dos balcões.
— Annabeth, desce daí. — Murmurou tentando segura-la. — Você está louca? Não que esteja reclamando, mas, se fizer o papel de louca, eu terei de ser a responsável. E não queremos isso.
Annabeth mostrou a língua e levantou os braços.
— Olha Thalia eu consigo tocar o teto!
— Ei! Tira a blusa! — Um garoto gritou, Annabeth sorriu.
— Vocês querem?
— Sim!
— Vocês querem que eu tire?! — Tornou a perguntar, as mãos já indo a barra de sua blusa.
— Sim!! — Os meninos gritavam alucinados.
— Ninguém vai tirar nada aqui! — Percy pegou-a no colo, e jogou-a em seu ombro como um saco de batatas, levando-a para o sótão. Annabeth sorria como louca e acenava para as pessoas.
Thalia segurou o sorriso.
— Gente... — Pegou os sapatos dela no chão (Sim, Annabeth tirou os sapatos no meio da confusão) e seguiu atrás dos dois.
Mas antes que subisse as escadas alguém chocou-se contra ela, ia cair de bunda no chão, mas a tal pessoa a segurou antes que caísse.
— Não olha por onde anda? — Os dois falaram juntos, mas assim que se olharam, ambos pularam para trás afastando-se.
— Nico?
Ele virou o rosto.
— Tenha mais cuidado. — Ia tornar a caminhar, mas Thalia o parou assim que viu o rumo que ele seguia, segurando-o pelo braço.
— O que você vai fazer?
— Isso não é da sua conta, você não se importa, esqueceu? — Sorriu de maneira falsa e puxou o braço, soltando-se dela.
Ta, eu mereci essa.
— Não faça nada idiota. — Novamente o segurou e Nico a encarou com os olhos. Aqueles olhos, sabe? Quando ele está completamente tomado de fúria? Seus olhos ficam tão negros que se misturam as pupilas.
— Me solta. — Pediu.
— Não, você não vai bater no Ethan de novo.
Nico sorriu fitando o chão.
— Claro, o Ethan é o problema...
— O qu-...
— Se não se importa mais, me solte agora, e me deixe ir.
Thalia ficou o encarando e Nico a encarando de volta. Ambos morrendo de raiva, era quase visível a linha de choque ligando os olhares.
— Idiota. — Thalia segurou-o pela mão, puxando-o . — Não tente lutar contra. — Ela alertou.
Nico ainda fervia de raiva, seu coração parecia totalmente negro novamente. Mas a mão de Thalia era tão quentinha, tão pequenina e delicada no meio da sua. Deixou-se levar, e quando notou já estavam no sótão. Havia um pequeno grupo de alunos ali, em meio a eles estava Percy e Annabeth.
— Por que me trouxe aqui? — Perguntou assim que Thalia soltou sua mão.
— Para que não faça nada estúpido!
— Ah, e você e seus bracinhos de pudim vão me impedir? — Nico falou aquilo, mas o olhar que Thalia lhe lançou foi tão mortífero que se arrependeu no mesmo momento.
A mão dela segurou seu braço com força e tudo girou, quando Nico voltou a si estava caído de peito no chão. Thalia estava sentada sobre suas costas e puxava seu braço para trás.
— Diga que não vai fazer nada de errado.
— Isso é muito interpretável.
Ela puxou com mais força e Nico rangeu os dentes.
— Ai, ai ai ai!
— Diga que não vai bater no Ethan, ao menos enquanto estivermos aqui.
Nico permaneceu em silencio. Thalia novamente puxou seu braço.
— Ta, ta! — Bateu no chão. — Eu desisto, Okay? Você venceu.
Thalia sorriu vaidosa e se levantou das costas dele. Todos aplaudiram e Percy até mesmo ria enquanto Annabeth dava uma estrelinha.
— Você é muito bruta. — Nico murmurou passando a mão pelo braço.
Thalia sorriu novamente e pegou a touca dele no chão colocando em sua cabeça. Nico ficou encarando por um tempo, ela ficou tão fofa de touca.
— Agora ela é minha, assim como sua dignidade. — Piscou e sentou-se a roda.
Nico suspirou dando-se por vencido, e só depois notara o que acontecia. Adolescentes em uma roda, uma garrafa no meio...
— Estão jogando o que?
— Verdade ou desafio. — Percy falou calmamente enquanto Annabeth sorria mexendo em seu cabelo.
— Vale tudo?
— Depende do tudo...
— Vale tudo! — Annabeth afirmou animada com os braços para cima.
— Ela está bêbada?
— O que você acha? — Thalia sorriu. Pegando o celular e ligando a câmera, mantendo no rosto da loira.
— O que está fazendo? — Nico franziu a testa.
— Vamos ver se ela esta bêbada ou não. Que forma melhor de saber, do que perguntar? — Sorriu voltando o olhar a amiga. — Annabeth você está feliz?
— Estou! — Ela levantou ambos os braços.
— Está animada?
— Estou! — Novamente levantou os braços em meio a um soluço.
— Está bêbada?
— Estou! — Todos da roda sorriram.
— Eu pensei que ela não bebesse. — Nico falou e Thalia virou o celular em sua direção.
— E não bebe, por isso está assim. Ela é muito fraca.
— Mas não a vi tomando nada. — Percy falou meio estranho, já que Annabeth puxava suas bochechas.
— Ela se embebedou de gelatina...
— Deixe-me adivinhar, não sabia-...
— ...Que tinha álcool. — Thalia assentiu sorrindo. — Mas convenhamos a Annie bêbada é hilária!
Annabeth encarou o celular sorrindo, só para depois fazer uma careta e virar o rosto para o lado.
— Ah, ela não vai...
— Vai! — Thalia sorriu afastando-se um pouco.
Annabeth apoiou-se nos braços e vomitou.
— Argh! — Todos se afastaram e Percy levantou a loira.
Thalia gargalhava para no fim filmar o próprio rosto.
— E essa era você, Annie. Sei que é maldade filmar... Mas você não acreditaria se eu falasse. Leve como minha segunda vingança. — Sorriu desligando a câmera. — Precisa de ajuda ai, Percy?
— Não, tudo bem. Vou levá-la pro banheiro, continuem a brincadeira ai. A gente já volta.
Thalia assentiu. Como o sótão estava... Estragado, tiveram de pensar em outro lugar.
— Não tem quartos aqui. — Um garoto falou enquanto descia as escadas.
— E onde acha que a Reyna dorme?
— O quê? Não... Nós não... — Engoliu o seco. — Não iremos para o quarto dela, iremos?
Thalia sorriu maliciosamente e empurrou uma das portas. Era um quarto normal, nada extravagante, a única coisa assustadora ali e que estava assustadoramente armado.
— Ela tem a mesma mania que você. — Nico sorriu e Thalia o fuzilou com o olhar.
— Não tenho mania alguma.
— Uhum.
Todos seguiram e refizeram a roda, o primeiro a girar a garrafa foi o garoto que veio o caminho inteiro falando com Thalia, e por pura coincidência, ou não... A garrafa parou nela.
— Verdade ou desafio? — O menino sorriu maliciosamente.
Thalia devolveu o sorriso à altura do dele.
— Desafio.
Nico não estava gostando daquilo.
— Eu, desafio você... — Ele sorriu ainda mais. — A ficar naquele armário com meu amigo ali. — Apontou para um garoto que estava calado deis de o começo da brincadeira. — Por cinco minutos.
Thalia semicerrou os olhos.
— Hum... Okay. — Levantou-se, caminhando até o menino, que até agora parecia um retardado, puxou-o pelo braço e seguiram até o armário.
Nico sentiu vontade de vomitar, o que era estranho nem tinha bebido, praticamente. Queria segura-la e impedir de entrar lá. Mas não podia, eles não eram nada.
( . . . )
Entrar em um armário com um menino que acabou de conhecer? Realmente não parecia a coisa mais sensata a ser feita, mas Thalia estava com raiva, com muita raiva. Seu coração estava acelerado e até agora suas mãos soavam, só em lembrar que estava próxima a Nico.
Com certeza aquilo era só carência. Carência, certo? Já fazia bastante tempo deis de que não ficava com ninguém, esse era o problema.
Thalia convenceu-se daquilo. Se ficasse com aquele garoto ali, e agora. Tudo ia passar, nada de nervoso ou pernas bambas, nada de rosto corado ou mãos soando sempre que chegasse perto do Di Ângelo.
— E então garota do dedo...
— Garota do ded-... Há! Sabia que te conhecia. — Thalia sorriu encarando-o mais atentamente.
Fora o menino que vira no estacionamento da escola, aquele que não parava de olhar para ela, e bem... Thalia lhe mostrara o dedo do meio com estilo. Ele era bem bonito até, tinha cabelos castanhos e olhos negros, algumas poucas sardas sobre as bochechas e um sorriso quase que infantil no rosto. Parecia uma criança.
— Não vai se desculpar por aquilo?
— Não, eu não me arrependo. — Deu de ombros. — E se feri seu pobre coração posso concertá-lo de outra forma, uma melhor. — Sorriu maliciosamente.
— Me-melhor? — A voz do menino saiu falha.
Thalia assentiu mordendo o lábio inferior, aproximando-se dele.
— Bem melhor. — Sussurrou beijando-o.
As mãos do menino desceram imediatamente para sua bunda. Sim, ele podia até ter cara de criança, mas era só. Ele apertou ali e mordeu-a no lábio inferior. Thalia rodeou-o com seus braços, um a cada do lado do pescoço dele enquanto aprofundava ao beijo. Separaram-se e o menino a encarou sorrindo.
— Deis de que te vi pela primeira vez, soube que você era boa.
Thalia o empurrou contra a outra parede do armário e beijou-o novamente, puxando seus cabelos com força, descendo os beijos ao seu pescoço sem seguida.
— Você fala de mais sabia? — Sussurrou.
O menino sorriu, sua mão entrou pela blusa dela e novamente ele a prensou contra a parede.
— Quer pular o papo? Vamos ver se é boa naquilo também. — A mão dele continuou a subir por sua barriga.
E novamente aquela sensação lhe invadiu. Aquela sensação de que... Faltava algo, de que algo estava fora do lugar, de que... Não estava certo. Certa repulsa, nojo do contato dele.
Empurrou o peito do menino afastando-o.
— Não, não vamos ver. — Sorriu de lado empurrando a porta e saindo. Por incrível que apreça assim que o fez o celular de um dos garotos apitou alertando que acabara o tempo.
— Uau, pontual. — Ele sorriu.
Thalia quase sentia os olhos de Nico sobre ela, não queria olhá-lo, mas no fim o fez. E arrependeu-se. Lembrou-se da vez que entrou na sala de química de mãos dadas com Luke. Fora quase como aquilo. O olhar dele era tão decepcionado e bravo que fazia seu coração apertar. Por fim cortou contato visual e sentou-se novamente a roda. O clima ficou estranho por um segundo.
— Então... — Pigarreou.
— Thalia Grace, sua vadia! — Annabeth gritou entrando pela porta.
— E acho que ela melhorou...
— Como pôde me filmar?!
Thalia encarou Percy.
— Obrigada, Percy. — Falou com certa ironia, ele deu de ombros. — Você se recupera rápido né? — Encarou a amiga.
— Não acredito que me filmou!
— Ah estava uma gracinha.
Annabeth rangeu os dentes e só agora Thalia notara a garrafa de vodka em suas mãos, igualzinha a de Luke.
— Vai beber?
— Não. — O sorriso dela era maligno. Annabeth sentou-se a roda e encheu um copo com vodka.
— Mas vamos jogar um jogo...
— Já estamos jogando.
— Outro.
— Então ta...
— E o seguinte, eu vou falar algo que não fiz... Como por exemplo: “eu nunca filmei minha amiga vomitando.” — Annabeth falou e Thalia sorriu. — Não ria!
— Tá, desculpa...
— Se alguém aqui da roda, já tiver feito isso... Bem, essa pessoa... — Empurrou o copo para Thalia. — Tem que beber tudo.
Thalia sorriu maliciosamente, pegando o copo e virando-o inacreditavelmente rápido.
— Ótimo. — Falou colocando-o no chão novamente. — Vai ser divertido.
Annabeth continuava com aquele sorriso maligno e Thalia quase estava com medo, ela era muito vingativa.
— Então, se eu bebi é minha vez, certo?
— Certo. — Concordou a loira. Thalia encheu mais um copo.
— Eu... — Olhou para toda a roda e finalmente encarou Nico. — Eu nunca traí ninguém.
Aquela pose de durão de Nico despencou no mesmo momento, seu rosto foi ao chão e todos ficaram encarando os dois.
— Climão... — Percy pigarreou.
Nico esticou-se e pegou o copo bebendo rapidamente.
— Minha vez?
Annabeth assentiu. Ele encheu o copo e colocou bem próximo do garoto que estava no armário com Thalia.
— Eu... — Nico não queria dizer aquilo, era embaraçoso de mais, mas precisava saber. — Eu nunca transei com a Thalia.
A roda explodiu em risadas, Thalia o encarou com as sobrancelha arqueadas.
— Ei! Isso é mentira. — Percy entreviu. — Vale?
— Não sei, acho que sim. — Annabeth deu de ombros.
Nico observou á roda receoso, mas no fim, ninguém bebeu do copo. Ele suspirou aliviado. Sentia-se um pouco estúpido agora.
— Tá, já que ninguém bebeu e envolvia seu nome, pode ser você, Thalia. — Annabeth falou. Thalia sorriu maliciosamente.
— Eu nunca fiz uma espanhola.
O rosto de Annabeth ficou completamente vermelho assim como o de Percy e toda a roda sorriu novamente assim que a loira pegou o copo, ela bebeu com dificuldades e fez uma careta tremendo todo o corpo no fim.
— Tá, já chega! — Gritou. — Agora é minha vez de novo. — Novamente o sorriso maligno. — Eu, não tenho sentimentos amorosos pelo Nicolas Di Ângelo. — Assim que pronunciou tais palavras, a roda ficou em total silêncio. Olhares foram lançados a Thalia. Todos esperavam alguma reação dela, seus dedos batiam próximos ao copo, mas sua expressão era ilegível.
— Sujou! — Um menino gritou entrando pela porta.
— O que foi?
— Reyna! — Foi só dizer aquilo que o desespero se formou na sala.
Era gente pulando janela, gente correndo, gente empurrando. Thalia levantou-se rapidamente no meio da confusão, e bebeu rapidamente do copo, jogando-o na mesa e correndo em seguida.
Nico ainda estava desnorteado sem entender o que acontecia ali, foi então que olhou para a mesa, o copo agora vazio sobre ela, e Thalia... Não estava mais ali.
Olhou ao redor, sua cabeça tentando entender o que aquilo significava.

Sentiu seu coração acelerar e tudo finalmente fez sentido, levantou-se em um pulo e correu, empurrando todos que estavam a sua frente, precisa encontrá-la imediatamente!
Fale com o autor