Because I Love You 2 .
35 Porque eu amo você!
Notas iniciais
Sua chamada está sendo encaminhada/ para a caixa de mensagens, estará sujeito a cobranças após o sinal...
Não adiantava, não importava quantas vezes ligasse, Thalia simplesmente não atendia. Annabeth jogou o celular na cama, impaciente. Sentando-se nela em seguida.
— Qual o problema? — Percy perguntou, claramente preocupado.
— A Thalia não atende. Estou começando a ficar preocupada, acho que pode ter acontecido algo. Da ultima vez que ela não me atendeu, estava em um hospital.
Percy suspirou segurando a mão dela.
— Olha, eu acho que está sendo um pouco dramática, afinal, é da Thalia que estamos falando. Ela pode simplesmente ter fugido de novo.
Annabeth lhe lançou um olhar incrivelmente repreendedor.
— Certo. Incessível da minha parte. — Admitiu — mas quero que se concentre aqui, Annie. Em nós. Temos nossos próprios problemas e hoje iremos resolver um dos grandes.
Annabeth concordou com a cabeça e sua mão apertou a dele com mais força.
— Eu sei, e é justamente por isso que a queria aqui. — Sua voz transbordava insegurança, pelo visto, não era o único que estava nervoso.
— Ei. — Percy tocou-a no queixo com a ponta de seu indicador, fazendo com ela que olhasse em sua direção. — Estou aqui. Posso não ter mechas no cabelo ou uma Harley Davidson...
Annabeth sorriu e seu coração pareceu mais leve, por um segundo a insegurança o abandonara.
— Bobo... — Ela disse, sua voz um pouco ofuscada pela gostosa gargalhada.
— Completamente. — Sorriu também, levantando-se da cama e puxando-a pela mão. — E agora... vamos descer, porque minha sogra está prestes a descobrir que é minha sogra. Alias, acha que depois de ela descobrir, ainda poderei ficar assim no seu quarto?
Annabeth sorriu maliciosamente, seu lábio inferior escorregou lentamente para dentro da boca e ela o mordeu. Percy sentiu seu corpo ferver só em observa-la.
— Eu acho que não... ela provavelmente não lhe deixaria ficar aqui e, provavelmente não deixaria isso também... — As mãos Annabeth subiram suavemente por sua nuca, as unhas longas escorregando por sua pele, causando-lhe arrepios. — Então é melhor aproveitarmos enquanto podemos... — Ela sussurrou rente a sua orelha, rosando os lábios ali em seguida.
Percy fechou os olhos enquanto sua pele formigava e um calafrio subia pela espinha. Desceu suas mãos um pouco, saindo da cintura dela e seguindo a sua coxa, passando a mão suavemente sobre a pele, como se fosse programado, foi somente toca-la e Annabeth arrepiou-se por inteira. Ele sorriu e em seguida apertou com força a área, fazendo-a gemer baixinho.
— Você está linda com esse vestido... — Sussurrou passando os lábios por seu pescoço. Annabeth ofegou em resposta, jogando a cabeça para o lado, lhe dando mais espaço.
— Você acha? — Perguntou ela com a voz fraca.
— Com toda a certeza... — Confirmou, Percy. Dando discretos passos para frente, fazendo-a dar os dela para trás. As mãos ainda correndo sobre sua coxa, subindo e infiltrando-se sobre o vestido. — Mas aposto que ficaria mil vezes melhor sem ele.
Annabeth novamente gemeu: Baixinho, quase inaudível. Só conseguira escutar porque fora solto ao pé de seu ouvido.
Percy mordeu os lábios e em um rápido movimento, segurou ambas as coxas dela, passando-as sobre seu quadril, levantando-a um pouco e jogando-a sobre a cama que estava bem atrás. Annabeth agarrou com força os cabelos dele trazendo-o para mais perto, Percy se inclinou sobre ela apoiando-se no colchão, o rosto descendo até seus lábios finalmente se tocare-...
— Annabeth, Percy! — Escutaram a voz de Athena vinda do corredor.
Percy saltou para trás e Annabeth sentou-se na cama, arrumando seu vestido vermelho e tentando parecer o menos suspeita possível. Não demorou nem dois segundos e a porta se abriu. Athena passou por ela eufórica, um grande sorriso estampado em seu rosto.
— Desçam, crianças. O pessoal chegou-... — Ela parou de falar e olhou para os dois. Ofegantes e de olhos arregalados. — Aconteceu alguma coisa?
Annabeth engoliu em seco forçando um sorrio.
— Claro que não, mãe. Só estávamos conversando sobre algumas besteiras.
Athena assentiu.
— Certo, agora deixem a conversa para mais tarde, por favor. Todos já estão esperando! — Ela sorriu e saiu pela porta, Annabeth e Percy se encararam suspirando, quando pensaram que estava tudo bem, a porta tornou a abrir e novamente assumiram a postura de espanto. Athena passou por ela. — Ah, Annie! Zeus está aqui, mas parece que a Thalia não veio.
Annabeth assentiu e novamente Athena saiu, fechando a porta. Ambos ficaram encarando a madeira em silêncio esperando que ela aparecesse novamente, mas não aconteceu.
Percy suspirou aliviado olhando para ela.
— Por pouco...
— Muito pouco!
— Temos que contar logo...
Annabeth concordou com a cabeça.
( . . . )
Era véspera de Natal.
A cidade estava divinamente iluminada por diversas e coloridas luzes; conseguia ouvir a música natalina nos apartamentos vizinhos, as risadas em família, o falatório, até o som das taças brindando. A maravilhosa energia no natal era quase palpável. Calypso sempre amara o Natal, sempre passara ele em família, mas como estava longe esse ano, teve de se contentar em falar com todos por celular.
— Não deixe de se alimentar, viu? E aproveite sua noite, não fique enfurnada em casa. Estamos sentindo sua falta. Amamos você.
A voz de sua mãe estava embargada do outro lado, Calypso já chorava há alguns minutos. Passou a mão por seus olhos e assentiu.
— Sim, mãe. — Teve de fazer uma pausa para conter o choro. — Eu sinto tanto sua falta...
Calypso escutou uma movimentação do outro lado da linha, uns murmúrios e o barulho de chiado. Provavelmente estavam movimentando o telefone.
— Oi, meu amor. — Era seu pai, aquilo só a fez chorar mais. Afundou o rosto em sua mão livre e segurou o celular com a outra.
— Olá, pai... feliz natal.
Ouviu uma fraca risada do outro lado.
— Não chore, princesa. — Seu pai, falou. — Prometo que no próximo ano estaremos ai com você, certo?
Calypso assentiu com a cabeça, mesmo que eles não estivessem vendo.
— Eu, eu sinto tanta falta de vocês. Queria tanto estar ai. Como estão as coisas? Como está sua saúde?
— Eu estou ótimo, sou um titã, lembra? — Teve de sorrir com aquilo, mesmo que seu coração ainda doesse. — Precisa de mais que isso para me derrubar, pare de se preocupar atoa.
— Não diga isso, não é atoa...
— Calypso, é natal. Por que não vai á casa de alguma amiga? Não quero que fique triste por mim. Saía, se divirta.
— Mas o senhor está em um hospital! Eu devia estar ai, sou sua filha. Sou a droga de uma filha terrível!
Ouviu seu pai suspirar, parecia cansado.
— Não diga isso, você é uma filha maravilhosa. Está ai porque queríamos que fosse, queríamos que seguisse sua vida sem atrasos.
— O senhor não é um atraso, pai...
— Eu tenho que desligar agora. — Ele falou e Calypso sentiu seu peito apertar. — Não chore em uma noite de Natal, eu insisto que saía, divirta-se com alguma amiga, um namorado, talvez?
— Pai.
— Tchau, meu anjo. Tenha um feliz natal, nós te amamos.
E desligou.
Calypso abaixou lentamente o celular, colocando ambos os pés sobre o sofá e abraçando suas pernas. Apoiou o rosto em seu joelho e chorou, chorou por tempo desconhecido. Somente a música baixa e seus soluços eram audíveis por todo o apartamento.
Arrependia-se tanto. Maldita hora em que sugeriu vim para NY, só coisas ruins vinham acontecendo deis de que chegara nesta maldita cidade. A saúde de seu pai piorou, magoou uma de suas melhores amigas, encontrou o garoto perfeito só para deixa-lo escapar em seguida, e agora, agora estava apaixonada por um babaca.
Queria tanto poder voltar no tempo, poder mudar tudo de errado que fez, ou melhor, poder simplesmente impedir a si mesma de vim. E então... nunca veria Thalia, nunca beijaria Nico, nunca conheceria Leo. Seu coração estaria inteiro, tanta tristeza seria evitada. Poderia cuidar de seu pai, ou quem sabe, se estivesse lá á saúde dele nem piorasse? Estariam envolta de uma mesa agora ou todos reunidos no sofá da sala.
O problema era que não tinha uma maquina do tempo e nem superpoderes, tinha somente arrependimentos, em uma quantia tão assombrosa que poderia se afogar neles. Pensamentos ruins, sentimentos ruins. A tristeza estava lhe sufocando naquela noite que era para ser de alegria.
Foi quando sua campainha tocou.
Calypso levantou sua cabeça olhando para a porta, mas não fez nada, permaneceu em seu lugar sem mover um musculo se quer. Novamente a campainha tocou, e novamente. E novamente. Começando a tocar em uma frequência inquietante. Levantou-se de seu sofá e andou em passos lentos até a porta, á abriu mais lentamente ainda.
— Feliz Natal! — Luke falou, ele estava com um visco em uma das mãos. Colocou-o sobre ambas as cabeças e inclinou-se para ela, sorrindo sedutoramente.
Em dias normais, aquele sorriso seria sua ruina. Mas hoje? Hoje não passava de mais uma coisa incomoda.
— Hoje não, Luke. — Respondeu tocando o braço dele e afastando o visco.
— O que aconteceu? — o sorriso sumiu de seu rosto. — Você parece péssima.
— Ah, obrigada, era tudo que eu precisava ouvir.
— Qual o problema?
Calypso ignorou sua pergunta e entrou no apartamento, deixando a porta aberta. Caminhou até seu sofá e sentou-se nele novamente. Luke estava com sua testa franzida, entrou no lugar também e encostou a porta, sentando-se ao lado dela.
Ambos ficaram em silêncio, nem uma palavra foi trocada por longos minutos, até que ela olhou em sua direção, virando-se no sofá.
— Eu sou uma idiota. — Foi o que disse. Seus olhos azuis banhados de lagrimas e a boca contraída. — Destruo tudo o que toco.
Luke estava pronto para fazer uma piada, mas parou assim que notou que realmente era algo sério. Passou para o estofado do meio do sofá e á observou um pouco mais de perto.
— O que aconteceu?
Calypso fungou, passando a mão direita pela bochecha.
— Eu estraguei tudo... — sua voz estava embargada e o nariz vermelho assim como os olhos. — Estreguei tudo com Thalia, estreguei tudo com minha família, estreguei tudo com Leo, com Nico. Estreguei tudo.
Luke abriu a boca para falar, mas parou no mesmo segundo. Conhecia aquele sentimento, o conhecia muito bem, pois fora atormentado por ele durante muitos anos.
Afinal, se tinha algo em que era apto em fazer na vida, esse algo era estragar tudo. Era um dom, e Thalia, um grande exemplo disso. Conseguiu passar de melhor amigo/crush á cara mais odiado da historia, em menos de uma hora.
Conhecia o problema suficientemente bem para saber que não importava o que dissesse ou quantas vezes dissesse. Nada curaria a ferida. Nada seria o que ela precisava ouvir. Nada a convenceria ou faria com que se sentisse melhor. Então, fez a única coisa que estava ao seu alcance. A abraçou.
O rosto de Calypso apoiou-se imediatamente em seu ombro e os soluços antes baixos tornaram-se mais altos no mesmo momento em que o tocou. As mãos dela foram tremulas a sua cintura onde apertou com força.
— Por que eu tenho de ser assim? Por que tenho de fazer tudo errado?
Luke sorriu fraco, sua mão subiu a cabeça dela onde lhe afagou lentamente os cabelos.
— Acho que está fazendo essas perguntas para pessoa errada...
Calypso se afastou imediatamente.
— Está certo... — concordou ela com um olhar nada feliz. — Você está certo, estou perguntando a pessoa errada, já que nem veio aqui para me escutar.
Luke arregalou os olhos e só então notara como suas palavras soaram contraditórias aos ouvidos dela.
— Ei, calma ai. Não foi o que quis dizer...
— Não precisa dizer mais nada. — Calypso o cortou. Ela estava ajoelhada no sofá enquanto o olhava de cima.
Um olhar cheio, repleto, carregado de ódio. Luke pensou que levaria um soco, mas não foi o que aconteceu.
Em um movimento muito rápido as mãos de Calypso subiram pelo próprio corpo, indo á barra da camiseta que usava e tirando-a rapidamente, jogando-a longe. Luke ficou pasmo, seus olhos se arregalaram enquanto observava a peça voar pelos ares, para só então tornar a encarar a menina a sua frente.
Os longos cabelos loiros caíram bagunçados sobre seus ombros e o sutiã roxo que usava. A respiração dela estava rápida, ofegante. Luke conseguiu ver perfeitamente marquinhas roxas, bem claras, na lateral do pescoço de Calypso e sobre a parte superior de ambos os seios dela. Sabia perfeitamente como aquelas marcas foram parar ali, porém ficou um pouco surpreso ao notar que ainda não havia sumido, a pele dela realmente marcava fácil.
Antes que pudesse falar, pensar ou apreciar um pouco mais a cena a sua frente, Calypso se atirou sobre ele. Ela o empurrou conta o braço do sofá com força, forçando-o a deitar e em seguida subiu sobre seu colo, sentando-se com uma perna de cada lado. As mãos dela foram á gola da camisa de Luke, puxando-a com força fazendo seus lábios se espremerem, um contra o outro, iniciando um beijo faminto.
Calypso o beijou de uma forma incrivelmente intensa, deixando-o atônito. A língua dela esfregava-se a sua com tanta vontade, era deliciosamente rápida a cada movimento enquanto as mãos dela estavam espalmadas sobre seu tórax e mexia rapidamente os quadris, rebolando sobre seu membro.
Aquilo estava tão bom, seu corpo encontrava-se arrepiado dos pés a cabeça. Mas não parecia correto. Não fazia o menor sentido todo aquele contato repentino, ela estava exposta, frágil. Não poderia se aproveitar.
Teve de reunir força, muita força, muita força mesmo! Para conseguir quebrar ao beijo e empurra-la gentilmente para trás. Suas mãos ainda estavam nos ombros de Calypso mantendo-a há uma distancia segura, quando ela finalmente o encarou. Ofegante e com a boca deliciosamente convidativa, um olhar confuso, algo entre á duvida e a raiva.
— O que foi? — Perguntou com a voz embargada. — Não é isso o que quer?
Luke ainda estava completamente estático, sua cabeça processava tudo o que estava acontecendo ali. Calypso crispou os lábios e puxou seus braços soltando-se dele. Luke estava espantado, um pouco assustado, mas principalmente estático.
— Sexo! Não é por isso que vem aqui? — Calypso estava com á respiração completamente acelerada, os olhos faiscavam. Luke não a reconhecia. — Sou somente isso para você, então vamos em frente, e depois, pode sair de fininho pela porta como se não tivéssemos feito nada.
Não sabia o que falar, não conseguia se mover. Estava tão surpreso que mal pensava. Calypso contraiu aos lábios e fitou ao chão, não permitindo-o mais vê-la. Desta forma, de cabeça baixa, caminhou até a porta, abrindo-a novamente e apontando para fora.
— Vá embora. — Pediu com a voz terrivelmente baixa.
Luke virou-se no sofá e olhou para ela, os olhos ainda arregalados e a cabeça completamente embasada.
— Calypso...
— Vá embora! — Repetiu ela, agora gritando.
Luke levantou do sofá, incrédulo.
— Qual o problema? Está louca por acaso?
— Só quero que vá... — Ainda fitava ao chão. — Que vá e nunca mais volte.
— O que diabos...
— Foi um erro! — Ela gritou agora lhe encarando, Luke encolheu aos ombros e seu olhar pela primeira vez passou do espantado ao confuso.
— Como?
— Foi um erro ter cedido a você. Foi um erro deixa-lo entrar em minha casa, foi um erro ter me deixado levar por esses sorrisos sacanas e as cantadas baratas. Um erro ter permitido que me tocasse, que me beijasse, que... — Ela engoliu em seco e seus olhos ficaram cheios de lagrimas. — Foi um erro, tudo um grande erro, nunca devia ter acontecido! Isso... — Apontou para Luke e depois para o próprio peito. — Nós. Não devíamos ter acontecido. Somos um erro.
Luke não falou nada, sentia-se estranhamente perturbado com aquilo. Ambos ficaram se encarando, em silêncio, somente as respirações aceleradas faziam-se presentes no ambiente.
— Por que está fazendo isso? — A voz dele saiu baixa, calma. Na verdade nem sabia porque se importava com tudo aquilo, devia sair pela porta como ela mandou, mas não estava aguentando, ela estava o rejeitado?
Deu um passo para frente, aproximando-se um pouco de Calypso e o corpo dela se retesou por inteiro. Sorriu inteiramente satisfeito.
— N-não chegue perto. — gaguejou ela. — Só vá embora... por favor.
Luke negou com a cabeça e aproximou-se mais. Calypso cerrou aos punhos e sua respiração ficou acelerada, de forma que ele conseguia senti-la contra seu peito. Luke subiu sua mão calmamente, tocando-a no rosto e os olhos delas se fecharam com o contato. Teve de sorrir mais uma vez.
Estava ganho, ela estava entregue novamente.
Abaixou um pouco o pescoço para que ficasse da altura de Calypso e cortou o espaço entre os dois, aproximando ambos os lábios. Porém, antes que pudesse beija-la, as mãos dela lhe empurraram o peito com força. Os afastando novamente.
— Qual o seu problema?! — Luke gritou pela primeira vez na noite. — Minutos atrás estava pulando em meu colo e agora faz doce?
Calypso o encarou com os olhos azuis faiscando de raiva. Seu peito subia e descia arfante, ela estava incrivelmente vermelha.
— Sei que quer me beijar. — Luke falou aproximando-se novamente, a postura de raiva dela desmoronou.
A menina antes corajosa e brava agora recuava assustada.
— E- eu...
— Seu corpo lhe entrega quando chego perto. — Sussurrou, prensando-a na parede, não deixando que falasse mais nada. — Ele se arrepia quando a toco, por menor que seja o contato. — Correu a ponta de seus dedos pelo pescoço dela e o corpo da menina se arrepiou na área, Luke sorriu. — Viu? — Sussurrou próximo ao seu ouvido. — Completamente arrepiada, com algo pequeno como isso. Imagina quando eu chegar mais embaixo?
As mãos de Calypso moveram-se incrivelmente rápido, lhe estapeando o rosto. Luke arregalou os olhos colocando a mão sobre a área, que ardia, antes de pudesse falar qualquer coisa ela foi mais rápida:
— Eu gosto de você! — gritou. Seus olhos antes bravos, agora repletos de lagrimas. — Seu grande babaca, eu gosto de você! — Repetiu a plenos pulmões.
Os olhos de Luke ficaram tão arregalados que por um momento pensou que eles saltariam para fora.
( . . . )
Thalia
Aquela era a última coisa que Nico tinha para fazer e provavelmente a mais importante delas.
Reparar seu pior e mais desastroso erro...
Perdoar sua própria consciência. Sim, finalmente estava disposto a se perdoar.
Aquela era a ultima coisa ser feita e provavelmente a última chance que teria.
Caminhou mais uns poucos passos até chegar á calçada e fitou a enorme construção de baixo para cima. Respirou fundo: uma, duas, três vezes, deixando seus pulmões repletos de oxigênio. Estava frio, muito frio, mas seu corpo simplesmente se recusava a sentir pela enorme agitação a qual estava sujeito internamente.
O coração acelerado e o estômago inquieto. Suas mãos soavam. Sentia-se intimidado só em encarar as janelas do apartamento dela. Mas não daria para trás, não dessa vez. Aquela era sua ultima noite em NY, seria tudo ou nada. Apostaria todas as suas fichas nisso. Uma última jogada, um último lance arriscado. Afinal, não tinha mais o que perder.
Já havia perdido tudo.
Colocou as malas no chão, ao seu lado e ficou somente com a mochila nas costas. Pegou o violão e o tirou da capa que o envolvia. Segurou-o e fitou as cordas, mais uma vez respirando fundo. Seus dedos passaram por elas de leve e não os sentiu, pelas pontas calejadas. Fazia um tempo que não tocava, mas ainda assim, daria seu melhor. Um último show.
Dedilhou as cordas, desta vez com mais força dando início a introdução da música. Voltou a olhar para cima, concentrando-se somente na janela longa de vidros claros.
Intimidador.
Distante.
Quase inalcançável.
Assim como Thalia.
Umedeceu seus lábios com a ponta da língua e engoliu em seco, preparando-se para cantar. Naquele momento, não fazia a mínima ideia se ela estava ali, ou não. Não fazia a mínima ideia se ela iria ou não escuta-lo. Sabia que se fizesse o mais obvio: subir até lá e aborda-la diretamente, seria enxotado mais uma vez. Tinha noção disso. Tudo seria um grande lance de sorte. Suas chances eram mínimas, mas ainda assim prosseguiu porque... O mínimo era tudo o que tinha naquele momento e iria se agarrar a ele com todas as suas forças.
Se ainda restava uma chance de Thalia perdoa-lo, por menor que fosse, o faria sem nem hesitar.
Iria cantar. Cantar com tudo o que tinha. Com cada sentimento que o tomava por dentro. Deis de o amor que o esquentava ao rancor que o partia ao meio. Teve tudo dela, mas não soube aproveitar. Precisava falar aquilo, precisava contar toda a verdade a Thalia e já que ela não escutava diretamente, implorou aos céus que ao menos isso ela ouvisse.
Tratou de cantar bem alto, alto o suficiente para cortar os ares e chegar aos ouvidos da menina a qual feriu tanto:
I’m not a perfect person
(Eu não sou uma pessoa perfeita)
There's many things I wish I didn't do
(Há muitas coisas que eu gostaria de não ter feito)
But I continue learning
(Mas eu continuo aprendendo…)
I never meant to do those things to you
(Eu nunca quis fazer aquelas coisas com você,)
And so, I have to say before I go
(Então, tenho que lhe dizer antes de ir…)
Seu coração estava pequeno no peito, apertado. Sentia vontade de chorar, mas tratou de reprimir. Olhava a janela, fixamente, sentindo-se desesperado.
Então a viu.
Foi impossível controlar a vontade de sorrir. Thalia estava ali, ela estava em casa, estava o escutando. Seus olhos estavam arregalados, pelo pouco que Nico conseguia enxergar daquela distância. Encheu seus pulmões de ar e tratou de cantar essa parte com mais vontade, com mais sentimento ainda. Queria que ela sentisse como da outra vez em que revelara tudo por uma canção. Queria que Thalia sentisse cada fragmento sentimental que transbordava pela letra.
I've found out a reason for me
(Eu encontrei uma razão para mim)
To change who I used to be
(Para mudar quem eu costumava ser)
A reason to start over new…
(Uma razão para começar novamente…)
And the reason is you
(E a razão é você)
Daquela distância não conseguia ver a expressão no rosto dela, mas já estava feliz o suficiente. Thalia estava o escutando, ela poderia estar enfurecida, mas estava o escutando. Escutando tudo o que precisava falar, tudo o que ansiou desde o dia em que a deixou sair pela porta.
I'm sorry that I hurt you…
(Eu sinto muito ter te magoado…)
It's something I must live with everyday
(É algo com que devo conviver todos os dias)
And all the pain I put you through
(E toda a dor que eu te fiz passar)
I wish that I could take it all away
(Eu gostaria de poder retirá-la completamente)
And be the one who catches all your tears
(E ser aquele que apanha todas as suas lágrimas)
E como gostaria, deuses! Como gostaria de poder voltar ao seu eu passado e impedi-lo de fazer tal besteira. Poder corrigir tudo, nunca fazê-la derramar uma única lagrima, ser seu porto seguro desde o começo. Passar todos aqueles maravilhosos momentos quando ainda estava envolto do sentimento mais lindo e puro do mundo. Quando ainda tinha a pessoa perfeita ao seu lado. Mas foi idiota de mais, estupido de mais para notar ha tempo.
That's why I need you to hear…
(É por isso que eu preciso que você escute)
. . .
Nico já se segurava para não chorar. Permaneceu tocando somente o violão, mantendo a melodia. Porém, já não cantava mais. Fitou ao chão e em seguida subiu seus olhos a ela mais uma vez, marejados. Queria tanto conseguir enxergar sua expressão, saber o que se passava na cabeça dela naquele momento. Saber se estava odiando, ou se, de alguma forma, havia conseguido convencê-la.
— Oi. — Gritou, escutou sua voz correr pelo quarteirão vazio em um eco.
Thalia não o respondeu, na verdade, ela estava parada, imóvel na exata posição que chegara.
— Eu sei que você deve estar muito brava agora... — continuou com um sorriso sem muito humor. — Mas espero que me entenda, eu precisava dizer antes que não pudesse mais.
Nem uma resposta, somente o silêncio da rua e o sonoro e sutil som das cordas de seu violão. Mas não se deixou abalar, respirou fundo e prosseguiu:
— Lembra o que te falei, Thalia? Sobre o amor? — Aquela era uma pergunta retorica. — Lhe disse que ele iria lhe derrubar, por muitas vezes. Que iria lhe machucar e joga-lo contra o chão. Mas que mesmo assim, mesmo com tantas cicatrizes e feridas, você se colocaria de pé novamente.
Respirou fundo, tomando folego para continuar a gritar já que o apartamento de Thalia era em um dos últimos andares só assim lhe escutaria. Porém, aquilo não estava só chamando a atenção dela. Algumas janelas começaram a abrir e luzes a acender, cabeças debruçadas e olhares curiosos sendo direcionados a ele dos apartamentos vizinhos.
— Se colocaria de pé, Thalia, porque o sorriso da pessoa seria o melhor dos analgésicos. Um misero sorriso da pessoa amada já é o suficiente para compensar tudo e lhe segá-lo a ponto de repetir o feito. De novo e de novo. Como um disco arranhado.
Por mais que tivesse muitos olhares curiosos agora o silêncio ainda dominava. Thalia permanecia sem dizer nada e Nico continuava a falar:
— Foi tudo muito rápido, Thalia. Tudo muito intenso. Nos conhecemos em um dia e no outro já estávamos estranhamente envolvidos. Tentamos manter distância, tentamos ignorar o que acontecia entre nós, mas no fim foi em vão. Não conseguíamos mais parar. — Nico deu um fraco sorriso e uma lagrima solitária escorrendo por sua bochecha. — Posso falar, ao menos por mim, que conhecer você mudou minha vida por completo. Mudou de uma forma tão intensa que posso parti-la em dois. Algo como “antes e depois de conhecer Thalia Grace”. — Sorriu fraco. — Você me deu motivos para sorrir, me deu motivos para sentir. Mostrou que aquele sentimento poderia ser intenso e épico mesmo em tão pouco tempo, preenchendo meu coração da forma mais sincera existente. E como pagamento... Eu parti o seu.
Sentiu sua garganta arder á voz por um segundo não quis sair. Parou de tocar seu violão e colocou-o no chão. Passando a mão pelo rosto para enxuga-lo.
— Sinto muito, de verdade. — A voz completamente embargada, quase em um sussurro. Não sabia se ela tinha escutado, mas foi o melhor que pôde fazer. — Por isso eu precisava vim aqui, Thalia. Por isso eu não desisti, eu precisava lhe agradecer e dizer algo lindo que ficou esquecido em meio á tamanha dor e tristeza... Tanto ressentimento e rancor.
Tudo seguiu em silêncio. Um silêncio longo e duradouro. Nico sentia sem coração absurdamente acelerado. Fechou aos olhos e respirou fundo abrindo seus braços e gritando a plenos pulmões:
— Eu amo você, Thalia Grace! — As pessoas que observavam até agora em silêncio, finalmente mostraram reação: gritando e aplaudindo. — Sei que demorei de mais para dizer, mas amo você desde a primeira vez que lhe vi e amarei pelo resto da minha vida.
Novamente abriu seus olhos. A respiração estava pesada, ofegante e o oxigênio saía como fumaça por sua boca entreaberta, espalhando-se pelo ar. Olhou para Thalia, fitou-a intensamente. Mesmo que não conseguisse vê-la, manteve seu olhar ali. Sentia-se tão feliz, Deuses! Havia dito, finalmente ela sabia a verdade.
— Você me tem, Thalia.

— Então enquanto sorrir, estará de bom tamanho para mim. Nem que para isso tenha de ir embora. Eu sei que é tarde de mais... Sei que não me quer aqui e entendo perfeitamente bem, não a culpo por isso. Mas precisava dizer. E mesmo que não sinta mais nada por mim, isso não vai mudar... — Suspirou completamente satisfeito. — Porque eu amo você. Desde o primeiro momento e tinha que falar antes de partir, fiz uma promessa...
Como esperado, Thalia não disse nada, não proferiu uma se quer palavra e Nico sentiu seu coração reprimir assim que ela sumiu da janela, tornando ao apartamento.
Ainda encarando o vidro agora fechado, tentou normalizar sua respiração. Sabia que aquilo era o mais provável de acontecer, mas estaria mentindo se dissesse não ter esperanças.
— Tudo bem, garoto! — Uma voz soou de uma das janelas. — Ela vai voltar atrás.
Nico sorriu para o senhor que fazia um sinal de positivo em sua direção. A esposa abraçada ao homem com um olhar tristonho no rosto. Devolveu o sinal para ele e agradeceu com um aceno de cabeça. Ajoelhou-se no chão e guardou seu violão, pegando as malas e subindo novamente.
Pena que não tinha mais tempo.
Pensou dando um longo suspiro, um longo suspiro de alivio. Sentia-se completamente leve, sua consciência não pesava um quilo se quer. Aquela maravilhosa sensação de dever cumprido predominava em seu peito. Claro que não estava feliz, claro que queria poder beijá-la e abraça-la, ao menos uma ultima vez. Mas estava bom daquela forma também. Fez o possível e o impossível, tudo o que estava á seu alcance. Poderia partir sem esse peso nas costas.
Mas ainda assim, carregaria esse fardo e arrependimento por toda a vida. A cicatriz profunda ficaria eternamente marcada em seu coração como um alerta, um lembrete. Viajaria para longe, porém, levaria consigo a consequência de um ato mal pensado. A consequência de um erro.
— Espera...
Nico parou estático. Seu corpo ficou completamente tenso, porém completamente fraco. Deixou as malas caírem no chão e seu coração acelerou de tal forma que sentia o sangue correndo pelo corpo.
Aquela voz...
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