Because I Love You 2 .
31 O Up maromba!
Notas iniciais
Apolo voltou para casa com o maior sorriso do mundo estampado no rosto. Agora sim, finalmente conseguiria se resolver com Ártemis, finalmente pararia de pensar em Afrodite. Pararia de pensar naqueles olhos incríveis e naquela pele branquinha e macia; pararia de pensar naquela cintura fina e em sua tatuagem negra sobre as costelas; pararia de pensar em seus lábios carnudos e em seus lindos cabelos negros, caindo sobre os ombros formando cachos lindos na ponta. Pararia de pensar... naqueles gemidinhos adoráveis que ela deixava escapar ou até mesmo nos palavrões sujos que fazia sua nuca se arrepiar. Finalmente pararia de pensar nela...
Apolo sentou-se no sofá, balançando a cabeça.
Mas o que foi isso?
Estava fazendo o total oposto. Não devia ficar dessa forma novamente a única coisa que lhe fascinava e atraía em Afrodite era sua deslumbrante beleza, certo? Agora que decorara cada parte daquele corpo em sua memoria não devia mais pensar nisso, então por que diabos... Não conseguia parar de pensar?
( . . .)
Uma semana.
Nico tinha apenas uma semana, uma única semana e todo o que conhecia seria deixado para trás. Teria de ir a uma cidade nova, uma escola nova, conhecer pessoas novas e arrumar um novo emprego. O “Nico” de agora, praticamente seria extinto junto com tudo isso. Poderia começar novamente, seguir em frente e apagar esse passado, mas antes de apagar tudo, teria de corrigir e reparar o que estava quebrado sem sua vida.
A primeira coisa da lista era Hades. Engraçado, não? Se sugerissem uma coisa dessas há alguns meses atrás Nico riria de uma proposta tão ridícula. Mas agora, parecia o certo a ser feito, o ódio que sentiu por ele aquela noite já não era tão intenso, entendera que o problema era entre sua mãe e Hades, não devia se intrometer.
Até mesmo ele estava espantado, nunca pensou que algo como aquilo passaria pro sua cabeça algum dia, já que sempre que pensava em Hades seu coração enxia-se de ódio a ponto de transbordar.
É, parece que o tempo realmente cura tudo.
“Tudo” pensou. “Será que um dia o tempo permitiria a Thalia lhe perdoar?”
Suspirou tentando espantar aqueles pensamentos, iria embora em sete dias e á ultima coisa que queria pensar, era em Thalia.
Remexeu seus dedos inquieto, tentando criar coragem o suficiente para bater na porta. Nesse exato momento estava de frente á sala de seu pai, — dentro da grande empresa da qual ele era o dono. — Depois que finalizou a ligação com Bianca, simplesmente caminhou até aqui, agiu por impulso, não pensou muito no que aconteceria assim que chegasse, simplesmente veio. Mas agora que parara para pensar... Estava disposto a perdoar seu pai, mas será que ele estava disposto a ser perdoado?
Isso não importa...
Respirou fundo e criou coragem o suficiente, subiu sua mão fechada em um punho em direção á madeira, no entanto, antes mesmo de toca-la á porta foi aberta. Hazel saiu por ela pisando pesado e por pouco não o atropelou.
— Hazel?
Ela parou de andar e olhou para trás, não havia ao menos o notado.
— Nico, o que faz aqui?
— Eu vim falar com... nosso pai.
Ela pareceu surpresa, mas logo seu semblante mudou, tornando ao serio novamente.
— Certo, então boa sorte lá com o senhor “eu mando e você obedece”. — Ela virou as costas e tornou a andar, Nico nem teve tempo de perguntar o que havia acontecido.
Depois que Hazel sumiu em uma curva no fim do corredor, voltou a olhar para a porta, agora entreaberta já permitindo ver Hades: Sentado em sua poltrona, os olhos fixos na mesa e os dedos entrelaçados sobre a mesma.
Parecia tão ameaçador quanto se lembrava.
— Hades. — O chamou.
( . . . )
Ethan desencostou-se do carro.
— E então? — Perguntou assim que Hazel saiu do prédio.
— E então nada. — Resmungou abrindo a porta e preparando-se para entrar no carro, mas ele a segurou antes que o fizesse.
— O velho não liberou?
— Não. — Repetiu. — Dá pra me soltar, tá machucando.
Ethan a soltou.
— Claro, desculpe. Mas porra, Hazel. Seu pai é um mão de vaca.
— Não fale assim dele.
— Ah, certo. Esqueci, qual é mesmo o termo politicamente correto para: cara absurdamente rico que regula dinheiro para a filha?
— Ele sabia que não era pra mim.
— “Sabia que não era pra mim” — Repetiu. — Como poderia saber? Por um acaso tem uma bola de cristal?
Hazel revirou aos olhos fechando a porta do carro novamente.
— Eu nunca peço dinheiro á ele e você é um babaca, sabia?
Ethan sorriu se aproximando, Hazel recuou encostando-se a lateral do carro com os braços cruzados, ele parou a sua frente.
— E você adora... — Tocou-a no rosto, lhe dando um beijinho no canto da boca.
Hazel deu um risinho.
— Bobo... — Ele continuou a distribuir beijos por sua bochecha. — Mas, falando sério, Ethan. Por que precisa desse dinheiro?
— Não é nada sério, não precisa se preocupar.
— É aquela parada de jogos de novo?
Ethan afastou o rosto do dela encarando-a sério.
— Isso não tem a ver com você, Hazel. — Sua voz ficava assustadora daquela forma, Hazel engoliu a seco.
— Algo errado ai? — Uma voz grave perguntou um pouco atrás de Ethan. Ambos olharam naquela direção, um garoto estava parado ali. Alto, forte e assustador, se não fosse por seu rostinho de criança, quase como aquele garotinho do Up altas aventuras. Hazel quis apertar suas bochechas.
— Não, cara. Nada errado. — Ethan respondeu enquanto contornava a cintura dela com seu braço. — Só uma conversa de namorados.
— Conversa de namorados, huh? — A ironia era transparente na voz do garoto. — Não me parecia isso.
— Mas era.
O Up maromba olhou em sua direção e por um momento Hazel estremeceu. Aqueles olhos negros, quase tão negros quanto carvão, pareciam absurdamente conhecidos.
— Está tudo bem mesmo? — Ele perguntou, parecia tão confiante com as mãos ocultas nos bolsos de sua jaqueta de couro.
Ethan a cutucou com o cotovelo e só então notara que estava ha um bom tempo encarando o garoto sem falar nada.
— Ah, sim. Somos namorados.
Ethan sorriu.
— Namorados. — Repetiu ele. — Agora por favor, dê o fora.
O garoto assentiu com a cabeça, correu os olhos por Hazel uma ultima vez e voltou a andar, seguindo em frente, Hazel o acompanhou até que ele sumisse de sua vista.
— Eu em... — Ethan murmurou enquanto a virava em sua direção. — garoto estranho.
— É... — Concordou, em sua cabeça ainda martelava a ideia de que o conhecia. — Estranho. — A boca de Ethan já estava a centímetros da sua, quando seu celular tocou, Hazel afastou-se e pegou o aparelho em mãos.
— Oi, vamos sair hoje? Quer dizer... ‘como vai? Quer sair hoje?’ Droga, sou péssima para essas coisas. Olha, é a Reyna, você deve saber o quão ruim sou nisso, então, vamos sair, tá? Que tal as oito? O Percy queria rever vocês. — Ela disparou, tudo de uma vez.
Hazel sorriu, fazia tanto tempo que não falava com Reyna, embora fossem amigas muito próximas até a sétima série. Não sabia o que havia mudado, alias, sabia sim: Frank e Percy saíram da escola e Reyna ficou completamente estranha.
— Claro, eu adoraria! Ás oito está ótimo, mas onde vai ser e, o que quis dizer com “vocês”?
— Serio que vai ficar nesse celular, Hazel? — Ethan bufou sentando-se no capô do carro.
— Shh... Só um segundo... — Pediu por silêncio colocando o dedo indicador sobre os lábios e distanciando-se um pouco de Ethan.
Por algum motivo estava muito feliz com aquela noticia, realmente sentia falta de Percy e seria muito legal se aproximar de Reyna mais uma vez.
— Ah, pode ser naquela sorveteria que sempre íamos depois das aulas, e bem... “vocês” você e Frank.
Hazel quase deixou o celular cair.
— O Frank voltou?
( . . . )
Hades subiu os olhos em sua direção, aquele olhar frio e autoritário já não era mais tão assustador. Nico não esperou ele permitir, adentrou a sala e ficou de frente a sua mesa.
— Preciso falar com o senhor.
Ele novamente não disse nada, simplesmente desentrelaçou seus dedos e apontou para a cadeira a sua frente. Nico negou e insistiu em ficar de pé.
— O que tenho a dizer será rápido. Só me escute.
— Quanto você vai querer?
— O quê?
— O dinheiro. A quantia. Me diga: quanto você quer? Porque sou só isso não é? Uma popança.
Nico o encarou incrédulo.
— Como... Como pode dizer? Eu não ligo para seu dinheiro, quantas vezes terei de lhe dizer isso?! — Seu tom de voz já estava elevado.
— Quantas quiser!— Hades se levantou batendo contra a mesa. — Eu não acredito!
— Eu saí de casa, lhe dei meu carro, nem minhas roupas levei de você, como pode dizer isso?!
— Porque não tem nem um motivo para estar aqui a não ser esse!
— Eu vim dizer que lhe perdoo! — Gritou o mais alto que pôde, superando a autoridade de Hades, um grito tão alto que poderiam ouvir até da recepção. — Eu lhe perdoo, pai. — Repetiu agora baixo, sua respiração ainda ofegante.
Hades estava estático olhando em sua direção, a boca entreaberta e os olhos arregalados. Nico os assistiu, assistiu as pupilas negras se banhando de lagrimas em tamanha quantia que logo transbordou, escorrendo por suas bochechas. Aquela era a primeira vez que via seu pai chorar.
— Sei que o senhor não vai considerar isso, não como eu considero. Mas lhe perdoo, por tudo o que fez, por tudo o que me disse. Eu lhe perdoo.
O silencio dominou por longos minutos até Nico quebra-lo.
— Irei embora no natal, não queria ir sem antes falar com o senhor. Não queria ir guardando tamanho ódio, porque pretendo recomeçar, pai. Sem nem um arrependimento. Não pretendo mais voltar a Ny, então... Está é a ultima vez, de verdade, essa é a última vez que me vê. — Terminou de falar e virou-se, caminhando até a porta novamente, passando por ela e seguindo pelo corredor.
Sentia-se revigorado, como se uma tonelada tivesse saído de suas costas, mas por algum motivo, seus olhos ardiam e sem ao menos notar, sem se quer permitir, as lagrimas começaram a rolar.
Mas valera a pena... a primeira parte da lista estava riscada. Agora, faltavam as outras.
( . . . )
Faltava vinte minutos para as oito.
Reyna não queria ser tão pontual para não parecer desesperada e também não queria chegar atrasada para que não parecesse desinteressada. Então resolveu esperar.
Estava sentada no banco de uma praça que havia de frente a sorveteria, dali, conseguia ver perfeitamente toda a movimentação e até mesmo os assentos eram visíveis pelas grandes janelas de vidro que rodeavam o lugar.
Sentia-se nervosa, seu coração estava acelerado e o estomago parecia revirado. Era a quinta vez que conferia as horas em seu celular e não fazia nem um minuto que olhara da ultima vez.
Respirou fundo e soltou o ar lentamente pela boca, olhando para cima, fixando seu olhar no céu. Por que estava assim tão nervosa? Será que seria pelo fato de estar encontrando seus amigos novamente ou... Por Percy?
Não!
Repreendeu-se por pensar aquilo. Levantou-se de súbito do banco e chocou-se contra algo/alguém, não conseguiu distinguir já que fechou os olhos por reflexo durante o choque.
— Peguei... — Abriu aos seus olhos lentamente, somente para encarar o sorriso de Percy. Reyna sentiu seu rosto esquentar, esquentar absurdamente, as bochechas pareciam em chamas. As mãos dele estavam envoltas em sua cintura. — Mais cuidado, seria uma pena se algo acontecesse antes de nos encontrarmos.
Seu coração acelerou tanto que conseguia ouvir o barulho que fazia conforme o sangue bombeava.
— E eu... obrigada.
— Não tem de quê. — Percy a soltou.
— Você está bem? — Reyna escutou uma voz e só então notara a menina ao lado de Percy a reconheceu no mesmo momento, Annabeth, sua... namorada, certo?
— Ah, sim, estou. Sem problemas, inteirinha... — Forçou um sorriso, o que era aquela sensação tão ruim? Já tinha visto Annabeth uma vez por que isso agora?
— Têm certeza? Acho melhor se sentar. — Sugeriu ela.
— Não, não, serio. Tô legal, que tal irmos logo para a sorveteria?
Ambos assentiram, eles deram as mãos e atravessaram a rua, Reyna logo atrás os observando. Sentia-se uma idiota, todo aquele nervoso não poderia parecer mais bobo agora.
Mas convenhamos, a forma que Percy falou era muito interpretável.
Abriram a porta e entraram, aquele sininho tocou e uma das garçonetes sorriu caminhando até eles, os guiando para uma das mesas. Sentaram-se na mesa mais próxima a janela, para que ficassem visíveis para os outros.
Annabeth e Percy sentaram-se um do lado do outro e ficaram discutindo sobre o que pediriam, Reyna sentou de frente a eles e apoiou-se no braço enquanto os observava. Eles pareciam tão bem juntos, como aqueles casais em um comercial de férias de verão. Só faltava o por do sol e a corridinha na praia. Aquilo machucava tanto, a realidade de que eles ficavam bem juntos.
— Oi gente. — Hazel cumprimentou com um sorriso enorme no rosto.
— Hazel?! — Percy se levantou. — Há quanto tempo! — A abraçou tirando-a do chão e rodando-a no ar. — Senti tanto sua falta!
— Eu também!
— Essa é Annabeth. — Apresentou assim que a colocou no chão novamente. — Annabeth, essa é Hazel.
— Prazer. — Falaram ao mesmo tempo e sorriram em seguida. — O prazer é todo meu... — Novamente riram.
— Olá Reyna...
— Oi. — Ela levantou uma das mãos.
— Onde está Frank?
— Não sei, ele ainda não chegou.
— Nem acredito que vou vê-lo. — Hazel sorriu sentando-se ao lado de Reyna. — Sabe, faz tanto tempo que ele foi embora e... Como será que ele está agora?
— Ué, mas vocês não estão na mesma escola? — Percy murmurou com a testa franzida.
— Não, ele mudou na sétima serie assim como você, Percy.
— Hã? — Reyna Interveio. — Claro que não. Quer dizer... ele mudou sim, mas voltou no começo desse ano.
— O quê? — Hazel estava surpresa.
— Sim, Hazel, ele voltou esse ano e... Ah ali, olha ali! — Reyna apontou para a janela, Hazel olhou para lá e não acreditou no que via: Caminhando pela pracinha, do outro lado da rua...
Era ele.

O garoto de hoje mais cedo. O Up maromba!
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