Because I Love You 2 .
20 Morangos, mais perigosos do que aparentam.
Notas iniciais
Piper acordou com o cheiro adocicado e delicioso de marshmallows invadindo suas narinas. Agora pense: há forma melhor de acordar?
Sim. Na verdade há.
Abriu seus olhos preguiçosamente e assim que a claridade invadiu sua visão, deparou-se com um par de orbitas azul.
— Bom dia... — Jason sorriu. Estava apoiado em ambos os braços e seu rosto estava bem próximo do dela, provavelmente estava a observando ha um bom tempo.
— Bom dia... — Piper coçou os olhos e sorriu. — Estava me olhando dormir?
— Uhum.
— Assustador.
— Muitas pessoas achariam romântico.
Sorriu novamente, aproximando-se um pouco dele e segurando seu rosto com ambas as mãos. Observou um pouco sem dizer uma palavra se quer. Jason era tão lindo... Tão perfeito. Deis de seus olhos daquele azul maravilhoso a sua cicatriz no cantinho do lábio superior. Não pôde resistir, aproximou-se esticando seu rosto até seus lábios tocarem aos dele. Mordendo-o delicadamente, bem na área da cicatriz, puxando-a entre os dentes, dando-lhe um selinho em seguida.
— Sua cicatriz é tão fofa...
Jason sorriu aproximando um pouco mais dela, deitando-se ao seu lado, e tocando-a no rosto também.
— Você deve ser a única pessoa no mundo que acha uma cicatriz fofa.
— Eu gosto ué. — Piper inflou as bochechas e fez um bico. — Ela não é só fofa, lhe deixa mais sexy, me da vontade de te beijar...
O sorriso de Jason tornou-se malicioso, levantou-se e subiu seu corpo, passando-o sobre o dela novamente, apoiando-se em ambos os braços para não cair sobre ela.
— Então me beije... — Sussurrou, com seu rosto a menos de um centímetro.
Piper corou no mesmo momento, olhando para baixo, observando seu corpo. Surpreendeu-se ao ver que estava vestida.
— Eu te vestir. — Jason falou como se lesse seus pensamentos. — Não queria que nem um aluno idiota entrasse aqui por curiosidade e visse a minha princesa sem roupas... Só eu posso.
Piper sorriu, seu rosto corou ainda mais.
— Bobo...
— Completamente. — Jason aproximou seu rosto ainda mais, seus lábios iam tocar os dela, mas Piper virou o rosto.
— Eu tô com bafo...
Jason sorriu, divertido.
— Não me importo. Vem cá.
— Não. — Piper novamente desviou.
Jason fez uma careta de desgosto.
— Se não me beijar agora por livre e espontânea vontade, eu terei que roubar.
Piper parou um segundo para encara-lo, a aura de Jason mudara. Estava como na noite anterior. Aquele olhar lascivo e sexy que deixaria qualquer menina louca. Mordeu os lábios e sorriu de lado.
— Pois tente. — Desafiou.
Jason rosnou, suas mãos procuraram as dela no colchão, mas Piper conseguiu move-las antes de ser imobilizada, empurrou-o no peito e Jason caiu sentado no colchão. Piper sorriu e correu para fora da barraca.
— Não há escapatória! — Pôde ouvir a voz de Jason vindo da barraca. — Não vai fugir das minhas beijocas. — Nesse momento ele fez um barulho estranho com a boca e Piper sorriu ainda mais.
Correu por entre as árvores e quando já estava ha uma distancia que considerava segura, escondeu-se atrás de uma das árvores e respirou profundamente esperando sua respiração normalizar.
Passou algum tempo assim, Jason realmente não á encontra-la. Piper esgueirou-se e virou o rosto para observar sem ser vista. Mas não deu muito certo. Assim que virou o rosto só pôde ver um sorriso debochado estampado no rosto do menino.
Deu um gritinho que logo foi ofuscado pelo aperto que Jason deu em sua cintura prensando-a á árvore novamente, Piper teve de morder os lábios para conter o gemido.
— Te peguei. — Ele sussurrou aproximando-se. — Agora você não pode mais fugi-... — Piper tampou a boca com ambas as mãos e Jason fez um bico. — Injusto! — Falou como uma criancinha e ela não pode deixar de sorrir.
— A vida é injusta. — Respondeu. Sua voz um pouco abafada por conta das mãos contra a boca e da sua risada.
— Aé? — Piper sentiu suas pernas bambas quando Jason mordeu o lábio inferir. — Certo então, você quer jogar sujo, eu posso jogar sujo. — Sussurrou próximo a sua orelha. Piper apertou os olhos e sentiu um choque correr por seu pescoço.
— Você n-... — Não deu tempo de falar, a boca de Jason subiu por todo seu pescoço passando seus dentes por toda a área. Piper ofegou, suas mãos apertaram a boca com ainda mais força e sua cabeça tombou para trás.
Jason sorriu satisfeito, as mãos subiram pela barriga dela desfazendo o nó de sua camisa de flanela — que já que estava sem botões, Jason amarrou para que ficasse ali. Se considerasse as botas e a camisa, Piper estava parecendo uma cantora country, só faltava o chapéu. — A camisa abriu-se e deixou sua barriga completamente exposta.
Com a ponta dos dedos, Jason contornou e alisou toda a sua barriga fazendo pequenas linhas elétricas passarem pela área, Piper se contorcia com os olhos fechados ela parecia muito, muito, sofrida. Como se quisesse aranhar ou puxar algo para extravasar aquilo.
A mão de Jason continuou o percurso, descendo por sua barriga até alcançar o cós de seus shorts. As pernas de Piper se cruzaram e ela quase caiu, seu olhar subiu sôfrego ao de Jason. As mãos do menino desceram um pouquinho mais e entraram em seu shorts.
— Não... — Acho que era para ser mais repreendedor, mas soou mais como um gemido. Jason sorriu, com o rosto novamente aproximou-se de sua orelha.
— Está gostando do jogo sujo?
As mãos de Piper saíram de sua boca e seguraram o rosto dele, puxando-o para perto de uma vez, juntando seus lábios e beijando-o finalmente. Jason pareceu um pouco surpreso, mas logo correspondera. A mão saiu dos shorts dela e subiu a sua cintura novamente. Ele apertou com força a área fazendo Piper arfar. Quando o oxigênio se fez necessário, para ela, Jason parecia perfeitamente bem ainda, Piper afastou-se, seus pulmões novamente clamando por oxigênio.
— Contente? — Perguntou em meio a uma respiração cortada.
— Não muito. — Jason soltou a cintura dela e a encarou com um sorriso brincalhão. — Você está mesmo com bafo.
Os olhos de Piper passaram de verde mar, a um castanho tão escuro quanto café torrado e Jason notara que aquela era sua deixa para correr.
— Seu, seu... — O rosto dela corou totalmente. — Idiota!
( . . . )
De inicio, Nico pensou que Thalia não estava falando sério quando disse aquelas coisas na enfermaria: “Aquilo não mudou nada, você me beijou, e se não tivesse aberto os pontos, eu o faria”. Qual é aquilo não podia ser verdade, podia?
Estava começando a acreditar que sim. Fazia pouco mais de seis dias, e nada dela aparecer lá novamente. Nico tentou diversas vezes fugir para vê-la. Mas sua irmã, Hazel, nunca permitia. Por mais que não tivessem compartilhado muito tempo juntos, ou passado toda a vida com ela, Hazel parecia muito preocupada e chegava a ser superprotetora.
Não que estivesse insatisfeito com isso, mas... Estava. Precisava falar com Thalia enquanto ainda estavam no acampamento, aquela séria, sua provável, ultima chance. Logo depois do acampamento seria o natal e... Bem, a proposta de sua irmã estava mais próxima a cada dia. Precisava falar com ela, precisava resolver isso de uma vez. Mas como sempre, Thalia estava dificultando tudo.
— Hazel, eu preciso vê-la.
— Desculpa, Nico, mas não posso permitir. Você me disse que esqueceu de algumas coisas depois da pancada certo? Não quero que se machuque de novo. Só deite e descanse.
— Mas... Se não falar agora com ela, não terei mais tempo. Tenho que tomar minha decisão, você sabe-...
— Eu sei. — Hazel o cortou suspirando. — Eu sei, e sinceramente não acho que devia tomar suas decisões baseado nas dela. Não conheço Thalia direito, mas pelo que me falou ela é meio egoísta.
Nico suspirou, Hazel estava certa. Estava apoiando o peso da decisão que decidiria seu futuro, em Thalia. Logo em Thalia. A pessoa mais incerta que conhecia.
— Mas o que posso fazer? — Afundou o rosto nos braços. — Não conseguirei seguir sem ela me dizer para o fazer. Sempre terá um “e se” e se ela desistisse disso e se pedisse para eu ficar?
Hazel deu um sorrisinho caridoso e se levantou.
— Aonde vai?
— Vou chama-la.
— Mas você sabe que el-...
— Ela não vai vim?
Nico assentiu tristemente.
— Vou ao menos tentar. Não gosto de te ver agoniado.
— Então me deixe falar com ela.
— Nico, isso está fora de cogitação. Ela já abriu seus pontos uma vez, e faria novamente.
— Foi um acidente.
— Ela te jogou na cama...
— E eu gostei.
Hazel sorriu e revirou os olhos e murmurou um: “homens”.
— Tudo bem, você é um baita masoquista e a Thalia sádica pra caramba. São perfeitos um para o outro, já entendi, vou ver o que posso fazer. — Hazel seguiu pela porta.
Nico suspirou deitando-se na cama novamente. Aquele teto branco e aquele som de... Som de nada, de completo silêncio. Bufou, seria mais um longo dia.
Mas espera ai!
Hazel tinha acabado de sair pela porta, ou seja... Não tinha ninguém para impedi-lo agora....
Sorriu maliciosamente levantando-se em um pulo da maca, vestiu-se mais rapidamente ainda e seguiu para fora daquele lugar.
Finalmente.
( . . . )
Thalia pensou que seria mais divertido voltar ao acampamento ao qual gostava tanto em sua infância. Mas estava completamente enganada, passara todos os dias enfurnada no chalé um. Não tinha vontade e nem coragem para sair de lá.
Odiava-se por sentir borboletas no estomago sempre que via Luke, e odiava-se por estar morrendo de vontade de ir até a enfermaria e ver Nico de uma vez. Então achou que o melhor, e mais seguro. Séria ficar quietinha em seu lugar comendo.
Maaas. Acontece que o acampamento era um lugar saudável e que barrava completamente: refrigerantes, bebidas, salgados, bolos, doces, e tudo que é gostoso e não saudável de se comer. Ou seja... Todas as gordices.
O máximo que Thalia conseguiu foram alguns morangos, que ela “pegou emprestado” do acampamento.
Roubou.
É.
Aquele era sua ultima noite ali, até tinha recebido um convite para a festa. Sim, os alunos estavam armando uma festa, por mais que fosse proibida a entrada de bebidas ou qualquer outra coisa no acampamento parece que os Stolls deram um jeitinho. Começaria a meia noite e seria em uma caverna... Parece que não dá para ver o que acontece lá, da praia.
Mas ainda assim, estava deitada. Os pés apoiado na cama e o resto do corpo no chão, por conta do calor insuportável que fazia. Seus olhos estavam fixos na janela encarando o céu enquanto comia os morangos vez ou outra.
O céu noturno ali era simplesmente magnifico, longe de civilização, longe de prédios e luzes desnecessariamente fortes e toda a poluição. Thalia conseguia ver perfeitamente as constelações, podia ver todas as lindas estrelas que a fascinava tanto. E ali, enquanto encarava o céu, sem ao menos notar seus pensamentos voltaram no tempo, lhe trazendo memorias. Memorias passadas que aconteceram ali mesmo, naquele acampamento.
— Certo, gente, essa é a parte mais fácil! Vamos com certeza vencer. — Annabeth parecia mais confiante do que nunca, embora fosse péssima em esportes. — O caça é pura estratégia, só temos que evitar os pontos mais movimentados e...
— E acabar com toda a graça? — Luke a cortou.
— Bom... Não, quer dizer. Vamos facilitar.
— Assim perder toda a diversão Annie.
As bochechas da loira coraram e ela cruzou os braços.
— Okay, Sr.diversão. O que quer fazer então?
— Eu só acho que seria melhor jogamos, sabe... Do jeito certo, sem estratégias ou correr da batalha. Seguir no meio do conflito.
Thalia somente observava os dois, seu sorvete estava mais interessante no momento.
— O que você acha, Thalia?
— Hum? — Perguntou com a boca cheia.
— Do meu jeito, ou o do Luke?
Thalia levantou os braços em rendição, a colher ainda em sua boca.
— Não sei de nada... Não me envolvam nisso.
As bochechas de Annabeth inflaram.
— Como assim não sabe? E onde arrumou isso? Não é proibido?
Thalia revirou os olhos colocando a colher no pote novamente.
— Eu... Bem, digamos assim que eu “peguei emprestado” da casa grande.
— Roubou. — Luke sorriu.
— Thalia!
— O quê? Só eles podem comer? Tá muito calor aqui, meu cérebro estava fritando.
— Que cérebro?
Luke sorriu e Thalia fez uma careta.
— Ei, não desconte em mim só porque está bravinha.
— Não estou bravinha! Mas quero ganhar, quando entro em algo-...
— Entro pra ganhar. — Luke e Thalia a cortaram. — A gente sabe.
O rosto de Annabeth corou novamente.
— Bem... Eu não gosto de perder.
— Ninguém aqui gosta Annabeth, mas como Luke falou: se evitar todo o conflito não terá graça.
— Aha! — Luke sorriu animado.
— Mas do seu jeito é suicídio, Luke. Ir no meio de todos? Com certeza não é uma boa ideia.
— Ahá! — Annabeth o imitou.
— Então o que sugere?
— Sugiro um trabalho em equipe. — Thalia sorriu maliciosamente. — Vamos juntar a ideia dos dois.
. . .
Depois de um tempo finalmente tinham o plano perfeito: Luke seria “a isca” ele era o mais rápido e esperto. Chamaria toda a atenção a si e distrairia, afastando todos da bandeira e levando até onde Annabeth estaria. Um lugar completamente estratégico era uma espécie de armadilha natural. A área era tão lamacenta que quem entrasse demoraria no mínimo umas: meia hora para sair. E ai Thalia entraria, como era a melhor em quesito correr, bater, empurrar, ou seja... Como era a mais violenta, só teria de eliminar os dois últimos que ficaram na bandeira.
— Simples. — Sorriu vaidosa.
— Você acha que consegue derrubar dois? — Luke franziu o cenho com um sorriso torto.
— Eu tenho certeza que consigo. — Devolveu o sorriso.
Annabeth deu de ombros.
— Okay então. Me parece um bom plano. — Sorriu. E estendeu a mão. Luke colocou encima da dela e Thalia encima da de Luke. — Será fácil para nós.
— Afinal, somos o trio. — Thalia piscou.
— Será moleza. — Luke sorriu também.
. . .
Acabou que no fim não fora tão moleza assim. O outro time era mais esperto do que esperavam, nem todos seguiram Luke e nem todos ficaram presos na “armadilha”. acabou que o time de Thalia estava sendo aniquilado.
Ela estava no local planejado, atrás de uma moita com visão privilegiada da bandeira. Sua respiração estava pesada e suas roupas sujas de lama. Podia ver no mínimo cinco campistas ali. Séria impossível cuidar dos cinco.
— Droga...
— O que foi? Está com medo? — A voz de Luke lhe tirou de seus pensamentos. Thalia olhou para trás assustada, nem o vira chegar, ele era mesmo sorrateiro.
— Não, não estou com medo. E o que raios está fazendo aqui?
— Despistei eles.
— Não te seguiram?
Ele fez uma cara como se dissesse “magoou”.
— Claro que não.
Thalia suspirou e voltou a olhar para a bandeira.
— Não da, tem gente de mais ali.
— Achei que tinha certeza que conseguiria.
Thalia o encarou com uma careta.
— Eu disse contra dois! Não contra todo exercito de Hitler.
Luke arregalou os olhos e sorriu, colando a mão sobre a cabeça dela.
— É simples, são só algumas crianças a mais, eu vou passar bem no meio, e enquanto eles vêm pra cima de mim você pega a bandeira. — Por um segundo Thalia não ouvia nada do que ele dizia, só conseguia sentir a mão dele sobre seus cabelos, só conseguia ver seu sorriso lindo e seu rostinho sujo nas bochechas. — Annabeth estará te esperando e te dará cobertura certo?
— Hã?
Luke sorriu novamente.
— Certo então.
— Esper-... — Tarde de mais, Luke correu. Ele era tão rápido que Thalia nem notara praticamente.
Quando olhou novamente para a bandeira havia somente uma menina ali. Ela parecia assustada olhando para todos os lados com os olhos esbugalhados. Thalia sorriu maliciosamente.
— Pobre garota. — Pulou de onde estava e correu, o mais rápido que pode. A bandeira estava mais adiante depois de um pequeno lago.
Thalia pulava sobre a água aproximando-se cada vez mais da menina que parecia completamente assustada. Ela recuou e assim que Thalia pisou em terra firme a menina correu. Entrando na floresta e fugindo.
— Mas o que... — Thalia franziu a testa, pensou em segui-la, mas não tinha necessidade. Seguiu até a bandeira e a segurou, antes mesmo que pudesse tirar do chão uma voz gritou:
— O jogo acabou!
Thalia olhou para os lados e Annabeth apareceu sorrindo, Luke logo em seguida. Ela sussurrou um: Conseguimos.
— Espera nós...
— Vencemos? Sim. — Luke sorriu.
— Desistência. — Annabeth completou.
— Aquela garota era á ultima?
Luke deu de ombros.
— Não que eu goste de me gabar...
Thalia socou seu ombro.
— Brincadeira...
Um dos homens que trabalhava no acampamento seguiu até eles, deu-lhes os parabéns — Coisa que não pareceu muito animada. — E uma plaquinha “melhor trabalho em equipe” estava esculpido nela.
Annabeth segurou e abraçou aquilo como se sua vida dependesse do contato com aquele pedaço de madeira.
— Agora sorriam pra foto. — O homem tornou a falar, novamente nem um pingo de animação em sua voz. Ele apontou com a câmera em sua direção.
Thalia puxou Annabeth para perto já que ela parecia um zumbi encarando a placa. Luke passou por seu braço e contornou a cintura dela com sua mão, fazendo um sinal de “paz e amor”. Thalia pensou em corar e estremecer e ter um ataque cardíaco naquele momento, mas a foto não permitiu. O flash veio em seus olhos e tudo o que pode fazer foi sorri.
. . .
Encarou o porta retrato pendurado a parede do chalé. Aquela mesma foto ainda estava ali. Todos pareciam tão felizes, como todo aquele amor fora substituído por ódio?
Fora tirada de seus pensamentos pelo barulho da porta batendo contra a parede. Levantou-se em um pulo e observou a figura a sua frente.
— Luke?
Ele sorriu, mas seu sorriso estava um tanto quanto maligno.
— Olá, Tha-lia. — Ele soluçou em meio ás palavras.
— Você bebeu?
Ele fez um biquinho e mostrou dois dos dedos.
— Só um pouquinho de nada.
Thalia recuou um passo, Luke vinha se aproximando e por algum motivo estava com medo.
— Onde arrumou bebida?
— Festa...
— Mas ela nem começou.
— Eu estava ajudando a montar. — Sorriu maliciosamente, tirando das costas uma garrafa de vodka que estava até mais da metade vazia.
— Bebeu tudo isso só?
— Agora tenho companhia certo? — Aproximou-se mais, as costas de Thalia tocaram a parede. Luke apoiou-se em um braço não permitindo-a sair dali. — Sabe... Nós estamos sozinhos aqui, completamente sozinhos. — Sussurrou, Thalia pôde sentir o cheiro de álcool vindo de sua boca.
— Luke... — Sua voz soava ameaçadora, quase como um alerta.
— Eu sei que gosta de mim, Thalia. Posso ver isso em seus olhos. Nico só serviu para te confundir. Mas agora... Agora que terminaram, você voltou a ser como era. — Ele sorriu maliciosamente. — Voltou a ser á Thalia por quem me apaixonei.
Thalia esperou que seu coração acelerasse ou que suas mãos soassem. Pensou que ficaria mexida com aquelas palavras. Mas foi o total oposto. Sentiu seu estomago remexer-se, quase como uma ãncia de vomito.
— Não sei do que está falando, continuo a mesma de sempre.
— Modo de defesa. — Luke falou depois de pensar alguns segundos. — É disso que Annabeth chama, certo?
Thalia serrou os punhos e cortou contato visual.
— Annabeth diz que você age assim quando está ferida, faz isso para se defender, mas eu... — Luke sorriu maliciosamente. — Eu acho o total oposto. — Sussurrou, sua voz grave, rouca, e cheia de segundas intenções. — Acho que isso mostra sua verdadeira forma, mostra quem você realmente é. Igual-zinha-a-mim. — Falou lentamente.
Thalia voltou seu rosto ao dele, por um segundo seus lábios ficaram absurdamente próximos.
— Ah, claro, Luke. Você está completamente certo. — Sorriu maliciosamente, enquanto uma de suas mãos subia pela nuca dele. — Revela minha verdadeira forma... — Concordou enquanto com sua outra mão, tateava a cama, pegando um dos morangos. — Mas eu... — Thalia aproximou-se mais a boca de Luke se abriu, mas antes que encostasse a dela, Thalia enfiou o morango ali, forçando-o a engolir. — Mas eu não sou como você!
Luke cambaleou para trás, a garrafa caiu de sua mão fazendo-se em pedaços no chão, ele tossia e mexia a boca diversas vezes, como se estivesse sufocado.
— Isso, isso é... morango?
— Oh, é mesmo! Você é alérgico não é? Poxa... Que cabeça a minha. — Thalia fechou um punho e bateu delicadamente contra a testa. — Ops...
— Voc-cê. — A voz dele estava rouca como se as palavras rasgassem sua garganta ao sair. — Você fez isso de propósito...
— Eu? — Thalia colocou a mão sobre o peito. — Como pode insinuar tal coisa? Não ficarei aqui ouvindo calunias como essa sobre a minha pessoa. — Caminhou até a porta, mas não sem antes pegar mais um morango sobre a cama.
— Es-Espera... — O rosto dele estava todo vermelho e alguns caroços começavam a surgir, mas por incrível que pareça, Thalia não sentiu pena.
— Tchau, Luke. — Piscou mordendo o morango e saindo pela porta.
Lamentava ver um rosto tão lindo torna-se horrendo daquela forma, mas não se arrependia...
Engoliu o morango e pegou o celular em seu bolso, discando o numero de Travis.
— Alõ? Ah sim... Vocês queriam uma distração para Reyna certo? Eu achei uma. Mande-a para o chalé um. — Sorriu desligando. Mas no mesmo momento se arrependeu de sair do quarto.
— Thalia. — A voz de Nico saiu tão baixa que quase não ouvira. Ele estava apoiado em uma das árvores. Seu olhar um pouco surpreso.
Thalia sentiu seu coração acelerar. Encarou ainda meio incrédula.

— Nico?
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