Because I Love You 2 .
23 Então é isso?
Notas iniciais
“— Então diga que ainda me ama, ou que ao menos um pouco, um pouquinho se quer do que sentia por mim ainda existe que eu... fico por você...”
O silêncio novamente dominou. Thalia estava com a testa franzida, permanecia com os olhos fixos no chão, analisando tudo a sua volta como se tentasse procurar uma resposta na grama, ou ao menos fazer com que seu cérebro funcionasse. A boca se fechava e abria frequentemente, mas nada saía dela.
— E-eu... — Finalmente começou a falar, mas naquele momento um desespero tomou conta do corpo de Nico.
Não queria escutar o que ela tinha a dizer, e se fosse: “quero que vá embora” o que faria? Nunca mais poderia vê-la, nunca mais poderia toca-la, seu coração doía desesperadamente. Nesse ultimo momento, antes de ter sua reposta, antes do fim ou do recomeço, precisava fazer algo. E fez.
Nico se aproximou rapidamente dela, segurando-a no rosto e trazendo seus lábios para perto, calando-a com um beijo.

Pôde sentir o corpo de Thalia ficar completamente tenso sobre o seu. Ela levantou as mãos fazendo menção de tirar as dele dali, e por um segundo pensou que as tiraria. Mas no meio do caminho, Thalia parou. Seus braços amoleceram e caíram ao lado do corpo novamente. A boca dela se abriu e Nico ficou surpreso, mas por nada pararia aquela era sua deixa. Segurou-a com mais força passando sua mão á nuca dela, segurando seu cabelo e puxando-a para mais perto, aproximando-se mais e aprofundando ao beijo, sua língua tocou a de Thalia e sentiu seus olhos reviraram nas orbitas, teve de suspirar. Seu coração estava tão acelerado que por um segundo pensou que teria um ataque cardíaco. Estava tudo perfeito, não pararia aquilo por nada.
( . . . )
Percy sentiu seu corpo inteiro arrepiar. As mãozinhas da sua loira subiram de sua nuca, puxando com força seus cabelos, beijando-o antes mesmo de deixa-lo falar algo, acho que ela entendia que Percy ficaria imóvel, então tomou a iniciativa. Seus lábios foram possessivos sobre os dele, sua boca tinha gosto de gelatina com uma leve acidez do álcool. Percy revirou os olhos suspirando, segurou-a com força na cintura trazendo-a mais para perto também.
Um sorriso formou-se na boca dela, Percy podia sentir. As mãos de Annabeth desceram de seus cabelos e foram á seu pescoço novamente, arranhando delicadamente no percurso, infiltrando-se na gola de sua camisa enquanto afastava a boca dele mordendo-o no lábio inferior.
Assim que ela se afastou, Percy pôde ver aquele sorrisinho estampado em sua boca, aquele sorrisinho que ele conhecia muito bem. Apertou-a com mais força na cintura, assim que as mãos de Annabeth infiltraram-se em sua camisa, arranhando todo seu abdômen. Percy fechou os olhos suspirando, os lábios dela subiram por seu pescoço lhe dando beijinhos lentos e calmos, enquanto as unhas continuavam a descer por sua barriga.
— Você quer saber o que á eu bêbada faz? — Ela perguntou, sua voz em um sussurro e o calor de sua boca contra o pescoço dele, causando-lhe arrepios.
— Ah, be-... — Percy parou de falar assim que a língua de Annabeth subiu por seu pescoço. Quente é húmida, lhe causando mais arrepios ainda.
— Responda meu peixinho, vamos... — Sussurrou o incentivando.
— Eu-... — Novamente a boca dela mexeu-se em seu pescoço. Dessa vez lhe desferindo uma mordida. Percy fechou um dos olhos e gemeu baixinho.
— Você...?
Praguejou silenciosamente, Annabeth estava brincando. Isso era obvio. Afastou seu pescoço dela enquanto puxava delicadamente seus cabelos, fazendo os olhos da loira focarem-se nos seus.
— Se você parar de me provocar... — Sussurrou com a boca a centímetros da dela. — Eu poderia até responder.
Annabeth sorriu com o lábio entre os dentes.
Tão linda...
— Provocar? — Perguntou com um bico nos lábios, fingindo-se de inocente.
— Não se faça de desentendida, minha menina.
Annabeth parecia surpresa, um sorrisinho bobo tomou sua boca e seu rosto corou ligeiramente. Percy notou.
— O que foi?
— É a primeira vez que me chama assim... — Sussurrou aproximando-se dele, a mão de Percy soltou seu cabelo instantaneamente permitindo que ela se aproximasse. — Eu gostei. — Sorriu de canto, beijando-o novamente.
Os lábios dela eram tão perfeitos. Novamente suspirou, o beijo dessa vez era calmo e lento. Suas línguas brincavam em uma sincronia perfeita. Percy suspirou aproveitando aquele gostinho bom da boca dela, aquele calor maravilhoso e a sensação daqueles lábios macios nos seus. Tudo me Annabeth era tão perfeito parecia até coisa sobrenatural.
— Eu quero... — Murmurou sem afastar seus lábios dos dela.
— Quer? — Annabeth abriu um dos olhos o encarando, fechando-o logo em seguida esfregando seus lábios nos dele.
— Quero saber. — Segurou-a com força na cintura, Annabeth arregalou os olhos surpresa. Quando voltou a si, já estava com as pernas envoltas da cintura de Percy, sendo prensada contra a parede de madeira da casa grande. Os olhos verdes dele lhe encaravam fixamente. — Quero saber tudo sobre você... — Ele sorriu torto.
Annabeth ficou com a maior cara de boba do século. Qual é! Aquele sorriso era perfeito de mais, Percy sabia disso por isso ficava o usando. Não era ela quem estava no controle segundos atrás? Percy pareceu notar seu conflito interno, pois sorriu ainda mais.
— Você gosta mesmo de estar no controle não é? — Sussurrou enquanto suas mãos seguravam as dela gentilmente, colocando-as em seus ombros enquanto se aproximava. Dando-lhe um selinho. — Isso é tão sexy.
Annabeth mordeu o lábio inferior, ele era sexy falando sexy. Não faria mal deixa-lo no controle por um dia, faria? Investiu em outro beijo, afundando as mãos em seu cabelo puxando-o para perto, Percy apertou sua cintura com mais força pressionando seus lábios contra os dela, para em seguida investir com sua língua. Estava tudo muito bem, tudo muito bom, até sentir a primeira gota pingar em seu nariz.
Não que aquilo a incomodou, permaneceu focada no que fazia, as mãos de Percy entraram em sua blusa, alisando toda sua barriga lhe causando calafrios. Foi então que a segunda gota caiu, e a terceira, quarta e assim por diante até estar completamente encharcada.
Percy afastou seus lábios dos dela e olhou para cima com um sorriso.
— E... Parece que começou a chover.
— Pois é. — Concordou com um bico.
Percy sorriu novamente, dando-lhe um beijo na bochecha, colocando-a no chão novamente.
— Vêm, vamos sair daqui. — Estendeu a mão para ela lhe dando mais um daqueles sorrisos.
— Eu...
— Vamos, minha menina. Amanhã você vai acordar péssima, tem que descansar.
“Minha menina” Sentiu seu rosto queimar, ainda fitando o chão segurou a mão dele. Percy apertou-a com força e começou a andar, levando-a por entre as arvores, seguindo até o chalé onde estava.
— Não é justo... — Sussurrou.
Percy olhou para trás com aquele sorrisinho ainda presente. Aproximou-se dela e lhe deu mais um beijo na bochecha.
— Amanhã, quando estiver melhor, se quiser, sabe... Estarei aqui.
Droga! Já namorava ele ha tanto tempo, por que seu rosto ainda esquentava daquela forma? E por que seu coração não parava quieto?
Assentiu apertando sua mão com mais força, Percy sorriu e voltou a olhar para frente. Em certo momento do caminho Annabeth sentiu seus olhos pesarem e sua cabeça doer como nunca na vida. Então... Somente borrões, algumas imagens. Percy a levando no colo, a breve lembrança de ser deitada na cama e a breve sensação de conforto incomparável. Parece que só entenderia isso na manhã seguinte.
( . . . )
Leo acordou com um choque correndo sua nuca, por um segundo não sentiu nada sobre seu corpo até o impacto o atingir. Abriu os olhos ainda meio desnorteado e só então notara que estava no chão. A sua frente pôde ver um par de botas, subiu seus olhos pelo corpo da pessoa e encarou seus olhos gélidos no topo. Reyna não parecia nada feliz. Seus braços estavam cruzados e a careta em seu rosto retratava o quão nervosa estava.
Pela primeira vez realmente a temeu.
— Você... — Reyna o puxou pelo braço levantando-o, jogando-o contra a cadeira onde anteriormente cochilava. Leo bateu as costas contra ela e quase cairá novamente, mas Reyna segurou a cadeira antes e o puxou para perto, aproximando seu rosto do dele encarando-o fixamente. — Que merda você pensa que está fazendo?
— H-hã? — Seu coração batia tão forte que sentia sua cabeça pulsar, Reyna estava tão próxima e parecia tão sexy aquela forma. Ameaçadora.
— Uma missão? Acha que tenho cara de “missão”? — Continuou ela ignorando sua pergunta.
— O quê?
— Só estava comigo para darem uma festa?
Leo arregalou os olhos, sua garganta parecia tampada por algo.
— E-eu-...
— E todo aquele papo... Era, mentira? — A mão dela apertou o contorno da cadeira trazendo-o para mais perto, suas testas se encostaram. Os olhos dela lhe encaravam fixamente.
— Não, eu. Reyna eu...
— Eu, eu, eu. — Imitou sua voz de um jeito idiota, soltando a cadeira e dando um passo para trás, no mesmo momento a cadeira despencou para frente. Poucos segundos antes de cair de cara novamente, Leo olhou para a porta, bem a tempo de vê-la sair por ela.
Usou os braços para se apoiar e levantou-se rapidamente passando a segui-la. Assim que chegou do lado de fora não vira ninguém. Nem um sinal dela, a chuva que caía mascarava e escondia praticamente tudo. O chão estava lamacento e o céu brilhava por conta dos reios frequentes.
Naquele momento Leo poderia pensar em como era perigoso segui-la, correndo qualquer risco de ser atingido por um raio já que estava longe de qualquer civilização e perto de tantas árvores. Mas no momento, nada parecia ter importância. Sentia um aperto terrível em seu coração. Naquele momento seu cérebro só pensava em uma coisa: “preciso encontra-la, preciso me explicar, preciso... Que ela entenda”.
Aquilo era louco, conhecia Reyna há tão pouco tempo, mas á ideia de perdê-la lhe deixava desesperado.
Correu sem nem hesitar, pulando os degraus da escada e escorregando em um rastro de lama, equilibrando-se rapidamente usando-o como impulsão para seguir mais rapidamente. As gotas pingavam contra seu rosto, pingavam contra suas roupas, dificultavam sua visão e movimentação. Mas nada daquilo importava, olhava para todos os lados torcendo para encontrar um traço se quer de Reyna.
Seus pulmões já clamavam por oxigênio, suas pernas já doíam e seu corpo já estava molhado de cima abaixo. Mas tudo valeu a pena quando finalmente a encontrou. Aquele peso estranho em seu peito sessou no mesmo momento. Tornou a correr, se possível mais rapidamente ainda, alcançando-a em segundos e a puxou pelo braço. O corpo de Reyna virou-se e se chocou contra o seu, os olhos dela arregalaram-se surpresos, mas antes que pudesse falar qualquer palavra, Leo a beijou.
Não sabia ao certo o que estava fazendo, sentia que se não fizesse aquilo enlouqueceria. Ela já o odiava mesmo, existe um sentimento pior que o ódio? Bem logo ele descobriria.
Segurou-a pela cintura e puxou-a para perto, as mãos de Reyna permaneciam acolhidas em seu peito, ela não retribuía ao beijo, parecia estar surpresa de mais para o fazer. Mas ainda assim. Leo sentia seu coração louco no peito, os lábios dela eram tão perfeitos, mais do que esperava. Eram tão macios, parecia ter um encaixe perfeito com os seus.
Seus pensamentos foram cortados assim que Reyna empurrou-o pelo peito, Leo cambaleou uns poucos passos para trás e assim que olhou para ela recebeu um tapa no rosto.
Eu mereci essa...
— O-o-o que pensa que está fazendo? — Gaguejou ela. Suas bochechas estavam completamente vermelhas, deu um passo para trás se afastando. Parecia tão indefesa o total oposto de antes.
Leo ficou alguns segundos encarando aquela cena antes de finalmente respondê-la:
— Eu, eu não fiz aquilo pela festa. — Esperou que ela falasse algo, mas Reyna permaneceu calada. — Fiz porque... Por algum motivo sinto uma vontade louca de ficar perto de você.
Reyna permaneceu imóvel, as gotas pingavam contra seu cabelo e rosto, escorria por suas bochechas e lábios deixando-a ainda mais tentadora.
— Eu juro, juro que tudo o que disse era verdade. E por favor, esqueça esse beijo, eu só me descontrolei por um segundo e... — Leo fitou o chão, se continuasse á encarando iria agarra-la novamente. — Olha por favor me desculpe, não faço ideia do que estou fazendo, quando chego perto de você fico confuso. Essa é a primeira vez que não estou certo sobre o que sinto.
Os trovões escoavam no céu e os raios iluminavam por entre as arvores. Nem um dos dois disse nada, mas Leo conseguia escutar a respiração descompensada dela.
— Reyna. Eu-...
— Não, não diga mais nada. — Leo finalmente tomou coragem para olha-la, Reyna estava com os braços cruzados, mas não parecia brava, seu rosto continuava frágil como antes. — Leo. Eu te conheço a menos de uma semana...
— Eu sei. Sei que é louco, não entendo o que está acontecendo. Mas, desde a primeira vez... Desde a primeira vez que te vi, sinto isso. — Deu de ombros suspirando. — Nem eu consigo explicar. — Passou a mão pelo rosto, frustrado.
Reyna contraiu os lábios, parecia desconfortável. Trocou o peso de um pé para outro, passando a mão por seus cabelos molhados, tirando-os da frente dos olhos. Leo já sabia o que aquilo significava.
— Olha, eu sinto-...
— Eu sinto muito. — Previu. Dando um sorriso de lado. — Não precisa sentir nada, eu entendo. — Engoliu em seco. — Só quero que me perdoe, que acredite. Tudo o que disse é verdade, você pode confiar em mim.
Reyna assentiu, seu olhar novamente tornou ao chão.
— Me desculpa sabe, por... Te jogar no chão e... Deixar a cadeira cair logo em seguida.
Leo gargalhou e Reyna sorriu junto, naquele momento, uma tempestade em meio á floresta parecia o melhor cenário de todos.
— Tudo bem, estamos quites. — Ele piscou estendendo a mão.
Reyna encarou sua mão por um tempo, até finalmente descruzar os braços e dar um meio sorriso apertando-a.
— Quites. — Concordou. Ambos sorriram se encarando, Leo gostou daquilo, nem um clima estranho ficaria no ar. Bem, isso era o que pensava até que o sorriso de Reyna desmanchou e fora substituído por uma cara de pânico.
— O-o que foi Reyna?
— Luke. — Ela engoliu em seco. — Luke não estava no quarto. Estava?
( . . .)
Nico estava com os olhos fechados, mas podia escutar o barulho dos trovões. A primeira gota veio como aviso, pingando em sua bochecha, para logo em seguida virem mais centenas delas. Em poucos segundos podia sentir sua roupa grudando ao corpo e seu rosto completamente molhado. Mas claro que aquilo não era um problema. Não, o mundo poderia acabar naquele exato momento, deis de que estivesse com ela estaria tudo perfeitamente bem. Podia estar ventando e chovendo, mas os lábios de Thalia eram o suficiente para esquenta-lo dos pés a cabeça.
Com uma das mãos puxou-a com mais vontade, infiltrando-a em seus cabelos negros, agora molhados. A sua outra desceu pelo corpo dela, contornando-a na cintura, puxando-a ainda mais, colando seus corpos. O barulho das folhas balançando conforme o vento batia com o misto das gotas contra o chão e o som das nuvens se remexendo no céu... Só deixava tudo mais fantasioso. Por um segundo Nico pensou que estava sonhando, e como em um sonho, acordou quando as mãos de Thalia empurram seu peito, afastando seus lábios.
O peito de Nico subia e descia rapidamente enquanto respirava com dificuldades, assim como ela. Queria poder ver seu rosto, mas Thalia fitava o chão novamente.
— Thalia...
— Você tem que parar com isso... — Teve a impressão de ouvir um soluçar, mas não sabia de onde vinha. Até Thalia subir os olhos em sua direção. E naquele momento, fora como se seu coração se partisse em dois e toda a felicidade que sentia á segundos atrás desaparecesse. Thalia estava chorando. — Tem que parar de me beijar assim... — Sua voz saíra baixa e ofuscada por um soluço, o olhar dela era tão triste quanto na noite do baile. Aquela noite em que contara toda a verdade para ela.
Naquele momento Nico se tocou. Aquela era a sua Thalia. A Thalia de verdade, sem modo de defesa, sem nada. A Thalia... por quem se apaixonou.
E ali, naquele momento, toda sua raiva passou. Simplesmente isso. Não conseguia nutrir nem um rancor se quer por ela. Aquele segundo só conseguia pensar naqueles olhinhos azuis marejados e nas bochechas rosadas, só conseguia pensar no quanto ela parecia devastada. Ver á tristeza de Thalia lhe trouxe a cabeça todo o passado, cada vez que a fez chorar, cada vez que a magoou. Nico só conseguia pensar no quanto a fez sofrer, não somente sobre seu coração partido, mas também o acidente. Thalia só sofrera aquele acidente por sua culpa, só ficara em coma por sua culpa, só perdeu suas memorias e depois as recuperou somente para sofrer mais uma vez... Por sua culpa. Thalia já se machucara tanto, tudo... Por sua culpa.
— Você assiste seu coração se partir todos os dias? — Repetira o que ele disse há poucos minutos, seus olhinhos se estreitando fazendo com que as lagrimas descessem por suas bochechas, misturando-se as gotas da chuva. — Seja bem vindo ao meu mundo. — Sua voz saía baixa, quase tão frágil quanto porcelana, as sobrancelhas estavam abaixadas e a boca contraída como se tentasse conter as lagrimas, mas em vão. Nico sentiu seu coração se quebrar em inúmeros pedaços, queria poder consola-la. — Eu venho confiando nas pessoas... Venho me entregando a elas, recebendo e acreditando em suas estupidas promessas, e todas ás vezes, todas ás vezes sem exceções... me machuco no fim.
Nico sentiu sua garganta fechar. “Venho confiando nas pessoas, recebendo e acreditando em suas estupidas promessas” Se já estava devastado antes, agora sentia-se mil vezes pior. “E sempre me machuco no fim” Fitou o chão, por um segundo sustentar o olhar dela tornou-se doloroso. Não gostava de ver Thalia daquela forma, fazia seu coração doer.
— É difícil gostar de alguém que só lhe machuca não é? — Ela sussurrou, sua voz abafada pelos trovões do céu.
Nico tentava falar, mas sua voz não queria sair.
— Eu, n-...
— Não aguento mais... — Nico não suportava escutar a voz dela daquela forma, era como se cada palavra viesse carregada com um pouco da mágoa que tinha em seu coraçãozinho. Thalia suspirou passando a mão por seu rosto, subindo pelas bochechas limpando as lagrimas no percurso, até pararem em seus cabelos onde ela envolveu os dedos encarando o céu, um pequeno sorriso surgiu em sua boca embora ainda chorasse. — Não aguento mais sofrer e me machucar. Então vá.
Naquele instante tudo parou, a única coisa que Nico conseguia ouvir era o “tump, tump, tump, tump” de seu coração, seu sangue circulava tão rápido que lhe tampava os ouvidos. Sentiu as mãos tremerem, encarou Thalia imediatamente, mas ela continuava a olhar para o céu. As gotas pingavam em seu rosto fazendo-a fechar os olhos ás vezes. Será que escutara mesmo aquilo?
— Então vá, certo? — Repetiu. Lá estava sua resposta, Nico sentiu todas as forças de seu corpo fugir, não conseguia falar nada. — Siga em frente e me esqueça. Encontre uma garota e fique com ela. Esqueça que fiz seu coração se partir, encontra alguém que faça o oposto. — A voz de Thalia soava sincera, embora ainda estivesse carregada de dor. — Seja feliz por nós dois, seja feliz e não erre com ela como fez comigo. — Thalia suspirou e fechou os olhos ainda com o rosto apontado para o céu.
Nico estava quase hiperventilado, por mais que respirasse era como se seus pulmões não respondessem, sentia um aperto horrível em sua garganta e peito, os olhos queimavam e ardiam como nunca na vida. Queria chorar. Aquilo não podia ser real, não estava ouvindo mesmo aquilo estava? Como Thalia podia dizer tudo isso? Como podia mandar esquecê-la?
Um raio cortou o céu e ambos ficaram iluminados por uns segundos, o rosto de Nico continuava inexpressivo. Seus olhos estavam praticamente sem foco e seus lábios entreabertos enquanto a encarava. Thalia finalmente voltou a olhar em sua direção.
— O amor que você perdeu, não valeu o que custou... E na hora certa-...
— Você será grato por isso ter passado. — Completou sem ao menos notar. Simplesmente deixou escapar, seu cérebro parou e somente a boca agiu.
— Isso. — Concordou, Thalia. Um pequeno sorriso esboçou-se no canto de sua boca. — Vá. — Repetiu. — Siga em frente porque é isso que vou fazer... — Então se virou, deu as costas e seguiu pelos campos de morangos, logo sumindo ente as tantas árvores da floresta.
Nico sentiu sua visão perder o foco, seu corpo que tremia até agora finalmente teve o descanso, a fixa caiu de uma só vez e desmoronou no mesmo momento caindo de joelhos no chão. Fitou suas mãos que permaneciam imóveis sobre as coxas, as lagrimas vieram instantaneamente pingando em suas roupas já encharcadas e agora sujas pela lama também. Por mais que pensasse e pensasse não conseguia digerir o que acabara de acontecer, não conseguia acreditar.
Então é isso? O fim? Tudo... Tudo tinha realmente acabado?
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