Because I Love You 2 .
24 Move on.
Notas iniciais
Calypso sabia, sabia que devia ter seguido sua intuição e ter seguido ao seu chalé. Mas não. Quando vira Reyna disparando para a floresta seguida de Leo, não conseguiu controlar. Sua curiosidade fora muita, e agora, arrependia-se amargamente, aquelas imagens estavam impregnadas em sua cabeça.
Embora tenha sido ela a terminar com Leo, doía tanto vê-lo com outra garota. Seu coração parecia aos pedaços no peito, sentia-se triste, mas também, sentia-se completamente enfurecida. Por que as lagrimas estavam transbordando de seus olhos? Por que estava no meio da chuva atrás de uma árvore encarando aquele beijo? Por quê? Por mais que pensasse nisso, não conseguia encontrar uma resposta. Não devia chorar por um cara que a considerava tão pouco, que nem se quer dera um mês para arrumar outra.
Respirou fundo e fechou os olhos, obrigando as lagrimas ali abrigadas a saírem, passou a mão por seu rosto em seguida, secando-o — O que não foi muito útil já que a chuva o molhara novamente. Desencostou-se da árvore e deu as costas aquela imagem.
Por mais que não quisesse sentir-se daquela forma, se sentia terrivelmente mal. Sua garganta estava tampada e só aliviava quando o soluço saía. Estava chorando a ponto de soluçar?
Ridículo.
Por que estava chorando tanto? Nem ela mesma conseguia entender. Só doía, doía muito e, chorar... Parecia aliviar.
Naquele momento, enquanto vagava com dificuldade por entre as árvores, em meio á chuva e relâmpagos, não conseguia parar de pensar em Thalia. Lembrou-se da expressão de sua amiga assim que entrou naquele quarto, Thalia nunca a perdoaria pelo que tinha feito, e nem mesmo Calypso conseguia se perdoar. Mesmo não sendo proposital, sabia que tinha perdido uma amiga para a eternidade. E agora que tinha visto Leo, com outra garota, uma garota a quem ele escolheu beijar, entedia que proporcionara uma dor horrível a ela.
Sua consciência doía, seu coração doía e sua cabeça doía. Não devia ter bebido tanto na festa, agora tudo parecia girar. Cambaleou tateando as árvores para que não caísse no chão. Assim que encontrou a pintura tabaco tão conhecida estampada às paredes de seu chalé, suspirou aliviada. Empurrou a porta e entrou o mais rápido que pôde. Como se fosse ensaiado, foi somente pisar no chalé que todas as suas energias se esvaíram instantaneamente. Sentou-se no chão, encostando-se a parede e abraçou seus próprios joelhos apoiando o rosto e fechando os olhos. Queria que tudo parasse de rodar, mas não dera certo. Era como se seu cérebro estivesse pulsando na cabeça.
Agradecia mentalmente pelo chalé estar vazio, porque sentia que, mesmo que estivesse lotado de pessoas, não conseguiria controlar aquele sentimento que lhe tomava. Sentia-se péssima, e o álcool não estava ajudando nem um pouco. Choraria mesmo que estivesse na avenida mais movimentada de NY, era algo que não tinha controle. Só queria que a dor que sentia saísse junto ás lagrimas.
— O que aconteceu, Little girl? Problemas no paraíso? — Uma voz lhe tirou de seus pensamentos. Calypso deu um pulo olhando para a porta, sentiu seu corpo inteiro travar.
— Lu-Luke?
— Ah... — Ele bufou revirando os olhos. — Por que todos tem essa reação quando me veem?
Luke estava encostado á porta, sua respiração estava acelerada e a voz baixa, como se fizesse esforço para falar. Mas seu clássico sorriso malicioso permanecia lá. As roupas estavam coladas ao corpo por conta da chuva realçando os músculos dos braços que permaneciam cruzados.
— Não aconteceu nada. — Falou levantando-se novamente, passando a mão por seu rosto secando as lagrimas. Aquilo não poderia ser mais estranho. — O que está fazendo aqui?
O sorriso de Luke aumentou, sua cicatriz apertou-se ao redor do olho de maneira adorável. Ele desencostou-se da porta e adentrou o chalé, olhando em volta.
— Bonito chalé...
— O que está fazendo aqui? — Repetiu tentando parecer ameaçadora, mas sua pose desmoronou assim que Luke aproximando-se. Calypso recuou um passo, mas não tinha mais pra onde ir, suas costas já estavam de encontro á parede novamente. Ele apoiou um braço ali, impedindo-a de sair.
— O que estou fazendo aqui?... — Luke semicerrou os olhos enquanto pensava. — Bem, na verdade estava procurando por Thalia. Só que quando cheguei lá, a festa já tinha acabado.
— E...?
— E... Encontrei alguém na floresta que parecia tão péssimo quanto eu.
Calypso franziu o cenho. O que ele queria dizer? “Tão péssimo quanto eu” algo tinha acontecido?
— Então... Digamos que: Você estava no lugar certo. — Luke sorriu, seu rosto aproximou-se perigosamente do dela. — Na hora certa... — Sussurrou aproximando-se mais.
Calypso fechou os olhos com força cerrando os punhos. Sentia-se estranha. Seu coração estava absurdamente acelerado. Parte pelo medo, afinal temia Luke, temia muito, escutara coisas péssimas ao respeito dele. Mas ainda assim, uma outra parte não sentia-se ameaçada, pelo contrario, sentia-se... excitada, de certa forma aquilo era absurdamente atraente.
Luke sorriu e Calypso tornou a abrir os olhos, o rosto dele agora estava há uma distancia segura.
Ótimo, agora sentia-se idiota.
— O-o que foi?
— Achei que fosse gritar, ou, quem sabe... correr. — Ele deu de ombros, sua mão livre que até agora estava na cintura, fora até seus cabelos molhados, arrepiando-os e fazendo seu clássico topete novamente.
Calypso não sabia muito bem o que estava acontecendo, não sabia se era por conta do álcool ou algo do tipo, até porque nunca pensara em Luke daquela forma, na verdade, nunca pensara em Luke de forma alguma. Mas tinha que assumir, ele era muito gostoso. E mesmo achando estranho, seu coração estava quebrado e tinha um garoto daqueles a sua frente, com as roupas molhadas e um sorriso cafajeste. Acima de tudo, ainda era humana. Uma humana com 99,9% do cérebro abalado. Seja pela bebida ou pelo que acabara de ver.
— E se eu não quiser? — Por um segundo deixou seu cérebro desligado e somente seu corpo no controle, queria saber onde aquilo ia dar. Afinal, Luke poderia estar só brincando, Calypso sabia que ele era meio obcecado por Thalia.
Ele e metade do mundo, aquela menina devia ter um doce.
Luke não respondeu absolutamente nada, ele somente sorriu como se estivesse se divertindo. Humedeceu seus lábios com a língua e apoiou ambos os braços na parede, aproximando seu corpo e rosto do dela. Calypso sentiu sua respiração acelerar juntamente de seus batimentos cardíacos. Os olhos de Luke estavam fixos nos seus, muito, muito fixos. E completamente sérios. Seu corpo inteiro arrepiou, o hálito quente dele chocava-se contra sua boca, podia sentir o aroma doce e refrescante de menta e até uma leve pitada de álcool.
— Bem. Ai... — Ele sorriu maliciosamente encaminhando seu rosto ao pescoço dela. — Você não vai mais querer sair. — Sussurrou. Sua boca percorreu toda a área exposta, deis de o pescoço a parte do busto que a blusa não cobria.
Calypso fechou os olhos aprovando, por mais que não quisesse assumir, por mais que achasse esquisito, sentia-se estranhamente atraída por ele. Sabia que Luke não prestava, mas todos os que ela vinha investindo até agora prestavam, certo? Então... Por que não?
Sem nem pensar direto, agarrou os cabelos loiros dele, puxando seu rosto para perto de uma vez, fazendo seus lábios se chocarem. Aquilo era diferente, não tinha sentimentos ligados, mas não deixava de ser gostoso. Luke beijava divinamente bem, sua boca tinha o gosto exato do que descrevera anteriormente, menta e álcool, por mais estranho que pareça era uma boa combinação.
As mãos de Luke escorregaram da parede e foram até a cintura dela, ele segurou com força ali, apertando e alisando, descendo a seus quadris e subindo novamente, fazendo com que o corpo de Calypso fervesse em resposta.
— Você está se aproveitando de um momento em que estou frágil. — Murmurou, ela chorosa, sem descolar seus lábios.
Luke sorriu.
— Você também está se aproveitando de mim... — Puxou-a, beijando-a novamente enquanto levantava-a do chão. Ele o fez com tanta facilidade que Calypso sentiu-se uma boneca de pano. O menino puxou-a para cima fazendo as pernas dela entrelaçarem-se em sua cintura, depois subiu a mão por sua coxa, infiltrando-a nos shorts que Calypso usava, onde apertou com força a pele, fazendo-a ofegar contra seus lábios.
Separou seus lábios dos dele por um segundo para respirar, seus olhos se encontraram. Calypso pensou em falar algo, mas não sabia o que dizer. Luke estava mais ameaçador do que antes, não tinha mais aquele brilho divertido nos olhos. Aquele azul claro fora tomado e substituído por um azul escuro, quase tão escuro quanto o oceano. Ele ofegou e mordeu o lábio inferior. Seu braço agarrou-a na cintura enquanto o outro mantinha-se fixo em sua nuca.
Luke andou alguns poucos passos com a menina em seu colo, até chegar á primeira cama que encontrou. Jogou-a contra a mesma e imediatamente pulou sobre ela. Calypso apoiou-se em seus cotovelos enquanto o observava, ofegante. Luke ficou ajoelhado, um joelho a cada lado de seu corpo enquanto ele tirava sua camisa completamente encharcada, jogando-a no chão.
Calypso mordeu o lábio. Sabe aquela ideia dele ser gostoso? Bem... Ele era mais que gostoso. O corpo de Luke era todo divididinho, seus músculos bronzeados e delineados. Completamente delicioso.
O menino sorriu, aquele sorriso cafajeste que deixava sua cicatriz apertadinha ao lado do olho.
— Não seja convencido... — Pediu, revirando os olhos.
Aquilo só o fez sorrir mais. Luke passou seu corpo sobre o dela beijando-a novamente, enquanto sua mão apalpava e apertava cada parte de seu corpo que conseguia alcançar. Calypso simplesmente fechava os olhos apreciando. As mãos dele contornaram sua cintura até o fim da barriga, onde finalmente achou a barra da camisa, tratando de tirar imediatamente, Calypso sentou-se na cama, levantando seus braços para que a peça saísse mais rapidamente.
Assim que a jogou para trás, Luke separou seus lábios dos dela por um segundo, olhando-a fixamente, ou melhor, olhando seus peitos fixamente.
— Gostou? — Perguntou irônica, para ver se ele se tocava. Luke sorriu mordendo o lábio inferior.
— Nada mal. — Assumiu. Voltando a beija-la no mesmo momento. Sua mão foi direto ao sutiã, apertando seus seios, mesmo ocultados pelo tecido, Calypso sentiu calafrios em seu estomago. Ele apertou e depois correu os dedos por sua barriga, escorregando para cima, infiltrando suas mãos pelo tecido.
Calypso separou sua boca da dele para jogar a cabeça para trás, o primeiro gemido fugiu de seus lábios. Luke sorriu mordendo-a na mandíbula, descendo uma linha de beijos por seu pescoço, garganta e de volta ao busto. Ele mordeu delicadamente a área e correu a língua pela pele em seguida. Os dedos continuavam a acaricia-la lentamente, torturando-a.
Calypso bufou irritada, suas mãos foram ás costas, desfazendo o próprio feixe de seu sutiã, que escorregou pelos braços. Luke sorriu puxando a peça jogando-a no chão também.
— Apressada... — Zombou ele. Suas mãos grandes, agora apertaram toda a carne. Calypso mordeu o lábio inferior, suas coxas se remexiam em busca de algum atrito. Ele desceu os lábios lentamente dando beijinhos em sua pele para em seguida abocanha-lo por completo.
As mãos da loira de repente tomaram vida própria agarrando-o na nuca trazendo-o para perto, gemendo mais alto. Não sabia quando ou onde aquilo ia acabar, mas agradecia pela chuva, porque algo lhe dizia... Que gemidos mais altos estavam por vim...
( . . . )
A excursão finalmente chegara ao fim. Reyna havia acordado antes mesmo de o céu clarear. Estava lotada de tarefas. Tinha que ver se estava tudo certo com os ônibus e chalés, fazer e refazer a contagem de alunos, entre outras muitas coisas.
Seria bom ter uma ajuda, mas deis de o dia do acidente de Nico não vira Jason. Quer dizer... Com exceção daquela vez na barraca, mas não parecia certo interferir no que acontecia ali. Portanto não fazia mal aceitar a ajuda de Leo, certo?
Ele insistiu por intermináveis horas, disse que não tinha problema e que não fazia mal levantar àquela hora, já que nem dormira. Por mais que estivesse completamente cheia de coisas para fazer, Reyna dava prioridade há uma delas. Luke. Esse maldito menino havia desaparecido noite passada e até agora nada, nem um sinal. Alias, Reyna passara em todos os chalés com quem ele poderia ter algum contato, no caso... Dois: Nico e Thalia. E nem um dos dois estava presente no momento.
— Fala sério, onde você está garoto problemático? — Praguejou enquanto tirava um dos galhos de sua frente. Não era legal andar pela floresta logo após uma tempestade, tudo estava repleto de lama.
Enquanto Leo cuidava do ônibus, Reyna achou melhor procurar o Castellan, afinal, ele estava bêbado e, tinha acabado de ter uma crise alérgica. Não parecia certo — nem seguro, deixa-lo vagando por ai.
Foi quando viu, uma cabeleira loira saindo de um dos chalés. Reyna escondeu-se atrás de uma árvore enquanto observava a cena. Luke tinha acabado de descer os dois pequenos degraus que tinha em frente á porta. Ele usava somente uma calça jeans e tênis, seu peito estava nu, e sua camisa em uma das mãos. Ele sorriu e arrumou seu topete voltando o olhar a porta. Reyna arregalou os olhos ao ver quem estava ali.
Ela não é a ex de Leo?
Calypso estava encostada ao batente da porta. Usava somente uma grande blusa que ia até parte de suas coxas, os cabelos estavam desgrenhados e o rosto absurdamente corado.
Ou não me diga que...
— Ei, Reyna. — Sentiu seu corpo arrepiar dos pés a cabeça assim que Leo chamou seu nome.
Será que Leo se importaria em ver aquilo? Quer dizer, não sabia se era o que estava pensando, mas... Qual é, era obvio que era o que estava pensando. Dois jovens seminus com sorrisinhos e rosto corado, só podia ser uma coisa.
— Ah, O-oi, Leo. — Deu um paço para o lado tentando esconder a cena com seu corpo.
— Algum problema? — Leo parecia desconfiado.
— Problema? Não... Nem um, por quê?
— Você parece estranha. — Ele mexeu a cabeça para o lado tentando ver melhor.
— Estranha? — Reyna mexeu a cabeça para o mesmo lado. — Pff... Não seja bobo. Estou perfeitamente normal.
Leo sorriu.
— Você com certeza, está estranha. Está me escondendo algo?
Maldito espirito do C.S.I!
— Esconder? Não estou escondendo nada...
Ele semicerrou os olhos, cruzando os braços, analisando o rosto de Reyna com cuidado. Cada movimento com a cabeça que Leo fazia ela imitava, tentando tampar a cena ao fundo. Leo deu um passo a direita e Reyna o imitou, deu um passo a esquerda e o mesmo aconteceu. Ameaçou dar um a direita, mas tornou a esquerda.
— Ahá! — Sorriu, olhando para trás da menina. Mas antes que pudesse ver qualquer coisa, fora impedido por um par de mãos apertando suas bochechas, puxando seu rosto para o lado. Leo sentiu um seu corpo arrepiar assim que encarara a imensidão que era os olhos negros de Reyna.
— Não se mecha. — Ela ordenou. Leo assentiu engolindo em seco, seu rosto estava quente. As mãos de Reyna soltaram-no depois de um tempo. — Tinha um bicho. — Mentiu. — Agora vamos. — Segurou-o pela mão e o puxou para longe dali.
( . . . )
Calypso não se arrependia do que tinha feito, bem pelo contrario estava completamente satisfeita com sua decisão.
Se é que você me entende.
Sabia que Luke não estava nem ai para um relacionamento com ela e, de todas as formas também não estava interessada em nada sério com ele. Sempre que se envolvia ou gostava de alguém, acabava sendo traída e/ou era ela quem sofria no fim.
Era melhor deixar do jeito que está. Jovens faziam isso o tempo todo, certo? Fora só uma noite, então, voltariam a ser completos estranhos e essa transa seria esquecida. Foi bom? Sim. Foi maravilhoso? Sim. Poderia se repetir qualquer dia desses?
Sim.
Não! Repreendeu-se mentalmente. Mas era difícil se concentrar com Luke a encarando daquela forma, aquele sorriso safado era de tirar qualquer garota do serio, ainda mais quando estava preso aquele rosto, que estava preso aquele corpo, com aquele tórax maravilhosamente definido que, por coincidência.
Ou nem tanta.
Estava exposto e mais lindo do que nunca.
— Algum problema? — Luke perguntou sorrindo, tirando-a de seus devaneios.
— Hã? Há. Não, eu só... — Ele estava a confundindo novamente. — Isso não pode acontecer de novo, certo? — Foi direto ao ponto.
Luke deu um sorriso debochado.
— Há, sim, claro. — Subiu os degraus novamente ficando de frente para ela. — Não vai se repetir. — Sussurrou, puxando-a pela nuca e roubando-lhe um beijo. Longo e cheio de mordidas.
Calypso suspirou assim que seus lábios se separaram.
— Tchau, Little Girl. — Ele piscou jogando a camisa em seu ombro, virando-se e indo embora, não sem antes dar mais um daqueles sorrisos cafajestes acompanhado de uma piscadela e murmurar algo que ela jurou ser um “ou nem tanto”.
Calypso mordeu o lábio, mas se recompôs assim que ouviu um barulho vindo da floresta. Cruzou os braços tampando seu decote ao máximo — vai que era um tarado — E semicerrou os olhos observando o local.
O lado bom é que não era um tarado. O lado ruim? É que bem... Eram Reyna e Leo. As mãos de Reyna estavam no rosto dele o puxando para perto, Calypso não conseguia ver muito bem, mas pareciam compartilhar um beijo.
Outro.
Suspirou fitando o chão, uma sensação esmagadora tomou seu peito novamente. Sabia que não tinham mais nada. Mas ainda assim, não se acostumaria com aquilo tão cedo.
( . . . )
Nico não sabia ao certo como ou quando tinha levantado do campo de morangos. Não sabia ao certo como ou quando chegara ao chalé, não sabia ao certo o tempo que ficara deitado na cama fitando o teto, não sabia ao certo quantos segundos, minutos, horas, passaram-se até o dia amanhecer lá fora. A única coisa que sabia e que não sabia de droga nem uma.
Sentia-se tão deslocado, tão perdido e confuso. Por mais que tivesse posto em sua cabeça que seguiria em frente se Thalia pedisse, por mais que tivesse feito isso... Não conseguia acreditar ainda. Thalia disse que ele devia ir, e então? Faria?
Nico grunhiu sentando-se de vez na cama, pegando o travesseiro que tinha ali encima e atirando-o no chão. Apoiou os baços no joelho e afundou o rosto na palma de suas mãos.
“Não aguento mais sofrer e me machucar, então vá” Não importava o quanto chorasse, aquele maldito aperto em seu coração não sessava, não amenizava, não... Passava. ”Siga em frente e me esqueça” Como poderia esquecê-la? Que droga, Thalia! Será que não entendia?
Não posso esquecê-la.
Nico apertou a mão em seu rosto enquanto grunhia novamente. Era tão horrível sentir aquilo, sentia seus pulmões apertados pelas costelas já que mal respirava em meio aos soluços e grunhidos; a garganta permanecia fechada e, seu coração... Seu coração doía absurdamente no peito. Mas não era uma dor física, era algo inexplicável, uma sensação tão ruim que se fosse qualificar desta forma, seria o mesmo que ser esmagado por um ônibus.
Suspirou levantando-se da cama. Caminhou até o travesseiro que minutos atrás atirara no chão e, ficou ali, parado, o observando por um bom tempo. Seus olhos fixos e vazios. “Esqueça que fiz seu coração se partir, encontre alguém que faça o oposto” Não importa o quanto tentasse, ás memorias da noite passada não saíam de sua cabeça. “Seja feliz por nós dois, seja feliz e não erre com ela como fez comigo”.
Droga!
Nico gritou chutando o travesseiro para longe, virou-se contra uma pequena cômoda que havia no chalé e fez o mesmo. Chutando-a com toda sua força, distribuindo alguns socos e pancadas sobre ela, para no fim, apoia-se ali apertando as laterais com força para tentar se controlar. O móvel permaneceu intacto, parado em seu exato lugar, mas algumas das coisas que estavam sobre ele caíram, espalhando-se pelo chão.
Nico respirou fundo e abriu os olhos novamente, agora mais calmo, observou o que acabara de derrubar e engoliu em seco, sentindo seus olhos tomados pelas lagrimas novamente. Agachou-se no chão pegando a foto.
Thalia estava tão linda ali... Seu sorriso conseguia ser simplesmente o mais perfeito de todo o mundo. Adorava a forma que seus olhinhos azuis ficavam apertadinhos e claros, quase como um gatinho; e sua boca fazia uma pequena covinha. “Eu venho confiando nas pessoas” Nico sentou-se no chão encostando as costas na cômoda. “E sempre me machuco no fim” Fungou enquanto apertava a borda da foto. Não queria tê-la machucado tanto, não queria... Fora só um deslize.
Somente um!
Uma vez, um erro, mas o destino não parava de castiga-lo. “Então vá certo?”. Nico encostou sua cabeça na estante e fitou o teto novamente. “Siga em frente, porque é isso que vou fazer”.
— Nico, vam-... — A voz parou assim que abriu a porta. Nico desceu os olhos á pessoa. — Me desculpe eu, atrapalho algo?
Nico olhou a foto de Thalia novamente.
— Não. — Levantou-se enquanto respirava fundo, passando a mão por seus olhos.
— E que os ônibus já vão sair. — O garoto que dividira chalé com ele esses dias, Dakota, parecia realmente desconfortável.
— Tudo bem... — Nico virou-se para a estante, colocando á foto de Thalia sobre ela. Respirou fundo enquanto encarava aquele sorriso por mais algum tempo.
“Não aguento mais. Sempre me machuco no fim. Então vá” A voz dela soava nítida em suas memorias. Soltou o ar que preenchia seus pulmões e voltou-se para Dakota novamente, pegando sua mochila no chão e seguindo até a porta.
— Não tem problema deixar a foto ai? — Quis saber o menino.
— Não... Não é minha. — Jogou a mochila contra as costas saindo do chalé. Dakota correu para acompanha-lo.
— Tem certeza?
Nico simplesmente assentiu enquanto caminhava entre os alunos.

Alguns batiam contra seu corpo no caminho, mas realmente não se importava. Sua cabeça estava distante dali, estava a quilômetros de distancia.
“Você será grato por isso ter passado.” Thalia queria daquela forma, certo? Talvez fosse melhor assim. Talvez, seguir cada um para um lado fosse o melhor. Sem mais magoas ou sofrimento para ambos.
Nico apertou a alça de sua mochila. Por mais que pensasse assim não era tão fácil. Engoliu em seco enquanto subia as escadas do ônibus, sentou-se em um acento qualquer e colocou os fones no ouvido fechando seus olhos.
Desta vez, a imagem que veio a sua cabeça lhe arrancou um sorriso. Lembrou-se da primeira vez que vira Thalia, a primeira vez que ela cruzara a porta daquela escola. Lembrou-se de sua testa franzida e olhos semicerrados enquanto encarava sr.D; Lembrou-se do quanto ela era competitiva, tão competitiva que aceitara uma aposta que feriria gravemente seu orgulho. Lembrou-se de seu primeiro encontro, da forma como sentiu-se absurdamente atraído por ela, sem Thalia fazer absolutamente nada. Ela criticou ao filme que viram, comeu o dobro que ele comera e seu orgulho era de mais para aceitar uma jaqueta emprestada mesmo que estivesse morrendo de frio.
Nico sorriu bobamente.
Mas ainda assim... O conquistara completamente. Aquilo era incrível. Thalia roubou seu coração sem nem ao menos se esforçar para fazê-lo.
“Oi, eu aceito” Lembrou-se de como começaram a namorar. Thalia surgiu de repente em sua porta e pulou em seus braços sem nem deixa-lo falar. Lembrou-se também de sua primeira vez com ela, com certeza a noite mais inesquecível de sua vida. Thalia não era nem um pouco puritana para uma virgem. Nico gargalhou com seus pensametos, esses que foram seguidos de outros. Como em um filme, desta vez, sua cabeça estava do seu lado, somente relembrando os bons momentos. Sem dor, sem magoas.
Isso.
Nico se tocou naquele momento — Nunca seria grato por aquilo — sabia que não poderia esquecê-la, nunca seria capaz. Thalia seria para sempre o grande amor de sua vida. Mas ainda assim... Não queria ficar ali se aquilo fosse machuca-la. Pode ser que nunca fosse esquecê-la, mas tinha que fazer isso por ela. Não suportaria vê-la chorar novamente, não por sua culpa, não suportaria mais ser o causador de tamanha agonia.
Não prometeria nada sobre esquecê-la, mas uma coisa podia fazer por ela.
Seguir em frente.
Fale com o autor