Because I Love You 2 .
13 Doeu não foi?
Notas iniciais
P.O.V Nico.
Aquele silêncio todo estava me tirando do serio. Quer dizer... Tinha todo aquele barulho da festa. Mas ainda assim! Thalia não dizia nada fazia uns vinte minutos. O silêncio dela estava me corroendo por dentro. Estava quase considerando a idéia de sacudi-la pelos ombros e obrigá-la a falar algo.
— Okay. — Thalia finalmente falou. — Quer saber... — Murmurou virando-se de costas e começou a andar. Sim! Simplesmente isso! Ela começou a andar para longe.
Observei-a por alguns segundos. Aquilo era serio? Ela ficou todo aquele tempo em silêncio para no fim dar as costas?
— Onde está indo? — Perguntei, mas Thalia não pareceu se interessar, só continuou a seguir seu caminho. Aquilo me irritava tanto, Thalia sempre fugia, eu sempre... Tinha de correr atrás dela. — Vai fugir?... Como sempre faz?
Não esperava que aquilo desse certo, mas por incrível que pareça funcionou. Ela parou e me encarou com um sorriso torto no rosto. Fez um sinal com a mão como se dissesse: “Espere” Então se virou novamente.
Não entendi nada do que se passava ali. Mas achei melhor ver onde aquilo ia dar. Thalia caminhou observando a multidão, até que finalmente parou. Ela cutucou o ombro de um garoto, que ao encará-la parecia à pessoa mais feliz do mundo.
Queria muito saber sobre o que eles estavam conversando, mas á música alta não permitia nem que eu escutasse meus próprios pensamentos direito, imagina a voz deles...
Não conversaram por muito mais tempo, Thalia olhou em minha direção assim que chegou lá, voltando os olhos ao tal garoto novamente em seguida. Ele parecia um completo idiota, á encarando boquiaberto, suas feições eram de tamanha confusão que era quase possível ver seu cérebro retorcesse em busca de uma resposta.
Quase fui tomado pela vontade de sorrir. Isso mesmo quase. Assim que Thalia se aproximou dele senti meu coração pesar, ela sussurrou algo próximo ao ouvido do menino, entrelaçando seus braços no pescoço dele em seguida, mantendo seus rostos e lábios ha uma distancia — nada segura, de no máximo um dedo.
Queria muito agir, por mais que não soubesse perfeitamente o que acontecia ali. Já considerava algumas hipóteses. Essas que não eram nem um pouco agradáveis.
Mas... Antes mesmo de conseguir dar um passo se quer. Foi tarde de mais... Thalia inclinou-se ainda mais sobre ele beijando-o como a minha pior hipótese previra.
Aquelas luzes piscando, aquela musica alta, a multidão de pessoas. Tudo... Tudo a minha volta parecia tão sem importância. Meu cérebro estava confuso, travado em uma espesse de pane por sobrecarga, não conseguia formular um pensamento se quer. Mas ao menos um sentimento consegui entender: Raiva.
Muita, muita raiva. Era quase como se... Meu sangue queimasse nas veias. Queria socar aquele moleque maldito. Tentei andar, tentei me aproximar e acabar com aquilo, mas meus pés pareciam chumbo presos ao chão. Minha respiração foi tornando-se pesada aumentando juntamente com meus batimentos cardíacos.
Sentia angustia e até certo nojo também. Mas acima de tudo... Meu coração doía como nunca antes, era como se ele se quebrasse. Se partisse em milhões de pedaços.
Aquilo nunca acabava? Já fazia quanto tempo que estavam se beijando? E não era só um beijinho... Era o beijo. As mãos do menino tocavam em todos os lugares do corpo de Thalia, enquanto as dela o puxava com vontade na nuca. Como se aquilo já não fosse o suficiente, ela deixava o beijo completamente exposto... De forma que era até visível suas línguas se tocando.
Senti meus olhos arderem às forças fugiram completamente de meu copo, estava fazendo esforço para até mesmo ficar de pé. O beijo finalmente acabara. Thalia se afastou do menino ofegando, ele parecia espantado, mas sorria. Um sorriso que quase lhe tampava completamente o rosto e que fazia meu estomago revirar. Eles trocaram mais umas poucas palavras e mais um longo selinho, então Thalia se afastou.
Ela vinha em minha direção, mas ainda assim estava muito atônito para agir.
— Oh. Me desculpa! Foi um deslize, um maldito deslize! Eu agi por impulso, me deixei levar, e me arrependo profundamente pelo que fiz. — Thalia falava com sua melhor voz sarcástica.
Reconhecia perfeitamente aquelas palavras, foram as que disse para ela poucos minutos atrás. Senti minha garganta fechar. Thalia se aproximou sussurrando próximo ao meu ouvido:
— Foi só um beijo... E eu lhe pedi desculpas. Mas ainda assim doeu não foi? — Por mais baixa que a voz dela estivesse, conseguia ouvir perfeitamente. — Isso fez a dor passar? — Thalia se afastou encarando-me nos olhos. — Seu coração... Ele parou de doer agora?
Fiquei a encarando sem reação alguma, meu cérebro ainda parecia em pane. Thalia sorriu de lado afastando-se. Conseguia vê-la indo, mas não conseguia agir. Thalia pegou um copo da mão de uma das meninas da festa, bebendo em um só gole e devolvendo-o vazio a garota. (Que não pareceu muito satisfeita) Aquilo foi a ultima coisa que vi antes dela sumir na multidão.
Minha respiração tornou a ficar pesada. Meu cérebro novamente remoeu meu ultimo pensamento: raiva.
Sentia meu coração antes quebrado agora tomado pelo ódio. A última vez que senti tanta raiva assim fora quando descobrir que meu pai traia minha mãe por toda a vida dela. Era como se fosse explodir por dentro se não a extravasasse agora.
Minha cabeça me torturava, fazendo-me reviver aquele momento em minhas lembranças. Lembrava do beijo, remoendo novamente e novamente cada contato dos lábios dela aos daquele garoto, das mãos dele descendo por seu corpo... De suas línguas... Se tocando.
“Doeu não foi?” Podia ouvir meu coração de tão alto que batia, superando até mesmo a musica do lugar, a veia em meu pescoço pulsava.
Serrei os punhos encarando o menino novamente. Ele estava parado lá, com aquele sorriso estampado na cara. Tiraria aquele sorriso de seu rosto... Nem que tivesse que fazer a força.
Finalmente consegui mover minhas pernas, caminhei empurrando todas as pessoas que tornavam-se obstáculos a minha frente. Até finalmente chegar ao tal garoto. Encarei-o fixamente.
— Hey cara... Você parece mal. — Ele ainda sorria. — Está chapado? Acho melhor parar um pou-...
Não deixei que ele terminasse de falar, a voz dele me irritava. Simplesmente o soquei.

Com tamanha força que até mesmo me desequilibrei no feito. Mas consegui manter-me de pé ainda assim. Já o garoto não teve tanta sorte. Ele desabou no chão, abriu seus olhos, mas não parecia ver nada a sua frente.
Uma multidão se formou a nossa volta, as pessoas parecias espantadas.
Abaixei-me passando meu corpo sobre o dele. Imobilizando-o com meu peso enquanto subia minha mão preparando mais um soco.
— Es-Espera cara... — A voz dele falhava, um filete de sangue descia por seu nariz. — Por favor...
Se possível aquilo só me deixou com ainda mais raiva. Aquela voz... Aquela covardia, como Thalia pode beijar alguém como ele?
— Cale a boca... — Tornei a levantar meu braços.
— Olha, escuta eu... Eu te pago.
A vontade de sorrir foi inevitável. A covardia daquele menino era tamanha que ele não tentava ao menos se soltar. As pessoas murmuravam a volta, mas ninguém fazia absolutamente nada, a musica eletrônica tocava altíssima. Conhecia aquela musica, ela estava quase no refrão. Tornei a encarar o garoto.
Seu coração... Lembrei-me da voz de Thalia. Ele parou de doer agora?
As imagens do beijo tornaram a minha memória, novamente o ódio se fez presente.
— Xi... — Sussurrei calmamente. — Vamos... Deixar queimar... — Desci meu braço com a maior força que pude.
And we gonna let it burn, burn, burn, burn
We gonna let it burn, burn, burn, burn
A musica estrondou ainda mais alta no exato momento em que meu punho tocou seu rosto, a força foi tamanha que a cabeça dele chocou-se contra o chão. Minha mão doía e estava coberta por seu sangue. Porem valera á pena, agora em seu rosto não somente o nariz sangrava, mas sua boca também. Assim que o encarei na boca não pude deixar de pensar nela encostada a de Thalia, novamente meu cérebro ficou embasado.
— Não quero seu dinheiro. — Desferi outro soco mirando sua boca dessa vez.
And we gonna let it burn, burn, burn, burn
We gonna let it burn, burn, burn, burn
O corpo dele ficou mole sobre o meu, seus olhos abriram fracamente dessa vez. Como se implorasse por piedade. Mas não podia palpá-lo. Meu coração doía tanto, e de certa forma aquilo parecia aliviar.
— Eu só quero... — Minha voz falou. — Que isso pare. — Subi minha mão novamente, mas desta vez algo me impediu de continuar. A voz dela soou tão melodiosa entre todas aquelas outras, podia reconhecê-la perfeitamente.
— Nico! — Thalia gritou. Com o canto o olho a observei. Ela estava com as mãos sobre a boca seus olhos arregalados. A quanto tempo ela não me chamava pelo nome?
Pude dar um pequeno sorriso, com aquele pequeno gesto o peso em meu coração pareceu aliviar. Mas antes que pudesse dizer qualquer coisa, senti uma dor lancinante, assim que algo se quebrou sobre minha cabeça, o chão ficou repleto de cacos de vidro e algumas gotas de sangue começaram a pingar. Minha visão dividiu-se em duas, tentei me levantar mais tudo girava, a última coisa que vi foi Thalia, minha visão escurecia ao redor de seus olhos azuis... Até chegar ao ponto, de não ver mais nada.
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