Because I Love You 2 .
14 O passado volta a tona.
Notas iniciais
"Pude dar um pequeno sorriso, com aquele pequeno gesto o peso em meu coração pareceu aliviar. Mas antes que pudesse dizer qualquer coisa, senti uma dor lancinante, assim que algo se quebrou sobre minha cabeça, o chão ficou repleto de cacos de vidro e algumas gotas de sangue começaram a pingar. Minha visão dividiu-se em duas, tentei me levantar mais tudo girava, a última coisa que vi foi Thalia, minha visão escurecia ao redor de seus olhos azuis... Até chegar ao ponto, de não ver mais nada."
— Acha que ele vai demorar muito pra acordar?
— Acho que não... Já ficou dois dias apagado.
— É, mas ainda assim... Não acho que vá acordar ago-... Ai deuses! Ele se mexeu.
— O quê? Oh, é mesmo... Vou chamar o doutor.
Nico podia ouvir o murmurar de pessoas e barulho de passos também. Tentou abrir seus olhos, mas estava esgotado, conseguiu mantê-los abertos somente por alguns segundos. Mas fora o suficiente para identificar rostos conhecidos ali.
— Rachel?... — Tentou falar, mas aquilo soou mais com um murmúrio.
— Sim? — Ela se aproximou. Um sorriso caridoso no rosto.
Novamente Nico tentou abrir os olhos, mas sua visão estava embasada e confusa, mas ainda assim conseguiu distinguir o lugar e notou que não estava em nem um conhecido.
— Onde. Onde estou? — Fechou os olhos novamente, ver tudo daquela forma o deixava tonto.
— No hospital. — Rachel segurou sua mão.
— O que... O que aconteceu?
— Quebraram uma garrafa na sua cabeça.
— O quê? — Abriu somente um olho enquanto a encarava, subindo sua mão a cabeça.
— Não toque! — Rachel deu um tapa em sua mão. — Foi na festa, aquela que você ia tocar na sexta. Eu falei que era perigoso...
— Na sexta? — Murmurou fechando os olhos novamente.
Tentou lembrar-se da festa, mas tudo era somente um borrão. Algumas memorias avulsas que não faziam sentido algum.
— Uma garota lhe trouxe aqui. — Rachel falou.
Por mais que sua voz estivesse baixa, fazia a cabeça dele rodar ainda assim. Qualquer barulhinho fazia sua cabeça latejar.
— Uma garota? — Apertou os olhos tentando não gemer de dor.
Novamente tentou se lembrar, e agora os borrões pareceram mais claros. Lembrou-se da musica alta, e da multidão de pessoas. Lembrou-se também de um garoto. A memoria de avançar nele de repente e soca-lo com toda sua força. Mas uma garota?... Não tinha uma garota lá. Só... Thalia.
Nico arregalou os olhos, levantando-se de súbito na cama, Rachel deu um gritinho assustada.
— Thalia! — Gritou assim que se levantou, mas tudo girou ao seu redor e sua cabeça parecia pesar uma tonelada. Quase instantaneamente caiu deitado na cama novamente.
— Não se esforce! Ou os pontos podem estourar.
— Pontos?!
— Si-...
— Eles rasparam minha cabeça?
Rachel deu um sorriso, incrédula.
— Sério que nessa altura do campeonato você está preocupado com seu cabelo? E não. Eles não rasparam se acalme.
Nico suspirou aliviado. Mas no próximo segundo arregalou os olhos novamente.
— Thalia... — Tornou a falar. — A garota que me trouxe aqui. Foi... Foi ela?
Rachel deu de ombros.
— Não faço ideia. Ela me ligou... Não vi pessoalmente.
— Então veja o numero no identificador. — Nico falou como se fosse obvio, Rachel o encarou com um olhar repreendedor. — E... Por favor? — Fez seu melhor olhar de cão sem dono.
Rachel suspirou mexendo em sua bolsa.
— Não dá... Porque ela me ligou de seu celular. — Tirou da bolsa o aparelho, e entregou para ele.
Nico o segurou com certo receio. O aparelho estava coberto de sangue. Tanto na tela quanto o resto. Completamente marcado por digitais ensanguentadas.
— Estava encima da estante quando cheguei. — Rachel continuou. — E já estava nesse estado, pensei em limpar... Mas achei que gostaria de ver.
Nico observou o aparelho. Aquele sangue todo era dele? Mas não tinha lembranças de tentar usar o celular. De repente seus dedos apertaram o aparelho com mais força. Lembrou-se do porque de tanto sangue, pouco depois de derrubar o garoto fora atingido na cabeça. A última coisa que viu... Foi Thalia. Seus olhos azuis, lindos e intensos, carregados de preocupação.
Será que foi ela mesmo?
— Essa garota... — Nico voltou os olhos a Rachel. — Como ela, estava no telefone?
— Ah, nervosa... Muito nervosa. Mal conseguia formular as palavras. Demorou um bom tempo para me explicar o que acontecera. Parecia... Desesperada.
Nico voltou ao aparelho encarou novamente as marcas de dedo espalhadas por ele. Seja quem for que tentou usar aquilo mal conseguia segura-lo nas mãos, parecia tremer e errar os botões diversas vezes.
Deu um pequeno sorriso. Por mais que existisse a possibilidade de não ser Thalia. Também existia a... De ser.
— Preciso ver ela. — Suspirou. — Preciso saber se foi Thalia quem me ajudou, e preciso também... Me desculpar.
— Ah, você não pode... — Uma voz murmurou vindo da porta.
Nico reconheceu a voz, era a pessoa que conversava com Rachel agora a pouco. Percy.
— O que quer dizer com: “eu não posso?” — Nico virou o pescoço encarando o amigo. Sua visão agora melhor, não mais embasada. Permaneciam somente alguns pontinhos pretos em frente a sua vista.
— Bem... — Percy parecia desconfortável. — Eu poderia falar, mas acho melhor ele dizer. — Apontou para um homem de jaleco que acabara de entrar no quarto.
Nico encarou aquele homem com certa nostalgia.
— Você...
— Você deve gostar mesmo de hospitais não é garoto? — O homem sorriu divertido.
Era aquele mesmo doutor. O que fizera a cirurgia às pressas e salvara a vida de Thalia. Nico nunca esqueceria seu rosto, se tinha uma pessoa para perguntar sobre ela. Essa pessoa era ele.
— Sente-se melhor? — Perguntou o Dr. enquanto observava alguns raios-x. — Foi uma bela pancada.
Nico assentiu.
— Melhor...
O homem se aproximou dele, pegando uma lanterninha e lançando contra seus olhos.
— Tontura? Visão turva? Dor de cabeça?
— Um pouco...
Rachel roía as unhas no canto do quarto.
— Algum problema Dr.?
Ele a encarou.
— Oh. Não, não... Isso é normal. Faz parte... Foi um baita trauma. Suas memorias devem estar um pouco confusas também não é?
Nico assentiu, um pouco receoso. Aquilo queria dizer que ele ficaria com perda de memoria assim como Thalia?
O homem pareceu notar sua preocupação.
— Não se preocupe. — Sorriu. — Elas vão voltar em poucas horas, dias no máximo... E você já estará pronto pra outra. — Lhe deu dois tapas no ombro. Virou as costas para sair do quarto, mas Nico o chamou antes que fizesse.
— Ei... — Olhou em sua direção novamente.
— Sim?
— Você sabe quem... Me trouxe aqui?
O Dr. Ficou quieto, como se lesse suas emoções ou até mesmo seus pensamentos. Por fim sorriu divertido.
— Cabelos negros, olhos azuis... Parece que o mundo dar voltas em garoto? Dessa vez ela quem estava morrendo de preocupação.
Nico sorriu, um sorriso que tomou seu rosto por completo. Por mais que sua cabeça doesse seu coração explodiu de alegria. Tentou levanta-se da cama, mas Percy não permitiu que fizesse.
— O que está fazendo? — Rachel o encarou com um olhar repreendedor.
— Eu preciso vê-la.
— O quê? Você não pode. Seu corpo está muito fraco... Terá de ficar aqui por mais uns dias.
— Mais uns dias? — Nico o encarou incrédulo. — Você tá brincando comigo né? Me solta Percy. — Tornou a tentar levantar, e novamente Percy o deteve antes que fizesse.
— Não.
Nico o encarou com seu melhor olhar ameaçador.
— Me. Solta. Percy.
— Não. — Fez o mesmo.
Se você nunca viu o olhar ameaçado de Percy... Bem agradeça aos céus, e como uma amostra grátis das portas do purgatório. Mas o de Nico conseguia superar o dele.
Ficaram se encarando por um bom tempo, por fim Nico suspirou deitando-se na cama.
— Um dias. — Falou cruzando os braços. — Ficarei aqui por somente mais um dia. No máximo. Sem discursão. Tenho um acampamento para ir.
Rachel sorriu, mas Percy permaneceu sério.
— Nico você... Sabe que dia é hoje?
Nico olhou em sua direção.
— Sábado?
— Hoje é domingo, você ficou desacordado por um dia inteirinho... Amanhã. Já é a excursão.
Nico arregalou os olhos, aquilo não podia ser sério... Ficaria sem vê-la por uma semana inteira?
— Não eu... Preciso falar com ela agora.
Esperou tanto por essa excursão. Séria a chance perfeita para se aproximar de Thalia... Ainda mais depois disso. Depois de descobrir que ela salvara sua vida, descobriu também... Que ela ainda se importava. As manchas de seus dedos trêmulos mostrava o quão nervosa estava. Nico tinha uma chance... E não poderia desperdiçar em um hospital.
Suspirou serrando os punhos. Aquilo só podia ser brincadeira...
( . . . )
Apolo encarou o topo da escada e seu coração quase parou. Artêmis o encarou fixamente, seus olhos verdes brilhando... Ele só esperava que fosse de felicidade.··.
— O que está fazendo aqui? — Artêmis perguntou, sua mão apertou com força o corrimão branco.
Aquela com toda a certeza não era a reação que ele esperava. Nem uma carinha fofa? Sem aquela risada engraçada que ele achava completamente meiga e encantadora? Sem correr em sua direção e abraça-lo com força?
— Eu bem... — Sua garganta fechou, esperou tanto por esse momento, mas agora que estava ali. De frente para ela. Não sabia o que falar, simplesmente travou.
Artêmis suspirou, seu olhar vacilou por um segundo. Seus lábios se contrariaram e ela desceu os olhos para o chão.
— Vá embora... — Falou em um fio de voz.
Apolo sentiu seu coração se partir. É claro que ela não esqueceria tudo o que aconteceu e simplesmente o perdoaria por tudo... Não fazia sentido, não depois de tudo que ele fez. É claro que ela o mandaria embora.
— Eu esperei tanto... — Apolo suspirou, tentava andar, mas não conseguia. — Esperei tanto para falar com você minha caçadora.
— Não me chame assim. — Murmurou novamente, sua voz tão baixa que ele quase não ouvira. — Vá embora. — Repetiu. Sua mão novamente apertou o corrimão.
— Artêmis escut-..
— Vá embora. — Tornou a falar levantando o rosto.
Apolo olhou em sua direção. Ela não estava brava nem nada, sua expressão era tudo o que Apolo não esperava. Dor. Tristeza. Seus olhos transbordavam lagrimas, que escorriam por suas bochechas pálidas.

De repente Apolo não lembrava mais como se respirar, um aperto se fez em seu peito. Ele assentiu.
— Okay... — Murmurou, seus olhos também ardiam. — Eu... Eu vou.
Virou-se e caminhou para fora da casa, mas antes de fechar a porta a olhou mais uma vez, bem a ponto de vê-la acabar-se em prantos. Sentando-se em um dos degraus e afundar o rosto entre as mãos, seu peito subia conforme soluçava. Aquilo foi de mais... De mais para ele suportar, acabou completamente com seu coração. Apolo fechou a porta e fitou o chão.
— Uh... Pela sua cara, acho que a conversa não foi boa. — Olhou para o lado, Afrodite estava sentada sobre o balanço, indo para trás e para frente. — Se é que podemos chamar isso de conversa. Quanto tempo ficou lá dentro? Dois minutos?
Apolo sentiu seu corpo queimar tomado pela raiva.
— Você... — Apontou em sua direção. Afrodite sorriu.
— Eu?
— A culpa disso... É toda sua. — Sua garganta estava fechada e seu coração acelerado de raiva.
— Minha? — Ela franziu a testa.
Por um segundo Apolo estourou. Foi tomado pelo ódio, caminhou até ela em passos pesados, sendo atingido pela sanidade e controlando-se no ultimo minuto, socando uma das pilastras — Que seguravam o teto da varanda. — Para extravasar sua raiva.
O punho dele bateu na pilastra bem ao lado do rosto de Afrodite, mas ela não parecia com nem um pingo de medo. Como se soubesse que Apolo não seria capaz de machuca-la.
— Minha culpa? — Franziu a testa enquanto levantava-se do balanço, seu rosto ficou a um centímetro do dele, seus olhos agora em um castanho claro. — Não me lembro de ter feito aquilo sozinha...
Apolo contraiu os lábios recuando um passo. Respirando fundo enquanto passava as mãos pelos cabelos. Odiava-se pelo que fez... Se pudesse mudar o passado... Aquelas memorias parariam de atormenta-lo.
Era uma noite normal como todas as outras. Sua rotina resumia-se em três coisas: Festa, bebida e drogas. Apolo estava em mais uma festa qualquer, não se deu ao trabalho de ao menos saber quem era o dono da casa. Não se importava e aquilo não faria diferença alguma mesmo...
Tinha acabado de começar um relacionamento amoroso. Mas esse era diferente, diferente de todos os outros. Artêmis não era como as outras garotas, ela o fazia querer... Melhorar. Via sempre o bom nele quando o próprio já não via mais. Pela primeira vez na vida estava realmente gostando de alguém.
Não conseguiu ficar na festa por muito mais tempo, algo não estava legal ali. Não era mais tão divertido como costumava ser... Na verdade parecia mil vezes mais entediante. Por algum motivo só conseguia pensar que seria melhor estar com ela em uma biblioteca do que ali, naquela festa. Que mesmo repleto de pessoas ao seu redor, era como se estivesse completamente sozinho.
Caminhou até um dos quartos da casa — Um que não estava ocupado por casais. E foi até á varanda, encarando a lua enquanto tragava seu cigarro. Artêmis sempre fora apaixonada pela lua, o que era engraçado já que seu nome era em homenagem a deusa da lua. Alias, dai surgira um de seus apelidos: Caçadora.
— Oh... Ai está você. — Sussurraram um pouco atrás.
Apolo virou seu rosto encarando a figura que estava encostada a porta. Um sorriso torto no rosto e dois copos nas mãos.
— Afrodite... — Deu um pequeno sorriso que ela logo devolveu.
— O que faz aqui sozinho? — Caminhou em sua direção lhe estendendo o copo.
Ele pegou e agradeceu. Debruçando-se na mureta novamente, voltando os olhos ao céu enquanto tragava seu cigarro. Soltou a fumaça lentamente, observando-a desaparecer no ar.
— Pensando...
— Hm... — Ela sorriu. — Muiito interessante.
Apolo a encarou e sorriu também. Gostava da companhia dela, Afrodite era uma ótima garota, sempre bem humorada e divertida, sem contar que era absurdamente linda... O que seria no mínimo bom, se ela não fosse á irmã de sua recente namorada.
— Mas e você? O que faz aqui?
— Só vim a essa festa por um cara. — Ela sorriu, mas seu sorriso não parecia brincalhão e sim doce e até mesmo fofo. — Mas esse cara não estava lá embaixo então...
Apolo ficou um pouquinho confuso, pensou ter entendido uma coisa mas... Não. Provavelmente era só sua imaginação.
Saiu de seus pensamentos assim que Afrodite subiu na mureta ao seu lado. Apolo arregalou os olhos.
— O que está fazendo? — Tentou segura-la, mas ela esquivou-se caminhando e equilibrando-se sobre o pequeno espaço. — Dessa já dai!
Ela sorriu virando sua bebida em um só gole, jogando o copo lá embaixo.
— Fique calmo eu não vou cai-... — Inclinou seu corpo para o lado como se tivesse escorregado, Apolo arregalou os olhos sentido seu coração pulsar na boca por um segundo, mas logo ela se equilibrou novamente sorrindo. — Brincadeirinha... —Tornou a caminhar pelo “meio fio”.
— Você é maluca garota? Dessa já dai!
— Por que os homens são tão idiotas? — Ela murmurava enquanto equilibrava-se ali. Sempre que Apolo tentava se aproximar Afrodite ameaçava uma queda e ele retornava.
— O quê?
— É... Vocês homens, são uns idiotas. — Suspirou. — Por que todos querem ficar comigo menos... Quem eu quero. — Seus olhos azuis ficaram profundos como o próprio oceano.
Por um segundo Apolo sentiu seu coração acelerar. Mas nem mesmo ele sabia dizer o porquê.
Afrodite suspirou, sentando-se na mureta, pegou o cigarro da mão dele e o tragou, encarando fixamente a lua enquanto balançava suas pernas. A musica tocava baixinha.
Apolo temia perguntar, mas aquela duvida estava o corroendo por dentro.
— O que... O que quis dizer?
Ela lhe observou com o canto do olho, voltando os olhos a lua novamente.
— A lua é muito bonita não é mesmo?
Aquela garota era o que? Bipolar?
— Sim, mas...
— Mas é isso... As pessoas só vêem a beleza dela. — Ela o cortou. — A lua é mais importante que isso... Ela não é só... Aparência.
— Você não é só aparência. — Apolo finalmente entendera o que se passava ali.
Afrodite sorriu tragando o cigarro novamente, deixando a fumaça ficar bastante tempo em seus pulmões, apreciando a cessação com seus olhos fechados.
Poxa ela era mesmo... Linda. Tão linda que chegava a ser absurdo, como se desafiasse a própria logica. Quando Apolo voltou a si, Afrodite já estava virada em sua direção. Sentada bem a sua frente, com o rosto bem próximo ao seu.
— Você acha que não? — Ela sorriu, seus olhos brilharam.
Apolo sentiu sua garganta seca.
— Não... Você é bem mais que isso. — Sorriu de lado.
Os olhos de Afrodite ficaram banhados de lagrimas.
— Por que entre todas as pessoas... Tinha que ser você? — Ela encarou fixamente os olhos dele, tão fixamente que por um segundo Apolo sentiu como se estivesse sendo hipnotizado. — Me desculpa, mas... Eu não. Não posso. Não sou forte o bastante. — Murmurou aproximando-se de repente.
Apolo sentiu um choque correr por sua espinha assim que os lábios dela tocaram os seus. Sentiu suas mãozinhas leves e delicadas subindo sobre seus ombros, até alcançar sua nuca, onde ela puxou seu cabelo.
Apolo nem notou que correspondia ao beijo, os lábios dela eram tão... Quentes e aconchegantes, tão macios e carnudos... Sua boca tinha gosto de menta do cigarro que acabara de tragar. Um gosto delicioso que ao misto do resto do beijo fez seu coração falhar.
Ele se afastou de súbito dela, seus olhos arregalados. Aquilo não era certo. Não. NÃO.
— O que foi isso?!
Afrodite ofegava, suas bochechas vermelhas e seus lábios ainda mais chamativos entreabertos. Ela não respondeu nada, simplesmente desceu da mureta, caminhando em sua direção novamente. Beijando-o mais uma vez.
Apolo sentiu seu estomago ferver, serrou os punhos e apertou os olhos com força. Não podia fazer aquilo. não era certo. Ela era irmã de Artêmis. Mas ainda assim… Não conseguiu impedi-la..
Separam-se assim que o a falta de ar apertou-lhe os pulmões. Apolo a encarou nos olhos.
— Afrodite. Nós não... — Novamente ela não deixou que terminasse de falar.
Seus lábios foram brutos sobre os dele, enquanto as mãos o puxavam com força nos cabelos. Aquele beijo era diferente de todos que já dera em sua vida, não tinha como descreve-lo. Por mais que não fosse fofo ou delicado, era o beijo com mais sentimentos que já recebera.
Os dentes dela arranharam-no nos lábios e ele arfou. Separaram-se novamente, mas dessa vez encararam-se por alguns segundos. Os olhos dela mudaram... Agora estavam azuis como o céu, claros e meigos. Apolo suspirou derrotado. Pediu perdão silenciosamente aos céus. Não poderia resistir por mais tempo.
Dessa vez foi ele quem a beijou. Puxando-a pelas coxas e colocando-a sentada na mureta novamente. Roubando seus lábios como queria fazer deis de que os viu pela primeira vez. Beijando-os intensamente assim como ela fazia. Apertando com força a coxa dela sentido a carne tremer sobre seus dedos.
Ela arfou separando seus lábios dos dele para respirar. Apolo desceu seus lábios ao pescoço dela onde deu um pequeno beijinho, novamente Afrodite arfou. Ele afastou-se um pouco para observar sua reação.
Ela estava corada com feições de nervoso. Parecia tão... Entregue.
Nunca pensou que a veria assim. Aquilo mexeu seriamente com seus instintos. Aproximou-se novamente dela beijando-a com delicadeza agora. Nem mesmo ele entendia o porquê. Dera um beijo lento e demorado, tocando com cuidado seus lábios aos dela enquanto com as mão segurava-a no rosto. Afastaram-se novamente, ele encostou sua testa a dela enquanto assistia seus olhos azuis abrindo-se.
Afrodite sorriu, seus olhos brilhando junto com a lua.
— Eu... Esperei tanto por isso. — Ela arfou, beijando-o mais uma vez...
Depois daquilo as coisas ficaram mais intensas. Aquele quarto ficara mil vezes mais quente enquanto era preenchido por gemidos e palavrões...
— Hello. Ainda está ai? — Afrodite estalou os dedos enfrente a seu rosto.
Assim que Apolo voltou a si, um par de olhos azuis curiosos o observava. Recuou mais um passo para trás.
— Oh, não é que esta? — Ela sorriu de lado.
Apolo suspirou sentando-se sobre o balanço, ela ainda o encarava curiosa.
— Por que fez aquilo? — Perguntou subindo os olhos a ela. — Por que me beijou?
Afrodite sorriu de lado.
— Por que correspondeu?
Ele revirou os olhos, irritado.
— Você me obrigo-...
— Não. — Afrodite o cortou. — Você correspondeu porque sente algo por mim.
Apolo franziu a testa.
— O quê? Claro que n-...
— Você sente algo por mim. — Novamente o cortou. — Algo tão forte, que chega até mesmo a superar a logica. Você pensa: “Ah eu deveria amar a Artêmis incondicionalmente, devia pensar somente nela e em como seus olhos verdes são lindos”. — Afrodite falou imitando a voz de pessoa apaixonada. — “Ela é sempre tão boazinha e me tirou do mal caminho...” — Abaixando seu corpo encarando-o fixamente nos olhos. — Mas é ai que eu entro. O impasse. O erro. Você não consegue ama-la incondicionalmente, por que no meio de tudo isso... Seus sentimentos por mim surgem. Eles lhe atrapalham, e por mais que seja errado e você se odeie por isso. — Ela passou a língua pelos lábios. — Você gosta de mim... — Sussurrou.
Apolo sentiu seu corpo arrepiar novamente, levantou-se em um pulo do balanço.
— Não! — Afirmou dando as costas a ela.
— Não? — Afrodite sorriu divertida.
— Não. Eu não sinto nada por você. — Falou convicto virando-se novamente. Seu corpo inteiro travou assim que o fez. Seu rosto ficou a um dedo de distancia do dela.
— Não? — Tornou a perguntar, os olhos de Apolo desceram a seus lábios, por um segundo quis se aproximar...
Mas logo ele voltou a si recuando novamente. Suas costas tocaram na parede.
— Porque sinceramente, não é o que parece. — Ela se aproximou lentamente. — Você parece tão... Ameaçado. — Sorriu.
Apolo engoliu o seco, sua respiração começou a acelerar. O rosto de Afrodite vinha aproximando-se do seu, por um segundo pensou que ela o beijaria, mas não o fez... Simplesmente seguiu até sua orelha, sussurrando próximo a ela:
— Não se preocupe. — Sua voz era tão melodiosa. — Eu não vou fazer nada com você. — Voltou a encara-lo. — Afinal... Não queremos que use aquela desculpa de novo: “Ah! Ela me seduziu e me obrigou a beija-la! Eu juro, juro que não fiz nada!” — Fez uma péssima atuação voltando a encara-lo em seguida, agora com um sorriso de lado no rosto, um sorriso semelhante ao que dera aquela noite. Fofo e encantador. — Desta vez vou esperar. Serei paciente e... Você é quem vai ceder. Dessa vez... Você vai me beijar. — Aproximou seus lábios dos dele. Apolo sentia a respiração quente dela contra sua boca. — Ai sim... Você vai notar, que quem mexe com seu coração. Na verdade sou eu. — Afastou-se dele. — E não minha irmãzinha.
Sorriu mais uma ultima vez, entrando na casa em seguida.
Apolo sentia seu corpo inteiro arrepiado, seu coração estava acelerado no peito. Por que diabos seu coração estava acelerado no peito?!
Fitou o chão enquanto tentava digerir tudo o que acontecera. Aquilo era... Impossível, ele amava Artêmis, não é?...
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