Because I Love You 2 .
4 Ah não...
Notas iniciais
“— Não... Eu não me importo mais. — Aproximou-se do menino, beijando-o na frente de todos... Assim como fizeram cinco meses atrás no estacionamento.”
Annabeth sentia seu coração dançar no peito, suas bochechas estavam quentes. E ela podia ouvir o aplauso dos alunos pela sala. Mas não queria abrir seus olhos agora, não queria se separar dele agora. Queria ficar ali, sentindo o hálito do menino, invadir sua boca, e suas mãos fortes segurando-a levemente no rosto. Mas a falta de oxigênio apertou seus pulmões. Afastou-se quando já não suportava mais.
Pode observar os olhos verdes maravilhosos de Percy abrindo-se aos poucos, encarando os seus com carinho e ternura. Annabeth sorriu. Sentia seu coração que antes estava apertado, agora leve e acelerado. Como pode ficar um mês inteiro longe dele por algo tão idiota? A aluna mais inteligente da escola, aquela que calou até mesmo o professor... A sabidinha, como o próprio Percy a chama. Não foi capaz de ligar pesas simples, e entender aquilo... Não foi capaz de acreditar ou ao menos escutar as palavras do menino que tanto gostava.
— Me desculpa... — Murmurou mais uma vez.
— Pare de se desculpar. — O menino sorriu gentilmente passando o dedo por sua bochecha.
— Me desculpa, por me desculpar de mais.
Percy novamente sorriu, completamente encantado por aquele rostinho lindo, encantado com aquelas bochechas coradas e aquela voz doce se desculpando á todo momento. O que mostrava o quão arrependida estava.
— Você não deve se desculpar, eu sim. Eu não expliquei as coisas, e inventei desculpas idiotas de repente. Não devia ter feito aquilo, ainda mais depois de-... —Percy lembrou-se que estava em sala de aula. Seu rosto ficou vermelho assim como o de Annabeth, ele olhou em volta e todos ainda os encaravam.
Ao notar o quão constrangidos estavam o professor tomou a frente, pigarreando. —Bom... Agora todos para seus lugares, por favor. — Os alunos saíram ao redor dos dois, caminhando até seus devidos lugares, sentando-se novamente. — Vamos seguir com a aula... — Ele anunciou virando-se para a lousa, e começando a escrever na mesma.
Percy encarou Annabeth, e ela o encarou. Ambos ainda corados.
— Depois de-...
— Percy! Depois falamos sobre isso...
— Desculpe. — Sussurrou envergonhado. — É só que... A gente não falou sobre aquilo até agora é-...
— Percy. — Annabeth o repreendeu novamente. —Depois okay? — Seus olhos cinzas cortava contato visual a todo o momento, e suas bochechas pálidas, adquiriram um tom ainda mais avermelhado.
— Okay... — Assentiu sorrindo de lado. Annabeth era tão fofinha... Beijou-a na bochecha voltando à atenção a lousa também. Foi pouco, somente um beijo na bochecha. Mas fora o suficiente para fazer o rosto da loira ficar ainda mais vermelho.
Annabeth encarou fixamente o caderno. Queria se concentrar naqueles cálculos, em dias normais os resolveria facilmente. Mas não conseguia com a respiração de Percy tão próxima.
— Acho que foi maravilhosa. —Sussurrou por fim, derrotada. — Percy sorriu baixinho para não chamar a atenção de ninguém da sala. Voltou os olhos a menina.
— Eu também. — Sussurrou. — Mais que maravilhosa...
— Podemos repetir qualquer dia. —Murmurou envergonhada, apertando o lápis com força. Sentia seu coração acelerar, aquilo era idiota. Percy e ela já tinham feito uma vez... Não era motivo para ficar tímida.
— Vamos repetir. — Falou próximo a sua orelha. Um choque correu o corpo da menina, seus dedos quase arrancaram o papel do caderno.
—Então Annabeth, será que agora vai me dizer que está prestando atenção também?
— Desculpa professor eu só... Me desconcentrei um pouco.
( . . . )
Thala pensou por uns poucos segundo naquilo que Luke dissera, será mesmo que a excursão séria no Half-Blood? Era meio difícil de acreditar naquilo. Alguém lá encima com certeza a odiava. Gostava de brincar com ela, trazendo a todo o seu passado de volta, e de volta, a todo o momento.
Concentre-se Thalia concentre-se!
Repreendeu-se mentalmente. Precisava concentrar-se na matéria. Estava se esforçando bastante agora, queria ir bem em todas as provas, para não correr risco de reprovar. Falando em reprovar... Ainda tinha de ir até a sala do clube de teatro.
O sinal tocou tirando-a de seus pensamentos. À aula tinha passado incrivelmente rápido. Thalia descobriu algo interessante sobre a escola. Quando você presta atenção nas aulas, as mesmas passam rapidamente...
Levantou-se da cadeira arrumando seus matérias, colocando-os em sua bolsa. E seguiu até o corredor. Esse que estava completamente lotado de alunos, esses que seguiam pelo sentido contrario do dela, em direção saída. Thalia desviava-se dos alunos, sentindo seus olharem fixarem-se nela assim que passava. Mas aquilo já acontecia com tanta frequência, que Thalia nem ligava mais.
Continuou caminhando até está de frente à porta do grupo de teatro. Mas antes de entrar algo lhe chamou a atenção. Pode ver pela brechinha da porta do refeitório Leo sentado sobre uma das mesas, seus olhos fitavam o chão e ele parecia abalado. Thalia franziu a testa caminhando até lá. Não era normal Leo está deprimido, então era bem provável que algo bem sério aconteceu. E ela já suspeitava o que podia ser...
— Adivinha quem é? — Perguntou tampando os olhos do menino com suas mãos. A mão de Leo segurou seu braço, e um sorriso fraco surgiu em seus lábios.
— Thalia Grace?
— Eu diria a garota mais sexy e maravilhosa desta escola... Thalia Grace! — Ela fez bastante ênfase. E Leo sorriu mais largamente agora. — Mas só Thalia Grace serve... — Tirou as mãos do rosto do menino, sentando-se ao seu lado na mesa. — Mas eae, conte-me por que está assim?
— Bom... Eu acho que meu relacionamento acabou. — Falou fitando o chão novamente, seu sorriso agora desaparecera do rosto.
— Uuhh... —Thalia bateu os dedos contra a mesa desconfortável. Mas não desconfortável por sua consciência pesar ou algo do tipo... Na verdade não sentia nada, talvez até um pouco de felicidade. Não pela tristeza de Leo. Mas sim porque agora Calypso soubera perfeitamente o que ela passou aquele dia, quer dizer tirando o acidente... Mas essa parte Thalia não pretendia mostra-la. Na verdade sentia-se desconfortável por Leo, não era legal vê-lo daquela forma.
— Quer dizer... Ela não disse com todas as palavras, mas acho que acabamos.
— Você não pode me odiar ouviu? —Thalia falou e o olhar de Leo voltou a ela. —Não permitirei, até porque você já tinha me beijado em publico uma vez... Estamos quites agora. E com todo o respeito a sua provável ex... Você não me pareceu insatisfeito com o beijo. — O rosto de Leo ficou completamente vermelho. E Thalia sorriu. —Viu essa cara me diz o mesmo.
— Bom... — Ele pigarrou sem jeito. — Não é como se eu tivesse odiado. — Thalia sorriu, mas Leo parecia serio. — Gostei de você por muito tempo, e sabe... Quando finalmente me beijou, por sua própria escolha. Confesso que fiquei desnorteado. — Leo suspirou. — Mas ainda assim... Acho que gosto mesmo da Calypso.
— Hum... Entendo. — Thalia fixou seu olhar no refeitório enquanto balançava suas pernas. — Então deveria insistir. Sabe Leo, não tenho nada contra ela, não mais... Mas também não tenho nada a favor. Só achei que seria justo ela senti o que senti aquele dia.
— Aquele dia?
Thalia lhe encarou curiosa. —Espera. Você não sabia?
— Sabia?
— Bom... Aquele dia que eu sofri o acidente. Eu peguei Nico com outra garota na cama.
— Há sim eu já sabia-... —Os olhos do menino se arregalaram como se a ficha tivesse acabado de cair. — Espera, essa garota era, Calypso?
— Sim. —Thalia respondeu calmamente, como se não se importasse mais com tal fato. — E com todo o respeito, acho que o que fiz com ela foi pouco. Devia ter feito mais... — Encarou Leo mordendo o lábio inferior. — Bem mais... — Novamente o rosto do menino corou, e novamente Thalia sorriu. —Estou só brincando, não se preocupe, não vou te molestar.
— Thalia... — Ele suspirou ainda corado, apoiando o rosto sobre as mãos. — Mas... Calypso e Nico eles... Eles-
— Eles já namoraram Leo, então é meio obvio que eles já treparam.
— E eu sei mas... — O menino estava realmente nervoso. — Mas não consigo imaginar isso tão recente.
— Bom, se isso te deixa mais calmo. Quando cheguei no quarto, Nico ainda estava vestido, se não me engano ambos estavam somente sem a camisa.
— Ah isso não me deixa mais calmo... Porque sempre me apaixono pelas garotas com quem ele já ficou?
Thalia sorriu piedosa. — Não se preocupe com isso... Foi antes de vocês namorarem, e além do mais. Você acabou de beijar uma garota no meio do refeitório na frente de todos inclusive dela.
— Eu?
— Talvez a garota... Mas quando um não quer, dois não beijam. — Ela piscou e o menino sorriu novamente.
— Ela estava com Nico lá fora... Abraçada com ele. — As mãos do menino apertaram a mesa. — Me mandou embora. — Engoliu o seco, e as lagrimas brilharam em seus olhos.
— Abraçados é? — Thalia fitou a saída do refeitório, como se imaginasse o que aconteceu assim que Calypso passou por ela. Sua mão apertou a mesa por um segundo. —Mas não se preocupe com isso. —Pulou descendo da mesma, caminhando até a frente do menino. — Ela deve está triste, chateada. Tente entende-la. — Tá aquilo estava soando completamente falso, Thalia não se importava nem um pouco com o bem estar de Calypso. — Mas de todas as formas... Quando alguém te machuca, sempre há a opção de machucar de volta. — Thalia sorriu maliciosamente. Aquela ideia parecia bem mais divertida.
— Não sei se seria capaz de fazer isso.
— Parece que a Calypso foi.
Ele suspirou novamente, seus olhos mais uma vez fitaram o chão.
— Não fica assim Valdez, você deve sorrir. Eu adoro seu sorriso.
Leo forçou um fraco sorriso de lado. Thalia aproximou-se tocando seu rosto. — Você vai ficar bem? — O menino assentiu. — Okay, então já vou indo, qualquer coisa me manda uma mensagem. — Beijou sua bochecha saindo do refeitório.
( . . . )
Depois que conversaram, Nico despediu-se de Calypso deixando-a em casa, de lá seguiu até a escola novamente. Por que a escola? Na verdade nem mesmo ele sabia. Mas depois de conversar com Calypso, precisava urgentemente falar com Thalia. Precisava vê-la, e ouvir sua voz. Nem que isso lhe custasse ser ignorado novamente.
Descia as ruas com seu skate rapidamente, em seu ouvido o fone tocava a mesma musica que repetira tantas vezes, aquela musica que o desconectava completamente do resto do mundo, somente enchendo sua cabeça de memorias, memorias essas que lhe tiraram o sono por um mês inteiro.
Nico chegou em poucos minutos á escola, o estacionamento já estava completamente deserto. Mas ele pode ver algo... Algo que fez seu estomago esquentar, e seu coração ficar ainda mais acelerado. A moto de Thalia estava parada ali. Ou seja... Ela ainda estava na escola.
Nico entrou lá mais que imediatamente, tirando seu fone do ouvido, e seguindo pelos corredores. Não fazia ideia de onde ela poderia estar, mas algo lhe dizia que era por ali. Caminhava tão rapidamente, que nem ao menos prestara atenção no caminho, chocando-se contra a cadeira de rodas de Quíron e dando uma espécie de mortal caindo de cara no chão.
— Ei tenha mais cuidado...
— Quíron!
— Nicolas!
— Thalia!
— Thalia? — O homem franziu a testa.
— Thalia! Por um acaso sabe onde ela está? — Nico perguntava ainda caído no chão.
— É bem provável que esteja no clube de teatro.
— Clube de o que?
— Teatro... Ela precisa entrar em algum clube sabe... Por causa das notas.
— Ahh claro! — Nico não entendia muito bem sobre o que o homem falava, mas tinha quase certeza que Quíron só estava dando tais informações porque pensava que os dois ainda namoravam. Então achou que o melhor seria simplesmente assentir.
— Bom, eu já avisei ao clube que ela estava indo. Então eles devem está lá a esperando.
—Okay, muito obrigado! — Nico se levantou. —E desculpe sabe... Por te atropelar e tudo mais.
— Do que está falando? Você foi o atropelado aqui.
Nico sorriu, virando-se e correndo pelo corredor. Chegou em frente á sala de teatro rapidamente. Abrindo-a igualmente rápido. Sentia-se ansioso, queria ver Thalia de uma vez, não faria como hoje mais cedo, agora ele mesmo falaria com ela. Não esperaria por sua iniciativa. Mas assim que abriu a porta Nico se decepcionou. Nada de olhos azuis, nada de sardas no nariz, nada de Thalia... Na verdade, nada de nem um menina. Era só um monte de caras, reunidos em uma sala quase completamente vazia, só com um pequeno palco no fim.
— Oh! você veio fazer o teste? — Um dos caras sorriu aproximando-se de Nico. Ele tinha cabelos castanhos, levemente cacheados; olhos da mesma cor. E um sorriso travesso nos lábios — Não recebemos muitos alunos aqui.
— É notei...
— O que?
— Ah nada... Na verdade vim aqui só procurar por uma... Amiga. — Aquela palavra saiu arranhando a garganta de Nico, era estanho chamar Thalia de “amiga”.
— Bom, como deve ter notado, não temos muitas meninas aqui...
— Correção. Não temos nem uma menina aqui. — Outro garoto corrigiu aproximando-se. — Ele também tinha cabelos poucos cachos castanhos; olhos da mesma cor e o mesmo sorriso travesso... Na verdade, eles eram exatamente idênticos.
— Sim, ela ainda não deve ter chegado.
— Ah! Ele deve está falando da Julieta! — O primeiro anunciou, ou o segundo. Sei lá... Nico estava meio confuso.
— Julieta? —Nico os encarou franzindo a testa. —Não, o nome dela é Thalia.
— Sim isso mesmo! Thalia... A garota que Quíron falou, ela será nossa Julieta.
— Hã?
— Romeu e Julieta, a peça...
— Serio que a única pessoa que aparece aqui em meses, é o único cara no mundo que não conhece Romeu e Julieta? — Um dos meninos murmurou desanimado.
— Ah... Sim a peça de Shakespeare certo? Mas a Thalia, Julieta... Sério? —Nico não conseguia levar aquilo muito a sério, na verdade a imagem de Thalia com um longo vestido, recitando Shakespeare era hilária de mais para deixa-lo ao menos pensar sobre aquilo... Parecia algo impossível. Sua personalidade forte e mandona, não combinava muito com á de Julieta...
— Bom, como pode ver, não temos muitas escolhas. Na verdade estão pensando em tirar o clube de teatro da escola por falta de alunos. E é por isso que precisamos dela... Vamos fazer um vídeo rápido de algumas das cenas mais famosas da peça. E mostrar para Sr.D que podemos sim, produzir algo. Assim a escola verá, e muitos alunos irão se interessar!
Nico duvidava muito que aquilo fosse acontecer. — Hm... Entendo.
— Mas e então, não vai mesmo fazer o teste?
— Teste?
— Sim teste. Bem é meio obvio. Temos nossa Julieta, mas não temos nosso Romeu.
Nico sorriu, um plano maluco passou por sua cabeça. — Acho que acabaram de encontrar seu Romeu.
( . . . )
Assim que Thalia finalmente saiu do refeitório, seguiu novamente a sala de teatro. Segurou a maçaneta, mas algo a impedia de entrar ali. Não sabia se era sua cabeça que de repente parecia mais pesada depois da conversa com Leo, ou se era simplesmente um mal estar.
Resolveu ignorar aquilo e finalmente entrou na sala. Não era assim como ela imaginava, na verdade era bem menos do que pensava. Era só uma sala, com alguns poucos alunos...
— Cheguei! — Anunciou animada. Todos olharam em sua direção.
— Ah! Você deve ser á Thalia! —Um menino anunciou. Tinha cabelos cacheados e castanhos, o que fazia lembrar-se brevemente de Leo, na verdade ele tinha o mesmo sorriso travesso no rosto que Leo costuma ter. — Eu sou Connor. Connor Stoll. É um prazer finalmente conhecer nossa Julieta.
—Julieta? — Thalia franziu á testa apertando a mão do menino.
— Quíron não comentou nada com você? — Outro garoto chegou, mas ele era exatamente igual ao primeiro.
— Não...
— Sobre a peça, bem. Você será á Julieta.
Thalia não se sentia nem um pouco animada, não gostava de atuar. Na verdade preferia estar em casa dormindo, ou comendo... Ou fazendo qualquer outra coisa que não fosse aquilo. Mas precisava fazer.
— Okay... — Murmurou desanimada.

— Sua animação e fascinante sabia?
— Okay! vamos fazer isso! — Tentou parecer mais animada agora. — Mas qual dos dois será meu Romeu?
— Na verdade nem um de nós. — Falaram em uníssono.
— O que? Então... Quem?
— Eu. — Uma voz murmurou atrás dela. Seu corpo inteiro arrepiou. Thalia conhecia aquela voz. A conhecia perfeitamente bem... Mas não queria olhar para trás, não queria vê-lo.
— Ah não...
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