Beauty - No Limite Da Loucura
23 Beauty 23- Second Act - Garotas Bonitas Caminham Na Chuva
Notas iniciais

–Como sabe de tudo isso? –Ele sorriu perversamente.
–Eu sei muito sobre você, e principalmente... Sobre o canalha do seu pai. –Afastei-me bruscamente.
–Como ousa falar assim do meu pai? –Rosnei.
–Eu ouso falar assim por que eu conheço muito bem Haruno Hikashi, ele trabalhava na minha empresa e era meu braço direito.
Isso eu não sabia, meu pai não falava sobre trabalho e se eu perguntasse apenas dizia que não era coisa para criança, eu também perguntava para mamãe, mas ela apenas dizia para não contrariá-lo.
–E o chamo de canalha, -Voltei minha atenção para Fugaku-san. –Por que aquele maldito me roubou!
–O que? Meu pai nunca faria isso, ele era um homem honesto!
–Tão honesto que nem a própria filha sabia onde ele trabalhava, e sabe por quê? Para não levantar suspeitas, quanto menos pessoas soubessem melhor para ele me aplicar um golpe, seu pai era um ladrão.
Isso é mentira, meu pai nunca faria isso.
–Veja bem como fala do meu pai...
–Seu pai me deu um golpe milionário, pegou o dinheiro e fugiu, abandonando até mesmo a própria família.
Não pode ser, você está mentindo...
–Ele fugiu no mesmo dia que você estava indo para Osaka, mas por que ele fugiria se você estava vindo de outra cidade para morar com ele? Por que ele sabia que se você chegasse antes dele fugir você seria um empecilho para ele ir embora com o dinheiro.
VOCÊ ESTÁ MENTINDO! Ele nunca nos deixaria, ele nunca...
–Simplificando, seu pai te abandonou! Mas pelo menos aquele maldito teve um fim que merecia, agora ele esta a sete palmos de terra... –Ele sorriu maldosamente.
...Me abandonaria.
O som se estralou por todo o salão, a musica até mesmo parou, todos estavam olhando confusos e principalmente perplexos pelo o que eu tinha acabado de fazer: Eu tinha dado um tapa no rosto de Fugaku-san.
–NUNCA MAIS OUSE FALAR DO MEU PAI COM ESSA BOCA IMUNDA, SEU MALDITO!
Fugaku me olhou com desprezo enquanto acariciava o lugar onde eu havia batido, olhei para o lado e vi Mikoto.
–Sua vadia! –Ela levantou a mão para me dar um tapa no rosto, só deu tempo de me encolher.
Esperei e nada senti, abri os olhos e Sasuke estava segurando o pulso de Mikoto.
–Por favor, não faça isso. –Ele disse com uma voz calmamente ríspida.
–Tsk, -Ela levanta o queixo e nos olhou de baixo.- o que eu mais eu poderia esperar de uma mulher que se denomina sua esposa, vocês são vira-latas do mais baixo nível, realmente se merecem. –Ela se soltou bruscamente.
–Obrigado! –Sasuke deu um sorriso gentil e Mikoto fechou ainda mais a cara. –Mas eu gostaria de pedir que evitem estar nos mesmos lugares que eu para essas situações constrangedoras não voltarem a acontecer.
–O que? Por que nós deveríamos evitar, evitem vocês! –Retrucou, Mikoto.
–Mas foram vocês que vieram ao meu casamento! –Mikoto abriu a boca para falar, mas decidiu ficar calada. –Bom, acho que depois disso não temos mais clima para festa, então estamos indo para casa, pois amanhã viajaremos para o Caribe para aproveitar nossa lua de mel, a turnê da Emi acabou, depois finalmente voltaremos para o Japão, então, por favor não vão ao Caribe. –Ele disse isso com um sorriso amarelo no rosto, para logo depois me puxar pelo braço e me levar para fora às pressas.
–Acho que a festa babou. –Disse Naruto.
...
Estávamos a viajem inteira para casa em silêncio, Sasuke estava irritado, seu cenho estava franzido enquanto olhava a estrada e as veias de sua mão saltavam levemente por estar apertando o volante. Aquele silêncio pelo menos era confortável, me daria algum tempo para pensar em tudo que aconteceu. Lembrei das palavras de Fugaku.
“Seu pai me deu um golpe milionário, pegou o dinheiro e fugiu, abandonando até mesmo a própria família”,” Simplificando, seu pai te abandonou!”
Chacoalhei a cabeça a fim de espantar essas palavras. Mas o que me deixa mais triste nessa história inteira é que infelizmente tudo que Fugaku-san disse fazia sentido, meu pai era um homem muito ambicioso, mercenário e volúvel, dinheiro para ele era algo de muita importância, mas não mais que a própria família, eu sabia que me papai nos amava, ele nunca seria capaz de nos trocar por alguns milhões, mas as pessoas se transformam, como no meu caso. Mas isso não se encaixa na minha cabeça, meu pai sempre me amou, eu era tudo para ele, ele nunca me abandonaria.
Abandono, essa palavra antigamente não significava nada mais profundo para mim, mas agora só de pensar nela eu já sinto um aperto no coração.
–Desculpe! –Sasuke se surpreendeu e virou-se para mim.
–Pelo o que? –Ele parecia não entender.
–Por ter acabado com a nossa festa e principalmente... Por ter agredido o seu pai, estou muito envergonhada.
Não eram apenas palavras, eu estava muito envergonhada mesmo, tanto que nem ao menos conseguia olhar para Sasuke, pensar que eu agredi o pai dele é algo incabível. Antigamente conhecer a família de Sasuke era um dos meus maiores desejos, mas hoje em dia vejo que quero é ficar bem longe daquele antro de cobras peçonhentas, todos ali parecem não tem nenhum valor ou caráter, nenhum pingo de ética, bom, eu também não tenho direito de criticar, mas eles estão muito abaixo de mim.
–Não se preocupe, tendo motivos ou não meu pai merece todos os tapas do mundo.
–Mesmo assim, foi errado da minha parte... –Minha voz foi morrendo.
–Sei que se você bateu nele é por que teve motivos, — Olhei para ele enquanto ele fala. -ele é o tipo de homem que não dá valor a princípios e respeito, passa por cima de qualquer um para conseguir o que quer, um homem muito perigoso e que me causa asco. Acredito agora que você passa bem longe de ser uma das queridinhas dele, entrou para a lista negra, parabéns. Mas acho melhor tomar cuidado.
–Não se preocupe, -Olhei pela janela com um olhar tristonho, –meu pai... –e senti meus olhos marejarem. –Sempre me ensinou a enfrentar meus medos.
Flash Back ON (Hikashi/Sakura):
–Amor… -Senti delicadas mãos a me chacoalhar.
–Hmm? –Disse com a voz sonolenta.
–Sakura está te chamando e está chovendo, você sabe o que fazer! –Abri um olho.
–Amor, vai você... –Reclamei e voltei a fechar os olhos.
–Nâ na ni na não, é você que ela está chamando. –Abri os dois olhos e franzi o cenho, suspirei.
–Ok, Ok!
Me levantei e sai do quarto, caminhando pelo corredor, eu podia ouvir nitidamente os pingos de chuva bombardearem o telhado, eu conseguia até mesmo sentir o agradável cheiro de grama molhada. Abri a porta, o quarto de Sakura estava escuro, e ela como em toda chuva estava debaixo dos edredons, como se estivesse em seu casulo particular.
–Filha... –Chamei.
Ela abriu uma fresta entre o tecido grosso de algodão e me olhou, seus olhos estavam cheios d’água e ela tremia.
–Papai, fica comigo? –Disse com a voz chorosa.
–Sakura, você já tem sete anos, já está muito grandinha para ter medo de trovões, você sabe muito bem que eles são sons gerados pelas ondas de choque provocadas pelo aquecimento e subseqüente expansão supersônica do ar atravessado por uma descarga elétrica.
–Eu sei papai, mas... –Ela se encolheu. –Eles me assustam, eu tenho medo.
–Filha...
*som de trovão*
–AAAAAAAAAAAAH! –Ela se escondeu novamente em seu casulo.
Olhei a cena e suspirei, caminhei até a cama e meu deitei ao lado dela, Sakura descobriu seu rostinho já molhado pelas lágrimas, eu a abracei fortemente e ela repousou a cabeça em meu braço, com a outra mão estendi o edredom para nós dois.
–Só mais essa noite!
–Obrigado, papai. –Ela se aconchegou mais em mim.
–Filha, se você não enfrentar seus medos então você vivera sua vida inteira debaixo de edredons, vai chegar um dia em que papai não vai mais estar aqui, então você vai ter que aprender a ser uma menina corajosa.
–Não diga isso papai, você vai sempre estar ao meu lado, não é? –Ela já estava fazendo cara de choro, seus lábios faziam um contorno de quem iria chorar.
–Claro que sim,–A abracei mais ainda, fazendo um cafuné delicado em seus cabelos rosados para que pudesse dormir. –papai até mesmo quando virar uma estrelinha lá no céu vai sempre estar aqui, cuidando de você minha filha, eu nunca vou te deixar,–Dei um beijo em sua testa e continuei o cafuné.- eu prometo...
Flash Back OFF (Hikashi/Sakura):
Ao lembrar disso meus olhos marejaram e marejaram, até se derramarem no meu rosto. Eu não estava conseguindo me controlar, todo o autocontrole que Sasori me ensinou nesses anos todos, agora não estava me servindo de nada. Eu tentava ao máximo silenciar-me, mas os soluços ecoavam involuntariamente.
Sasuke POVs:
Depois de Emi ter pedido desculpas –não sei por que- o silêncio voltou a reinar. Exceto por alguns sons que Emi estava fazendo, ignorei no início, mas logo depois fui reconhecendo o som, esse é o som de alguém... Chorando!
Parei o carro no acostamento e Emi se surpreendeu:
–Emi, o que foi? –Coloquei a mão em seu ombro tentando puxá-lo para me encarar, mas ela o puxou novamente.
–Nada, apenas siga em frente. –Sua voz saiu irregular e anasalada.
–Emi, -Coloquei a mão em seu ombro novamente. –por favor, fale comigo. –Supliquei.
Emi se manteve em silêncio, seu corpo tremia e ela se encolhia mais e mais, com vergonha, mas foi se virando para mim aos poucos, até eu poder ver seu rosto.
Como eu imaginava, ela estava chorando, seu rosto tinha uma linha negra dos olhos até o queixo por causa do rímel borrado, mesmo naquele estado ela estava linda. Ela tentava segurar as lágrimas e mordia os lábios, mas quanto mais ela tentava se segurar mais seus olhos se enchiam de água. E ao vê-la naquele estado me lembrei da última vez que vi Sakura há dez anos atrás, ela também chorava igualmente a Emi, e nesse exato momento as duas estão idênticas.
Vendo-a chorar desse jeito não me contive e a abracei, meu coração estava angustiado de vê-la desse jeito. Emi sempre foi forte, do tipo que nunca mostra as emoções e sempre tem o autocontrole intacto, mas o que aconteceu para ela estar desse jeito? Chorando, e pior, na minha frente! Algo muito sério, com certeza.
–Hoje não se contenha, não importa se está na minha frente ou não, apenas despeje tudo que está aí dentro, eu não falarei sobre o que aconteceu amanhã, e prometo que esquecerei e fingirei que isso nunca ocorreu, mas, por favor, por hoje apenas chore.
Ao terminar a frase Emi não se segurou e chorou, chorou muito, até mesmo gritou. Ela estava sofrendo, sofrendo muito mesmo, e o pior é que eu não sabia por que, e não podia fazer nada além de servir de ombro amigo. Não me importei nenhum pouco de ficar algumas horas ali, de ficar com o terno todo amarrotado e molhado, apenas queria servir de porto para ela. Não sabia se Emi estava começando a confiar em mim ou se ela realmente estava muito desesperada, mas só sei que depois disso, eu nunca mais na minha vida queria vê-la chorando novamente, vê-la desse jeito me deixava inquieto e aflito de uma forma que eu nunca senti antes, isso apenas me deixa ainda pior.
...
Chegamos ao hotel algumas horas depois, Emi chorou tanto que logo quando parou caio no sono, nos meus braços, eu a coloquei de volta no lugar e a cobri com meu terno, ela devia estar exausta, fisicamente e mentalmente. Peguei Emi no colo caminhei para dentro do Hotel, deixei a chave com o manobrista, os serviçais até queriam me ajudar a carregá-la, mas Emi era leve de se carregar então dispensei.
Abri a porta do quarto de algum jeito e entrei subindo as escadas, indo direto para a suíte, coloquei Emi na cama, limpei seu rosto sujo de rímel, tirei seu sapato e vestido, peguei o edredom e a cobri, e sai de lá pagando as luzes me dirigindo para o meu quarto.
...
Estávamos no jatinho indo para às Bahamas, ficaríamos no Atlantis Resort Island, um dos melhores resorts do mundo, também tinha um cassino magnífico. Emi estava ao meu lado ouvindo música no seu iPhone, de olhos fechados, mexendo a cabeça conforme a música, ela agiu normalmente comigo, como se nada tivesse acontecido ontem, eu agi da mesma forma, por que, aliás, prometi que não iria comentar nada.
Nada melhor que umas férias no Caribe, o oceano azul, a areia macia e branca, a maresia, e claro, Emi de biquíni saindo do mar com o corpo molhado caminhando na minha direção em slow motion, é tudo que eu preciso para relaxar...
–CADE O MEU JANTAR? –Gritava Emi com a comissária de bordo
... Ou não.
–EU PEDI JÁ FAZ CINCO MINUTOS! –Pronto, já começou.
–Perdão, Emi-sama, estamos providenciando.
–Se eu não ver meu jantar aqui na minha frente em um minuto, eu vou tacar você desse jatinho, ouviu bem? –Emi lançou-lhe um olhar assassino, a comissária tremeu.
–Sim, Emi-sama, agora mesmo! –Ela saiu correndo.
Olhei para Emi com uma puta cara de merda, ela apenas ergueu as sobrancelhas.
–Se está incomodado, sente-se em outro lugar. –Eu estava sentado na frente dela.
–Fazer o que se aqui é o melhor lugar do jatinho. –Apoiei meu queixo na mão e observei-a com um sorriso divertido, ela de um sorriso amarelo em contribuição.
–“Senhoras e senhores, dentro de meia hora chegaremos às Bahamas, enquanto isso aproveitem a linda vista do oceano Atlântico, e por favor não liguem os celulares até o pouso.” –Comunicou o piloto.
– Bom, a viajem já durou 15 hrs, saímos de Bucareste as 6 hrs AM, então segundo o horário da Romênia chegaremos lá as 9 hrs PM, mas como são 8 hrs de diferença, então chegaremos em Nassau às... –Calculei mentalmente. – 1 hrs PM.
–Não agüento mais viajar, -Me aconcheguei na poltrona. –desde que fui obrigado a te seguir na sua turnê não tenho tido tempo para o meu trabalho. –Emi fez uma expressão de falsa ofensa.
–O que? Eu te ajudo na sua carreira, te apresento para vários atores e diretores de Hollywood e é assim que você me agradece?
–Eu não quis dizer isso Emi, eu sou muito grato a você, mas sinceramente não sei como você agüenta viajar tanto.
–Na verdade eu não consigo viajar, eu tenho fobia de avião.
–Se você tem fobia então como você está andando normalmente? –Disse incrédulo.
–Passei por psicoterapia, hipnoterapia e até mesmo simulação de vôo, hoje em dia eu já não tenho tanto pânico, mas me sinto muito nervosa e inquieta, tanto que você percebe que boa parte do vôo eu passo dormindo.
–O que não falta em você é problemas. –Soltei uma risada abafada, e Emi me observou por alguns instantes, me encarando, eu fiz o mesmo.
–Tudo que disse... –Ele encarou o chão e depois voltou a olhar para mim. –É verdade?
Não sabia o que ela queria dizer, mas já tinha uma noção. Sua mão estava em cima, deslizei meus dedos pela mesa até chegar em suas mãos e segurá-las, meu polegar acariciava sua mão. Encarei-a, ela tinha uma expressão melancólica.
–Eu nunca, nunca mesmo, mentiria para você.
Soltei sua mão e me levantei para sentar ao seu lado. Ela não me afastou, nem fugiu, permaneceu onde estava sem dizer nada. Coloquei um braço em volta do seu ombro a trouxe mais de perto, e em resposta ela deitou sua cabeça em meu ombro. Surpreendi-me por que ela aceitou a minha aproximação, como se já estivesse acostumada e não se importasse, aos poucos eu sentia que aquela imensa parede de gelo que nos separava aos poucos ia derretendo. Mas ontem ela estava muito fragilizada, Emi não age desse jeito tão caloroso, ela deve estar muito abalada mesmo para deixar eu me aproximar.
–Eu sempre estarei ao sei lado, seja lá quem você realmente for. –Acariciei seus cabelos com minha mão e deitei minha cabeça na dela.
–Será que há futuro para nós dois? –Ela falou quase inaudível.
–Isso, Emi, nós só descobriremos juntos, por que eu sinceramente não sei.
Emi dormiu nos meus braços, enquanto eu observava a visão da janela.
Sinceramente, eu não sei responder essa pergunta, muitas coisas mudaram, agora estão completamente fora de órbita, muitas coisas se quebraram, coisas que não podem ser recuperadas. Acho que se ficarmos juntos vai ser com muita dificuldade, por que não há mais como retornar ao que éramos antes, ao que significávamos um para o outro, tudo mudou, até mesmo o amor que sentíamos, antes nosso amor era puro, mas agora eles se misturaram com vários outros sentimentos ruins que os estragaram. Seu amor por mim lá no fundo de alguma forma pode estar vivo, por que ás vezes eu vejo os feixes de luz que via nos seus olhos antigamente, mas se esse amor ainda existe ai dentro, ele deve estar quase morto e desidratado, como uma flor no deserto.
Asuma me disse ontem que o detetive já estava com a pesquisa quase completo, ele falou que em menos de uma semana ele me mandaria tudo. Eu estava nervoso e apreensivo, finalmente iria descobrir a verdade, mas na verdade eu não sabia se estava feliz ou triste, não estava com medo da verdade, mas sim o que aconteceria depois de saber. A verdade é que Emi mudou muito, isso ninguém pode mudar, mas não era mais isso que me preocupava.
Flash Back ON:
Depois de colocar Emi para dormir fiquei um tempo na sala, pensando na vida e em tudo que aconteceu nesse último ano, passaram-se muitas coisas. Assisti um pouco de Tv, e fui interrompido quando ouvir a campainha tocar, levantei-me para atender e tive a infelicidade de ver quem era a pessoa:
–Boa noite, filho. –A ultima palavra ele teve o prazer de falar com desdém.
–Eu já não lhe pedi que evitasse que estivéssemos nos mesmos lugares? Mas parece que essa pose toda de homem fino e educado é só para as aparências. –Ele sorriu sarcástico e entrou na casa. –Eu ia dizer entre, mas vejo que você é mais sagaz. –Disse irônico.
–Vou ser breve por que quero encurtar ao máximo minha estadia aqui.
–Pois diga! –Ele me olhou por um tempo até dar um outro sorriso irônico.
–Quero te avisar que esta cometendo um grande erro em colocar essa mulher na sua vida.
–Claro, -Sorri minimamente. –era obvio que você veio aqui para destilar seu veneno. –Cerrei os olhos.
–Se fosse apenas veneno então você já estaria vacinado, mas infelizmente é verdade, essa mulher vai trazer desgraça para a família Uchiha, e principalmente para você.
–Nossa, que preocupação, sinto-me comovido. –Disse sínico.
–Eu sei que o verdadeiro motivo por você estar se casando com ela é que você acha que ela é a Sakura. –Cerrei os punhos e os dentes.
–Não fale dela!
–Pensa que eu me esqueci que você pegou a filha do subordinado que me roubou? Você é mesmo um traidor!
–Eu não tenho nada a ver com você ou com a sua empresa, ou com toda a porra que envolva você! Eu só quero que você fique bem longe de mim e de Emi, você e toda a corja que você chama de família. –Ele deu uma gargalhada alta.
–As duas, Emi e Sakura, são duas vadiazinhas asquerosas, -Cerrei mais ainda os punhos. -uma era filha de um ladrão e a outra... Também. –Disso sorrindo com escárnio.
–O que quer dizer com isso? O que você sabe! –Disse alterado.
–Eu? Não sei de nada! –Ele se fez de desentendido.
–FALE LOGO ANTES QUE EU PERCA A PACIÊNCIA. –Gritei e ele me retribuiu com um sorriso maldoso.
–Quando você quiser saber o passado sujo da sua “esposa”, procure-me, eu te contarei tudo que sei, e tenho até mesmo provas contra ela. –Senti um calafrio por todo o corpo.
–Eu não acredito em você! –Disse convicto e ele deu risada.
–Ok, pense como quiser, mas quando estiver disposto a saber toda a lama que está por trás da sua mulher, procure-me! –Ele deu um ultimo sorriso e saiu porta à fora.
Cai no chão com as mãos tremendo, totalmente desesperado.
Flash Back OFF:
–Será que vale realmente a pena descobrir toda a verdade, Emi? Engraçado, essa situação me lembra da pílula azul e vermelha do filme Matrix. “Se você tomar a pílula azul a história acaba e você acordará na sua cama, acreditando no que quiser acreditar. Se você tomar a pílula vermelha, ficará no País das Maravilhas e eu te mostrarei até onde vai a toca do coelho.” –Repeti a frase de Morpheus. –Será que a ignorância é uma benção?
Fechei os olhos, não é hora de ficar ocupando minha cabeça com preocupações, estou saindo de férias, digo, lua de mel. Tenho que apenas relaxar e deixar isso para depois.
...
Chegamos a Nassau e fomos direto para o Atlantis Paradise Island, fomos para a recepção checar nossas reservas e depois direto para a nossa suíte, e dessa vez Emi não se importou muito que dividiríamos o mesmo quarto.
–Por que temos que ficar no mesmo quarto novamente? –Perguntou Emi com a voz normal.
–Por que aqui com certeza tem paparazzi’s de plantão para fazerem a cobertura da lua de mel de você dois, então, por favor não dêem vexames, ok?
–Ok. –Eu e Emi respondemos.
–E seria ótimo se vocês tivessem uma lua de mel de verdade. –Disse Kurenai com a voz sugestiva.
–Mas já estamos tendo uma lua de mel de verdade. –Respondeu Emi.
–Quando eu digo lua de mel de verdade eu quero dizer que o casamento de vocês precisa ser consumado*! –Kurenai lançou um olhar malicioso e Emi corou bruscamente da cabeça aos pés, devo admitir que também corei, cobri a boca com a mão. –Se isso não acontecer então ele pode acabar sendo anulado, já que vocês casaram na igreja.
Eu e Emi não conseguimos falar nada e fomos para nossa suíte em completo silêncio. Eu já pensei em fazer isso várias vezes com Emi, mas agora com essa desconfiança de Emi ser “ela” tudo ficou mais difícil.
Emi cortou o silêncio a partir do momento que percebeu o oceano através da sacada, ela ficou parecendo uma criança que acabou de ganhar o que queria de Natal.
–Wooooooooo! –Seus olhos brilharam.
–Você parece muito animada. –Fiquei ao lado dela na varando.
–Você pode não acreditar, mas eu nunca vi o mar, exceto pela TV. –Arregalei os olhos.
–Não, ta brincando!
–É sério, -Ela rio -sempre estive muito ocupada com minha carreira, nunca tive tempo para fazer esse tipo de coisa. E também nunca entrei no mar!
–Então que tal entramos hoje, ein? –Seus olhos brilharam mais ainda.
–Mas é claro... –Mas de repente ela arregalou os olhos e tocou o ombro, ela estava apreensiva.
–O que foi?
–N-Não, nada, eu apenas lembrei que essa maresia faz mal para a minha pele, e também eu estou cansada, acabamos de chegar de viajem, eu queria descansar um pouco, vamos amanhã, que tal? –Ela tentava parecer calma. Mas eu sabia o motivo dela estar desse jeito, suas cicatrizes nas costas!
–Como quiser. –Sorri e ela retribui, logo depois entrou dentro do quarto e se jogou na cama.
–Ei, Emi! –Chamei.
–Sim?
–Hoje a noite você poderia ir comigo a um lugar? –Ela se virou para me olhar.
–Que lugar?
–É uma surpresa. –Ela sorri.
–Você e seus mistérios! –Ela se virou para o outro lado. –Ok, eu vou.
–Beleza! Bom, vou sair para dar uma olhada no resort, já, já eu volto.
–Ok! –Me virei e sai do quarto.
Saito POVs:
Quando Sasuke saiu finalmente pude respirar. A verdade é que não estava com animo para nada, nem para viagem, nem para resort de luxo e nem para Sasuke. Eu só queria ficar um pouco sozinha pensando no que aconteceu ontem. Putz, aconteceram tantas coisas em só um dia, quase morri, machuquei minha mão (olhei para ela enquanto pensava, ela ainda estava enfaixada), me casei (olhei para a aliança), conheci os pais de Sasuke e principalmente... Conheci quem talvez fosse o meu pai.
“Seu pai me deu um golpe milionário, pegou o dinheiro e fugiu, abandonando até mesmo a própria família”,” Simplificando, seu pai te abandonou!”
“Papai até mesmo quando virar uma estrelinha lá no céu vai sempre estar aqui, cuidando de você minha filha, eu nunca vou te deixar, eu prometo”
Incontrolavelmente as lágrimas começaram a sair acompanhadas dos soluços, novamente. Eu não estava conseguindo suportar aquela idéia toda, eu amava os meus pais mais que tudo, meu pai não seria capaz de me abandonar. Meu coração doía, doía tanto, era insuportável, nem mesmo quando Sasuke me disse todas aquelas barbaridades no passado não doeu tanto quanto está doendo agora. Meu pai e minha mãe eram o meu mundo, o pior não é saber dessa história sórdida, o pior é aquele homem ter dito que meu pai...
“Mas pelo menos aquele maldito teve um fim que merecia, agora ele está a sete palmos de terra...”
Peguei meu celular e liguei para Sasori:
–Alô! –Ele atende com a voz mole.
–Não precisa mais procurar por aquela informação!
–Hãm? –Ele pareceu surpreso.
–Isso mesmo, não precisa mais procurar pelo meu pai, eu já sei onde ele está.
“Mas pelo menos aquele maldito teve um fim que merecia, agora ele está a sete palmos de terra...”
Por que isso voltava a ecoar e a ecoar na minha cabeça, como se fosse algo que estivesse me atormentando.
–Você o encontrou? –Ele parecia feliz.
–Sim, ele... ele... –Tentava segurar as lágrimas, mas não conseguia.
–Emi, Emi! O que foi?
–ELE ESTÁ MORTO! –Todo o meu auto-controle foi por água a baixo. Acho eu chorava como um bebe ao telefone. Tentava secar minhas lágrimas com as mãos, mas as lágrimas não paravam.
–... –Sasori não disse nada, mas eu o ouvia arfar.
–Quando você volta? –Ele perguntou.
–E-Em... E-Em... –Eu gaguejava. –D-Dois dias.
–Certo, não vai dar para eu ir ai te ver, mas assim que você chegar me ligue.
–T-Tá.
–Emi... Fica bem.
–Aham. –Foi a única coisa que consegui dizer.
Desliguei o telefone e fiquei na cama chorando, até a hora em que ouvi a porta se abrir, parei na hora.
–Emi, o que foi? –Kurenai perguntou sentando-se na cama.
–Mãe... –Me virei para ela.
–Hãm?
–Mãe! –Deitei no colo de Kurenai e comecei a chorar mais ainda.
–O que foi minha criança? O que aconteceu? –Ela falava com uma voz maternal e reconfortante, enquanto fazia cafuné na minha cabeça.
–E-Eu... Meu... P-Pa... –Não conseguia falar.
–Calma, calma minha criança. –Kurenai se curvou e me abraçou.
Sasuke POVs:
Estava em um bar perto da piscina, com teto de sapê, estilo tropical, também estava tomando um drink de frutas junto a Asuma:
–E aí, o que o detetive falou?
–Bom, ele não quis dar detalhes sobre nada, você sabe como ele é sigiloso.
–Está terminando?
–Sim, ele está apenas acertando os últimos detalhes e manda para a gente por e-mail, acho que em dois dias ele termina.
–Não era uma semana? –Perguntei confuso.
–Bom, era, mas parece que ele conseguiu dar uma adiantada no trabalho, ele é um ótimo profissional. Mas e aí, o que você vai fazer depois que descobrir?
–Eu nem sei se quero ver! –Disse com a voz negativa.
–Ah não, Sasuke! Eu tive o maior trabalho para conseguir convencer esse cara a fazer isso, você não pode abandonar tudo agora.
–Eu não vou abandonar, obvio que não, é só que...
–É só que o que, Sasuke? –Ele perguntou impaciente.
–Eu estou com medo do que vai estar escrito nisso.
–Nada de mais, eu te garanto.
–Na verdade, eu acho que vai ter muito mais coisa que você imagina.
–Como assim? Você sabe de algo? –Pergunta Asuma um pouco nervoso.
–Não, nada concreto, apenas suposições.
–E de que tipo?
–Não vale a pena dizer, a pessoa que me disse não tem direito nenhum, não dá para acreditar nela.
–Hmmm, entendo. –Asuma olhou em volta. –Ei, olha aquela delicinha ali de biquíni cavado. –Apontou Asuma.
Olhei para a região em que Asuma apontava. Havia uma garota perto da piscina, pele bronzeada, cabelos negros, biquíni florido e corpo escultural:
–Nossa, que gostosa!
–Acho que vou lá falar com ela. –Asuma deu um paço para frente.
–Acho melhor não, -Ele parou e se virou para mim- se Kurenai chegar ela vai reclamar. –Ele fez careca.
–Não sei por que ela implica tanto com as mulheres que eu pego. –Dei uma risada abafada.
–Você é mesmo um idiota! –Ri e Asuma deu um cascudo na minha cabeça. –Itai! Por que fez isso, Asuma? –Perguntei eufórico.
–Para aprender a me respeitar, seu moleque! –Ele dizia irônico.
Cocei o lugar onde ele havia batido e Asuma apenas riu.
–Por favor, me vê uma porção de camarão. –Um homem sentou-se ao meu lado.
–É pra já. –Disse o homem do bar.
Aquela voz dele não me era familiar, virei para olhar quem era e arregalei os olhos, atônico.
–I-I-Itachi? –Ele se virou para mim e deu um pulo.
–Sasuke?
Continua...
Fale com o autor