Beauty And The Beast
6 Changing The Beast
Notas iniciais
— Cansei de ler histórias para você. O que você acha de me contar uma agora? – Kurt perguntou, se espreguiçando.
— E-eu não acho que essa seja uma boa ideia.
— Por que não? – Perguntou Kurt, entregando um livro para Blaine. – É a história da Ariel e o príncipe Eric, é linda e não é nada difícil de se ler.
— Não é difícil para quem sabe ler...
— Oh! – Exclamou Kurt, sentando-se mais perto da Fera. – Nesse caso, eu te ajudo.
Kurt sentou ainda mais perto de Blaine e começou a ler junto com ele. A verdade é que Blaine sabia ler, mas achava que tinha perdido a prática com o passar dos anos e sua visão ficou diferente depois de ele ser enfeitiçado. Claro que isso não significava que ele pararia de ler, principalmente por estar ali com Kurt.
Sendo assim, Blaine começou lentamente a ler a história “A Pequena Sereia”, se atrapalhando em certas palavras, as quais eram na hora consertadas por Kurt, que sempre dava um pequeno sorriso para o nervosismo do moreno por errar.
O coração da Fera batia tão acelerado quando ele estava assim perto de Kurt. Ele ficava alegre por estar perto do castanho, mas ao mesmo tempo um nervosismo enorme o atacava. Ele não entendia o que exatamente ele sentia, só sabia que era algo bom de se sentir. Era agradável e o deixava feliz.
Ele sabia que estava muito apegado ao castanho, sabia também que não queria perdê-lo, mas sabia – ainda mais – que não poderia mantê-lo preso ali para sempre. Estava disposto a ignorar a promessa de Kurt e simplesmente libertá-lo, ainda que isso signifique nunca se libertar de sua maldição.
— E eles viveram felizes para sempre... – Blaine disse, vendo Kurt escorado em seu braço direito encarando o livro. – Eu leio tão mal assim? Você estava aí quase dormindo.
— Não estava quase dormindo, estava apenas imaginando o que você leu. Seria maravilhoso encontrar um amor como o deles. – Kurt soltou as palavras, fazendo o coração da Fera novamente se acelerar. – Por que não damos uma volta? Esse castelo já está me deprimindo.
Kurt riu e se levantou, puxando Blaine junto consigo. Os dois colocaram um tipo de coberta por cima de cada um e foram para o enorme quintal que aquele palácio tinha. Kurt viu os inúmeros pássaros que haviam por ali e correu para dentro do castelo, voltando certo tempo depois com um pouco de comida para eles.
— Alimente-os comigo. – Kurt pediu, colocando um pouco da comida que trouxera nas mãos enormes do moreno, que mesmo acanhado o permitiu colocar. – É só se aproximar lentamente deles com a comida.
Blaine ouviu atentamente e se aproximou dos pequenos bichinhos, logo os afastando. Blaine soltou um suspiro frustrado e Kurt agachou-se ao seu lado, pegando um pouco da comida e colocando ao lado das mãos dele e logo um dos pássaros se aproximou e comeu, pulando para a mão de Blaine em seguida.
A Fera encarou Kurt com um sorriso nos lábios e percebeu que o castanho também sorria. Os dois permaneceram alimentando os pássaros por mais um certo tempo, entrando novamente no castelo apenas quando escureceu.
Os dois foram cada um para seu quarto para se arrumarem para o jantar. Kurt conversava animadamente com sua mobília enquanto escolhia uma roupa. Já Blaine andava de um lado para o outro pensando se deveria mesmo permitir que Kurt fosse embora.
Será que Kurt voltaria para visita-lo ou será que o esqueceria em um piscar de olhos? Estava óbvio que Blaine estava apaixonado, mas será que Kurt seria capaz de sentir o mesmo? Será que o castanho conseguiria olhar para ele e ver que ele não é apenas uma fera horrenda? Será que o castanho conseguiria se apaixonar por alguém sem se importar com a sua aparência.
Se apaixonar não era o suficiente. Kurt precisava amá-lo ou o feitiço permaneceria sobre Blaine para sempre. E é claro que agora Blaine o queria de verdade e não só por causa do feitiço, mas será que ele era mesmo capaz de fazer Kurt sentir o mesmo? Será que Kurt iria entender que libertá-lo seria uma prova de amor vinda de Blaine?
Eram tantas as perguntas que rondavam a mente de Blaine que o mesmo nem percebeu quando já estava na sala de jantar sentado em frente a Kurt, que possuía um sorriso no canto dos lábios, como sempre.
Kurt observava a dificuldade de Blaine, com suas mãos grandes, em segurar os talheres, então pegou o prato com suas mãos e passou a tomar a sopa diretamente do prato, levando a Fera a rir e fazer o mesmo.
Aquilo era um tipo de sacrifício do castanho aos olhos de Blaine, sendo que ele sempre fora todo certinho desde que havia ido parar ali. Será que Blaine era o responsável por tal mudança ou será que aquilo era mera coincidência?
A Fera foi dormir ainda com aquelas perguntas e incertezas o rondando. Tudo pareceu sumir no dia seguinte, no entanto. A neve derretera pela manhã, sendo assim à tarde os meninos deitaram-se no gramado para observarem as enormes nuvens que estavam no céu.
— Olha, aquela parece um cachorro. – Kurt comentou, apontando para uma enorme nuvem que certamente não se parecia com um cachorro.
O castanho tinha sugerido eles brincarem de encontrar formas nas nuvens. Não importa se elas se pareciam ou não com o que eles diziam, o que importava mesmo era a imaginação deles e o divertimento da brincadeira.
— Aquela parece uma bola. – Blaine apontou para uma também.
— Aquela parece uma canoa. – Kurt disse rindo, apontando para uma mais distante.
— E aquela parece um coração. – Blaine disse, sentindo o seu coração acelerado.
— Ela parece estar se dissipando com o vento. – Kurt observou a branquidão aparentando se separar lentamente.
— Exatamente como o meu coração está... – A Fera virou sua cabeça para observar Kurt, que também se virou e o observou. – Você quer ir embora daqui?
— Não importa o que eu quero. – Kurt disse, dando de ombros.
— É claro que importa. Você é importante, Kurt. Se quiser ir embora, preciso que me diga. Não vou te dizer que quero lhe ver partindo, pois não quero isso, mas também não me sentiria bem o prendendo aqui por nem mais um segundo. – Blaine pegou a mão de Kurt e a acariciou com muito carinho, algo que era estranho até para ele.
— Mas por que agora? Por que está simplesmente dizendo que posso ir embora?
— Você quer isso? – Blaine reforçou a pergunta.
— Sim... mas não é por não querer mais ficar aqui com você. É só que... eu sinto falta do meu pai. – Kurt disse cabisbaixo.
— Você despertou o que há de melhor em mim e em forma de agradecimento eu deixo você ir embora. – Blaine esboçou um pequeno sorriso.
O moreno permaneceu encarando Kurt, seus olhos azuis brilhavam. Seria de admiração e agradecimento ou de alegria? Blaine não sabia dizer, só sabia que aquele menino era a coisa mais preciosa de sua vida. Ele nunca se encantou por alguém como havia se encantado por ele. E agora ele sabia que tinha aprendido sua lição, pois não importava o quão lindo Kurt fosse, o que o fez se apaixonar por ele não foi sua beleza e sim todo o conjunto de coisas boas que Kurt era.
O castanho era perfeito e agora o coração de Blaine estava simplesmente se destruindo por saber que ele iria embora. Ele era justamente como aquela nuvem que se dissipava. Diferente da nuvem, porém, ele não iria se juntar com nenhuma outra para se completar. Ele iria permanecer sofrendo por ter deixado o amor de sua vida simplesmente escapar por seus dedos, ainda que essa fosse a coisa certa a se fazer.
Fale com o autor