Beautiful Mess
9 What the Hell?
Notas iniciais
Eu finalmente estava pronto para encarar meu pai, fazia dias que ele queria falar comigo e eu o evitava. Percorri o caminho até chegar a seu escritório, impedi que a secretária anunciasse minha presença e entrei de supetão.
– Tyler e seus maus modos. -comentou contendo o susto que tinha levado ao me ver.
– O que quer comigo?
Ele me lançou um sorriso que no mínimo pode se considerar como medonho.
– Fico feliz em saber que terei meu filho de volta. -ele diz.
– Bem, você nunca o perdeu. -revidei.
– Comportando-se como estava, tinha vergonha de tê-lo como filho. Entretanto, eu entendo que seja coisa da idade quando se completa vinte um ano alguns jovens fazem algumas besteiras, se sentem meio perdidos.
– Não justifique com crise de idade, sou consciente dos meus atos. -me mantive inabalável com seu insulto, coisa que há pouco tempo aprendi a fazer.
– Eu sei que temos nossas diferenças, mas também sei do seu interesse nos negócios da família. Eu vou ter que viajar para verificar pessoalmente como estão as filiais, e acho que você pode ficar aqui na minha ausência administrando tudo do seu jeito,foi tudo o que sempre quis não é?
Realmente, apesar de todas as desarmonias que eu tinha com o meu pai, teve um tempo que eu fazia de tudo para orgulhá-lo só para ele confiar em mim o suficiente para que confiasse os negócios a mim. Era o tempo que eu fazia de tudo para que ele reconhecesse o meu potencial, foi o tempo em que eu era o implacável Tyler que queria estar a frente dos sucessos de Cassie simplesmente porque o pai não aceitava que uma garota estivesse mais capacidade que seu filho.
Naquele tempo, eu sempre baixava a cabeça diante de uma mínima reclamação de meu pai. Eu tinha que cumprir todas as exigências dele, apenas para que ele olhasse orgulhoso para mim, mas nunca era o suficiente. Ele não via as conquistas de Tyler, ele só via uma garota ultrapassando o filho, o que era inaceitável.
Meu pai era sempre ocupado e dedicado ao seu trabalho, o único assunto que lhe interessava quando se tratava de mim era quando envolvia o meu rendimento escolar. E eu me esforçava tanto somente para mostrá-lo que eu seria um grande líder assim como ele, mas teve um dia que eu cansei de tentar agradá-lo quando nada parecia estar bom o suficiente.
Ele estava sempre me fazendo exigências, mas quando finalmente entrei na faculdade comecei a enfrentá-lo e a fazer minhas escolhas por mim e não por causa dele. E então foi assim que comecei a desfrutar de certas coisas da qual eu não me orgulho agora, acho que no fundo sou mesmo a bagunça que meu pai acha que eu sou.
– Porque isso agora?-perguntei desconfiado, provavelmente ele só me daria essa chance depois que eu me formasse, essa era o previsto.
– Eu só quero te dar uma chance. Além do mais, vai chegar o dia em que você me substituirá aqui. -meu pai indicou sua sala da presidência com o dedo.
– Isso é sério?-o encarei com um pouco de esperança.
– Muito sério, o que me diz?-ele esticou sua mão para que eu o cumprimentasse, como se estivesse fechando algum acordo.
– Pode contar comigo, desde que seja do meu jeito. -o cumprimentei.
– Já estava na hora do meu Tyler voltar. -estranhei por ele dizer isso. Eu não ia voltar a ser como antes.
– Não espere que eu volte a ser o filho manipulável de antes.
– Ah, Tyler. Você é um Mackenzie, não precisa ser manipulado por ninguém, faz parte da sua natureza ser quem você almeja ser.-ele me deixou intrigado.
– Como assim ser quem eu almejo ser?
– Você sempre quis ser um homem de sucesso, por um tempo eu o direcionei para isso.
– Ah, sim. Era isso o que fazia. –dei um sorriso debochado.
Fomos interrompidos por sua secretária que avisou que a futura estagiária estava aguardando no lado de fora.
– Diga para ela entrar. -a estranha calma de meu pai, estava começando a me chatear.
– Oi, eu sou Cassie Torres. -virei-me instantaneamente ao ouvir essa voz.
Agora estava tudo explicado, todo esse papo de ter o filho de volta. Ele queria nos colocar no mesmo ambiente para ficar comparando a eficiência de ambos e fazer o que costumava fazer. Agora eu é quem afirmo ter vergonha de ser filho dele. E logo agora, que as coisas tinham ficado calmas.
Meu desprezível pai mantinha um sorriso vitorioso nos lábios, como se estivesse dizendo “xeque mate Tyler”. Passei nervosamente a mão pelos meus cabelos contendo toda a raiva que se acumulava em mim nesse momento, e sai a passos firmes, mas não antes de encará-lo e transmitir com meu olhar que ele era um homem detestável.
➢ ➣ ➤
Eu estava possesso de raiva, e totalmente atordoado emocionalmente. Quase não percebi que tinha me esbarrado com minha mãe na saída da empresa do meu pai.
– Tyler, o que houve?-minha mãe me segurou pelos ombros.
E eu não consegui fazer mais nada a não ser abraçá-la. Já fazia alguns dias que eu não a via, me mantendo distante do meu pai meu contato com ela tinha diminuído.
– O que ele fez a você querido?-minha mãe segurava carinhosamente o meu rosto com suas mãos.
Eu não conseguia explicar para a minha mãe o motivo de eu estar tão abalado, as palavras simplesmente não saiam. E por um instante eu me senti tão impotente a meu pai, o mesmo garotinho fraco e perdido de antes.
– Ele quer me atingir mãe, ele quer me deixar louco. -por fim, consegui falar alguma coisa.
– Você não está sozinho querido, tem a mim. Eu sei que você é uma pessoa maravilhosa, apesar das tentativas de seu pai de transformá-lo em um insensível como ele.
Balancei a cabeça em sinal afirmativo e sorri para ela.
– Você está bem?-perguntei.
– Já que está aqui, poderíamos almoçar juntos?-minha mãe sugeriu.
– Claro.
Ela deu um leve aperto em minha mão, enroscou seu braço ao meu e fomos juntos a procura de um bom lugar para almoçar e conversar.
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