Beautiful Mess
5 Capítulo 4 - Oficialmente indepentende
Notas iniciais
Capítulo 4 – Oficialmente independente
Fechei a última caixa com uma fita bem potente, etiquetei-a e escrevi a palavra Livros bem grande na parte da frente. Depois disso me levantei, suspirando e dando graças a Deus por eu finalmente ter terminado de encaixotar toda a minha mudança. Sim, o grande dia havia chego: Eu estava me mudando para Bristol hoje. Ainda faltava um mês e meio para as aulas começarem de verdade, mas eu e meus pais decidimos que seria melhor se eu fosse mais cedo, para me organizar melhor e me acostumar com os novos ares. E eu vou admitir, eu estava muito ansiosa para começar essa nova vida.
Meu celular bipou em cima da cama, e eu fui até ele, me deparando com uma mensagem de ninguém mais, ninguém menos que Colin. Até tentei, mas no final das contas não consegui evitar o sorriso que surgiu em meus lábios.
Acabei de voltar do jogo com os meninos, passo na sua casa daqui uma hora mais ou menos pra te ajudar a despachar as caixas e tal. Prometo tentar não me atrasar. Xx Colin
O resto da semana no resort havia sido mágica para mim e para Colin. Desde o dia em que ele me levou ao sítio do vovô Bartolomeu com aquela desculpa de que “precisávamos nos relacionar melhor e passar mais tempo juntos”, nós começamos a realmente passar todo e qualquer tempo livre juntos. E eu descobri que ele não era mais o demônio que ele era antes. Claro que ele não tinha virado nenhum anjo, de uma hora para outra. Mas ele estava... Suportável. E as conversas com ele até que eram agradáveis e descontraídas.
Nosso histórico de brigas diminuiu bem desde aquela viagem inclusive. É claro que nós ainda tínhamos as discussões inteligentes de sempre, mas nós estávamos melhorando. E todos a nossa volta pareciam felizes por isso. E, por que não admitir, que sim, eu também estava feliz com isso. Afinal, nós vamos morar juntos a partir de agora, certo?
E desde que voltamos do resort, tentamos manter esse clima agradável entre nós. É lógico que tinha dias que eu acordava totalmente sem paciência para ele, e nem olhava na cara dele, ou falava com ele o dia inteiro. O que não era realmente um problema, porque ele também tinha dias assim. Como eu disse, estávamos tendo um progresso, mas ainda estávamos longe de sermos os melhores amigos do mundo. Apesar disso, ele se revelava um cara super companheiro e alegre quando nós saíamos com os amigos do colégio, ou até com os amigos da vizinhança. Enfim, estávamos conseguindo cumprir nosso desafio de sermos civilizados.
Me sentei na cama, ainda sorrindo por conta da mensagem e respondi com um rápido “ok”, logo depois bloqueando a tela e me deitando na cama, respirando fundo. O sorriso ainda no meu rosto. Hoje seria o dia em que eu oficialmente me tornaria independente. E apesar de todo o estresse e cansaço que arrumar a mudança me causou, eu não podia estar mais feliz.
Chequei o relógio e percebi que já eram quase quatro da tarde. Com um suspiro, levantei e peguei a única troca de roupa que deixei para fora da mala e das caixas, e fui em direção ao banheiro para o meu último banho durante meses na casa da minha família. Depois de deixar a água cair por um bom tempo, relaxando os músculos que estavam tensos pelo esforço dos últimos dias, saí e me arrumei rapidamente. Nosso voo para Bristol sairia apenas às oito da noite, então depois de pronta, apenas levei as malas que faltavam até a sala de estar, e me larguei no sofá, pronta para esperar. Quando se está ansiosa, sempre parece que o tempo passa mais devagar. Pra mim não foi diferente. Olhei para o relógio e ainda eram quatro e meia. Suspirei e coloquei os fones de ouvido em um volume do tipo que dizia “não estou te ouvindo” e coloquei na minha playlist do All Time Low.
Fechei os olhos e fiquei deixando a melodia maravilhosa de Somewhere In Neverland entrar por meus ouvidos. E depois disso a melodia de mais três músicas seguidas. Fiquei nessa de viajar na maionese enquanto escutava música sabe lá Deus por quanto tempo. Fui despertada por algumas batidas nada delicadas na janela de casa, dando um pulo do sofá, e olhando para encontrar um Colin sorrindo amigavelmente e acenando. Sorri, tirando um dos fones enquanto me levantava e caminhava até a porta. Abri para ele, que ficou parado me encarando por alguns minutos, ainda sorrindo.
– Achei que você ia me deixar trancado pra fora. Quando eu mandei a mensagem dizendo que viria, eu achei que você pelo menos ficaria ligada no horário. – Ele falou, e eu ri.
– Desculpa. Comecei a escutar música pra ver se o tempo passava e, bem, ele passou. – Dei um sorriso sem jeito e ele riu também – O som estava meio alto e eu morri para o mundo. Você sabe como eu fico quando escuto música.
Ele confirmou com a cabeça, o sorriso discreto ainda nos lábios, enquanto dava um passo para frente e dava um beijo em minha bochecha. Fechei a porta e logo fui me juntar a ele, que já havia se jogado no sofá e ligado a tv. Se sentindo em casa, como sempre. Algumas coisas nunca mudam.
– Parece que nós temos duas horas até meu pai levar a gente para o aeroporto. Quer fazer alguma coisa? – Perguntei, quebrando o silêncio que havia se instalado no ambiente desde que ele havia entrado. Meus pais não estavam em casa, então os únicos sons ali eram o de nossas respirações e o da TV, e o silêncio já estava começando a ficar desconfortável.
Ele desviou a atenção da TV e me olhou.
– Pra mim, tanto faz. Podemos sair se você quiser. Sei lá, andar por aí, parar em algum lugar pra comer... Pra você se despedir da cidade. Depois de hoje, só na semana do natal você vai poder ter a satisfação de pisar aqui de novo. – Ele falou, e eu sorri, concordando.
– Podemos ir ao Starbucks. Estou com fome mesmo e bem, eu sou viciada nos muffins de lá. – Falei e ele concordou, desligando a TV.
Nos levantamos e Colin já foi seguindo para a porta. Antes que pudesse me juntar à ele, lembrei das caixas repletas de coisas que eu havia terminado de empacotar hoje. Vamos admitir que eu era magra e fraca demais, e com os gravetos que tenho no lugar dos braços, não ia conseguir trazer nem a mais leve das caixas do meu quarto até a parte de baixo da casa.
– Hallie? Tá viva? – Colin perguntou, parado na porta, olhando para mim com uma cara divertida, enquanto eu saía de meus devaneios e voltava ao mundo real. Sorri sem jeito.
– Desculpa. Tava lembrando que terminei de embalar a mudança hoje. E digamos que eu não tenho a força necessária pra descer todas aquelas caixas, então eu tava me perguntando se... – Fui interrompida por ele caminhando na minha direção, e logo desviando e começando a subir as escadas.
– Se eu podia ajudar? Não precisa nem pedir. Falei que vinha aqui pra te ajudar com a mudança, lembra? – Ele falou, e eu concordei, começando a subir atrás dele. – Ótimo, agora me mostra onde estão as caixas porque, de verdade, eu não lembro mais onde é seu quarto.
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Eu e Colin caminhávamos calmamente pela avenida do Starbucks. Com os copos de frapuccinos na mão, jogávamos conversa fora, enquanto caminhávamos de volta pra casa.
– Vou sentir falta daqui. Eu sempre quis que a época da faculdade chegasse logo, pra que eu pudesse me mudar logo e começar uma nova vida. Mas pensar que essa vai ser a última vez que eu vou pisar nas ruas de Londres pelos próximos meses me deixa um pouco triste, no fundo. – Falei. Colin concordou, olhando para os pés enquanto chutava algumas pedrinhas da calçada, conforme caminhávamos.
– Eu me senti assim quando me formei também. Em grande parte porque sério, eu estava indo pra Bristol, estudar em uma das melhores universidades, a que eu sempre sonhei, e ainda estava indo pra alguns bons quilômetros de distância de você. – Ele falou, e eu olhei incrédula para ele, mas ri logo em seguida. O sentimento foi recíproco na época em que ele se mudou para a faculdade, e com certeza uma das minhas certezas era querer distância do Colin quando eu fosse para a faculdade. Mas bem, as coisas mudam. – As primeiras semanas em Bristol foram como um sonho. Festas, garotas, vida independente, no parents. Mas assim que toda essa euforia passou, eu comecei a sentir uma falta desgraçada de casa. Dos meus pais. Até de você e das nossas brigas eu senti falta, por incrível que pareça.
Eu ri do último comentário, e ele levantou a cabeça, sorrindo torto e fixando os olhos azuis nos meus. Senti minhas bochechas esquentarem com aquele olhar que ele me lançou, e por algum motivo quis me bater. Graças a Deus já havia escurecido e ele não ia conseguiria ver o rubor no meu rosto.
– Já que você admitiu, não vejo mal nenhum em dizer que senti saudades suas também. Claro que essa saudade sumia assim que você voltava para os feriados e férias, mas quando você ia embora, eu sentia falta das nossas brigas. Eram o ponto alto do meu dia. Mesmo te odiando e discutindo a todo segundo com você, ainda era muito legal ter você por perto. – Falei, e ele sorriu abertamente agora.
– O sentimento é recíproco.
Continuamos a caminhar até que entramos na rua da minha casa. Antes mesmo de eu me aproximar direito da casa, Mariana desceu as escadas com uma expressão furiosa e encarou a mim e a Colin como se tivéssemos cometido um assassinato. Ela tinha um post-it rosa nas mãos, que ela leu assim que nos aproximamos propriamente.
– Fomos no Starbucks, voltamos antes das sete. Xx Hallie e Colin. Vocês querem me dizer o que significa isso, seus bonitos? – Ela perguntou, irritada. Me segurei para não rir da reação previsível de minha melhor amiga, enquanto Colin se aproximava e a abraçava.
– Desculpa, chuchu! Saímos pra comer porque sua amiga aqui é um saco sem fundo e estava reclamando de fome como se não houvesse amanhã. – Arregalei meus olhos indignada. Calúnia. – E eu tentei te ligar. Mas como você não deu sinal de vida, fomos sem você mesmo.
Mariana lançou um olhar mortal a ele.
– Você. Não. Tentou. Ligar. Porra. Nenhuma. Senhor “acho que consigo enganar minha melhor amiga”. Você já foi melhor que isso Colin. Que vergonha. – Ela falou, tentando se soltar do abraço, mas ele riu e apenas a apertou mais, a impedindo de se mover.
– Ok, eu não tentei ligar, admito. Mas conhecendo você, tenho certeza de que você estava tão entretida nas suas longas conversas por Whatsapp com o carinha do resort, que ia ver minha ligação e ia desligar na minha cara pra voltar a falar com ele logo. – Falou ele, e ela continuou com a cara amarrada, mas murmurou um “é” de mal gosto para ele. Ele riu ainda mais. Ele finalmente resolveu se afastar dela, e veio até o meu lado novamente. – Mas como os amigos maravilhosos que somos, e sabendo o quanto você gosta de ir no Starbucks, resolvemos trazer um frapuccino pra você, como forma de nos desculpamos.
E assim que ele disse isso, ele pegou o meu, sim, o meu frapuccino, que ainda estava totalmente cheio, e o entregou à Mari, que deu um sorriso no mesmo instante, dando um gole prontamente.
– Eu ainda estou brava, mas devo reconhecer que vocês são os melhores amigos do mundo. – Ela falou, virando-se e entrando em casa antes que eu pudesse fazer qualquer tipo de protesto. Porque fala sério, era meu frapuccino gente! – Vou avisar sua mamis que vocês já estão em casa e falar que seu pai já pode começar a colocar as malas no carro.
E com isso ela entrou e bateu a porta com um pouco mais de força que o necessário. Virei para Colin com uma cara de puro ódio.
– Você tem algum problema mental? – Perguntei, raivosa, enquanto colocava as mãos na cintura. Ele me olhou da forma mais inocente possível.
– O que você tá querendo dizer com isso?
Revirei os olhos diante da tentativa dele de se fazer de desentendido.
– Você sabe muito bem, senhor inteligente. Porra Colin era meu frapuccino! Você tinha mesmo que usar ele pra domar a fera? – Falei, e ele começou a gargalhar, se aproximando de mim e colocando uma das mãos em minha cintura. Ato que me fez estremecer. Rezei para que o tremor tivesse passado despercebido pelo radar de Colin.
– Desculpa por isso. Mas você sabe que, se eu não desse sua bebida pra ela, ela ia xingar tanto eu quanto você até nós nos despedirmos dela no portão de embarque. – Ele falou, e eu concordei, mas ainda brava. Porra velho, meu frapuccino. – Mas olha, só pra você não ficar triste, pode pegar o meu.
Ele me estendeu o copo, ainda cheio, e eu o olhei hesitante.
– Colin, você é tão viciado nesse negócio quanto eu. Tanto é que enquanto eu devorava meus muffins você tomou dois frapuccinos pequenos, e ainda pegou esse grande pra viagem. Por mais que eu esteja morrendo de vontade de te jogar da ponte do rio Tamisa por você ter dado o meu pra Mari, não sou tão malvada a ponto de pegar o seu. – Falei, e ele parou de rir, mas continuou sorrindo.
– Você acha que eu ia aguentar beber três frapuccinos seguidos? Por favor né Hallie, sou viciado nesse negócio, mas não é pra tanto! – Ele falou – Vamos, pega. Eu não gosto de frapuccino de caramelo de qualquer forma. E eu sei que seu sabor favorito é esse, então, pega.
Ele estendeu o copo novamente, e eu o peguei hesitante.
– Por que diabos você pegaria o frapuccino de caramelo sendo que você não... – Parei de falar ao vê-lo me olhando de muito perto, ainda com as mãos em minha cintura, e segurando o riso. Arregalei os olhos, e não pude deixar de rir, começando a estapeá-lo no peito forte com a mão livre. – Você tinha tudo planejado, não é sua desgraça?
Ele começou a rir novamente, confirmando com a cabeça, e tentando se esquivar dos meus contínuos tapas inocentes.
– Ai, ai Hallie! Para menina, ta doendo já. – Ele falou em meio a risadas, colocando outra mão no outro lado da minha cintura, enquanto eu ria também, e parava de bater nele, apoiando a mão que eu usava para agredi-lo em seu ombro. – Eu aqui tentando ser legal, e ainda apanho? Nunca vou entender vocês, mulheres.
Ri do comentário dele, mas logo parei e fiquei apenas com um sorriso no rosto ao perceber a proximidade entre nossos corpos. Eu nunca havia ficado assim com Colin antes na minha vida. Eu tinha uma relação de não-me-toque com ele, e nunca tinha dado mais do que um abraço forçado nele, geralmente em datas comemorativas. Estar assim, tão próxima a ele, olhando-o tão de perto, por livre e espontânea vontade, me enchia de arrepios e de uma sensação estranha. E o que me assustava ainda mais era o fato de que eu, de alguma forma, gostava daquelas sensações. Antes que eu me perdesse completamente em seus olhos que, devo admitir que, agora que estavam sendo observados de perto eram muito bonitos, levantei o copo que estava na minha outra mão e dei um grande gole.
– Bom, parece que você realmente é um cara legal no fim das contas. Nunca pensei que você fosse me pagar, mesmo que indiretamente, um frapuccino grande. – Falei, sorrindo e me afastando, retirando a mão de seus ombros. Ele sorriu, tirando uma das mãos de minha cintura, mas mantendo a outra lá, firme, enquanto se virava em direção à escada e nós começávamos a subi-las em direção à entrada de casa.
– Você vai se surpreender quando descobrir o quanto eu posso ser legal com as pessoas que eu me importo. Mesmo que eu as odeie um pouquinho, como é nosso caso. – Ele falou, e eu sorri enquanto olhava para ele, não resistindo e dando um beijo em seu rosto, mas logo depois me virando e tomando outro gole da bebida, envergonhada demais pela minha atitude tomada no calor do momento. Antes de entrar em casa pude ver as bochechas um pouco coradas de Colin, e um sorriso quase bobo brincando em seus lábios.
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– Mãe, por favor... Eu sei, eu também vou sentir sua falta. Eu também te amo. Mãe, fica calma, eu volto pro natal. Sim, vou ligar todos os dias. Prometo. Mãe, eu realmente preciso embarcar agora. Ok, eu te ligo assim que eu chegar lá. Também te amo, muito. Beijos. – Ouvi Colin falar no celular, enquanto o aguardava já no portão de embarque. Ele desligou o telefone e o colocou de volta no bolso, enquanto caminhava até mim.
– Sempre que eu volto pra Bristol é a mesma história. Minha mãe é sentimental demais algumas vezes. Pensei que depois de dois anos ela já estaria acostumada. – Ele falou, e eu apenas sorri, confirmando com a cabeça. – Pronta? Nosso voo acabou de ser confirmado.
Olhei para o painel, observando o número do nosso voo e a palavra amarela ao lado. Suspirei, concordando com a cabeça. Virei para minha mãe, que já estava com lágrimas nos olhos. Abracei-a, me segurando para não chorar também, e senti-a soluçar baixinho com o queixo apoiado em meu pescoço.
– Vou sentir saudades. Trate de ligar assim que chegar lá. E me ligar pelo menos três vezes por dia. – Ela falou, se afastando e me olhando nos olhos, os dela um tanto quanto vermelhos.
– Vou ligar, prometo. Mas só uma vez por dia. – Falei, e ela me olhou meio torto.
– Duas? – Ela falou, e eu concordei, sorrindo. – Fechado então.
Abracei-a mais uma vez, e depois virei para meu pai, dando um breve abraço nele e um beijo em seu rosto. Depois de me despedir das pessoas mais importantes da minha vida, virei-me para a terceira pessoa mais importante da minha vida, que já estava entrando em decomposição de tanto chorar.
– Mari, para. – Falei, me aproximando dela. – Semana que vem vai ser você embarcando pra Bristol, e eu vou estar prontinha no aeroporto te esperando chegar.
– Eu sei. – Ela falou, fungando, e mais lágrimas vieram aos olhos. – É só que a gente nunca se separou na vida. Desde que nascemos. E ver você indo pra lá sem mim, mesmo que seja só uma semana mais cedo e sabendo que semana que vem vou estar lá com você de novo, me dá um aperto no coração. – Ela falou, baixando os olhos. – Sei lá, to meio estranha, sentimental demais hoje. Deve ser a TPM, desconsidera o choro.
Sorri para minha amiga, quase irmã, e me aproximei, puxando-a para um abraço apertado.
– Eu te amo. E são só sete dias. Vou te mandar mensagem o dia inteiro. Mesmo em outra cidade, você não vai se ver livre de mim tão cedo. – Falei para ela, e ela fungou mais uma vez, mas sorriu. Sorri de volta, me afastando.
– Eu também te amo maninha. – Ela falou. – E não esquece em, assim que colocar os pés lá quero mensagens. Quero saber das suas primeiras impressões sobre tudo em Bristol.
Concordei, dando mais um abraço rápido e apertado nela, e depois pegando minha mochila, andando até Colin, que me esperava ao lado da moça que checava as passagens, e segurava tanto a minha passagem quanto a dele.
Sorri para ele quando me aproximei, e entreguei meus documentos para a moça. Assim que estava tudo checado, ela nos liberou. Dei uma última olhada em minha família e segui Colin para dentro da sala de embarque. Passamos pela esteira e pelo detector de metais, e depois caminhamos até encontrar duas cadeiras, lado a lado, bem em frente ao nosso portão de embarque.
Assim que sentamos e eu consegui assimilar o fato de que aquela havia sido a última vez que eu tinha visto e abraçado os meus pais em meses, senti um aperto no coração, e no mesmo instante as lágrimas que eu vinha segurando desde que colocamos os pés no aeroporto finalmente saíram. Colin me olhou visivelmente assustado, enquanto eu começava a soluçar e enterrava meu rosto entre minhas mãos. Eu não vou negar que estava muito ansiosa para começar a vida em Bristol, mas eu nunca havia saído de Londres, ou havia deixado os meus pais por muito mais que uma semana. E sim, saber que eu não ia abraçar minha mãe todos os dias me deixou triste. Isso, me julguem. Sou um bebê chorão mesmo.
Colin me puxou para seu lado, e eu enterrei o rosto em seu pescoço, enquanto começava a chorar pra valer. Ele passou um dos braços em volta do meu pescoço, e com a mão livre começou a acariciar meus cabelos, tentando me acalmar. O que não adiantou muito, porque eu continuei chorando muito, e comecei a encharcar a camiseta de Colin, mas ele não pareceu se importar. Eu devo ter ficado pelo menos meia hora nessa crise existencial e de abstinência familiar, mas aos poucos fui controlando o choro e ele foi parando. Que vergonha, eu não tinha nem deixado o aeroporto ainda e já tinha chorado mais do que bebê.
– Tá melhor? – Colin perguntou, quando viu que meu choro intenso havia ido embora e que agora tudo o que havia restado dele eram algumas lágrimas e alguns soluços intercalados. Fiz que sim com a cabeça, afastando o rosto do pescoço dele, mas deixando o braço dele que me envolvia. Enxuguei o rosto, e dei um sorriso um pouco triste para o meu amigo, que não era bem meu amigo até pouco tempo atrás, mas que agora estava virando um amigo de verdade (ok, isso não fez sentido, mas vocês entenderam).
– Parece que eu destruí sua camiseta com as minhas lágrimas idiotas. Me desculpa. – Falei, e ele sorriu, aproximando a mão que antes acariciava meus cabelos do meu rosto e enxugando as últimas lágrimas que caíram, manchando novamente o rosto que eu havia acabado de enxugar. Sorri, grata.
– A minha camiseta é o de menos. Eu quero saber se você está se sentindo melhor. – Ele falou, e eu confirmei com a cabeça, com medo de começar a falar dos meus pais, ou até mesmo da Mari, que eu ia ver na semana seguinte, e começar a chorar compulsivamente novamente. Ele me olhou nos olhos, meio em dúvida diante das minhas palavras. – Tem certeza? Você não tá parecendo muito bem.
– Só acabei de me dar conta de que essa foi a última vez que vi meus pais em um longo tempo, e isso me deixou triste. Porque sabe, eu nunca saí de baixo da asa deles, e agora estou mudando de cidade, começando uma vida nova, e eles ficaram pra trás. Ao mesmo tempo que eu estou feliz pela minha conquista e pela minha vida nova, estou assustada, com medo de estragar tudo, e com saudade dos meus pais mesmo tendo visto eles agora pouco, porque sei que amanhã eu vou acordar e minha mãe não vai estar lá pra me dar um abraço de bom dia. – Falei, fungando. Colin me olhou com uma expressão de compreensão.
– Eu fiquei admirado de ver que você não desabou assim na frente deles. O dia que eu fui pra Bristol pela primeira vez, você não veio até o aeroporto porque você tava viajando com os seus pais, então você não presenciou o meu pequeno show de choro, com direito a muitos soluços e abraços na minha mãe, seguidos de frases como “vem comigo mãe, por favor, não me deixa sozinho! Eu to com medo!”. – Ele falou, e eu consegui rir um pouco. Ele sorriu, parecendo feliz em ter conseguido me arrancar um risinho que fosse. – É sério, pode perguntar pra Mari se quiser. Ela zoou da minha cara pelo semestre seguinte.
Ri mais um pouco, imaginando a cena.
– Deve ter sido hilário. Não acredito que perdi isso. Pode ter certeza de que se eu tivesse aqui, a zoação ia ser mil vezes pior. – Falei, e ele riu, concordando. O braço que ele havia colocado em volta dos meus ombros permanecia ali, e agora ele acariciava meu braço com a ponta dos dedos.
– Tenho certeza que sim. Por isso até hoje dou graças a Deus por você não ter vindo. Se não acho que eu seria zoado até hoje. – Ele falou, e eu concordei. – O que eu to querendo dizer é: Todos nós passamos por isso quando saímos de casa. Principalmente na sua idade. Você acabou de completar dezoito anos, e tá começando a vida agora. É super normal se sentir insegura e com medo do mundo, sentir falta dos pais, dos amigos, e querer desesperadamente voltar pro ensino médio. Mas você se acostuma com o tempo. E de qualquer forma, eu vou estar lá pra te ajudar, certo? Eu sei que você ainda não gosta cem por cento de mim, e que existe uma parcela ainda muito generosa de ódio por mim aí dentro de você, mas acho que nós dois já vimos que nossa convivência não vai ser assim tão terrível agora que estamos aprendendo a conviver, né? – Ele falou, olhando para mim com um sorriso sincero. Eu concordei.
– Se você continuar sendo o anjo que você tem sido nos últimos dias comigo, nossa convivência vai ser uma maravilha. Aposto que até o meu ódio por você, que já diminuiu gradativamente, vai diminuir ainda mais. Não digo sumir porque né, nós temos um histórico. Mas acho que poderemos nos considerar amigos. – Eu falei, e ele me olhou como quem estava confuso.
– Pensei que nós já fossemos amigos. Quer dizer que toda essa sua simpatia comigo é falsa? É tudo interesse? Ouch, assim você fere os meus sentimentos Hallicia! – Ele falou, se fazendo de ofendido e colocando a mão livre sobre o peito, em sinal de indignação. Não aguentei e gargalhei, sendo seguida por ele.
– Você me entendeu, idiota. Nós somos amigos agora... Eu acho. É que ainda é estranho ajustar essa nossa convivência harmoniosa ao meu estilo de vida. Mas sim, nós somos amigos. Não os melhores, mas somos. E o que eu quis dizer é que talvez, com o tempo, nós possamos esquecer esse ódio que nos perseguiu e resumiu nossas vidas nos últimos anos e virarmos melhores amigos. – Falei, e ele me olhou com um sorriso tão fofo e sincero no rosto, que chegou aos seus olhos azuis e refletiu pura alegria. Me dei conta do que eu tinha falado, e o quanto soava estranho falar aquilo para uma pessoa que, nos últimos anos da minha vida, e até as últimas semanas, eu odiava. Corei conforme reparei que o sorriso de Colin ainda estava ali e ele ainda estava me encarando feliz da vida. Ele riu mais ainda ao reparar as bolas vermelhas nas minhas bochechas altamente brancas, e deu um beijo na minha testa.
– Vou pegar um café pra ver se você se acalma. Você gosta de café né? – Ele perguntou, e eu confirmei com a cabeça. – Ótimo, já volto. Tenta ficar calma, vai dar tudo certo. Ah, e não sai daqui pelo amor de Deus.
Concordei, enquanto ele tirava o braço do meu ombro e se levantava rapidamente, indo até a máquina de café que havia ali perto dos assentos. Uma sensação estranha de falta tomou conta de mim quando percebi que o braço dele não estava mais em volta de mim, e eu me senti assustada pela segunda vez naquele dia. Sentir esse tipo de coisa, ter esse tipo de reação a ele, não era normal. Não podia ser normal. Se bem que eu não tinha como saber, uma vez que nunca tinha sentido esse tipo de coisa por ninguém. Tentei afastar os pensamentos o mais rápido o possível. Na minha cabeça, ainda não fazia sentido todo esse relacionamento respeitoso e até mesmo amigável e carinhoso entre eu e Colin. Eu cresci acreditando que devia odiá-lo, e fiz o meu melhor para odiá-lo, assim como ele fez seu melhor para me odiar. Mudar o status assim, de uma hora para a outra era estranho. Imagino que tanto para mim, quanto para ele.
Ele voltou rapidamente, me estendendo o copo de café sorrindo. Peguei agradecida.
– Obrigada. Te pago depois, a carteira tá no fundo da mochila... – Falei, mas ele me interrompeu.
– Nada de me pagar. Comprei o café pra você porque eu quis ser gentil. E é isso que amigos fazem. Além do mais, duas libras não vão fazer muita diferença na minha vida, sinceramente. – Ele falou, e eu concordei, não querendo discutir, já que o clima entre nós dois estava bom demais nas últimas duas semanas.
Bebi um gole do café e me senti instantaneamente aliviada. Cafeína é uma das melhores coisas da vida. Simples assim. Me deixei levar pela sensação boa que me atingiu juntamente com a bebida que era um dos meus maiores vícios, e deitei a cabeça no ombro de Colin, sem pensar direito no que estava fazendo. Porém, quando me dei conta do deslize, não tive nem a chance de tentar voltar a minha posição inicial, uma vez que ele passou o braço novamente por meus ombros, parecendo confortável com nossa posição. E eu vou admitir, eu também estava confortável. Confortável até demais.
Não muito tempo depois, nosso voo foi anunciado. Levantei minha cabeça do ombro de Colin, pegando minha mochila e colocando apenas uma das alças no ombro. Colin fez o mesmo com a mochila que carregava. Terminei meu café e fui até o lixo mais próximo me desfazer do copo, enquanto Colin já entrava na extensa fila para embarque. Peguei meus documentos e fui até Colin, que me olhava de forma tranquila. Conforme esperávamos nossa vez de apresentar as passagens e os documentos, ele colocou o braço em volta da minha cintura, e eu não resisti a apoiar minha cabeça no ombro dele. Ele não pareceu se importar, e desde hoje quando voltamos do Starbucks e tivemos aquele pequeno momento estranho na frente de casa, eu me sentia estranhamente confortável ficando assim com ele. Ouvi umas senhorinhas que estavam atrás da gente comentar algo como “que casal lindo” e “queria voltar a minha juventude e aproveitar momentos como esse”. Normalmente comentários como aquele me irritariam, e normalmente me fariam me afastar de Colin na velocidade da luz, por causa das interpretações errôneas que as pessoas estavam tendo. Mas como hoje, e em geral nos últimos dias, nada tem sido normal, não me senti incomodada pelos comentários. Na verdade eles apenas fizeram com que eu deitasse ainda mais a cabeça no ombro dele, que me olhou um pouco surpreso, mas sorriu, não protestando e voltando sua atenção para a frente. Logo a aeromoça que estava checando as passagens e os documentos nos chamou, e Colin entregou tudo o que era necessário para ela, enquanto sorria para mim. Assim que a aeromoça confirmou que tudo estava certo, seguimos pelo corredor que nos levaria ao avião, e então à Bristol. E agora oficialmente, começava a minha vida de universitária. Ou pelo menos, parte dela.
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O táxi parou em frente a um edifício de vinte e sete andares branco e com alguns detalhes em vermelho e marrom. Meu novo lar por sabe-se Deus quanto tempo. Sorri, reparando em como a fachada e a estrutura do prédio eram bonitas, e pensando que seria muito agradável morar ali, ao menos.
Desci do táxi, caminhando até a entrada do prédio e admirando tudo ali. Tudo para mim era muito novo, muito incrível, muito lindo. E acho que essa sensação de que tudo seria perfeito demoraria um pouco para sumir. Ou talvez nem sumisse, quem sabe.
Assim que colocamos os pés no aeroporto, liguei para minha mãe enquanto Colin pegava as malas, tanto as dele, quanto as minhas. Eu havia trazido apenas uma mala, com a roupa necessária para passar a semana, até que as caixas com a minha mudança chegassem. Depois de tranquilizar minha mãe e falar que estava tudo muito bem, obrigada, liguei para tia Diane, mesmo sem Colin pedir, e após conversar um pouco com ela, passei o celular para Colin, que já havia pego nossas malas e empurrava o carrinho até a saída da sala de desembarque.
Depois de ele passar uns bons minutos falando com a mãe dele, ele me devolveu o celular e eu mandei uma mensagem para Mari, que foi respondida no mesmo segundo. Passamos todo o trajeto de táxi do aeroporto até o prédio conversando, até que ela parou de me responder porque Jamie, o cara do resort, estava ligando.
Pude ouvir Colin agradecendo o taxista atrás de mim, e fechando o porta malas. Alguns segundos depois, ele estava atrás de mim. Com dó dele, peguei minha mala, que não era nada leve, para ajuda-lo a entrar no prédio. Seguimos até o elevador em silêncio, e aguardamos até que ele nos levasse ao décimo quarto andar. Cada andar do edifício contava apenas com dois apartamentos, o que indicava que os apartamentos eram bons e espaçosos. Colin parou em frente a porta que indicava o apartamento 1402, e retirou uma chave do bolso traseiro do jeans. Ele destrancou a porta e sinalizou para que eu entrasse na frente. Dei alguns passos, puxando minha mala incrivelmente pesada comigo, e parando no meio do hall de entrada, onde deixei a mala, e comecei a olhar em volta, analisando o ambiente. Ouvi Colin trancar a porta e jogar as chaves em cima de um aparador que havia ali. Ele largou a mala ao lado da minha e parou ao meu lado. Eu continuei encarando o ambiente, abobada. Ele me olhou com expectativa. Alguns minutos depois, virei-me para ele.
– E então? – Ele perguntou, esperando que eu dissesse o que achei do apartamento. Seus olhos brilhavam de expectativa. – Sei que não é muita coisa, é pequeno porque só eu morava aqui até então, e eu quase não fico em casa, mas...
Sorri para ele.
– Não é muita coisa, Colin? Cara, isso aqui é perfeito. Melhor do que eu podia ter sonhado na minha vida. E pensar que eu ia trocar Bristol pra estudar na Virgínia, nos Estados Unidos, e morar em um dormitório apertado, que ia ser dividido com alguma garota que eu não conhecia. – Falei, ainda admirada. Ele sorriu.
– Tudo pra se livrar de mim, em? Porque se sujeitar a mudar de continente só pra não ter que ver minha cara... – Ele falou, sorrindo, mas eu percebi que isso era uma coisa que incomodava ele, por algum motivo que eu não conseguia identificar.
– Isso é passado agora. Somos amigos, lembra? E eu não podia pedir um colega de apartamento melhor do que você. Afinal, apesar da gente não ir totalmente com a cara um do outro ainda, nós nos conhecemos desde que nascemos, então... – Falei, e ele concordou sorrindo. Olhei a sala mais um pouco, e avistei a cozinha, mas dei apenas uma olhada rápida nela, porque no segundo seguinte percebi que Colin puxava minha mala em direção a um pequeno corredor. Fui atrás dele. Ele parou em frente a uma porta branca com um trinco dourado, e a abriu. Apontou para dentro, sinalizando que eu entrasse.
– Seus reais aposentos, milady. – Ele falou, fazendo graça. Eu ri, enquanto entrava no quarto e ficava maravilhada.
– Pensei que você tinha dito que só tinha desocupado o quarto e me arrumado uma cama. Não pensei que decoração estivesse inclusa. – Falei. Ele sorriu sem jeito.
– Bem, não estava. Mas minha mãe, você sabe, gosta muito de você. E resolveu que você devia ter um quarto decente, então ela mandou uma arquiteta decoradora aqui enquanto eu estava fora. Ela me contou tudo e perguntou se estava tudo bem, e eu concordei, porque de verdade, eu acho que você merecia uma coisa melhor do que o que eu tinha pronto aqui. Mas só vi o resultado agora, e olha, ficou muito bom. – Ele falou, e eu concordei.
Andei até a janela e abri a persiana, admirando a vista maravilhosa e iluminada que eu tinha da cidade. Já passava das onze da noite, mas ainda assim muitas casas e postes ainda estavam acesos. Escutei Colin arrastar a mala para o centro do quarto, e a deixar lá. Virei-me para ele quando ouvi ele se distanciar. Ele parou na porta e me olhou sorrindo.
– Imagino que você deve estar muito cansada e desejando uma cama e uma boa noite de sono agora. Bom, pelo menos é assim que estou me sentindo. – Ele falou – Vou até a cozinha tomar um copo de leite, é meio que um vício meu pra dormir, e depois vou pro meu quarto. Pode ficar à vontade, afinal agora a casa é sua também. Ah e o banheiro é todo seu hoje. Pode colocar suas coisas onde quiser, deixei o armário maior todo pra você, porque sei que mulheres tem muitos trecos de beleza e precisam de espaço e tudo mais.
Concordei com a cabeça, e ele sorriu mais uma vez, se desencostando do batente da porta. Me aproximei dele, sorrindo também.
– Muito obrigada por tudo. Sério mesmo, você vem sendo maravilhoso, e um ótimo amigo, e eu nunca imaginei que eu fosse dizer isso na vida, mas é verdade. – Falei, e o sorriso tordo e discreto brincou por seus lábios. – Espero que a gente continue assim e que a convivência diária não faça a gente voltar a se odiar e a brigar vinte e quatro horas por dia. Porque sério, eu prefiro as coisas assim. A vida é muito mais fácil quando não estamos brigando. – Falei, e ele concordou.
– Também espero que continuemos assim. Gostei mais de ter uma Hallie amiga do que uma Hallie arqui-inimiga. – Ele falou brincando, e eu ri. – Se precisar de qualquer coisa, estou no quarto da frente. Não precisa nem bater, é só entrar e dizer o que você precisa. Durmo com a porta destrancada, e não, não me importo de acordar de madrugada pra te ajudar com alguma coisa.
Confirmei com a cabeça, com um olhar agradecido, e me aproximei mais dele, tomada por uma coragem que vinha me sondando desde hoje de manhã, e jogando meus braços em volta de seu pescoço, pedindo por uma braço. Ele prontamente envolveu minha cintura com seus braços fortes. As sensações estranhas estavam de volta, mas tentei não me importar.
– Boa noite, Cols. – Falei, chamando-o pelo apelido que ele tanto gostava provavelmente pela primeira vez na vida. Senti ele sorrir contra meu ombro.
– Boa noite, Hallie.
Me soltei do abraço e assisti enquanto ele puxava a mala para o quarto da frente e fechava a porta, deixando como última visão aquele sorriso torto. Assim que ele fechou a porta de fato, fiz o mesmo, e coloquei a mala em cima da cama. Rapidamente tirei tudo o que havia levado, transferindo para o guarda roupas e deixando tudo em pilhas organizadas e dobradas. As roupas que precisavam ser penduradas em cabides seriam deixadas para amanhã, uma vez que eu estava moída e muito cansada.
Peguei meu pijama, uma troca de roupas íntimas, minha nécessaire e segui para o banheiro, tentando fazer silêncio por não saber se Colin ainda estava acordado. Ele falou que ia tomar leite e depois dormir, mas já que não ouvi a porta do quarto dele abrir nem fechar, presumi que ele estivesse tão cansado quanto eu e tivesse caído no sono antes mesmo de trocar de roupa. Sorri imaginando a cena.
Arrumei minhas coisas rapidamente no armário que Colin havia esvaziado para mim, que realmente era grande e muito bom. Peguei a toalha e pendurei no cabideiro livre, e liguei o chuveiro. A água quente e relaxante caiu sobre meu corpo em um banho rápido. Assim que saí, coloquei meu pijama, fiz minha higiene bucal e voltei para o quarto, morrendo de sono. Prendi os cabelos em um rabo para evitar nós indesejáveis no dia seguinte, e puxei o edredom e o lençol, me deitando na cama. Coloquei meu celular para carregar, e coloquei um despertador para as nove da manhã. Não queria acordar muito cedo, mas sabia que se não programasse o alarme, acordaria depois das três da tarde, e eu tinha um guarda roupas para organizar, o que nunca é tarefa fácil.
Me ajeitei na cama, que era incrivelmente confortável, e apaguei a luz. Após jogar os cobertores sobre meu corpo, virei-me de barriga para baixo, minha posição favorita para dormir, embora fizesse um mal danado para a coluna, e fechei os olhos, respirando fundo e aliviada pelo conforto da minha nova cama. Antes mesmo que me desse conta, eu já estava dormindo.
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