Beautiful Mess
4 Capítulo 3 - Primeiros Passos
Notas iniciais
Capítulo 3 – Primeiros passos.
Observei Colin pegar uma espreguiçadeira próxima a que eu estava, posicioná-la ao meu lado e se deitar. Baixei os óculos escuros para encará-lo.
– Estamos em um resort enorme, repleto de piscinas e outras coisas muito bacanas pra se fazer, e de todos os lugares em que você poderia estar, você escolhe sentar na espreguiçadeira bem do lado da minha. – Falei, incrédula. Já fazia quatro dias que estávamos no hotel, e todos eles haviam sido maravilhosos por uma única razão: Colin quase não deu as caras ou se aproximou de mim em todos eles. O que foi o paraíso. Mas como já era de se imaginar, minha sorte dura muito pouco, e mais cedo ou mais tarde ele ia dar as caras. Isso já era fato.
Ele me olhou de um jeito estranho. O que não era surpresa nenhuma, já que bem, o Colin era estranho.
– Achei que você ia ficar feliz por eu ter te dado nossos quatro primeiros dias aqui totalmente de folga da minha maravilhosa e humilde pessoa. – Ele falou – Acho que nunca vou entender você.
Subi meus óculos novamente, fechei os olhos e voltei a minha tentativa provavelmente falha de me bronzear. Era mais provável que no final do dia eu estivesse mais vermelha do que um camarão, e menos bronzeada do que eu já fui em toda a minha vida. Eu simplesmente odeio ser branquela.
– Nenhum tempo longe de você jamais será o suficiente. Não enquanto você continuar aparecendo pra estragar a minha alegria. – Falei, depois suspirei – Talvez o dia em que você morrer e eu não tiver que te ver pelo resto da minha existência, eu fique feliz.
Ele se fingiu de ofendido.
– Seus pais nunca te falaram que desejar a morte alheia é pecado? – Falou, enquanto levava as mãos ao peito descoberto e repleto de tatuagens.
Dei um sorriso irônico.
– Não é como se você também não desejasse a minha morte a cada segundo que passa. – Falei, e ele claramente ficou sem resposta para aquilo. Hallie wins!
Ficamos em silêncio por alguns minutos, o que me pareceu o paraíso. Mas meu fardo eterno não sabe ficar de boca fechada por mais de dez minutos, e é claro que ele tinha que tentar puxar assunto.
– A Mari não veio? Porque sério, eu não esbarrei com ela nenhuma vez desde que nós chegamos. Vi os pais dela andando com os nossos pais por aí, mas nada dela.
– Óbvio que ela veio Colin. Você conhece a Mariana o suficientemente bem pra saber que ela não é do tipo que perde viagens como essa. E também conhece ela bem o suficiente pra saber que ela aproveita as viagens melhor do que qualquer um de nós, e assim sabe muito bem que assim que ela pisou aqui ela achou um cara bonito e me trocou pra dar umas voltas e passar todos os dias com ele. – Falei, com uma pontada de ciúme na voz. Mas eu não podia culpar minha amiga por me abandonar. Ela era assim desde que éramos crianças. Não ia ser agora que ela ia mudar.
Colin me olhou incrédulo.
– Mas já? Cara, a cada ano que passa ela fica mais rápida. Antes demorava pelo menos dois dias pra ela chegar no cara. – Eu ri da reação dele.
– Se você passasse um terço do tempo que eu passo com a Mariana, saberia que ela passou da fase de esperar dois dias a muito tempo.
Fiz questão de virar para o outro lado e dar nossa conversa como encerrada. Eu sabia que ele não ia sair tão cedo dali, mas se eu desempenhasse meu plano de sempre de ‘finja que o Colin não está aqui’, ele também ia desempenhar o dele de ‘finja que a Hallie não está aqui’, e todos sairíamos felizes.
Reparei em um grupo de caras muito bonitos que estavam sentados juntos em uma mesa há algumas mesas da minha espreguiçadeira. E quando eu digo muito bonitos, eu quero dizer extraordinariamente bonitos, com corpos que deviam pertencer a deuses gregos, cabelos que eu desejava desesperadamente passar as mãos, e eu nem vou comentar sobre olhos, bocas e afins. Baixei os óculos, a fim de conseguir uma visão melhor, e me virei um pouquinho na espreguiçadeira. Tentativa de fazer uma pose sexy. Eu só esperava que a tentativa não fosse falha.
Acho que fiquei secando os garotos por pelo menos meia hora. Um deles, loiro de olhos verdes e barriga completamente trincada, pareceu perceber que eu não desviava o olhar por nada no mundo, e depois de trocar algumas palavras com o cara de cabelos pretos sentado ao lado dele, sorriu para mim. Olhei para trás apenas para checar se não havia nenhuma outra garota para quem ele pudesse estar dirigindo aquele sorriso, e tudo o que enxerguei foi Colin largado na espreguiçadeira, de olhos fechados, e com fones no ouvido. Ótimo, o cara realmente estava sorrindo para mim.
Sentei um pouco mais reta na cadeira, e peguei a revista que havia levado para a piscina comigo e que já tinha lido pelo menos três vezes, mas me coloquei a ler novamente, apenas para parecer que não, eu não estava descaradamente babando por aquele cara e imaginando todas as coisas que poderia fazer com ele entre quatro paredes.
Como toda garota sensata, tirei os óculos escuros para realizar minha ‘leitura’, e de vez em quanto, virava o rosto na direção dos garotos, e o loirinho estava lá, sempre sorrindo para mim, e me encarando de um jeito que me dava arrepios. Parece que essa viagem não ia ser uma bosta total, no final das contas.
O garoto virou para outro dos amigos e falou alguma coisa no ouvido dele, que sorriu e confirmou com a cabeça, olhando em minha direção. E então o loiro se levantou, e começou a caminhar em minha direção. Comecei a tentar esconder o sorriso vitorioso que já começava a surgir em meus lábios, e fechando a revista, me sentei na espreguiçadeira de maneira nada sugestiva.
E quando o loiro totalmente gato que com toda certeza habitaria meus sonhos essa noite estava quase na minha espreguiçadeira, senti uma mão muito gelada em contraste com a pele quente do meu braço, o que me fez virar um pouco assustada.
Colin havia arrancado os fones e guardado eles e o celular no bolso da bermuda. Sua camisa estava jogada sobre seu ombro, e ele esfregava o ombro com uma expressão de desgosto.
– Vem, vamos cair fora. – Ele falou, se levantando da espreguiçadeira e me puxando junto, consequentemente, já que suas mãos um pouco mais fortes do que a minha estava segurando firme no meu braço. – Já estou começando a queimar nos ombros, e isso nunca é bom para quem tem tatuagens no ombro e no braço inteiro. Ainda mais quando foram feitas há apenas duas semanas.
Olhei para ele com o maxilar trincado. Ele tinha um talento sobrenatural para interromper meus momentos de quase sucesso na vida, incrível.
– Passa um protetor no seu precioso ombro, senta aí e fica quieto. Ou então cai fora você sozinho. Por que eu iria junto com você, de qualquer maneira? – Falei, tentando soltar meu braço do aperto dele. Sem sucesso, é claro.
– Eu já passei protetor Hallie. – Ele falou, revirando os olhos. – Vamos, cansei de ficar aqui. Esse resort é gigante, e com certeza tem muitas coisas mais legais pra se fazer do que ficar na ponta da piscina tentando pegar uma cor quando nós dois sabemos que você só vai ficar parecendo um pimentão.
Olhei para ele com raiva.
– Olha, até onde eu sei eu não nasci grudada com você, e não preciso ir onde você vai. Quer se aventurar pelo resort e ver as coisas legais que tem por aqui? Vá em frente. Só não tenta me arrastar com você. Tenho coisas mais importantes pra fazer aqui. Apesar de você não ser sortudo quando se trata de mulheres caindo aos seus pés nas viagens, a minha situação é um pouco diferente. – Falei, conseguindo soltar o braço do aperto dele . – Agora, se me dá licença.
Me preparei para me virar para o garoto loiro gato pra caralho, mas é claro que Colin me impediu novamente. Eu estava me perguntando se o cara teria parado de andar até mim e voltado a sua mesa, ou se ele estava só esperando o Colin sumir da minha frente para se aproximar. Porque ele ainda não havia aparecido e bem, a mesa dele é bem perto para estar demorando tanto.
– Ta falando de quem? Do garoto loiro que estava vindo na sua direção, mas que assim que viu que você estava acompanhada por mim, parou pra falar com uma loira gostosa e siliconada que acabou de sair da piscina? – Perguntou ele, segurando o riso, e eu virei incrédula, apenas para me deparar com o meu cara loiro dos olhos verdes, aparentemente nada meu, conversando com uma loira tingida (e muito mal tingida por sinal), enquanto olhava diretamente para os seios incrivelmente grandes e falsos dela.
Bufei com raiva, enquanto me virava para Colin novamente.
– Você e sua mania de dar as caras justamente quando não deveria. – Falei, com raiva transbordando nas palavras, enquanto Colin desistia de segurar o riso e caía na gargalhada.
– Acho que agora você não tem mais ‘motivos muito importantes’ pra ficar aqui né? Então vamos. Conheço uns lugares legais por aqui onde a gente pode ir. – Ele falou, enquanto já saía andando, mas eu permaneci parada no lugar, disposta a não dar o braço a torcer. O loirinho podia ter se engraçado com a outra musa da piscina, mas ainda haviam quatro caras ainda mais bonitos que ele na mesa dele, que com certeza tinham me notado. Era só questão de ser um pouco mais cara de pau e encarar descaradamente um deles por mais um tempo até outro deles resolver vir falar comigo.
– Já falei que não vou a lugar nenhum com você.
Ele suspirou, parando e olhando para mim.
– Ah, por favor. Você não vai esperar mesmo que um dos amigos dele venha falar com você né? Você não é a Mariana, você não atrai a atenção de mais de um cara no mesmo dia, sequer na mesma semana. – Ele falou, e eu olhei para ele de boca aberta. Ele me chamou de feia, ou é impressão minha. – Além do mais, eu acho que você sabe que entre todos os caras existe aquela questão de código de amizade, certo? Não importa se o loirinho ali chegou em você ou não, ele se interessou, e isso é motivo para os outros manterem distância de você.
Ele falou, e eu sabia que ele estava certo. Ainda assim não queria sair dali com ele, apenas pelo fato de ser o Colin, e também agora pelo fato dele ter me chamado de feia e incapacitada de conseguir um cara decente bem na cara dura. Raiva borbulhava dentro de mim. Eu tinha esquecido por um momento sobre o quanto eu odiava o Colin. Mas nesse momento eu me lembrei com muita clareza do sentimento.
– Pra onde você vai? Porque sério, é impossível ter algum lugar mais legal que a piscina por aqui. – Falei, começando a ceder. Ele sorriu.
– Eu descobri alguns lugares interessantes por aqui ontem enquanto andava sem rumo e sozinho. Vamos pra algum deles. Tenho certeza de que você vai gostar. – Ele falou, se aproximando mais de mim. – Além do mais, qualquer lugar é mais legal do que a piscina, tanto pra mim quando pra você. Porque admita, você odeia água de piscina tanto quanto eu. Ambos sabemos o estrago que faz com o cabelo.
Ele estava certo. Ainda assim como a teimosa que sou, resolvi não ceder tão facilmente.
– Me diz primeiro onde é que a gente vai, e aí eu vejo se vou com você ou não. – Falei.
– Você confia em mim, Hallie? – Ele falou, de repente, ignorando totalmente meu pedido. Olhei para ele como se ele fosse louco.
– Você tem algum tipo de problema mental? – Perguntei – Alguma vez na sua vida você me deu motivo pra confiar em você?
Ele sorriu.
– Nunca te dei motivos pra confiar em mim, mas eu sei que você confia. Afinal, querendo ou não nós crescemos juntos. E pra falar a verdade, pouco me importa se você confia em mim ou não, o que importa é que você vai vir comigo e nós vamos fazer alguma coisa legal, que não seja ficar na beirada da piscina. Trégua, lembra? – Ele falou, e eu me dei por vencida, descruzando os braços. – De qualquer maneira, você sabe que eu não te levaria pra um lugar horrível, né? Afinal, eu vou estar junto e tal...
– Nunca se pode ter certeza quando se trata de você, amorzinho. – Falei, enquanto pegava minha camiseta e meu celular na mesa, e colocava os óculos escuros novamente. Ele pareceu pensar por um momento, mas depois sorriu novamente.
– É você tem razão. Nunca se pode ter certeza quando se trata de mim. – Ele falou, se aproximando de mim ainda mais. – Agora chega de enrolação e vamos logo. Tenho certeza de que minhas costas já estão queimadas.
E me puxando pela mão, ele saiu rumo a qualquer lugar que eu não conhecia. E tudo o que eu pude fazer foi seguir ele. Afinal, eu tinha algo melhor pra fazer ali? Acho que não.
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Parei e soltei minha mão da de Colin antes que ele pudesse entrar no ‘lugar maravilhoso’ que havia descoberto. Coloquei as mãos na cintura, e esperei que ele me falasse que estava zuando, e depois começasse a me puxar novamente pela mão, me levando a um lugar que fosse legal de verdade.
Mas tudo o que ele fez foi parar também, em frente ao portão, e me olhar com cara de ‘você não vai entrar?’.
– Você tem que estar brincando comigo. – Falei, descrente. Ele me olhou como quem não entendeu.
– Algum problema?
– Sítio do Vovô Bartolomeu. Sério mesmo, Colin? Mesmo? – Perguntei, encarando a enorme placa no portão de madeira rústica que indicava o nome do local em letras cursivas e brancas completamente alegres, e que ainda por cima tinha o desenho de um velhinho muito simpático. Que presumo eu, era o vovô Bartolomeu.
– O que foi, você tem algum preconceito com sítios? Porque eu simplesmente amo sítios. Você não imagina a minha alegria quando eu descobri isso aqui ontem. E assim que eu vi esse lugar, eu pensei: Tenho que trazer a Hallie aqui. – Ele falou, com um brilho nos olhos.
– Por que diabos você ia querer me trazer aqui? – Falei, e ele me olhou com uma expressão suave.
– Por causa da nossa trégua. Não sei quanto a você, mas eu realmente estou tentando. Fiquei longe de você nos últimos quatro dias pra poder esfriar a cabeça e me preparar psicologicamente para não te estrangular no tempo que passássemos juntos. E até agora parece estar funcionando bem. Mas se nós realmente queremos acabar com um pouco do ódio que existe aqui e agir civilizadamente, a gente precisa passar mais tempo junto. – Ele falou, entrando no sítio, e eu o segui.
Ok, ele não podia estar falando sério.
– Você tava falando sério? Quando propôs a trégua? – Perguntei, enquanto andávamos por uma rampa de terra que levava até as plantações das mais diversas coisas – Porque sei lá, achei que você estivesse falando só de momento.
– Claro que eu estava falando sério. Não sei se você já esqueceu, mas a gente vai morar junto por sabe Deus quanto tempo. O mínimo que eu posso tentar fazer é parar de querer te estrangular a cada palavra que você diz. Mas isso só vai funcionar se você também tentar. – Ele falou, com a expressão séria por um momento.
Analisei seus traços, em busca de qualquer coisa que me mostrasse que ele estava brincando. E bem, ele não estava brincando. Suspirei.
– Então é isso? Você quer que do dia pra noite, dezoito anos de convivência depois, nós viremos amigos? Assim, do nada? – Falei, e ele negou.
– Não precisamos virar os melhores amigos do mundo. Até porque tanto eu, quanto você sabemos que isso não vai acontecer. Querendo ou não, você vai continuar não se dando muito comigo, e eu não me dando muito com você. Mas se essa trégua funcionar, e a gente aprender a pelo menos se aturar, pra não nos matarmos na primeira noite em que dividirmos o apartamento, acho que já serve de alguma coisa. – Falou ele, e eu dei de ombros, concordando.
– Se você tá dizendo...
Continuamos descendo pela rampa, e paramos perto de uma plantação de uma flor azul muito bonita, e com um cheiro muito bom. Sentei ao lado dela, e fiquei por um tempo admirando. Colin sumiu da minha vista, mas eu não dei muita importância a isso. Alguns minutos depois, porém, ele se juntou a mim.
– Bonito aqui né, fala a verdade. – Ele falou, e eu fui obrigada a admitir.
– Vamos dizer que eu não esperava flores bonitas em um sítio.
– E o que você esperava em um sítio? – Ele perguntou sorrindo, com um ar divertido.
Não, aquele não era o Colin. O Colin nunca sorri pra mim, a não ser que seja de forma sarcástica, muito menos me faz perguntas sem segundas intenções. Acho que ele realmente estava entrando na onda da trégua.
– Não sei... Pra falar a verdade eu nunca fui a um sítio. – Falei, dando de ombros e pegando uma das flores, enquanto brincava com suas pétalas.
Ele me olhou surpreso.
– Tá brincando? – Ele perguntou, e eu neguei com a cabeça. – Cara, eu praticamente passei os momentos da minha infância em que não estava com você e com a sua família em sítios. Pode-se dizer que fui criado em sítios. – Ele falou, e eu olhei surpresa – Meu avô mora em um. – Ele justificou.
Acenei com a cabeça positivamente.
– Não que eu tenha tido vontade de estar em um sítio alguma vez na vida. Na verdade eu sou uma pessoa bem urbana. E não curto animais grandes. Então sempre me senti muito bem visitando minha avó em Nova York. Que sabe, é bem industrializado. – Falei, e ele riu.
– Claro. Eu já fui na casa da sua avó com você, lembra? Quando você tinha sete anos e eu nove, e meus pais precisaram ir para a Itália porque a irmã do meu pai ia operar? – Ele falou, e eu vasculhei minha memória em busca de lembranças. Encontrei uma de duas crianças brincando alegremente pelo Central Park. Sorrindo, gritando e pulando, e tão civilizadas que por um momento pensei que não pudesse ser eu e Colin. Mas era.
– Eu lembro... Vagamente mas lembro. Acho que foi a única viagem que eu e você não brigamos.
– Na verdade, a gente brincou bastante naquele verão. Acho que eu até que passei a te odiar um pouco menos naquela viagem. Mas depois a gente voltou, pra Londres, e a vida voltou ao normal. – Falou ele, e eu concordei.
– Vamos encarar a realidade, podemos ser civilizados quando estamos em viagens. Tipo agora, estamos sendo civilizados e não estamos nos xingando a cada cinco segundos enquanto conversamos. – Falei. – Mas assim que voltamos para a vida real, tudo volta ao normal. Acho que a falta de rotina te torna um pouco mais suportável.
Ele riu.
– Digo o mesmo pra você. Só espero que isso mude quando formos morar juntos. To falando sério quando digo que não quero destruir meu apartamento no primeiro segundo que estiver dividindo ele com você. – Ele falou.
– Eu também não quero. Porque sabe, eu preciso de um lugar decente pra morar enquanto estudo. – Falei. – O que me faz lembrar, seu apartamento é um lugar decente? Habitável pelo menos? Eu vou conseguir ver o chão quando eu colocar os pés lá? Ou vou ter que me preocupar em ser abduzida pelas suas roupas sujas e jogadas pela casa durante a noite?
Ele gargalhou com o último comentário, jogando a cabeça para trás de uma forma um pouco extravagante. Sim, isso era um traço do Colin que eu conhecia. Na verdade essa risada escandalosa era a marca registrada dele.
– Fica tranquila, o lugar é bem habitável. Eu não curto bagunça. – Ele falou. – Além do mais, se existir alguma bagunça da minha parte, ela vai estar amontoada no canto do meu quarto. Lugar que você não vai precisar entrar, se Deus quiser.
– Você já arrumou um quarto pra mim? – Perguntei. Ele confirmou com a cabeça.
– Tirei tudo dele antes de vir pra Londres. Eu usava pra guardar alguns livros e caixas que eu ainda não tinha desembalado. Isso serviu meio que de incentivo pra eu desempacotar tudo de vez. Agora você tem um quarto lindo e limpo, apenas a sua espera. – Falou ele.
– Ótimo. – Falei, mais aliviada por saber que não teria que desentulhar um quarto para que eu tivesse onde dormir.
– Só uma coisa: Tem apenas um banheiro no apartamento. Então vamos ter que dividir. – Ele falou, e eu apenas confirmei. Aquilo era o de menos.
– Contanto que você não seja o tipo de cara nojento, que deixa a tampa do vaso levantada, e cuecas jogadas pelo banheiro, tá tudo bem. – Falei, e ele riu, levantando as mãos.
– Não prometo nada. –Ele falou, e eu revirei os olhos, mas sorri.
Ele se levantou, estendendo a mão para que eu me levantasse também. Agarrei a mão dele agradecida, enquanto me levantava do chão e logo depois a soltei, me colocando a tirar a terra que tinha ficado amontoada em meu shorts.
– Vai me levar a algum outro lugar incrivelmente legal que você descobriu ontem? – Perguntei, vendo que ele começava a andar, e me coloquei a segui-lo. Ele confirmou com a cabeça.
– Vou. Mas é bem pertinho esse. Não precisaremos andar tanto... Na verdade é aqui dentro do sítio. Você falou que nunca tinha vindo a um sítio... Vou te levar pra fazer um tour completo. Com direito a ver os animais e se você se comportar, tirar leite da vaca. – Ele falou, e eu senti meu estômago revirar diante da proposta de tirar leite da vaca.
– Isso é permitido? – Perguntei, com uma expressão claramente de nojo, enquanto me colocava a andar ao lado dele. Ele riu novamente.
– Claro que é. Eles tem até uma área aberta para os hóspedes tirarem leite. E confie em mim, é muito legal. E pode tirar essa cara de nojo, porque não tem nada de nojento em tirar leite da vaca. Sem falar que é o melhor leite. Sai até quentinho... – Ele falou, e minha cara de nojo apenas piorou. O que o fez rir mais. – Ah, vamos Hallie. Você confiou em mim uma vez hoje, e eu te trouxe aqui. E você gostou. É só manter a confiança, que você vai se divertir pra caramba. E quem sabe no final do dia eu goste um pouquinho mais de você.
Ele falou, sorrindo e continuando a andar, e eu revirei os olhos, me esforçando para acompanhar o ritmo dele.
– Acho que estou me arrependendo de ter confiado em você. Falo sério. – Falei, enquanto corria para alcança-lo, já que tinha ficado um pouco para trás. Ele soltou mais uma risada escandalosa diante do comentário. Mas resolvi não me importar.
Continuei seguindo Colin para onde quer que ele estivesse me levando. Não podia ser tão ruim no final das contas, podia? Talvez fosse até um pouco divertido. Quem sabe...
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