Beautiful Mess

3 Capítulo 2 - Tentando ser civilizados


Notas iniciais
Oi gente :3 Primeiro de tudo queria agradecer aos cinco reviews que recebi no capítulo anterior. Nunca imaginei isso, nem nos meus melhores sonhos. Obrigada de verdade galera, vocês são lindos! Segundo queria dar um agradecimento especial ao Israel, meu amigo lindo e maravilhoso que favoritou a fic (P.S - Ele tem umas fics maravilhosas, quem quiser vale a pena olhar), e também a Lialilica, que favoritou também. Obrigada seus lindos. Sem mais enrolação, aqui o capítulo. Fiquei tão feliz com os comentários de vocês e com o incentivo que recebi, que caprichei bastante nele. Ficou grande, como a maioria das pessoas falou que gosta! Espero que vocês curtam. - Boa leitura.

Capítulo 2 — Tentando ser civilizados.

Fui acordada repentinamente pelo despertador, que tocava Locked Out of Heaven, a música da vez, no último volume. Bati a mão no aparelho que insistia em perturbar o meu sono, e virei para o lado bufando. Pra que programar o despertador para as sete da manhã, quando eu não tenho mais aula? É um desperdício.

É claro que naquele dia, porém, o despertador estava ligado por um motivo especial: Estávamos saindo de viagem para um resort em uma cidadezinha perto de Londres. Como em todas as férias.

Derrotada, levantei da cama e fui em direção ao guarda-roupa. Tirei de lá um shorts jeans meio rasgado, uma camiseta baby look branca com uma frase qualquer estampando, e uma troca de roupa íntima, logo depois seguindo para o banheiro. Tomei um banho consideravelmente rápido, me arrumei e fui arrumar o quarto, antes de descer para tomar café, e finalmente poder sair rumo ao hotel.

Encontrei meus pais já colocando a louça na pia. Como sempre, eu era a mais atrasada da família. Não que eu ligasse pra isso. Sério mesmo, eu não dava a mínima.

– Bom dia, passarinho. – Falou papai, enquanto voltava e se sentava na cadeira de frente para a minha, abrindo o jornal do dia para sua leitura sagrada. Sorri para ele, enquanto colocava o leite em minha caneca de vaquinha.

– Bom dia papai.

– Já está com as malas prontas? Anne ligou hoje para avisar que o hotel mandou um e-mail para ela dizendo que podemos entrar mais cedo... Antes do almoço. Então logo estaremos saindo de casa. – Falou minha mãe, secando as mãos em um pano de prato e passando a colocar as louças recém-lavadas na secadora.

Confirmei com a cabeça, enquanto bebia um gole do meu leite. Esse era o meu único café da manhã. Eu realmente não curtia comer demais logo que acordava.

– Tudo pronto. É só avisar quando querem sair que eu subo e pego minhas coisas. – Falei.

– Você já terminou o café? – Meu pai perguntou, de repente, e eu confirmei com a cabeça – Então pode subir e pegar suas coisas, porque já vamos sair.

Concordei, enquanto levantava e levava a caneca vazia até a pia, e depois subia como um raio até meu quarto. Peguei a pequena mala que continha apenas o necessário para se passar uma semana no resort, meu celular, carregadores, notebook e óculos de sol. Peguei também uma bolsa qualquer no armário, a primeira que encontrei, apenas para colocar essas coisas que eu utilizaria mais. Depois fui até a penteadeira e dei um último toque nos meus cabelos, que estavam de um preto brilhante e bonito hoje, e finalmente deixei o quarto.

Quando cheguei lá em baixo meus pais já estavam na porta de entrada, com cara de que estavam apenas me esperando para finalmente irmos. Caminhei até eles, arrastando minha mala, e assim que cheguei perto do meu pai ele tirou minha bagagem da minha mão, descendo rapidamente os três degraus da entrada de casa e caminhando em direção ao carro.

Fechei a porta e a tranquei, já que a única pessoa que tinha sobrado para fazer isso tinha sido eu, porque mamãe já estava lá em baixo conversando com tia Diane, e papai estava ajeitando o carro. Desci as escadas, indo me juntar às duas.

Já havia se passado uma semana desde a formatura. E essa semana se resumiu a minha pessoa aproveitando os dias da melhor maneira possível: dormindo o quanto eu pudesse.

Graças ao bom Deus, eu não vi nem a sombra do Colin durante aqueles sete dias. O que foi um milagre, porque os pais dele moravam a duas casas da minha. É, como se todo o resto já não bastasse, eu e ele éramos vizinhos. Uma desgraça, eu sei.

Enquanto minha mãe e a mãe de Colin conversavam, peguei meu celular na bolsa e comecei a conversar com a Mari por whatsapp. Ela ia viajar com a gente, assim como os pais dela, e eu ia vê-la daqui a alguns minutos, mas não importava. Nós conversávamos pelo celular do mesmo jeito.

Começamos a falar sobre qualquer coisa, apenas jogando conversa fora, e eu perdi o rumo de qualquer coisa que estivesse acontecendo em volta de mim. Alguns minutos depois, porém, alguém tinha que vir perturbar a minha paz. Alguém que eu estava dando graças a Deus por não ter visto desde a formatura. Mas como nem tudo é perfeito é óbvio que Colin ia dar as caras, mais cedo ou mais tarde. Afinal, ele ia viajar com a gente também.

– Bom dia, passarinho. – Falou ele, passando por mim rapidamente enquanto carregava uma mala grande demais em direção a um carro que eu nunca tinha visto na vida. Será que era dele?

– Bom dia. – Falei enquanto observava Colin abrir o porta-malas do carro em questão, colocar aquele monstro que ele chamava de mala lá dentro, e voltar, se depositando ao meu lado. – Você vai se mudar para o resort, por acaso?

Ele revirou os olhos, enquanto pegava o óculos de sol que estava no colarinho da camisa e os colocava.

– Ta querendo dizer o que com isso? – Perguntou, seco como sempre. Dei de ombros.

– Sei lá, pelo tamanho da sua mala achei que você estava de mudança. Por um momento cheguei a ficar feliz, pensando que eu iria ter um apartamento só pra mim em Bristol, já que você ia morar no hotel. Você estava planejando fazer o que por lá pra sobreviver? Trabalhar de monitor de crianças? Porque até onde eu sei cada diária naquele lugar é bem cara, e você só ia conseguir morar lá se trabalhasse e ganhasse hospedagem de graça. – Falei, imitando-o e pegando meus óculos um pouco grandes demais na bolsa, para logo depois coloca-los.

Colin jogou a cabeça para trás, rindo ironicamente, como sempre. Aquela risada ridícula era sua marca registrada. Revirei os olhos, embora soubesse que ele não podia ver devido aos óculos escuros. Ele se aproximou de mim, passando o braço por meus ombros, fazendo-me encará-lo.

– Como se eu fosse sacrificar minha vida em Bristol pra ficar longe de você. Você anda muito presunçosa, sabia Hallie? – Ele falou, e eu baixei um pouco os óculos, lhe lançando um olhar mortal – Se bem que morar no hotel não seria má ideia. Muitas mulheres gostosas passeando por lá todos os dias, comida boa, sem trabalho para arrumar casa... Seria um paraíso. E pra melhorar, você não estaria lá. Olha que legal.

Trinquei o maxilar, voltando o óculos ao seu lugar e logo depois tirando aquele braço imundo de cima de mim, enquanto me afastava um pouco.

Parei de dar atenção ao ser em minha frente, e voltei a prestar a atenção na conversa de nossas mães. É óbvio que eu não estava entendendo nada do que elas estavam falando, mas ainda assim era melhor do que continuar gastando minha saliva com o Colin.

– Você não acha Hallie? – Minha mãe falou, de repente, me tirando de meus pensamentos. Voltei à atenção para ela.

– Desculpa, acho o quê? – Falei, deixando claro que não havia escutado. Ela sorriu com a maior paciência do mundo.

– A Diane acabou de dizer que a Anne ligou e avisou que a Mari ta passando mal. Acho que ela se entupiu de pasta de amendoim de novo e a alergia atacou então ela está indo ao hospital com a Mari. Falei que passaríamos lá para ver como ela estava, e que a esperaríamos para seguir viagem. Mas não podemos chegar tarde ao hotel se não quisermos perder as reservas. Então Diane falou que o Colin podia ir na frente, para garantir as reservas, enquanto esperamos Anne. Eu falei que seria uma boa ideia você ir com ele. – Minha mãe concluiu, e eu apenas confirmei com a cabeça. Ela me olhou com cara de quem espera uma resposta, e eu me toquei de que ela estava falando sério.

– Ah, claro, por que não? – Falei, e minha mãe sorriu, virando-se novamente para Diane e retomando a conversa. Virei-me para trás, procurando por Colin, e o encontrei encostado no carro que eu não conhecia, girando a chave entre os dedos e sorrindo ironicamente. Revirei os olhos, ajeitando a bolsa nos ombros e indo em direção à ele. Dei um cutucão no seu ombro.

– Vamos logo, antes que eu mude de ideia. – Falei, observando-o sair de perto da porta do passageiro e dar a volta no carro, entrando no banco do motorista logo depois. Larguei minha bolsa no chão do carro, pegando meus fones de ouvido e aumentando o volume do iPod para o máximo, virando a cara para a janela. Ao que parece agora eu tinha três horas de viagem em um carro apertado ao lado do Colin, e o melhor que eu podia fazer era ignorar. Plano que eu já tinha colocado em prática.

##

Já fazia pelo menos uma hora que estávamos na estrada. Colin teve a divina e brilhante ideia de ligar o rádio, em um volume consideravelmente alto, o que nos impedia de estabelecer qualquer conversa não amigável. Não que eu fizesse questão de estabelecer conversas não amigáveis com o Colin.

Me remexi no banco mais uma vez, tentando encontrar uma posição confortável, sem sucesso algum. O vidro do carro estava aberto, e o calor estava insuportável, então apenas por falta do que fazer resolvi colocar um dos braços para fora, e deitar a cabeça no mesmo, deixando-a um pouquinho para fora da janela. Naquele momento me senti confortável pela primeira vez desde que entrei nesse carro. Mas felicidade de pobre dura pouco, e alguns minutos depois um caminhão passou bem do lado da minha janela, perturbando minha paz e quase arrancando minha cabeça fora. Ok, ele não passou nem perto de arrancar minha cabeça fora, porque a distância entre o carro e o caminhão era bem grande. Mas mesmo assim, o barulho ensurdecedor que ele fez de repente, me fez pensar que eu estava partindo dessa pra melhor. Tirei a cabeça da janela como um raio, me sentando um pouco assustada e ereta no banco, com o coração palpitando. Caminhão maldito.

– Ah, por que você não deixou a cabeça na janela Hallie? Seria tão maravilhoso se o caminhão chegasse um pouquinho mais perto do carro, só a ponto de arrancar sua cabeça e jogar longe. Quem sabe assim você morria logo de uma vez e a paz ia reinar na minha vida. – Colin falou, sem desviar os olhos da estrada, mas rindo da minha desgraça. Cruzei os braços irritada, voltando a olhar para a paisagem monótona e repleta de verde que me cercava.

– Não ia te dar essa satisfação tão rápido. Minha função nesse mundo é te atormentar até a morte. – Falei, e ele apenas continuou rindo. Infeliz.

– Acho que eu me dei conta desse seu objetivo medíocre de vida no dia em que botei os olhos em você pela primeira vez. Acredita que eu já não gostei de você desde aquele dia? Minha mãe disse que eu chorei até demais quando cheguei perto de você. Creio que eu devia estar muito assustado. — Falou ele, debochando da minha cara. Outro passatempo favorito do Colin.

– Meus sentimentos quanto a sua pessoa não são diferentes, pode ter certeza. – Falei, enquanto me ajeitava no banco. De novo. Inferno de carro apertado. – Vem cá, você não podia ter escolhido um carro, sei lá, um pouquinho maior não? Porque sério Colin, viajar por três horas nessa coisa que você arrumou é mais do que tortura.

– Há, Há, Há. E você acha que é fácil assim? Chegar a uma concessionária, falar que eu quero um carro esportivo de porte grande, e pagar a mesma coisa que eu paguei nesse aqui? Lógico que não. Não sei se você sabe, mas eu ralo pra conseguir meu próprio dinheiro. E comprar um carro não é fácil meu bem. Então fica quietinha aí e aproveita a carona que eu to te dando até o hotel. – Ele falou, bufando.

– Se eu chegar lá com as pernas dormentes, sem conseguir andar, e precisar de assistência médica, você é que vai me levar até o hospital, e bancar todos os gastos. – Colin riu.

– E porque diabos você acha que eu faria isso? O problema é seu se suas pernas pararem de funcionar por ficar trancada em um carro apertado comigo por três horas, não meu. Não tenho a obrigação de fazer nada, você veio porque quis. – Ele falou, e eu revirei os olhos.

– Vim porque eu quis o caralho. Vim porque sua mãe pediu com toda aquela delicadeza e simpatia dela pra eu vir com você, e você sabe muito bem que eu não sei dizer não pra sua mãe. E o problema não é só meu, é seu também, por ter comprado esse carro apertado demais. Você poderia ter sido pelo menos um pouco inteligente uma vez na vida, e colocado esse cérebro de minhoca pra funcionar, e ter ido lá pedir o carro da sua mãe. E outra, se eu estou falando que se eu chegar lá machucada você vai me levar ao hospital, é porque se eu chegar lá machucada você realmente vai me levar no hospital. E fim de papo. – Falei, e ele soltou uma risadinha irônica, virando-se rapidamente para mim com um sorriso totalmente sacana, e totalmente estilo Colin de ser no rosto.

– E desde quando eu faço o que você me manda, passarinho? – Ele perguntou, e eu me irritei, virando a cara para a janela aberta e sentindo o vento bater no meu rosto, bagunçando meus cabelos, que já não estavam no melhor estado. Wonderful.

Colin voltou a atenção para a estrada, rindo novamente, e aumentando ainda mais o rádio, provavelmente para que parássemos de falar logo de uma vez. Respirei fundo, tentando manter a calma e mandar toda aquela irritação embora, mas estava difícil. Eu tinha absoluta certeza de que esses iriam ser os sete dias mais longos da minha vida. Sem falar que seriam as piores férias do universo.

##

Desci do carro fazendo questão de bater a porta com toda a força que eu possuía. Colin fez uma careta e me olhou com desaprovação.

– Precisa ficar batendo a porta desse jeito, sua sem coração? Se o carro tiver riscado Hallicia... Eu juro que não me responsabilizo pelos meus atos. – Colin falou, dando a volta do banco do motorista até o lado do passageiro para conferir a porta recém fechada. Não dei o mínimo de atenção para o que ele falou, apenas peguei meu celular dentro da bolsa e saí andando em direção à fachada do hotel. Foram três horas de muita tortura dentro daquele carro apertado, com aquelas musicas irritantemente chatas que o Colin escuta, e eu não estava sentindo minhas pernas. Muito menos minha bunda, pelo simples fato de ter ficado sentada aquele tempo todo.

Chequei meu whatsapp e vi que havia mensagens de minha mãe, de tia Anne, tia Diane e é claro, da Mari. Todas diziam a mesma coisa: Saímos do hospital e estamos indo. Não se esqueçam de confirmar as reservas do restante do pessoal.

Passei pela porta giratória e fui atingida pelo vento gostoso do ar condicionado que habitava o saguão. Esperei o Colin surgir atrás de mim com as malas, e seguimos para o balcão para fazer o check-in e confirmar a reserva dos pais da Mari.

– Posso ajuda-los? – Perguntou uma recepcionista japonesa que parecia ser muito simpática. Colin se apressou em me tirar do caminho e lançar aquele sorriso de “sei que sou gostoso e estou seduzindo você” para a moça, que sinceramente, pareceu nem perceber. Babaca.

– Bom dia. Temos reservas, pra sete dias. Alguns amigos nossos estão um pouco atrasados, mas tem reservas também, e pediram para a gente confirma-las. – Ele concluiu, e eu apenas continuei parada ao seu lado. A recepcionista deu um sorriso gentil.

– Tudo bem. Preciso dos nomes de vocês que já estão aqui para fazermos o check-in. Em seguida posso confirmar a reserva dos seus amigos. – Ela falou e Colin confirmou com a cabeça.

– A reserva está no nome dos McDanner.

A japonesa digitou alguma coisa, provavelmente o sobrenome que ele havia acabado de dar, no computador, e depois de alguns cliques com o mouse, virou-se para ele.

– Sr. E Sra. McDanner, está aqui. – Ela falou, analisando alguma coisa e dando mais alguns cliques – Tudo certo. Vou pedir para prepararem o quarto de vocês. Temos uma suíte perfeita para o casal. Vocês preferem uma cama bem grande? Piscina na varanda? Também tem a opção de ofurô em forma de coração. – Ela falou, e naquele momento tanto eu quanto Colin arregalamos os olhos. Jesus Cristo.

– O quê? Você acha que... Não, não. Acho que você entendeu errado. Eu e essa aqui. – Ele apontou dele para mim, em movimentos rápidos e um pouco desesperados – Não somos um casal. Não, Deus me livre. A reserva está no nome dos meus pais. E vamos precisar de um quarto com uma cama de casal e uma de solteiro, por favor. – Ele falou, e a moça deu um sorriso sem graça.

– Perdão. Achei que vocês fossem um casal. – Ela falou, voltando a digitar algo no computador – Vocês meio que combinam.

Senti meu estômago contrair diante daquele comentário. Eu e o Colin, que nojo. Só... Muito, muito nojo.

– Não, não. – Ele respondeu, mesmo sabendo que a moça não tinha pedido explicações – Somos só... Amigos. Isso, somos melhores amigos. Apenas isso. Viemos com os nossos pais e mais um casal de amigos e uma amiga, mas eles tiveram um probleminha e se atrasaram.

A moça confirmou, ainda olhando em dúvida para nós dois. Colin me deu uma cotovelada, e eu percebi que devia reagir. Dei o sorriso mais convincente que consegui e fiz uma cara despreocupada.

– É, eu e esse cabeça oca somos só amigos. Desde que nascemos, pra falar a verdade. Imagine, namorar ele, seria como beijar meu irmão. – Falei, bagunçando os cabelos negros de Colin levemente, enquanto ele forçava uma risada, e a recepcionista dava um sorriso discreto, voltando a atenção ao trabalho.

Assim que ela desviou toda e qualquer atenção de nós dois para ir pegar as chaves do quarto dos pais do Colin, ele levou as mãos ao cabelo, os arrumando fervorosa e desesperadamente. Colin tinha um tique com cabelo. Ele era perfeccionista demais com ele, e desconfio de que o cabelo fosse uma das partes mais importantes da vida dele. Aquele cabelo nunca estava desarrumado, nunca! E quando alguém ameaçava bagunçar, como eu acabei de fazer, o Colin surtava. Não que eu desse atenção aos surtos. Na verdade, eu adorava provocar ele, só pra ver ele ficar louco como uma menininha e ir correndo até o espelho mais próximo para arrumar o cabelo.

Ele me lançou um olhar raivoso, e entre dentes sussurrou um você me paga, passarinho. Ui, que medo Colin. Que medo.

A recepcionista voltou, entregando as chaves a ele, e depois se virando para mim.

– E você? – Perguntou ainda simpática.

– Reserva no nome dos Climber. Quarto com uma cama de casal e uma de solteiro também. – Falei, e ela confirmou, checando as reservas e indo pegar as chaves. Ela me entregou, e depois voltou o olhar para Colin.

– Você falou sobre confirmar as reservas dos seus amigos... Preciso do nome deles. – Ela falou. Mas acho que ele estava muito distraído olhando para uma loira que passava no momento, apenas com um shorts jeans rasgado e extremamente curto, e a parte de cima do biquíni. Homens, são todos iguais. Dei um pisão no pé dele, chamando sua atenção de volta para a moça.

– O quê? Ah, sim, o sobrenome. Se não me engano a reserva está no nome dos Sloan. – Ele falou, e ela checou.

– Anne e John Sloan? – Perguntou, e visto que Colin estava no mundo da lua de novo, tomei a frente e confirmei. – Tudo bem, reservas confirmadas. Um quarto igual ao de vocês para eles, imagino?

Confirmei com a cabeça novamente.

– Ótimo. O quarto de vocês já está liberado. Vou pedir para o bagageiro levar as bagagens até lá. Sintam-se à vontade e tenham uma ótima estadia. – Ela falou, um pouco alegre demais, e eu sorri me despedindo e agradecendo, enquanto puxava Colin comigo.

Caminhamos até o elevador com meu “amigo” ainda sendo puxado por mim.

– Você podia ser mais discreto, sabe? Você tava quase comendo aquela loira com os olhos. – Falei, revirando os olhos. Ele nem me deu atenção.

– Eu to no paraíso Hallie. No paraíso. Você já viu o tanto de mulher gata que tem aqui? – Ele perguntou, ainda sem olhar para mim. Apertei o botão do elevador, vendo que Colin estava em um estado vegetativo causado por presença feminina excessiva, e esperei pacientemente.

– Não Colin, eu não vi. Talvez porque eu seja mulher, e não fique reparando em outras garotas, porque eu não tenho a intenção de levar nenhuma pra cama. Ao contrário de alguém aqui. – Falei, e ele pareceu acordar do transe.

– Que bom né garota. Até onde eu sei, apesar de você nunca ter tido um namorado, você ainda curte homem, não mulher. – Falou ele, e eu preferi fingir que não escutei. Mas é claro que eu não consegui ficar quieta por muito tempo. Eu nunca conseguia ficar quieta por muito tempo quando se tratava de discussões entre eu e Colin.

O elevador chegou e nós entramos, selecionando o décimo andar. Assim que as portas se fecharam, e eu tive certeza de que ele tinha saído totalmente daquele transe, voltei ao assunto.

– Espera, de onde é que você tirou que eu nunca tive namorado?

Ele revirou os olhos.

– Eu te conheço desde que você nasceu, lembra? Estudei a vida inteira com você, e eu nunca vi você com garoto nenhum. Pelo menos não por muito tempo. E não, antes que você fale alguma coisa, rolinhos temporários e ficadas não podem ser classificados como namoro. Supera.

– Até onde eu sei você também nunca apareceu com namorada em casa. Ou se esqueceu de que eu também conheço você desde sempre? – Perguntei, na defensiva. Desde quando minha vida amorosa tinha virado um assunto aqui? E desde quando eu tinha assunto com o Colin?

– Eu nunca apareci com namorada em casa porque eu nunca quis ter uma namorada. Eu sou inteligente, tenho encontros, um em cima do outro, e nunca deixo a coisa evoluir pra nada sério. Mas se eu quisesse, passarinho, podia arranjar uma namorada agora mesmo. Acredite ou não, sempre chove bastante na minha horta. – Ele falou, e eu não respondi, dando o assunto por encerrado. Modesto ele.

Chegamos ao décimo andar depois do que pareceu uma eternidade. Caminhamos até nossos novos quartos. Nossos quartos eram um do lado do outro. Maravilha. Não que eu esperasse nada diferente desse meu destino de merda, é claro. Não quando o Colin está metido na situação.

– Acho que isso significa que vou ter um momento de paz, longe de você, após longas horas de viagem em um carro apertado. – Falei, colocando o cartão na porta e destrancando-a. Colin fez o mesmo.

– Digo o mesmo sobre você. Vou aproveitar a ausência dos meus pais pra dormir a tarde inteira, antes que minha mãe resolva ir passear pelo resort. – Ele falou – Eu ia pedir pra você me avisar quando fosse almoçar, mas duvido que você vá fazer isso, então, tenha um bom dia. – Ele falou, abrindo a porta e batendo continência. Revirei os olhos.

– Eu te aviso a hora que eu for almoçar, Colin. Você não é a companhia que eu desejaria para o almoço, mas até nossos pais aparecerem, estamos sozinhos aqui, e eu realmente não quero ir almoçar sozinha. – Falei, e ele deu de ombros.

– Sendo assim... Quando for descer me chama. Se eu não atender a porta, é porque estou dormindo. Aconselho que você ligue no quarto pra me chamar. Poupa o esforço desses gravetos que você chama de braço.

Semicerrei os olhos.

– Vou ligar. Mas pra não ter o esforço de sair andando antes da hora, porque sei que você demora um século pra ficar pronto. Embora eu duvide que você vai acordar mesmo com o telefone tocando. Você tem o sono tão pesado que não acordaria nem se eu conectasse minha guitarra no amplificador e tocasse no último volume. Mas eu vou ligar de qualquer jeito. – Falei, e ele só confirmou com a cabeça, sumindo pra dentro do quarto e batendo a porta. Na minha cara. Que simpático. – E fica sabendo que meus braços não são gravetos. Eles são muito musculosos pra uma garota da minha idade e do meu porte, pra sua informação.

Falei baixo e em um rosnado, e saí pisando duro pra dentro do quarto. Juro que ouvi uma risada vindo de dentro do quarto do Colin, mas deve ter sido só imaginação minha. Tranquei a porta, e a primeira coisa que fiz foi me jogar na cama. Eu precisava de um cochilo.

Acordei apenas uma hora depois, com o estômago implorando por atenção. Levantei da cama, caminhando até minha mala e pegando uma roupa mais leve. Troquei rapidamente, peguei meu celular e o cartão do quarto, e saí. Fui até a porta ao lado ignorando totalmente o pedido de “me ligue senão não vou acordar” do Colin, e dei algumas batidas, ou melhor, alguns socos muito fortes na porta. Era capaz de alguém pensar que eu estava tentando destruir a porta do hotel, mas eu não ligava. Eu só queria que ele aparecesse logo pra eu poder ir comer.

Não deu nem um minuto e ele já tinha aberto a porta. Ele estava com o cabelo bagunçado e sem camisa, deixando o corpo que foi bem esculpido nos últimos anos totalmente à mostra. Posso não ir muito com a cara do Colin, mas eu o conheço da vida toda, e acompanhei a mudança radical dele de patinho feio para cara particularmente atraente. E eu não sou cega, não é porque não gosto dele que não vou admitir que ele seja bonito. Porque bem, ele é. Muito.

– Pensei que você não ia aparecer nunca. Tava quase dormindo de novo.

– E desistir de almoçar? Nunca né querido. Parece que tem um buraco negro no meu estômago clamando por comida. – Falei, e ele riu. Acho que isso pode ter sido considerado a primeira conversa, se é que isso pode ser classificado como conversa, um pouquinho civilizada que tivemos na vida. – Você já tá pronto? Porque eu to falando sério, se eu não colocar comida na boca logo, acho que eu desmaio.

Ele revirou os olhos.

– Como você é dramática. Não, Hallie. Eu pareço estar pronto? Ou você acha mesmo que eu vou descer pra almoçar com o cabelo todo bagunçado, e sem camisa? Você é mais inteligente do que isso. – Ele balançou a cabeça negativamente, e depois abriu um pouco mais a porta, e saiu do caminho, como se estivesse deixando espaço pra eu passar. – Entra. Me arrumo em um minuto e aí a gente desce.

Concordei com a cabeça e entrei no quarto sem qualquer cerimônia. Não tinha muito no que reparar lá dentro, o quarto era igualzinho ao meu. A única coisa diferente era a bagunça já aparente de roupas em cima da mala.

– Parece que alguém se aventurou em desarrumar a mala em. Mamãe nunca te ensinou que crianças não podem mexer na mala sozinhas, Colin? Vão amassar as roupas. – Falei, tirando sarro, enquanto analisava o monte de camisas gola polo que estavam em cima da mala.

– Ah cala a boca vai. – Foi a única coisa que ele respondeu, e eu prendi o riso, enquanto caminhava até a cama de solteiro, ou seja, a cama dele, e me sentava.

Ele pegou a primeira camiseta logo abaixo da pilha de polos. Era uma camiseta daquelas fininhas, se não me engano da Hollister. Calçou os chinelos que estavam ao lado da cama, e correu até o banheiro, ajeitando os cabelos com os dedos mesmo. Depois pegou o cartão que servia de chave do quarto e assoviou pra mim da porta, como quem me chama.

Levantei e segui até ele. Nossa viagem até o restaurante, que ficava no térreo, foi silenciosa, graças a Deus. Eu já tinha ultrapassado meu limite de “palavras que troco com o Colin” há muito tempo naquele dia, e isso não me deixava muito feliz.

O restaurante estava lotado quando chegamos e isso não era de se estranhar. O hotel em si estava lotado. Pegamos uma das únicas mesas livres, que tinha apenas dois lugares. Colin se sentou assim que vimos a mesa, e eu não tentei chegar nem perto dela, já partindo para o buffet.

– Hallicia! Onde você ta indo mulher? – Ele perguntou, ao ver eu me afastando.

– To indo pegar comida Colin. Enquanto eu faço isso, você guarda a mesa. Quando eu voltar você pode ir. – Falei, sem nem me virar para ele, e saí em disparada até o buffet. Nunca vi tanta comida na vida. Nunca.

Devorei tudo o que eu tinha no prato mais rápido do que o planejado. Eu estava com muita fome mesmo. Colin não fez diferente, e ainda foi repetir o prato. Eu não me aventurei nessa parte porque já é difícil manter uma aparência satisfatória em ocasiões normais. Com tanta variedade de comida assim seria impossível. E eu não queria criar mais barriga do que eu já tinha, sabendo que eu ia desfilar de biquíni pelo resort nos próximos dias.

Colin terminou de comer, e ficou sentado me olhando. Vendo que ele não desviava o olhar, fiquei desconfortável. E irritada.

– Perdeu alguma coisa? – Colin riu, negando com a cabeça – Então você podia parar de me olhar, por favor? É desconfortável.

Ele parou de rir, mas aquele sorrisinho continuou brincando em seus lábios. Ele baixou o olhar, começando a brincar com a lata de refrigerante.

– Desculpa. É que eu tava aqui pensado. Vamos ser obrigados a conviver diariamente, por sabe Deus lá quantos anos quando as férias terminarem. E embora meu passatempo favorito, e minha missão de vida seja implicar com você, porque eu simplesmente não vou com a sua cara desde sempre, eu não quero que a gente destrua meu apartamento em menos de vinte e quatro horas. Muito menos que a gente se mate em menos de vinte e quatro horas.

– Ta querendo dizer o que com isso? – Perguntei, erguendo uma sobrancelha.

Ele suspirou.

– Que a gente devia tentar maneirar um pouco nas brigas. Tentar pelo menos tratar um ao outro de forma decente, sabe?

– Ta propondo que nós tentemos ser civilizados? – Perguntei, incrédula. Ele confirmou com a cabeça.

– É. Eu sei que a gente briga sempre e tal, e que assim como eu não gosto de você, você não gosta de mim. Mas nós vamos morar juntos a partir de agora, não é? E querendo ou não vamos ser obrigados a aprender a conviver. Então sim, to propondo uma trégua. – Ele falou.

Refleti por uns momentos.

– Ok, tudo bem. Mas você sabe que não vai ser lá muito fácil eu ser civilizada com você né? Porque sério, eu não te suporto, na maioria das vezes. – Falei, e ele revirou os olhos pela milésima vez no dia.

– Eu também não te suporto e você sabe. E eu também não to falando que vai ser fácil. Só to falando pra gente tentar, pelo bem da sanidade mental. – Ele suspirou – Olha, nós vamos passar sete dias aqui, certo? Isso serve como um teste, porque querendo ou não eu vou ver sua cara todos os dias a partir da hora em que eu acordar, até a hora em que eu for dormir. Se a gente conseguir pelo menos se tratar decentemente durante a viagem, acho que já vai ser um belo começo.

Analisei o que ele havia dito, e lentamente concordei.

– Tudo bem, você tem razão. Não quero perder minha sanidade mental nos primeiros minutos morando com você. Porque você sabe, eu tenho um primeiro semestre inteiro de universidade pra desempenhar. Então tudo bem, acho que a gente pode tentar. – Falei, e Colin sorriu, se largando ainda mais do que achei que fosse possível na cadeira, e continuando a brincar com a lata de refrigerante.

Tentar ser civilizada. Com o Colin. Sempre achei que essa seria uma coisa impossível. Mas ele tem razão, não quero ficar louca no momento em que pisar no apartamento dele e perceber como a convivência durante vinte e quatro horas com ele, no mesmo ambiente, é enlouquecedora. Além do mais, não custa nada tentar, certo? Certo.

Notas finais
E então, o que acharam? Ficou legal? Quero opiniões! Mais uma vez obrigada por estarem lendo, acompanhando e comentando! Me incentiva muito e me deixa muito, mas muito feliz saber que alguém lê essa minha loucura! Hahaha. Até o próximo galera, beijos.