Beautiful Mess

13 Capítulo 12 - Something's Gotta Give


Notas iniciais
Oi gente! Tudo bem? Aqui estou com mais um capítulo de BM! Demorei menos de um mês com essa atualização, e estou me sentindo super orgulhosa por isso. As ideias estão vindo com força total, fluindo completamente, e eu já sei exatamente o que quero para o futuro da fic! Além disso, estou ainda mais feliz e saltitante porque estamos com 94 comentários, 39 favoritos, 3 recomendações, 115 acompanhamentos e 6.420 visualizações. Eu não tenho nem palavras pra agradecer a vocês, que me acompanham desde o início dessa fic, sempre me incentivando com seus comentários maravilhosos, me apoiando e embarcando comigo nessa loucura que foi a criação de BM! Vocês são maravilhosos, e eu amo cada um de vocês. Ler os comentários de vocês a cada novo capítulo, receber mensagens com elogios... Tudo isso me faz a autora mais feliz do universo, e eu fico muito feliz com todo o apoio que recebo de vocês sempre! Vocês são os melhores leitores dessa galáxia, e não apenas esse capítulo, mas todos que virão, e Beautiful Mess como um todo, é tudo dedicado à vocês! Espero que gostem do capítulo. Mais uma vez, eu amei escrever esse. * Uma curiosidade/dica/spoiler, interpretem como bem entenderem hahaha - Something's gotta give, o título do capítulo, é uma música do All Time Low, do novo álbum, Future Hearts, e significa 'Alguém tem que ceder'. A letra dessa música é simplesmente perfeita, e várias das minhas ideias pra fic daqui pra frente saíram não só dessa música, mas do álbum novo inteiro. Vou deixar o link da música aqui pra vocês escutarem, analisarem e criarem suas próprias teorias hahaha - https://www.youtube.com/watch?v=sYeM0nFWcqE - Boa leitura!

Capítulo 12 – Something’s Gotta Give

Colin POV – 3 dias para o final do plano.

Acordei absurdamente cedo naquela manhã de quarta-feira. Desde os acontecimentos de ontem de manhã, e depois das conclusões que eu e Drew tiramos de tudo aquilo, tudo o que eu precisava era de um tempo para pensar e colocar as ideias no lugar. E é claro, armar minhas jogadas. Porque nem nos meus melhores sonhos eu ia deixar a Hallicia sair de impune depois de toda aquela cena da cozinha.

Eram seis da manhã quando eu terminei de calçar meus tênis e saí porta a fora, com meus fones no ouvido e o novo álbum do Sleeping With Sirens tocando praticamente no volume máximo. Quase dei meia volta quando coloquei os pés para fora da portaria, porque o vento matinal de Bristol não era dos mais gentis, e eu havia tido a brilhante ideia de colocar uma regata bem cavada. Mas eu realmente estava sentindo a necessidade de pensar, e a melhor maneira de conseguir isso, pelo menos para mim, era correndo.

Nem tinha virado a esquina do meu prédio quando os pensamentos sobre o dia anterior tomaram conta da minha mente. Eu podia dizer sem nenhuma dúvida que Hallie estava super constrangida quando cheguei do oftalmologista ontem, apenas pelo tanto que as bochechas dela ficaram vermelhas assim que eu me joguei no sofá da sala ao seu lado. Mas toda a tensão no ar não durou nem cinco minutos, pois assim que eu deitei a cabeça em seu colo, e ela começou a passar as mãos em meu cabelo, começamos a conversar normalmente. Apesar disso, o tópico da cozinha foi completamente evitado, e ela nem sequer mencionou o bilhete que deixei para ela quando agradeceu pela minha ajuda indireta com o almoço. Sorri ao lembrar disso, sabendo que aquilo era só mais um sinal de que eu estava certo, e que toda aquela situação na cozinha não havia sido por acaso.

Estava correndo há menos de dez minutos quando me aproximei do parque que ficava perto do apartamento e avistei uma figura alta e completamente familiar parada na entrada, olhando diretamente para mim. Franzi a testa. Kayden estava na entrada do parque. Por que ele estava na entrada do parque, às seis e meia de uma terça-feira de férias?

Fui diminuindo a velocidade da minha corrida, passando a um trote, até estar apenas caminhando na direção dele. Ele sorriu de um jeito meio maníaco quando finalmente me aproximei, tendo a certeza de que um ponto de interrogação estava estampado na minha testa.

Parei de frente para ele, e joguei minha cabeça para cima, olhando para o céu pensativamente, enquanto sentia-o se aproximar ainda mais.

– O que, exatamente, você está fazendo? – Ele me perguntou, quando estávamos perto o suficiente para conversar. Dei de ombros, voltando a olhar para a cara super engraçada que ele fazia.

– Apenas checando o céu, sabe, pra ver se vai chover. Quer dizer, você está de pé a esse horário, nas férias! Isso é tipo uma revolução. E pra completar você ainda está em um parque. Eu acho que nunca, nesses dois anos de amizade, eu vi você colocar os pés em um lugar com árvores, grama e todas essas coisas verdes a essa hora da manhã. – Falei. Ele revirou os olhos, soltando uma risada irônica.

– Babaca. Eu estou aqui, acordado praticamente de madrugada e fazendo todo esse esforço de pisar nesse lugar que é extremamente úmido e nojento há essa hora, apenas por um motivo: te ajudar.

Olhei estranho para ele.

– Você tá aqui... Pra me ajudar? – Não sei se era o fato de estar muito cedo, e consequentemente minha mente não estar funcionando direito, ou se Kayden estava mais esquisito que o normal hoje, mas eu realmente não estava entendendo nada.

– Sim, te ajudar. – Ele falou, e quando viu que minha expressão confusa não mudou, revirou os olhos. – Drew é meu colega de quarto, sabe?

Imediatamente mudei minha expressão para uma de entendimento. Por um breve momento eu havia me esquecido de que os dois eram colegas de quarto. Era mais do que óbvio que a primeira coisa que Drew ia fazer, assim que chegasse no dormitório, era contar para Kayden. Drew pode ser um ótimo em te escutar e manter seus segredos, mas se existe uma pessoa de quem ele não consegue ocultar nada, mas absolutamente nada na vida, é Kayden. Aqueles dois compartilham cada detalhe da vida um com o outro, fico surpreso que eles ainda não tenham simplesmente se casado.

Não que eu realmente me importasse com o fato de Drew ter contado par Kayden. Não é como se eu não estivesse prestes a tirar o celular do bolso e ligar para ele e contar tudo.

– Fico feliz que Drew já tenha te deixado por dentro de toda a situação. Agora, se você quiser me explicar como, exatamente, você planeja me ajudar... – Falei, enquanto voltava a andar, e Kayden fazia o mesmo.

– Ainda não pensei exatamente no que nós vamos fazer. Mas sem dúvidas vai ter algo a ver com toda aquela história de “Provocar dez vezes mais”. – Ele falou. Balancei a cabeça positivamente.

– Eu estava pensando nisso antes de dar de cara com você aqui. Quer dizer, foi provocação pura, o lance do açúcar, você não acha? – Perguntei, apenas para ter uma terceira confirmação. Kayden confirmou com a cabeça.

– É meio óbvio. Fico impressionado que você não tenha se lembrado logo de cara que ela praticamente despreza açúcar puro. Quer dizer, ela deixou isso claro no dia em que conhecemos ela, e a garçonete perguntou se ela queria sachês de açúcar pra colocar no suco. Eu, que não conheço ela há muito tempo, saquei assim que o Drew falou que ela te pediu pra pegar o pote. Fiquei decepcionado com a sua falta de percepção. – Falou ele. Revirei os olhos.

– Foi um deslize, ok? No calor do momento, eu ia pensar em tudo, menos no fato de ela não gostar de açúcar. Até porque, que tipo de pessoa não gosta de açúcar? Só a esquisita da Hallicia.

Kayden bufou.

– Mais um motivo pra você lembrar, cabeção. Hábitos estranhos ficam grudados nas nossas memórias. Você acha que eu não esqueci por quê?

Fiquei em silêncio, enquanto andávamos sem rumo pela pista do parque. Pessoas passavam em volta, correndo e aproveitando para se exercitar antes que o dia realmente começasse. Eu observei a paisagem verde, e respirei fundo, me sentindo calmo em meio a todo aquele verde. Sempre gostei dessa sensação de liberdade que lugares como esse me proporcionavam.

Kayden pareceu se cansar do silêncio que se estendia confortavelmente entre nós, e com um sorriso malicioso, voltou a puxar assunto.

– Então quer dizer que ela provocou uma revolução na vida do Cols Jr.? – Ele perguntou, arqueando as sobrancelhas sugestivamente, ainda com aquele sorriso safado plantado nos lábios. Grunhi, tampando os olhos com uma mão.

– Eu tenho certeza de que essa parte eu não contei pro Drew.

Kayden soltou uma gargalhada alta pra caralho, que chamou a atenção de algumas pessoas que corriam perto da gente.

– Nem precisava né, bonitão. Só a descrição do que tinha acontecido na cozinha me deixou de pau duro. E olha que não sou nem um pouco afim da Hallie pra ficar, sabe, animadinho com a situação.

Olhei feio para ele.

– Acho bom. Não sou muito fã da ideia de ter um amigo fura olho. Ainda mais depois que ela deixou claro que te acha mais bonito que eu. – Falei, carrancudo, lembrando-me do dia em que Mari chegou na cidade e nós tivemos aquele momento na porta do quarto dela. Aquele momento que mudou totalmente o rumo dos meus sentimentos sobre ela.

Kayden até tentou, mas não conseguiu segurar mais uma risada extremamente escandalosa. Tivemos até que parar de andar para ele poder recuperar o ar. Olhei constrangido em volta, vendo um grupo de mocinhas que eu tinha certeza que estavam no segundo ano de Direito olhando para nós dois de um jeito estranho, como se fossemos doidos. Kayden era, sem sombra de dúvidas, mas eu não queria que elas pensassem que eu compartilhava da loucura deles. Não que a opinião delas me importasse, mas mesmo assim.

– Ela não me acha mais bonito do que você, Colin, acredite. Ela tava só tirando com a sua cara, ou tentando esconder o fato de que ela queria falar que você era super gato. Eu saberia se a Hallie tivesse o mínimo de interesse nesse corpinho magnífico aqui. – Falou. Dei de ombros.

– Nunca se sabe. Você sabe dos meus problemas de confiança quanto a aparência.

Ele revirou os olhos.

– Não sei porque. Já te falei várias vezes que te acho uma delícia e que te pegaria fácil se eu fosse gay. Pra sua infelicidade, não sou. Mas pode ficar tranquilo, que a Hallie te quer mais do que eu ia querer na minha vida. – Ele falou. Fui obrigado a rir.

– Ainda fico decepcionado quando você me diz que não há chance pra nós dois, Kaylindo. – Falei, sarcasticamente, enquanto me aproximava rapidamente e dava um beijo estalado no rosto dele, fazendo pura graça. O mesmo grupo de garotas continuava nos olhando e começaram a cochichar entre si, dando risadinhas. Kayden ficou praticamente roxo de vergonha ao perceber que estávamos sendo observados, e me empurrou pra longe, voltando a andar. Dei risada, enquanto acompanhava-o.

– Idiota. – Ele falou, e eu continuei rindo. – Você tem sorte que o Drew não estava aqui. Você sabe que ele é ciumento, a coisa ia acabar mal pra você. – Falou ele, ainda na brincadeira.

– E você sabe que o Miles vai ficar com ciúmes de verdade se você continuar com essas graças sobre você e o Drew. – Falei, um pouco mais sério.

Kayden endireitou a coluna, me olhando enquanto caminhávamos até um banco vazio.

– Você acha que algum dia eles vão admitir? Quer dizer, você ao menos acha que eles se dão conta dessa tensão que existe entre eles? – Perguntou ele. Dei de ombros.

– Não sei. O Miles é meio óbvio. Mas o Drew... Ele é meio lerdo pra essas coisas. – Falei. – Mas quem sabe um dia eles se dão conta. Não que isso realmente seja da minha conta. Talvez nós dois estejamos apenas enxergando coisa onde não tem.

Kayden deu de ombros, concordando. Miles e Drew eram tão amigos quanto eu e Kayden, ou eu e Drew, eu e Miles... Mas desde o começo do verão o relacionamento dos dois vem ficando cada vez mais... Diferente. Não que seja da minha conta, ou que eu tenha algum problema com isso. Muito pelo contrário, eu sempre achei que os dois dariam um ótimo casal, brincadeiras a parte. Mas nunca imaginei que realmente ia acontecer. Na verdade nem sabemos se está realmente acontecendo ainda, ou se vai acontecer. Mas eles deixam tantas dúvidas no ar que é impossível ter certeza de alguma coisa.

Nós nos sentamos no banco e voltamos a nos concentrar em assuntos mais importantes do que Drew e Miles e o relacionamento inexistente – até o momento – deles. Eu realmente precisava descobrir como prosseguir com esse lance de “provoque dez vezes mais” que meus amigos estavam me sugerindo.

– Voltando ao que importa, você tem alguma ideia produtiva? Porque eu já entendi o que tenho que fazer. Só não sei como fazer. – Falei. Kayden saiu de seus pensamentos e sorriu para mim.

– Na verdade, tive sim. Essas caminhadas que você tanto gosta de fazer realmente servem pra alguma coisa. Minha imaginação aflorou que foi uma beleza. – Ele falou, virando-se para mim com uma expressão determinada no rosto. – Agora presta atenção aqui, que eu vou te contar direitinho o que você vai fazer.

Ele demorou pelo menos meia hora me explicando o plano dele, e eu tenho que admitir que, ao final de sua explicação, eu estava completamente satisfeito com tudo o que tinha ouvido. Kayden era um gênio quando se tratava desse tipo de coisa. Não é atoa que ele era um dos maiores pegadores da nossa turma na faculdade.

Assim que tirei todas as dúvidas sobre aquela nova etapa do plano – que eu nem sabia que era um plano até aquele momento – nos levantamos e nos preparamos para deixar o parque. O plano de Kayden era ótimo, mas exigia ação imediata, então não havia nada que eu queria mais no momento do que correr de volta para a casa, onde Hallie com certeza já estaria acordada, se preparando para o café.

Chegamos até o ponto onde havíamos nos encontrado durante essa manhã, nos despedimos com um toque rápido de mão. Eu estava quase na esquina que me levava de volta para o meu prédio, quando meu celular vibrou. Tirei-o do bolso, checando-o e ficando com um sorriso bobo no rosto no mesmo instante.

Acordei e percebi que você não estava em casa. Pensei seriamente em tomar café sozinha e deixar você se virar, mas sou uma pessoa com a alma muito boa e resolvi que ia fazer waffles pra você também. Você gosta de leite condensado em vez de chocolate né? Ou os dois juntos? Nunca lembro rs. Enfim, acho bom você arrastar esse seu traseiro gordo até o apartamento nos próximos minutos se você não quiser que a comida esfrie.

Xx Hallie

E era diante de mensagens como essa que eu me perguntava: como é possível que eu não tenha me dado conta de que gostava dela antes? Como é possível ter passado tanto tempo evitando todo esse contato com ela? Não posso deixar de imaginar que, se nós dois tivéssemos deixado de ser tão idiotas mais cedo, tudo seria mais fácil, e não precisaríamos passar por todo esse rolo de indiretas e provocações.

Apesar disso, não posso deixar de admitir: estou adorando a ideia de provocá-la. Estou adorando muito.

Em menos de cinco minutos, eu já estava colocando a chave na fechadura da porta de casa. Eu estava estranhamente animado, e meu coração estava um pouco acelerado. Ajeitei os óculos e passei as mãos pelo cabelo rapidamente, dando uma leve ajeitada na bagunça que eles tinham se tornado graças ao vento e respirando fundo, finalmente entrei em casa.

Não tinha nem terminado de trancar a porta quando Hallie apareceu na porta da cozinha, apenas com um moletom gigante da Sonserina e um shorts preto curtíssimo. Minha respiração se prendeu por um momento. Cristo, ela só pode estar tentando me matar. Não a encare de cima a baixo, Colin. Não. Encare.

Soltei a respiração tremulamente tentando me controlar para simplesmente não dar aquela checada nas pernas dela. O que, eu admito, estava sendo uma verdadeira prova de fogo, já que as pernas dela são um ponto que atraem bastante atenção.

Larguei a chave em cima do aparador e me olhei no espelho, projetando meu melhor sorriso, antes de me virar e caminhar para a cozinha – lugar onde Hallie já tinha entrado de novo.

– Bom dia! – Falei, entrando no cômodo com uma animação um pouco maior do que o normal, enquanto parava atrás dela, que estava de frente para a pia, enxugando as louças, e dando-lhe um beijo demorado no rosto. Senti-a respirar fundo e se apoiar um pouco em meu peito, enquanto fechava os olhos. Respirei fundo e fui tomado pelo cheiro maravilhoso do perfume que ela usava. Eu costumava odiar esse cheiro forte que todo perfume feminino tem, mas desde que ela se mudou pra cá... 212 Sexy se tornou um dos meus aromas favoritos.

– Bom dia, Sr. Vou-dormir-de-lentes-de-contato-e-acabar-com-uma-alergia-do-capeta. – Ela respondeu, virando-se para mim com um sorriso sapeca. Revirei os olhos, comprimindo a vontade de rir.

– Hey, por um momento eu esqueci que usava lentes, ok? Isso acontece muito, se você quer saber. – Falei, me afastando e começando a pegar as louças secas que ela deixava sobre o balcão, me pondo a guardá-las.

Dessa vez, foi ela quem revirou os olhos.

– Vou precisar te lembrar do que aconteceu com a tia Annalise quando ela esqueceu de tirar a lente e entrou na piscina? – Ela falou. Estremeci.

– Eu não vou pegar aquela bactéria rara no olho, ok? Foi a primeira –e será a única – vez que eu esqueci da lente. Já levei um esporro danado do meu oftalmologista, não preciso levar um seu também. – Falei, me jogando em uma das cadeiras e cruzando os braços, fingindo estar emburrado.

– Ai Colin, iludido. É claro que você precisa levar bronca minha também. Quem, se não eu, vai cuidar de você e te impedir de virar um perdido na vida? Meu trabalho é fazer com que você se torne uma pessoa decente e não se meta em confusões. E pra fazer meu trabalho direito, eu preciso te dar broncas quando você faz coisas erradas. – Ela falou, me dando um discurso de mãe que me deu vontade de rir, ao mesmo tempo que me dava um frio gostoso na barriga, apenas por eu ter constatado que sim, ela se importava comigo a ponto de querer me dar um discurso sobre as malditas lentes.

Fiquei quieto, ainda de braços cruzados, olhando fixo para o chão. Ela me deu uma olhada rápida e virou-se de volta para a pia, tentando esconder um riso.

Nem cinco minutos depois ela já tinha terminado com as louças, e o fogão estava apitando. Ela foi até lá e pegou as panelas, com conteúdo desconhecido, e levou-as até outra parte do balcão, onde transferiu o que quer que estivesse dentro das panelas para dois potes médios e redondos. Eu estava praticamente deslocando o pescoço de tanto me esticar para tentar ver o que ela estava fazendo. Ela tinha dito algo sobre waffles na mensagem, mas até onde eu sei, waffles não precisam ser feitas na panela...

Minha curiosidade logo acabou quando ela depositou dois pratos com, pelo menos, cinco waffles cada um na mesa. Meus olhos brilharam apenas pela expectativa de comer uma daquelas belezinhas. Fazia tanto, mas tanto tempo que eu sequer olhava para um waffles!

Quando ela colocou as duas tigelas na minha frente, quase caí duro. Ela realmente tinha feito calda de chocolate. Caseira! E tinha leite condensado! Leite condensado cara! Eu poderia simplesmente levantar daquela mesa agora e beijá-la ali, no meio da cozinha mesmo. Se tem uma coisa que eu pedi a Deus, foi uma garota que soubesse cozinhar. E Hallie... Ela superava todas as expectativas no quesito cozinha algumas vezes, apesar de eu sempre gostar de implicar com ela e convencê-la de que ela era péssima.

Depois de terminar de ajeitar a mesa, Hallie sentou-se na cadeira de frente para a minha e sorriu. Eu realmente estava com uma vontade absurda de pular sobre aquela mesa e agarrá-la, mas o plano que Kayden havia traçado naquela manhã continuava claro em minha cabeça, então me mantive firme, sentado, com a minha pose de emburrado. Ela deu um risinho, enquanto empurrava um dos dois pratos em minha direção.

– Também faz parte do meu trabalho te dizer que todo mundo comete erros de vez em quando. Mesmo que esses erros sejam estúpidos, como esquecer as lentes de contato e acarretar uma alergia. Mas mesmo assim... – Ela falou, e eu olhei para ela, tentando ao máximo manter o sorrisinho longe e continuar com o maxilar trancado, a expressão carrancuda. – E é claro, que faz parte do meu trabalho dizer que um deslize simples desses não é nada, depois te dar sua comida favorita pra te animar e te assegurar de que eu não estou brava com você. Até porque eu não sou sua mãe pra ficar brava de verdade. E se fosse eu usando lentes, tenho certeza de que em algum momento da minha vida eu ia esquecer as lentes, e ia acabar que nem você, andando pra lá e pra cá com os olhos vermelhos e óculos no rosto.

Não consegui mais me segurar e sorri para ela. Ela continuou me olhando, sorrindo simpática, e estendeu uma das mãos, pousando-a sobre a minha.

– Se fosse eu no seu lugar, pode ter certeza de que eu te encheria o saco por causa das lentes tipo, por um mês inteiro. – Falei, movendo minha mão levemente para entrelaçar nossos dedos e começando a acariciar sua palma com meu polegar. Ela olhou para nossas mãos, e vi suas bochechas corarem um pouco.

– Tenho certeza de que sim. – Ela falou. Voltou a olhar nos meus olhos apenas alguns segundos depois, com a expressão travessa. – Eu até ia ficar te zoando super por causa dessa situação, ou te dar vários discursos sobre como é perigoso esquecer de tirar as lentes de contato, porque eu realmente fiquei preocupada. Mas aí eu pensei melhor, e resolvi deixar pra lá, porque eu sei que, se eu realmente fizesse isso, todo o meu discurso ia entrar por um ouvido, e sair por outro. Além disso, eu realmente gostei de você com esses óculos, então resolvi deixar quieto e apreciar a visão. – Ela falou, e tenho certeza de que minhas bochechas estavam começando a corar. Outra provocação, dona Hallicia? – De qualquer jeito, seu oftalmologista já deve ter sido bem útil ao te dar um super discurso sobre os perigos das lentes de contato. E tenho certeza absoluta de que sua mãe vai te dar um discurso maior ainda quando ela ligar hoje pra saber do seu olho. – Ela falou. Comecei a concordar com a cabeça, absorvendo seu discurso apenas até a parte em que ela citou o oftalmologista. Até que duas palavrinhas mágicas, e completamente perigosas juntas, me chamaram a atenção.

Mãe e ligar.

– Espera, por que é que minha mãe me daria uma bronca sobre isso, se ela nem sabe? E como é que você sabe que ela vai me ligar? Ela nunca me liga e... – Interrompi meu discurso bem no meio, me dando conta do que estava acontecendo ali. Olhei para o rosto de Hallicia e, por um momento, vi seu eu antigo ali, na minha frente, com uma careta maliciosa e uma alegria imensa em ver meu desespero começar a crescer.

Filha da mãe!

– Você ligou pra minha mãe! Você ligou pra minha mãe e contou sobre meu olho! Sua traíra! – Falei, em tom completamente acusatório, espalmando as mãos na mesa e olhando incrédulo para a cara da minha amiga – não tão amiga assim no momento – e observando-a explodir em risadas. – Eu achei que a gente tivesse se acertando! Aí você vai lá e simplesmente me denuncia pra dona Diane? Que tipo de amiga você é?

Ela demorou uns bons cinco minutos pra responder, uma vez que estava ficando praticamente sem ar de tanto rir. Continuei olhando-a descrente. Existe traição maior do que uma pessoa ligar pra sua mãe, que está em outra cidade, e contar seu deslize vergonhoso? Já estou até vendo minha orelha ficando quente hoje, de tanto esporro que vou escutar pelo telefone. Isso se minha mãe não resolver aparecer aqui em casa.

– Eu não liguei pra ela, juro! – Ela falou, quando finalmente conseguiu controlar (apenas controlar) o riso, e me pegou olhando-a de modo descrente. – Ela ligou aqui essa manhã, pra falar com você. Você tinha saído pra correr, e eu avisei pra ela. Aí ela começou a conversar comigo sobre a vida em geral, e de algum modo caímos no assunto. Eu juro que não ia falar nada, mas simplesmente... Saiu! Quando eu vi ela já estava falando o quão cabeça dura você é, e que você ainda ia acabar sem olho, e que quando ela ligasse de novo era bom você estar em casa, porque você ia ouvir bastante. Eu percebi a merda que tinha feito na hora. Mas não tinha como desfazer, tinha? Então eu deixei quieto, e falei que ia me certificar de que você realmente estivesse aqui quando ela ligasse de novo. – Ela falou. Apenas balancei a cabeça pra ela, desapontado. Ela me delatou, pra minha própria mãe! Olha a gravidade dessa situação! – E ok, eu sei que nós estamos nessa nova fase de vida onde somos apenas paz e am...amizade, mas eu realmente não consegui controlar aquele impulso que me veio, aquela vontade de ver sua cara quando eu dissesse que sua mãe sabia. Me desculpa!

Continuei olhando para ela, ainda balançando a cabeça, e murmurando ‘tsc, tsc’, embora eu não estivesse realmente bravo. Eu estava chocado, é claro. Mas não tem como ficar bravo com ela. Ainda mais quando ela fica me olhando com essa cara de falso arrependimento completamente fofa. Além disso, minha mãe ia ficar sabendo uma hora ou outra, porque as consultas pagas pelo convênio chegam todas na mão dela. No máximo em um dia, ela ia me ligar e perguntar por quê diabos eu tinha ido ao oftalmologista, encomendado um par de lentes novas, testado o grau e comprado diversos colírios especiais, menos de seis meses depois do meu último check-up. E é claro que é importante destacar que eu obviamente não ficaria bravo com ela porque se fosse ela na minha situação... Nunca que eu deixaria a oportunidade de zoar com a cara dela passar.

Acho que ela começou a se desesperar com a minha falta de resposta, pois em um piscar de olhos, ela estava na cadeira, do meu lado, me olhando com uma expressão de gato de botas.

– Olha, eu até fiz waffles pra você! Eu fiz calda de chocolate caseiro, e rodei o mercado todo atrás desse negocio branco nojento e doce que você gosta de misturar com o chocolate. Isso é mais que um pedido de perdão, não é? – Ela falou, e eu não consegui continuar com a minha pose de bravo, e ri bem alto.

– Não precisa pedir desculpas, linda. Uma hora ou outra a minha mãe ia saber. Eu só achei muito absurdo deixar passar essa oportunidade de te ver desesperada. Sabe como é, velhos hábitos nunca morrem. – Falei, e ela me olhou incrédula, me dando um tapa no braço, que eu quase nem senti. Continuei rindo, enquanto bagunçava levemente os cabelos dela, e a empurrava com meu próprio ombro. – Agora come, vai, antes que tudo fique frio.

Ela até tentou parecer emburrada comigo, mas no fim das contas se limitou a sorrir. Comemos em silêncio, cada um absorto em sua própria mente. Eu me perguntava qual seria o momento perfeito para executar o plano de Kayden, mas ali, durante o café, nenhuma hora parecia a correta.

Terminamos de comer, e eu ajudei com a cozinha. Ela resolveu lavar as poucas louças que aviam sobrado na pia mesmo, enquanto eu pegava os potes com calda e ia até o armário, caçando as tampas. Depois de revirar o armário inteiro, finalmente lacrei os potes com suas respectivas tampas e os coloquei de volta na geladeira. Ela ainda estava enxugando as louças completamente perdida em pensamentos, e eu apenas fiquei ali, observando-a. De costas pra mim, com os cabelos bagunçados e ainda de pijamas. Ela é simplesmente linda, e acho que nunca vou me acostumar com o quando meu coração enlouquece quando eu paro e apenas a observo assim. Também acho que nunca vou me conformar com o quanto demorei para perceber que ela não era a garota que eu queria mandar pro espaço, mas sim aquela que eu queria, mais do que qualquer coisa, manter por perto.

Dois minutos observando-a secar pratos e guardá-los no armário foram suficientes para que eu percebesse que aquele era o momento perfeito para o plano entrar em prática. Ela estava distraída, não prestava o mínimo de atenção em mim... Era simplesmente o momento perfeito.

Aproximei-me dela, sendo o mais discreto e silencioso o possível. Ela estava tão concentrada em deixar os pratos completamente secos e brilhantes que nem se deu conta da minha respiração ficando mais próxima da nuca dela. Ou do meu coração batendo um pouco mais alto do que o normal. Ela também não percebeu quando, em um movimento rápido, arranquei a regata suada que eu havia usado para correr essa manhã, deixando-a enrolada no pulso.

Foram apenas dois minutos até que ela finalmente terminasse de guardar as louças e enxugar a pia, e virasse para mim, com a cabeça ainda baixa.

– Você não acha que a gente devia chamar os meninos e a Mari pra... – E sua frase se perdeu assim que ela praticamente deu de cara com o meu peitoral exposto e suado. Senti sua respiração ficar trêmula, devido a nossa nova proximidade repentina, e seus olhos se arregalarem enquanto ela analisava, descaradamente, meu peito, descendo logo depois para o abdômen, e voltando para o peito. Evitando meu olhar a todo custo, ela deu alguns passos para trás e se apoiou contra a pia. Péssima ideia pra ela, ótima ideia para mim, porque meio passo para frente, e eu estava prensando-a contra o mármore da pia. Tentando manter a respiração controlada, e tentando estabilizar as batidas do meu coração, olhei bem em seus olhos, completamente colado a ela.

– Você acha que devíamos chamar o pessoal pra...

Ela tentou me olhou sem entender, completamente perdida, sem saber o que estava acontecendo.

– Você estava dizendo que achava que devíamos chamar eles pra alguma coisa. Mas você parou no meio da frase, do nada... – Falei, o mais inocente possível, enquanto levava as mãos até sua cintura e, delicadamente, puxava-a para mais perto de mim. Senti suas pernas tremerem levemente, e suas mãos automaticamente pararem nos meus ombros.

Aquilo era, sem dúvida, muito mais intenso do que o momento que tivemos ontem na cozinha. Nunca na vida eu tinha estado tão perto dela. No momento, praticamente todas as partes dos nossos corpos estavam se tocando, e me controlar para simplesmente não agarrá-la de uma vez parecia uma tarefa praticamente impossível. Tive que ficar me lembrando de Kayden, e de como ele frisou: ‘faça qualquer coisa, mas não a beije. Pelo menos, não até sexta-feira’.

Eu realmente não sabia o que tinha sexta-feira, nem por que o dia parecia tão importante para ele, mas resolvi não questionar. Apenas entrei no jogo, querendo devolver a provocação de Hallie na mesma moeda. Isso estava me saindo melhor do que o esperado.

Passamos pelo menos cinco minutos em silêncio, grudados, na pia da cozinha. A cozinha parecia ser nosso ponto de ação, porque os dois momentos tensos e intensos que tivemos nos últimos dias foram ali. Eu continuava encarando-a, esperando que ela continuasse a frase que, aparentemente, tinha se apagado completamente de seu pensamento, enquanto ela apenas continuava parada, apoiada em meus ombros – imagino que para impedir que suas pernas cedessem – e olhando para qualquer lugar que não fossem meus olhos, ou eu em geral.

Cheguei a me perguntar se estava fazendo a coisa certa em dar o troco nela. Se eu não estava forçando a barra, se eu não estava a assustando, ou ainda pior: se eu não havia interpretado errado o ocorrido do dia anterior, e simplesmente estava agindo como um maluco agora.

Mas os sinais dela contra o meu corpo eram bem claros. Eu sabia quando uma garota ficava balançada com as minhas atitudes, e a respiração falha dela, os dedos que constantemente apertavam meus ombros, e as pernas que balançavam quase imperceptivelmente eram sinais claros. Ela estava tão mexida quanto eu, naquele momento. E eu não consegui impedir um sentimento de extrema satisfação tomar conta de mim.

Senti-a respirar fundo, e lentamente voltar seu rosto para mim. Nossos olhos, uns tão claros quanto os outros, se conectaram por um breve momento, enquanto ela se endireitava, pronta para tentar dar continuidade a sua frase.

– Eu ia dizer pra gente... Pra... Eu ia dizer... – E suas palavras se perderam novamente, quando eu, inconscientemente, aproximei meu rosto ainda mais do dela. O único pedido que Kayden me fizera piscava em letras vermelhas e em tom de alerta em minha mente, mas eu não tinha mais a certeza de que conseguiria me afastar. Cristo, eu não sabia nem se conseguiria manter minha mente são se simplesmente não acabasse com aquela graça e puxasse seu rosto até o meu, juntando nossos lábios e acabando com qualquer espaço que ainda restava entre nós dois.

E por um momento, eu realmente me senti tentado a fazer aquilo. A acabar com a pequena provocação e ceder aquela minha vontade absurda de provar dos lábios dela. De beijá-la até eu ficar sem ar, até eu perder a noção das coisas, até eu esquecer meu próprio nome.

Eu provavelmente teria cedido a tentação, dando um foda-se bem grande para o Kayden, seu pedido, e o que quer que sexta-feira significasse, se não fosse pelo toque alto e irritante do celular de Hallicia, bem naquele momento.

Praticamente gemi em frustração, tirando uma das mãos de sua cintura e apoiando-a no mármore frio da pia, enquanto largava minha cabeça em seu ombro. Senti-a soltar a respiração pesada, que eu nem sabia que ela estava prendendo, e continuar parada, encostada na pia, sem tirar suas mãos de meu ombro. Ficamos pelo menos mais dois toques ali, parados, sem realmente saber como sair daquela bolha que havia se formado. Até que eu comecei a ficar incomodado com os toques constantes, e resolvi quebrar o silêncio.

– Acho que você devia atender. – Falei, ainda com a cabeça em seu ombro. Ela concordou com um murmúrio, descendo as mãos para minha cintura. O celular parou de tocar, e nós dois continuamos ali, parados. Alguns minutos a mais, e ela finalmente se manifestou.

– Você podia... – Ela falou, provavelmente se referindo a nossa proximidade, e eu me dei conta de que ainda estava encurralando-a contra a pia. Concordei com a cabeça, enquanto levantava-a de seu ombro e dava alguns passos para trás. Ela me deu um sorriso pequeno e incerto, e logo depois tirou as mãos da minha cintura, saindo de perto da pia e dando a volta por mim, indo até a porta da cozinha.

Virei-me para observá-la, me encostando no mesmo ponto onde antes ela estava. Ela parou na porta, me olhando rapidamente e apontando para fora.

– Eu vou lá... Ver. Ver quem ligou. É, eu vou lá ver quem ligou. – Ela falou, e naquele momento eu simplesmente não confiava na minha voz, então me limitei a concordar com um aceno. No mesmo segundo, ela voou para longe daquela cozinha e eu pude ouvir a porta de seu quarto batendo.

Fiquei ali digerindo tudo o que havia acabado de acontecer. Aquilo havia sido bem mais intenso do que eu podia ter imaginado, e eu juro que se não fosse pelo celular dela, provavelmente estaríamos os dois ainda nessa cozinha, na mesma posição de antes. Só que agora, eu estaria beijando-a. E esperançosamente, ela estaria me beijando de volta.

Deixei meus pensamentos sobre o que acabara de acontecer, e os mais diversos ‘e se’ tomarem conta da minha mente, enquanto ficava ali, apenas encostado ao mármore gelado e desconfortável da pia, encarando fixamente a porta. Meus pensamentos, porém, não duraram muito, pois alguns minutos depois senti meu celular vibrar contra minha coxa. Coloquei a mão no bolso e puxei-o, olhando para o visor e soltando um gemido frustrado na mesma hora.

Mamãe ligando

Deixei tocar mais algumas vezes, enquanto tomava coragem de atender, e finalmente deslizei o polegar sobre a opção de aceitar chamada. Respirei fundo, enquanto levava o telefone até o ouvido, me preparando para um possível sermão de meia hora, mas sabendo que eu provavelmente não guardaria nem metade do que minha mãe tinha a dizer. Minha mente estava tomada por assuntos muito mais importantes do que uma bronca sobre lentes de contado.

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Hallie POV

Eu estava deitada em minha cama, perdida em pensamentos. Colin havia acabado de me provocar, e eu não sabia como lidar com aquilo.

Eu estava me sentindo completamente triunfante com o meu pequeno momento na cozinha ontem, e sobre como eu o deixei desconcertado com a minha ação inocente. Mas todo o triunfo e satisfação que eu havia sentido ontem foram por água abaixo no momento em que eu me virei e dei de cara com seu peito descoberto.

O que tinha acabado de acontecer na cozinha havia sido... Surreal. Em um momento eu estava enxugando a louça e guardando pratos no armário, e no outro eu estava prensada contra a pia, envolvida nos braços fortes de Colin, com o meu corpo completamente encostado ao seu, tão próxima dele como eu nunca estive. Minhas pernas ficaram bambas, meu coração acelerou, e eu podia jurar que minha respiração ficava mais pesada a casa milímetro que ele se aproximava.

Por um momento, tive certeza de que tudo acabaria ali. De que ele simplesmente me beijaria e eu jogaria todo aquele plano idiota de provocações da Mariana fora, e me entregaria totalmente. Meu raciocínio lógico, meus objetivos... Tudo foi por água abaixo, assim que a respiração quente dele me atingiu tão de perto, aqueles olhos que eu a todo custo tentava evitar me encarando tão intensamente e tão de perto.

Eu perdi toda a capacidade de pensar naquela cozinha. Eu simplesmente não funcionava mais direito. Tudo se resumia a Colin. Tudo se resumia as mãos dele me cercando, ao corpo dele encostado ao meu, a sua respiração quente e levemente descontrolada batendo em meu rosto. Se meu celular não tivesse tocado, não tenho dúvidas de que toda aquela cena terminaria em um beijo. Um beijo tão intenso que, só de imaginar, eu ficava trêmula e sentia um arrepio percorrer meu corpo inteiro.

Cheguei ao meu quarto ainda atordoada, sem realmente entender o que havia acabado de acontecer, e sem nem pensar liguei para Mari. Se eu simplesmente não despejasse tudo o que havia acabado de acontecer em cima de alguém, tenho certeza de que ia acabar explodindo.

E depois de uma conversa longa e detalhada, eu havia percebido. Mariana não precisou se manifestar em nenhum momento, pois depois de relatar tudo aquilo em voz alta, eu finalmente havia entendido o que havia acabado de acontecer.

Colin havia percebido meu jogo ontem. E havia me dado o troco na cozinha, há alguns minutos. Ele não é o tipo de cara que percebe uma coisa dessas e deixa quieto. Ele revida. Ele entra no jogo. Ele é orgulhoso, e tem que pagar tudo na mesma moeda. E não aceita perder.

Só que assim como ele, eu sou extremamente orgulhosa. E aquele era meu jogo, não o dele. E eu não ia deixar o que havia acabado de acontecer de lado, por mais que eu tivesse gostado. Aquilo havia sido uma provocação, e uma provocação se paga com outra.

Ambos somos jogadores. Nem eu, muito menos ele, desistimos facilmente de nossos objetivos. Se ele já se deu conta do meu pequeno jogo, e resolveu entrar, ele já deve saber que as coisas não vão parar por aí. Na verdade, as coisas nunca vão parar. Não até ele ceder.

Suspirei cansada, pegando meu iphone e colocando no modo aleatório de músicas. A música que começou a tocar não podia ter mais a ver com o momento, e um sorriso brotou em meus lábios.

Coloquei o volume no máximo, e deixei que o som de Something’s Gotta Give, do All Time Low invadisse meu quarto, juntamente com as milhões de ideias que a música trazia.

Eu não ia desistir até ele ceder e admitir que me quer tanto quanto eu o quero.

Something’s Gotta Give.

Alguém tem que ceder.

Notas finais
Espero que tenham gostado do capítulo! Vocês ouviram a música? Se sim, chegaram a alguma conclusão/teoria? Se sim, me contem, adoro ler as teorias de vocês... As vezes até levo algumas em consideração hahaha. Eu realmente espero que vocês tenham gostado do capítulo, e que estejam gostando do desenvolvimento de tudo. A tão aguardada sexta-feira finalmente está chegando, e a cada novo capítulo eu fico ainda mais ansiosa para as surpresas que tenho preparadas finalmente serem reveladas! Obrigada por serem esses leitores queridos e maravilhosos, que nunca me abandonaram e continuam dando um super apoio pra fic! Mais uma vez, amo vocês, do fundo do coração! Até o próximo capítulo! Beijos!