Beautiful Mess

2 Capítulo 1 - Mudança de Planos


Notas iniciais
Oi gente! Primeiro de tudo queria agradecer muito aos três reviews que recebi! Eles serviram como um incentivo enorme pra mim, porque eu confesso que pensei que eu não ia conseguir nem um mísero leitor pra essa fic, e ver que três pessoas leram e ainda se importaram em comentar me deixou muito feliz. Além do mais já tem cinco pessoas acompanhando a história. Cinco! Eu não podia estar mais feliz, então muito obrigada galera! Um obrigada especial para as lindas Lili Costa, Helo Mellark e Thabita Belchior por comentarem aqui. Esse capítulo é pra vocês, meninas! Parando de enrolação, vou deixar vocês lerem! Espero que gostem! - Boa Leitura!

Capítulo 1 — Mudança de Planos

Eu encarava o teto do meu quarto, enquanto continuava jogada na cama e abraçava meu ursinho e melhor amigo, o Braddy. Suspirei enquanto me lembrava das claras palavras na minha carta de aprovação para a Universidade de Bristol. A universidade dos meus sonhos. É claro que isso era meu maior sonho se realizando: Ser aprovada para estudar Direito em Bristol, em uma das universidades mais reconhecidas no Reino Unido, e no mundo. E eu não teria dúvidas em aceitar mudar a minha matrícula já feita na Universidade da Virgínia, perder os dois meses de aluguel adiantado que eu já tinha pago pelo alojamento nos Estados Unidos, e me mudar para Bristol, pronta para começar a viver meu sonho, se não fosse aquele pequeno empecilho. Empecilho que tinha nome, sobrenome, endereço fixo, e uma longa história de tormento interminável com a minha pessoa.

Há dois anos, quando eu estava terminando o primeiro ano do médio, vi Colin se mudar para Bristol para começar a cursar a faculdade, e pensei que finalmente eu estaria livre daquela mosca morta. Bem, eu estava errada. Claro que nossa convivência diminuiu bastante nos últimos dois anos, que foram os mais abençoados da minha vida, mas eu ainda continuava a vê-lo durante os feriados e também durante as férias, que ele quase sempre insistia em passar em Londres com a família dele, e consequentemente com a minha também.

E agora que eu estava me formando e indo para a faculdade, pensei que estaria livre dele de uma vez por todas. Principalmente quando fiquei sabendo que tinha sido aprovada na universidade da Virgínia, do outro lado do oceano. Me apressei em fazer a matrícula e arrumar uma moradia por lá, com todo o apoio dos meus pais, porque dentre todas as faculdades em que eu havia sido admitida, aquela era a melhor.

Isso até dois dias atrás, quando eu recebi a carta de Bristol. No momento em que li as palavras “você está admitida na Universidade de Bristol”, eu simplesmente saí pulando e gritando pela casa, irradiando alegria por todos os meus poros e não me importando com mais nada além da minha aprovação. E é mais do que óbvio que, quando meus pais me ofereceram a opção de trocar minha vida quase já planejada na Virgínia por uma vida que me proporcionaria um futuro brilhante em Bristol, eu não hesitei em dizer sim. Não me importava se Colin estudava lá também. A universidade de Bristol tem vários campus, e Bristol é uma cidade muito grande para existirem possibilidades grandes demais de eu esbarrar com aquele ser.

E o dia que se passou desde que recebi a carta foi pura alegria. Até aquela manhã, quando minha mãe apareceu com “a novidade” para mim. Assim que a vi na sala, acompanhada pela mãe de Colin, com um sorriso de orelha a orelha, eu sabia que não era boa coisa. Claro que não.

Recebi os cumprimentos da Sra. McDanner e me sentei com elas na sala, esperando pela bomba que minha mãe soltaria. Eu não tinha nada contra a família do Colin, muito pelo contrário, eles eram pessoas amáveis, que eu tratava como se fossem da família. O meu problema era única e exclusivamente com Colin.

E óbvio que, quando minha mãe soltou a bomba, eu já estava meio que psicologicamente preparada. Porque se a mãe dele estava ali, a novidade tinha alguma coisa a ver com o imprestável do Colin. Lógico que tinha.

E “a novidade” foi nada mais nada menos que a ideia brilhante de Diane, mãe do Colin: Eu devia dividir o apartamento com aquela praga já que estava indo para Bristol, e acreditem ou não, ele também cursava direito e tinha um apartamento perto do campus que eu frequentaria. Perfeito. Mais do que perfeito.

É óbvio que eu simplesmente não podia recusar a oferta da Diane, que dizia já ter falado com o Colin, e afirmava que ele tinha “concordado e adorado a ideia”. Eu não podia recusar por dois exclusivos motivos: Eu não podia dizer não a Diane e obrigar minha mãe a pagar um apartamento exclusivamente para mim, coisa que não era barata em Bristol, principalmente perto da universidade, e também não podia perder a oportunidade de estudar lá. Então com um sorriso amarelo e totalmente contra gosto, eu aceitei a oferta “generosa” de Diane. Para a alegria dela e dos meus pais, é claro.

E agora eu estou aqui, me perguntando se fiz a coisa certa, e se eu realmente vou aguentar voltar a conviver com Colin. Ainda mais sob o mesmo teto. É... Lá se foi o plano de uma vida longe daquele moleque.

Suspirei, cansada de encarar o teto, e me levantei, deixando meu ursinho na cama e calçando os chinelos, enquanto caminhava até a escrivaninha, pegava todos os documentos necessários para fazer uma matrícula em universidade, e segui para a escada, indo encontrar minha mãe na sala de jantar, com o notebook aberto. Ao me ver ela sorriu, apontando a cadeira ao seu lado.

– Consegui cancelar sua matrícula na Virgínia, e ainda recuperei os dois meses de aluguel que tínhamos pago, porque o dormitório é da própria universidade e eles nos reembolsaram. Uma beleza, não? – Falou Amber Climber, vulgo mamãe, enquanto eu me sentava ao lado dela.

– Maravilhoso. – Falei suspirando, mas forçando um sorriso. Eu estava feliz em ir para Bristol, estava mesmo! Eu só não estava muito contente com o fato de ter que dividir o teto com Colin, mas eu lidaria com isso depois. Não vou arriscar minha carreira por causa de um detalhe desses.

– Trouxe os documentos? Não quero ficar adiando sua matrícula. Temos um prazo de duas semanas, e você sabe como eu sou desesperada com prazos. Não gosto de deixar para a última hora.

– Aqui. – Estendi os documentos para ela, e ela pegou com um sorriso maior do que o rosto, enquanto acessava o site destinado para a matrícula e começava a preencher os campos necessários. – Ei, é impressão minha, ou você está mais triste do que deveria com esse lance de ir para Bristol?

Suspirei. Claro que minha mãe ia perguntar. Na verdade, tava demorando pra isso acontecer.

– Eu estou feliz. Juro! – Falei, na defensiva quando ela me olhou desconfiada, mas logo desisti de tentar fazer parecer que ir morar com Colin para estudar eram as mil maravilhas – Eu realmente estou feliz com a universidade mãe. É tudo o que eu sempre sonhei, você sabe. Mas... Morar com o Colin não estava nos planos. Tipo, não mesmo. Eu pensei que depois que eu me formasse ia estar livre dele pelo resto da vida, mas acho que eu estava errada.

Minha mãe revirou os olhos, sem desviar a atenção do formulário na tela.

– Eu sei que, apesar de vocês terem vivido colados desde que nasceram, você e o Colin não se dão muito bem. – Ela disse, tentando amenizar a situação, apesar de saber que era mais do que “não se dar bem”. A gente se odiava. Pra valer. – Mas você tem que passar por cima disso, querida! É o seu futuro, sua profissão! Não acha que tentar conviver com Colin civilizadamente, e cursar uma faculdade de destaque, que vai te levar a uma carreira brilhante, é melhor do que se mudar para os Estados Unidos, dividir um quarto apertado com outra estudante que você nunca viu na vida, e ainda ficar longe da família?

– Eu sei mãe. E eu nem ia escolher ir para a Virgínia no final das contas. Isso já estava fora de questão no momento em que eu abri a carta de Bristol. Mas mesmo assim, não estou muito contente com o fato de ter que ir morar com o Colin. Sei que nós devíamos ser amigos e tudo mais, mas não dá. – Suspirei – Pelo menos vou tentar ter uma relação civilizada com ele, pelo bem da minha carreira acadêmica.

Ela deu um sorriso.

– Isso mesmo querida. Sua carreira acadêmica é o mais importante. E bem, conhecendo o Colin do jeito que conheço, é capaz de que vocês raramente se cruzem no apartamento. Se você der sorte, o horário de vocês na faculdade vai ser completamente diferente, e vocês não vão precisar nem se cruzar durante o dia, talvez apenas durante a noite. – Ela falou, e eu tentei sorrir e parecer otimista. Ela podia estar certa. Vida de universitário é corrida, e não tinha como eu e o Colin nos cruzarmos a todo momento do dia.

– Bom, pelo menos eu ainda tenho quase dois meses e meio para aproveitar cada segundo que ainda tenho longe dele. – Falei, me lembrando de que semana que vem seria minha formatura e então eu estaria oficialmente de férias. Relaxei um pouco com o pensamento. Pelo menos não seria o fim do mundo, e eu poderia passar aquele tempo longe do Colin. Pelo que os pais dele falaram há algumas semanas, ele precisa de crédito extra na faculdade, e não vai passar a primeira parte das férias por aqui. Graças a Deus terei férias tranquilas.

Minha mãe continuou digitando incansavelmente, enquanto preenchia a matrícula. Eu continuei parada ao lado dela, enquanto esperava que ela terminasse para que pudéssemos decidir o que iríamos jantar. Meu pai estava de plantão no hospital hoje, e então seria apenas eu e mamãe.

Olhei para o relógio algum tempo depois, vendo que minha mãe ainda não tinha terminado e que já eram seis e meia da noite. Ela murmurou algo sobre ter que ler o contrato da universidade com atenção e mais um monte de baboseira, e falou que seria melhor se eu saísse com Mariana para jantar. Relutei em dar atenção ao seu pedido, porque realmente não queria deixa-la sozinha em casa para jantar. Mas quando senti que já estava verde de fome, e que se não comesse logo iria desmaiar, resolvi abandonar minha mãe com seu computador e o contrato da universidade, e ir trocar de roupa, para logo depois sair, avisando que estava indo até a casa da Mari, e que não voltaria tarde.

Mariana Sloan é minha melhor amiga desde que me entendo por gente. A mãe dela, assim como a mãe do Colin, é uma das melhores amigas da minha mãe. As três faziam parte do grupo de torcida do colégio, frequentaram a mesma faculdade, e até hoje são inseparáveis. Por isso Mari, desde pequena, era parte do meu círculo de amizade, que incluía apenas Colin e ela. Não que Colin fosse meu amigo, ele apenas estava incluso por obrigação dos nossos pais. E sim, durante grande parte da vida, eu só tive uma amiga, a Mari. O resto das minhas amizades era muito superficial e eu não fiz questão de manter nenhuma delas. Cá entre nós, eu não sou uma pessoa muito sociável.

Desci a rua da minha casa e virei à esquina, continuando reto pela rua e depois atravessando na faixa de pedestre logo adiante. Para a minha sorte Mari morava perto da minha casa, e não tive que andar muito mais até avistar a casa amarela e grande que ela habitava. Subi correndo os degraus da entrada e apertei a campainha, e menos de cinco minutos depois Mariana abriu a porta com cara de poucos amigos. Apesar disso deu um sorrisinho ao me ver, e abriu um pouco mais a porta para que eu passasse.

– Pensei que você ia aproveitar o primeiro dia oficial de férias com mais estilo, tipo dormindo o dia todo. Esperava te ver só amanhã. – Ela falou, enquanto ia para a sala e se jogava no sofá novamente. Eu a segui e me sentei ao seu lado. Reparei que ela assistia a uma maratona de Grimm. Mariana nunca muda. Ela é viciada em séries de TV. Em todas elas, literalmente, e seus dias se resumem a assisti-las.

– Como se eu fosse conseguir depois das notícias bombásticas que recebi. – Falei, e ela me olhou com curiosidade, esperando que eu falasse logo. – Vai trocar de roupa. Vamos ao subway, porque minha mãe me trocou pelo computador e pela matricula em Bristol, e eu estou verde de fome, então vim te buscar para jantar. Lá eu te conto o que aconteceu.

Em menos de cinco minutos ela desligou a televisão, subiu para o seu quarto, e desceu novamente, com os pijamas substituídos por uma calça jeans rasgada nos joelhos e uma camiseta dos Beatles preta, junto com um vans xadrez.

– Vamos, to ficando com fome também, e to morrendo de curiosidade para saber as novidades. Que pela sua cara, by the way, não são nada boas. – Falou, enquanto abria a porta, e eu a seguia para fora.

– Cadê sua mãe? – Perguntei, quando notei que não vi tia Anne desde que cheguei, e nem vi Mari avisar que sairíamos.

– Ela e meu pai foram pra um congresso de arquitetura em Chicago. Seremos só eu, a televisão e os DVDs até semana que vem. Pelo menos ela volta a tempo da formatura. – Ela falou, enquanto trancava a porta, e eu concordei com a cabeça.

Caminhamos até o Subway, que não ficava longe da casa dela, e fizemos nossos pedidos. Enquanto comíamos, fiz o resumo do dia desastroso que eu havia tido, da proposta brilhante da mãe de Colin, e tudo mais.

– Cara... Às vezes não acredito na má sorte que você tem quando se trata do Colin. Claro que eu não tenho problemas com ele, e eu não entendo esse ódio épico entre vocês. Mas eu não queria estar na sua pele. Se eu tivesse que dividir o apartamento com alguém que eu não suporto... Cara, eu acho que eu cometeria um assassinato em menos de vinte e quatro horas dividindo o ambiente.

– Não duvido que você faça isso. – Falei, enquanto terminava o meu lanche, e tomava mais um gole de chá gelado.

Ficamos mais um tempo apenas jogando conversa fora na lanchonete, até que percebi que estava ficando tarde, e falei que deveríamos voltar para a casa.

Caminhamos lentamente pelas ruas que levavam até a casa de Mari. Eu a deixaria lá primeiro, e depois iria sozinha para a minha.

– Você sabe que, apesar dos apesares, eu fiquei feliz por você estar indo para Bristol né? Tipo, a gente nunca se separou, desde que éramos criancinhas, e apesar de eu ter ficado feliz por você ir para a Virgínia cursar o que você sempre sonhou, eu sabia que não seria a mesma coisa sem você por perto. Nos falaríamos só por Skype, e eu te veria apenas nas férias, e olhe lá. Agora pelo menos vamos estudar na mesma universidade, e morar na mesma cidade. – Ela falou sorrindo, enquanto andávamos de braços dados, um costume que tínhamos desde pequenas. – E cá entre nós, não vamos comparar a Virgínia com a Universidade de Bristol.

Dei um sorriso, confirmando com a cabeça.

– É assim que devia ser. Acho que estava predestinado irmos para a faculdade juntas. Claro que sim. Eu não consigo me separar de você, por mais insuportável que você seja de vez em quando. Somos irmãs de mães diferentes. – Falei e ela sorriu, concordando.

Chegamos a porta de sua casa, e ela subiu os degraus, parando na porta antes de entrar.

– Você quer subir? A gente pode assistir alguma coisa na TV... – Falou, mas eu neguei com a cabeça.

– Não quero deixar minha mãe sozinha por mais tempo. – Falei e ela confirmou com a cabeça. – Te vejo amanhã?

– Com certeza. Precisamos ir comprar os vestidos para a festa de formatura. Sabe como é, só se forma uma vez na vida no ensino médio e tal. – Falou ela, e eu confirmei sorrindo.

– Então até amanhã. – Falei, e observei ela acenar e entrar em casa, enquanto eu subia a rua apressada.

Cheguei em casa e minha mãe já tinha jantado e estava na sala assistindo TV. Me juntei à ela no sofá, e conversamos sobre nosso dia amanhã. É claro que minha mãe, junto com a tia Diane, acompanhariam eu e Mari amanhã na compra dos vestidos, e minha mãe estava simplesmente radiante com isso. E vou admitir que eu também estava. Em uma semana, eu estaria formada no ensino médio. Só mais uma semana, e então eu estaria pronta para seguir meu sonho.

##

Segurei firme meu diploma na mão esquerda, enquanto com a direita segurava meu chapéu de formanda e posava para a foto, ao lado de mais pelo menos vinte colegas de classe. É claro que não tínhamos tempo para fotos exclusivas. Elas deveriam ser feitas em montinhos de vinte, já que a turma era gigante, e ainda tínhamos uma festa para ir depois de todo esse cerimonial.

Quase fiquei cega pelo flash luminoso demais que atingiu meu rosto, e dei graças a Deus quando o fotógrafo avisou que aquela havia sido a última foto. Me apressei a sair do meio dos meus colegas de turma e correr até onde minha mãe e meu pai estavam, junto com a mãe e o pai de Mari. Mari também estava lá, e me abraçou assim que eu cheguei.

– Não acredito que estamos formadas. – Ela falou, enquanto segurava meu rosto entre as mãos – Formadas, garota! Nada de ensino médio, nunca mais! Agora só faculdade e muitas festas loucas!

Dei risada de seu entusiasmo e a abracei. Mais uma etapa da vida que concluíamos juntas. E não deveria ser diferente. Fui abraçada por meus pais, e depois pelos pais de Mari, recebendo incontáveis parabéns de ambas as partes, enquanto intercalava os elogios com os cumprimentos de professores e colegas que passavam por mim.

Alguns minutos depois, tia Diane e tio Brandon apareceram no meio da multidão, seguindo até onde estávamos com sorrisos nos rostos.

– Finalmente encontrei vocês! – Diane falou, se aproximando de mim e me pegando em um abraço apertado.

– Achei que não tivessem vindo. – Falei sorrindo, e a abraçando de volta, igualmente apertado.

– E você acha que eu ia perder sua formatura, passarinho? Te acompanho desde que você nasceu, não poderia faltar a um momento desses. – Ela falou enquanto se afastava, e eu sorri.

Logo depois fui abraçada por Brandon, enquanto Diane abraçava Mari, e então todos se juntaram para conversar. E minha noite estava completamente perfeita. Perfeita até eu enxergar o monte de cabelos pretos caídos pela testa, e olhos azuis muito claros, que pertenciam a um ser que caminhava em minha direção. Ótimo. Colin tinha que aparecer. No dia da minha formatura. Mas é óbvio que sim, ele nunca perdeu sequer um evento da minha medíocre vida, porque perderia agora? Dane-se a faculdade dele e os créditos que ele estava precisando, não é? É lógico que ele ia dar um jeito de aparecer. Como se já não bastasse o fato de que vamos viver sob o mesmo teto nos próximos quatro anos.

– Até que enfim encontrei minhas formandas! – Ele falou, se aproximando de mim e de Mari, e nos lançando um sorriso irritantemente branco. Um sorriso que eu não senti falta nenhuma nos últimos seis meses que passei sem olhar para a cara dele.

– Colin! – Mariana gritou, saindo de perto de mim e se jogando nos braços do inimigo. Ao contrário de mim, Mari era muito amiga de Colin. Eu não conseguia entender como ela aturava ficar perto dele por mais de um minuto, mas ela conseguia, e adorava isso. Às vezes eu acho que minha amiga é louca. Sei lá. – Pensei que só ia te ver quando fosse pra Bristol! – Ela falou, enquanto se afastava um pouco dele para olhá-lo nos olhos, mas continuava meio abraçada com ele.

Colin sorriu mais uma vez, olhando para minha melhor amiga. Que também é melhor amiga dele, shit.

– E ia. Eu não ia vir pra Londres tão cedo. Estava precisando de créditos extras em uma matéria pra não ser reprovado e os planos eram eu passar o verão inteiro estudando. Mas então o professor da matéria em questão reparou que tinha passado duas das minhas notas do semestre errado, e acabou que eu tinha mais créditos do que o necessário. Graças a isso, aqui estou eu. – Ele falou – Além do mais, você acha mesmo que eu ia perder a formatura de vocês? Acompanho você e a Hallicia desde que vocês nasceram, não podia perder a formatura do ensino médio.

Mari sorriu, confirmando com a cabeça e o abraçando novamente, mas logo depois o soltando e indo abraçar qualquer outro garoto que passava por nós. Mari era bem sociável na escola, e ao contrário de mim, gostava de pessoas, e por isso conhecia quase todo mundo da nossa turma.

Assim que Mari se afastou, Colin foi cumprimentar meus pais e os pais dela. E é claro que por último ele se virou para mim, com um sorriso forçado e um falso entusiasmo.

– Hallie! Que saudades! – Ele falou, com ironia e falsidade transbordando. Eu não estava brincando quando disse que a gente se odiava. Ele fazia de tudo para me provocar, e eu fazia de tudo para provoca-lo. Ainda não sei como passei dezoito anos de vida convivendo com ele, sem tem o impulso de apunhala-lo no peito com uma faca de cozinha.

– Colin. Não esperava te ver antes das minhas férias terminarem. Parece que infelizmente não tive a sorte. – Falei, retribuindo o abraço rapidamente e logo me afastando. Só a presença dele me irritava, e eu começava a me perguntar como passaria os anos seguintes dividindo um apartamento com ele. Bom, a merda já estava feita, e eu não podia voltar atrás.

Ele soltou uma risada alta, enquanto jogava a cabeça para trás. Escandaloso como sempre.

– Presunção sua achar que eu ia deixar de passar as férias com a minha família só porque não quero te ver. Ou só porque você não quer me ver. Eu já passo grande parte do ano longe deles, sinto falta de casa. – Ele falou, colocando as mãos no bolso da calça jeans escura. – Além do mais, não pense que é a única descontente com a situação. Eu já estava até me conformando em ficar estudando durante o verão todo, se isso significasse não ter que te ver antes das aulas voltarem e minha vida virar um inferno.

Arqueei as sobrancelhas e lhe dei um sorriso irônico.

– Acho que tia Diane mentiu quando falou que você “adorou a ideia de morarmos juntos”. – Falei, cruzando os braços. Ele me olhou da mesma maneira. Era sempre assim, nossos diálogos eram uma batalha eterna, em que sempre disputávamos quem sairia com a razão.

– Foi porque a minha mãe falou que eu tinha adorado a ideia de você vir morar comigo que você aceitou ir de verdade? – Ele perguntou, logo depois balançando a cabeça em negação – Eu esperava mais de você, passarinho. Tinha quase certeza de que minha mãe ia me ligar e dizer que você tinha recusado o convite. Por que você ia querer passar quatro anos da sua vida acadêmica comigo? Mas acho que eu estava errado.

Afirmei com a cabeça.

– Completamente errado, amorzinho. – Falei. – E não se faça de sonso Colin, você é esperto demais para saber que eu só aceitei ir porque estou pensando no meu futuro e na minha carreira. E pode apostar que, assim que eu conseguir uma grana vou me mandar pro meu próprio apartamento e você vai ter a satisfação de nunca mais precisar olhar na minha cara todas as manhãs. Assim como eu vou ter o prazer de nunca mais ter que olhar pra sua.

Ele concordou, sorrindo.

– Aguardo ansiosamente o dia em que isso vai acontecer. Pensei que quando fui para Bristol eu estaria livre de você pro resto da vida. Mas parece que não. – Ele suspirou – Bom, não há nada que eu possa fazer. Só espero que esse tempo que serei obrigado a passar com você voe.

– O sentimento é recíproco. – Falei. Ele sorriu maldoso e se aproximou de mim. Não recuei, e apenas o encarei.

– E só pra te deixar ciente: Meu apartamento tem regras. Não me importa se uma mulher está chegando para dividir o espaço comigo, você simplesmente não vai muda-las. Não importa o quanto você tente, passarinho, eu sempre serei o chefe daquele lugar.

Olhei para ele desafiadora, enquanto me aproximava mais. Fixei meus olhos, cinzas como tempestade em seus olhos azuis, e falei com o tom mais firme que já tinha usado na vida.

– É o que veremos Colin. É o que veremos.

Notas finais
O que acharam? Mereço reviews? Estou esperando as opiniões de vocês! Ah, uma perguntinha rápida: Vocês preferem capítulos mais compridos (como esse) ou capítulos mais curtos? Me respondam pelos reviews :) Obrigada por lerem galera, até o próximo. Beijos.