Beautiful Mess

12 Capítulo 11 - Driving you crazy


Notas iniciais
Oi oi gente! Antes tarde do que nunca, estou aqui com o novo capítulo! E olha só que maravilha, dessa vez demorei menos de um mês para atualizar, ihul! *orgulho* Eu escrevi esse capítulo inteiro - que ficou grande, yessssss - em UMA MADRUGADA GENTE! E sem dúvida nenhuma, nenhuminha mesmo, esse é meu capítulo favorito. A partir de agora a história vai ficando ainda mais gostosa de escrever, e eu estou adorando isso! Espero que vocês gostem do capítulo! Vou parar de tagarelar por aqui, e deixar vocês lerem. Nos vemos lá em baixo! - Boa leitura!

Capítulo 11 – Driving you crazy

Hallie POV – Terça-feira – quatro dias para o final do plano #JuntaMcClimber

Rolei na cama pelo que me parecia a milésima vez, com os olhos fechados, recitando todos os mantras possíveis para finalmente conseguir dormir. Cinco minutos se passaram, e nada. Eu ainda estava totalmente acordada.

Bufei, irritada, enquanto me sentava e pegava meu celular para checar as horas. Cinco e meia da manhã. Senti os nervos me subirem. Se existe uma coisa que eu odeio no mundo, é acordar cedo. E acordar cedo, na última semana de férias? Pior ainda.

Desde que cheguei em casa na noite anterior, tudo o que ocupa minha cabeça é a conversa que eu e Mari tivemos, e esse plano inusitado dela. Para a minha sorte, Colin não estava por aqui quando cheguei, o que me deu um tempo sozinha, para colocar as ideias no lugar e decidir o que eu realmente iria fazer dali pra frente.

Que eu ia tentar me aproximar do Colin com todas as minhas segundas, terceiras e quartas intenções, eu já tinha certeza. Mas a ideia de provocá-lo ainda vinha me deixando com o pé atrás. Não que realmente fosse uma ideia ruim e totalmente sem sentido, essa da Mari. Mas eu tinha minhas dúvidas. Conhecendo Mariana durante minha vida toda, sei que as ideias malucas dela tem uma grande propensão a dar errado. Mas também sei que, pelo tanto de experiência que ela tem no ramo ‘garotos x namoro’, também tem chances altíssimas de funcionar.

O problema é que eu sabia que o real motivo que me deixava com o pé atrás, não era o sucesso ou o fracasso do plano, mas sim o fato de que eu simplesmente não tinha ideia do que fazer. Ninguém, ninguém mesmo sabe, mas em todos os meus dezoito anos de vida, eu nunca tive um namoro de verdade. Na verdade, tudo o que eu tive foi um primeiro beijo muito traumático atrás de um armário velho da escola, aos treze anos. Depois disso, a única vez que eu beijei uma pessoa foi... Nunca.

Eu sei que é difícil de acreditar, mas é verdade.

Joguei as pernas para fora da cama, já conformada com o fato de que eu não ia conseguir voltar a dormir, uma vez que os pensamentos sobre a questão Colin voltaram à minha mente, e segui para a porta. Prendi meus cabelos emaranhados em um coque alto e abri a porta com o máximo de silêncio que consegui. Quando escutei Colin chegando do campeonato de videogame que ele e Drew fizeram durante o resto do dia, já eram quase duas da manhã. Sem dúvidas, ele estava cansado, e eu não queria acordá-lo. Além do mais, quanto mais tempo ele passasse quietinho no quarto dele, mas tempo ele me dava pra pensar em uma solução para todos os meus problemas de vida que envolvem ele, e o complexo sedução x namoro.

Caminhei para a cozinha lentamente, sendo tomada pelo frio da manhã e me arrependendo de não ter colocado uma calça. Enrolei-me ainda mais no casaco que chegava até o meio das minhas coxas e entrei no cubículo onde guardávamos nossa comida. Me xinguei baixinho por não ter calçado as pantufas assim que senti meus pés tocarem o chão, que mais parecia uma pedra de gelo. Por que é que não podia ter carpete na cozinha também?

Abri o armário ainda tentando ser silenciosa, e peguei um dos sachês especiais da máquina de café que tínhamos. Resolvi que estava num clima para chocolate quente e maratona do que quer que estivesse passando na TV naquele horário, então peguei um sachê com pó de alpino e deixei ao lado da máquina. Enchi a máquina com água e liguei, esperando cinco minutos antes de colocar o sachê. Coloquei minha caneca do Capitão América ali e me encostei no balcão, fechando os olhos e sentindo um cansaço espetacular, já começando a questionar essa minha ideia de desistir de dormir e simplesmente levantar.

A máquina de café havia acabado de apitar, e eu estava praticamente com as minhas mãos na argola da caneca, quando escutei um toc-toc discreto atrás de mim. Praticamente dei um pulo, virando-me apenas para encontrar Colin parado na soleira da porta da cozinha, sorrindo para mim com cara de quem tinha caído da cama. Levei as mãos ao peito, sentindo o coração acelerado, assim como a respiração. E não, isso não tinha nada a ver com o fato de ele estar sem camisa. E com os cabelos bagunçados.

Muito menos com o fato de ele estar usando uma porra de um óculos de grau que deixava ele a coisa mais fofa do universo.

– Quer me matar do coração? – foi tudo o que eu falei, quando já tinha conseguido colocar minha respiração em um estado normal. Ele revirou os olhos, e seu sorriso aumentou.

– Tudo o que eu não quero é te matar. Mas te assustar é legal. Você pula com qualquer barulhinho, achei que ia te ver escalando os armários agora. – Ele falou, entrando na cozinha e vindo até o meu lado, colocando as mãos casualmente em minha cintura e me dando um beijo na testa. – Bom dia.

Sorri para ele, abraçando-o pelos ombros sem realmente me dar conta de que estava fazendo isso.

– Bom dia, Cols.

Ele me olhou, aqueles olhos azuis – ainda sonolentos – mais lindos do que de costume, e o sorriso ainda brincando em seus lábios, porém agora menor e mais discreto. Ficou mais alguns segundos me olhando, ainda abraçado comido, e depois se afastou delicadamente, indo até o armário e pegando um sachê de suflair.

– Preciso dizer que fiquei impressionado ao escutar você se movendo pela casa tão cedo assim. Quer dizer, é quase um evento quando você acorda tipo dez da manhã. Cinco e meia, então? Nossa. Caiu da cama, ou algo parecido? – Ele perguntou, enquanto pegava sua caneca da House Tyrell, de Game of Thrones, e parava ao meu lado. Revirei os olhos.

– Não sei porque você ta tirando uma com a minha cara sobre o horário que eu acordo. Pelo menos, as dez horas eu já tô de pé. E você que só aparece depois que o almoço já esfriou? – Alfinetei, tirando minha caneca da maquina e dando espaço para ele colocar a dele. Ele reabasteceu a cafeteira com água e depois colocou o sachê, assumindo minha posição anterior, enquanto eu ia para a mesa e deixava minha caneca ali. Ele revirou os olhos. – Além do mais, você também está de pé, então suponho que não fui só eu que caí da cama.

Ele me olhou com expressão neutra por um momento, até concordar lentamente.

– Touché. Mas na verdade não caí da cama. Só tive insônia mesmo. Consegui dormir meia hora, depois fiquei só virando de um lado para o outro da cama, e criando um mundo mágico no teto do meu quarto.

Ri, enquanto me largava na cadeira, e deitava a cabeça na mesa, pronta para esperar pelo menos vinte minutos até que minha bebida ficasse um pouco menos pelante.

Foi nos segundos de silêncio que se seguiram, no momento em que eu encarava minhas pernas – e a falta de roupas para cobri-las – que o plano de Mariana voltou até minha mente. Levantei a cabeça lentamente, olhando para Colin, que estava de olhos fechados e praticamente dormindo em pé. Uma vez que tive certeza de que ele não estava me observando, me olhei de cima abaixo, analisando o modo como eu estava vestida.

Meu pijama usual era um shorts extremamente curto e colado que eu geralmente usava nos treinos da equipe de torcida da escola. Em baixo do meu agasalho um pouco grande, havia apenas um top. Olhei para a minha caneca de chocolate e me dei conta de que não havia pego o açúcar. E o açúcar ficava no armário bem ao lado de Colin. Na última prateleira. Provavelmente eu precisaria me esticar para pegar o açucareiro. E o meu agasalho era grande, mas nem tanto. Levantei ambos os braços discretamente, tentando testar minha teoria. Bingo. Mesmo que eu levantasse meu braço o mínimo possível, o tecido flanelado e quentinho do meu agasalho simplesmente deslizava barriga acima. E visto que eu estava só com um top por baixo...

Resolvi não pensar muito, apenas agir. Afinal, o máximo que poderia acontecer era ele simplesmente continuar dormindo e nem reparar na minha primeira tentativa de provocá-lo.

Arrastei a cadeira para trás, com um pouco mais de força que o necessário, apenas para chamar a atenção. No mesmo segundo, seus olhos se abriram e alguns segundos depois, focaram em mim. Caminhei até o armário sem dizer nenhuma palavra, com medo de que, se eu abrisse a boca, alguma besteira bem grande fosse sair.

Fiquei na ponta dos pés e abri a porta do armário. Só a primeira das três prateleiras já era imensamente alta para uma garota de 1,55m, que dirá a terceira, onde o meu alvo se encontrava. Fiz uma careta e me forcei para cima, apoiando uma das mãos na pia, enquanto ficava praticamente na ponta dos meus dedões e esticava o braço livre para tentar pegar o açucareiro. Minha mão não passou nem perto da terceira prateleira. Pelo canto dos olhos, vi que Colin me observava com uma expressão entretida. Suspirei, frustrada, e dei outro impulso para cima. Senti um vendo batendo na parte de baixo das minhas costas, e logo o granito escuro e gelado da pia também batia no meu abdômen. Perfeito.

Mais alguns segundos de tentativas frustradas de alcançar a prateleira, e Colin finalmente resolveu se manifestar.

– Você tá tentando fazer o que, exatamente? – Ele perguntou, com uma das sobrancelhas arqueadas, me olhando e cruzando os braços sobre os peitos desnecessariamente musculosos e expostos demais. Respirei fundo, fingindo irritação, e virei a cabeça rapidamente pra ele, sem nem ousar descer da ponta dos pés e deixar o moletom cair de volta na minha barriga.

– Tentando pegar o açucareiro. Mas como eu sou muito destratada nessa casa, você faz questão de colocá-lo na única prateleira que você sabe que não alcanço. – Bufei.

Ele revirou os olhos, se aproximando de mim.

– Não acredito que você vai colocar mais açúcar no chocolate quente de alpino. Aquilo já é doce pra caralho. – Ele falou.

– Pelo menos eu não coloco dois sachês de adoçante no chocolate quente de suflair, que é ainda mais doce do que o de alpino. Sabia que adoçante faz mal pra saúde? Quero ver quando você ficar doente, vou jogar na sua cara mil vezes que, sim, eu avisei. – Falei, virando-me novamente para o armário e tentando, inutilmente, alcançar a prateleira e, consequentemente, fazendo o moletom subir mais alguns centímetros.

Colin suspirou.

– Vai, sai daí que eu pego pra você, nanica.

Grunhi, virando apenas para encontra-lo atrás de mim, e fuzilá-lo com os olhos.

– Nanica é a sua avó. E pode sair daqui, não quero sua ajuda, obrigada.

Ele me olhou abismado.

– Sua insensível! A vovó Margot nunca foi nada além de gentil e amável com você, e depois de tudo, você vai lá e chama ela de nanica? Ela tem 1,45m? Tem, mas isso não quer dizer absolutamente nada. – Ele falou, se fingindo de ofendido, enquanto se aproximava mais, quase se colando às minhas costas. Senti um calor subindo por minha espinha, mas tentei me manter parada. – To falando sério, Hallie. Sai e eu pego o açúcar pra você colocar no xarope.

Olhei duramente para ele, mostrando que eu não ia me mover nem um centímetro dali.

– Quer pegar pra mim? Então passe em cima. Não vou sair. – Bati o pé, feito criança birrenta. Ele revirou os olhos.

– Às vezes não acredito que você tem dezoito anos. – Ele falou, antes de colar o corpo completamente às minhas costas e colocando uma das mãos no meu quadril, esticando a outra para pegar o açucareiro. Senti sua mão gelada entrar em contato com a minha pele quente e tremi, cedendo e descendo da ponta dos pés.

Péssima escolha. Colin estava tão colado em mim, mas tão colado, e ao mesmo tempo completamente empenhado em se esticar e pegar o açucareiro – que de verdade, eu nem queria mais – que obviamente não previu o meu movimento para baixo, e continuou se esticando animadamente para cima. O que resultou em um contato inesperado e indesejado de uma parte dele que simplesmente não deveria encostar-se ao meu bumbum. Tipo, não mesmo.

Senti-o congelar completamente atrás de mim e arregalei os olhos. De repente, a mão que se apoiava em meu quadril se mexeu sutilmente, e eu senti seu polegar acariciar levemente minha pele exposta, como se ele tivesse acabado de se dar conta de que aquilo não era meu moletom. Senti um arrepio passar desde o topo da minha cabeça até os dedos dos meus pés, fazendo-me praticamente perder o equilíbrio. Abaixei a mão que antes tentava pegar o açucareiro, com a intenção de apoiá-la de volta no balcão. Mas acabei indo de encontro com o braço de Colin que antes tentava pegar o açucareiro, mas que agora se encontrava imóvel no balcão. Estávamos meio abraçados de um jeito estranho, enquanto o polegar dele continuava passando na minha pele, e eu começava a me tornar cada vez mais consciente de cabeça praticamente se encostando em meu pescoço. Quando foi que ele começou a abaixar a cabeça?

Segurei um pouco mais forte na mão dele – que eu tinha pego por engano, mas não pretendia soltar – e fechei os olhos, ponderando se devia sair dali ou não. Se eu ficasse, havia uma grande possibilidade de eu simplesmente virar e me beijar – e talvez terminar fazendo outras coisas, já que a consciência corporal e o contato de partes inesperadas do corpo foi o que nos levou até ali. Porque é meio óbvio que Colin não estava com a respiração descompassada e com a cabeça quase largada no meu ombro, com o coração palpitante, só porque ele encostou a mão na minha cintura descoberta. Lógico que não.

Lembrei-me do único pedido que Mariana me fez quando armou esse plano, e na hora resolvi que não podia me virar. Não importa o quanto eu quisesse, eu tinha que esperar até sexta-feira. Afinal, sexta havia alguma coisa de especial. Ou pelo menos, era o que eu desconfiava.

Comecei a me afastar do balcão, para sair do meio de Colin e deixar que ele pegasse o açúcar como se nada tivesse acontecido, enquanto eu esperava sentada na mesa. Mas isso foi uma péssima ideia. De novo.

Assim que impulsionei meu corpo para trás, senti algo bem sólido e duro, na ponta das minhas costas. Arregalei os olhos. Mas não é possível.

Senti o aperto de Colin em minha cintura se intensificar por um segundo, enquanto um gemido completamente rouco escapava por sua boca. Lutei contra a vontade de deixar o mesmo som constrangedor escapar da minha própria boca, diante dos calores absurdos que tomaram conta do meu corpo. Apertei a mão dele até a ponta de seus dedos começarem a ficar um pouco roxas, respirando fundo e tentando raciocinar. Eu precisava sair dali. Eu realmente precisava voltar pra mesa, sentar quietinha e esperar toda a minha adrenalina baixar.

Colin pareceu seguir a mesma linha de pensamento naquele exato momento, porque soltou minha cintura em um piscar de olhos, e se afastou apenas o suficiente para eu voar para longe dele e do balcão. Mas não voltei para a mesa. Continuei parada atrás dele, observando enquanto ele voltava para o armário e com a maior facilidade do mundo esticava o braço e pegava o açucareiro.

Ele nem se deu ao trabalho de virar para me entregar o objeto, e nós dois sabemos bem o porquê. Ele apenas esticou uma das mãos com o recipiente para trás, enquanto a outra fechava a porta do armário. Me aproximei cuidadosamente e peguei o açucareiro na maior lerdeza possível, sentindo o clima na cozinha ficar subitamente super estranho.

– Valeu. – Foi a única palavra que eu me deixei soltar. Se eu já estava com medo de falar besteira antes, agora o simples ato de falar estava fora de cogitação.

Ele murmurou afirmativamente.

– Imagina. – silêncio constrangedor. Ele continuava parado, de frente para o armário, e eu continuava parada atrás dele, segurando um açucareiro. – Eu, hm, vou tentar lembrar de deixar ele na prateleira mais baixa. Assim você alcança e tal.

– Vai ser de muita ajuda. – Respondi baixo, brincando com a tampa do pote e encarando meus pés. Mais silêncio constrangedor.

Pelo menos cinco minutos se passaram até que ele resolveu se manifestar de novo. Ainda sem se virar para mim.

– Eu vou tomar um banho. Cheguei de madrugada do dormitório dos meninos, e tava com muita preguiça de tomar banho. Mas agora o suor já ta ficando nojento e... É. – Ele falou, se mexendo desconfortavelmente e projetando o corpo levemente para a frente enquanto se virava lentamente – e não inteiramente – para mim. Suas mãos estavam estrategicamente posicionadas sobre o little cols, e eu lutei comigo mesma para não olhar na direção dele. Não que eu quisesse dar uma conferida, claro que não. É só que... Ok, talvez eu quisesse dar uma conferida no material.

Senti as bochechas esquentarem só de pensar, e voltei a encarar o açúcar, que de uma hora para a outra se tornou MUITO interessante.

– Certo. – Falei. Ele não esperou nem mais um segundo depois da minha resposta, e voou para fora da cozinha. Alguns segundos depois, escutei a porta do banheiro fechar com força. Eu realmente não queria saber se ele havia ido até lá só para tomar um banho – provavelmente frio – ou para fazer outras coisas durante o banho. A simples ideia me dava calores indesejados pelo corpo.

Virei lentamente para a mesa e me sentei, deixando o pote cheio de açúcar em minha frente, e encarando a caneca de chocolate quente – que já devia estar frio há essa hora.

Encarei a parede branca da pia sem realmente enxergar nada lá, totalmente mergulhada em meus pensamentos, tentando digerir os últimos minutos da minha vida.

Mas o que é que tinha acabado de acontecer nessa cozinha?

#

Colin POV

Acho completamente desnecessário dizer que eu tinha tomado um banho frio. Também acho desnecessário dizer que eu tive que atingir um grau absurdo de concentração e meditação para simplesmente não ir lá e resolver o problema com as minhas próprias mãos. Em outras situações, eu daria uma ‘mãozinha’ ao meu amigão lá de baixo, e estaria totalmente foda-se para isso. Sou homem, porra, tenho necessidades.

Mas agora tinha uma garota vivendo em casa. Uma garota que por acaso era a Hallicia. E que por acaso era o motivo de eu ter ficado com o pau duro pra caralho na cozinha.

As coisas vinham se tornando mais difíceis para mim a cada dia que passava. Se eu tinha dúvidas sobre estar gostando dela, já estavam todas sanadas. Aquela história de achar ela insuportável e querer que ela fosse misteriosamente atropelada no meio de uma rua deserta já estava há tempos esquecida, e tudo o que eu queria era mostrar pra ela que sim, eu gostava dela, e que sim, eu queria ela pra mim.

E depois de hoje, ainda mais intensamente.

Vê-la com aquele moletom que cobria o shorts minúsculo que ela usava e apenas metade da coxa, logo no café da manhã, foi um golpe baixíssimo. Eu não precisava daquilo, muito menos de manhã. A visão privilegiada que eu tive da barriga dela enquanto ela se esticava inutilmente para pegar o açúcar foi apenas um bônus. Mas todo o resto... Todo o resto foi muito impressionante, chocante, inesperado... O que quer que você queira chamar isso.

Senti-la se encostando em mim daquele jeito, mesmo que sem intenção nenhuma, foi a gota d’água. E o fato de eu não ter controle sobre mim mesmo quando fico animadinho demais só piorou a situação.

Eu gemi no ouvido dela, cara! No ouvido! E eu tenho certeza de que meu coração fazendo batuque de escola de samba, minha respiração descompassada, e o mais importante, o mini Colin se mostrando na hora errada, não passaram despercebidos.

Era só olhar para aquela pele, normalmente extremamente branca, ficando toda corada, e constatar que até a geladeira parecia mais interessante do que eu, para saber que ela estava absurdamente constrangida. Bom, pelo menos estamos juntos nessa.

Terminei de secar o banheiro inteiro e coloquei a toalha perfeitamente dobrada no suporte, ligando secador. Eu tenho essa tendência estranha, de simplesmente limpar tudo o que eu vejo pela frente quando estou pensativo, preocupado, nervoso ou envergonhado. E no momento, eu me encontrava em uma junção de todos os sentimentos. A situação estava ainda pior.

Saí do banheiro com a minha calça do pijama, ainda sem camisa e com o meu óculos de volta no rosto. Eu não curto muito usar meus óculos, mas também sou uma pessoa um pouco descuidada demais com a lente de contato. Não acreditar quando meu médico fala que dormir com ela vai trazer problemas para os meus olhos não é uma decisão sábia. Ficar com alergia a minha lente também não é bom. Usar óculos, pior ainda. Agora some isso, todos os acontecimentos traumáticos das primeiras horas da manhã, e mais o fato de que eu vou precisar visitar meu oftalmologista hoje a tarde, e provavelmente ouvir um sermão de duas horas sobre como eu preciso me conscientizar mais se não quiser ficar cego. É, tava tudo uma bosta.

Passei as duas horas seguintes arrumando tudo o que não precisava ser arrumado no meu quarto. Ele raramente estava bagunçado, devido ao meu alto nível de paranoia com arrumação. Então tudo o que eu fiz, na verdade, foi tirar as coisas e arrumar tudo de novo. Qualquer coisa para ocupar meu tempo e me impedir de cruzar com Hallie, qualquer coisa.

Desde o café da manhã, eu não havia ouvido nem sequer um ruído que indicasse que ela estava em casa. Mas também não ouvi nenhum barulho que indicasse que ela tinha saído. Passei em frente ao quarto dela enquanto levava minha bacia com roupas sujas até nossa minúscula lavanderia, e escutei o barulho do aquecedor ligado. Ela provavelmente tinha voltado a dormir.

Deixei as roupas na lavanderia e voltei para a cozinha, logo ao lado, onde encontrei minha caneca de chocolate intocada ainda na máquina. Tirei-a de lá e esquentei o líquido no micro-ondas mesmo. Chocolate quente de suflair não se desperdiça, em hipótese alguma.

Esperei dois minutos para que o líquido ficasse pelando, do jeito que eu gostava, e fui me sentar na mesa. Notei que o pote de açúcar ainda estava em cima da mesa. E que a colher que havia dentro dele estava do mesmo jeito que eu havia deixado da última vez que eu usei. Nem parecia que Hallie havia usado o açúcar...

Fiquei encasquetado com o pensamento de que talvez ela realmente não tivesse usado o açúcar, e fiquei pensando em qual havia sido o ponto de toda aquela confusão de manhã se ela nem ia usar o negócio. Cheguei a duas possíveis conclusões, depois de muito raciocínio. Ou ela havia ficado muito chocada com os acontecimentos que até se esqueceu de usar o agente causador da reação, ou...

Meus pensamentos foram interrompidos quando meu celular vibrou com uma mensagem de Drew.

To passando aí daqui quinze minutos.

Fiquei encarando a mensagem, sem entender por que ele estaria aqui logo. Ai me lembrei do oftalmologista, que seria daqui uma hora, e que ficava praticamente do outro lado da cidade. Também me lembrei que o Drew ia junto comido, pra pegar uma receita nova de lentes de contato. Respondi a mensagem rapidamente, levantando e levando a caneca até a lava-louças, e fazendo questão de deixar o açucareiro exatamente onde estava, do jeito que estava. Eu ainda não tinha acabado com as minhas teorias.

Deitei no sofá e fiquei encarando o teto até ouvir a campainha tocar. Caminhei até lá rapidamente, parando no último segundo e pedindo para Drew entrar e esperar um pouco, enquanto eu voltava para a cozinha e rabiscava um recado todo esgarranchado para Hallie, avisando que eu tinha saído, e onde eu tinha ido. Pendurei-o na geladeira, e então finalmente saí de casa, com Drew no meu encalço.

– Impressão minha ou você tá meio inquieto hoje? – Ele perguntou, assim que chegamos ao lado de fora do prédio, e começamos a caminhar em direção ao carro dele. Olhei para ele por um momento. Eu precisava urgentemente falar com alguém sobre o que havia acontecido hoje. Eu normalmente falaria sobre isso com Kayden. Na verdade, assim que eu tivesse a oportunidade, eu ia dar um jeito de encontrar meu melhor amigo e falar tudo o que havia acontecido. Mas na falta de Kayden, Drew era um ótimo candidato a ouvinte de problemas. Na verdade, ele era até melhor do que Kayden na função, e no final das contas, ainda era um dos meus três melhores amigos.

Olhei para ele, parando de andar por um momento. Ele parou e me olhou também. Fiz um contato visual, e ele entendeu no mesmo momento.

– Temos uma viagem longa pela frente. – Foi tudo o que ele disse, enquanto voltava a caminhar. – Me conta tudo no carro.

#

Hallie POV

Depois do evento parcialmente traumático, mas também satisfatório da cozinha, eu resolvi que ia voltar a dormir. Depois de esquentar meu chocolate quente de novo e bebê-lo – sem o açúcar, que eu deixei esquecido em cima da mesa -, fiquei sono, e frio, e mais sono, e a ideia de voltar para baixo das cobertas era simplesmente tentadora.

Dormi desde as seis da manhã até as duas da tarde. Acordei morrendo de fome, e pensei seriamente em chamar Colin para sairmos para almoçar, mas eu ainda estava morrendo de vergonha de encará-lo. Eu posso ter gostado um pouco da reação que ele teve ao nosso breve contato na cozinha, simplesmente por ter uma confirmação que ele se sentia pelo menos o mínimo de atração por mim, mas isso ainda não diminuía a frequência com que minhas bochechas ficavam vermelhas e eu perdia a capacidade de olhar diretamente para ele toda vez que me lembrava do ocorrido.

Peguei uma troca de roupas e fui para o banheiro, que estava excepcionalmente limpo. Um sorriso brotou em meu rosto. Colin tinha essa mania de limpar coisas. Mas ele só fazia isso quando ele estava nervoso, ou pensativo. Pela reação dele na cozinha, tenho quase certeza de que a causa desse surto de limpeza no banheiro fui eu.

E eu pensei que esse plano da Mariana ia ser uma desgraça.

Tomei um banho rápido, colocando uma calça jeans simples, uma blusa verde com o brasão da Sonserina e meu crocs branco. Aqueles sapatos eram horrendos, mas isso não diminuía o conforto que eles traziam. Eu passava praticamente o dia inteiro de crocs.

Notei que o apartamento estava estranhamente silencioso. A porta do quarto de Colin estava fechada, e quando encostei o ouvido na porta – sim, eu fiz isso – não escutei nenhum barulho lá dentro. Pode ser que ele estivesse dormindo, mas eu duvidava disso. Provavelmente ele tinha saído enquanto eu ainda estava presa na minha ilha particular de sonhos.

Fui até a cozinha, pronta para achar qualquer sobra de comida que existisse naquela casa, já que aparentemente seria apenas eu, eu mesma e eu novamente para o almoço. Antes mesmo que eu pudesse encostar na geladeira, um papel rosa fluorescente colado no freezer me chamou a atenção.

Hey, dorminhoca.

Quando você acordar, provavelmente vai dar de cara com um apartamento silencioso, vazio e excepcionalmente arrumado – pode me agradecer mais tarde pela última parte. O motivo para a ausência da pessoa mais bonita do universo – eu, caso você não consiga adivinhar – é que a dita pessoa é extremamente burra e praticamente ferrou com a visão de vez. Então eu fui ao oftalmologista com o Drew. Te conhecendo, sei que você vai acordar quase às três da tarde, mas se eu ainda não estiver aí até essa hora, e você ainda encontrar esse bilhete de cor totalmente gay, escrito com uma das suas canetas a gel – de morango, adorei o cheiro, cogitei a hipótese de pegar pra mim, mas achei que seria muito gay –, significa que você não precisa me esperar para almoçar, porque eu provavelmente ainda vou demorar para aparecer.

Tem lasanha no freezer, bife descongelado em uma bacia dentro da pia, e eu resolvi ser um cara extremamente amável e deixei uma jarra de frapuccino à base creme, sabor caramelo, na geladeira – sim, eu passei no Starbucks e comprei mais pó.

Acho que é isso. Aproveite bem a minha ausência e, por favor, não destrua a casa. Ainda precisamos de um lugar para viver.

P.S – Caso você passe no supermercado, compre mais açúcar. Acho que você usou demais hoje de manhã ;)

Xx Colin

Fiquei encarando o bilhete e sorrindo que nem uma idiota. Quando eu pensava que não existia nenhuma maneira plausível de ele ficar ainda mais fofo e apaixonável, ele ia lá e me escrevia um bilhete desses. E arrumava o apartamento praticamente inteiro – inclusive o banheiro. E descongelava o bife pra mim. E fazia o meu Fucking frapuccino de caramelo à base creme.

Colin era bom demais para ser verdade.

Fiquei relendo o bilhete algumas vezes e sorrindo que nem idiota diante das palavras. O sorriso só aumentou ainda mais quando meus olhos pousaram sobre o pequeno P.S no rodapé do papel, onde ele falava sobre o açúcar. Olhei para a mesa da cozinha e constatei que o pote continuava ali, do mesmo jeito que eu havia deixado de manhã, completamente intocado e com a mesma quantidade – muito grande, diga-se de passagem – de açúcar que tinha quando ele tirou-o do armário.

Aquele P.S foi totalmente uma alfinetada. Não existem dúvidas de que ele percebeu que eu não tinha encostado o dedo no açúcar.

A cada minuto que passava eu me sentia cada vez menos envergonhada pela atitude de hoje de manhã. Na verdade, me sentia cada vez mais orgulhosa.

Fui tirada de meu momento ternurinha pela campainha tocando loucamente. Deixei o bilhete cuidadosamente sobre o balcão e fui até a porta, abrindo-a e dando de cara com ninguém menos que Mariana. Como se eu esperasse alguma outra pessoa.

– Bom dia chuchu! – Ela falou, animada, enquanto saltitava para dentro do apartamento e me dava um beijo estalado na bochecha.

– Boa tarde, você quis dizer. –Falei, esperando ela sair da minha frente para poder fechar a porta. Ela fez um sinal de desdém com a mão enquanto seguia para a cozinha.

– Boa tarde só depois que eu estiver acordada por pelo menos quatro horas. No momento faz apenas meia hora que estou de pé. Portanto, bom dia.

Segui de volta para a cozinha, apenas para dar de cara com ela praticamente enfiada na geladeira.

– Você tem frapuccino de caramelo geladinho, cara! Já falei que adoro vir aqui? – Ela falou, enquanto retirava a jarra transparente repleta de líquido dos deuses, e pegava um copo no armário, enchendo-o até a boca e não perdendo tempo em beber. – Pensei que o pó tinha acabado.

– Tinha. Mas acho que o Colin saiu pra comprar hoje enquanto eu dormia.

Ela parou de beber imediatamente, me olhando com um sorriso completamente malicioso logo em seguida.

– Eu perdi alguma coisa?

Revirei os olhos, mas sorri, enquanto caminhava até o balcão e pegava o bilhete, entregando-o para ela. Ela leu rapidamente, enquanto ainda bebericava o frapuccino.

– Colin sendo uma pessoa fofa ao extremo desde sempre. – Ela comentou, enquanto passava os olhos pelo papel. Depois de alguns segundos, suas sobrancelhas arquearam levemente. – Você gastou quase todo o açúcar? Pra quê? Você nem gosta de açúcar!

Olhei para ela, e dessa vez o sorriso malicioso foi meu.

– Não usei. – Falei, virando-me para a mesa e focando meus olhos no pode cheio de açúcar até a boca. Mari seguiu meu olhar e arregalou seus olhos de maneira tão cômica, que fui obrigada a rir.

– O que foi que você fez Hallicia? – Ela perguntou, cautelosamente. Fiz uma cara inocente.

– Eu só segui seu conselho, oras!

Ela me olhou completamente incrédula, e aos poucos começou a sorrir.

– Aparentemente, nós temos um bife para preparar para o almoço. E uma lasanha congelada. O que significa que eu não vou sair daqui tão cedo. Então vamos, mão na massa. – Ela disse, dando um tapa na minha bunda enquanto ia até a pia e pegava a bacia com bife. – Enquanto eu tempero essa belezinha aqui, sinta-se à vontade para me contar tudo o que aconteceu. Tim-Tim por Tim-Tim.

Concordei ainda sorrindo, enquanto seguia até o armário e ia tirando os temperos. Aquele almoço ia ser interessante.

#

Colin POV

O dia havia sido no mínimo cansativo. Depois que saímos do oftalmologista – que nos atendeu com duas horas de atraso – resolvemos passar no Mc Donalds e pegar o maior lanche, a maior batata e a maior bebida, e fazer daquilo nosso almoço. Visto que o maior lanche do Mc Donalds não mata nem metade da minha fome, fui obrigado a pegar dois lanches. E uma porção de nuggets. Sabe, só pra dar sustança.

No caminho até a clinica, contei para Drew tudo o que vinha acontecendo entre eu e Hallie, desde o momento em que havíamos chego a Bristol, até o acontecimento na cozinha. Como era de se esperar, Drew me ouviu com toda a atenção do mundo e, quando chegou a hora de se manifestar, foi o melhor conselheiro que eu poderia querer.

Ele me ajudou especialmente a confirmar as minhas suspeitas anteriores sobre o pote de açúcar intocado: Aquilo foi pura provocação. Pura provocação que funcionou perfeitamente.

Assim que vi aquele pote de açúcar intocado, coloquei minha cabeça para funcionar, e me lembrei de algo extraordinário: Hallicia nunca foi uma pessoa muito chegada no açúcar. Ela adorava coisas salgadas, e se fosse para comer ou beber algo doce, ela evitava a todo custo excesso de açúcar – menos quando se tratava do frapuccino de caramelo. Segundo ela, colocar açúcar em bebidas já doces era a pior coisa do mundo, porque apenas deixava tudo com mais gosto de xarope.

Como eu não lembrei disso ainda de manhã, eu não sei. Mas agora que lembrei, tudo estava muito claro.

Aquela coisinha maligna tinha tentado me provocar, e tinha conseguido. Mas aquilo não ia ficar barato. Como disse meu sábio amigo e conselheiro Drew, se aquilo era um jogo, dois podiam participar.

Enquanto devorávamos nossa comida, Drew compartilhou comigo suas opiniões sobre o ocorrido, e também sua ideia sobre o que eu deveria fazer em seguida. Fiquei feliz em ver que sua linha de pensamento era similar a minha.

– Acho que você deveria entrar no jogo. Sabe, se ela te provoca, você provoca de volta, dez vezes pior. Conhecendo nela, ela vai rebater e tentar fazer pior ainda... E vai continuar assim, até nenhum de vocês dois aguentar mais.

As palavras dele ecoavam em minha cabeça, e eu fazia daquilo meu mantra. Provocar dez vezes mais. Esperar por outras provocações. Continuar com o jogo, e ver quem aguenta mais, quem cede primeiro.

Eu sou uma pessoa extremamente competitiva. E eu odeio perder. Não existem dúvidas de que eu ia levar o que quer que fosse isso completamente a sério.

Estávamos quase chegando em casa, e eu ainda estava mergulhado em pensamentos, arquitetando todas as partes do meu plano, em mínimos detalhes.

Enquanto pensava em tudo isso, e tentava arrumar um motivo para a súbita provocação da cozinha, uma luz me veio à cabeça. Talvez Kayden estivesse certo. Talvez não, Kayden estava completamente certo. Se eu ainda tinha dúvidas sobre o que eu sentia por Hallie, e sobre o fato de ela sentir ou não de volta, todas elas estavam sanadas.

Aquilo era simplesmente a resposta que eu precisava para investir todas as minhas forças naquela garota. E agora, depois de tirar todas as conclusões necessárias, eu tinha um sentimento certo em meu coração, de que ela ia ser minha. E eu rezava para meu coração estar certo, pois se ele estivesse, eu ia ser o cara mais feliz do mundo.

Notas finais
Ok, eu realmente PRECISO saber o que vocês acharam desse capítulo. Tipo, sério mesmo. Porque eu praticamente surtei escrevendo isso. E agora, os próximos capítulos vão ser extremamente bombásticos hehehehe Mais alguém ansioso para a misteriosa sexta-feira? Colin acabou de decidir que vai entrar no jogo da Hallie, então segurem seus forninhos. Nem eu estou preparada para isso hahaha! Deixem suas opiniões, porque eu realmente preciso saber o que vocês acharam, especialmente nesse! #Perguntaaleatória: Vocês shippam Mayden (Mari + Kayden)? É só uma curiosidade, porque eu adoro ambos os personagens hehehe. Prometo não demorar com o próximo capítulo que JÁ ESTÁ SENDO ESCRITO, COMEMOREMOS! Beijos meus chuchus, até a próxima!