Chegar a mansão Mikaelson não era nada fácil para Elena. O pequeno discurso acusatório de Katherine passou, em câmera lenta, por seus pensamentos, com enfoque nas palavras que mais machucaram.

Ao seu lado estava Caroline, vestida tão elegantemente quanto poderia. Lamentou-se por Bonnie não estar com elas. A bruxa recusara-se pisar naquela casa.

Ela ergueu a cabeça, olhando firmemente para frente e logo seus olhos correram ao redor da casa, procurando desesperada por Elijah. Não pretendia ficar na festa por mais tempo do que o necessário. Ela via pessoas desconhecidas, os novos alunos do colegial e os únicos com rostos conhecidos eram os membros do conselho.

— Elena! – cumprimentou amavelmente a mãe de Tyler, com um sorriso sincero crescendo em seus lábios. – Como vai? Há tempos não a vejo. Olá, Caroline.

— Oi – respondeu ela, num murmúrio com a metade do ânimo da mulher, não era como se ela fosse desabafar com a prefeita e contar o tipo de problema que sua relação distorcida com um Original trazia a sua vida. – Estou bem. Passando um tempo na cidade, senti falta daqui enquanto estava em Withmore.

Era uma mentira. Mas saíra com tanta naturalidade que a vampira quase acreditou nas próprias palavras. Caroline aproveitou o momento para fazer uma pergunta ou duas sobre Tyler, roubando a atenção da prefeita para si mesma e deixando Elena livre para procurar o Original pela casa e assim ela fez.

Algum tempo havia passado desde o momento que ela iniciou a procura e até então não tinha sucedido. Ela observou as escadas ao andar superior e considerou subir sorrateiramente, mas desistiu assim que Rebekah passou em sua frente, parecendo extremamente feliz.

— Rebekah, por acaso você viu Elijah?

O sorriso da loira murchou lentamente em seus lábios e, mais uma vez, ela parecia como a irmã mais nova, mimada e arrogante da família.

— Ele sumiu tem um tempo. Talvez no andar de cima. Suba as escadas, direita, ultima porta a direita – orientou, de má vontade.

Elena assentiu e esperou que a Original saísse de sua vista, para que não parecesse tão desesperada ao acelerar os passos em direção as escadas. Ela sabia que Hayley dividia o mesmo teto que Elijah e aquele pensamento a incomodava. Por que eu o afastei? Ele não teve culpa de nada o que aconteceu e tudo o que eu fiz foi dar uma chance para que ela tornasse a se aproximar e a ocupar o lugar que no passado ocupou. Pensou ela, subindo as escadas e seguindo as instruções de Rebekah.

A porta estava entreaberta, mas não havia nenhum movimento do lado de dentro. Elena bateu duas vezes, com certa força, para produzir um barulho audível, quando ninguém respondeu, ela afastou ainda mais a porta.

Ele estava com o ombro recostado na parede, olhando fixamente para um anel da lua. Parecia analisa-lo com preocupação. Elena sabia que o único modo de ele ter aquele objeto era se tivesse matado os lobisomens.

— Elijah?

O vampiro virou sua cabeça instantaneamente para a direção da voz.

— Não se cansou de seus joguinhos, Katerina? – ele falou, num tom áspero.

— Por que é que está me confundindo com a Katherine? – ela respondeu, quase ofendida. Observou os olhos dele correrem para sua mão e por algum motivo sua expressão sombria de preocupação clareou-se e ele guardou o anel no bolso interno de seu paletó.

— Elena? Me desculpe... Está sendo uma noite complicada, como previ que seria – explicou-se brevemente, sem dar muitas informações. – Entre.

Ela obedeceu, ainda não compreendendo completamente porque fora confundida com Katherine. Fechou a porta delicadamente atrás de si e uniu forças e coragem para confrontá-lo.

— Você matou aqueles lobisomens?

— Lobisomens? – retorquiu ele, estreitando os olhos e parecendo confuso.

— A matilha, eles estavam sem coração. Me disseram que esta é a sua marca e de fato faz sentido. Você matou um cara exatamente deste jeito na minha frente, um tempo atrás.

Elijah afastou-se da parede finalmente. Se por um segundo havia pensado que Elena estava ali para decretar a paz, poderia estar enganado. Ela já era a terceira pessoa naquela semana que fazia exatamente a mesma pergunta e usava praticamente o mesmo argumento. Minha assinatura. Ele pensou, com descaso.

Primeiro Klaus oferece paz trazendo Hayley de volta, dá uma festa sem o menor sentido, Katherine aparece vestida exatamente igual a Elena e o beija. Um plano estava sendo executado em baixo do seu nariz e o Original fora incapaz de farejá-lo.

— Por que eu mataria os lobisomens que enfraqueceriam meu irmão? – ele respondeu, um pouco rude.

— Porque ele trouxe sua amada de volta – afirmou ela com tanta certeza que quase o convenceu.

— Quem lhe contou que aquela matança tem a minha marca? – disse ele, desviando do assunto unicamente para provar o que estivera pensando.

— Isso importa? – respondeu ela, parecendo perder um pouco da confiança.

— Eu matei um lobisomem da matilha, o dono do anel que segurava a pouco. O homem que matei na sua frente, matei para protege-la. Aquela é a minha marca, sim. Mas a chacina, não – ele respondeu, olhando firmemente nos olhos de Elena, mostrando a ela que ele não vacilaria em sua verdade. – Apesar do que sentimos um pelo outro, você não saberia, por si mesma, que é daquele jeito que eu costumo agir, então pergunto mais uma vez, quem lhe contou?

Era incrível como cada palavra que saia a boca de Elijah conquistava completamente a confiança de Elena. Ao ponto de fazê-la sentir-se mal por ter duvidado de suas intenções. Ainda havia um ponto a ser esclarecido naquele assunto, mas a vampira achou que deveria dar a honra de responder uma pergunta.

— Katherine.

Elijah elevou as sobrancelhas para aquela informação. Não de surpresa, mas sim porque sentia-se incapaz de não ter notado logo de início. Klaus estava se vingando lentamente, fazendo com que Hayley e Elena duvidassem de seu caráter, abrindo pequenas brechas para que pudesse dar uma cartada final, na mulher certa. O híbrido sabia que por uma ou outra Elijah se machucaria e precisava daquela festa para confirmar qual.

— Nós estamos agindo exatamente como ele esperava que agíssemos – Elijah falou, fixando seus olhos castanhos nos de Elena, querendo que ela compreendesse a seriedade do momento.

— O que quer dizer com isto? – ela perguntou, sem pestanejar.

— Tudo isto serve apenas para que Klaus saiba a melhor forma de me atingir, Elena. Através de você ou Hayley. Por isso Kol está novamente empalado em um caixão. Katherine jamais aceitaria entrar nesta casa com meu irmão mais novo acordado, seria problemático demais.

Lentamente a vampira conseguiu acompanhar o raciocínio do Original, através das curtas lembranças que passavam por sua mente em flashes. Até então não sabia que Kol estava novamente adormecido, mas sabia que ele e Katherine não se davam muito bem. De fato, aquele Original era praticamente incapaz de conduzir um relacionamento sadio.

Ela notou que pela primeira vez ouvia Elijah dizer “Katherine” e não “Katerina”, com certo sotaque búlgaro na voz, que ela tinha de admitir que soava incrivelmente irresistível. Era incrível como seus pensamentos tolos tomavam conta de sua mente quando estava na presença de Elijah, pois antes de retornar a si, pegou-se pensando no quando desejava chamar-se Katerina, unicamente para ouvi-lo sussurrar aquele nome em seu ouvido, com aquele sotaque.

— Elena? – ele chamou, fazendo com que ela voltasse a realidade. Sua expressão era quase divertida agora, o que levou Elena a corar violentamente.

Ele a observou morder os lábios com certa intensidade e os olhos dela fixaram-se num ponto de seu quarto por um segundo e, em seguida desviaram-se para sua cama. Ele se perguntou no que, exatamente, ela poderia estar pensando.

— Desculpe, eu perdi o foco – ela murmurou.

— Nós deveríamos descer – ele falou lentamente. – Logo Niklaus vai anunciar o clássico Baile.

— Mas, se nós fizermos a dança juntos, não estaríamos confirmando ainda mais a nossa... – ela hesitou na palavra “relação”. Não sabia se poderia chamar o que vivia com Elijah de relação, relacionamento ou qualquer coisa do tipo.

— Sim, nós provavelmente estaríamos dando um longo passo à frente – ele respondeu lentamente. – Mas se Klaus armou toda essa situação, significa que ele espera ver exatamente o que vamos demonstrar. Talvez esteja na hora de entrarmos no jogo.

Notas finais
E aí, o que acharam? O que vocês imaginam que o Klaus irá fazer? hahaha vai demorar pra isso desenrolar, confesso! Beijos