Beautiful Lies 2ª temporada
5 Capítulo 5
Notas iniciais
Elena abriu os olhos rapidamente, o dia amanhecera e não restava nenhuma preguiça em seu corpo. Logo seu olhar foi atraído para um envelope com seu nome escrito numa caligrafia cursiva e um pouco grosseira. Ela se sentou na cama e retirou o conteúdo do envelope. Era um convite para uma festa naquele mesmo dia na mansão Mikaelson.
Por um segundo considerou ir, mas logo em seguida lembrou-se de que Hayley estaria na mesma residência e então decidiu que comparecer aquela festa não era uma das melhores escolhas de sua vida.
Ela se levantou, foi até o banheiro e fez sua higiene matinal, decidindo naquele instante que deveria retornar a faculdade até sentir-se pronta para confrontar Elijah e, chegou a conclusão que um pouco de distância da vida caótica de Mystic Falls faria bem para o seu juízo. Desceu as escadas praticamente correndo, com pressa de sentir o gosto férreo de sangue. Estava com sede. Parou de chofre ao notar sua cópia parada de frente a Damon, os dois pareciam culpados por algo.
— Bom dia, Elena – cumprimentou ela, de uma maneira falsa.
— O que você está fazendo aqui? – retorquiu a outra, sem se importar em ser educada.
— Ora, eu soube de uma festa Mikaelson. Não poderia perder a chance se bisbilhotar no que irá ecoar pelo próximo século.
Elena não compreendeu o que Katherine estava querendo dizer com aquilo. Pouco sabia sobre as festas da família Original e pouco queria saber, mas pelo tom astuto que a doppleganger mais velha usara, Elena sentiu-se na obrigação de perguntar:
— O que quer dizer com isto? O que, exatamente, você acha que vai ecoar pelos séculos?
Katherine observou pacientemente as unhas da mão esquerda, como se realmente estivesse interessada em saber se todas estavam do mesmo comprimento. Em seguida olhou para Elena com desdém.
— Klaus está dando uma festa quando uma matilha de lobisomens praticamente inteira foi morta por Elijah. Provavelmente estão celebrando a aliança familiar inquebrável dos Mikaelson.
Elena pareceu desolada ao ouvir as palavras. Era muito mais decepção do que ela esperaria conseguir sentir por uma pessoa. Conseguia compreender, em partes, os sentimentos confusos de Elijah, mas não o perdoaria se ele tivesse realmente feito o que Katherine sugeria.
— Como é que você chega na cidade hoje e já sabe de tudo o que aconteceu quando esteve fora?
Damon pareceu cansado e entediado de observar aquela discussão. Virou-se na direção da porta e deixou a casa. Katherine desviou disfarçadamente do raio de sol que entrara quando a porta foi aberta, fingindo interesse em um pequeno grão de sujeira grudado ao móvel que servia de apoio para as garrafas de bebidas.
— Damon – Katherine disse, dando de ombros.
— E como é que você pode ter tanta certeza de que foi Elijah quem matou os lobisomens?
Katherine exibiu um largo sorriso de escárnio, que Elena interpretou exatamente da forma como ela esperava, mas que na verdade, significava que o assunto estava correndo exatamente para o rumo que desejava.
— Eu conheço Elijah há séculos, Elena e reconheço uma marca quando vejo. Corpos sem coração? O órgão ao lado? Ele praticamente assinou – explicou a vampira. Elena sentiu sua garganta arder. Não sabia exatamente se era a sede, raiva ou ciúme por alguém como Katherine conhecer Elijah ao ponto de reconhecer o modo como ele executava seus inimigos. Katherine suspirou profundamente e antecipou-se: — Antes que me faça outra pergunta estúpida, que evidencie ainda mais o quanto você não o conhece, o motivo da matança foi simplesmente para que os lobisomens não consigam drenar força de Klaus na lua cheia.
Aquilo fazia total sentido. Elena sabia em partes a história dos anéis da lua, chegou a pensar que Elijah usaria-os para derrotar Klaus e não que acabaria ajudando o próprio irmão.
Katherine fingiu uma expressão de pena, levou uma das mãos ao coração e então disse, com uma voz melosa:
— Oh, você realmente achou que ele mataria Klaus? Eles vivem nesta guerra há mil anos, Elena. Elijah fez uma promessa aos irmãos, Always and forever, isto eu aposto que você sabe. Alguém deveria ter lhe contado que a família vem a cima de tudo para ele.
— Mas por que ele mudaria de lado repentinamente? – indagou a moça de cabelos lisos. – Ele parecia decidido no que fazer.
— Ora, qual oferta de paz poderia ser melhor do que a que Klaus trouxe consigo? – disse Katherine por fim. Elena arregalou os olhos na direção dela, pensando em Hayley e em tudo o que Elijah havia dito a ela.
Não. Isto não pode ser verdade. Quer dizer, está vindo de Katherine. O que diabos ela pode falar que seja realmente uma verdade? Eu preciso vê-lo. Eu preciso perguntar a ele sobre tudo o que ela está vomitando em cima de mim. Ele nunca me deu motivos para desconfiar de seu caráter.
Elena elevou uma sobrancelha, indiferente, na direção de Katherine, agarrou o celular e discou o número de Caroline. Após chamar cinco vezes a loira atendeu, com a voz embargada pelo sono e antes que ela tivesse chance de reclamar, Elena falou confiante:
— Encontro você daqui a uma hora no Mystic Dresse’s. Nós temos uma festa Original para ir – desligou em seguida e rumou para o sótão, onde finalmente encontrou sua bolsa de sangue.
Katherine agradeceu mentalmente por ninguém ter realmente notado que ela estava sem o objeto que a permitia andar a luz do sol. Ela havia hipnotizado uma garota para seguir Elena e comprar um vestido exatamente igual ao da moça, sabia que para ocasiões formais como aquela, sua cópia usaria os cabelos cacheados, então não teve nenhuma dificuldade sobre aquilo.
Espionara rapidamente e sem ser notada a maquiagem e acessórios que Elena havia escolhido e rapidamente escolheu algo muito semelhante para si própria. Detestava vestir-se feito aquela mulher que considerava uma cópia menos glamorosa de si mesma, mas aquilo era um pedido do próprio Klaus e, se ela desejava aquela pulseira, precisava atende-lo.
Estava tão acostumada a ser desonesta e a mentir para salvar a própria pele que não sentiu-se mal por trair a confiança de Elijah e arriscar machucar os sentimentos do Original. De fato, a vampira temia pela própria cabeça por irritá-lo e desejava manter seu coração pulsante no peito.
***
Rebekah teve o cuidado de ajeitar a gravata borboleta de Elijah, enquanto o mesmo olhava fixamente através da janela do quarto.
— Está tudo bem? – ela perguntou, cautelosa.
— Preocupações – respondeu ele, num tom quase seco.
Ela alisou o paletó do irmão com cuidado, analisando o tecido caríssimo para qualquer falha, vinco ou marcas o que, quando se tratava das roupas de Elijah, era algo quase impossível de se encontrar.
— Sinto falta do Kol – lamentou-se Rebekah, imaginando o tipo de comentário que o irmão mais novo usaria naquela situação.
— Eu também – confessou Elijah, no mesmo tom tristonho, mas logo sorriu para a irmã, afastando-se alguns passos e deixando seus olhos castanhos correrem tranquilamente pelo corpo da mesma. Ele analisou cada detalhe do vestido que ela usava. O estilo fucho de cor roxa escura, com detalhes em preto no corpete, próximo aos seios e a cintura destacavam a pele branca e os olhos azuis claros de Rebekah. Os cabelos loiros estavam moldados em um coque firme no alto da cabeça e presos com um adorno de pedras preciosas. Ele segurou uma das mãos da irmã e a rodou educadamente, elogiando-a em seguida: — Está belíssima.
Ele se aproximou e pousou um beijo na testa de Rebekah. A loira sorriu de volta sem sequer notar que o fazia.
— Você também não está nada mal. Está quase na hora de recebermos os convidados. Vamos descer? – disse.
— Eu tenho algo para fazer antes, nos vemos lá embaixo – disse ele, com um sorriso gentil.
POV ELIJAH
Deixei minha irmã em meu quarto, virando as costas lentamente e percorrendo o caminho conhecido, que tanto evitei nos últimos dias, até o quarto de Hayley. A porta estava fechada, deduzia-se que ela gostaria de alguma privacidade, portanto fechei minha mão em punho e bati, produzindo um ruído baixo que duvidei que ela fosse capaz de ouvir.
Pude notar que ela se aproximava da porta pelo ruido que os saltos altos faziam no piso do quarto e notei que ela hesitava para abrir a porta, mas quando ela finalmente o fez, não sorriu ao me ver, como costumava fazer. Eu não a culpava, estive distante e arredio, conversando somente o necessário. Ela estava vestida para festa, mas, assim como eu, não parecia muito animada.
— Hayley – cumprimentei, controlando qualquer tipo de emoção que minha voz poderia transparecer. Eu sabia que não poderia vacilar naquela situação. Suspirei profundamente antes de continuar a falar, desta vez sem poder evitar o total tom pesado e mórbido em minha voz. – Sei que hoje é lua cheia e ainda assim comparecerá a festa, então devo um agradecimento.
— Você não me deve nada, Elijah – ela respondeu em um tom quase cortante, que eu não consegui compreender o motivo. Senti meus olhos tornarem-se fendas na direção dela e, talvez por isto ela continuou, suavizando: — Quando a hora chegar, eu não estarei aqui para causar problemas, eu garanto.
Como de costume, haviam tirado conclusões precipitadas sobre meu discurso e minha presença. Eu jamais estive naquele aposento para pedir que ela se retirasse em um momento tão frágil quanto a transformação. De fato, estive lá para presenteá-la com um objeto que há pouco tempo eu havia tomado de um lobisomem.
Peguei o anel da lua do bolso interno de meu paletó e o ofereci para ela, sorrindo da mesma maneira que havia sorrido para Rebekah.
— Aceite. Não terá que se transformar se usá-lo – falei tranquilamente, notando que os olhos verdes dela correram para o anel em minhas mãos. Ela o pegou, sem dizer nada e o colocou no dedo indicador.
Analisei rapidamente o que ela vestia. Um vestido longo, azul claro, extremamente elegante, que moldava-lhe sensualmente o tronco. Não posso dizer que meu lado instintivo masculino não sentia-se atraído por aquela mulher a minha frente, pois estaria mentindo. Eu, mesmo que a contra gosto, a desejava. Talvez por ainda ser o fruto proibido que costumava ser quando carregava a filha de Niklaus, talvez por nunca ter tido a chance de fazê-la feliz como deveria.
— Obrigada... – ela respondeu, sem jeito. – Eu tenho que terminar de me arrumar, se me dá licença.
— É claro. Nos vemos lá embaixo – respondi despertando de meus devaneios e finalmente começando a ouvir a música suave que tocava, representando o início daquele baile.
Caminhei até as escadas, refletindo no que exatamente Klaus estaria tramando. Ele estava sendo óbvio demais, tanto eu quanto Rebekah desconfiávamos de suas intenções, de modo que jamais seriamos alvos fáceis para sermos empalados, mas ele também não seria fácil de se matar. Naquela noite ou em qualquer outra.
Apoiei meu corpo no corrimão observando cada convidado, em sua maioria jovens. Alguns adultos, representantes do conselho e das famílias fundadoras de Mystic Falls. Ri para mim mesmo ao pensar na frase “famílias fundadoras”. Nossa comunidade milenar foi quem realmente fundou Mystic Falls e não um bando de exterminadores de vampiros.
Observei Niklaus passando acompanhado de uma jovem senhora, bajulando-a com palavras falsamente doces e oferecendo para a mesma um dos champanhes mais caros da festa. Ele olhou para mim e cochichou algo nos ouvidos da mulher. Algo que provavelmente a agradou muito, já que ela sorriu deliberadamente para mim e então cochichou de volta para meu meio-irmão. Não me dei ao trabalho de apurar minha audição, provavelmente a falta de tato de Klaus estava fazendo com que ele me oferecesse em casamento ou qualquer coisa sórdida do tipo.
Estava pensando em Elena antes mesmo de notar. Vendo seu rosto inocente em imagens de memórias, seu sorriso envergonhado, lembrando do quão insegura ela costumava ficar quando eu estava perto. Senti meu coração acelerar ligeiramente em meu peito, coisa que ele costumava a fazer quando pensava nela, algo infantil para um coração tão velho. Sorri sonhadoramente, sem quase notar o que fazia quando lembrei-me do momento íntimo que compartilhamos e apanhei-me desejando mais.
As portas de minha própria casa de abriram e me permitiram vê-la pela primeira vez e antes mesmo que ela me visse. Estava deslumbrante, em um vestido dourado queimado, com um corset que evidenciava seus seios, a saia era delicada e caia em ondas até seus pés. Ela parecia insegura e estava estranhamente sozinha. Eu sinceramente esperava que ela aparecesse flanqueada pelos irmãos Salvatore ou por Caroline, mas claramente ela estava em algum tipo de missão.
Desci as escadas apressadamente para encontrá-la, ao meu ver, sua presença no baile significava que ela tinha uma resposta para o que eu havia dito sobre Hayley.
— Elijah! – ouvi meu nome em sua voz, um pouco exasperada, virei-me e a contemplei a poucos centímetros de distância. Ela sorria delicadamente para mim.
— Por que decidiu vir? – perguntei, diretamente. Tudo o que eu precisava era de algo concreto naquele momento, para que houvesse alguma chance de esquecer todas as preocupações com Niklaus e ignorar o fato de que havia sangue com cura e estacas de madeira escondidos por minha casa.
Ela pareceu confusa inicialmente, olhou-me fixamente por alguns segundos, como se tentasse ler meus pensamentos. Seu sorriso sumiu e ela baixou a cabeça.
— Eu pensei... – seu tom era hesitante ao ponto de me deixar cauteloso, ela olhou delicadamente para o lado e quando elevou sua cabeça, surpreendeu-me com um beijo, que não durou o tempo que eu gostaria. Ela afastou-se e ajeitou minha gravata de uma maneira completamente provocadora.
Aquela não era uma atitude que Elena tomaria. Não em público. Não naquela situação. Observei de esguelha o dedo indicador, no qual Elena usava o anel do sol, que naquela mulher estava completamente ausente. Segurei-a firmemente pelo punho, afastando suas mãos de meu corpo, notando que seu coração finalmente acelerou-se. Seus olhos transpareciam o medo que não demorei a reconhecer.
— Katerina – eu praticamente cuspi o nome. – O que é que você faz aqui?
— Olá, Elijah – ela me cumprimentou, aparentemente superando o medo de ser decapitada no meio de uma multidão. – Eu estava sentindo falta do seu beijo. Continua ótimo.
Ela de soltou de minha mão com certa facilidade, uma vez que eu havia notado que algumas pessoas paravam de conversar entre si para prestar atenção no que falávamos.
Fale com o autor