Notas iniciais
Olá pessoal, desculpem a demora para postar. Tive duas provas semana passada e muita matéria para estudar. Espero que vocês gostem desse capítulo.

Os dias passaram-se lentamente desde o ocorrido entre Elena e Elijah. Principalmente para ela. Nenhuma notícia do Original e sua família e o pior de tudo era que aquilo fazia com ela tivesse pressentimentos ruins.

Frequentemente ela dava por si observando o horizonte através de sua janela, esperançosa em ver uma silhueta ou um carro em particular. O que não ocorreu.

Elena abraçou o próprio corpo e massageou o braço ao sentir a brisa gélida de outra noite que caia sem que ela tivesse notícias de Elijah.

— Elena? Você ainda está comigo? – chamou Caroline, atraindo novamente a atenção da amiga para uma pilha de livros e papéis soltos por sua cama. Estavam colocando os trabalhos da faculdade em ordem, para que pudessem manter as notas e conseguirem a aprovação no fim do ano que se aproximava.

Bonnie também estava lá mas desde quando retornou de sua viagem falava muito pouco e tornava-se arredia quando o assunto era a família Mikaelson.

— É claro que estou, Car. Desculpe – murmurou Elena, baixando a cabeça e retornando a papelada.

Era como se nada daquilo fizesse sentido. Ela estava sentada ali, fazendo trabalhos para uma faculdade que já não frequentava, fingindo uma normalidade que não existia, tentando esquecer que Klaus poderia estar atrás de vingança.

— Ok, Elena. Já é a quinta vez entre ontem e hoje que você perde completamente o foco. O que está acontecendo? – exigiu Caroline, com seus belos olhos azuis faiscando na direção de Elena enquanto Bonnie parecia interessada demais em um livro bolorento de antropologia.

— Caroline, eu não vejo mais sentido no que estamos tentando fazer. Klaus está lá fora, mexendo suas peças no tabuleiro e nós somos os peões deste xadrez! – ela confessou, finalmente, sentindo um peso gigantesco sair de suas costas.

A loira não respondeu imediatamente. Arregalou os olhos na direção de Elena e, em seguida os transferiu para Bonnie – que finalmente fechou o livro e passou a olhar as amigas. Caroline absorveu as palavras de Elena, concordando silenciosamente.

— O que você acha que deveríamos fazer, Elena? – indagou a bruxa, com severidade. – Você disse as palavras. Somos peões neste pequeno jogo, nenhum de nós tem poder suficiente para derrotar Klaus.

— Talvez eu devesse ligar para o Elijah e perguntar o que está acontecendo – disse ela, mas sua voz vacilou na insegurança e ela foi incapaz de sustentar os olhares firmes das amigas. Escolheu uma mecha de cabelo qualquer para enrolar entre os dedos, tentando decidir se deveria contar a elas o que aconteceu entre eles e, finalmente aliviar o peso em seu coração.

Caroline piscou bobamente algumas vezes, depois fechou o livro de biologia avançada que tinha no colo, massageou os olhos com os dedos e quando tornou a abri-los, eles pareciam mais sábios do que nunca.

— Você quer conversar sobre isto ou vai continuar fingindo que nada está acontecendo? – disse a vampira firmemente e, no momento que Bonnie ia retornar para seu livro, tentando fugir do assunto que ela já sabia, Caroline retirou o objeto de suas mãos, fechou-o com ignorância e o colocou de lado. – Nós três precisamos conversar – ela completou, agora olhando para a bruxa.

Elena curvou os ombros, em total derrota. Sabia o que estava por vir e que finalmente revelaria o que aconteceu entre ela e o vampiro original e sabia que seria julgada pelas amigas. Caroline aguardou dois minutos impacientemente, até fixar seu olhar de um jeito tão intenso que a castanha finalmente falou:

— Eu transei com ele – sua voz era um sussurro tão baixo que os ouvidos despreparados de Caroline e Bonnie não conseguiram compreender a mensagem.

— O que? – a loira perguntou, ao passo que Bonnie inclinava o dorso na direção de Elena, em total silêncio.

— Eu transei com ele, ok? – agora Elena havia falado realmente mais alto e a reação de Caroline foi apenas arregalar os olhos e levar a mão aos lábios, enquanto Bonnie pareceu já saber o que havia acontecido.

— Eu sabia que vocês dois iam acabar em uma cama! Quer dizer, por quanto tempo se pode resistir ao charme de um Original completamente caidinho por você? – disse Caroline numa chuva torrencial de palavras extremamente animadas. – Agora conte como foi – ela completou, exigindo uma resposta completamente detalhada.

No início, Elena não sentiu-se confortável com o assunto. Confessar tudo o que sentia por Elijah, incluindo suas inseguranças, fazia com que se sentisse fraca e vulnerável, mas mesmo assim ela contou. Acrescentando detalhes íntimos como tamanho e desempenho quando Caroline exigiu saber.

Bonnie conseguiu finalmente exibir um sorriso sincero ao notar a aura de felicidade que formava-se ao redor de Elena quando ela mencionava qualquer momento com Elijah. Ela decidiu, finalmente, acatar o pedido do vampiro e não contar nada sobre Hayley para Elena, uma vez que ele não teve nenhum envolvimento com seu sequestro.

Os olhos de Elena brilhavam bobamente quando ela se recordava do pequeno momento com Elijah e, agora tudo o que vinha em sua cabeça era oficializar o que eles estiveram escondendo por tanto tempo, mas ao pensar naquilo a imagem de Klaus tomou sua mente.

— Então, agora vocês vão andar por aí de mãos dadas? – Bonnie perguntou, com um interesse muito maior do que demonstrava. O que desejava realmente saber era em qual patamar aquela relação perigosa e potencialmente problemática estaria.

— Não sei, Bon. Tudo é muito complicado. Stefan e Damon precisam saber e tem o Klaus envolvido na história, o que me deixa muito exposta – respondeu, lembrando-se das ameaças do híbrido na noite do baile.

— Ora, qual o melhor jeito de contar para Stefan e Damon do que aparecendo aqui com Elijah? Quero dizer, juntos.

Algo dizia a Bonnie que o plano de matar Klaus seria drasticamente adiado e que a natureza boa de Elijah acabaria por vencer e ele perdoaria o irmão mais novo.

Elena deu de ombros na direção de Caroline, querendo dizer que não tinha uma resposta definida para aquela pergunta, mas sabia que Elijah não fazia o tipo de homem que aceitava uma aparição dessa maneira. Iria simplesmente parecer que ela queria enciumar os irmãos Salvatore e ele sentiria-se ofendido. Sabia que a apresentação seria um pouco mais complicada e menos perfeita do que imaginava. Neste momento, ela quase conseguiu agradecer por seus pais não estarem mais vivos para vê-la namorando com um Original. Eu chegaria em casa e falaria: oi mãe, pai. Este é o Elijah. Ele é um vampiro Original e, além de aparentar ser muito mais velho, minha vida está conectada a vida dele. Então, o que teremos para o jantar?

— Eu estava pensando que talvez seja hora para nós voltarmos a Withmore – disse Bonnie sonhadora, tentando reduzir o foco dos Originais. – Afinal, nós não temos mais importância alguma pro plano de Elijah. Ele tem que matar Klaus sozinho.

— Eu gostaria de esperar até o próximo semestre, Bon. É só que... – Elena tentou justificar-se, mas interrompeu sua fala por falta de argumentos.

Ela queria ficar para ter a chance de conhecer Elijah de uma maneira mais profunda e intensa, para que tivessem uma chance de darem certos juntos. Novamente deu de ombros na direção das amigas, agora querendo justificar sua vontade com um gesto.

— Eu só gostaria de esperar pelo próximo semestre – disse firmemente, como se não precisasse de argumentos e aquilo pareceu soar melhor do que antes.

— Garotas, vocês ouviram a novidade? – Stefan irrompeu pela porta do quarto de Elena, completamente exasperado. Quando elas acenaram uma negativa e ansiosamente aguardaram a resposta, ele continuou: — Vários lobisomens da matilha nova foram encontrados mortos ao redor da própria casa! Damon e eu acabamos de voltar de lá e o que vimos foram vários corpos sem coração.

Bonnie franziu o cenho na direção do vampiro. Ele parecia estranhamente aliviado por saber que uma matilha praticamente inteira foi encontrada morta. Mas ela, por outro lado, preocupou-se. Sabia que a marca registrada de Elijah era exatamente aquela: matar arrancando o coração. Sabia daquilo graças a Klaus.

“A marca registrada de meu irmão mais velho é um tanto brutal para alguém que se diz tão nobre. Quer saber como é? Ele arranca corações e, as vezes, confunde a vítima com uma escolha. Para induzi-la ao erro e depois a mata. Cruel, não? Agora diga-me, bruxa, o que pensa de meu irmão honrado? Vê honra no que ele faz ou agora ele se assemelha a mim?” O original sussurrou no ouvido de Bonnie, perto o suficiente para que ela sentisse seu hálito quente e, apesar de seu tom calmo, sua intenção maliciosa era palpável.