Notas iniciais
Olá pessoal. Aqui vai mais um capítulo, desculpem a demora para postá-lo, passei uma semana incrivelmente desanimada e mesmo tendo ele pronto, não tinha vontade de postar. Além do mais também estive um pouco ocupada. Mas sem mais desculpas, aqui vai ele, espero que gostem

— Você ouviu a mais nova notícia, lobinha? – perguntou Niklaus, num tom astucioso, contendo de forma nítida um sorriso em seus lábios cruéis.

Hayley virou-se para olhá-lo, aguardando pacientemente que ele desse a notícia sobre a qual perguntara. Era daquela maneira que funcionava com o híbrido, ele soltava perguntas retóricas com frequência e, mesmo quando a pergunta não se encaixava na classe retórica, ele mesmo as respondia. Ergueu uma de suas sobrancelhas na direção do homem a sua frente, tentando apressar a resposta.

— Lobisomens Correa foram encontrados mortos ao redor da própria casa.

Hayley ergueu os ombros e sacudiu a cabeça lentamente, como se quisesse dizer que não se importava.

— E você está me contando isso por que?

— Ora, porque evidentemente seu amado Elijah foi quem cometeu a atrocidade – ele finalmente sorriu, de uma forma sarcástica e vitoriosa quando Hayley franziu as sobrancelhas.

— Como você pode ter tanta certeza?

— Corações fora da cavidade torácica, jogados ao lado do corpo, como se não tivessem a menor importância. Isto não diz nada a você, love?

Hayley cruzou os braços e deixou Klaus sozinho na sala de estar, não queria dar o gosto da vitória ao híbrido, mas sabia que aquele tipo de morte era a marca registrada de Elijah. Só não conseguia entender o motivo daqueles atos.

***

Elijah ajeitou o nó de sua gravata enquanto esperava do lado de fora da mansão Salvatore. Ele havia batido algumas vezes após observar a janela do quarto de Elena fechado. A casa estava completamente silenciosa, deixando o Original a sós com os próprios pensamentos por um momento.

Estava decidido a contar exatamente o que acontecera nos últimos dias, desde o sequestro de Bonnie até o beijo entre ele e Hayley. Tudo o que esperava era a compreensão por parte da moça.

A porta abriu-se rapidamente e o olhar de Elena iluminou-se ao ver, finalmente, o rosto anguloso de Elijah. Apesar de sério e ligeiramente severo, a beleza e a elegância nunca o abandonava. Vestia um terno de alta costura preto, com a gravata exatamente do mesmo tom e a camisa social azul marinho.

— Elena – ele falou tranquilamente, num cumprimento simples. – Espero que eu não tenha chegado em uma hora ruim.

— Na verdade eu estou sozinha. Parece que todo mundo teve um compromisso hoje – respondeu ela, sorrindo lentamente na direção do Original e abrindo espaço para que ele passasse.

Ela não sabia se deveria cumprimenta-lo com um beijo, mas sabia que não deveria ser tratada com toda aquela distância que ele abriu entre os dois. Elijah permaneceu em pé, estudando um conjunto de vidros para servir whisky e tomou a liberdade de se servir de uma dose dupla.

— Espero que não se importe – disse mostrando o copo meio cheio. Elena fez uma negativa, finalmente fechando a porta e caminhando na direção de Elijah, esperando que ele fizesse algo, mas quando a distância tornou-se curta demais, a expressão do Original tornou-se dura e ele falou, no mesmo tom suave, mas agora ligeiramente mais pesado: — O que tenho a dizer não será fácil.

— Então, talvez eu devesse me servir também — ela respondeu, servindo-se da mesma bebida âmbar.

Elijah observou por um segundo a bebida do próprio copo trepidar, enquanto ele deslocava o peso do corpo para a perna esquerda. Sorveu um longo gole, sentindo a garganta queimar de uma forma agradável e sentindo saudades do gosto de sangue. Organizou seus pensamentos enquanto suspirava profundamente. Tornou a olhar Elena nos olhos, tentando ao máximo passar toda a confiança e segurança no que sentia por ela, antes de verbalizar as palavras que deveria dizer.

De uma maneira muito mais breve do que pretendia, ele explicou tudo o que tinha ocorrido. Observando a lenta mudança nas feições de Elena. Antes, ela parecia radiante por finalmente vê-lo, agora a preocupação estava estampada em seu rosto e aquilo era tudo o que Elijah conseguia ver.

— Então Hayley está de volta... Como você se sente sobre isto? — ela perguntou, soando muito mais compreensiva do que Elijah jamais seria capaz de imaginar. Admirou-a por aquilo.

— Honestamente, Elena, eu não sei – ele respondeu brevemente, sorvendo o ultimo gole de sua bebida e sendo acompanhado de perto por Elena.

Ela suspirou. Pousou o copo sobre a mesinha e então caminhou para ele, amparando-o em um abraço firme. Tentava imaginar como ele se sentia, ao invés de colocar na frente todos os sentimentos e pensamentos egoístas que haviam passado por sua cabeça enquanto ele contava o que ocorrera.

— Como você se sente sobre nós? – ela sussurrou, próxima o suficiente do lóbulo da orelha do Original, que foi capaz de sentir a suave umidade do hálito quente de Elena.

Elijah sabia que faltava uma parte da história a ser contada. Ele retribuiu o abraço fortemente antes de falar.

— Hayley e eu nos beijamos.

Elijah sentiu o corpo da vampira enrijecer no abraço. Ela havia ficado completamente dura e segundos depois afastou-se.

— Vocês se beijaram?

— Eu poderia mentir e dizer que não senti nada, mas eu não sou um grande fã de desonestidade. Então, eu digo que senti exatamente a mesma coisa de anos atrás. Era como se ela nunca tivesse partido ou como se eu tivesse a chance de consertar meus erros – ele falou rapidamente, com a voz tornando-se um pouco embargada.

— Desculpe, Elijah. Isto é mais do que eu posso compreender... – Elena respondeu, baixando a cabeça e sentindo-se estúpida por tentar consolá-lo. Ela virou as costas e caminhou alguns passos rápidos na direção da escada, mas interrompeu-se ao vê-lo na sua frente. Por um segundo pensara que eles estavam ali para acertar as coisas de outro modo.

— Eu compreendo se me disser que não quer que eu retorne aqui para vê-la, mas deixe-me pelo menos terminar – ele pediu gentilmente. – Espero que compreenda que jamais pretendi que isso acontecesse, mas eu e ela nunca tivemos a chance de nos despedir. Ela partiu, de uma forma cruel.

— Você teve tempo para recuperar-se da dor da perda – respondeu Elena, secamente. Não compreendendo o motivo de ele estar tão disposto a tornar a amar Hayley.