Glasgow, Escócia,

Onze de Janeiro de 1998,

3:06 AM.

— É uma menina. — Aleister deu uma tragada no seu cigarro. — Você deveria estar feliz, Wolff. Fique feliz, por favor.

Joseph Wolff se enfureceu ainda mais ao ouvir as palavras de Aleister Belluci. Foi para cima dele, com as suas mãos no pescoço de Aleister, a ponto de poder enforca-lo no meio de um hospital público em um país estrangeiro. O cigarro caiu no chão. Por algum motivo, Aleister sorriu.

— Vamos lá, Joseph. — provocava sorrindo. — Me enforque aqui, ao menos todos verão o quanto você é um louco.

— Você é um demônio. — o outro dizia entre os dentes, irado.

— Acho que já sei isso desde me liberaram do inferno. — Aleister ainda sorria. — Sou um Incubus. E você? Apenas um pobre coitado com um julgamento de assassinatos que cometeu. — olhou para o corredor. — Agora solte-me. Algumas enfermeiras vão passar por aqui, e não seria bom se elas te verem ameaçando uma pessoa tão boa e inocente quanto eu.

Por mais que quisesse bater o mais forte que podia no Incubus, Joseph não podia. Teve que conter o seu desejo de vingança, afinal este poderia realmente acabar com a sua vida. Soltou o demônio e bufou irritado, passando a mão pelos cabelos loiros. Sentou-se de novo no banco e olhava para o chão, ignorando a presença do outro e ainda impaciente para ver a sua esposa.

As enfermeiras passaram, olhando para Joseph e comentando entre si sobre o americano que tinha matado e estuprado cinco mulheres em sua viagem para a Escócia, escondido de sua esposa. Tão novo..., diziam umas as outrs. Nem parece um psicopata.

Joseph Wolff era quase um típico americano de classe média-baixa, de vinte e quatro anos. Seus cabelos loiros eram curtos. Era um pouco acima do peso. Os olhos eram azuis escuros e era constantemente descrito como o cara baixinho. Há dez meses atrás, era apenas um recém-casado viajando com a sua noiva. Agora, ele era considerado um psicopata com um julgamento marcado nos Estados Unidos pelos crimes. Apenas o nascimento de sua "filha" ainda o prendia na Escócia.

E ele sempre jurava fielmente que não fizera isso, e sim um demônio.

O demônio, era apenas um suposto italiano solitário, de quase trinta anos e uma aparência considerada sedutora. A sua pele era extremamente pálida e ele tinha sardas no rosto. Os seus olhos eram completamente negros, e o cabelo negro e liso era na altura dos ombros — o que de algum modo, combinava bem com a barba mal feita. Ele era alto, e mesmo que fosse bem magro, ainda era considerado atraente. Mas, para Joseph, este era apenas um demônio que arruinou a sua vida.

O Incubus pegou o cigarro do chão, que agora já não estava mais aceso. Suspirou, já que aquele era o seu último.

— Um dia eu vou me vingar. — dizia o americano para o outro, em voz baixa.

Aleister Bolluci segurou o riso. O moreno fazia aquilo há séculos, e todos os homens traídos diziam a mesma coisa: “Eu vou me vingar”. Aprendiam do pior podo que não se pode brincar com o Inferno.

— Não. Você não irá. — os olhos negros do demônio brilhavam. — Você é apenas um mortal inútil que jamais irá vencer de um demônio como eu.

— Você é louco. — o americano afirmou. — Só pode ser.

— Não foi isso o que a sua esposa me disse naquele dia. — provocou o moreno. — E aquelas cinco mulheres...

Joseph socou Aleister bem no seu nariz.

— Cala a merda da sua boca! — disse entre os dentes, irado.

O demônio se abaixou. Graças ao soco, o seu nariz começou a sangrar. O sangue era negro. Ele tinha mil motivos para se enraivecer e simplesmente matar o mortal. Era forte, um ser sobrenatural e não sofreria mais nenhuma punição por isso. Já fizera mal o suficiente em sua vida mortal no século XVIII.

Mas ao invés disso, ele simplesmente riu. Riu o mais alto que pode. Ninguém iria ganhar dele. Ninguém poderia ganhar dele. Ele era imortal, poderoso e poderia fazer o que bem quisesse quando quisesse. Quando estava com tédio, matava e estuprava mulheres. Aquele soco que Joseph o dera foi nada. Somente um nada. Apenas um atentado patético de um mortal patético.

Joseph olhava para Aleister, aterrorizado com o demônio.

— A criança é minha! — gritava o demônio, entre risos. — Eu estou te amaldiçoando, seu mortal imundo. Prepare-se. Porque a minha prole não irá dar em resultados considerados bons.

O loiro ainda olhava para o demônio, totalmente aterrorizando e praticamente sem palavras.

Ele se levantou, parando de rir e olhando fixamente nos olhos de Joseph. Queria rir mais, mas não poderia. Seria loucura até demais.

— Eu voltarei. — disse o Incubus secamente.

E então ele se virou, andando até o fim do corredor. Alguns enfermeiras apareceram, olhando aterrorizadas também. O Incubus deu uma alta quantidade de libras para uma delas e fez um “Shh”, pedindo silêncio. E finalmente tinha ido embora.

[...]

Phoenix, Estados Unidos da América,

Treze de Junho de 2004,

11:09 AM.

Joseph acordou atordoado.

Aos poucos que a sua visão voltava ao normal, a sua cabeça ia se enchendo com dúvidas. Estava em um lugar escuro e enorme, com alguns símbolos que não reconhecia. Ele automaticamente ficou muito assustado. Estava na prisão horas atrás, e agora acordara em um lugar suspeito e bizarro. Mal queria pensar no que tinha se metido.

— Bom dia, Sr. Wolff. — um homem de máscara o saudava. — Está se sentindo bem?

O loiro assentiu, ainda assustado.

— Pesquisamos um pouco sobre a sua vida, Sr. Wolff. — o mascarado começava a falar. — Você é o filho legítimo de dois lobos com alcateias influentes e mesmo assim não herdou o gene deles. A sua esposa deu à luz a uma criança de um Incubus e você ainda recebeu uma pena perpétua de crimes que não cometeu. — deu uma pausa. — Você foi injustiçado. Exatamente como nós.

Demorou um pouco para que ele processasse aquilo.

— Quem s-são vocês? — gaguejou, com medo. — O q-que querem comigo!?

— Somos pessoas traídas por demônios. Pessoas que querem quebrar a maldição que os filhos de demônios carregam. — respondeu. — Queremos que participe da nossa seita, Joseph Wolff.

Joseph sabia que aquele era o início do fim.

Notas finais
Então foi isso pessoas, esse foi o prólogo. Foi mais para dar uma introdução de leve a história, porque tudo vai começar mesmo no próximo capítulo com a protagonista alguns anos depois (acho que já devem saber quem é :P).

Espero que tenham gostado, e por favor, comentem o que acharam. Quero saber o que pensam ou o que eu posso mudar/se tem algum erro. Comentários são importantes :)

Até o próximo o/