Beautiful Curse

2 I - Rastros de Sangue.


Notas iniciais
Hey seres humanos. Bem, essa já é a segunda versão do primeiro capítulo, até porque eu postei a primeira antes de ontem e não gostei muito. Também mudei o nome da fic para Beautiful Curse (até porque eu gostei mais desse nome). Enfim, espero que gostem do primeiro capítulo, até porque esse que vai ficar ahuhsas As coisas podem parecer meio confusas mas logo tudo será mais explicado dos próximos capítulos. Comentem o que acharam/se tem algum erro e até o próximo o/

Eu ouvia um som de um violino sendo tocado ao fundo.

Por algum motivo, a sensação de desespero crescia em meu peito. Eu segurava fortemente a faca em minhas mãos e tentava segurar o choro. Algo estava errado. Só não sabia o que era.

— Vá, Alyssa. — uma voz calma dizia para mim. — Sele a promessa.

Eu enfiei a faca no meu peito.

— Srta. Wolff? — uma voz me trazia a realidade. — Dormindo acordada novamente?

Olhei para o lugar. Estava bem na sala da diretora. Um lugar que eu particularmente odiava, já que visitei tantas vezes. A sala era em tons neutros e tinha na parede alguns diplomas que a tão renomada e importante diretora tinha. Também tinha uma estátua da Virgem Maria. A estante de livros se resumia em versões da Bíblia em outros idiomas, livros religiosos e supostos manuais de educação religiosa. A janela no fundo estava com a persiana aberta, com uma brisa leve de inverno chegando na sala.

— H-Hã, desculpe, Srta. Diretora. — gaguejei, evitando demonstrar o meu susto.

Ela me encarava com os seus olhos azuis irados, e a sua expressão conseguia fazer um misto entre ódio e nojo. Mas de algum modo, ela estava cumprindo a sua vingança contra mim.

— Você está sendo expulsa, Srta. Wolff. — dizia a diretora, abrindo o meu histórico escolar e folhando as páginas.

— Expulsa? — perguntei. — M-Mas eu prometo que eu posso melho-

— Não, você não irá. — dizia com desdém. Eu sabia que no fundo estava feliz por isso. — Eu só queria te perguntar algo, garota. — deu uma pausa, me causando um certo temor pela a pergunta. — Não tem a vergonha de ser tão desviada assim? Já pensou o que pode sofrer no inferno?

Suspirei, a mesma história idiota.

Estudar em um Internato Católico pode ser pior do que morrer, principalmente quando se trata de alguém como eu. Não porque Internatos são horríveis ou qualquer coisa assim, mas porque eu não pertenço aqui. Não pertenço a lugar nenhum. Ainda não sei exatamente o nome de pessoas do meu tipo, mas sei o suficiente para ter certeza que não sou bem vinda em nenhum lugar. Não importa o que eu fizer, não terá um paraíso para mim. Eu estou amaldiçoada com uma benção de ser um demônio de nascença.

E não há nada que eu possa fazer.

O silêncio absoluto fora a melhor resposta que eu pude dar a querida diretora, até porque eu não sabia o que dizer. O meu coração ainda estava acelerado pela a adrenalina do sonho, e tudo isso era uma grande injustiça. Eu ia ser expulsa por algo que não fiz. A última coisa que queria era responder algo idiota e realmente ser rotulada como desviada, como sempre me rotularam aqui.

— Desculpe pela demora. — uma voz familiar dizia ao abrir a porta.

Eu olhei para trás e a sensação de desespero se intensificou. A mulher que abria a porta tinha seus olhos cor de mel fixos em mim, desapontados. Como se ela tivesse expectativas sobre mim, claro, ela sempre soube que eu não iria dar certo a partir do dia que descobriu que estava grávida de mim.

— Oi, mãe. — disse, evitando de olhar nos olhos dela.

— Olá, Sra. Lopez. — a diretora cumprimentava a minha mãe, pelo o sobrenome de solteira dela. — Sente-se aqui, por favor. — apontou para a cadeira ao meu lado.

Minha mãe se sentou, ignorando a minha presença. Ela era considerada bonita, tanto pelos os outros e tanto por mim também. O cabelo castanho alisado batia na altura dos ombros, a expressão séria agora tomava conta de seu rosto, juntamente com traços mais suavizados e finos. O crucifixo e a roupa mais reservada deixavam claro que ela era religiosa. Uma católica extremamente devota, do tipo que confessa os seus pecados ao padre uma vez por semana e nunca perdeu uma única missa. Eu não a via desde Agosto do ano passado, quando saí pelo o último final de semana do Internato. A pele dela era oliva e não tinha nenhuma imperfeição no rosto — exceto uma pequena cicatriz no queixo, algo que eu causei.

Olhar para essa cicatriz sempre me traz más memórias.

— Sua filha foi expulsa por torturar seriamente uma de nossas alunas. — disse a diretora à minha mãe.

Mentira, pensei.

— Torturar? — ela parecia incrédula. — Alyssa nunca chegou a esse ponto.

— Creio que sua filha tenha chegado. — a mentirosa disse. — Ela queimou seriamente um dos braços da aluna Srta. Brenner, e ainda fez cortes extremamente profundos na garota, que causou o desmaio dela. A sua filha foi pega em flagra, e estava indo afogar a aluna inconsciente.

A minha mãe não estava chocada. Poderia estar fingindo que estava, mas algo me dizia que ela já esperava isso.

Ela sempre esperou o pior de mim.

— Oh meu Deus...

— Sra. Lopez, foi isso que a sua filha fez. — disse a diretora. — Srta. Wolff, — olhou para mim. — isso é verídico? Admite que cometeu?

Senti um aperto na garganta.

— Sim. — menti firmemente, sem gaguejar. — Eu fiz isso.

A diretora sorriu discretamente quando confirmei a sua mentira.

— Então, eu preciso conversar com a Sra. — disse a diretora a minha mãe. — A sós.

Entendi rapidamente, e me retirei da sala.

Andei pelo o corredor, que estava vazio. A sensação de raiva, revolta e angústia estavam me dominando. O que eu tinha confessado lá não passava de mentiras. Claro, a diretora sempre estava tentando defender a sua querida filha. E a sua filha era justamente a pessoa que mais me odiava nesse maldito Internato todinho.

E eu tive que sonhar na diretoria. O mesmo pesadelo de novo.

Hoje era onze de Janeiro. Eu fazia exatos dezessete anos. Sem festas, presentes, comemorações, amigos ou qualquer coisa do gênero. Apenas uma expulsão injusta e a grande vontade de simplesmente explodir esse maldito Internato.

Entrei no banheiro feminino, e estava sozinha desta vez. Era Sábado de manhã, e a maioria das alunas estavam em suas casas, saindo com seus amigos e as poucas que ficaram aqui, estavam na biblioteca ou na capela, orando.

Lavei o meu rosto, tirando toda a maquiagem dele. Ninguém iria perceber que eu estava com maquiagem, até porque ela foi feita apenas para esconder o meu olho roxo. Charlotte me socou ontem, antes de ter feito aquelas coisas horríveis.

Me olhei no espelho. Um olho roxo e um pequeno corte na testa estavam à mostra. Eu não era feia, ao menos tinha uma aparência comum. Olhos não castanho-escuros, mas sim negros, que agora pareciam ter uma fúria e tristeza forte neles. Pele naturalmente pálida e cabelos ondulados castanho-escuros, que iam um pouco acima da minha cintura. Era incrível como um olho roxo e um corte poderiam me mudar. E claro, uma expulsão injusta.

A sensação de afogamento que eu sofri de madrugada voltava a mim. Pisquei os olhos e respirei fundo. Isso era injusto. A vida era injusta. Meu pai biológico é um demônio que eu jamais desejaria conhecer, a minha mãe possui um desprezo enorme por mim e agora eu estava sendo expulsa injustamente da escola.

E para piorar, eu tinha um pesadelo que vivia se repetindo em momentos aleatórios do dia.

Olhei para a banheira, me lembrando exatamente de como, e até as sensações de afogamento voltando. Eu queria acabar com Charlotte. Nunca senti um ódio assim tão grande. Nem quando a minha mãe me jogou aqui no Internato para ser “consertada”.

Retirei e joguei o moletom no chão, irada. A cicatriz que Charlotte fizera era clara no meu antebraço esquerdo, e ainda doía, já que era bem recente. Era do meu cotovelo até a ponta do meu polegar. E ainda era o braço que escrevia, já que sou canhota.

Droga.

Eu me lembrava claramente. Charlotte queria acabar comigo. Porque eu era a única como ela, metade demônio. Ela estava bêbada, como sempre estava. Talvez estivesse drogada também. Seu hálito estava com cheiro de Whisky e ela não aceitou ter terminado com o namorado — eles namoravam secretamente. Me trancou no banheiro e me socou. Eu revidei, claro, eu tinha chutado a barriga dela e gritado para ela parar. Mas Charlotte era mais forte e não desistia. Ela controlava a sua parte obscura, diferente de mim. A olhos da vadia ficaram completamente negros e ela bateu com a garrafa de Whisky na minha testa, causando o corte. Depois, uma ventania estranha começou a fluir no banheiro.

Eu não sabia controlar meus poderes. Nunca soube. Desde dos sete anos, quando cheguei no Internato graças ao incidente que causei a minha mãe, eu me escondi o máximo que pude. Me arrependi nisso naquela hora. Charlotte conseguiu fazer a cortina de um dos boxes do banheiro pegar fogo. Me empurrou para lá com toda a força que tinha, mas eu me segurei e soquei no nariz dela. Quando o sangue saiu de seu nariz, ela me jogou de vez e eu queimei o braço. Eu gritei de dor e simplesmente apaguei. Quando voltei, a vadia desgraçada estava me afogando. Então uma freira daqui abriu a porta e viu aquilo, desesperada.

Aquelas memórias ainda eram bem vívidas.

Soquei o espelho, irada. Minha mão sangrada, mas a dor era algo que eu nem me importava mais.

Saí do banheiro, pronta para revelar a todos o que realmente tinha acontecido.

Se eu for expulsa, não será por uma mentira.

O clima tinha mudado. Eu não sabia explicar o porquê, mas tudo parecia mais frio e escuro. Quando se é um demônio, essa sensação sempre vem antes de alguma coisa sobrenatural acontecer. Algo sobrenatural muito forte.

Eu vi sangue no chão do corredor. Sangue fresco. Algo estava acontecendo, e era bem recente. Eu não faço a mínima ideia de quanto tempo fiquei pensativa no banheiro, me olhando no espelho e me lembrando do que aconteceu na madrugada passada. Meia hora... Uma hora, talvez? Eu deveria ter demorado muito.

O som de risadas vinha de uma das salas do corredor. Segui o sangue, que também tinha exatamente o mesmo caminho que os sons das risadas. Eu estava tensa e atenta, algo muito errado estava acontecendo — mais importante que a minha expulsão.

O som de um violino se juntou aos das risadas. Eu queria fazer algo urgentemente, eu devia fazer algo o mais rápido possível. Quando a trilha de sangue parou, o meu coração também quase parou junto. Eu tinha parado em uma porta, que dava exatamente no fim do corredor, o lugar em que era o armário do zelador. Minhas mãos suavam e pus a mão na maçaneta, girando-a e indo abrir a porta.

Uma ventania me empurrou para a esquerda. Eu caí no chão, assustada, sem fazer a mínima ideia de onde diabos ela vinha. Não tinha janelas, era impossível dessa ventania simplesmente aparecer do nada.

Então eu liguei os fatos. Charlotte estava aqui.

— Ninguém pode revelar a verdade sobre ontem. — ela dizia, andando no corredor. — Ninguém! — gritou por final. Uma ventania mais forte veio, mas desta vez, eu pude me controlar.

Charlotte Brenner era alta e bonita, ninguém pensaria que ela era filha da diretora do Internato. Ela tinha os cabelos pintados de loiro platinado longos, que iam abaixo da sua cintura. Seus olhos eram negros, iguais aos meus, ela era a única pessoa com a mesma cor de olho que eu tinha. Sua pele era branca bem avermelhada, e sempre usava maquiagem preta forte, mesmo que fosse contra as regras do Internato — mas ela não se importava, nunca foi punida mesmo.

— Qual é o seu problema? — gritei, me levantando do chão. — O que eu fiz pra você, Charlotte? Éramos amigas!

Estranhamente, ela riu.

— E quem disse que eu sou a Charlotte? — dizia entre risos forçados. — Ela se foi há muito tempo.

Não falamos mais nada.

Eu corri, o mais longe que eu pude. Nunca fui rápida, e nem estava sendo naquela hora, mas era a única coisa que eu poderia fazer. Eu não uso os meus poderes há anos, e pelo o visto, a situação estava mais assustadora do que eu pensei que estava.

Charlotte não estava lá. Isso é horrível.

Olhei para trás, e ela ainda andava normalmente. Quando percebi, uma flecha a acertou, do nada. Parei de correr para olhar mais atentamente a situação. Charlotte — ou sei lá quem estava lá dentro — não pode prever isso. Ela caiu no chão. A ventania parou, e tudo pareceu voltar a como estava antes. Era impossível isso. Quem a acertou? O que tinha naquela flecha? Uma flecha simples não poderia pará-la desse jeito.

— Ela desmaiou. — disse um garoto ao meu lado. — Vamos sair daqui.

Olhei para ele, sem entender nada.

— Quem é você?

— Jasper Hook. — o ruivo respondeu, sem olhar nos meus olhos. — Primo da Charlotte, e de bônus: sou um enviado do Protetor para te levar até a ele.

Foi aí que eu tive certeza absoluta que a expulsão que tive não foi nada.