Notas iniciais
Antes de tudo, eu desejo um feliz ano novo e que 2016 seja muuuuuuuuuuuuuuuuuuuito melhor que o ano passado (porque se piorar, meu Deus!!)... Não sei desejar feliz ano novo direito. Enfim...

Onze anos foi a idade que Bia aprendeu a hora certa para falar. Ela falava se os silêncios à mesa de café da manhã ficassem insuportáveis. Ou quando seu pai mão dizia uma palavra no carro, a caminho da escola. E também ao voltar da escola, para a sua mãe chorosa.

Mas o mais importante foi aprender a ficar calada.

Estava calada naquela noite chuvosa de quinta-feira em agosto de 2007. Tentando não ouvir a discussão dos pais com a televisão ligada, mas ainda assim tentando ouvi-la.

– Pelo amor de Deus, Alexandre! – era a frase mais gritada da sua mãe. Muitas vezes acompanhada de algum outro apelo. Bia ouvia seu nome mais vezes do que gostaria. Não se agradava de ser motivo das brigas dos seus pais.

Revirava-se na cama, querendo muito estar dormindo para não presenciar nada daquilo. Chorar ajudava. Aliviava. Ela aprendeu também a não conter o choro. Não tinha ninguém ali por perto para fingir que era forte.

Em noites como aquelas, era abordada pelos pais frequentemente. Ela fechava os olhos e virava de lado, mesmo sabendo que seus pais não se deixariam enganar por Bia fingindo dormir. Normalmente eles beijavam sua bochecha e ela aproveitava uns poucos minutos de paz antes do inferno recomeçar.

E era tudo tão cíclico que Beatrice já tinha um roteiro pronto. Eles se trancavam em seu quarto, dando a ela cinco minutos antes de se esconder ela mesma. Alguém dizia uma coisa extremamente desagradável, provocando uma avalanche de gritos e acusações. Bia começava a chorar. Algum dos seus pais aparecia. Davam-lhe um beijo, saíam. Voltavam aos gritos e acusações. Seu pai pegava as chaves do carro e fugia de tudo. Mas sempre se despedia da filha.

Menos naquele último dia. Alexandre pegou as chaves do carro e foi embora. De vez.

Notas finais
Sim, um capítulo triste pra um dia teoricamente feliz. Mas os próximos são um pouco melhores... Eu prometo.