Beatrice e Matheus
12 A vida nas festas
Aos treze anos, Bia e Mati começaram a época das festas. Nem todo mundo passa por essa fase, tem quem prefira ficar em casa lendo bons livros ou vendo filmes ou qualquer coisa do tipo e não devemos julgá-los. Todavia, eles passaram. Foram desde as festas de quinze anos até as matinês de todo sábado e, às vezes, usando identidade falsa para entrar em clubes noturnos. Não chegaram a usar suas identidades verdadeiras para ir juntos às boates, mas isso se situa mais adiante na história.
No final de 2009, a prima de Bia, Laura, a convidou para dançar a valsa em sua festa de debutante. Beatrice achava um costume bobo comemorar com uma festa tão grande e cara uma idade comum. Antigamente fazia sentido, quando os pais apresentavam suas filhas para a sociedade, mas ela não via graça em ostentar vestidos e essas coisas hoje em dia. De qualquer forma, aceitou o convite com a condição de levar Matheus como acompanhante.
E desde aquele dia, eles tornaram-se parceiros de dança. Dançavam de tudo, sozinhos ou acompanhados. Criavam passos engraçados e imitavam as coreografias das músicas do momento. Como bons pernambucanos, seu estilo musical preferido era o forró. Festas de São João tinham um lugar muito especial no coração dos amigos, afinal, foi numa delas que se conheceram.
Não estou dizendo que dançavam bem. Beatrice tinha a graciosidade de uma bailarina, mesmo frustrada por não gostar de balé, indo às aulas obrigada pela mãe. Matheus, por outro lado, era um pouco desengonçado. Mas eles se davam muito bem juntos, como se tivessem sido feitos para esse propósito.
Em paralelo a isso, seus amigos começaram com uma brincadeira bem desconfortável. Para eles, Beatrice e Matheus deveriam ser um casal. De início, Bia e Mati estavam preocupados apenas em se divertir um pouco. Depois, eles riam da brincadeira. Meses mais tarde, incomodavam-se. Não podiam ser vistos juntos sem que houvesse comentários desagradáveis.
“Vocês deveriam namorar” ou “vocês formam um casal bonito” eram os comentários mais ouvidos. No aniversário de Matheus, mesmo sendo no começo de janeiro, alguns dos amigos deles fizeram questão de interromper as férias e marcar presença para cantar o “com quem será”. Adolescentes, mas ainda com algo de infantil.
Eles não queriam namorar. Não queriam entrar em um relacionamento com altas chances de não dar certo por causa da idade e da falta de maturidade deles. E acabar arruinando o relacionamento que já tinham. Queriam viver os bons anos da adolescência e da juventude sem pressão e sem compromisso. Mas não eram esses os planos para eles.
Bia começou a acreditar no que diziam. Talvez ela e Matheus realmente combinassem. O caminho entre uma amizade e um namoro não é tão longo. Ela deixou o sentimento crescer, em vez de sufocá-lo. Até o alimentava. Aos poucos, foi convencida a se apaixonar por Matheus.
Apaixonou-se na hora errada, pois no dia em que ligou para informar seus sentimentos a Matheus, o amigo logo declarou:
— Bia, eu estou apaixonado por Manuela.
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