Beating Heart.
3 Walking On Air
Notas iniciais
Beth estava no jardim dos fundos, próximo à piscina, sentada no banco de balanço do lado de fora de sua casa e tudo o que ela pensava, era no que tinha acontecido entre ela e Charlotte durante o dia todo. Será que tudo isso foi por ciúmes? Por que eu sentiria tanto ciúmes de Charlie por ter ficado com outra pessoa? Ela tem liberdade pra isso, afinal, somos só amigas. A loira deitou a cabeça no encosto do balanço, fechando seus olhos.
O beijo quase nos lábios era outra coisa que não saia da cabeça de Beth. A garota não sabia se aquilo era algum sinal que Charlie queria lhe passar ou se simplesmente aconteceu. Talvez uma mira errada? Impossível. Ninguém erra uma bochecha. Beth balançava a cabeça sozinha. Estava cada dia mais difícil entender tudo o que sentia. Ela não sabia se realmente amava Charlotte como suas mães se amam, ou se amava a mesma como sua mãe Santana ama sua tia Brittany. Era tudo tão confuso e Beth não sabia o que fazer. Será que ignoro o que aconteceu hoje? Não posso negar que fiquei com ciúmes da Charlotte, mas eu não faço nem ideia do que ela sente e não quero estragar nossa amizade. Talvez eu devesse ignorar. Charlotte nunca comentou sobre possibilidades de ficar com garotas. Beth sentia seu coração apertar ao pensar dessa forma e pensava em deixar tudo de lado e ignorar.
– Hey, little one! – Beth sorria abrindo seus olhos ao ouvir a voz de Quinn a chamando. A garota adorava quando suas mães ainda a chamavam pelos apelidos de quando ela era pequena.
– Hey, mãe.
– O que você está fazendo aqui fora sozinha? – Quinn se aproximava, se sentando no balanço ao lado de sua filha.
– Nada demais, só pensando. – Beth se ajeitava no balanço, deitando sua cabeça no peito de Quinn, enquanto a mesma passava seu braço por cima do ombro da filha.
– Mmmm, está tudo bem? – Quinn perguntou apoiando seu queixo sobre a cabeça de Beth.
– Mãe, posso perguntar uma coisa? – Beth sabia que precisava conversar com alguém sobre todo o conflito que estava contra si mesma e imaginou que talvez, sua mãe Quinn conseguiria lhe ajudar.
– Claro, little one. – Quinn deslizava sua mão pelo cabelo loiro de Beth, tentando imaginar o que sua filha perguntaria.
– Mmmm... – Beth pausava, respirando fundo. – Quando você tinha minha idade e estava no colegial, diferente da mama, você namoro garotos, certo?
– Namorei... – Quinn respondeu lentamente, franzindo o cenho.
– Certo. – Beth entortava sua boca, ficando em silêncio.
Quinn sabia que algo estava incomodando sua filha e sabia que essa não era a única coisa que Beth queria saber. A loira depositou um beijo na cabeça de sua filha antes de quebrar o silêncio.
– Aconteceu alguma coisa? – Quinn perguntou e Beth levantou sua cabeça, encostando-se ao balanço e levando suas pernas para o colo de sua mãe.
– Ok. – Beth respirou fundo. – Hoje Louise nos contou que ela e Thomas... Mmm, — A garota desviava seu olhar de Quinn, sem saber como contar isso para sua mãe, mas ela sabia que com Santana e Quinn, ela podia falar absolutamente sobre tudo.
– Ela e Thomas...? – Quinn arqueou suas sobrancelhas.
– Mm, você sabe, eles... Mmm passaram a noite juntos. – Beth comentou e Quinn assentiu. – Bom, ela estava nos contando e eu descobri que Charlotte... Mmm, a Charlotte ela... – Beth voltava a se enrolar no assunto e Quinn ficou em silêncio por alguns segundos antes de perceber o que sua filha estava querendo lhe dizer.
– Oh – Quinn fazia um bico suave. – Charlotte também passou a noite com Thomas? – Fabray brincou, fazendo Beth rir.
– O que? Não, ew, mãe, não. – Beth ria suavemente. – Mas ela passou a noite com alguém e o fato é que hoje Louise contou que teve sua primeira vez com o Thomas, você sabe, os dois namoram há tanto tempo... Enfim, e acabei descobrindo que Charlie também já teve a primeira vez dela, mas ela nunca me contou. – A garota bufou, continuando. – Eu fiquei tão furiosa, porque eu achei que fossemos amigas e ela me contaria caso isso acontecesse um dia e, eu fiquei tão furiosa por ela não ter me contado, mas... – Beth abaixou sua cabeça, olhando para sua mão. – E-eu fiquei muito incomodada com isso tudo, porque ela jogou fora a primeira vez dela com alguém que nem a conhecia e eu acho que Charlotte merece muito mais que isso. – A loira pausou, ficando em silêncio e Quinn apenas observava sua filha enquanto a mesma falava. Fabray sabia que tinha mais alguma coisa nisso tudo.
– Bom, eu não vou dizer que minha primeira vez também foi com alguém especial, porque não foi. – Quinn comentava. – Me arrependo por ter deixado acontecer como aconteceu e se eu pudesse, teria esperado. – Fabray virou-se para sua filha, respirando fundo, preocupada. Ela sabia que Beth estava na idade de ter conhecimento sobre esse assunto e que correria o risco de acontecer com ela, mas ela não gostava de pensar em sua filha tendo relações sexuais nessa idade. – Mm, Filha, você... – Quinn pausou e Beth levantou a cabeça para olhá-la. – Você já teve sua primeira vez?
– Não, mamãe. – Beth sorriu sincera e Quinn pode sentir seu coração relaxar. – Pode parecer meio idiota, mas eu espero ter a minha primeira vez com alguém que goste de mim e que me respeite. – A garota respondeu, fazendo Quinn sorrir de orelha a orelha.
– Você é ótima, sabia? – Quinn segurava a mão de Beth. – Fico feliz que você pense assim e não é idiota, pelo contrário, é algo raro e muito bonito da sua parte.
– Obrigada, mãe. – A garota entrelaçou seus dedos com os de sua mãe, respirando fundo para continuar o assunto. – Eu fiquei furiosa com Charlotte o dia inteiro e só consegui conversar com ela essa noite depois da aula de dança. Eu não conseguia olhar pra ela porque eu a imaginava com algum idiota que só estava tentando se aproveitar e como eu disse, Charlie merece muito mais do que isso e... – Beth pausou novamente e Quinn se perguntava se o motivo de sua filha ter ficado furiosa foi mesmo só pelo fato de Charlotte ter tido sua primeira vez e não ter lhe contado.
– E o que, meu amor? – Quinn acariciava a mão de Beth e pode sentir sua filha ficando tensa. – Hey, meu amor, você sabe que pode conversar comigo. O que houve, Beth? – Fabray perguntava preocupada, tentando encontrar os olhos da filha.
– E-eu fiquei... – Beth respirava fundo olhando para suas mãos e voltando a olhar para sua mãe. – Mãe, eu fiquei com... – A garota não conseguia admitir em voz alta, mas sua mãe a conhecia muito bem e sabia o que estava acontecendo. Beth era ciumenta como Quinn e orgulhosa como Santana. Era difícil fazê-la admitir o que sentia.
– Com ciúmes? – Quinn falou suavemente e Beth assentiu. – Filha, é normal ter ciúmes da melhor amigas e. –
– Não mãe. – Beth a interrompeu. – Não foi esse tipo de ciúmes. – A garota sussurrou, mordendo o canto de seus lábios. – Eu não tenho certeza, mas acho que foi o tipo de ciúmes que você sente quando outra mulher está perto da mama. – A loira encolhia seus ombros fazendo Quinn sorrir com a comparação.
– Ok, primeiro, eu não sou essa louca ciumenta que sente ciúmes só porque outra mulher está perto da sua mãe. Ela pode ficar perto de outras pessoas. – Quinn comentou fazendo Beth rir. – Mas filha, você tem certeza que foi esse tipo de ciúmes? Talvez, você. –
– Eu não sei. – Beth a interrompeu e seus olhos começavam a encher de lágrimas.
Quinn olhava para sua filha, percebendo que a mesma estava começando a chorar. Beth sempre tentava lutar sozinha contra os conflitos dentro de si e suas mães sabiam que quando ela começava a chorar por algo, era porque a situação já estava no limite.
– Filha, me fala o que está acontecendo? – Quinn se ajeitava para mais perto de Beth, abraçando a filha, mas a mesma apenas balançou a cabeça dizendo que não. – Beth, você sabe que pode conversar comigo sobre o que for.
Beth sabia disso. Ela sabia que podia conversar sobre o que fosse com suas mães, mas se ela comentasse sobre a dúvida que tinha de sua sexualidade, ela teria que tocar em assuntos no qual envolveriam suas mães e ela não queria que isso as deixasse magoada. Ela não queria contar que não queria ser o espelho de suas mães, que não estava com medo de se envolver em uma situação clichê. Beth não se importaria em ser lésbica, mas ela queria descobrir sobre isso sozinha e não deixar que algo espelhado em suas mães a fizesse decidir.
– E-eu vou dormir. – Beth tentava segurar o choro, mas era difícil já que seu coração se apertava.
– Filha, olha pra mim. – Quinn colocava a mão no rosto de Beth. – Seja o que for, quando estiver pronta, eu vou estar aqui. Eu e a mamãe Tana vamos estar aqui pra você e não se esqueça de que nós te amamos muito e sempre vamos te amar. – Fabray depositou um beijo na testa de Beth que assentiu lhe dando um abraço apertado.
– Eu te amo, mamãe Q. obrigada. – Beth sussurrou fazendo Quinn sorrir. Fabray sentia falta de ouvir sua pequena lhe chamando de “mamãe Q.”
– Eu também te amo, little one. – Quinn depositou um beijo na bochecha de Beth, que rapidamente se levantou e correu para o seu quarto, deixando Quinn preocupada e sozinha no balanço.
Xxxx
Após alguns minutos sozinha no balanço. Quinn tentava entender o que estava acontecendo com Beth e várias coisas passavam por sua cabeça. Ela tinha certeza que sua filha estava em um grande confronto contra si mesma e fazia uma ideia do por que. Quinn sabia que tinha grandes chances de Beth estar gostando de Charlotte, mas por alguma razão, conseguia ver que isso a deixava mal e ela ainda não conseguia entender o porquê. A loira pensava em alguma forma de ajudar Beth, mas não sabia por onde começar, já que a mesma sequer queria falar sobre o assunto.
– Hey, hot stuff. – Santana aparecia no jardim, tirando Quinn de seu transe. – Aconteceu alguma coisa? Beth subiu correndo para o quarto e sequer falou comigo. – A latina se sentou no balançou e Quinn rapidamente, deitou sua cabeça no peito de sua esposa.
– Adivinha? – Quinn se acomodava em Santana, fechando seus olhos. – Outro conflito interno.
– Ela te contou o que está acontecendo? – A latina perguntava preocupada, passando seu braço em volta de sua esposa e a abraçando.
– Parece que ela e Charlotte se desentenderam hoje no colégio.
– De novo? – Santana arqueava a sobrancelha.
– Mhm... – Quinn murmurava ficando em silêncio por alguns segundos. – Amor, eu acho que já está na hora de darmos o carro para a Beth.
– Ah bunny, por que? – Santana fazia um bico suave. – Se dermos um carro a ela, isso significa que meu bebê cresceu e eu não quero que ela cresça. – A latina encostava sua bochecha na cabeça de Quinn que começava a rir.
– Amor, Beth já cresceu. Ela tem dezesseis anos. Já tem sua carteira de motorista. Vamos parar de enrolá-la e entregar logo o carro que compramos. – Quinn levantou seu rosto, encontrando os lábios da latina. – Nós precisamos aceitar que ela cresceu e mostrarmos que confiamos nela. – A loira depositava um selinho demorado nos lábios de Santana, mordendo suavemente o lábio inferior da mesma.
– Mmmmm... – Santana gemia baixo. – Isso tudo é pra eu finalmente ceder e entregar o carro de Beth? – A latina sussurrava contra os lábios de Quinn que sorria, pousando sua mão sobre a bochecha de Santana e deslizando para a nuca da mesma, iniciando um beijo lento.
Santana levou sua mão para o rosto de Quinn, acariciando a bochecha da mesma com o seu polegar, enquanto sua língua massageava por cima da de Fabray fazendo um movimento lento e gostoso. A latina deslizava sua outra mão pelas costas de Quinn, mas antes que pudesse tomar qualquer outra iniciativa, a porta dos fundos se abriu.
– Mamãe Quinn. – Olivia aparecia no jardim, usando seu pijama, branco, com desenhos de flores rosa e seu cabelo bagunçado.
Quinn afastou seus lábios dos de Santana, virando-se para olhar Olivia, que estava com os olhos semicerrados, olhando para suas mães.
– O que houve, meu amor? – Quinn chamava Olivia com os dedos e a pequena andou lentamente até sua mãe, se sentando no colo da mesma e deitando sua cabeça em seu peito.
– Eu quero água. – Olivia murmurou, fechando seus olhos.
– E por que você mesma não pegou? – Santana perguntava arqueando sua sobrancelha. Olivia era tão mais mimada do que Beth nessa idade.
– Porque quero a mamãe Quinn pra ir me colocar pra dormir e cantar pra mim. – Olivia coçava os olhos.
– Ela é carente igual você. – Quinn falava para sua esposa, se levantando, ajeitando Olivia em seu colo.
– Lucy Quinn! – Santana colocava a mão no peito, fingindo estar ofendida. – Não somos carentes. – A latina murmurou, se levantando e indo para dentro seguindo sua esposa e sua filha.
Xxxx
Na manhã seguinte Quinn e Santana acordaram cedo para tentar animar Beth. Santana deu alguns telefonemas enquanto Quinn arrumava o café da manhã exatamente como suas duas filhas gostavam.
Santana foi até o quarto de Olivia, acordando primeiro sua pequena, cochichando em seu ouvido, dizendo que mamãe Q tinha feito bacon e panquecas com gotas de chocolate. No mesmo instante a pequena acordou sorrindo, dando um abraço de bom dia em sua mama e desceu para encontrar sua mamãe na cozinha.
A latina agora passava para o quarto de sua filha mais velha, encontrando-a abraçada com sua antiga ovelha Lucy. Santana sorriu se aproximando da cama, deitando atrás de Beth, passando mão no cabelo loiro da filha, antes de sussurrava no ouvido da mesma.
– Hey, bee. – Santana falava suavemente. – Acorda, mijá, está na hora. – A latina depositou um beijo na bochecha de Beth que como sempre, resmungou algo em espanhol, fazendo sua mama rir. – Despierta, mi princesa, porque mama tiene una sorpresa para ti. – Santana falava em espanhol e pode ver Beth sorrindo, abraçando Lucy com força.
– Buenos días, mamá. – Beth sorriu abrindo seus olhos, virando para sua mãe.
– Bom dia, mijá. Eu e sua mãe fizemos um delicioso café da manhã pra vocês. O que acha de descermos? Olivia e sua mãe estão sozinhas lá embaixo e estou preocupada de não sobrar bacon. – A latina brincou depositando um beijo na bochecha de Beth e as duas se levantaram juntas, descendo para cozinha.
– Bom dia, little one! – Quinn sorria, colocando um prato de panquecas na mesa e Beth se aproximou passando seus braços em volta de sua cintura, abraçando forte sua mãe. – Como você está, huh?
– Melhor. – Beth sorriu, fechando seus olhos ao sentir o perfume de sua mãe.
– Bee, olha! – Olivia falava empolgada, olhando para sua irmã. – Tem muito bacon e panquecas! – A pequena pulava em sua cadeira.
– Que delicia, Liv! – Beth soltava sua mãe, indo se sentar ao lado de sua irmã. – Qual você quer comer primeiro? – A garota perguntava, pegando o prato de Liv.
– Mmmm... Bacon. – Olivia pausava. – Não! Panquecas. – A pequena pausou. – Não! Bacon. Isso bacon primeiro. – Liv finalmente decidiu fazendo sua irmã e suas mães rirem.
– Ok, senhorita indecisa. Coma o bacon primeiro, depois as panquecas. – Beth servia sua irmã, cortando o bacon em pedaços para facilitar para Olivia.
– Beth é ótima com a Olivia. – Santana sussurrava no ouvido de Quinn, enquanto as duas observavam a interação de suas filhas.
As quatro tomaram café e Olivia não parava de falar, dizendo o quanto tudo estava delicioso. Beth perguntava do porque tudo aquilo, mas suas mães apenas diziam que queria agradá-las e toda mãe tem o direito a isso.
Após terminarem de comer, Quinn pediu que as meninas fossem se arrumar. Santana subiu para ajudar Olivia e Quinn que já estava arrumada, colocou a sua chave do carro e a de Santana em cima do aparador próximo a porta da casa e entre as duas chaves, colocou outra chave com um chaveiro de ovelha de pelúcia.
– Estou pronta, mamãe! – Olivia descia arrastando sua mochila pela escada devagar, até chegar ao último degrau e pular.
– Mmm que cheirosa a minha princesa. – Quinn se abaixava, ficando na altura de Olivia e dando beijo de eskimó. Encostando seu nariz ao de sua caçula.
– E aí, ela já desceu? – Santana descia com sua bolsa e antes de Quinn responder, Beth descia logo atrás de sua mãe.
– Todas prontas? Podemos ir? – Quinn perguntava disfarçando e suas duas filhas assentiram.
– Então vamos. – Santana e Quinn saiam na frente, enquanto Olivia e Beth vinham logo atrás. Antes de abrirem a porta, Santana parou, colocando a mão na testa.
– Não podemos sair sem as chaves do carro. – A latina sorriu, virando-se para Beth. – Bee, você pega as nossas chaves por favor?
– Claro, mama. – A garota se virou indo até o aparador, franzindo o cenho ao ver três chaves sendo que suas mães só tinham dois carros. Um de cada uma. — Mmm, mama? — Beth pegou as duas chaves entregando para suas mães, voltando para pegar a outra chave. – Essa chave por acaso é da tia Brittany?
– Mmm, não, bee. – Santana franzia o cenho, olhando para Quinn.
– Não faço ideia de quem seja. – Quinn falava disfarçando e Beth examinava a chave, reparando no chaveiro de ovelha arregalando os olhos, assim que sua ficha caiu.
– AH MEU DEUS! – Beth gritou e suas mães se seguravam para não rir. – Espera. – A garota falava suavemente. – Não me diga que finalmente... – Beth olhou de Santana para Quinn e percebeu que elas começavam a assentir lentamente. – AH! – A garota gritou, pulando para abraçar Quinn e Santana. – EU NÃO ACREDITO! OBRIGADA, OBRIGADA, OBRIGADA!
– Não acredita no que? – Olivia perguntava confusa.
– Liv. – Beth se aproximava pegando sua irmã no colo. – Eu ganhei um carro! – A garota gritou e sua irmã começou a rir, passando suas pernas em volta da cintura de Beth a apertando. – Obrigada, mãe, obrigada mama! Ah meu Deus, eu preciso ver meu carro novo.
– De nada, meu amor. – Quinn sorriu falando suavemente.
– Pronta para ver seu carro? – Santana perguntou e Beth assentia freneticamente.
A latina sorria abrindo a porta da frente da casa onde um ranger rover SVU preto estava estacionado na frente da casa. No mesmo instante, Beth arregalou os olhos. Ela tinha esperanças de que um dia ganharia um carro, mas nunca imaginou que ganharia esse carro. Imaginou talvez algo simples, mas não esse.
Beth pulou abraçando Santana com força, deitando sua cabeça no peito de sua mãe, que ria com a reação da filha. Em seguida, a garota passou para abraçar Quinn da mesma forma e foi andando até seu carro, sendo seguida por suas mães e Olivia.
– Obrigada, obrigada, obrigada! – Beth falava sem tirar os olhos de seu carro.
– Mijá. – Santana falava suavemente e Beth se virou para olhá-la. – Bee você sabe o quanto eu e sua mãe confiamos em você e esperamos que não nos decepcione. Você já é responsável por suas atitudes e esperamos que não passe dos limites.
– Eu sei, mama. Prometo que não passarei do limite de velocidade e prestarei muita atenção em todas as sinalizações na estrada. – Beth sorriu respirando fundo.
Após o acidente de Quinn, Santana se tornou uma mãe e esposa protetora. O real motivo por ter demorado tanto a dar um carro para Beth, foi por medo de acontecer algo com sua filha. A latina teve tanto medo de perder Quinn, que não consegue sequer imaginar algo acontecendo com Beth ou Olivia.
– Eu quero andar no carro novo da Beth. – Olivia olhava para suas mães e sorria para Beth.
– Quando Beth voltar do colégio, vocês podem dar uma volta, está bem? – Quinn respondia. – Hoje quem vai te levar é a mamãe. – A loira sorriu, mas Olivia continuava olhando para sua irmã com os olhinhos de pidona, na qual Beth não conseguia resistir.
– Mãe, sem problemas, eu levo ela e depois vou pra aula. – Beth destrava seu carro, abrindo a porta de trás, ajudando Olivia que subia animada.
– Está bem, nos encontramos mais tarde. – Quinn se aproximou depositando um beijo em Olivia e outro em Beth. – Bear, quem vai te buscar hoje é a mamãe, está bem? – Olivia assentiu e em seguida, Santana se despedia de suas filhas, seguindo de um selinho em Quinn, antes de cada uma entrar em seu carro.
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Logo que Beth chegou ao colégio, seus amigos ficaram loucos com o seu novo carro. Thomas comentou que daria uma volta, mas deixou claro que nenhum carro era mais legal que sua caminhonete que ele comprou com seu próprio dinheiro e tinha um amor incondicional por seu carro. Puck sempre dizia que Thomas era igual a ele, não era a toa que os dois se davam tão bem.
Depois da empolgação de todos eles, Beth e Charlotte estavam em seus armários, separando seus livros, quando Lucas apareceu por trás de Beth, apertando a lateral de seu corpo, fazendo-a pular.
– Lucas! – Beth assustou, virando para o garoto e dando um tapa de brincadeira em seu braço.
– Hey Beth. – Lucas ria, depositando um beijo na bochecha da garota. – E aí, Charlotte. – O garoto cumprimentou Charlie que apenas sorriu, voltando sua atenção para seu armário.
– Tudo bem? – Beth perguntava simpática, encostando-se em seu armário, enquanto prestava atenção em Lucas.
– Tudo e você? – O garoto sorria, passando seus dedos no cabelo de Beth, colocando algumas mechas para trás da orelha da mesma. – Bonito carro.
– Eu estou bem e obrigada, ganhei hoje cedo.
– Maneiro. – Lucas respondia, se aproximando. – Mm, eu estava pensando, o que vai fazer hoje depois da aula?
– Mmm, hoje eu, Charlie e Louise, vamos fazer nosso teste para o glee club.
– Sério? – Lucas arqueou a sobrancelha. – Wow, eu não sabia que você cantava.
– Bom, tem várias coisas que você não sabe sobre mim. – Beth falava sussurrando, desviando seu olhar de Lucas.
– Ah, é mesmo? – O tom de voz de Lucas era um tanto sedutor e o garoto se aproximou ainda mais de Beth, deixando seu rosto a milímetros de distancia da loira.
– Mhm. – Beth desviava seu olhar para os lábios de Lucas e por um segundo, ela se perguntou o que estava fazendo, mas algo dentro dela dizia para continuar, porque ela não podia negar que estava gostando daquilo.
Sem dizer nada, Lucas continuou aproximando seus lábios aos de Beth, enquanto pousava sua mão sobre a bochecha da mesma, acariciando sua pele com o polegar. Beth sorria, deixando seu olhar encontrar o de Lucas e antes que os dois pudesse se beijar, um barulho os fez sair de sua bolha, os trazendo de volta.
Charlotte bateu a porta do seu armário com tanta força que fez os dois pularem e virarem para olhá-la, mas a mesma já não estava mais lá. A garota saiu furiosa, sem acreditar no que estava vendo. Ela nunca soube que Beth tinha algum interesse em Lucas e sentia seu coração apertar por ter que ver tudo aquilo.
– Mmm. – Beth se afastava desviando seu olhar do garoto.
– O que acha de sairmos para jantar hoje? – Lucas perguntou, pegando Beth de surpresa.
– Como um encontro? – A loira perguntou franzindo o cenho.
– Bom, se você quiser que seja um encontro, te garanto que vai ser o melhor encontro que você já teve. – Lucas falava carinhoso, e por um segundo, Beth precisou prestar atenção em sua respiração. – Eu posso te buscar ás sete horas?
Beth deixou seus olhos encontrarem os de Lucas, no intuito de ter a certeza que o garoto estava mesmo sendo sincero. A loira sentia seu estomago revirar e não tinha certeza se isso lhe faria bem agora. Não depois de tudo que estava acontecendo entre ela e Charlotte. Talvez não fosse uma boa hora para um encontro. Talvez Beth devesse esperar até resolver o conflito dentro de si, antes de tomar alguma decisão. Mas ao pensar tanto, Beth pensou que talvez... Talvez, saindo com alguém diferente pudesse ajudá-la. Saindo com Lucas, a ajudaria a se sentir melhor, até porque, ela precisava de algo para se distrair.
– Claro, nos vemos as sete. – Beth pegou seu livro, fechando seu armário, depositando um beijo na bochecha de Lucas e saindo a procura de suas amigas.
– E ela estava com Lucas e blá blá blá. – Charlotte revirava os olhos enquanto falava sem parar com Louise e Thomas sobre Beth.
– Vocês duas às vezes agem como um casal de marido e mulher. – Thomas brincou e Louise se segurou para não rir.
– Relaxa, Charlie, de repente os dois são só amigos. – Louise tentava animar sua amiga.
– Ah claro, os dois estavam mesmo parecendo apenas amigos agora a pouco. – Charlotte falava irritada. – Eles quase se beijaram. Na minha frente. – A garota respirava fundo.
– E o qual o problema, Charlotte? Por um acaso você gosta dela? – Thomas provocava, semicerrando os olhos.
– Cala a boca, Thomas, nunca da pra conversar sério com você. – Charlotte balançava a cabeça fazendo Louise rir.
– O que? Você agindo assim ciumenta e possessiva só mostra que você gosta dela, e é algo que eu acho super legal, porque vocês combinam e sempre foram grudadas. – Thomas deu de ombros, passando seus braços por trás em volta da cintura de Louise.
– Eu sempre fui ciumenta com Beth e você sabe disso, Thomas. – Charlotte respondia grossa.
– Sempre, mas nunca desse jeito.
– Achei vocês! – Beth aparecia do lado de Charlotte, sorrindo de orelha a orelha. – Lucas acabou de me convidar para jantar. – A garota falava delicadamente e no mesmo instante, Louise e Thomas olharem para Charlotte, que olhou para Beth.
– Quando? – Charlotte perguntou rapidamente.
– Hoje à noite e eu aceitei. Acho que não tem nada demais. – Beth deu de ombros. – Vamos ser apenas dois amigos jantando.
– Ah, claro. – Charlotte rebateu, e os três a olharam. – É tão óbvio que ele tem segundas intenções com você, Elizabeth. – A garota falava brava e ao usar o nome todo Beth, a loira sabia que sua amiga estava brava.
– E qual o problema, Charlie? – Beth falava suavemente
– O problema é que na primeira oportunidade ele vai querer te levar para o banco de trás do carro dele.
– Wow. – Thomas se intrometia. – Se acalma, Charlotte, nem todos os garotos pensam só naquilo. – O garoto sabia que não estava ajudando, mas ele adorava provocar sua amiga.
– E mesmo se ele pensasse nisso, eu não sou assim e você sabe muito bem, Charlotte. Eu não deixaria qualquer um me levar para o banco de trás. – Beth falava ofendida. – Aliás, eu não faria nada no banco de trás de um carro.
– Quem garante que não? – Charlotte rebateu sem pensar e Beth no mesmo instante franziu seu cenho boque aberta com o que tinha acabado de ouvir.
Beth sabia que sua amiga estava brava e descontrolada e para não causar nenhuma discussão, a loira simplesmente balançou a cabeça, virando-se se afastando de seus amigos.
– Porra, Charlotte, você não precisava falar assim. – Thomas, tirava seus braços de volta de Louise chamando atenção de sua amiga. – Você mais do que ninguém sabe o quanto Beth respeita a si mesma e fala uma coisa dessas?
– Eu entendo que você esteja com ciúmes e irritada, mas não precisava ter falado isso, Charlie. – Louise falava suavemente. – Amiga, você precisa se controlar, está bem? Eu entendo que você está apaixonada pela Beth, mas não pode ficar jogando as coisas para cima dela assim.
– E-eu não estou apaixonada por ela. – Charlotte franzia seu cenho, sentindo uma pontada de arrependimento pelo o que tinha acabado de falado para Beth.
– Ah, por favor, Charlotte. – Thomas gesticulava. – Qualquer um que olha o modo como você olha pra ela, sabe que você está apaixonada e não adianta negar, porque o seu surto de ciúmes só prova isso.
Charlotte sentia uma vontade gigantesca de chorar. Ouvir Thomas falar daquela forma, fazia tudo ser tão real e menos confuso. Ela não acreditava no que tinha acabado de fazer. Beth tinha acabado de lhe desculpar no dia anterior e hoje ela novamente machucava sua melhor amiga.
– Eu sou uma idiota. – Charlotte sussurrou.
– Ah, você é.
– Cala a boca, Thomas, você não está ajudando. – Charlie virou-se irritada para seu amigo.
– Sim eu estou, e você e Beth são as únicas cegas para não ver o que estão bem embaixo do nariz de vocês. – O garoto jogava suas mãos para alto frustrado. – Quer saber, nos vemos depois. – Thomas virou-se depositando um selinho em sua namorada, antes de sair e deixá-las sozinhas.
– Wow, você deixou Thomas irritado e isso é muito raro de acontecer. – Louise falava suavemente.
– Tanto Faz. Eu sou uma idiota e ando fazendo tudo errado. – Charlie dava de ombros.
– Bom, então comece a fazer as coisas certas, Charlotte. Até porque eu sei que você não quer perder sua garota. – Louise falava confiante, sorrindo, passando seu braço sobre o de Charlotte e a puxando para acompanhá-la até a primeira aula.
Xxxx
Beth, Charlotte, Louise e Thomas, estavam todos juntos na sala do glee club, esperando Sr. Schue e Caleb irmão de Charlotte, para fazerem seus testes e entrarem no clube. Os outros membros também já estavam lá e algumas meninas demonstravam-se animadas com a ideia das três amigas entrarem no grupo.
Charlotte tinha se desculpado com Beth pelo o acontecido. Beth não entendeu do porque Charlotte ter agido daquela forma, mas preferiu não entrar em outra discussão e apenas aceitou seu pedido de desculpas.
– Até que enfim vocês resolveram me ouvir. – Caleb entrava sorrindo ao ver sua irmã com seus amigos sentados no fundo da sala.
– Pois é, resolvemos arriscar. – Louise respondeu.
– Fico feliz que vocês estejam aqui. – Sr. Schue se posicionava no meio da sala, de frente para seus alunos. – Já que temos novos membros, eu ia dizer qual seria a nossa lição de hoje, mas pelo visto, temos quatro audições para fazer. – Sr. Schue sorria. – Geralmente fazemos isso no nosso auditório, mas como são só vocês, vou abrir uma exceção. Quem vai começar?
– Eu posso começar? – Thomas se manifestava e todos o olhavam.
– Claro, Thomas, fica a vontade, o centro é todo seu. – Sr. Schue respondeu, indo com Caleb se sentar nas duas cadeiras vagas na frente.
Os músicos como todas as aulas, já estavam posicionados, apenas esperando as ordens de Sr. Schue. Thomas depositou um beijo na bochecha de Louise, se levantando e indo até o centro da sala.
– Eu achei que você ia cantar com sua namorada. – Uma garota loira simpática, comentava olhando para Louise.
– Seria muito clichê. – Louise respondeu sorrindo para a garota.
– E também a música que eu vou cantar, não faz muito o estilo da Lou. – Thomas se aproximou do guitarrista, lhe avisando qual música ele pretendia cantar e o rapaz assentiu avisando para os outros músicos.
Thomas se posicionou pegando a outra guitarra, dando o sinal para o guitarrista e logo Radioactive do Imagine Dragons começava a tocar.
I’m waking up to ash and dust
I wipe my brow and sweat my rust
I’m breathing in the chemicals
I’m breaking in, shaping up
Then checking out on the prison bus
This is it, the apocalypse
Beth, Charlotte e Louise, começavam a balançar os braços enquanto Thomas cantava. A voz do garoto era afinada e tinha um tom perfeito, no qual era difícil de achar em homens naquela idade.
(...) Oh, oh, oh, oh, oh
Oh, oh, oh, oh
Radioactive
Sr. Schue e Caleb não podiam negar que estavam impressionados com o talento de Thomas e não conseguiam tirar o sorriso do rosto. O glee club tinha poucos garotos e ter Thomas como um dos membros fazia Schue se lembrar das competições futuras e no quanto tinham chances de ganhar tendo Thomas em seu grupo.
Depois de alguns minutos, o garoto finalizou a música e foi aplaudido por todos. Louise assobiava sem parar, demonstrando uma completa fã de seu namorado.
O garoto agradeceu, colocando o violão no lugar e indo se sentar onde estava, entrelaçando seus dedos aos de sua namorada.
– Wow, amor, foi lindo, você arrasou. – Louise sorria parabenizando Thomas.
– E quem será o próximo? – Caleb perguntou e Louise levantou a mão, se levantando e indo para o centro da sala.
A garota avisou para o guitarrista qual música ela cantaria e o mesmo assentiu. Eles conheciam todas as músicas, até porque para trabalhar no glee club era preciso saber literalmente todas as músicas.
Louise se posicionou e a música Army Of Love da Kerli começou a tocar. A garota começou a cantar e logo dois garotos se aproximaram dela, começando a dançar.
A voz de Louise tinha um pequeno tom de sensualidade no qual chamava atenção de todos da sala. Era uma voz diferenciada do restante e mais uma vez, Sr. Schue não podia negar que tinha encontrado mais um talento.
Quando Louise terminou, todos aplaudiram e alguns dos meninos assobiaram, fazendo Thomas arquear sua sobrancelha. A mesma voltou a se sentar ao lado de seu namorado que lhe deu um selinho, parabenizando-a.
– Charlie, vai você agora. Eu prefiro ser a última. – Beth falava sussurrando perto de Charlie que assentiu e se levantou indo até o centro da sala.
Charlotte assim como Thomas e Beth, também tocava violão. A mesma colocou o instrumento pendurado em seu pescoço, ajeitando-o, dando sinal para os músicos e começando a tocar Push da Avril Lavigne. Louise no mesmo instante olhou para Thomas.
Been seein' too much of you lately
And you're starting to get on my nerves
This is exactly what happened last time
And it's not what we deserve
It's a, a waste of my time lately
And I'm running out of words
If it's really meant to be
Then you can find a way to say
Louise olhava para Beth pelo canto de seus olhos e podia perceber o quanto a mesma estava concentrada em Charlie.
Charlotte sempre gostou das músicas da Avril Lavigne e da Pink. Ao contrário de Beth, Charlotte, sempre preferiu um estilo mais rock do que pop.
That maybe you should just shut up
Even when it gets tough
Baby, 'cause this is love
And you know when push comes to shove
It's gonna take the both of us
Baby, this is love
Baby, this is love
Charlotte cantava sentindo a música e seu olhar muitas vezes encontrava o de Beth, torcendo para que a mesma prestasse atenção na letra da música que ela tinha escolhido.
You and me
We can both start over
Just the two of us
We can get a little closer
Beth sentia seu coração apertando, mas ela fazia o possível para não demonstrar isso. Ela estava sim prestando atenção na letra da música sabendo que tinham grandes chances de ser para ela, mas a mesma preferia ignorar. Talvez seja melhor ignorar, não posso fazer isso. Não agora. Beth pensou abrindo um sorriso para Charlotte.
Love, love, love...
Assim que Charlotte terminou de cantar, os outros membros a aplaudiram. Algumas das meninas lhe parabenizaram, dizendo que sua voz lembrava a de Avril e que ela tocava muito bem. Beth sorriu enquanto sua amiga se aproximava sem saber o que fazer. Ela estava com uma grande batalha dentro de si naquele momento e se cocentrava apenas em sua respiração.
– Wow, parabéns Charlotte. – Louise a parabenizava. – Ela foi ótima, não foi bee? – A garota cutucava sua amiga.
– Mhm, eu amei Charlie, sempre te falei que você canta muito bem. – Beth respondia sorrindo.
– Obrigada, bee. – Charlotte abria um sorriso de leve. A garota por um segundo teve esperanças de que Beth fosse comentar sobre a letra da música, mas a mesma nada disse, deixando Charlotte frustrada.
– Agora é sua vez, bee. – Thomas, encorajava a amiga que se levantou, ajeitando seu casaco.
– Bom, eu geralmente toco violão igual Thomas e Charlotte, mas para diferenciar um pouco, eu vou usar o piano. – Beth sorria, se aproximando do piano e se sentando, abrindo o mesmo. – Eu aprendi a tocar um pouco com meu tio, então vou arriscar. – A garota deu uma risada baixa. Além de ter ensinado violão para a pequena bee, Puck a ensinou a tocar piano. Ele não era um dos melhores, mas arriscava e ensinou o que sabia para Beth.
Beth tocava sua primeira nota suavemente, começando a cantar Lights da Ellie Goulding.
I had a way then losing it all on my own
I had a heart then but the queen has been overthrown
And I'm not sleeping now, the dark is too hard to beat
And I'm not keeping now, the strength I need to push me
Enquanto Beth cantava, Charlotte sorria sem parar. Mesmo que a música não fosse para ela, a mesma sempre adorou ouvir sua melhor amiga cantar.
You show the lights that stop me turn to stone
You shine it when I'm alone
And so I tell myself that I'll be strong
And dreaming when they're gone
A voz de Beth era tão suave que estava prendendo a atenção de todos na sala. Era impossível não sentir a música enquanto a mesma tocava e cantava. Todos estavam hipnotizados e Sr. Schue olhava para Caleb impressionado com a voz de Beth.
'Cause they're calling, calling, calling me home
Calling, calling, calling home
You show the lights that stop me turn to stone
You shine it when I'm alone
Beth cantava fechando seus olhos algumas vezes, sentindo a música e seus dedos dedilhavam sobre o piano com facilidade. A mesma sempre foi muito esperta e não foi difícil para aprender a tocar um instrumento tão delicado como esse.
A mesma continuou cantando por mais alguns minutos finalizando a música suavemente, exatamente como começou.
(...)Lights, lights, lights, lights.
Beth olhou para seus amigos que começavam a assobiar e aplaudi-la sem parar. A garota se levantou com suas bochechas vermelhas de vergonha, mas não podia negar que adorou a sensação de cantar daquela forma. Minhas mães ficaram orgulhosas. Beth pensou rindo consigo mesma.
Xxxx
– É ótimo vocês terem conseguido entrar para o glee. – Caleb comentava enquanto saia com os quatro amigos do colégio. – Sempre soube que vocês conseguiriam.
– Pois é, demorou pra convencer eles, mas finalmente entramos. – Charlie sorria para o seu irmão, percebendo que Beth andava e mexia no celular ao mesmo tempo. – Hey bee, o que acha de irmos ao cinema? – A garota cutucou sua amiga, que tirou sua atenção do que estava fazendo.
– Huh? Ah, eu adoraria Charlie, mas você sabe que Lucas me convidou para jantar e... — Beth encolhia seus ombros sorrindo. – Podemos fazer isso outro dia está bem? Agora eu preciso ir antes que me atrase. – A loira se aproximou de Charlie depositando um beijo em sua bochecha e em seguida se despedindo dos seus amigos antes de ir embora.
– Nós também vamos indo. – Louise e Thomas se aproximavam dos irmãos se despedindo e indo embora.
– Então quer dizer que Beth vai sair com Lucas hoje? – Caleb perguntava para sua irmã, enquanto os dois caminhavam até o carro.
– Parece que sim. – Charlie deu de ombros.
– E como você está?
– Como assim? – Charlie arregalou os olhos. – Eu estou bem.
– Charlotte, você é minha irmã e eu te conheço muito bem. – Caleb abria a porta do carro. – Eu sei que você está apaixonada pela Beth, aliás, a mãe e o pai também sabem disso, acho que só você que ainda não sabe. – O garoto riu.
– E-eu não estou apaixonada pela Beth. Ela é apenas minha melhor amiga. – Charlie batia a porta do carro, colocando seu cinto, tentando não olhar para o seu irmão, até porque, ela sabia que ele estava certo.
– Charlie, tudo bem você estar apaixonada pela Beth, eu, a mãe e o pai te amamos exatamente como você é. E também, já suspeitávamos de que essa amizade de vocês daria nisso. – Caleb começava a dirigir. – Você só precisa dar um tempo pra ela perceber isso. Esse tal de Lucas só vai ser um empurrãozinho para o seu time. – O garoto encorajava sua irmã. – Não se preocupe, vai dar tudo certo.
Charlotte não sabia o que dizer, até porque, ela não sabia que estava sendo tão óbvia. Ela sempre foi confusa com seus sentimentos em relação a Beth, mas de uns tempos para cá, seus sentimentos ficaram mais intensos e estava difícil disfarçar.
No caminho para casa, Beth se preocupava em como contaria para suas mães que sairia com Lucas essa noite. Aliás, ela se preocupava mais com a reação de Santana que sempre foi protetora e Beth temia que a mesma não fosse deixá-la ir.
Assim que a garota chegou em sua casa, percebeu que não só suas mães estavam em casa, como também seu tio Puck e tia Rachel. Ótimo. Ela pensou revirando olhos. Seu tio Puck sempre foi como um pai pra ela e com certeza não ficaria nada feliz em saber que a pequena monkey face teria seu primeiro encontro essa noite.
Beth desceu do carro, pegando suas coisas, contando até dez tentando se concentrar e escolher a melhor maneira de contar para sua mãe Santana que ela teria um encontro.
– Hey bee. – Santana cumprimentava Beth assim que a garota entrava em casa.
– Hey mama. – Beth sorria, colocando suas coisas no sofá. – Tio Puck! – A loira abriu seus braços, abraçando seu tio com força.
– E aí, monkey face. – Puck depositava um beijo na cabeça de Beth. – Soube que você ganhou um super carro essa manhã.
– Ah! – Beth falava empolgada. – Ele é lindo, tio Puck, amei, amei!
– Eu imagino. Depois vamos dar uma volta. – Puck piscou para sua sobrinha, a soltando.
– Beth! – Valerie, a filha de Puck e Rachel aparecia correndo da cozinha, pulando nos braços de Beth. A garotinha tinha apenas quatro anos e adorava Beth e Olivia.
– Hey Valerie. – Beth pegava a pequena, apertando-a em seus braços.
– Adivinha? – Valerie falava empolgada. – Eu e Liv comemos muito chocolate. – A garotinha sorria, enquanto Rachel, Quinn e Olivia apareciam na sala.
– Mmmm, que delícia e tem um pouco pra mim?
– Não, eu e Liv comemos tudo. – Valerie fazia um bico de leve, mostrando estar triste.
– Aw, tudo bem, mas na próxima vez, vocês deixem um pedaço pra mim. – Beth passou seu dedo na ponta do nariz de Valerie a colocando no chão, indo cumprimentar Rachel e Quinn.
Enquanto todos se sentavam na sala para conversar, Beth sabia que precisava conversar com suas mães, até porque, o relógio marcava quase seis horas da noite e ela precisava começar a se arrumar. Beth sabia que seria falta de educação chamar apenas suas mães em seu quarto e avisá-las, então respirou fundo tomando coragem.
– Mmm, mãe. – Beth chamava Quinn, que tirava sua atenção de Rachel e virava para sua filha. – E-eu vou sair hoje à noite. – Beth pausava desviando seu olhar de Quinn. – Com o Lucas. – A garota sussurrou, mas foi o suficiente para Santana ouvir.
– Sair com quem? – Santana perguntou e todos agora estavam olhando para Beth.
– Com o Lucas. – Beth sorria. – Ele é um garoto da minha escola, amigo do Thomas e me convidou para jantar com ele hoje a noite e... –
– Você não vai. – Santana a interrompeu.
– Santana. – Quinn olhava para sua esposa. – É só um jantar, amor.
– Sim, mama, é só um jantar entre dois amigos. – Beth continuava dando o seu melhor sorriso.
– Dois amigos? Ele está com segundas intenções. – Puck comentava e Beth se segurava para não revirar os olhos.
Ótimo, dois contra um. A garota pensou.
– Parem de implicar com a Beth. – Rachel quem falava. – Ela já tem dezesseis anos e acho saudável ela ter o seu primeiro encontro.
– Obrigada, tia Rachel. E Lucas vem me buscar e me trazer antes da hora de dormir.
– Ah ele vem te buscar? – Santana semicerrava os olhos e Beth sabia exatamente o que isso queria dizer.
– Mama, por favor, ele é um garoto muito legal e nos damos bem, por favor. – Beth usava seu olhar de pidona, no qual Santana nunca resistia.
Santana olhou para Quinn, em seguida para Puck e novamente para Beth. A latina sempre achou que Beth ficaria com Charlie e não podia negar que estava triste por não ser a garota que sairia com sua filha essa noite. Ela sempre torceu pelas duas, até porque, seu famoso gaydar nunca falhou e Santana tinha certeza que Charlie amava sua filha. Aliás, Santana sempre soube que daquela grande amizade de infância se tornaria em algo intenso quando ambas crescessem, mas pelo visto, Beth ainda não conseguia ver o que estava embaixo de seus olhos e a latina sentia dó de Charlie naquele momento.
– Está bem. – Santana respondia e Beth se levantou dando um pulo, abraçando sua mama. – Mas, quero você em casa às onze horas da noite. Nem um minuto a mais. – A latina falava firme e Beth assentia freneticamente.
– Sim, sim. Obrigada mama. – Beth depositava um beijo na bochecha de Santana. – Te amo.
– Beth tá namorando? – Olivia falava inocente olhando para Quinn.
– Não, meu amor, é só um primeiro encontro. – Fabray falava carinhosamente e Olivia assentiu.
– Ah e a propósito, entrei para o glee club! – Beth levantava seus braços. – Sou oficialmente uma gleek como todos vocês foram.
– Claro que você é uma gleek. – Santana ria. – Você é parte Fabray. – A latina brincou e foi atingida por uma almofada no rosto, fazendo suas filhas rirem.
– Não vamos esquecer que você também já foi uma gleek. Loser. – Puck defendia Quinn.
– Tanto faz, losers. – Santana resmungava.
Após receber os parabéns de todos, Beth subiu para o seu quarto, indo tomar banho, para começar finalmente se arrumar para o seu primeiro encontro com Lucas. A garota não podia negar que estava ansiosa e tentava se convencer de que essa noite seria apenas um jantar entre dois amigos.
O tempo ainda não era verão ou primavera, mas Beth decidiu usar seu vestido amarelo claro, com um casado preto por cima e uma sapatilha preta. Assim como sua mãe Quinn, Beth também adorava vestidos. Optou por deixar seu cabelo soltou, o jogando para o lado.
Assim que a mesma ficou pronta, o relógio marcava quase sete horas e Beth pegou seu celular e sua bolsa, descendo as escadas encontrando seus tios que ainda estavam lá. Ótimo. Tio Puck vai assustar o Lucas. Beth pensou tentando não entrar em pânico com medo de sua mama e seu tio Puck assustarem seu amigo.
– Aw, você está linda, Beth. – Rachel comentava assim que viu Beth aparecendo na sala.
– Ainda continua minha bonequinha. – Quinn esticou os braços, chamando Beth que rapidamente se envolveu nos braços de sua mãe a abraçando.
– Primeiro encontro, huh? – Santana arqueava sua sobrancelha. – Mal esperar para conhecê-lo.
– Mama, por favor, não assuste ele, está bem? – Beth virava-se para olhar Santana. – Lucas é um garoto muito legal e ele me trata muito bem.
– Eu jamais faria isso, bee. – Santana ironizava.
– Mãe, por favor, não deixa a mama fazer nada ou Lucas nunca mais vai querer sair comigo de novo. – Beth sussurrava para Quinn.
– Mm, então você pretende sair com ele outra vez? – Quinn sorria, brincando com a filha.
– Quem sabe. – A garota deu de ombros e antes que alguém pudesse dizer algo, a campainha de sua casa tocou e todos olharam para Beth. – Comportem-se. – Beth os avisou, arrumando sua roupa, enquanto caminhava até a porta. A mesma respirou fundo e finalmente abriu a porta de sua casa encontrando Lucas parado em seu deck, sorrindo, usando uma calça jeans escura, com uma blusa branca e uma jaqueta preta por cima. Não posso negar que ele é lindo. Beth pensou, sorrindo.
– Hey Beth. – Lucas sorriu, depositando um beijo na bochecha de Beth.
– Oi Lucas. – A loira sorriu sentindo suas bochechas esquentarem. – Você pode entrar um minutinho? Minhas mães querem te conhecer. – Beth entortava sua boca, apreensiva com medo de Lucas a achar patética naquele momento.
– Claro, sempre me dou bem com pais de amigos. – Lucas passou por Beth, a esperando fechando a porta, antes de irem juntos para a sala onde todos os esperavam e assim que chegaram, todos os olhos foram para Lucas que sorria simpático. – Lucas, essa é minha mãe Quinn. – Beth começava apresentá-los, apontando para cada um deles. – Minha mãe Santana. – Lucas sorria as cumprimentando. – Minha irmã Olivia, minha tia e meu tio, Rachel e Puck e minha prima Valerie. – Beth respirava fundo, terminando de apresentá-los. – E esse, é o Lucas. – A garota o apresentou para sua família e Santana se aproximou.
– Como vai, Lucas? – Santana sorria e Beth olhava para Quinn que se aproximou, entrelaçando seus dedos aos de sua esposa.
– Eu estou bem e a senhora? – Lucas respondia simpático, fazendo Beth sorrir orgulhosa, percebendo o quanto ele estava à vontade com todos eles.
– Muito bem obrigada. – A latina respondia sem tirar os olhos do rapaz. – Eu espero que você respeite os horários e a traga no máximo às onze horas. Nada mais que isso. – Santana falava firme e autoritária. – Estamos entendidos?
– Sim, senhora Lopez. – Lucas olhava para Beth e depois para Santana. – Eu prometo que vou cuidar muito bem da Beth.
– Acho bom, ou então vou ser obrigado a ir atrás de você. – Puck agora se levantava do sofá se aproximando, mas logo Rachel grudou em seu braço, mando-o se comportar.
– E ele não está brincando. – Santana balançava a cabeça e Lucas apenas assentiu.
– Okaaaay... – Beth revirava os olhos, pegando na mão de Lucas. – Hora de irmos.
– Espera. – Santana os fez parar e a mesma se aproximou de Lucas, olhando nos olhos do garoto. – Nada de beijar, apalpar ou sequer pensar em levar minha filha para o banco de trás do seu carro ou eu. –
– Mama!
– Santana! – Quinn e Beth falaram juntas, interrompendo a latina e suas ameaças.
– Ai meu Deus! – Beth fechava seus olhos se sentindo envergonhada.
– Divirtam-se. – Quinn sorria simpática, se aproximando para puxar Santana que não tirava os olhos de Lucas.
– Obrigada, senhora Lopez. – Lucas respondeu diretamente para Quinn e antes de se despedir, Beth o puxou para que os dois pudessem sair de lá.
– Mandou bem, sexy mama. – Puck levantou sua mão em direção a latina que logo o cumprimentou.
– Pobre Beth, nunca vai arrumar um namorado tendo um tio e uma mami assim. – Rachel revirava os olhos, se sentando.
– É o namorado da bee? – Valerie perguntava confusa.
– Não, porque a bee namora com a Charlie. – Olivia respondia tão naturalmente fazendo os adultos se surpreenderem com a ideia da pequena.
– Até a Olivia consegue ver e elas não. – Santana falava frustrada.
– Isso porque você faz comentários sobre a Beth e da Charlotte perto da Olivia e ela aprende. – Quinn dava um tapa leve no braço de Santana.
– Hey! E a propósito, não gostei dele. – Santana arqueava sua sobrancelha. – Já vi muitos desse tipo no colégio e sei bem que de bons não tem nada.
– To contigo, sexy mama. Por trás daquela simpatia toda, ele é um punk que deve se gabar por já ter ficado com todas as líderes de torcida. – Puck comentava sério.
– Gente, não é só porque vocês dois um dia foram assim que todos são.
– Não Rachel, nós não fomos assim, nós já convivemos com pessoas assim e pode acreditar, esse garoto de bonzinho não tem nada. – Santana apontava séria para Rachel. – E se ele machucar a minha filha... – A latina pausava. – Ele vai se arrepender de um dia ter conhecido a Beth.
– Mama bear. – Quinn sorria, colocando a mão no rosto de sua esposa, apertando suas bochechas e depositando um selinho demorado em seus lábios. – Vamos dar uma chance a ele primeiro, está bem? Ainda não sabemos se desse encontro vai sair um namoro ou só continuar na amizade. – Fabray depositou outro selinho em sua esposa e Santana relaxou assentindo.
Xxxx
Beth e Lucas estavam sentados em uma mesa para dois, em um restaurante no centro da cidade no qual serviam ótimos hambúrgueres. Beth contava para Lucas que tinha conseguido entrar para o glee e o garoto sorria, dizendo que um dia, Beth ainda teria que cantar para ele ouvir. A garota ficava impressionada ao ver o quão carinhoso e simpático Lucas estava sendo e sentia pequenas borboletas em seu estomago todas as vezes que ele falava algo carinhoso.
– Então... – Os lanches dos dois já tinham chegado e eles comiam em silêncio antes de Lucas resolver falava. – Mmm... Qual das duas... Digo, qual das duas é sua mãe verdadeira? – O garoto perguntou, fazendo Beth franzir o cenho, sentindo uma pontada de decepção com a pergunta.
– As duas são minha mãe de verdade, mas se você refere de qual eu nasci. – Beth pausava. – Bom, você deve ter reparado que eu me pareço com uma delas. – A garota respirou fundo e Lucas sorriu.
– Ah, é, você se parece mesmo com a Quinn. Digo, a senhora Lopez. Mmm... Confuso. – Lucas brincou e Beth riu suavemente.
– As duas são senhora Lopez, então, enquanto estivermos só nós dois, tudo bem em chamá-las pelo primeiro nome. – A garota tomava um pouco do seu milkshake. – Sério, se meu treinador me encontrar comendo tudo isso, ele com certeza me mataria e me faria correr por quatro horas.
– Então hoje é seu dia de sorte, porque ele não está aqui e você pode comer a vontade. – Os dois sorriram e voltaram a comer, começando assuntos aleatórios sobre o dia na escola.
Enquanto os dois conversam, Beth se perguntava se ela e Lucas teriam algum futuro. Não que ela estivesse desesperada, mas tudo era tão confuso que ela mal sabia se conseguiria um dia se abrir para alguém e finalmente descobrir o que realmente queria. Com Lucas e Charlotte tudo era muito fácil, mas Beth não podia negar que se decepcionou um pouco com a pergunta de Lucas sobre suas mães. O problema era que a loira sabia que não podia fazer comparações, porque ninguém é igual a ninguém e se ela precisasse realmente se descobrir, teria que deixar o tempo seguir sem interferir. Mas e se eu acabar presa em algo que nunca quis e depois não conseguir mais sair? Beth pensava sem tirar sua atenção de Lucas enquanto ele falava.
Ela não podia negar que sentia borboletas em sua barriga todas as vezes que Lucas era carinhoso com ela ou quando tocava sua mão. Beth não podia negar que o garoto sabia ser simpático e encantador, mas mesmo se sentindo a vontade perto dele, Lucas nunca vai ser Charlotte e ele nunca vai conseguir arrancar de Beth sorrisos bobos que aparecem sem ao menos ela perceber. Droga, Beth, se concentra e para de compará-los.
Beth sentia seu coração apertar todas as vezes que pensava no quase beijo que Charlotte lhe deu na noite passada e quando pensava, podia sentir milhões de borboletas em sua barriga a fazendo precisar se concentrar em sua respiração. Tudo estava tão difícil que naquele momento e ao pensar em Charlotte, Beth sentia medo de que esse encontro com Lucas torna-se algo sério. Talvez eu consiga controlar isso. Aliás, eu consigo controlar. É o meu coração e eu posso me abrir para quem eu quiser. Beth sorriu assentindo sua cabeça para Lucas.
Depois de algumas horas de conversa, sorvete, risos e pensamentos que fazia Beth dispersar. Os dois olharam para o relógio que marcava exatamente 10h30 da noite. Os dois se olharam e Lucas chamou a garçonete pedindo a conta.
– Nós temos tempo até chegarmos lá. – Lucas sorriu, abrindo a porta do carro para Beth.
– Eu espero que meu tio Puck já tenha ido embora. — Beth falou mais para si mesma do que para Lucas.
O caminho de volta até a casa de Beth foi tranquilo e ambos agradeciam mentalmente por não ter trânsito algum, até porque, Lucas não queria que Santana fizesse nada contra ele.
Logo que Lucas estacionou em frente à casa de Beth, o relógio marcava onze horas sem ponto. Beth tirou seu cinto, passando seus dedos delicadamente sobre o seu cabelo, colocando atrás da orelha antes de se virar para Lucas.
– Foi uma noite muito boa. – Ela falava suavemente. – Obrigada, eu me diverti muito.
– Mesmo? – Lucas virava-se olhando para a porta da casa, antes de olhar para Beth.
– Mhm, foi divertido. Talvez possa parecer meio nerd da minha parte, mas eu adoro conversar. – Beth encolhia seus ombros, fazendo uma cara adorável. – E nós conversamos bastante, nos conhecemos bastante... Quero dizer, ficamos a vontade para conversar sobre tudo e não ficar naquele tédio de primeiro encontro constrangedor.
– Concordo. Foi muito bom. – Lucas sorriu, ficando em silêncio e Beth se virou para olhá-lo.
Os olhares dos dois se encontram e Beth começava a entrar em pânico sem saber o que fazer, mas sabia que não podia correr e resolveu deixar acontecer. Lucas se aproximou suavemente de Beth, pousando sua mão no rosto da mesma, enquanto a loira fechava seus olhos sentindo a respiração do garoto em seus lábios. Beth se aproximou, deixando seus lábios encostarem ao de Lucas, abrindo sua boca suavemente, iniciando um beijo suave, inclinando sua cabeça pra o lado oposto do garoto, deixando que a língua dele entrasse em sua boca encontrando a sua, começando a massagear uma sobre a outra suavemente.
Beth sentia seu estomago embrulhar e não podia negar que estava gostando daquilo. O beijo de Lucas era suave e não tão molhado como de outros garotos que ela já beijou. Lucas tinha os lábios macios e por um momento, ela se pegou imaginando como seria beijar Charlotte. Será que os lábios dela também não macios? Ela deve ter gosto de cereja, porque tudo nela tem um cheiro suave e delicioso de cereja e... Droga, Elizabeth, você está beijando um garoto. Você está beijando o Lucas, se concentra nisso e esqueça Charlotte. Beth pousou sua mão no rosto de Lucas tentando se concentrar no beijo, sentindo a mão do garoto deslizando sobre o seu braço, até sua cintura, onde ele apertava seus dedos, subindo de descendo pela lateral de seu corpo.
– Mmm... – Beth pausou o beijo, encostando sua testa na de Lucas, abrindo um sorriso suave, mordendo seu lábio inferior. – Isso foi... Doce. – Ela riu, recebendo um selinho.
– Seus olhos e seu sorriso são lindos. – Lucas dedilhava seus dedos pela bochecha de Beth.
– Obrigada. – A garota falava timidamente, se afastando devagar. – E-eu preciso entrar antes que minha mãe apareça.
– Claro, amanhã nos encontramos no colégio. – Lucas respondeu.
– Obrigada por essa noite, eu me diverti de verdade. – Beth abria a porta do carro. – Nos falamos amanhã. – Antes de Beth descer, Lucas colocou sua mão no queixo da mesma, fazendo-a olhar para ele, lhe dando mais um beijo suave, que ela rapidamente pausou tímida, se afastando enquanto sorria. – Até amanhã.
– Até amanhã. – Lucas respondeu, admirando Beth que fechava a porta de seu carro e andava até sua casa, abrindo e desaparecendo para dentro.
Assim que Beth entrou em casa, a mesma tinha um sorriso estampado no rosto. Ela encostou-se à porta, pensando no beijo que tinha acabado de ganhar. Lucas beijava muito bem, mas Beth sabia que gostava dele apenas como um amigo e não tinha certeza se isso iria mais além. Ela estava confusa, mas já tinha decidido que deixaria o tempo levá-la. Será que essa seria mesmo uma boa escolha? E se eu me confundir e fizer a escolha errada? O que eu faço? Beth pensou fazendo seu sorriso desaparecer, sentindo seu estomago embrulhar. Por que tudo precisa ser assim? Eu realmente preciso de ajuda. Antes que suas mães aparecessem, Beth passou pela sala, avisando que já tinha chegado e subiu correndo as escadas. Quinn perguntou como foi o encontro, mas a garota estava começando a se sentir aflita e tudo o que ela precisava naquele momento, era trocar de roupa, abraçar sua antiga ovelha e falar com a única pessoa que sempre lhe faz bem.
Bethbee: Hey boo, só pra você não esquecer que eu te amo. ;) Boa noite x.
Beth se encolheu após vestir seu pijama, se colocando embaixo das cobertas, abraçando Lucy e segurando seu celular. Vamos Charlie, me responde. A garota pensava. Eu só vou conseguir dormir bem se você me responder. E de repente, seu celular vibrou a fazendo sorrir imediatamente.
Charlieboo: O que é isso? Temos uma bee carente? Haha eu te amo dork, muito, muito. Boa noite e nos falamos amanhã. Xxxxxxxxxxxxxx.
Beth começava a sorrir, sentindo seu coração aliviar e seu estomago relaxar. Apesar de estar confusa, uma coisa Beth sempre teve certeza. Ela sempre se sentirá segura com Charlotte.
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