Beating Heart.
4 Why that feels so wrong?
Notas iniciais
Tinha se passado exatamente uma semana desde o primeiro beijo entre Beth e Lucas e os dois se comunicavam constantemente por mensagens quando estavam separados. A garota sorria todas as vezes que recebia alguma mensagem carinhosa de Lucas, mas nada comparado com o efeito que as mensagens de Charlotte lhe causavam.
Mas não era só isso que tinha mudado na vida de Beth. A garota percebeu o quanto Charlotte estava diferente nos últimos dias. A morena não estava conseguindo disfarçar o seu ciúme e cada vez mais preferia se afastar para não sofrer ao ser obrigada a ouvir o que não queria. Charlie não sabia lidar com nada daquilo, até porque, era tudo novo e intenso, algo que nenhuma das duas tinham sentido antes.
Beth percebia o quanto sua amiga estava diferente e não sabia exatamente o porque, ela pensava em perguntar, mas lá no fundo, Beth tinha medo da resposta. A loira ainda estava bem confusa com tudo que sentia. Beth gostava da atenção que recebia do garoto. Lucas era carinhoso e engraçado, a fazia sorrir sempre que sua mente a prendia com suas dúvidas e o mesmo sabia exatamente o que dizer ou o que fazer quando a loira ficava triste.
O relógio marcava nove horas da manhã no sábado. Beth estava dormindo em seu quarto confortável, quando sentiu um pequeno corpo entrando embaixo de suas cobertas e se encolhendo contra suas costas. Beth sabia exatamente quem era, mas não acordou e deixou que sua irmã dormisse em sua cama por mais algumas horas.
Depois de alguns minutos, Beth podia ouvir Olivia solução baixo encolhida ainda mais em suas costas. A garota abriu seus olhos lentamente se virando para ver do porque sua irmã estava chorando.
– Liv? – Beth encontrava sua irmã de olhos vermelhos a olhando — Olivia, o que houve? – A garota perguntou, passando seu braço em volta da cintura de sua irmã e a abraçando.
– E-eu tive um pesadelo. – Olivia soluçava baixo olhando para Beth.
– Shh, está tudo bem. – Beth passava sua mão pelas costas da irmã, tentando acalmá-la. – O que você sonhou?
– Sonhei que eu acordava de manhã sozinha em casa e não tinha a mamãe Q ou a mamãe Tana e nem você. – Olivia sussurrava. – E-eu fiquei com medo, Beth, porque eu fiquei sozinha e não tinha ninguém. – Liv aproximou seu corpo para perto de Beth, abraçando sua irmã com força.
– Hey, estamos todas aqui. – Beth falava carinhosa. – Eu, e as mamães. – A garota sorriu depositando um beijo na bochecha de sua irmã. – E não vamos a lugar algum.
– Eu preciso da minha bee. – Olivia sussurrou, escondendo seu rosto no pescoço de sua irmã, que abria um sorriso de orelha a orelha. Beth sempre amava o quanto sua irmã era carinhosa e ainda tinha jeitinho de bebê perto dela.
– Bom, tiny, é seu dia de sorte, porque sua bee está aqui. Agora vamos tentar dormir mais um pouco? – Beth sugeriu e Olivia se afastou.
– Mmmm, mas eu estou com fome, bee. – Olivia mordia o canto de seus lábios fazendo Beth rir.
– Céus, Liv, você precisa parar com esse jeitinho, senão eu nunca vou conseguir dizer “não” pra você. – Beth começava apertar a lateral do corpo de sua irmã, lhe fazendo cócegas.
– I-isso é b-bom. – Olivia falava rindo, tentando segurar as mãos de sua irmã. – P-para Beth! – A pequena se encolhia e Beth parou lhe abraçando.
– Mmm, o que acha de irmos deitar com a mamãe Tana e a mamãe Q? – Beth sugeriu se levantando, e sem precisar dizer duas vezes, Olivia se levantou seguindo-a para o quarto de suas mães.
Beth abriu a porta devagar, esperando Olivia entrar e fechou a porta atrás delas. As duas andaram lentamente até a cama de suas mães, onde ambas ainda dormiam cansadas. As duas garotas se olharam e começavam a subir lentamente na cama, entre as duas mulheres. Beth deitava perto de Santana, enquanto Olivia deitava ao lado de Quinn. As duas riram baixo, se colocando devagar embaixo das cobertas e deitando a cabeça no travesseiro de suas mães.
As duas garotas ficaram entre suas mães e antes que Olivia pudesse abraçar Quinn, a mesma se virou sorrindo de olhos fechados, passando seu braço em volta da cintura de sua caçula, a abraçando, junto de seu corpo, enquanto Beth ria baixo para sua irmã que adorava os abraços de suas mães e irmã.
– Vocês duas acharam mesmo que iam deitar aqui e não iam nos acordar? – A voz de Santana ecoava no quarto e a mesma se virava, abraçando Beth.
– Olivia teve um pesadelo e foi parar no meu quarto. – Beth se encolhia nos braços de sua mãe enquanto falava. – E aí tive a ideia de virmos deitar aqui com as melhores mamães do mundo. – A garota sorria, enquanto Olivia colocava a mão na boca rindo baixo.
– Ah, que ótimo saber que somos as melhores mães do mundo. – Quinn falava baixo, abrindo seus olhos, olhando para sua caçula. – E que pesadelo foi esse, meu amor?
– Eu sonhei que tinha acordado sozinha e não tinha ninguém aqui, mamãe. – Olivia falava carinhosa. – Não tinha a mama, ou você e nem a Beth. Fiquei com medo. – A pequena respirava fundo, se virando para olhar Quinn. – Mas aí fui ao quarto da Beth e ela cuidou de mim.
– Awn meu amor, estamos todas aqui e nunca vamos te deixar sozinha. – Quinn sorriu, passando a mão na testa de Olivia. – E fico feliz que Beth tenha cuidado de você.
– Então tá, quem vai fazer o café da manhã? – Beth perguntava abraçando o braço de sua mãe.
– A mamãe Q. – Santana respondeu rapidamente recebendo um chute leve em sua perna por baixo das cobertas. – Hey! Ninguém faz bacon melhor do que você.
– A Beth faz. – Olivia sussurrava.
– Obrigada, tiny.
– Às vezes eu acho que tem mais de uma criança dentro de casa. – Quinn revirava os olhos.
– Eu não sou criança. – Beth respondia imitando a voz manhosa de Olivia.
– Ah não? Bee, às vezes me esqueço de que você já tem dezesseis anos, especialmente quando acordo com você aqui. – Santana ria, apertando seus braços em volta de sua filha.
– Beth tem ciúmes porque eu sou pequena e posso e ela não. – Olivia falava rindo e Beth brincava mostrando a língua para sua irmã. – Beth mostrou a língua! – A pequena gritou virando-se para olhar sua mãe Q.
– Céus, eu ainda tenho duas crianças. – Quinn começava a se levantar. – Eu espero que todas vocês levantem logo enquanto eu faço o café da manhã. E Beth, hoje você tem aula de dança, certo? – Beth assentia. – Charlotte vai passar por aqui ou...
– Não. – Beth respondeu rapidamente e Quinn percebeu a mudança no rosto da filha. – E-ela não vai passar aqui. Acho que vamos nos encontrar lá.
– Mm, ok então, little one. – Quinn sorriu, saindo do quarto.
A semana não estava sendo nada fácil para Beth. Estava cada vez mais difícil para ela se encontrar dentro de si mesma. A garota gostava da companhia e da atenção de Lucas, mas sabia que nada os levariam a ter um relacionamento. Beth estava muito confusa para entrar em um relacionamento agora e tudo o que ela via no garoto era apenas um amigo que lhe tratava com carinho. Os dois tinha se beijado apenas mais uma vez depois do encontro que tiveram, mas Beth não sentia seu coração acelerar ou seu corpo se arrepiar com o beijo de Lucas. Era tudo muito normal, mas o que mais chamava atenção de Beth era o fato de Charlotte estar lhe evitando constantemente essa semana.
No colégio todas as vezes que Beth se aproximava, Charlotte dava qualquer desculpa de que precisava fazer algo. A loira mandava mensagens, mas Charlie raramente respondia e quando o fazia, suas respostas eram curtas. As duas que costumavam sair todos os dias depois da aula de dança ou do treino, essa semana, não se viram um dia sequer fora do colégio. Beth sabia que Charlotte estava evitando-a, mas não entendia o porquê. Tudo estava sendo difícil para Beth, e o que ela mais precisava naquele momento era sua melhor amiga, porque só Charlotte conseguia fazer Beth se sentir protegida e segura contra a batalha que tinha dentro de si.
Mãe e filhas, desceram para tomar o café que Quinn preparou e enquanto comiam, estava difícil para Beth parar de pensar em Charlotte. A garota sorria vez ou outra para sua irmã que contava histórias e tentava prestar atenção quando Quinn lhe contava que suas pinturas estavam fazendo sucesso e que muitos clientes estavam esperando ansiosos para o dia em que as pinturas começassem a serem vendidas.
Enquanto Quinn comentava sobre a galeria, Beth olhou para o relógio, percebendo que teria tempo para fazer o que mais gostava. Pintar. A garota se levantou, pegando seu prato, o colocando na pia, amarrando seu cabelo loiro em um rabo de cavalo e antes de sair da cozinha, Santana a chamou.
– Bee, aonde você vai? – Santana perguntou olhando para sua filha.
– Mm, eu vou lá embaixo. – Beth sorriu de canto.
– Está tudo bem? – Quinn perguntou e Beth assentiu, saindo da cozinha.
Beth era exatamente como Quinn, adorava pintar e suas pinturas era o que lhe distraía a fazendo esquecer o que estava sentindo. A garota desceu até a parte debaixo da casa, onde tinha um grande porão que mãe e filha usavam como um estúdio. O local era enorme, tinha o cumprimento da casa e Santana adaptou com janelas e luzes para clarear e ventilar o local. O estúdio também tinham as paredes acústicas já que Beth e Quinn não dispensavam a música alta enquanto pintavam.
A garota plugou seu Ipod no suporte, amarrando um pequeno avental em volta da sua cintura para não sujar seu boy-short cor de rosa. Pegou seu pincel, ajeitando suas tintas e antes de se sentar em frente à tela branca, apertou play, aumentando o som começando a tocar Alex Clare – Too Close.
Beth se sentou, usando seu pincel para começar os seus primeiros traços com a cor preta. Ela não pensava muito para escolher as cores que usaria. Beth simplesmente deixava as cores escolherem por ela.
Enquanto contornava o começo de seu desenho, a letra da música começava a entrar em sua cabeça. A garota parou o que estava fazendo e percebia que a música falava por ela em todos os sentidos.
I don’t want to hurt you, but I need to breath
At the end of it all, you’re still my Best friend
But there’s something inside that I need to release
Which way is right, which way is wrong
How do I say that I need to move on?
You know we’re heading separate ways.
Beth fechou seus olhos, sentindo seu peito apertar. Seu coração acelerava e a angustia que ela tentava esquecer aparecia em seu corpo a fazendo largar o pincel, pensando nas atitudes de Charlie nos últimos dias.
And it feels like I am Just too close to love you
There’s nothing I can really say
I can’t lie no more, I can’t hide no more
Got to be true to myself
And it feelis like I am Just too close to love you
So i’ll be on my way.
Lágrimas começavam a escorrer por suas bochechas, fazendo-a se sentir cada vez mais frustrada e angustiada. Beth sentia falta de Charlotte, mas também sabia que seu coração gritava por algo mais com sua amiga. Isso não pode ser um simples amor de amiga. Beth pensou. Eu não sei o que fazer. A garota abriu seus olhos, deixando a música gritar nos seus ouvidos, tentando esquecer o que estava sentindo naquele momento voltando para o seu desenho, enquanto as lágrimas ainda corriam por sua bochecha.
Por mais que Beth tenha nascido e crescido com duas mães, estava difícil para a garota entender o que realmente sentia por sua melhor amiga. Ela sabia que amor era igual para todos, mas o medo de se envolver com a pessoa errada por apenas ser um espelho de suas mães a fazia ter dúvidas do que fazer. Beth não sabia se tentava com Lucas ou se tentava com Charlotte. Seu coração gritava para um lado, enquanto sua cabeça gritava para os dois a fazendo ficar cada vez mais confusa. Ela queria se descobrir sozinha, mas tinha medo de machucar e perder sua melhor amiga.Beth se levantou com raiva e jogou a lata de tinta preta na tela com força, respirando fundo, tentando parar seus pensamentos.
Xxxx
Beth estava em sua aula de dança, mas mal conseguia se concentrar já que seus olhos não saiam de Charlotte. A morena dançava ao som de J-LO e seus movimentos eram tão sensuais que Beth sentia sua garganta seca todas as vezes que sua amiga rebolava. Beth e Charlotte eram as melhores dançarinas da classe já que aprenderam a dançar desde pequenas e tinham ótimos gingados para qualquer tipo de música. Seus corpos se moviam com a música exatamente como Brittany lhes ensinou.
A loira observava sua amiga e algumas vezes perdia o foco fechando seus olhos e respirando fundo antes de voltar a dançar.
Assim que a música terminou, Brittany encerrou a aula e enquanto as meninas saiam para se trocar, Beth correu até Charlotte no intuito de tentar conversar com a mesma e saber o que estava acontecendo entre elas.
– Charlie? – Beth segurou na mão da morena, que se virava para olhá-la. – Hey. – A loira sorriu sentindo seu coração pular.
– Hey. – Charlie respondia desviando seu olhar de Beth.
– Mmm, está tudo bem? – Beth perguntava simpática a olhando. – Digo, você anda estranha. Mal fala comigo no colégio, nos treinos ou no glee clube. – A garota perguntou apreensiva sem tirar os olhos de Charlotte.
– Eu estou bem, Beth. – Charlie sorriu. – E eu não estou estranha, é impressão sua.
– Não, não é. – A loira se aproximou e agora ambas estavam sozinhas no estúdio, apenas Brittany estava no canto da sala, ajeitando suas coisas. – Todas as vezes que me aproximo para conversar, você se afasta dizendo que precisa fazer isso e aquilo. No treino de corrida você nunca me espera para ir embora e sempre fazemos alguma coisa depois das nossas aulas extras. O que está acontecendo, Charlie? Você mal responde minhas mensagens e. — Beth respirou fundo. – Eu sinto sua falta. – A garota encolhia seus ombros e Charlotte olhava para todos os cantos, menos para Beth.
– E-eu só ando ocupada, está bem?
– Tão ocupada a ponto de não poder sequer responder uma mensagem? Nem sequer a de boa noite? – Beth falava baixo e Charlotte podia perceber que sua amiga estava machucada apenas pelo seu tom de voz. – Charlie, você sabe que sou sua melhor amiga e pode conversar comigo sobre o que for. O que está acontecendo? – Charlotte respirava fundo sentindo seu coração apertar por ver que estava machucando sua melhor amiga, mas estava difícil ficar perto dela sem querer beijá-la todas as vezes e estava ainda mais difícil saber que Lucas era quem fazia isso e não ela.
– Eu já disse, Beth. – Charlotte falava grossa. – Eu ando ocupada. Todo dia tem tarefa do colégio para fazer, depois treino, glee clube, aula de dança. Eu mal tenho tempo pra mim. – A morena encontrou os olhos de Beth e no mesmo instante se arrependeu por ter sido tão grossa. – Desculpa, bee, eu não quis. –
– Tudo bem. – Beth sorria suavemente, se afastando, sentindo seu coração explodir em seu peito.
– Beth... – Charlotte sabia que tinha machucado mais sua amiga e odiava ver isso nos olhos da garota.
– Eu sei que não é isso, Charlotte. – Beth se segurava para não chorava. – Eu sei que não são essas coisas que estão te impedindo de falar comigo, porque sempre tivemos tudo isso e mesmo assim tínhamos tempo para passar uma com a outra. E-eu fiz alguma coisa de errado? – A loira falava suavemente e Charlotte estava se odiando por estar agindo tão ciumenta e grossa com Beth. – E-eu falei alguma coisa que te magoou? Porque se foi isso, me desculpa, Charlie.
Charlotte odiava o fato de Beth ser fofa o tempo todo. Até mesmo quando ela se segurava para não chorar conseguia ser fofa fazendo o coração de Charlie apertar lhe deixando com dificuldades para respirar. A morena amava tanto sua amiga que queria se dar um chute por estar machucando a Beth sem conseguir ser sincera e dizer de uma vez o que estava acontecendo.
– Beth, eu... – Charlie respirava fundo olhando nos olhos de Beth, ficando em silêncio. Seus olhos desviaram para os lábios rosados da garota e tudo o que seu corpo lhe dizia era para que Charlotte a beijasse. Beth a olhava com seus olhos enchendo de lágrimas sem entender do porque sua amiga estar tão estranha e distante, ela queria uma resposta, mas parecia se machucar enquanto tentava descobrir.
Charlotte mordeu o canto de seus lábios se aproximando devagar. Seu coração batia tão forte que ela temia que Beth pudesse estar ouvindo. Seu corpo gritava por sua amiga e sua respiração estava ofegante. A morena se aproximou ficando a centímetros de distancia do rosto de Beth. A loira a olhava paralisada, prendendo sua respiração e não tão diferente de Charlotte, seu coração também estava acelerado.
Beth não conseguia tirar seus olhos dos de Charlie, sentindo a mão de sua amiga suavemente deslizando sobre sua bochecha. As borboletas em seu estomago estavam tão agitadas que Beth sentia como se fosse desmaiar a qualquer momento. A loira podia sentir a respiração quente de Charlie contra seus lábios a fazendo entrar em pânico. Antes que seus lábios pudessem se tocar, Charlotte abaixou a cabeça se afastando rapidamente, saindo do seu transe.
– E-e-eu preciso ir. – Charlotte ajeitou sua bolsa nas costas, saindo correndo do estúdio, deixando uma confusa Beth para trás.
A loira começava a chorar desesperada, em pânico por quase ter beijado sua melhor amiga. Beth colocava a mão em seu peito, tendo dificuldades para respirar e antes que caísse no chão, os braços de Brittany a seguraram a fazendo arregalar os olhos por ver que sua tia estava logo ali vendo tudo o que tinha acabado de acontecer.
– Bee, se acalma. — Brittany sentou no chão com Beth de frente para ela, olhando nos olhos de sua sobrinha, passando a mão no peito da mesma. – Beth, respirar. Respirar, eu estou aqui, respira. – A dançarina sempre soube que Beth quando chorava a ponto de não conseguir respirar era porque algo estava acontecendo e ela não estava sabendo ligar com a situação. – Isso, respira. Vai ficar tudo bem. Respira. – Brittany podia sentia que Beth agora conseguia respirar, se acalmando.
– Tia Britt. – Beth se jogou nos braços de Brittany, que a abraçou com força, passando a mão nas costas da mesma.
– Shh, está tudo bem, bee. – Brittany apoiou seu queixo contra a cabeça de Beth. – Beth, o que está acontecendo? Eu sei que você só tem esses ataques de pânico quando algo está acontecendo e você sabe que pode sempre conversar comigo. – Beth sabia que tinha sorte por ter mães e uma tia que a ouvia quando ela precisasse. Brittany sempre foi sua melhor amiga e Beth já correu para ela muitas vezes sem suas mães saberem. Brittany sabe coisas sobre Beth que Santana e Quinn não sabem, até porque, são tipos de assuntos que Beth se sente muito mais confortável em conversar com Brittany do que com suas mães.
– E-eu não sei o que está acontecendo comigo. – Beth saia do abraço de Brittany, voltando a se sentar na frente da mesma. – Tudo está tão confuso, tia Brittany. – A garota passava a mão no rosto, secando suas lágrimas.
– Confuso o que, bee?
– Tia, e-eu acho que... – Beth pausava olhando para suas mãos. – Eu acho que gosto da Charlotte muito mais do que uma simples amiga.
– E qual o problema, little bear?
– O problema é que... Tia, você sabe que eu amo minhas mães, certo? – Beth perguntou e Brittany assentiu. – Eu acho que gosto da Charlie, mas não tenho certeza e tudo é tão confuso, porque eu não quero ser uma história clichê de duas mulheres que tiveram uma filha e agora essa filha é lésbica. – Beth falava rápido. – Eu quero me descobrir sozinha e não ser um espelho das minhas mães, entende? Não quero ser gay só porque tenho duas mães.
– Mas bee, você não estava saindo com um garoto? – Brittany perguntava tentando entender onde exatamente Beth queria chegar.
– Estava. Estou... Não sei, tia B. Nós saímos para um encontro uma vez e quando nos beijamos eu senti algo. Eu realmente senti, mas depois quando nos beijamos pela segunda vez... Não senti nada. Eu gosto da atenção que ele me da, sabe? Lucas é muito carinhoso, mas com o decorrer da semana, parece que aquele pingo de conto de fada se tornou em amizade. O vejo como um amigo e só. Eu sei que ele tem outras intenções, mas eu não sei se as minhas são iguais às dele. – Beth respirava fundo. – E depois tem a Charlotte. Todas as vezes que ela me manda mensagem, ou me abraça, a sensação é totalmente diferente.
– Diferente como?
– Eu ando muito confusa, angustiada e apesar de Lucas me fazer esquecer da angustia que sinto todos os dias, Charlotte me faz sentir segura. Um simples bom dia mandado por ela faz com que eu me sinta segura por horas e não só de momento como é com o Lucas. – Beth encolhia seus ombros voltando a chorar. – Eu não sei o que eu faço, tia B. Eu tenho medo de escolher errado e perder a Charlie. Porque se eu escolho o Lucas, eu sei que vou perdê-la, mas se eu escolher ela e não der certo, eu corro risco de perdê-la do mesmo jeito e. –
– Beth. – Brittany a interrompeu. – Você está se ouvindo, munchkin? – A dançarina sorria e Beth a olhava sem entender. – Bee, você acabou de colocar a diferença dos dois na mesa, agora o que você precisa fazer é olhar para tudo isso e ver qual te faz mais feliz. Seguir o seu coração sem pensar nas suas mães ou em qualquer outra pessoa. A felicidade é sua, bee e de mais ninguém. Se for o Lucas quem te faz feliz, eu tenho certeza que Charlie como sua melhor amiga vai entender isso. Pode ser difícil no começo, porque eu tenho certeza absoluta que ela está apaixonada por você... – Brittany falou rápido, fazendo Beth arregalar os olhos. – Mas se você escolher a Charlotte, eu tenho certeza que vocês vão saber como levar isso adiante. E não me olha surpresa. Qualquer um pode ver o quanto aquela garota é apaixonada por você. Acredite. Eu passei muitos anos com a Santana e ela tinha o mesmo olhar para cima da sua mãe. – A dançarina riu, fazendo Beth rir suavemente. – Olha, Beth, o que eu quero dizer, é que não interessa se o fato de você também ser gay pode ser clichê ou não, o que interessa é sua felicidade e no que o seu coração está querendo. Talvez Charlotte também esteja confusa e com medo por isso ela anda distante. Dê um tempo pra ela, pra vocês e tudo vai ficar bem.
– Você é um gênio, tia B. – Beth se aproximou depositando um beijo na bochecha de Brittany. – Mas e se nesse tempo ela encontrar outra pessoa? Ou se Lucas interferir ainda mais?
– Bom, ele só vai interferir se você deixar. – Brittany pausou, abrindo um sorriso. – Mmm então isso quer dizer que sua escolha é a Charlotte? – A dançarina brincou e Beth prendia sua respiração.
– N-não, tia. E-eu não sei ainda qual é minha escolha, eu preciso pensar. – Beth falava gaguejando, ficando vermelha de vergonha. – Mas obrigada por me ouvir, eu precisava desabafar.
– Bee, você sabe que pode sempre me procurar, está bem? Não fica mantendo nada dentro de você, porque te faz mal e eu não gosto de ter ver tento esses ataques de pânico. – Brittany franzia o cenho, se levantando e ajudando Beth. – Eu vou estar sempre aqui.
– Obrigada. – Beth se aproximou abraçando Brittany com força. – Eu te amo, tia B. – A garota sussurrou.
– Eu também te amo, B-LO. – Brittany sussurrou, fazendo Beth rir com o apelido.
– Claro, Como J-LO. B-LO. – Beth brincou, fazendo um bico suave e Brittany assentia rindo. – Eu preciso ir, obrigada novamente, tia B.
– Me promete que você vai pensar em tudo calmamente sem entrar em pânico, está bem? Esquece o clichê, nada disso conta e nunca vai contar. Pensa na sua felicidade e joga tudo na mesa e depois decidi qual caminho tomar. – A dançarina depositou um beijo na bochecha de Beth que assentia sorrindo, saindo do estúdio.
Xxxx
Charlotte saiu tão rápido do estúdio que sequer passou no vestiário. Tudo o que ela queria, era sair logo de lá e ir direto para sua casa. Seu peito apertava tanto que a mesma precisava se concentrar em sua respiração conforme dirigia. Seu corpo gritava e parecia lutar pedindo por Beth, mas a morena sabia que não podia fazer isso. Charlie não sabia qual era a de Beth e também estava com medo de perdê-la.
Assim que a mesma chegou em casa, correu para o seu quarto, jogando sua mochila em sua cama e indo para seu banheiro tomar banho. A garota plugou seu Ipod no hi-fi, ligando o mesmo, começando a tirar a roupa e ligar o chuveiro.
Charlie deixava a água quente cair em seu corpo, fechando seus olhos e tudo o que ela podia ver era o quanto Beth estava machucada no momento em que falava com ela. Charlotte se odiava por suas atitudes estar machucando Beth, mas ela não sabia como agir e saber que a garota falava com Lucas fazia seu estomago revirar.
– Agrh!!! – Charlie se virava deixando a água cair em seu rosto. – Eu odeio te ver assim, bee. – A garota murmurou, saindo de seu transe para terminar seu banho.
Quando Charlotte saiu de seu banho, colocou seu pijama branco do Mickey, secou seu cabelo, deixando o solto e se deitou em sua cama colocando seu óculos enquanto abria seu instagram para ver as fotos de Beth. Charlie nunca cansava de olhar as fotos fofas de sua amiga. Adorava seu sorriso e as caretas que fazia nas fotos. A morena sorria abrindo uma foto em que Beth está com Olivia inflando as bochechas e ambas estão deitadas na cama. Charlotte adorava o jeito carinhoso e moleca de Beth, era o que mais chamava sua atenção na garota.
Enquanto Charlotte, agora lia as últimas mensagens trocadas com Beth, a porta de seu quarto se abriu, fazendo-a levantar a cabeça e olhar quem era.
– Hey, meu amor. – Anna entrava no quarto, se aproximando da cama de Charlie e se sentando. – Está tudo bem? Você chegou correndo para o seu quarto. – Anna sorria encostando suas costas na cabeceira da cama, pousando sua mão sobre a de Charlie.
– Está tudo bem, mãe. – Charlie bloqueava seu celular, deixando-o em seu colo. – Só estou cansada. – Anna conhecia sua filha como ninguém e sabia que não era só cansaço que estava perturbando sua caçula.
– Tem certeza? – Anna perguntou, entrelaçando seus dedos aos de Charlotte.
– Mhm. – Charlie deitou sua cabeça no ombro da mãe.
– Não está muito cedo para você vestir seu pijama? – Anna sorriu. – Não vai sair hoje com a Beth?
– Não. – Charlie respondeu rapidamente. – E-eu estou cansada, mãe, não quero sair. – A garota se encolheu mais perto de sua mãe que assentia.
Charlie estava pensando tão alto, que sua mãe podia ouvi-la e sabia que sua caçula estava pensando em Beth. Sempre quando Charlotte chegava em casa dessa forma, Anna tinha certeza que algo tinha acontecido entre ela e Beth.
– Eu te amo, filha. – Anna quebrava o silêncio entre elas. – Eu te amo muito, seu pai também te ama muito e sempre vamos te amar. – Charlotte sorria ouvindo sua mãe falar.
– Eu também amo muito vocês, mama. – Charlie levantou sua cabeça, depositando um beijo na bochecha de Anna. – Vocês são os melhores pais do mundo.
– Exatamente. – Anna sorriu, depositando um beijo na testa de Charlie. – Eu e seu pai vamos sair e se precisar de alguma coisa é só ligar. Seu irmão deve chegar logo.
– Mama? – Charlotte segurou a mão de sua mãe, antes que ela se levantasse. – Se... – Charlie respirava fundo, desviando o olhar de sua mãe. – Se... Mmm, se eu fosse igual a tia Quinn... – Charlie mordia sua bochecha, tentando encontrar as palavras certas para falar com sua mãe.
– Igual a tia Quinn? – Anna sabia o que sua filha estava querendo dizer, mas queria ouvi-la falar diretamente.
– É... Mmm, você sabe. – Charlotte brincava com seu anel. – Se eu fosse... Mmm... – Anna arqueava sua sobrancelha esperando Charlie finalmente dizer a palavra, mas sabia que sua filha não conseguiria.
– Gay? – Anna sorria. – Gay igual tia San e tia Quinn? – Charlotte arregalou os olhos e Anna começava a rir. — Filha, se você fosse gay, nos continuaríamos te amando do mesmo jeito. Eu e seu pai não só temos tia San e tia Quinn como amigas, mas também os antigos amigos do seu pai e sem contar Kurt e Blaine, então sim, se você fosse ou for gay, nos vamos continuar te amando e eu presumo que você esteja apaixonada? – Anna semicerrava os olhos. – Pela Beth? – Charlotte arregalou os olhos novamente e sua mãe começava a rir. – Com certeza você está apaixonada. – Anna se ajeitou na cama, abraçando Charlie. – Nos te amamos muito, minha caçulinha e sempre soubemos que um dia sua amizade com a Beth daria nisso.
– Sempre? – Charlie perguntou confusa.
– Claro, bebê. – Anna sorria. – Vocês duas sempre foram grudadas, sentiam ciúmes descontroláveis. Quando brigavam sempre choravam. Eu, seu pai, tia Quinn e a Santana, sempre soubemos que isso iria acontecer. – Anna depositava um beijo na cabeça de sua filha. – E aposto que Beth sente o mesmo? – Anna podia sentia agora sua filha ficando tensa em seus braços.
– Mm, na verdade não. – Charlie sorria suavemente. – Essa semana parece que ela anda saindo com um amigo do Thomas do time de futebol. Lucas. – Charlotte respirava fundo. – Não sei se eles estão realmente saindo, porque não ando falando com ela ultimamente. É difícil ficar perto dela sabendo que ela está interessada em outra pessoa.
– Mas Charlie, você tem certeza que Beth não gosta de você? – Anna franzia o cenho e Charlie assentiu. – Bom, eu tenho certeza que ela gosta. Filha, todo mundo que conhece vocês desde pequenas sabe que uma sempre gostou do outra. Vocês só precisavam abrir os olhos e claro, ter a idade certa pra isso. – Anna falava séria. – Mas talvez ela precise de um tempo pra abrir os olhos também. Você já abriu, agora precisa ser paciente e esperar por ela.
– Mas mãe e se ela nunca abrir? E se ela começar a namorar o Lucas e descobrir que realmente gosta de garotos?
– Não acho que isso possa acontecer, princesa. Até porque, é nítido ver que vocês duas tem uma grande ligação.
– Não mãe, você não está entendendo. Isso pode sim acontecer. – Charlotte se levantava da cama, respirando fundo. – Se ela decidir ficar com o Lucas, e-eu não sei o que vou fazer. Eu sei que preciso estar do lado dela, m-mas não sei se vou aguentar, porque dói. Dói ver ela interessada em outra pessoa que não seja eu. – Os olhos de Charlie começavam a encher de lágrimas e a mesma desviava seu olhar de sua mãe.
– Se ela escolher o Lucas, eu tenho certeza que vai ser por pouco tempo e esse rapaz, sem saber, vai ajudá-la a descobrir que é você que ela gosta. – Anna falava confiante, mas Charlotte não conseguia acreditar no que sua mãe lhe falava. – Vai ficar tudo bem, meu amor. – Anna se levantou, se aproximando de sua filha, passando sua mão sobre o rosto da mesma, depositando um beijo em sua testa. – Não pensa muito e se é com a Beth que você quer ficar, então lute por ela. – Charlie assentiu respirando fundo. – Eu te amo.
– Eu também te amo, mãe e obrigada. – Charlie sorriu e Anna saiu de seu quarto a deixando sozinha pensando em Beth.
Xxxx
Depois de ter chegado da aula de dança, Beth estava em seu quarto usando um shorts preto curto, com uma blusinha branca que a mesma usava como pijama. A garota não estava disposta para fazer outra coisa, nem mesmo pintar e resolveu ficar na cama. A mesma estava com o celular em mãos, pensando no que sua tia Brittany tinha lhe falado essa tarde.
– Eu preciso fazer o que meu coração manda e não minha cabeça. – Beth sussurrou consigo mesma. – Preciso pensar na minha felicidade — E antes que Beth pudesse tomar alguma atitude a campainha de sua casa tocou a fazendo pular de susto. A mesma desbloqueava seu celular, mas foi interrompida por sua irmã que entrava em seu quarto.
– Bee? – Olivia estava abraçada com seu cachorro de pelúcia. – Você tem visitas. – A pequena sorriu e Beth franziu o cenho.
– Visita? – A garota entortou sua boca se levantando da cama, deixando seu celular em cima da mesma, saindo de seu quarto.
Enquanto descia as escadas, a mesma abaixou seu corpo, olhando quem estava parado na sua porta a esperando. Seu coração apertou por um motivo desconhecido e a mesma começava a entrar em pânico. Se concentra, Beth. Respira. Beth pensava, fechando seus olhos, continuando a descer as escadas.
– Hey. – Beth falou sussurrando.
– Hey Beth. – Lucas sorriu e Beth sentiu como se fosse desmaiar.
A garota não sabia o que Lucas queria com ela naquela hora, mas a mesma tentava se concentrar para não ter outro ataque de pânico. Desde quando eu tenho ataques de pânico? Beth pensou, olhando sorrindo para Lucas que se aproximou dando um beijo em sua bochecha.
– O que você está faz. –
– Hey! – Santana aparecia interrompendo os dois e olhando para Beth com a sobrancelha arqueada. – Eu te dou três segundos para você subir e trocar de roupa. – A latina falou séria e Beth arregalou os olhos se esquecendo de que estava usando um short curto. – 1, 2... – Santana começava a contar e Beth olhou para o Lucas se desculpando, saindo correndo para o seu quarto.
Beth abria sua gaveta, pegando a primeira calça jeans que viu a sua frente. Enquanto se trocava a mesma tentava entender o que Lucas estava fazendo lá. Eles não tinham combinado nada para hoje e Beth começava a ficar nervosa. Ela não estava querendo receber nenhuma visita hoje, nem Charlotte e muito menos Lucas. Tudo o que ela queria, era deitar em sua cama e pensar em tudo o que sua tia Brittany tinha lhe falado. Beth precisava pensar e nada mais que isso.
Assim que terminou de se vestir, Beth pegou seu casaco em cima da cadeira e antes de sair do quarto, seu celular apitou chamando sua atenção. A mesma se aproximou e assim que viu de quem era a mensagem rapidamente pegou seu aparelho, desbloqueando para olhar a mensagem por completo.
Charlieboo: Me desculpa por ter saído feito louca do estúdio e ter te deixado sozinha daquele jeito. Me desculpa por ter sido uma idiota e te tratado com grosseria, você não merece nada disso, Beth, porque você é a garota mais incrível que já conheci e não merece ser tratada de tal maneira. Desculpa por estar distante nesses últimos dias e eu prometo que vou tentar não ficar estranha. Eu não posso ficar sem você. Eu te amo muito pra te perder por algo tão insignificante. Eu te amo, bee.
Quando Beth terminou de ler a mensagem, seus olhos estavam cheios de lágrimas e a mesma se segurava para não chorar. Seu coração acelerava e um sorriso aparecia em seu rosto. Beth voltava a se sentir segura novamente. Tudo o que ela nunca conseguiu sentir com Lucas, Beth era capaz de sentir com Charlie por uma simples mensagem.
– Eu também te amo, boo. – Beth respondeu sozinha, tirando uma foto sorrindo e mostrando a língua, mandando para Charlie com a simples legenda: “Eu também te amo, minha boo.” A garota apertou para enviar e logo se lembrou de quem estava lhe esperando. – Bom, Beth, hora de saber o que Lucas está fazendo aqui. – A loira colocou seu celular na cama, respirando fundo sentindo seu estomago revirar e desceu para finalmente descobrir o que Lucas estava fazendo ali.
Beth acompanhou Lucas para o lado de fora de sua casa, no quintal dos fundos, onde ambos se sentaram no banco do balanço. A garota estava tão nervosa que suas mãos começavam a suar gelado de ansiedade.
– Eu não sabia que você viria aqui. – Beth falava suavemente, tentando não soar grossa, mas sim surpresa.
– Quis te fazer uma surpresa. – Lucas sorria pegando na mão de Beth e entrelaçando seus dedos ao da mesma. – E também, preciso conversar com você. – O garoto respirava fundo e Beth no mesmo instante começava a balançar sua perna nervosa, tentando não entrar em pânico.
– E... – Beth tentava falar. – E o que você quer conversar? – A garota olhava para suas mãos entrelaçadas, sem ter coragem de olhá-lo nos olhos.
– Sobre nós. – Lucas falava firme e Beth franzia o cenho.
– Nós? – A garota sussurrava. – Lucas, você sabe que no momento não existe nós. – Beth falou suavemente.
– E é exatamente por isso que eu estou aqui, Beth. – O garoto agora se ajeitava no banco, virando para Beth que o olhava sem entender. – Eu sei que faz uma semana que estamos saindo... – Lucas pausou. – Bom, não saindo, porque só saímos uma vez e nos beijamos algumas outras vezes, mas eu gosto de você Beth. Gosto de quando trocamos mensagens por horas, gosto quando conversamos, porque você faz com que eu me sinta a vontade para poder conversar contigo sobre o que eu quiser. – O garoto riu e Beth o olhava sem reação, sentindo seu estomago revirar. – Eu realmente gosto de você, Beth. Você é a melhor garota que já conheci e não é como as outras garotas que só se importam com coisas fúteis. Você é diferente e por mais que estejamos nos conhecendo, eu me sinto muito atraído por você. – Agora a mão de Lucas pousava no queixo de Beth, fazendo-a olhar em seus olhos.
– Lucas... – Beth sussurrava, tentando encontrar um modo de respirar. Não, não, ele não pode estar fazendo isso. A garota começava a contar até dez mentalmente, para não entrar em pânico.
– Eu realmente quero ter a oportunidade de te conhecer melhor, de poder te mostrar que minhas intenções são verdadeiras e que realmente gosto de você. – Lucas sorriu se aproximando, depositando um selinho nos lábios de Beth. – Isso ainda não é um pedido de namoro, até porque é super cedo pra isso, mas é um pedido pra que... Mmm, você me deixe te conhecer, até porque, você mesma já falou que tem muita coisa que eu não sei sobre você. – O garoto sorriu simpático, depositando outro selinho nos lábios de Beth.
A garota sorriu suavemente, desviando seu olhar de Lucas. As palavras de Brittany martelavam em sua cabeça repetitivamente a fazendo prender a respiração. Preciso pensar na minha felicidade. Preciso fazer o que meu coração quer. Beth pensava, enquanto Lucas a olhava esperando por uma resposta. Ela sabia que se dissesse sim, Lucas ficaria cada vez mais próximo e apesar de estar entrando em pânico, Beth não podia negar que isso não era nada oficial. Não era como se os dois fossem se compromissar um com outro. O que Lucas queria era apenas uma chance para conhecê-la, por que raios ela precisava entrar em pânico? Respira Beth, nada disso é sério. Vocês vão apenas se conhecer e ninguém garante que vão namorar. Amigos também podem se conhecer. A garota sorriu se virando para Lucas. Ou talvez, isso seja um ótimo empurrão para eu me encontrar, certo? Talvez isso ajude minha cabeça pensar com o meu coração e essa batalha acabar de uma vez. Beth pensou e pela primeira vez, se sentiu preparada em tomar uma atitude.
– Claro. – Beth sorria apertando seus dedos aos de Lucas. – Mas... Vamos só nos conhecer, está bem? Nada de colocar um rotulo no relacionamento. – A loira falava firmemente, tentando deixar claro para Lucas que os dois não iriam namorar. – Eu gosto de você, Lucas, mas no momento não estou 100% pronta para namorar, você entende?
– Claro, Beth e respeito isso. – Lucas sorriu. – Só o fato de você ter me dado a oportunidade de te conhecer já conta muito pra mim. – O garoto levou sua mão no rosto de Beth, acariciando sua bochecha suavemente. – Talvez possamos até sair para um segundo encontro?
– Mmm, vou pensar sobre isso. – Beth sorriu encostando contra o banco, enquanto Lucas agora se aproximava, deixando seus lábios encontrar os da mesma, iniciando um beijo suave.
O estomago de Beth revirava enquanto Lucas a beijava. Era uma sensação estranha na qual ela ainda não tinha se acostumado. Não era algo que a fazia bem, mas também não a fazia mal. Era tão normal. Era como se Beth estivesse beijando seu melhor amigo, sem sentimento algum, apenas de amizade. Sua cabeça começava a girar e ela mal conseguia se concentrar no beijo enquanto pensava desesperada se estava realmente tomando a decisão certa. Se isso realmente iria ajudá-la. Tudo era tão confuso e complicado que sua mente lhe dizia que isso lhe ajudaria a enxergar o caminho certo, mas seu coração gritava lhe dizendo que tudo seria mais fácil se ela decidisse sem a ajuda de ninguém.
– Eu não gosto desse garoto. – Santana comentava, enquanto Quinn a puxava da Janela para parar de vigiar Beth.
– Santana! – Quinn começava a rir, enquanto prendia sua esposa no sofá. – Amor, eu sei que você está preocupada com a Beth, mas não podemos protegê-la de tudo e de todos. Ela precisa tomar suas próprias decisões para aprender o certo e o errado. Nós a criamos muito bem e sabemos o quanto ela é uma garota maravilhosa. Nós precisamos mostrar que confiamos nela e que estamos lhe dando liberdade, mas nos limites exatos e que vamos estar aqui sempre que ela precisar. – A loira passou seus dedos suavemente sobre a bochecha de Santana.
– Argh! Eu odeio quando você tem razão. – A latina falava emburrada, fazendo Quinn rir. – Mas amor, esse garoto... Alguma coisa nele não está certo e eu juro que se ele machucar a Beth, eu mesma faço questão de arrancar as. – Antes de Santana concluir sua frase, Quinn a interrompeu lhe dando um selinho demorado.
– Nós já sabemos disso e você não será a única a fazer isso. – A loira sorriu deitando sua cabeça no peito da latina, observando sua caçula brincar, enquanto Santana respirava fundo, rezando para que sua intuição não fosse verdadeira, porque ela não suportaria a ideia de ver sua filha machucada.
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