Beating Heart.
19 The unexpected visitor.
Notas iniciais
Três meses depois.
– Ah! – Beth gemia de dor, enquanto sua fisioterapeuta alongava suas pernas. Apesar de sentir uma dor desconfortável em seus joelhos, Beth sabia que sentir dor sem dúvidas era um ótimo sinal.
Há quatro meses fazendo fisioterapia, Beth já começava a sentir diferença. Ela já sentia as juntas de suas pernas doerem levemente enquanto se alongava, e após a sessão, sempre sentia um pequeno desconforto em sua panturrilha. A garota nunca comentou com ninguém, além de seus três médicos. Sim, Beth não só tinha doutora Gutierrez e sua fisioterapeuta, como também passava por sessões de terapia três vezes na semana.
Suas sessões de terapia a ajudava se manter firme. Com a cabeça no lugar e não enlouquecer como estava há meses atrás. Seu relacionamento com Charlie estava cada vez melhor, e em sua casa não havia mais discussões com suas mães ou com sua irmã. Beth já não descontava mais sua frustração em ninguém.
Quinn e Santana revezavam o dia para ficarem com Beth e levarem as sessões do dia. Apesar de Beth não contar a elas o progresso que fazia na fisioterapia, ambas tinham certeza que alguma mudança estava acontecendo com a garota, mas respeitavam o desejo de Beth em não comentar. Santana, curiosa como sempre foi, tentava arrancar informações da filha, mas Beth apenas dizia que estava tudo bem. Quinn tentava respeitar o desejo da filha de não comentar, mas ficava cada dia mais difícil para as mães de Beth ficarem sem qualquer informação sobre a recuperação da filha.
– Ótimo. – Erin, a fisioterapeuta comentava. – Quanto mais dor você sentir melhor.
– Claro, até porque não é você quem sente essa dor. – Beth revirava os olhos.
– Olha o drama. – Erin brincava. – Você foi ótima hoje, Beth. Na verdade, posso dizer que você está se recuperando muito rápido. Isso é ótimo, porque a qualquer momento vai poder voltar a andar. – A fisioterapeuta falava, e Beth sentia seu coração disparar.
– E você sabe que não pode contar nada disso para minhas mães ou para Charlotte, certo?
– Ainda não entendo do porque elas não poderem saber da sua recuperação.
– Porque quero que seja uma surpresa, Erin. – Beth resmungava. – Eu vejo nos olhos delas o quanto elas sofrem em me verem assim. Isso é dolorido e eu quero ver nos olhos delas a felicidade em me verem de pé e andando. – A garota sorria, fazendo Erin sorrir, sem parar o exercício.
– Suas mães vão enlouquecer. – Erin brincava, fazendo Beth rir.
– Pelo o que conheço, minha mãe vai chorar sem parar, e a mama vai querer dar uma festa com todos nossos amigos e família. – Beth gesticulava.
– Santana é muito divertida. – Erin comentava, sorrindo, e Beth arqueava sua sobrancelha.
– Divertida e casada. Muito bem casada. – Beth brincava, fazendo Erin rir.
– E caso a senhorita tenha esquecido, eu também sou casada. Muito bem casada. – Erin imitava o tom de voz de Beth. – E hetero. Sou hetero, Elizabeth. – A fisioterapeuta voltava a rir, e Beth apenas dava de ombro.
Durante o alongamento no final da sessão, Beth e Erin conversavam por mais alguns minutos, até Charlotte entrar na sala para ajudar sua namorada com sua bolsa.
– E então, como foi hoje? – Charlie perguntava, enquanto levava Beth para o carro, empurrando a cadeira de rodas.
– Foi bom. – Beth comentava. – As coisas estão melhorando.
– Bom, como já sei que não vou ter uma resposta mais elaborada do que essa... – Charlie comentava, revirando os olhos. – Espero que as coisas estejam mesmo indo bem e que você não esteja dizendo isso só para nos confortar. – A morena falava suavemente, e Beth sorria, puxando a mão de sua namorada e apoiando contra sua bochecha.
– Não. Juro que estou sendo sincera. – Beth respondia. – As coisas estão realmente indo bem. – A loira depositava um beijo na mão de Charlie.
– Espero que sim. – A morena parava a cadeira em frente ao seu carro, abrindo a porta e ajudando Beth a entrar no banco do passageiro. – Você está tendo cada dia mais facilidade para esse tipo de coisa. – Charlie comentava. – Entrar no carro, sair do carro.
– A gente aprende com o tempo. – Beth respondia, e Charlie assentiu dobrando a cadeira e a colocando em seu porta malas antes de entrar no carro.
– O que acha de fazermos alguma coisa essa noite? É sexta-feira, gatinha, e estive pensando, o que acha de chamarmos as meninas e fazermos uma sessão de filmes e pipocas? — Charlie falava empolgada e antes de responder, Beth não pode deixar de notar a forma como sua namorada tinha falado. Geralmente, nas noites de filmes e pipocas, sempre era apenas ela, Charlie e Louise. Nunca tinham chamado ninguém de fora.
Foi então que Beth percebeu que Charlotte não só citava Louise, como também Liah. Beth sabia que não tinha como evitar a companhia de Liah. Afinal, era nítido ver que Charlotte estava realmente levando a sério a amizade que tinha com a irmã de Lucas. E apesar de Beth ainda não gostar, faz o que pode para ser compreensiva, mas não era fã da garota, e muitas vezes ficava calada quando Charlie resolvia convidar Liah para sair com elas e Louise.
– Mmmm... Então você quer que Liah durma na minha casa? – Beth perguntava, arqueando suas sobrancelhas.
– E por que não? Suas mães já se dão bem com ela, inclusive a ‘Liv. Acho que seria legal se a convidássemos para a primeira noite do pijama com a gente. – Charlie falava naturalmente, enquanto dirigia em direção à casa de sua namorada.
Beth sabia que não ia adiantar discutir com Charlie, até porque, a garota já estava exausta de Liah sempre ser o começo da briga entre elas. Beth tentava não sentir ciúmes, mas desde a primeira vez em que colocou os olhos em Liah sabia que a mesma olhava diferente para Charlotte e isso a incomodava. Talvez Beth estivesse errada, mas ela é uma Fabray-Lopez. Beth tinha a desconfiança e orgulho de Santana, e o ciúmes calado e muitas vezes exagerado de Quinn. Era difícil se controlar, mesmo ouvindo de todos que Beth precisava apenas dar uma chance para Liah e ver quem ela realmente é.
– Tudo bem. Vou avisar minhas mães e você as convida. – Beth respondia, com sua atenção para janela. Ela não queria que sua namorada a visse revirar os olhos por imaginar Liah dormindo em sua casa.
Xxxx
– Quinn? – Mindy, uma das funcionárias da galeria entrava na sala de Quinn. – Mmm, tem um senhor lá embaixo querendo falar com você. – A garota comentava, fazendo Quinn franzia as sobrancelhas.
– Um senhor? – Quinn perguntava confusa.
– Isso, e ele disse que é importante. – Mindy comentava, fazendo Quinn parar alguns segundos tentando lembrar se tinha marcado alguma reunião importante para aquele horário.
– Bom, não me lembro de ter marcado nenhuma reunião ou visita para hoje.
– Ele parece ser um senhor importante. Talvez algum comprador novo? – Mindy dava de ombros e Quinn apenas assentiu.
– Claro, talvez seja algum comprador. Pode pedir para ele subir. Vou recebê-lo. – Fabray respondia, e em segundos Mindy saia de sua sala, deixando a loira sozinha se preparando para receber seu desconhecido visitante.
Enquanto aguardava, Quinn folheava um grande catalogo de obras de artes da França que seria entregue em sua galeria no próximo mês. Sempre que observava fotos de pinturas e obras, Quinn parecia se perder em pensamento. Era como se todo o mundo a sua volta desaparecesse e ficasse apenas a arte que estava diante de seus olhos.
Quinn estava tão concentrada que sequer prestou atenção quando a porta de seu escritório se abriu, mas ao perceber que não estava sozinha, a artista tirou sua atenção das fotos e ao olhar para a pessoa parada em frente a sua mesa, seu coração parou. No mesmo instante, suas mãos ficavam frias e Quinn tinha certeza que ia desmaiar.
Xxxx
Após deixar Beth em sua casa, Charlotte ficou apenas alguns minutos a mais com sua namorada, saindo em seguida para se preparar para a noite de garotas, enquanto Beth ficava sozinha no quarto tentando aceitar a ideia de que Liah estaria em sua casa daqui há algumas horas.
Era difícil ver Charlotte e Liah tão próximas. Beth não podia esconder o ciúme que sentia, mas fazia o possível para respeitar a amizade das duas, afinal, ela precisava confiar em sua namorada, certo? O único problema era que Beth não confiava em Liah.
Beth tentava não sofrer por isso, e muitas vezes conversava com Quinn, afinal, Santana sempre disse que Quinn era a mais ciumenta, então provavelmente, Beth teve a quem puxar. E nada melhor do que conversar com quem entende o que você está passando. A garota sempre se sentia bem ao ouvir os conselhos que sua mãe tinha para lhe dar, sempre tentava levar para si as palavras da mesma e quando sua mente lhe forçava a ter pensamentos sobre Charlie e Liah, a garota fazia o possível para usar os conselhos de sua mãe como mantras em sua cabeça. “Elas são apenas amigas.”
O problema em ser ciumenta, era que Beth tinha a grande mania de sofrer em silêncio. Desde pequena guardava tudo o que sentia e quando resolvia colocar para fora, chorava e muitas vezes, precisava ser controlada por suas mães. Santana e Quinn sabiam da batalha interna que a garota sempre sofreu e conhecia a filha o suficiente para saber quando a mesma iniciava o seu conflito.
Beth sabia que não podia deixar que isso influenciasse em seu namoro e naquela noite, tentaria dar mais uma chance para conhecer Liah e se interessar na amizade da garota, até porque, Beth não podia negar que Liah se esforçava para se aproximar dela, assim como se aproximou de Louise.
– Mijá? – Santana batia na porta do quarto, tirando Beth de seu transe. – Eu e sua irmã estamos indo no supermercado e...-
– Você quer ir junto? – Olivia interrompia Santana, aparecendo ao lado da mesma.
– Mmm, talvez seja uma boa ideia. – Beth respondia.
– Sim, você pode comprar vários doces e muitas balas de gelatina para a festa do pijama. – Olivia comentava, fazendo Santana revirar os olhos.
– Para a noite do pijama ou para você? – Santana perguntava.
– Para os dois, mama! – Olivia dava de ombros, fazendo Beth sorrir.
– Vou ligar para Charlie e ver se ela quer alguma coisa. Você me ajuda? – Beth olhava para Santana, que rapidamente se moveu em direção a garota e a colocou na cadeira.
Beth sabia que podia se mover sozinha e sentia a dor de sua fisioterapia daquela manhã, mas ainda não confiava 100% em seus movimentos e muitos menos em seu cérebro para sequer mover sua perna. Ela preferia continuar da forma como estava por enquanto.
– Acho que vocês deveriam comprar pipoca, bala, chocolate, suco... –
– Nossa mijá, onde você aprendeu a ser tão saudável? – Santana brincava com Olivia, enquanto empurrava Beth para fora do quarto.
– Só estou dando minha opinião, mamãe. – A pequena dava de ombros, fazendo Beth rir.
– Prometo que compro balas para você, ‘Liv. – Beth respondia, enquanto mandava mensagens para Charlie e Louise.
– Mama, nós podíamos visitar a mamãe Q! – Olivia entrava no carro colocando o cinto.
– Talvez depois que voltarmos das compras, mijá.
– Isso! Vamos comprar aquelas balas deliciosas em formatos de ursinho que ela adora.
– Não entendo de onde nasceu seu vicio e de sua mãe de comerem balas de ursinho. – Santana dobrava a cadeira de Beth e colocando no porta-malas.
– Acho que seria uma ótima ideia visitarmos a mamãe. Sinto falta de ir até a galeria. – Beth comentava, assim que Santana entrava no carro.
– Veremos, está bem? – Santana falava suavemente e suas duas filhas assentiam.
Xxxx
Quinn continuava paralisada encarando a figura a sua frente. Ela não sabia o que fazer ou muito menos o que dizer, tudo o que reparava, era o quanto o tempo foi maldoso. O homem a sua frente não parecia nada com o que ela se lembrava. Seu cabelo estava grisalho, seu rosto tinha uma grande afeição de cansado, mas algo ainda continuava em seu rosto. O ar de autoritário. De orgulhoso. Seus olhos pareciam os mesmo. Não tinha sinal algo de afeição ou sentimento de amor vindo daqueles olhos tão parecidos com os seus.
– Como vai, Lucy? – A voz... Aquela voz. Continuava com o mesmo tom que nunca expressava sentimento algum. Um tom frio, que Quinn desde criança estava acostumada.
– R-Russel? – Quinn sussurrava sem acreditar que depois de anos, seu pai, Russel Fabray, o homem que fez da sua vida um inferno, estava ali. Na sua sala. – O-o que você está fazendo aqui? – Quinn respirava fundo, tentando se recuperar do choque em que estava. Fazia anos que ela, sua mãe e sua irmã não ouviam falar de Russel.
– Não posso visitar uma das minhas filhas? – Russel dava de ombros se aproximando da cadeira a frente da mesa de Quinn.
– Filhas? Pelo o que sei você deixou bem claro que eu já não existia mais para você. – Quinn respondia sentindo seu coração disparar com a aproximação de Russel. – Talvez você esteja visitando a filha errada. Frannie não trabalha aqui. – Quinn erguia sua cabeça, tentando se recompor e mostrar para seu pai o quão crescida a mesma estava. O quão madura o suficiente para enfrenta-lo.
– Lucy, achei que você já tinha superado essa parte. – Russel se sentava na cadeira, e foi então que pela primeira vez, Quinn percebeu a bengala da altura de sua cintura, que o mesmo usava para se apoiar. Russel a apoiou sobre uma de suas coxas, deixando suas mãos por cima do mesmo.
– O que você está fazendo aqui? – Quinn perguntava, ignorando seu pai. – E, por favor, vamos pular essa parte de que veio visitar sua filha, porque a sua filha caçula não existe há muito tempo. – Quinn comentava antes de Russel poder respondê-la. O mesmo se ajeitou na cadeira, encontrando pela primeira vez o olhar de sua filha.
Russel a olhou por alguns segundos, desviando seu olhar para a mesa da mesma onde encontrava alguns porta-retratos. No primeiro, era com uma moldura linda de madeira vintage com a foto de Quinn sentada em um sofá branco, com a pequena Olivia sentada em seu colo mandando beijo para a câmera. Russel reparou no quanto aquela garotinha de cabelos escuro se parecia com Santana e podia imaginar quem a mesma era. Na segunda foto estava Quinn sorrindo, enquanto Santana estava ao seu lado lhe abraçando pela cintura e pelo cenário atrás de ambas, Russel imaginou que talvez estivesse em alguma comemoração.
Ao passar para a próxima foto, Russel pela primeira vez abria um leve sorriso no canto de seus lábios. Em um lindo porta-retratos de vidro, estava uma foto de Beth com cara de sono, sorrindo deitada no mesmo sofá branco abraçada com um cachorro peludo de pelos escuros. Russel podia notar o quanto o sorriso e os olhos de sua neta lembrava de sua filha Lucy. As duas pareciam ter a mesma doçura e delicadeza. Apesar de Russel nunca admitir, sempre viu em Quinn uma filha carinhosa, e enquanto observava a foto, não podia negar que sentia afeição e orgulho ao ver sua neta tão linda.
Quinn podia notar a intensidade em que seu pai observava as fotos e se perguntava o que poderia estar se passando pela cabeça do mesmo. Ela pôde perceber a diferença nos olhos do mesmo enquanto olhava da foto de Olivia até a foto sozinha de Beth, e se ela não estivesse tão em choque, podia jurar que o viu sorrindo assim que seus olhos pousaram na foto de sua adolescente. Com medo de tirá-lo de seu transe, Quinn decidiu esperar que o mesmo quebrasse o silêncio, afinal, ele quem foi procurá-la.
– Presumo que essa seja Elizabeth? – Russel tirava sua atenção da foto, olhando novamente para Quinn.
– Sim, essa é a Beth.
– Wow... – Russel agora pegava o porta-retratos, admirando sua neta. – Ela se tornou uma garota linda, Lucy. Está cada dia mais parecida com você.
– Obrigada. – Quinn respondia suavemente.
– Aposto que ela deve ser como você. – Russel comentava, deixando Quinn ainda mais confusa. – Boa no colégio, prestativa. Estou certo?
– Sim. – Quinn desviava seu olhar para suas mãos apoiadas em sua mesa. – Beth é uma ótima aluna.
– E o que ela gosta de fazer? – Russel perguntava, fazendo Quinn arquear suas sobrancelhas sem entender o interesse de seu pai por Beth.
– Beth se tornou uma ótima artista. Temos alguns quadros dela expostos na galeria. – Quinn comentava. – Ela é uma ótima dançarina e também uma ótima atleta.
– Líder de torcida? – Russel franzia o cenho.
– Não. Ela participa do time feminino de corrida.
– Oh
– Sim. – Quinn apoiava suas costas contra o encosto da cadeira, voltando a olhar curiosa para seu pai.
– Me lembro de que quando Elizabeth era pequena, demonstrava ser muito próxima de você e da Santana. – O pai de Quinn olhava para a foto de sua filha e Santana novamente e sua expressão mudava para o mesmo cara frio de minutos atrás.
– E continua sendo. Somos todas muito próximas, sem contar que Beth é louca pela irmã que tem. – Quinn falava de Olivia pela primeira vez, prestando atenção em cada detalhe e expressão no rosto de seu pai ao citar sua caçula e sua esposa.
Novamente Russel ficava em silêncio e seus olhos passavam pelas fotos. Era como se o mesmo estivesse procurando por algo enquanto observava cada detalhe e expressão de sua filha com sua “família”. Uma família na qual Russel nunca apoiou. O modo como ele estava agindo deixa Quinn confusa. Ver o interesse repentino do mesmo por Beth depois de nove anos sem dar notícias, fazia passar milhões de perguntas na cabeça de Quinn.
– Quero conhecê-la. – Russel falava, fazendo Quinn arquear uma de suas sobrancelhas.
– Perdão? – Quinn perguntava confusa. Conhecê-la? Conhecer quem?
– Quero conhecer minha neta. – Russel repetia e agora Quinn franzia o cenho, semicerrando os olhos.
Neta? Olivia? Russel Fabray queria conhecer Olivia? Até porque ele já conhece Beth. Quinn pensava, sem tirar os olhos de seu pai. A visita inesperada do mesmo estava cada vez mais confusa, a artista não conseguia entender ao certo a quem seu pai se referia e não queria criar esperanças de que talvez ele tenha mudado a ponto de aceitar Santana e Olivia.
– Neta? A Olivia? – Quinn perguntava calmamente. – Você quer conhecer a Olivia? – A loira perguntava e no mesmo instante, pode ouvir uma risada baixa de seu pai.
– Oh, então esse é o nome dela? Olivia? – Russel perguntava. – Essa Olivia, não é minha neta, Lucy Quinn. Essa garota sequer é uma Fabray. Pela aparência dela e os traços... Sem dúvidas não foi de você que ela nasceu. Essa garotinha não é minha neta. A única neta que tenho é Elizabeth e quero revê-la. Quero conhecê-la. – As palavras de Russel foram como farpas no coração de Quinn. O modo como ele falou de Olivia fazia o peito de Quinn se apertar.
Olivia Fabray-Lopez é sim filha de Quinn. Não importa se ela nasceu de Santana, a pequena era filha das duas e Quinn nunca aceitou que falassem o contrário. Nunca deixou que maltratasse Olivia ou Beth. Sua mãe aceitou Olivia e Santana. Maribel lhe aceitou junto com Beth, por que Russel tinha que ser tão diferente e homofóbico a ponto de desprezar uma garotinha dócil e inocente como Olivia?
Quinn respirou fundo, sem acreditar no que tinha ouvido. É óbvio que ela não deixaria esse monstro chegar perto de sua família novamente. Ela nunca deixaria Beth se aproximar de Russel novamente, até porque, quando era pequena a garota nunca gostou do avô que tinha. Elas estão muito bem sem Russel em suas vidas e isso não mudaria.
– Você só pode estar de brincadeira. – Quinn falava irritada. – Quem você pensa que é para entrar na minha sala e criticar a minha família?
– Eu sou seu p. –
– Não! – Quinn o interrompia se levantando. – Você deixou de ser meu pai no momento em que me colocou para fora de casa pela primeira vez, Russel. – A loira gesticulava. – Você não tem direito algum de vir até a minha sala e desprezar o que tenho de mais precioso. Olivia pode não ter nascido de mim, mas ela é e sempre vai ser parte de mim. – Quinn apontava para si mesma, ainda irritada. – Eu sou a mãe dela tanto quando Santana é mãe da Beth. Essa é a minha filha, Russel, e se você não é capaz de aceitar isso, então, por favor, vá embora! – A loira apontava em direção a porta, mas Russel continuou sentado sem se mover.
– Eu soube do acidente da Elizabeth. – O tom de voz do mesmo, demonstrava que sequer se abalou com as palavras de Quinn.
– Como você? – Quinn pergunta confusa. Ela sabia que sua mãe e sua irmã não falavam com Russel e se perguntava como ele ficou sabendo sobre o acidente.
– Soube que ela está em uma cadeira de rodas. – Russel falava calmamente. – Quero vê-la novamente, Lucy. Quero conhecer minha neta. Quero saber como ela está.
– Como ela está? – Quinn perguntava incrédula. – Você não precisa encontrá-la para saber como ela está. Faço questão de lhe contar.
– Lucy... – Russel respirava fundo. – Sei que nunca fui um ótimo pai. –
– Realmente nunca foi. – Quinn falava irônica.
– E que também nunca lhe apoiei em suas escolhas, mas quero fazer diferente com Beth. – Russel comentava.
– Não. – Quinn respondia. – A minha família não é composta somente entre eu e Beth, Russel, nós somos Fabray-Lopez e se você não é capaz de aceitar que Olivia também é sua neta, então não, você não vai encontrar Beth. – A loira falava irritada, sem tirar os olhos de seu pai. – Olivia é apenas uma criança, mas ela é esperta, jamais a deixaria de lado nessa situação. Você é o único avô que ela tem e seria devastador saber que seu único avô apenas se importa com Beth. Então não, Russel, se você não é capaz de aceitar minha família, jamais deixarei que se aproxime delas. Aliás... – Quinn soltava uma risada irônica. – Eu jamais deixaria você se aproximar da minha família. Tenho certeza que continua o mesmo coração frio e hipócrita que sempre foi. Nunca amou ninguém além de si mesmo. Sempre nos tratou como troféus... Uma família perfeita que você apenas tinha para sua própria imagem. Então não Russel, suas chances de se aproximar acabaram. Você me deserdou deixando claro que não sou mais sua filha, então isso não faz das minhas filhas suas netas.
– Lucy Quinn... –
– Oh, por favor, você não me amedronta mais. Queira, por favor, se retirar porque esse assunto está encerrado e eu tenho muito que fazer. – Quinn se sentava novamente em sua cadeira, voltando sua atenção para seu catalogo.
Quando decidiu visitar sua filha, Russel sabia que não seria bem recebido, mas imaginou que talvez sua Lucy, o deixaria rever sua neta Elizabeth. Ele sabia o quanto tinha errado com suas duas filhas, e não queria errar com sua única neta adolescente. Russel queria saber como a garota estava. Das coisas que gostava e de seu interesse com a faculdade. O pai de Quinn tinha um afeto sincero por sua neta, mesmo sabendo que a mesma vinha de um casamento no qual ele nunca apoiaria. E por não apoiar, não aceitava Olivia como sua neta, até porque a mesma não é filha de Quinn e sim de Santana. Olivia era uma Lopez e estava longe de ser uma Fabray como Beth. Russel apenas se importava com Elizabeth.
Russel apoiou sua bengala contra o chão, se apoiando ao se levantar. Ele sabia que naquele momento sua filha já tinha tomado sua decisão, mas o mesmo não desistiria. Russel Fabray faria o que fosse preciso para encontrar sua neta.
– Saiba que esse assunto ainda não acabou, Lucy. – Russel falava calmamente. – Nos veremos em breve. – Seu pai a olhou pela última vez antes de virar as costas e sair de seu escritório.
Logo que Quinn ouviu a porta se fechando, seu primeiro soluço saia de seus lábios e as lágrimas escorriam por sua bochecha. Ela sequer sabia que um choro tão intenso estava preso em sua garganta, mas parecia que tudo aquilo era a tensão que estava em seus ombros no momento em que colocou os olhos em Russel.
Quinn chorava de nervoso por ter visto Russel novamente. Chorava pelo modo como o mesmo menosprezou Olivia. Sua caçula tão inocente e carismática. Quinn sempre soube o quão sensível sua pequena era, e sentia seu coração explodir quando algo acontecia com a mesma. A artista chorava por sua família, por sua adolescente que mesmo depois de meses continuava em uma cadeira de rodas sem demonstrar nenhuma recuperação. Quinn não entendia o porque Beth continuava sem responder a fisioterapia e chorava por tudo o que lhe incomodava naquele momento. Ela precisava de sua esposa e de suas filhas. Quinn precisava abraçá-las e senti-las a salvo em seus braços.
Enquanto continuava chorando, o interfone em sua mesa tocou. A loira passou as mãos sobre suas bochechas, respirando fundo.
– Pronto.
– Quinn, Santana está aqui embaixo com Olivia e Beth. – No momento em que ouviu o nome de sua esposa e de suas filhas, Quinn sentiu seu coração relaxando. Era exatamente tudo o que ela precisava naquele momento.
Sem dizer nada, Quinn desligou o interfone, levantando rapidamente de sua cadeira e saindo as pressas de sua sala, descendo as escadas e assim que avistou Santana, Fabray se aproximou passando seus braços em volta do pescoço da mesma lhe abraçando com força.
– Hey, meu amor. – Santana sorria, passando seus braços em volta da cintura de sua esposa, lhe abraçando e foi então que a latina pode ouvir o choro baixo de Quinn. – Bê? – A latina franzia o cenho. – Amor, você está chorando? O que houve? – Santana se afastava, levando uma de suas mãos para o rosto de Quinn, percebendo o quão chateada a mesma estava.
– N-não aconteceu nada. – Quinn sorria suavemente, depositando um selinho nos lábios de Santana. – Eu estou bem. – A loira sorria, mas Santana a conhecia o suficiente para saber que isso não era verdade.
– Quinn...
– Shh, amor... – Quinn encostava sua testa sobre a de Santana, acariciando a bochecha da mesma com seu polegar. – Eu estou bem, prometo que depois conversamos. – Fabray sorriu suavemente, e Santana apenas assentiu.
– Mamãe Q! – Olivia abraçava a cintura de Quinn por trás da mesma, deitando sua cabeça contra as costas de sua mãe, a fazendo rir baixo.
– Oi pookie. – Quinn passava a mão novamente sobre suas bochechas, se virando e pegando Olivia no colo. – Argh! Você está ficando muito grande. – A loira brincava, e Olivia passava suas pernas em volta de sua cintura, depositando um beijo contra a bochecha da mãe.
– Estou ficando uma mocinha, mamãe Q.
– Cada dia mais linda. – Quinn sorria e seus olhos passavam de Olivia para Beth que estava em sua cadeira próximo a elas. – Hey little one.
– Hey... – Beth acenava, sorrindo suavemente.
Ainda com Olivia em seu colo, Quinn se aproximou de Beth, depositando um beijo demorado contra a cabeça da filha, sentindo seu peito apertar imaginando Russel se aproximando de Beth.
– Adivinha o que vamos comprar, mamãe Q? – Olivia perguntava animada, fazendo Quinn sair de seu transe.
– O que, pookie?
– Balas de gelatina! – Olivia falava animada. – As de ursinhos, nossas favoritas, mamãe!
– Mmmm, que delícia, pookie! Promete que vai guardar algumas para quando eu chegar?
– Claro, mamãe. Se a mamãe Tana não comer tudo, é claro.
– Hey! – Santana semicerrava os olhos, fazendo Olivia rir.
– Esconde as balas da mama, ok? – Quinn ria baixo e Olivia assentia. – Acho que hoje vou para casa mais cedo. Não estou me sentindo muito bem. – Quinn agora falava com Santana.
– Claro, amor. Nós vamos ao supermercado comprar algumas coisas para a noite do pijama de Beth, e logo estarei em casa te esperando. – Santana falava carinhosa, levando sua mão para acariciar a bochecha de Quinn.
– Eu te amo. – A loira fazia um bico suave, se aproximando depositando um selinho contra os lábios da latina.
– Eu também te amo. – Santana sorriu. – Bom, nós só passamos para te dar oi, e agora precisamos ir.
– Está bem, adorei a visita. – Quinn sorria, colocando Olivia no chão.
– Nos vemos mais tarde. – Santana se aproximou novamente, depositando dois selinhos seguidos nos lábios de Quinn. – Eu te amo, e quando chegar em casa, vou cuidar de você. – A latina falava suavemente, fazendo a loira sorrir.
– Eu também te amo.
– Tchau mamãe Q. Te amo. – Olivia ficava na ponta dos pés, enquanto Quinn se abaixava, fazendo um bico suave e depositando um selinho nos lábios da pequena, e em seguida outra em sua testa.
– Eu também te amo, pookie, comporte-se no supermercado. Nada de lotar o carrinho com besteiras. – Quinn sorria, franzindo o nariz.
– Pode deixar. – A pequena respondia, se colocando ao lado de Santana e segurando sua mão.
– Tchau, mãe. – Beth passava em sua cadeira, sorrindo para Quinn.
– Tchau, little one. – A loira falava carinhosa. – Não deixe sua irmã e sua mami comprarem todos os doces que virem pela frente, está bem?
– Está bem. – Beth respondia e Quinn depositava um beijo contra a cabeça da filha. – Nos vemos mais tarde.
– Nos vemos mais tarde. – Quinn sentia seus olhos encherem de lágrimas enquanto suas três garotas saiam de sua galeria. Ela nunca entenderia como alguém poderia odiá-las por simplesmente serem felizes. Como poderiam odiar duas crianças como Beth e Olivia? Quinn nunca entenderia como seu pai poderia odiar a família linda que ela tinha construído ao lado de Santana.
Xxxx
O relógio marcava sete horas da noite e Beth estava em seu quarto, ajeitando os dois sacos de dormir ao lado de sua cama. Geralmente, dormiria ela, Charlie e Louise na mesma cama, mas com mais uma convidada naquela noite, Beth sabia que ficaria chato e desconfortável para Liah dormir sozinha no chão.
– Filha? – Quinn batia na porta, encontrando Beth em frente ao guarda-roupa com dois travesseiros no colo. — Precisa de ajuda?
– Não, mãe. – Beth respondia, virando sua cadeira e jogando os travesseiros em sua cama. – Está quase tudo pronto. Só falta mesmo as meninas chegarem.
– Achei que Charlotte já estaria aqui. – Quinn comentava.
– Eu também, mas ela ainda precisa buscar Liah, então... – Beth dava de ombros.
– Certo. – Quinn ria baixo, ao ver o ciúmes estampado no rosto da filha. – Bom, o jantar vai ficar pronto em alguns minutos, preparei alguns vegetais, já que você comprou milhões de besteiras. – Quinn comentava, e Beth revirava os olhos.
– Mãe, apenas comprei algumas barras de chocolate e pipocas, nada demais. Olivia e a mama encherem o carro de balas, você deveria conferir se não tem nenhum pacote de bala escondido embaixo do travesseiro delas. – Beth brincava, fazendo Quinn rir.
– Acredite, no momento em que eu as colocar na cama, será a primeira coisa que farei. – Quinn respondia e Beth soltava uma risada baixa.
– Mãe? – Beth olhava suavemente para Quinn. – O que aconteceu hoje?
– Hoje? – Quinn perguntava.
– Mhm. Quando fomos te visitar na galeria, você parecia bem chateada. O que aconteceu? – A garota perguntava preocupada, e Quinn respirava fundo. Ela sabia que não podia contar para sua filha da vida inesperada de Russel, até porque, Quinn não queria aquele monstro perto de sua família.
– Só estou preocupada. – Quinn mentia, sorrindo suavemente para Beth.
– Com o que?
– Muita coisa, filha. O fato de você ainda não reagir com sua fisioterapia. Eu só ando preocupada. – Quinn pressionava seus lábios e Beth mordia o canto de sua bochecha.
– Mm... Mãe, e-eu estou bem, ok? A fisioterapia e a terapia estão me fazendo bem, e logo vou melhorar. – Beth respondia suavemente.
– Filha... –
– Mãe, eu vou ficar bem. Acredito que em breve as coisas vão melhorar. – Beth sorriu carinhosa, e Quinn apenas assentiu.
Antes que uma delas pudessem dizer mais alguma coisa, Olivia apareceu correndo no quarto acompanhando Charlotte e Liah que entravam sorrindo com suas bolsas em seus ombros.
– Oi tia Quinn. – Charlie sorria, depositando um beijo na bochecha de Quinn.
– Hey Charlie! – Quinn respondia sorrindo. – Oi Liah. – A loira se virava cumprimentando Liah que estava ao lado de Charlotte.
– Como vai, senhora Lopez? – Liah falava educada.
– Eu estou bem e você? Como estão seus pais?
– Estamos todos bem... Nos recuperando a cada dia. – Liah sorria suavemente e Quinn assentia.
– Fico feliz em saber disso. Bom, vou ajudar Santana a preparar a mesa. Fique a vontade. – Quinn falava com Liah antes de se retirar do quarto deixando as três garotas a sós.
– Bee! – Charlie falava entre os dentes, jogando sua bolsa na cama, e se aproximando de sua namorada, apoiando suas mãos na cadeira de rodas e se inclinando depositando um selinho demorado nos lábios de Beth.
– Oi, gatinha. – Beth sussurrava contra os lábios de Charlie a fazendo rir.
– Demoramos? – Charlie se afastava, se jogando na cama de Beth.
– Não... A única atrasada é Louise, como sempre. – Beth revirava os olhos, sorrindo suavemente para Liah. – Hey...
– Hey, obrigada pelo convite. – Liah sorria ainda parada próxima a porta.
– Imagina. Sinta-se a vontade. Pode colocar sua bolsa em cima daquela poltrona. – Beth apontava para a poltrona amarela ao lado de seu guarda-roupa. – Não repara no meu quarto, ainda é algo temporário. Meu quarto de verdade fica no andar de cima e é mais decorado e etc. – A loira gesticulava, fazendo Liah sorrir.
– Não se preocupe, esse quarto parece ótimo e é muito aconchegante. – Liah se aproximava, se sentando na beira da cama após deixar sua bolsa na poltrona onde Beth sugeriu.
– Tento não me apegar muito. – Beth comentava. – Fica a vontade, Liah. O banheiro é logo ali, caso queira se trocar.
– Obrigada.
– Olá, bitches! – Louise aparecia na porta do quarto. – Demorei?
– Não, acabamos de chegar. – Charlie respondia, e Louise se aproximava, jogando sua bolsa na cama e cumprimentando suas amigas.
– Vocês preferem se trocarem agora ou depois do jantar? – Beth perguntava.
– Depois, porque estou faminta. – Louise comentava, se sentando no colo de Beth e a mesma passava seus braços em volta da cintura da amiga.
– Você está sempre faminta, Lou. – Charlie brincava, fazendo Liah sorrir.
– Vamos jantar. Provavelmente minhas mães já devem estar com tudo pronto. – Beth comentava, e Liah junto com Charlie se levantavam, mas Louise continuava no colo de Beth.
– Hey, Charlotte! – Louise puxava a morena pelo braço. – Nos leve.
– Você está brincando, né? – Charlie arqueava sua sobrancelha.
– Não. Nos leve, Charlotte Ray. – Louise falava novamente, fazendo Beth e Liah rirem.
– Céus, como você é insuportável. – Charlie revirava os olhos, se colocando atrás da cadeira de sua namorada, e as empurrando para fora do quarto.
Xxxx
Após jantarem, as quatro adolescentes estavam prontas para a sessão de filmes. As quatro já estavam em seus devidos pijamas e sentadas na cama. Beth e Charlotte estavam no meio, enquanto Louise deitava ao lado de Beth, e para o desgosto da loira, Liah estava ao lado de Charlie.
O primeiro filme que escolheram foram Pitch Perfect. Uma dos favoritos de Louise. Duas barras de chocolate passavam de mão em mão, enquanto cada uma tinha um copo com suco em mãos. Uma enorme tigela de pipoca estava no colo de Charlotte.
Enquanto as garotas assistiam filme, Santana e Quinn estavam em seu próprio quarto, e Olivia deitada na cama de suas mães ao lado de Quinn assistindo bob esponja, abraçada com seu cachorro de pelúcia.
– Quinn? – Santana estava deitada contra a barriga de Quinn, enquanto a mesma acariciava seu cabelo, carinhosa.
– Mmm? – A loira respondia, sem tirar os olhos da televisão.
– Amor... – Santana levantava sua cabeça, se ajeitando ao lado de Quinn e segurando em sua mão. – O que aconteceu hoje na galeria? – A latina perguntava preocupada e Quinn sentia seu estômago revirar. Ela sabia que podia contar para Santana sobre a visita inesperada de Russel, mas não com Olivia por perto.
– Recebi uma visita na qual me deixou péssima. – Quinn respondia, ficando a centímetros de distância do rosto de Santana. – Mas podemos, por favor, conversar sobre isso outra hora? Não estou me sentindo bem e só quero esquecer. Prometo que te contou tudo, amor, mas não agora. – A loira falava suavemente, e Santana se aproximou depositando um selinho em seus lábios.
– Está bem, nesse momento então, cuidarei de você. – Santana conhecia sua esposa, e sabia que não adiantaria pressioná-la ou então Quinn se fecharia de vez. A latina esperaria quando Quinn estivesse pronta.
No quarto de Beth, enquanto o filme passava, a garota estava com sua cabeça deitada no ombro de sua namorada, enquanto Louise deitava sua cabeça em seu ombro. Beth sabia que o modo como as três se tratavam, talvez estivesse fazendo Liah se sentir de fora, mas não sabia o que fazer. Aliás, ela sequer sabia do porque estava se preocupando tanto com Liah, mas antes que pudesse continuar se preocupando, a garota percebeu que Charlotte estava de mãos dadas com Liah por cima do lençol.
No mesmo instante o estômago de Beth revirou. Seu coração começou a acelerar e era como se seu peito fosse explodir a qualquer momento. Tudo bem que ela e Louise também estavam de mãos dadas há minutos atrás, mas era diferente, certo? As duas são amigas há anos e Charlotte conhecia Louise como a palma de sua mão. Sabia que não tinha com o que se preocupar, mas Liah? Beth não conhecia a garota e muito menos de suas intenções.
Enquanto seu coração apertava e seu estômago revirava, Beth começava a se arrepender em ter concordar em convidar Liah. Ela tinha certeza que alguma coisa aconteceria e que não conseguiria aproveitar sua noite. Calma, Beth. Calma. Elas são apenas amigas. A loira pensava, tentando não se importar e pensar que é gesto normal, afinal, elas estavam acostumadas a dar as mãos entre elas, mas estava difícil aceitar essa situação entre Liah e Charlotte, e Beth começava a se sentir desconfortável.
Beth desencostou sua cabeça do ombro de Charlotte, soltando a mão da mesma e ajeitando na cama, encostando suas costas contra a cabeceira e a apoiando suas mãos sobre suas pernas, sem tirar a atenção do filme. Beth não queria causar uma cena naquele momento, e faria o que sempre fez de melhor, ignorar. Isso, Beth iria ignorar e tentar seguir com a noite tranquilamente, mesmo sendo difícil para ela se manter bem com Charlie, se sentindo daquela forma. Beth se odiava por ser daquela forma. Ela já tentou tantas vezes mudar, mas o ciúmes naquele momento a incomodava muito mais do que ela esperava. Talvez assim como sua mãe Santana, Beth tinha seu terceiro olho mexicano e ele estava lhe dizendo que há algo de errado com Liah, ou talvez, Beth apenas esteja paranoica e precisa de mais sessões com sua terapeuta.
Durante o filme, Beth estava com sua cabeça no ombro de Louise quase dormindo. Ela queria se manter acordada para aproveitar a noite, mas sempre quando tinha sessões de fisioterapia seu corpo ficava exausto e nem sempre conseguia controlar seu sono.
Não demorou para os créditos do filme começarem a passar, e Charlie se aproximou do abajur ao lado de Liah o acendendo e olhando para Beth. A morena não podia negar que achava estranho o comportamento de sua namorada, mas sabia que agora não era hora de questioná-la.
– Preciso urgente tomar água. – Liah comentava.
– Eu vou com você. – Louise se afastava de Beth, se levantando da cama e assim que as duas saíram do quarto, Charlie aproveitou o momento com Beth.
– Hey... – A morena passava seu braço em volta da cintura de Beth, lhe abraçando carinhosamente. – Está tudo bem?
– Mhm, só estou com sono. – Beth respondia, apoiando uma de suas mãos no braço de Charlotte, mantendo seus olhos fechados, encostada na cabeceira da cama.
– Ah não, gatinha, você precisa ficar acordada. – Charlie brincava, depositando beijos sobre as bochechas de Beth, a fazendo rir.
– Amor! – Beth franzia o nariz, virando seu rosto, deixando que seus lábios encontrassem os de Charlie.
– Você é linda. – Charlotte sussurrava contra os lábios de Beth.
– Eu te amo, Charlie. – Beth falava suavemente, fazendo Charlie sorrir.
– Eu também te amo, Beth. – Charlotte pousava sua mão na lateral da barriga de Beth e começava a apertar fazendo cócegas na mesma.
– Charlie! – Beth se encolhia, tentando segurar as mãos de sua namorada, mas a mesma agora se sentava em seu colo, levando suas mãos para dentro da blusinha de Beth, sem parar as cócegas. – Charlotte! – A loira ria sem parar e enquanto tentava se livrar de sua namorada, algo inesperado aconteceu. Sua perna direita se movimentou por baixo de sua namorada, fazendo-a parar rapidamente.
– Beth? – Charlie arregalava seus olhos, olhando os de Beth que estavam assustados e não surpresos como os de sua namorada. – Amor, você... Bee, sua perna se mexeu.
– Charlie... – Beth falava baixo, ela não queria que soubessem as mudanças que estavam acontecendo em seu corpo. Beth queria ter certeza de que conseguiria finalmente voltar a andar e que quando isso acontecesse, ela faria uma ótima surpresa para suas mães e Charlotte.
– Meu Deus, bee! – Charlotte saia rapidamente do colo de Beth, sorrindo feito boba. – Gatinha, sua perna mexeu. V-você mexeu sua perna. – Beth podia ver o quão feliz sua namorada estava e aquilo a fazia se sentir péssima por esconder o quanto a fisioterapia estava lhe ajudando.
– Shh, amor, fala baixo. – Beth gesticulava. – Sim, a minha perna mexeu, mas foi por uma reação das cócegas que você estava fazendo. Minha fisioterapia anda progredindo muito, mas no momento eu só sinto as dores dos exercícios, ainda não consigo movimentar minhas pernas sozinhas, só movimentos como esses. Repentinos. – A loira explicava e podia ver os olhos de Charlotte brilharem.
– Céus, Beth!
– Charlie, você não pode contar isso a ninguém. – Beth comentava, e Charlie agora a olhava confusa. – E-eu quero contar a eles somente quando conseguir movimentar minhas pernas sozinhas.
– Beth
– Charlie, me prometa que você não vai comentar isso com ninguém.
– Amor, suas mães ficariam muito felizes em saberem disso e. –
– Charlotte! – Beth a interrompia. – Por favor. – A garota falava suavemente, e após alguns segundos em silêncio, Charlotte assentiu, entendendo os motivos de sua namorada.
– Não vejo a hora de te ver mexendo as pernas sozinhas, gatinha. Você vai conseguir. – Charlie sorriu, depositando um selinho demorado nos lábios de Beth.
– Sim, amor. Eu vou conseguir. – Beth sorriu, e naquele momento, ela apenas memorizava o olhar de felicidade de Charlotte ao vê-la mexendo a perna. Apesar de ter sido algo rápido e por impulso, aquele simples movimento, fez os olhos de Charlotte brilharem como nunca. Beth sentia seu peito explodindo e não podia deixar de imaginar a felicidade que causará em suas mães quando ambas vê-la andando novamente pela primeira vez depois do acidente. Beth tinha certeza de que será o dia mais feliz da vida de Santana e Quinn, e tudo o que ela queria era tirar o sofrimento dos olhos de suas mães por sempre vê-la naquela cadeira de rodas.
Beth continuaria lutando por elas. Por suas mães, por sua irmã e por sua namorada, porque não existe nada melhor do que fazer quem você ama feliz.
Fale com o autor