Beating Heart.
20 I'm trying to protect my family.
Notas iniciais
– Vamos, Beth. Você consegue. – Erin estava em pé a alguns centimentros de distante de Beth, enquanto a mesma se segurava entre duas barras de ferro presas no chão.
– Erin... – A garota apertava seus dedos nas barras, olhando assustada para sua fisioterapeuta.
– Beth, sei que da medo, mas você precisa tentar. Nós já passamos por isso semana passada. – Erin falava calmamente na tentativa de incorajar Beth a dar seus passos apoiada nas barras. Já tinha se passado três semanas e era a quarta vez que a garota fazia aquela sessão para andar. Ela ainda se sentia insegura, já que tinha medo de cair, mas sua fisioterapeuta sempre estava lá para incentivá-la e segurá-la. – Você sabe que está presa pela cintura, querida. Pode vir. Nós quase conseguimos da última vez. Você deu dois passos, se lembra? Tenho certeza que não vai querer desistir agora. Vamos, Beth. Pense no quanto você sente saudades de poder andar. Voltar a sua independecia. Poder correr novamente... – Erin sorria, enquanto Beth a olhava, pensativa.
Beth sabia que aquele exercício era um grande avanço para sua recuperação, e apesar de estar assustada e com medo de cair, a garota precisava se esforçar. Beth precisava mandar em seu cérebro e fazê-lo mover suas pernas. Apesar de difícil e complicado, a garota pensava em suas mães, sua irmã e em sua namorada. No quanto andar as fariam felizes. No quanto voltar a andar era o que Beth mais queria. Poder voltar para o seu time e ganhar todos os campeonatos. Voltar para suas aulas de dança que sempre foi apaixonada desde pequena. Poder finalmente descer as escadas do seu estúdio e voltar a pintar seus quadros. Beth pensava em tudo aquilo. Sem esquecer de que daqui dois meses sua mãe Quinn faria aniversário, e, suas férias de verão estavam chegando. Talvez... Se Beth se esforçar. Voltar a andar no dia do aniversário de sua mãe seria um enorme presente.
A garota respirou fundo, apertando seus dedos com força contra as barras de ferro, olhando fixamente para suas pernas. Seus pés estavam com uma bota leve e apropriada para o exercício. Sua cintura uma cinta na qual, fivelas prendiam na barra para que não caísse. Beth fechou seus olhos, pressionando-os empurrando seu quadril para frente, enquanto fazia seu cérebro reagir para mexer sua perna direita.
– Vamos, querida. – Erin falava carinhosa, olhando atentamente para Beth, e depois de parecerem horas, Beth conseguiu empurrar sua perna para frente, fazendo sua fisioterapeuta sorrir. – Isso, Beth! Vamos, mais uma vez. – Erin incentivava, sabendo o quanto sua paciente estava evoluindo. Ela já teve pacientes que se recuperaram rápido, e outros que demoraram anos, mas Erin sabia que as situações eram diferentes, e, até mesmo eles eram diferentes um dos outros. A fisioterapeuta sabia a determinação de Beth e desde o começo faz o possível para pressioná-la e incentivá-la nos exercícios.
– E-erin... – Beth sussurrava sem abrir os olhos. Ela sabia que precisava continuar focada no que fazia, e que um passo não era nada. Até porque, na semana passada ela conseguiu dar dois passos. Para ter progresso, Beth precisaria avançar e no máximo, chegar ao meio da esteira onde estava.
– Beth, você consegue. – Erin falava novamente se colocando ao lado da garota e Beth agora colocava sua perna esquerda para frente, fazendo o coração de sua fisioterapeuta saltar. Erin sempre sentia orgulho de seus pacientes, e era ótimo vê-los tão focados e evoluindo daquela forma. – Está doendo? – A fisioterapeuta perguntava e Beth apenas balançava a cabeça sem se desconcentrar.
A garota respirava fundo, sabendo que se conseguisse dar seu próximo passo faria um ótimo avanço naquela tarde. Beth via em sua cabeça a felicidade de suas mães ao vê-la andando e mantinha sua força por elas. Beth precisava voltar a andar. Sem pensar muito, agora sua perna direita estava novamente se movendo cuidadosamente e lentamente para frente. Seus passos eram curtos e pequenos, mas o suficiente para mostrar avanço.
– Ok, Beth, você conseguiu ir mais longe do que na semana passada. – Erin brincava. – Sei que consegue se esforçar um pouco mais, e, por favor, se sentir qualquer dor ou desconforto, nós paramos, está bem? Ainda temos nossa sessão na piscina. – A fisioterapeuta observa as expressões de Beth com cuidado, enquanto a mesma agora dava seu quarto passo com sua perna esquerda. – Isso, Beth!
– E-eu estou conseguindo. – Beth sussurrava sem se desconcentrar, movimentando novamente sua perna direita, fazendo Erin aplaudir.
Depois de alguns minutos, com muito esforço e concentração, Beth conseguiu dar exatamente sete passos, chegando ao centro da esteira em que estava. A garota se sentia feliz e empolgada pelo seu avanço, mas também sentia dores desconfortáveis nas costas e no quadril. Talvez ela tenha feito esforços demais. Suas mãos estavam com luvas, mas podia senti-las soando por apertá-las tanto contra a barra.
Após tirar tudo o que a prendia, Beth se deitou no colchonete, enquanto Erin alongava novamente suas pernas.
– Wow... Beth, você foi incrível. Tinha certeza que íamos conseguir. – Erin falava suavemente.
– Obrigada. Minhas costas estão doendo, mas valeu muito a pena, Erin. Nem acredito que consegui dar sete passos. – Beth falava empolgada, fazendo careta ao ser alongada.
– Confesso que estou impressionada com sua força de vontade. Claro que já vi casos como os seus, mas imaginei que teria um pouco de trabalho quando te vi pela primeira vez. – Erin comentava, fazendo a adolescente arquear as sobrancelhas.
– Não te culpo. Quando cheguei aqui era uma pessoa completamente diferente. Irritada com o mundo por estar nessa situação.
– Exato. Nunca imaginei que você era tão esforçada e estou muito orgulhosa de você. Acredito que com as sessões na hidroginástica você vai sentir uma grande diferença, e sem dúvidas vai notar todas as vezes que ficar em pé naquela esteira. – Erin dava atenção para a outra perna de Beth.
– Obrigada, Erin. Você e minha psicóloga me ajudam muito. – Beth falava suavemente. – Minha sessão hoje foi tranquila, apesar de termos mencionado Lucas. É estranho falar dele algumas vezes, porque sinto como se tudo isso fosse culpa dele, e é péssimo porque não tenho como conversar com ele sobre isso.
– Entendo. Deve ser complicado, mas Beth, você precisa pensar que isso vai ser passageiro. Logo você estará andando.
– Mhm, é complicado. – Beth olhava para suas coxas. – Eu realmente tento pensar dessa forma, mas é difícil. E-eu tenho medo de acidentes... Quero dizer, de andar de carro em alta velocidade, sabe? Depois do acidente da minha mãe... – Beth mordia o canto de sua bochecha. – Sempre fico tensa quando correm demais, e quando vi que Lucas estava acelerando me desesperei. Realmente achei que fosse morrer. – Beth falava suavemente e Erin a ouvia com atenção. – Minha psicóloga disse que talvez eu devesse escrever uma carta? – A fisioterapeuta agora franzia o cenho. – Pois é, fiz a mesma careta que você. – Beth ria suavemente. – Mas ela disse que ia ser um grande alivio se eu conseguisse colocar como estou em uma carta e endereçar para ele. Patético, não?
– Mmmm, não acho que seja patético. Pelo contrário, vai te ajudar a colocar tudo o que você sente por ele para fora. – Erin agora levantava a garota, para trabalhar em suas costas.
– Foi o que ela falou. Talvez eu escreva. Tem muita coisa que preciso falar para o Lucas. – Beth gemia com a dor, pousando as mãos em seus joelhos.
– E o que vai fazer depois que a carta estiver pronta? – Erin perguntava curiosa.
– Entregar para ele? – A garota franzia o cenho. – Ela disse para eu ia até o cemitério e ler em voz alta. – Beth ficava em silêncio, por alguns segundos, fechando seus olhos ao sentir suas costas relaxarem. – Talvez eu faça isso.
– Tenho certeza que isso irá te ajudar, querida. – Erin terminava o alongamento, se colocando na frente de Beth. – O melhor remédio é sempre escrever. Seja em um diário ou em cartas. E-mails. Quando eu era mais nova, tinha um diário onde colocava todas as minhas frustrações, até porque, não era a aluna mais querida na minha turma e sofria muito bullying por isso. – Erin pousava seus dedos na nuca de Beth massageando. – Mas com a ajuda do meu diário, foi fácil colocar toda a minha raiva e tristeza para fora. Minha sorte é que só durou um ano e logo mudei de colégio e as coisas do meu diário não era tão darks. – A fisioterapeuta ria baixo, fazendo Beth rir. – Acredite, desabafar escrevendo é sem dúvidas o melhor remédio. – Beth abria seus olhos, olhando sorrindo para Erin.
– Obrigada, Erin. Sei que não falamos muito sobre esses assuntos, mas me sinto a vontade quando conversamos. – Beth sorria adorável, fazendo Erin passar o dedo sobre o seu nariz.
– Estou sempre à disposição. Sabe, é raro eu me apegar em pacientes, mas confesso que você me prende, Beth. E sinto que você é uma garota muito especial. – Erin falava sorrindo.
– Obrigada. De todas as minhas médicas, você é sem dúvidas a minha favorita. – Beth ria baixo.
– Oh, me sinto lisonjeada. Obrigada. – Erin sorria, batendo palma e segurando na mão de Beth. – Ótimo, agora vamos para a piscina está bem? Vou te levar até lá e entraremos juntas. – Erin tirou a camisa branca, ficando apenas com uma blusinha de alça e um short de lycra, parecidos com os de Beth. Especificos para hidroginásticas. A fisioterapeuta se colocou próximo a garota, a pegando no colo e juntas foram para a piscina preparada a espera de Beth.
Xxxx
– Charlotte? – Anna chamava por sua filha, enquanto a mesma estava em seu quarto fazendo seu dever. – Charlotte? – A mãe da garota entrava no quarto da mesma, encontrando-a com o celular em mãos e os livros espalhados por sua cama. – Oh, vejo que está realmente estudando.
– Oh, hey mãe. – Charlie colocava o celular sobre a cama, sorrindo para sua mãe. – E realmente estou, mas Liah fica mandando mensagens o tempo todo. – A morena pegava seu lápis embaixo de seu caderno.
– Mm... – Anna arqueava suas sobrancelhas. – Você e Liah estão bem próximas. – A mãe de Charlie comentava. Ela sabia que Beth não gostava de sua filha e Liah juntas, até porque, Charlie sempre lhe contava tudo, e depois que soube do ciúmes de Beth, Anna passou a prestar atenção em Liah e na amizade da mesma com sua filha.
– Estamos. As vezes da impressão de que Liah é sozinha demais. – Charlie comentava, com os olhos em cima de um de seus livros.
– Tome cuidado, filha. Não quero que você se machuque por estar criando amizade com essa garota. – Anna falava suavemente, preocupada mais com a filha do que com Liah ou Beth.
– Perdão? – Charlie virava sua cabeça, para olhar sua mãe encostada na porta.
– Só quero que você tome cuidado. Não conheço a Liah, mas conheço a Beth, e não quero que você se machuque por nenhuma das duas.
– Mãe, o que você está querendo dizer com isso? – Charlie franzia o cenho, se ajeitando em sua cama e se sentando. – Não estou apaixonada pelas duas, se é isso o que você está insinuando. Eu amo a Beth, e quero ficar com ela para o resto da minha vida. Meu futuro é com a Beth e ninguém mais. Liah só é minha amiga, não tenho interesse algum nela.
– Eu sei, filha. E fico feliz em ouvir isso, mas não estou dizendo você se apaixonar pelas duas, mas talvez as duas se apaixonarem por você? – Ana fazia um bico de leve, se aproximando da filha, e se sentando na cama ao seu lado. – Meu amor, você já parou para pensar do porque Beth implica tanto com Liah?
– Porque ela acha que a Liah gosta de mim? – Charlie perguntava confusa, olhando nos olhos de sua mãe.
– Exato. – Anna falava suavemente. – Você vive dizendo o quanto Beth é ciumenta, mas meu amor, talvez ela tenha uma razão para estar com ciúmes, não acha? O modo como Liah te olha e age quando está perto de você não é como Louise. Ambas são completamente diferentes, e, só quem é cego não consegue ver que essa garota sente algo por você. – Anna pousava a mão no joelho da filha, que a olhava confusa.
Não, Liah não pode estar apaixonada por Charlie, certo? A garota talvez só está carente e sozinha por ter perdido o irmão há alguns meses atrás. Charlotte não conseguia ver maldade em sua amizade com Liah. Aliás, ela não conseguia ver algo de diferente em sua nova amiga. Talvez Beth realmente tenha um motivo, mas isso seria idiotice. Charlie é apaixonada por Beth e mais ninguém. Ela não sentia atração por outras garotas ou garotos. Ela só queria sua melhor amiga, e nunca pensou em Liah de outra forma que não fosse como sua nova amiga.
Mas ao pensar naquilo que sua mãe lhe falava, talvez... Talvez a mesma esteja certa. Liah realmente tratava Charlotte com diferença. Não era como Louise, era com mais atenciosidade e carinho. Lhe mandava mensagens dia e noite lhe dando boa noite, e muitas vezes conversavam coisas aleatórias por mensagens no celular. Certo, talvez aquilo realmente fosse estranho para uma amizade, mas Charlotte não conseguia ver aquilo que sua mãe estava lhe dizendo ou o que Beth via. Em sua cabeça era tudo um exagero, certo? Liah sempre demonstrou lhe respeitar. Respeitar seu namoro e seu amor por Beth.
Apesar de não enxergar aquilo que os outros viam, Charlotte faria o possível para prestar atenção e se prevenir. Ela realmente não queria se machucar, e se imaginar perdendo Beth fazia seu coração apertar.
– Olha, — Anna quebrava o silêncio entre elas, apertando suavemente o joelho da filha. – Só estou dizendo que você não conhece a Liah 100%. O irmão dela não era boa pessoa. Veja o que ele fez com Beth, não quero julgar um livro pela capa ou pior, julgar Liah e Lucas, mas meu amor, não entre de cabeça em uma amizade sem conhecer a pessoa que está se aproximando de você. Não de abertura sem conhecê-la. Não vou mentir e dizer que não gosto de Liah, porque ela é uma garota simpática e muito educada. Já conversamos algumas vezes e ela também é muito inteligente, não acho crises de ciúmes legal também, mas Charlie, eu posso não ser mais uma adolescente, mas conheço um olhar de interesse quando vejo um. E aquela garota, Liah? Filha, ela de alguma forma gosta de você, e te aconselharia a ser mais cuidadosa e mostrar a ela que seu interesse é a Beth e sempre vai ser. Não deixe essa garota criar esperanças em algo que nunca vai acontecer. Você tem o controle dessa situação, e se não quer se machucar ou machucar sua namorada, mostre para Liah que suas intenções são de amizade e só. – Anna agora passava a mão pelo cabelo escuro da filha, percebendo que a mesma estava pensativa.
Charlie nunca tinha pensado dessa forma. Céus, como ela pode ser tão descuidada? Sua mãe tinha razão. Se Liah tinha algum interesse, Charlie precisava deixar claro que entra ela e Liah era somente amizade. Claro que Charlie também não queria machuca-la, mas perder Beth era algo que ela não deixaria acontecer.
– E-eu... Nunca tinha pensado dessa forma. – Charlie falava suavemente, olhando para suas mãos. – Mãe, e-eu amo a Beth, e é ridículo o quanto eu a amo e nunca a vi ter tanto ciúmes de alguém igual ela sente da Liah. Talvez você tenha razão. Nunca reparei na forma como Liah me trata ou me olha. Sempre achei algo normal. – Charlie dava de ombros, olhando para sua mãe. – Mas óbvio que não é normal, já que tira minha namorada do sério. – A garota ria suavemente. – Obrigada, mãe. Prometo que vou tomar cuidado e cuidar de mim.
– Não quero que você deixe de falar com a Liah, Charlie. Só quero que você tome cuidado, está bem? Talvez eu esteja errada, mas é melhor você ficar mais atenta, porque acredito que Beth não teria um motivo tão bobo para ter um ciúmes tão intenso como esse. – Anna depositava um beijo na testa da filha, se levantando.
– Obrigada, mãe. Prometo que não vou me meter em um triangulo amaroso. – Charlie brincou.
– Acho bom, Charlotte Ray. – Anna comentava. – Só estou te falando tudo isso para te deixar mais atenta.
– Eu sei.
– Ótimo. Agora pare de mandar mensagens para Liah e volte a estudar, mocinha. Estou indo ao supermercado. Seu irmão vem jantar com a gente hoje, e não, você não vai sair está noite, Charlie, mas fique a vontade em convidar Beth para jantar conosco. – Anna conhecia bem sua filha e sabia que a mesma sempre escapava no jantar por passar horas na casa das Lopezes.
– Hoje Beth está na fisioterapia, mãe, não sei se vamos nos ver. Ela ultimamente chega exausta, tadinha. – Charlie fazia um bico de leve. – É super pesado, mas ao mesmo tempo é muito bom, porque minha gatinha logo vai andar! – Charlie falava apaixonada, fazendo sua mãe revirar os olhos.
– Sem dúvidas ela vai andar em breve. – Anna sorria. – Bom, vou indo. Seu pai deve chegar em alguns minutos. Estude, Charlotte. Nada de celular. – A mãe da garota saia do quarto a deixando sozinha novamente, mas ao invés de voltar aos estudos. Sua mente girou em torno de tudo o que sua mãe tinha lhe dito e Charlotte faria o que fosse preciso para não perder Beth, e mostraria a Liah que qualquer intensão que a mesma tivesse além de amizade não aconteceria de modo algum. Mas enquanto não tomava uma atitude, Charlotte esperaria para ver se realmente tudo aquilo estava acontecendo.
Xxxx
– Santana? – Jocelyn, a secretária da latina a chamava pelo interfone conectado entre suas mesas.
– Sim? – A latina respondia sem tirar os olhos do gráfico de audiência da tela de seu computador.
– Sra Lopez está ao telefone. – Jocelyn falava suavemente, e Santana tirava o telefone da base.
– Okay, obrigada Jocelyn. – A latina desligava a ligação da secretária, apertando o botão para transferir a ligação para sua esposa. – Hey, bê. – Santana falava sorrindo.
– Oi amor, tudo bom? – Quinn perguntava suavemente.
– Tudo, bê, e você? Como está Beth e Olivia?
– Estamos bem. Beth ainda está na fisioterapia e Olivia está na casa da Bella. – Quinn sorria consigo mesma. – San, eu preciso de um favor.
– O que foi, amor? – Santana perguntava, cruzando suas pernas.
– E-eu preciso conversar com a minha mãe hoje à noite. Tudo bem se eu deixar Beth aí na rádio e depois você buscar a Liv na casa da Daniele? – Quinn perguntava suavemente, e apesar de ainda não ter contado para sua esposa do visitante inesperado há alguns dias atrás, Santana sabia que algo estava diferente em Quinn e mesmo sem querer pressioná-la para falar, a latina preferiu deixar que a mesma contasse em seu tempo. E sabia que o encontro com Judy era algo que Quinn precisava.
– Claro, bê. Não vou ficar aqui até tarde. É o tempo de você trazê-la e sairmos para buscar a Liv. – Santana brincava com uma caneta entre seus dedos. – Só vou precisar liberar algumas papeladas para o Ty, mas o resto é com a Lily. Te espero para jantar ou...? – Santana perguntava.
– Não amor, e-eu não sei. É melhor vocês não me esperarem. O que tenho para conversar com a minha mãe é importante, e pode demorar um pouco. – Quinn respondia, e Santana respirava fundo, se contendo para não perguntar o que estava acontecendo.
– Oh... Okay, amor. Sem problemas. – Santana sorria consigo mesma.
– Certo. Obrigada, amor. Daqui alguns minutos chego com a Beth. Ela ainda está na hidroginástica.
– Está bem. Ah, quando você vier pode, por favor, me trazer um delicio chá gelado? – Santana soltava um gemido entre os dentes, fazendo Quinn rir. – Eu estou precisando me refrescar.
– Mmm... Está quente, Lopez? – Quinn provocava, fazendo Santana respirar fundo. – Talvez eu possa te ajudar quando nos encontrarmos mais tarde.
– Quinn! – Santana falava entre os dentes, cruzando suas pernas com um pouco de força ao imaginar a língua de sua esposa sobre seu centro. – Céus, Lucy Q.
– E é exatamente assim que você vai gritar meu nome. – Quinn continuava provocando, fazendo a latina morder o canto de seus lábios.
– Você sabe que é ótima em provocar, não sabe? – Santana semicerrava os olhos. – Eu espero que não me deixe pulsando sozinha essa noite, Lucy Quinn. – A latina comentava e podia ouvir o grunhido de Quinn pelo telefone.
– Oh, e alguma vez te deixei fazer alguma coisa sozinha, San? – Quinn perguntava, com a voz sedutora.
– N-não... Quero dizer, teve algumas vezes na qual precisei me virar sozinha, mas... Eu prefiro quando você faz todo o trabalho. – Santana falava suavemente.
– Bom, Lopez, acredite, odeio ter que te deixar usar as mãos, mas prometo que essa noite eu tiro todo o seu calor. Ou te deixo com mais calor. – Quinn brincava, fazendo Santana rir.
– Acho bom, Fabray. Não me faça usar as mãos.
– Oh, isso não. – Quinn respondia. – Então nos vemos daqui a pouco?
– Sim, amor, nos vemos daqui a pouco. Se Beth não estivesse com você, eu juro que te colocaria em cima da minha mesa assim que passasse por essa porta. – Santana comentava. – Mas tudo bem, sei me controlar e vou esperar até nos encontrarmos essa noite. – A latina respirava fundo, sentindo o calor entre suas pernas.
– A última vez que você me teve em sua mesa foi delicioso, adoraria repetir o que fizemos daquela vez. – Quinn usava seu tom sedutor, fazendo Santana morder o canto de seus lábios. – Me espera, que prometo deixar sua noite mais divertida. Preciso ir, amor. Beth acabou de sair da piscina, vou ajuda-la a tomar banho.
– Ugh! Quinn! Não acredito que você me fez lembrar disso. – Santana apertava mais suas coxas, se sentindo frustrada com a lembrança da tarde em que ela e sua esposa fizeram um delicioso sexo em sua mesa na hora do almoço. – Tudo bem. Nos vemos daqui a pouco. Te amo.
– Eu também te amo. – Quinn falava carinhosa, antes de mandar um beijo pelo telefone e desligar deixando uma excitada Santana sozinha.
Xxxx
– Mama? – A voz de Beth ecoava no escritório de Santana a fazendo tirar sua atenção do computador, sorrindo ao ver sua filha com um copo de chá gelado em mãos, e sua esposa entrando em sua sala.
– Hey, minhas duas loiras preferidas. – A latina se levantava, indo de encontro as duas, pousando sua mão contra as bochechas de Beth, depositando um beijo demorado e forte contra a bochecha da filha.
– Ugh! Mama! – Beth ria, fechando os olhos com sua mãe apertando suas bochechas.
– Como foi a fisioterapia? – Santana perguntava ao se afastar, mas sem tirar as mãos da bochecha da filha.
– Foi bom. E-eu estou progredindo. – Beth respondia, sem dar muitos detalhes. A ideia de fazer uma surpresa para suas mães era algo que ela não desistiria.
– Ótimo, fico feliz em saber. – Santana sabia que não teria detalhes, e depositou outro beijo na bochecha da filha, antes de se afastar, se aproximando de Quinn e passando seus braços em volta da cintura de sua esposa. – Hey você. – A latina falava suavemente, enquanto Quinn sorria passando seus braços em volta do pescoço de sua esposa.
– Mmm, oi amor... – Quinn pressionava seus lábios contra os de Santana, lhe dando um selinho demorado. – Eu precisava disso.
– Do que? – Santana perguntava sussurrando, pressionando novamente seus lábios contra os de Quinn. – Disso?
– Mhm... – A loira sorria, deslizando uma de suas mãos pelo pescoço da latina.
– Por mais lindo que isso seja... Vocês podem, por favor, fazer isso quando eu não estiver aqui? – Beth as tirava da bolha em que estavam as fazendo rir.
– Filha, eu precisava disso, está bem? – Quinn depositava outro beijo contra os lábios de Santana antes de se afastar. – Bom, eu só vim deixá-la, agora preciso ir encontrar minha mãe que já deve estar me esperando.
– Está bem, nos vemos mais tarde. – Santana sorria e Quinn pressionava novamente seus lábios aos da latina.
– Te amo. – Quinn sussurrava.
– Eu também te amo.
– Te amo, little one. – A artista se aproximou da filha, depositando um beijo contra sua cabeça antes de sair pela porta, deixando suas duas garotas sozinhas.
– Mama... – Beth falava calmamente, parando sua cadeira em frente a mesa de Santana, colocando o copo de chá gelado na mesa. – Aconteceu alguma coisa? – A garota pergunta confusa, enquanto Santana se sentava em sua cadeira, de frente para Beth.
– Como assim, bee?
– Bom, já faz um tempo que venho percebendo o quanto a mamãe está... Apreensiva? – Beth franzia o cenho. – Ela parece diferente... E agora esse encontro com a vovó. Tem alguma coisa acontecendo, não tem? – Beth perguntava preocupada, fazendo Santana olhá-la.
– Sim, mijá. Tem alguma coisa acontecendo com a sua mãe, mas não faço ideia do que seja. – Santana respondia, pegando seu tão desejado chá, sorrindo para sua filha agradecendo. – Naquele dia em que aparecemos para visitá-la na galeria, ela tinha me dito que recebeu uma visita inesperada, mas não me contou de quem era essa visita. Desde então, ela anda aérea, desligada... – A latina respirava fundo. – Eu conheço sua mãe como a palma da minha mão e sei que essa visita está mexendo com ela de alguma forma.
– Um visitante? – Beth perguntava confusa. – Quem teria visitado a mamãe e a deixado daquela forma? – A garota perguntava e Santana respirou fundo. Ela já tinha pensando sobre isso e temia que estivesse certa sobre o visitante de sua esposa. Somente uma pessoa a deixaria tão assustada daquela forma, Russel Fabray.
– Não sei mijá, precisamos esperar o momento em que sua mãe vai se abrir. – Santana falava suavemente, e Beth apenas assentiu, sentindo seu celular vibrar. – Nós já vamos para casa, está bem? Ainda precisamos buscar Liv. – A latina voltava sua atenção para finalizar seu trabalho em seu computador antes de irem para casa.
Xxxx
Quinn estacionava seu carro em frente à casa de sua mãe naquela noite. Após a visita inesperada de seu pai, a mesma não tinha contado ainda para Santana as lutas em que estava passando. Russel ligou para seu escritório algumas vezes na intenção de fazê-la mudar de ideia para deixa-lo rever Beth, mas Fabray estava determinada em impedir essa aproximação. Quinn não queria que seu pai se aproximasse de Beth e a magoasse da forma como lhe magoou. A loira não sabia como fazê-lo parar, e era por isso que estava indo conversar com sua mãe. Quinn achou que conseguiria resolver tudo sozinha, sem envolver sua esposa, mas estava cada vez mais difícil e a mesma precisava do conselho de sua mãe.
– Oh, como vai, filha? – Judy cumprimentava Quinn que entrava na casa, encontrando sua mãe sentada no sofá, lendo um livro.
– Oi, mãe. – Quinn sorria se aproximando e depositando um beijo na bochecha da mãe. – Eu estou bem e você?
– Estou ótima. Henry acabou de ir embora. Sua irmã o deixou comigo a tarde toda. Teria sido ótimo se Olivia também estivesse aqui, mas ela já tinha um encontro. – Judy brincava sorrindo.
– Oh, sim... ‘Liv foi para casa de Bella depois da aula. As duas estavam doidas para brincarem juntas desde a semana passada. – Quinn sorria suavemente.
– E como está Beth?
– Está bem. Acredito que se recuperando. Ela não fala muito, mas é possível ver nos olhos dela e no modo como Erin conversa comigo de que Beth está tendo um ótimo progresso. – Quinn ajeitava seu vestido, cruzando suas pernas. – Só não entendo do porque a própria Beth não nos conta nada.
– Quinnie, você conhece as adolescentes. Sabe que todos tem o momento deles. Só resta esperar, tenho certeza que Beth tem um ótimo motivo para não contar os detalhes. – Judy sorria, pousando a mão sobre a perna da filha.
– É, você tem razão. – Quinn sorria suavemente, e ficava em silêncio, fazendo um bico suave.
– E então, vai me dizer o que está te incomodando? Eu te conheço Lucy Quinn, sei quando algo não está bem. – Judy segurava na mão de sua filha, se ajeitando no sofá e se virando para olhá-la.
– Há alguns dias atrás... E-eu recebi uma visita na galeria. – Quinn começava a falava suavemente, olhando para suas mãos que brincavam com os dedos de sua mãe.
– E quem te visitou? – Judy perguntava curiosa e Quinn levantava seu olhar, encontrando os olhos de sua mãe.
– Russel. Russel me visitou, mãe. – Quinn falava suavemente, e Judy arregalava os olhos. Desde quando se divorciou de seu marido, nunca tinha ouvido falar dele. Sequer sabia que o mesmo ainda estava em Nova York.
– R-Russel? – Judy falava preocupada. – Oh, céus, minha pequena... – A mãe de Quinn passava os braços em volta da filha, deixando a cabeça da mesma deitada sobre o seu peito. – E-ele te fez algum mal? Te machucou? Quinn? – Judy perguntava sem parar.
– Não. Mãe, não. Ele não me machucou, estou bem. – A artista fechava os olhos, depositando um beijo na bochecha da mãe.
– E o que ele queria? – Judy perguntava um pouco mais calma.
– Mmm... Me ver? Não sei ao certo. – Quinn mordia o canto de sua bochecha. – Ele apareceu perguntando sobre a Beth.
– A Beth?
– Sim. E-ele disse que quer revê-la. Que soube do acidente dela, e também soube que ela está em uma cadeira de rodas.
– Como? – Judy franzia o cenho. – Como ele descobriu isso?
– É uma pergunta que ando me fazendo bastante, mãe. Não faço ideia de como ele descobriu, o fato é que ele sabe e agora está querendo vê-la. – Quinn respirava fundo, fechando seus olhos frustrada. – Eu só não entendo do porque esse interesse repentino em querer ver a Beth, mãe. Russel nunca se interessou por mim ou por Frannie. Tudo o que ele queria era que fossemos boas alunas e boas filhas. Fazendo tudo o que ele queria. Não quero que Russel se aproxime da minha filha e a faça mal.
– Até porque Beth é muito parecida com você, e para melhorar, ainda tem um enorme gênio de Santana. Acredito que ele não a entenderia. – Judy falava calmamente.
– Exato! Beth é teimosa como eu, mas faz o que quer como Santana. E mãe... Não quero que Russel a machuque por Beth querer ser uma artista como eu. Ele sempre dizia que ser artista não era profissão. E se Beth quiser ser uma dançarina ou atleta? Ele sem dúvidas não a apoiaria. Russel apenas a criticaria e a magoaria. Não quero minha filha perto dele. – Quinn sentia seus olhos encherem de lágrimas ao imaginar seu pai magoando sua filha da mesma forma que lhe magoou. Ela podia suportar a dor hoje em dia, mas jamais deixaria que tamanho sofrimento e preconceito, atingisse suas filhas daquela forma.
– E Beth sabe disso? Ela sabe que o avô está querendo vê-la? – Judy perguntava suavemente e Quinn desviava o olhar para suas mãos, balançando a cabeça negativamente.
– Nem ela e nem Santana.
– O que você está pensando? – Judy perguntava, sabendo que algo passava pela cabeça de sua caçula.
– Mãe, quando ele chegou ao meu escritório, tudo o que senti foi raiva. Raiva por ele estar ali depois de tudo o que me fez. – Quinn começava a falar, enquanto se lembrava de seu passado. – Ele sempre fez da nossa vida um inferno. Era controlador. Autóritario. Nos usávamos como a família perfeita, coisa que nunca fomos. Ele nos machucou muito, mãe. Criticava todas as minhas escolhas. Os meus namoros... O único que ele realmente aceitou foi quando namorei Sam. Até porque, Sam era um de seus melhores funcionários... Nem mesmo se importou com o fato do meu noivo ter me traído. Mesmo com a minha falta de memória, me empurrou para o Sam muitas vezes enquanto morava aqui. – Quinn respirava fundo, sentindo seu rosto esquentando de raiva ao se lembrar do passado com seu pai. – Ele não aceitou meu namoro com Santana. E dúvido que tenha aceitado Beth. Não naquela época. Alejandro que a conheceu por apenas algumas semanas lhe deu muito mais carinho e amor do que Russel que a viu por meses, mãe. – A artista respirava fundo, sentindo uma lágrima escorrer por sua bochecha.
– Eu sei, meu amor. – Judy sussurrava, pousando uma de suas mãos na da filha, deixando que ela desabafasse.
– E quando ele chegou ali, na minha frente... Eu quis empurrá-lo e jogá-lo para fora da minha sala. Ele foi tão seco e autoritário achando que ainda me amedrontava, mas eu não sou mais aquela garotinha, mãe. Ele não tem poder algum sobre mim. – Quinn pausou passando seus dedos em seu rosto, secando suas lágrimas. – E para piorar ainda mais, ele disse que Olivia não era minha filha, mãe. – A artista agora falava com a voz falha, já que o choro estava engasgado em sua garganta. – Ela não era minha filha, porque nasceu da Santana. Disse que ela sequer era neta dele. – Quinn soltava seu primeiro soluço e rapidamente, os braços de sua mão estavam lhe abraçando, na tentativa de lhe confortar. – Olivia é minha filha. Ela é minha, e mesmo nascendo da Santana, ela é meu bebê, assim como Beth é da Tana. – A loira pausava. – Como eu poderia explicar para minha família que meu pai só quer conhecer uma neta, porque a outra ele não aceita? Como você acha que minha pookie ficaria? Mãe, ela já sofreu tanto na escola, não quero que sofra por alguém como Russel. – Quinn fechava seus olhos, escondendo seu rosto sobre o pescoço de sua mãe.
– Shhh... – Judy acariciava o cabelo da filha, tentando acalmá-la. A mesma sabia o quanto Russel machucou ela e suas filhas, e sabia o quanto Quinn tinha sido a mais prejudicar por sua escolha em se casar com Santana, mas Judy também sabia que não tinha se separado por acaso. Ela estava livre daquele monstro manipulador e faria o que fosse preciso para proteger suas filhas, netos, e nora. Judy não deixaria que Russel machucasse a terceira geração de sua família e se colocaria a frente se fosse preciso. – Quinn, você precisa conversar com a Santana. Ela precisa saber o que está acontecendo.
– Ele não para de ligar para o escritório, mãe. Ele não vai parar enquanto não ver Beth, e, eu não sei mais o que fazer. – Quinn soluçava novamente, confusa.
– Quinnie, você precisa conversar com a Santana. Contar a ela tudo o que está acontecendo. Sobre o interesse de Russel. Ela sempre esteve ao seu lado cuidando de você, filha, tenho certeza que não será diferente. Se lembra da forma como ela te protegeu todos aqueles anos de nós? Da forma que Santana te defendeu na frente do seu pai? – Judy sorria consigo mesma. – Ela é a garota que esperou meses e meses para você se recuperar e amá-la novamente, Quinnie. Não tenho dúvidas de que Santana fará o possível para estar do seu lado. Vocês vão achar uma solução para tudo isso. – Judy depositava um beijo contra a cabeça da filha.
– O que mais me preocupa, é que Beth também namora outra garota. – Quinn falava suavemente. – Se ele descobrir que ela está namorando a melhor amiga... Mãe, e-eu não sei quais as barbaridades que ele poderia dizer a ela. E-eu não me seguraria se ele a ofendesse como me ofendeu. Minha filha não merece ouvir nada daquilo. – Judy fazia um bico suave, prestando atenção nas palavras da filha.
– Mmm... Você está pensando em talvez deixar os dois se encontrarem? – Judy perguntava confusa.
– Não, não, mãe. Por mim Beth e Olivia nunca chegariam perto dele. – Quinn falava firme, levantando a cabeça para encontrar os olhos de sua mãe. – Mas... Tenho medo de que ao descobrir que o avô quer vê-la, Beth queira vê-lo também. Não quero impedi-lá de conhecer o avô, mãe, mas tenho tanto medo dele machucá-la.
– Filha, Beth não é mais uma criança, ela sabe tudo o que aconteceu entre você e seu pai. Ela não é boba. Tenho certeza que qualquer decisão que minha neta tomar será muito bem pensado e sem dúvidas com um ótimo proposito. Beth é como você, Quinn, não faz nada sem um próposito. – Judy sorria. – Converse primeiro com Santana, e, decida junto o que farão a partir dali. Tome decisão junto de sua esposa e melhor amiga. E depois disso, acho que devem sim contar para Beth que Russel está interessado em vê-la. Ela tem o direito de saber que o avô está lhe procurando. A decisão precisa ser tomada dela, Quinn. Beth já tem dezesseis anos, e existem coisas nas quais vocês não podem mais protegê-las ou impedir que aconteça. – Judy acariciava a mão da filha que a olhava atenta.
– Até porque se eu pudesse, teria impedido esse acidente assustador que ela teve. – Quinn sussurrava, deitando sua cabeça sobre o colo da mãe. – Por que raios ele resolveu aparecer? E mãe, você precisa ver o quanto ele está destruído. Digo, você e Maribel estão ótimas. São mulheres lindas e saudáveis. Quero ser igual a você quando estiver nessa idade, mas wow... Russel? Ele está com a aparência de cansado, aparenta ser mais velho do que já está. Emagreceu e anda com ajuda de uma bengala de mão. – Quinn falava calmamente.
– Mmm... Será que ainda está com aquela secretária?
– Não sei. Não fiz questão de querer saber da vida dele. – Quinn dava de ombros. – Claro que continua elegante e sempre mantendo a pose, mas está destruído fisicamente. – Fabray pausava, respirando fundo. – Obrigada, mãe. Eu sabia que me sentiria melhor ao conversar com você. Não sei onde eu estava com a cabeça em achar que poderia guardar isso da Santana.
– Imagina, meu amor. Estou aqui para o que você precisar. – Judy sorria, acariciando o cabelo da filha. – Quinn, é óbvio que Santana vai te ajudar. Cabecinha oca essa sua. – Judy batia cuidadosamente na cabeça da filha, brincando com a mesma, a fazendo rir.
– Eu sei, eu sei. – Quinn ria baixo. – Não sei ao certo o que passou na minha cabeça. Ugh! Foi falar com ela essa noite. Talvez amanhã podemos conversar com Beth e decidiremos juntas o que fazer. Só me preocupo com Olivia, não quero que ela sofra, mãe.
– Eu sei, mas juntas vocês vão descobrir um modo de protegê-la. – Judy depositou um beijo contra a cabeça da filha. – Vai ficar tudo bem. – Quinn sabia que tinha tomado a decisão certa ao procurar sua mãe. Ela sabia que Judy teria o conselho certo para lhe dar, afinal, sua mãe foi a única que esteve ao seu lado durante esses últimos anos e ambas construíram um relacionamento amigável entre mãe e filha, no qual Quinn e Frannie podiam confiar em Judy sem medo.
Fabray estava aliviada e apesar de estar com medo de magoar Olivia e Beth, decidiu que tomaria um passo de cada vez. Quinn conversaria com Santana, e em seguida com Beth. A artista sabia que não podia impedi-la de ver o avô, e se essa fosse a decisão de sua filha, Quinn e Santana, como família e pais, achariam uma solução para proteger e cuidar de Olivia como sempre fizeram. Fazendo sempre o possível e o impossível por suas filhas.
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