Beating Heart.

21 Family is all that we got


Notas iniciais
Oieeeeeeeeeeeeee, gente!! Quero me desculpar pela demora, mas estou com uma horrível inflamação alérgica na garganta e incomoda horrores. Estou sem voz e fico tossindo o tempo todo. E sem contar que estou trabalhando e nos últimos dias ando muito cansada, porque pareço estar com gripe. O ânimo para escrever e revisar o capítulo não tive em dia nenhum. Os remédio me dão muito sono por serem anti alérgicos. É bem chato. Ter Bronquite não é legal. Pois bem, após passar meu estado de saúde para vocês, espero que entendam e que sejam pacientes, porque o próximo a ser atualizado será Hurricane e sei que muitos estão mega curiosos para saber do próximo capítulo. :) Aproveitem mais um de BH. xxx

Após colocar Olivia para dormir e esperar que Beth também fizesse o mesmo, Quinn estava com Santana na cozinha. Ambas sentadas em volta da mesa, tomando uma xícara com café quente, e, apenas a luz da cozinha iluminava o cômodo.

A conversa que teve com sua mãe foi ótima para que tirasse de sua cabeça o medo de que alguma coisa fosse acontecer com família. Judy a conveceu em conversar com Santana para que ambas decidissem juntas o que fariam dali em diante. Apesar de estar nervosa, Quinn sabia que sua esposa faria o que fosse preciso para ajudá-la sair dessa situação.

– Amor, o que houve? – Santana perguntava preocupava. – Você está me deixando aflita, Q. – A latina falava suavemente, e Quinn tirava os olhos de sua xícara, encontrando o olhar confuso e preocupado de sua esposa.

– Amor... – Quinn começava a falar suave, mordendo o canto de seus lábios. – E-eu... Mmm... – A loira não entendia o porque estava tão nervosa. Ela sempre teve a liberdade para conversar com Santana, e não sabia do porque estava se sentindo tão assustada.

– Quinn... – Santana falava calmamente, pousando sua mão contra o pulso da loira. – Bê, está tudo bem. – A latina sorria carinhosa, deixando seus dedos acariciarem a pele macia de sua esposa.

– Russel veio me visitar. – Quinn falou rapidamente, fazendo Santana paralisar. Confusa, sem saber se tinha realmente entendido certo.

– Desculpa, amor. – Santana fechava seus olhos por alguns segundos. – Russel? Seu pai Russel veio te visitar? – A latina abria os olhos, franzindo o cenho, olhando em choque para sua esposa.

– Mhm. – Quinn murmurava, assentindo. – Ele... Mmm, na última vez em que você levou as meninas para me visitar na galeria, Russel tinha acabado de sair de lá. – A loira falava sussurrando, desviando seu olhar de Santana, que estava com uma cara na qual Quinn conhecia muito bem. A latina estava com raiva.

Assim que ouviu que Russel tinha procurado Quinn, Santana podia sentir seu sangue subindo. Sua mão apertou na xícara em que segurava, e seu coração disparava de raiva. Ela nunca imaginou que o pai de sua esposa aparecia novamente. Santana sempre achou que o mesmo sequer estava em Nova York ou que estava vivo já que fazia anos que não ouvia falar de seu sogro.

– Como? – Santana falava entredentes. – Como ele? O que ele queria? – A latina perguntava irritada. Ela mataria Russel Fabray se ele tiver feito algum mal para sua esposa.

– San, se acalme. – Quinn falava suavemente, pousando sua mão sobre de sua esposa. – Por favor, e-eu já estou muito nervosa e preciso de você, está bem? – Santana olhava os olhos avelã de sua esposa, e ao ver o quão nervosa e assustada a mesma estava, a latina respirou fundo, tentando se acalmar e apenas assentiu. – E-ele apareceu de surpresa, claro. Nunca imaginei que ele teria a cara de pau de me procurar novamente depois de tudo o que aconteceu. – Quinn falava calmamente, ainda segurando na mão de Santana. – Imaginei que talvez ele já estivesse bem longe de Nova York. – A latina assentia. – Fiquei com tanto ódio quando o vi entrando na minha sala. Minha vontade era de gritar, mandá-lo embora. Chamar a polícia se fosse necessário, mas por alguma razão, deixei que ele ficasse.

– Depois de tantos anos... – Santana falava mais calma. – Depois de tudo o que ele te fez passar. Tudo o que ele nós fez passar... Como ele pôde aparecer no seu escritório dessa forma? Não me diga que ele foi até lá pedir desculpas e querer participar da sua vida novamente? – Santana arqueava uma de suas sobrancelhas. – Porque sinceramente, Quinn, não quero que ele te machuque novamente.

– Não. Não, amor. – Quinn balançava a cabeça, negativamente. – Ele não quer participar da minha vida. Sequer se desculpou pelo o que fez.

– Então o que ele queria, Quinn?

– Ver a Beth.

– Oh, não! – Santana aumentava o tom de sua voz, irritada. Ela não deixaria aquele nojo de homem se aproximar de sua filha. – Não, ele não vai se aproximar da nossa filha, Quinn.

– Santana, por favor, se acalma. – Quinn pousava sua mão na perna da latina, acariciando com a ponta de seus dedos. – Amor, por favor, eu também não o quero perto da nossa filha, está bem? – A loira falava suavemente, tentando manter sua voz baixa para não acordar Beth. – Quando ele chegou ao meu escritório, confesso que pensei sim que queria se desculpar. Talvez ele estivesse morrendo e queria uma segunda chance. O modo como ele está, parece doente. De bengala, cabelos grisalhos... Talvez o fato de ser tão mal para as pessoas o deixou doente, ou acabado. – Quinn comentava. – Imaginei que ele estava com uma doença terminal, mas no momento em que ele abriu a boca, percebi que pelo seu tom de voz não era nada disso. – A loira olhava nos olhos de Santana que a olhava atenta. – Ele se sentou na cadeira a minha frente, e, perguntou sobre a Beth. Das coisas que ela gostava de fazer. Se é esperta como eu... – Quinn revirava os olhos. – Se continuava apegada a você. Enfim, perguntou várias coisas, e estava tudo indo bem, até o momento em que ele falou de Olivia.

– O que ele disse? – Santana perguntava, irritada, lutando para se controlar.

– O que você imagina? – Quinn a perguntava, fechando seus olhos. Ela odiava se lembrar do quão nojento foi seu pai. – Disse que... Amor, ele disse que Olivia não era minha filha. – Fabray sentia seu peito apertando, e ao abrir os olhos, os mesmos estavam enchendo de lágrimas. – Russel disse que Olivia não se parecia nada comigo, e que, ela não era uma Fabray. – A loira passava a mão por sua bochecha, onde uma lágrima escorreu suavemente.

– Aquele filho da p. – Santana batia forte contra a mesa, fazendo Quinn interrompe-la, segurando sua mão.

– Eu sei. E-eu também fiquei dessa forma. – Quinn ainda mantinha seu tom calmo. – E o pior de tudo, foi que... Ele disse que Olivia não era neta dele, apenas Beth. – A loira respirava fundo. – É incrível que mesmo depois de anos, ele ainda consegue me machucar, San. – Quinn começava a chorar em silêncio, e logo os braços de Santana estavam em volta de seu corpo, lhe abraçando forte.

– Shh, amor... Nós sabemos o quanto as palavras dele nunca valeram de nada. Sabemos o quanto ele é um filho da puta que sequer se preocupa realmente com você. Tudo o que ele quer é manter a aparência da família. Olivia é sua filha, Quinn. O fato de ela ter nascido de mim não muda em nada. Beth e Olivia têm duas mães. Que sem dúvida alguma as criam muito melhores do que Russel sozinho tentou lhe criar. – A latina depositava um beijo contra a cabeça de sua esposa.

– Eu só queria que ele desaparecesse da minha vida, San. Da nossa vida e nos deixasse em paz. – Quinn falava suavemente, com seu rosto escondido contra o pescoço da latina. – Não entendi o porque ele está tão obsecado em conhecer a Beth, mas desde aquele dia, Russel não parou de ligar na galeria, amor. – Agora a loira se afastava, encontrando o olhar de Santana. – E-eu achei que ele desistiria no momento em que eu disse não, mas todo dia ele me procura insistindo em deixá-lo conhecer Beth. E-eu não sei o que fazer. Ela já tem idade para tomar as próprias decisões, mas se ela quiser vê-lo, como vamos explicar para Olivia que Russel apenas quer conhecer uma neta? E não quero que ele machuque a Elizabeth. – Quinn respirava fundo. – Ele sempre me criticou sobre o meu sonho por artes. Sempre criticou o modo como eu me vestia, ou como agia. San, e... E se... – A loira tinha o seu choro engasgado. – Amor, se ele descobrir que Beth também namora uma garota. Tenho medo do que ele possa fazer. Não quero que Russel a machuque, como me machucou.

– Amor, você deveria ter me contado isso antes. – Santana falava carinhosa, passando seus dedos nas bochechas de Quinn. – Nós teríamos resolvido isso juntas e o feito parar de vir atrás de você. E não. Não vou deixar que Beth o encontre. Você tem razão, ele pode machuá-la e não quero que isso aconteça. – A latina falava irritada, mas Quinn sabia que isso não era uma decisão só entre elas.

– San, por mais que queiramos protegê-la, e por mais que eu esteja com medo, não acho que seja justo simplesmente tomarmos uma decisão sem conversarmos com a Beth. – Quinn falava calmamente. – Ela já tem idade para tomar as próprias decisões, e, mesmo sendo do contra, talvez seja melhor contarmos que o avô está interessado em conhecê-la. Até porque, não quero que ela nos culpe por termos impedido-a de ver Russel. Querendo ou não, é o único avô que ela tem, precisamos saber o que ela pensa sobre isso.

– Quinn... – Santana franzia o cenho, sem acreditar no que estava ouvindo, mas antes que pudesse protestar, como um click, as palavras de Quinn passaram como replay em sua cabeça, e Santana percebia o quanto sua esposa tinha razão. Elas precisavam contar a Beth e deixar que a mesma tomasse sua própria decisão. Tudo o que elas podiam fazer era apoiá-la e estar ao seu lado.

– E o que me conforta, é que Beth sabe o que Russel fez comigo. Com nós. – Quinn falava suavemente. – Nós precisamos confiar nela, amor. Beth é inteligente, e seja qual decisão tomar, será muito bem pensada.

– Eu quero revê-lo. – Antes que Santana pudesse dizer algo, a voz suave de Beth fazia suas mães pularem de susto ao vê-la em sua cadeira na porta da cozinha.

– Bee... – Santana falava preocupada, e Beth se aproximava de suas mães, colocando sua cadeira entre elas.

– Você tem razão, mãe. – Beth falava com Quinn. – Tenho idade para tomar minhas próprias decisões, mas muitas vezes não sei tomá-las sem o conselho de vocês. – A garota segurava na mão de Santana. – Sei o quanto seu pai foi horrível para você, a vovó, tia Frannie e até pra mami e pra mim. Eu era pequena, mas certas coisas a gente não esquece. Ele foi um péssimo avô, e o abuelo foi o melhor avô do mundo e pra mim foi e sempre vai ser o único na minha vida. – Beth olhava sorrindo para Santana, que sentia seu peito explodir ao ver sua filha mencionar seu pai com tanto carinho. – Eu não tenho outro avô. Não quero um avô que não aceita minha família por quem ela é. Por quem somos. Ele é um idiota, mas não vou mentir, não sinto raiva do Russel, mãe. – Quinn a olhava suavemente. – Sei que ele foi um nojento, mas não sinto raiva, sinto indiferença. Ele nunca foi meu avô. Pra mim é apenas um senhor qualquer. – A garota dava de ombros e isso aliviada suas mães.

– E por que então quer conhecê-lo, mijá? Ou devo dizer revê-lo.

– Para mostrar o que ele perdeu. – Beth sorria maliciosa, fazendo Santana rir, ao ver sua filha tão parecida consigo.

– Filha, você tem certeza? – Quinn perguntava preocupada.

– Tenho. Pode dizer a ele que iremos almoçar juntos. – Beth falava suavemente, e pelo seu olhar, Quinn e Santana sabiam que a garota planejava algo.

– Beth... – Quinn falava apreensiva.

– Mãe, confia em mim. Vai dar tudo certo. – Beth depositava um beijo na bochecha de sua mãe, e em seguida na de sua mami. – Bom, eu só vim buscar minha garrafa de água e já vou dormir. Desculpa ter ouvido a conversa, mas quando ouvi meu nome não resisti. – Beth sorria, fazendo Quinn rir. – E ah, vamos eu e você, mãe. Olivia não precisa ficar sabendo, tenho certeza que mama pode dar um jeito em distraí-la.

– Claro, mijá. Posso levá-la para passear. Podemos ter um dia de garotas. – Santana respondia.

– Ótimo. Da próxima vez que ele ligar, pode dizer que vamos. – Beth se aproximava da geladeira, tirando sua garrifinha de água e indo para seu quarto.

– Mmm... Eu ia dizer para não nos preocuparmos, mas algo me diz que Beth tem algo em mente. – Santana falava sorrindo, já não mais irritada com a situação.

– E deveríamos estar orgulhosas, preocupadas ou tranquilas? – Quinn entortava suavemente sua boca, fazendo Santana rir, depositando um selinho em seus lábios.

– Talvez os três? Temos que confiar nela, Q. Se é o que Beth quer, vamos estar por perto e vamos apoiá-la. – Santana sorria, e Quinn revirava os olhos, assentindo. Ela não tinha outra solução a não ser confiar em sua filha.

Xxxx

– Seu avô quer te ver de novo? – Louise e Thomas perguntavam confusos. – Não foi ele que chutou sua mãe de casa só porque ela estava namorando outra garota?

– Exato! – Beth assentia, enquanto andavam pelos corredores do colégio.

– E por que diabo você vai encontrar com ele, Beth? – Thomas perguntava confuso.

– Porque quero mostrar tudo o que ele perdeu ao expulsar minha mãe de casa. – Os três entravam na cafeteiria, indo se sentar à mesa de sempre para comerem seus devidos lanches.

– Mmmm... Justo. – Louise respondia. – Mostrar o quanto ele perdeu ao fazer tudo aquilo. Ele poderia estar aproveitando os netos junto com a sua avó.

– Mas ‘tá na cara que o cara é homofóbico. – Thomas comentava. – E se ele descobrir que você está namorando a Charlotte? Não acha que ele poderia te fazer algum mal?

– Minha mãe vai estar comigo, Thomas. E sem me defender. Aprendo muito com Santana Lopez. – Beth brincava, fazendo Louise rir.

– Oh, e sem dúvidas você tem muito da Santana. – Thomas brincava.

– Quando se é uma Lopez você aprende várias coisas.

– Adoro suas mães. – Louise ria, e antes que Beth pudesse comentar algo, um beijo demorado em sua bochecha a fez sorrir automaticamente.

– Hey baby girl. – Charlotte sussurrava no ouvido de Beth, se colocando ao lado da mesma e depositando um selinho demorado em seus lábios.

– Hey... – Beth sorria apaixonada, olhando para sua namorada se sentando ao seu lado.

– Olá, bitches! – Charlie agora falava com Thomas e Louise que a cumprimentava de volta.

– Onde você estava? – Thomas perguntava. – Te procurei a manhã inteira, velho.

– É verdade. – Beth falava suavemente. – Senti sua falta essa manhã. – A garota sorria e Charlie se virava, depositando outro selinho em seus lábios.

– Argh, álgebra. – Charlie revirava os olhos. – Tive aula de álgebra e depois de química, e precisei me matar na biblioteca, porque mal consegui entender minha aula de álgebra.

– Você podia ter me mandando uma mensagem. – Thomas comentava. – Sabe que sou ótimo em álgebra e podia ter te ajudado.

– Nah... Tudo bem, Liah estava por lá e acabou me ajudando. – Charlie sorria, e ao ouvir o nome de Liah, Beth sentia seu estômago revirar. Por mais que se esforçasse em aceitar a garota, era difícil gostar dela e não ver interesse na mesma por Charlie. Beth sabia que algo não estava normal. Seu “terceiro olho mexicano” herdado de Santana, lhe dizia que Liah não era tão inocente como demonstrava ser.

– E cadê ela? – Louise perguntava.

– Não sei, — Charlie dava de ombros, mordendo um pedaço do seu lanche natural. – Ela continuou na biblioteca depois que sai. – Beth revirava os olhos, e Thomas percebia o quanto sua amiga se incomodava com Liah.

– Hey yo! – Liah se aproximava, e ao ver a mesma se sentando ao lado de Charlie, a vontade de Beth era simplesmente desaparecer e sair de perto das duas. Era incrível como Liah conseguia estragar os momentos de Beth. A garota sempre se sentia incomodada ao ver a irmã de Lucas, e apesar de tentar controlar seus ciúmes, Beth sempre se sentia irritada e aquilo a fazia querer tirar Charlie de perto de Liah a todo custo.

– Ah, falando no diabo. – Louise brincava, fazendo apenas Charlie e Liah rirem, já que Thomas prestava atenção em sua amiga e no quanto seu humor mudava da água para o vinho.

– Argh! Fiquei presa em um exercício de espanhol. – Liah revirava os olhos, colocando sua bandeja de lanche na mesa. – Odeio essa matéria. Nunca consigo entender.

– Acredite, todos nós temos problemas com espanhol. – Charlie brincava.

– Todos, menos Beth. – Thomas tentava aliviar o estresse da amiga, preocupado. – Sendo filha de uma latina legítima que fala espanhol o tempo todo, Beth nunca teve problemas nessa matéria. – O garoto sorria sincero para sua amiga, que sorria de volta.

– Oh céus, será que sua mãe não me daria umas aulas, Beth? – Liah falava brincando, mas logo Beth a respondia.

– Não, minha mãe não é professora de espanhol, é apenas latina e fala a língua fluente. – Beth respondia seca e um pouco grossa, fazendo Louise, Thomas e Charlie se olharem. Os três a conheciam muito bem e sabiam que Beth já não estava mais tão alegre como há minutos atrás.

– Mmm... – Liah sorria, sem graça. – É, isso é verdade. Sua mãe é praticamente dona de uma rádio. – A garota tentava aliviar o clima tenso que pairava entre eles, mas Beth apenas assentiu sem tirar os olhos de seu lanche.

Charlotte não era estúpida. Ela sabia que alguma coisa estava acontecendo com Beth, e pela forma como a mesma agia, a morena tinha certeza que aquilo era ciúme. Charlie não entendia o motivo de tanto ciúmes de sua namorada, mas muitas vezes, antes de questioná-la ou atacá-la, Charlie sempre se lembrava das palavras de sua mãe, e por alguns segundos, tentava enxergar Liah com outros olhos. Talvez com os de Beth? Mas era difícil ver aquilo que Beth via. Charlotte apenas achava que Liah era como Louise, uma amiga e não via maldade na garota.

– O pai da Lou vai me levar para pescar esse fim de semana. – Thomas comentava.

– Acho muito lindo o relacionamento de vocês – Liah sorria. – E é muito raro um genro se relacionar tão bem com o sogro. Ainda mais que Louise é filha única. Pai nessa situação sempre é protetor e faz o que pode para pegar no pé. – Enquanto o assunto rolava entre eles, Beth continuava em silêncio terminando seu lanche. Apenas respondia quando falavam com ela e suas respostas eram sempre breves.

– Pois é, meu pai ama o Thomas. – Louise comentava. – Minha mãe também, mas tenho muita sorte do meu pai tratá-lo tão bem. – Louise sorria para o seu namorado, depositando um beijo em sua bochecha.

– Bee? – Charlie sussurrava para Beth ao seu lado, que mal a olhava. – O que vai fazer depois da aula? – A morena sorria suavemente, na tentativa de melhorar o clima entre ambas.

– Terapia. – Beth respondia. — Você sabe que hoje é dia de terapia, Charlotte.

– Eu sei, Beth, mas imaginei que talvez daria tempo de saírmos juntas? – Charlie falava suavemente, tentando não se irritar com o tom de voz da namorada. – Quero conversar com você. – A morena não aguentava mais o modo como Beth agia todas as vezes que Liah aparecia. Ambas nunca tiveram uma conversa direta sobre isso, e Charlie precisava mostrar para sua namorada o quanto a amava, e, que nada acontecia entre ela e Liah.

– Conversar? – Beth virava para Charlie, sentindo seu peito acelerar. Essa frase nunca era uma boa coisa. – Sobre o que? – A loira agora perguntava suavemente.

– Nós? – Charlie respondia e Beth podia jurar que seu coração parou de bater. Sua respiração ficou presa em seu peito e suas mãos começavam a suar. De repente o medo de perder Charlotte gritava por todo seu corpo.

– Mmmm... – Beth não queria saber o assunto ali e a ansiedade e nervosismo não a deixaram pensar duas vezes. – Pode ser agora se você quiser. Podemos ir até o campo de futebol? Nosso lugar? – A loira perguntava apreensiva.

– Mas você não tem aula agora?

– Espanhol. – Beth sorria. – E bom, você sabe, não preciso me esforçar para ter boas notas nessa matéria. E então? Pode ser?

– Tudo bem. – Charlie assentia. – Vamos terminar de comer e aí vamos até lá, está bem? – A morena sorriu, depositando um beijo na bochecha de sua namorada, que apenas assentiu.

Enquanto conversaram entre elas, mal notaram que Liah as observavam pelo canto de seus olhos na tentativa de ouvir a conversa, enquanto ria e conversava com Lou e Thomas.

Xxxx

Charlotte ajudava Beth a se acomodar no campo de futebol, próximo à arquibancada, enquanto sentava em um dos bancos sem sair de perto da namorada.

– E então... – Beth falava nervosa, esfregando uma mão sobre a outra. – O-o que você quer conversar? – A loira ainda sentia seu coração acelerado, e enquanto Charlotte não começasse a falar, Beth não se acalmaria.

– Eu te amo. – Charlotte falava carinhosa, olhando para o rosto delicado de sua namorada. – Eu te amo muito, Beth, e nunca imaginei que chegaríamos onde estamos hoje. – A morena sorria suavemente, e mesmo com as palavras dócil de sua namorada, Beth ainda temia pelo o pior. – E-eu me apaixono por você cada dia mais, e, às vezes não entendo do porque você sente tantos ciúmes da minha amizade com a Liah, gatinha. Nós somos apenas amigas e. –

– Claro. – Beth a interrompia e todo o seu medo se transformava naquele sentimento ruim e desconfortável. – Ou você é muito cega ou então é muito idiota. – A garota disparava a falar sem pensar. – Qualquer um com olhos podem ver o quanto aquela garota está a fim de você, Charlotte. Argh! Então foi por isso que você me trouxe aqui? Para arrumar desculpa pra sua amiga. – Beth revirava os olhos, e Charlotte estava com as sobrencelhas franzidas, olhando para sua namorada.

– Não, Elizabeth, e-eu não estou tentando arrumar desculpas. Só acho que Liah está passando por. –

– Ah, claro. Novamente a desculpa de que ela está passando por uma situação difícil pela perda do irmão. – Beth revirava os olhos. – Você não vê que ela está aproveitando da sua bondade? Da sua atenção? Isso me irrita, Charlotte. Me irrita e me deixa desconfortável quando ela está perto de você. – Beth sentia seu coração disparar se sentindo sufocada. – Eu não ligo de você ter amizades. Você pode ser amiga de quem quiser, mas aquela garota? – Beth apontava para o outro lado do campo. – Ela se aproveita de você. Ela gosta de você, Charlotte. Nunca se perguntou do porque ela faz tanta questão de te ter por perto?

– Bee... – Charlotte sabia o quanto Beth era ciumenta, mas nunca tinha visto a mesma daquela forma. Charlie podia ver o quanto ela estava magoada e irritada com toda essa situação. Talvez sua mãe tenha razão, Beth não ficaria com ciúmes se algo realmente não estivesse acontecendo.

– Não, Charlie. E-eu amo você, está bem? Eu sou apaixonada por você, e, imaginar outra garota em cima de você machuca. – O tom de voz de Beth agora era suave, e seus olhos enchiam de lágrimas. – Eu te amo, Charlie. Você faz ideia do que é ter medo de te perder por outra garota? Por talvez você achá-la mais interessante do que eu? E-eu não quero te perder por ela, ou por ninguém porque eu te amo e não vejo meu futuro com outra pessoa que não seja você. – Beth respirava fundo e logo que a lágrima escorreu por sua bochecha, a mesma a limpou, olhando para o seu colo. – Você é o meu futuro, Charlie, e não quero ficar sem você.

Charlotte podia sentir seu peito doendo, seu coração saltava a ponto de querer sair por sua garganta. Ver Beth daquela forma era horrível. Saber que sua namorada estava se machucando por sua causa era horrível. Mesmo sabendo o quão ciumenta era, Charlotte nunca a viu tão frágil e magoada como estava naquele momento. É claro que Charlie nunca quis machucá-la e mesmo não vendo mal algum em sua amizade com Liah, faria o que fosse preciso para não continuar machucando Beth.

– E-eu não sou idiota ou estúpida, mas nunca vi Liah desta forma. – Charlotte respondia suavemente e Beth podia jurar que explodiria de nervoso, já que seu peito se apertava com as palavras da namorada. – Mas, talvez você tenha razão. Me desculpe, bee. Eu te amo muito, muito, e, jamais quero te machucar ou te magoar. Quando eu fizer isso, não tenho dúvidas de que será sem intenção alguma. – Charlie pousava sua mão sobre a de Beth, fazendo-a olhá-la. – Você é uma idiota, ok? Porque meu coração é só seu Elizabeth Lopez. Meu coração tem seu nome tatuado por todo canto. Não tem espaço sequer para tatuar outro. – Charlie sorria e Beth não conseguia mais conter as lágrimas que escorriam por sua bochecha.

– Brega. – Beth sussurrava, fazendo Charlotte rir.

– Eu sou brega por você, idiota... – Charlie brincava e Beth começava a rir suavemente, passando uma de suas mãos em sua bochecha. – Me desculpe por ter deixado as coisas chegarem a esse ponto, está bem?

– E-eu não estou dizendo para você parar de falar com ela... Só... E-eu só queria que ela se tocasse e percebesse que você não está disponível para ela o tempo todo. Que você tem namorada e que precisa parar de agir como se ela fosse sua namorada.

– Vou conversar com ela, está bem? – Charlie falava, carinhosa. — Talvez seja apenas uma reação de carência que ela esteja passando. Uma fase, até porque eu fui à única que se aproximou dela, mas talvez as coisas mudem.

– Não acho que seja carência. Acho que ela se aproveita. Nós sequer a conhecemos 100% Charlie. Ela é irmã do Lucas e você não sabia disso. – Beth falava mais calma. – Toma cuidado, está bem? Lucas era um psicopata e se os dois tem o mesmo sangue... Ela deve ser também.

Sem dizer nada, Charlotte sorriu, aproximando seus lábios aos de Beth suavemente, depositando um selinho demorado que logo se tornou em algo a mais. A morena se levantou de seu banco, se sentando no colo de Beth, passando um de seus braços em volta do pescoço da mesma e sua outra mão pousava sobre a bochecha rosada e macia de sua namorada. Seus lábios iniciavam um beijo carinhoso, apaixonado e calmo. As mãos de Beth estavam abraçando sua cintura, a segurando contra seu corpo, enquanto sua língua passava para dentro da boca da loira, começando a massagear uma sobre a outra suavemente.

A mão de Beth subia e descia suavemente nas costas de sua namorada, e por alguns minutos se esqueciam do porque estavam ali. Charlie tinha o dom de sempre lhe acalmar e mesmo enlouquecida de ciúmes e com medo de perder a namorada, Beth não podia negar que as palavras da morena faziam efeito. Seu peito já estava mais relaxado e com o beijo no qual partilhavam, lhe trazia segurança, conforto, e claro, Beth se apaixonava ainda mais. Ela era louca por sua namorada, e não deixaria que Liah ou qualquer outra pessoa estragasse o que tinham.

– Mmm... – Charlie soltava um gemido baixo contra os lábios de Beth. – Beth... Você não pode me beijar dessa forma. – Charlie sussurrava, e agora os lábios de Beth deslizavam para seu pescoço.

– E por que não? – Beth falava entre beijos, dando chupadas suaves contra a pele da namorada.

– Porque... E-estamos em um lugar, o-onde podem nos achar. – Charlie falava ofegante, fechando seus olhos, enquanto mordia o canto de seus lábios. – Beth...

– Eu te amo, Charlie. – Beth sussurrava. – E seria ótimo se eu te deixasse uma marca. Assim iam ver que você é só minha. – A garota, começava a chupar com força um ponto no pescoço de Charlie, dando uma mordida e em seguida um beijo por cima da marca que tinha ficado.

– Não vejo a hora de você voltar a andar. – Charlie levava seus lábios novamente para os de Beth. – Assim podemos ter o nosso tão sonhado encontro do dia dos namorados.

– Argh! É frustrante estar presa nessa cadeira de rodas. – Beth sussurrava. – Mas logo vou andar, boo. Vamos aproveitar todos os nossos encontros perdidos desse período. – Beth sorria, mordendo o lábio inferior de Charlie. – Olha, me desculpe por sempre agir diferente quando Liah está por perto e acabar sendo uma idiota e te tratar mal. Eu fico com medo de te perder e não sei como reagir. – Beth encostava sua testa contra a de Charlotte. – Da impressão que a qualquer momento você vai me trocar por ela e eu fico com medo. Acabo me fechando e te tratando dessa forma. Então, me desculpe. – Beth depositava um selinho suave contra os lábios de Charlie, lhe abraçando com força contra seu colo.

– Bom, você é uma idiota. – Charlie brincava, rindo. – Mas eu te amo, e sei o quanto você guarda as coisas dentro de você, gatinha, mas, por favor, isso só te machuca ainda mais. Eu prefiro mil vezes que você grite comigo, me jogue coisas, me bata, do que guardar as coisas para você. Isso só nos atrapalha e me deixa bastante magoada também.

– Eu sei. – Beth depositava outro selinho em Charlie. – Desculpa, desculpa. Prometo que vou tentar colocar tudo para fora. Talvez eu te jogue coisas. – Beth brincava, fazendo Charlie rir. – Gostei dessa ideia. – Seus lábios estavam novamente aos de sua namorada, a beijando intensamente.

Mesmo se sentindo mais aliviada com as palavras de Charlie, Beth não deixaria de observar Liah e se fosse preciso, ela mesma falaria com a garota. Oh dramas adolescentes.

Xxxx

Algumas horas se passaram e Beth voltava com Charlie de sua sessão de terapia naquela tarde. As duas já estavam bem e Beth tinha contado a sua namorada sobre o encontro que teria com seu avô. Apesar de Charlie não concordar, sabia que Beth precisava daquilo.

– Olivia, não vou falar duas vezes. – A voz de Quinn ecoava da cozinha, assim que as duas adolescentes entravam na casa das Lopezes. – Come de uma vez, ou então você não vai comigo amanhã comprar seu vestido. – A artista falava autoritária, e Olivia estava sentada na cadeira, de braços cruzados e cenho franzindo.

– Mas eu não quero, mamãe. – Olivia falava novamente. – Não estou com fome. – A pequena fazia cara de choro e Quinn respirava fundo, tentando não se irritar. O dia na galeria foi cansativo com a chegada da nova mercadoria, e com as inúmeras ligações de Russel para uma respsta. Fabray já tinha marcado um dia para que seu pai encontrasse sua filha e a ideia ainda era medonha. Quinn não se sentia confortável sobre o encontro dos dois.

– Mãe, ela não está com fome, depois quando eu for comer, ela come comigo. – Beth entrava na cozinha, na tentativa de ajudar sua irmã, que parecia aborrecida.

– Está bem. Vou deixar sua comida no forno. – Quinn tirava o prato da mesa, colocando o mesmo no forno. – Suba para tomar seu banho, Olivia. Daqui a pouco Santana chega e vocês vão poder fazer os deveres juntas.

– Sim, mamãe. – Olivia respondia suavemente, passando por sua irmã e depositando um beijo na bochecha da mesma e na de Charlie.

– Por que você está tão nervosa, mãe? – Beth se aproximava da mesa e Charlie se sentava na cadeira de Olivia.

– O dia na galeria hoje foi cansativo. – Quinn falava suavemente, tentando se acalmar, enquanto guardava o suco na geladeira. – E... E Russel ligou milhares de vezes esperando que eu atendesse.

– Mãe, talvez você esteja precisando de mais gente para te ajudar na galeria. – Beth falava calmamente. – Mmm... E-eu poderia te ajudar? Não me importo em ir até lá todo dia depois do colégio. – A garota sorria. – E você atendeu?

– Obrigada, filha, mas no momento é melhor você apenas estudar e se dedicar a terapia e fisioterapia. – Quinn sorria suavemente. – Bom, atendi, e marquei para vocês se encontrem.

– Talvez quando eu voltar a andar então. – Beth comia um pedaço de maçã. – E qual dia você marcou?

– Amanhã? – Quinn entortava sua boca e Beth arregalava os olhos. – Na verdade, foi ele quem marcou e pediu que fossemos encontrá-lo amanhã depois da sua aula.

– Wow... Mas mãe, amanhã tenho fisioterapia. – Beth falava apreensiva.

– Eu sei, little one, mas podemos marcar para mais tarde. Tenho certeza que Erin não vai se importar. – Beth ficava em silêncio, olhando paralisada para as frutas em cima da mesa. Charlie e Quinn percebiam o quanto o humor da garota tinha mudado e enquanto sua namorada pousava a mão sobre seu braço, Quinn se aproximava. – Beth, se você não quiser, nós podemos desmarcar. – A garota, desviou seu olhar para sua mãe e em seguida para sua namorada.

– Não, mamãe. Está tudo bem. E-eu só não esperava que fosse ser tão em cima. – Beth respirava fundo. – Está tudo bem. Pode ser amanhã. Não tem problema. – A garota sorria suavemente, entrelaçando seus dedos aos de Charlie.

– Vai ficar tudo bem. – Charlie sussurrava, depositando um beijo na cabeça de Beth. – Você sabe que não vou te deixar sozinha com aquele idiota. – A morena comentava, fazendo Quinn olhá-la confusa.

– Perdão? – Quinn olhava de Charlie para Beth.

– É só o modo de dizer, mãe. – Beth respondia rapidamente. – Charlie vai estar por perto, pelo celular. – Beth sorria suavemente, apertando seus dedos aos de sua namorada.

– Oh, — Quinn murmurava. – Está bem. Quando você sair do colégio, vá direto até a galeria e vamos juntas.

– Está bem. – Beth sorria.

– Mamãe Q. Mamãe Q! – Olivia gritava do quarto, desesperada, fazendo Quinn sair correndo para o quarto da filha e Charlotte atrás a pedido de Beth.

– Olivia? – Quinn entrava no quarto lilás da pequena, encontrando-a apenas de calcinha caída no chão, chorando. – Filha, o que houve? – Fabray se aproximou da garotinha e Charlotte a ajudava se levantar.

– Mamãe Q. – Olivia se levantava e Quinn podia ver o hematoma roxo na canela da filha.

– Você caiu, Liv? – Charlie perguntava e Quinn se colocava ao lado da filha, a pegando no colo.

– E-eu... Me assustei c-com aquela largatixa ali. – Liv apontava em direção a sua parede e próximo a suas bonecas, uma pequena largatixa estava parada. – E quando fui me virar, cai no chão e bati a perna no baú. – A pequena apontava para o baú de brinquedos na beira de sua cama.

– Está tudo bem, meu amor. – Quinn falava calmamente, com Olivia em seu colo, depositando um beijo contra sua bochecha. – A mamãe vai passar um creme nesse hematoma.

– Liv, é só uma largatixa. – Charlie sorria, se aproximando do bicho e a pegando pelo rabo. – Olha, ela não faz mal nenhum.

– Ewww, Charlotte. – Quinn fazia careta.

– Não, eu tenho medo. – Olivia se encolhia nos braços de Quinn, fazendo Charlie rir ao ver a reação de mãe e filha.

– Fala sério, vocês são duas medrosas. Tia San teria pegado a largatixa na mão. – Charlie brincava, fazendo Quinn rir.

– Coloque esse negócio para fora, Charlotte Ray.

– Oops, ela falou meu nome completo. Sinal de que realmente preciso levar essa adorava largatixa para fora. – Charlie sorria, saindo do quarto com a largatixa na mão.

– Ela é gosmenta, mamãe. – Olivia comentava sobre a largatixa.

– Ela é gelada... – Quinn sorria, passando a mão nos cabelos da filha. – Está tudo bem, pookie. Coloque sua camisa do pijama, que vou buscar o creme.

– Está bem, mamãe. – Olivia assentia e Quinn passava a mão no pequeno rosto da filha, antes de ir ao seu quarto.

– O que aconteceu? – Beth perguntava, assim que sua namorada descia as escadas.

– Sua irmã se assustado por causa disso aqui... – Charlie mostrava a largatixa para Beth, segurando-a em seus dedos.

– Ew, Charlotte. – Beth fazia careta, agindo exatamente como Quinn. – Joga isso no jardim.

– Oh, céus, quem vê, pensa que estou carregando um jacaré. É só uma indefesa largatixa. – Charlotte aproximava sua mão de Beth, que por impulso, empurrou a mão de Charlie que quase deixou a largatixa cair. – Beth! Puta que pariu! – Charlie falava assustada, fazendo Beth rir. – Se eu derrubasse essa largatixa, ia ser uma luta para pegá-la de novo.

– Oops. – Beth comentava, sem parar de rir da cara da namorada. – Sério, amor, joga esse negócio lá no jardim. Ew. – Sem dizer nada, Charlie andou até a porta dos fundos, abrindo-a e colocando a largatixa próximo as pequenas flores no canto do quintal, onde Quinn tinha um delicado jardim.

– Pronto, ela está a salvo dessas terroristas das Fabrays. Porque sério, se vocês fossem mesmo Lopez não teria medo. – Charlotte voltava, brincando com Beth.

– Há há. Nós somos Lopez, mas não somos tão corajosas como minha mama. – Beth revirava os olhos e antes que pudesse dizer algo, Charlotte estava em seu colo, passando os braços em volta do pescoço da loira, enquanto sentia os braços delicados de Beth em volta de sua cintura.

– Eu adoro seus olhos. – Charlie sussurrava, olhando fixamente nos olhos de Beth, que assim como os de Quinn, eram castanhos-esverdeados, com um tom de avelã. – São tão lindos. – Charlie falava carinhosa e Beth colocava uma mecha do cabelo escuro da mesma para trá da orelha.

– E eu adoro seus lábios... – Beth se aproximava, roçando seus lábios suavemente aos de Charlie. – São carnudos e deliciosos. – A loira brincava, sentindo Charlotte sorrir contra seus lábios, inciando um beijo apaixonado.

A mão de Beth passava para a nuca de Charlie, segurando as mechas escuras entre seus dedos, enquanto a morena passava a língua para de encontro a sua, massageando carinhosamente, inclinando a cabeça para o lado oposto de Beth, deixando que suas bocas se encaixassem.

O beijo ficava intenso e Beth podia sentir o calor que subiu entre suas pernas e com Charlie não era diferente. A mesma cruzava suas pernas, apertando uma sobre a outra e Beth não podia negar que o que sentia eram desejos por sua namorada. Ambas nunca chegaram a se tocar, e depois do acidente, Beth evitava qualquer tipo de contado, até porque, ela temia que não sentisse nada se caso Charlie fosse mais a baixo. A garota aumentava o ritmo do beijo e deslizava suas mãos pelas costas da morena, como se ambas estivessem sozinhas.

Charlotte soltava um suave grunhido entre os lábios de Beth, dando uma mordida suave no lábio inferior da mesma, prendendo por alguns segundos entre seus dentes, antes de voltar a beijá-la.

Após ajudar sua caçula a se trocar. Quinn a deixou assistindo filme, enquanto voltava para a cozinha na intenção de terminar o jantar, mas logo que se aproximou no começo da escada. Avistou sua filha e sua sobrinha – de coração, se atracando no meio da sala. Claro que Quinn conhecia bem aquele tipo de beijo e sabia que aquela sessão de amassos terminaria de outra forma. A loira se preocupava com a vida da filha. Sabia que Beth nunca tinha tido relações sexuais e sempre se perguntou quando teria A conversa com Beth. Claro que Quinn e Santana explicavam várias coisas para a adolescente, mas nunca foram tão detalhadas. Vendo aquela cena a sua frente, Quinn tinha certeza de que ela e Santana precisavam ter a famosa conversa com Beth.

Quinn começava a descer as escadas devagar e ao se aproximar das duas adolescentes, limpou sua garganta, fazendo-as pularem de susto e Charlie rapidamente saia do colo de Beth como se estivesse se queimando.

– Mãe! Céus. – Beth colocava a mão no peito e Quinn se segurava para não rir.

– Vou ignorar o que estava acontecendo na minha sala, e ir para cozinha terminar o jantar. – Quinn falava suavemente. – Só para lembra-las, que vocês não estão sozinhas. – A loira falava alto, enquanto se afastava.

Sem dizer nada, Charlie olhou para Beth e começava a rir sem parar, se sentando novamente no colo de sua namorada.

– Tia Quinn sempre aparece para nos atrapalhar. – Charlie fazia bico, depositando um selinho suave nos lábios de Beth.

– Ela está sempre por perto. – Beth sorria, encaixando suas mãos por dentro da blusinha de Charlie.

– Eu quero muito você, bee. – Charlie sussurrava contra os lábios de Beth. – É difícil me controlar.

– E-eu... Mm, também não consigo me controlar quando estou perto de você. – Beth sussurrava, depositando um beijo contra os lábios de Charlie, e antes que pudesse dizer algo ou iniciarem outro beijo, algo atingia a cabeça de Beth, fazendo-a se virar e encontrar Quinn na porta da cozinha, e um pano de prato no chão.

– O fato de eu ter ignorado, não quer dizer que vou deixá-las à vontade na minha sala. – Quinn semicerrava os olhos e Charlie começava a rir, escondendo seu rosto no pescoço de Beth.

– Está bem, nós vamos parar. – Beth comentava, virando sua cadeira e rolando para perto do sofá. Elas realmente precisavam se controlar.

Xxxx

Q, você tem certeza que não prefere que eu vá também? – Santana perguntava pelo telefone, enquanto esperava Olivia sair do colégio.

– Tenho. Até porque, se você aparecer por lá as coisas podem sair do controle. – Quinn retocava sua maquiagem em sua sala.

Não me sinto muito a vontade com isso. Imaginei talvez que Beth não ia querer revê-lo e que não passaríamos por toda essa aflição. – Santana respirava fundo. – Mas já que não podemos impedi-lá, só nos resta torcer que tudo dê certo, e, que Russel não a machuque, ou eu juro que acabo com ele.

– Eu sei, amor. Também não estou feliz com essa decisão, mas o que posso fazer é estar lá para protegê-la. Prometo que se as coisas saírem muito do meu controle ligo para você. – Quinn sorria guardando seu espelho na bolsa.

Tudo bem. Hey, preciso ir. A turma da Olivia já está saindo. Nos falamos depois, está bem? E Quinn, se acontecer qualquer coisa, me liga. –Santana falava carinhosa, fazendo Quinn sorrir. – Eu te amo.

– Ligo sim, amor. Cuida da minha pequena. Também te amo, muito. – Quinn respirava fundo, com seu coração acelerada.

Se cuida, mi amor. – Santana sussurrava e após Quinn responder, a ligação se encerrou deixando a loira sozinha com seus medos.

O dia e a hora tinham chegado. Quinn levaria Beth para rever Russel. O medo e a insegurança eram duas coisas que palpitavam ferozes em seu peito. Ela estava com medo de que Beth fosse se machucar e insegura por não confiar um pouco que fosse em Russel. Quinn temia que Russel criticasse sua filha por suas escolhas, ou por ela simplesmente ser quem é. Seu coração estava acelerado e Fabray não via a hora desse dia acabar.

Enquanto viajava em seu pensamento, seu inteforne tocou indicando que Beth estava lhe esperando no hall da galeria. Com a carona de Charlie, a adolescente pode ir de encontro a sua mãe.

No caminho até o restaurante marcado por Russel. As loiras dentro do carro mal se falavam e podia notar o quão aflitas e “intimidadas” se sentiam. Elas não sabiam o que Russel poderia fazer e sentiam como se seus estômagos fossem revirar.

– Little one, — Quinn falava suavemente, após estacionar seu carro, pegando na mão da filha. – Não importa o que aconteça lá dentro, não importa as coisas que Russel te diga. Eu e sua mãe te amamos incondicionalmente, Beth, e somos muito, muito orgulhosas pela filha maravilhosa que você é. Suas escolhas nunca mudaria isso. Nosso amor por você vai à cima de qualquer coisa. – Fabray falava carinhosa, e Beth sorria com as palavras da mãe. – Eu te amo, está bem? E não tenha medo de ser quem realmente é perto dele. Talvez ele possa te intimidar um pouco, mas não deixe que isso te prenda. – Beth assentia. – Me prometa que não vai se deixar intimidar.

– Eu prometo, mãe. Não vou deixar que Russel Fabray me entimide, ou me faça ser quem não sou só para agradá-lo. – Beth falava suavemente. – Eu sou Elizabeth Fabray-Lopez, filha de duas mães que tenho um enorme orgulho. Atleta, apaixonada por música, por artes e apaixonada pela minha melhor amiga. – Beth brincava, fazendo Quinn rir. – Mãe, eu sou uma Fabray-Lopez. Criada por Lucy Quinn e Santana Lopez, acha mesmo que não vou saber me cuidar ou me comportar na frente dele? – A garota arqueava suas sobrancelhas e Quinn ficava em silêncio por alguns segundos.

– É, — A artista batia suavemente sobre o joelho da filha. – Você tem razão e confio em você. Agora vamos, porque Russel Fabray não admite atrasos. – Quinn revirava os olhos, dando um beijo na cabeça da filha, antes de sair do carro e buscar a cadeira de rodas de Beth.

Ao entrarem no restaurante, Quinn empurrava Beth lentamente, não demorando a avistar Russel sentado em uma mesa a sua espera. As duas respiraram fundo, e Beth assentiu indicando que estava preparada.

– Russel? – Quinn falava suavemente, ao se aproximarem de seu pai.

Russel se levantou da cadeira, olhando Quinn e em seguida para Beth. A garota olhava para seu avô e imaginava como um senhor como ele, poderia ter feito tão mal a sua família. Apesar de suas lembranças, Beth o via como ele realmente era. Um senhor que desde quando descobriu da sexualidade de sua mãe, só a fez mal, atingindo toda sua família. Porém, sua aparência, era enganosa para quem não o conhecia. Era um idoso cansado que mal conseguia se manter em pé sem o auxilio de sua banguela. Sem dúvidas aparentava ser mais velho do que suas avós Judy e Maribel.

– Elizabeth? – Russel falava suavemente, e Beth sorria educada, estendendo a mão para o seu avô. – Você está linda. Se tornando uma linda mulher e parecida com sua mãe a cada dia. – Mesmo falando com sua neta, Russel ainda mantinha seu tom autoritário.

– Obrigada, Russel. – Beth respondia, sorrindo e Quinn apoiava suas mãos nos ombros da filha. Russel nitidamente se incomodou com o fato da neta tê-lo lhe chamado pelo nome e não de avô, mas preferiu ignorar... Por enquanto.

– Como vai, Lucy? – Russel estendia a mão para a filha, que o cumprimentou sem hesitar.

– Ótima, e o senhor?

– Estou bem. – Russel sorria, olhando para Beth. – Melhor agora que finalmente estou podendo rever minha neta. – Beth sorria suavemente, se mantendo educada. – Por favor, vamos nos sentar. – Russel se sentou novamente, enquanto Quinn colocava a cadeira de Beth ao seu lado.

– E então, Elizabeth, sua mãe me contou que você é ótima no colégio. – Russel começava a falar, fazendo a garota olhar para sua mãe e em seguida para seu avô.

– Pode se dizer que sim. – Beth assentia, e o garçom se aproximava, entregando-os o cardápio. – Sempre me esforço para tirar boas notas. – Quinn sorria, agradecendo o garçom, voltando sua atenção para seu pai e sua filha, apreensiva.

– Isso é ótimo. Sua mãe e sua tia Francesca sempre foram ótimas alunas. – Russel comentava, fazendo Beth sorrir olhando para Quinn. – E é incrível ver o quanto você está parecida com ela. Você tem nossos olhos. – Russel olhava para Quinn.

– E acredite, esses olhos chamam muita atenção. – Beth brincava, e Quinn podia notar o quão calma sua filha estava, porém, era nítido em seus olhos o quão apreensiva estava.

– É ótimo revê-la, Elizabeth. – Russel respondia, abrindo seu cardápio. – Vamos fazer nossos pedidos. Acredito que não queremos morrer de fome. – Os três tinham total atenção no cardápio e ao decidirem, Russel chamou o garçom, deixando que as duas loiras pedissem primeiro. – E então, Elizabeth... – Russel iniciava outra conversa, após fazerem seus pedidos. – O que mais gosta de fazer? – O pai de Quinn perguntava, e Beth respirava fundo antes de respondê-lo. Ela odiava quando o mesmo lhe chamava pelo nome.

– Bom, acredito que gosto de coisas normais de adolescente. – Beth dava de ombros. – Gosto de ler, desenhar, sair com minhas amigas... Esse tipo de coisa.

– Oh. – Russel respondia assentindo. – Sua mãe me contou que você é do time de atletismo do colégio. – Quinn se mantinha em silêncio, mas seus olhos nunca deixavam seu pai. Ela estava pronta para atacá-lo caso o mesmo fizesse algum mal a sua filha.

– Sim, sou do time de corrida. – Beth respondia casualmente. – No momento, como você pode ver, não estou podendo treinar, mas logo que me recuperar voltarei e pretendo entrar para o time de vôlei. – Quinn olhava confusa para sua filha, que ao perceber começava a rir. – Não te contei nada ainda, mãe, porque estava decidindo.

– Nunca imaginei que você tinha interesses em vôlei. – Quinn falava carinhosa. – Sua mama sempre achou que você entraria para o time de futebol. – A loira arqueava as sobrancelhas, e Beth sorria.

– Bom, mas sem dúvidas Elizabeth não seguiu nenhum tipo de vontade de Santana. – Russel falava sério, fazendo as duas a sua frente pararem de sorrir. – Fico feliz que tenha puxado tanto sua mãe Lucy. – Beth semicerrou os olhos e antes que pudesse respondê-lo, por baixo da mesa, Quinn pousou a mão sobre a perna da filha lhe acalmando.

– Oh, acredite. – Beth falava suavemente. – Se eu não fosse estudar artes na faculdade, sem dúvidas seria produtora de eventos e trabalharia para a rádio da mami. – A garota falava orgulhosa, fazendo Quinn sorrir, ao contrário de Russel, que apenas olhou para sua neta, mudando de assunto.

– E o que mais você faz? – Russel continuava autoritário e sem tom de voz não era mais o suave de minutos atrás.

– Dança. – Beth respondia, sem paciência, mas ainda educada. – Faço aulas de dança com a tia Brittany. Fiz também aulas de violão e piano. – Beth decidia comentar tudo de uma vez, antes que mais perguntas chatas surgissem. – Adoro pintar, desenhar e... Ah, não, isso eu já falei. – Beth sorria, apoiando seus cotovelos em cima da mesa.

– Wow, estou impressionado. – Russel comentava, ajeitando o guardanapo em seu colo. – Mas devo dizer que fico decepcionado em sua escolha para faculdade. – Agora Quinn olhava para Beth, preocupada com o que estava por vir de seu pai. – Artes? Não acredito que isso seja profissão. Não acha que talvez advocacia seja melhor? – Foi então que Quinn paralisava. Era como se a mesma estivesse em um deja vú. A diferença era que quando seu pai falou isso a ela, estavam em volta da mesa de jantar como uma “família”.

– Não, não acho. – Beth respondia, e sua voz tirava sua mãe de seu transe. – Olhe para a mamãe. — A garota apontava para Quinn ao seu lado. – Ela é uma artista muito bem sucedida. Tem sua própria galeria onde vende seus lindos quadros e esculturas. É muito conhecida em várias faculdades de artes em Nova York. Quero ser exatamente como ela quando crescer. Não sei ainda se quero ter minha própria galeria, mas quero minhas artes espalhadas por vários estados. – Beth falava confiante, fazendo um sorriso aparecer nos lábios de sua mãe. – Acho advocacia super chato. Entediante. Ficar preso em um escritório dia e noite não é pra mim. Quero ser livre e poder me expressar através das minhas pinturas, e talvez até da minha dança, quem sabe? – A garota encolhia seus ombros e Quinn virava para olhar seu pai.

Os olhos do mesmo estavam exatamente como sempre se lembrou. Queimando de raiva por ouvir a neta falando daquela forma sobre artes. Russel sempre achou um absurdo chamar artistas de profissionais e sempre deixou claro que isso era perda de tempo. Ouvir sua única neta falar daquela forma, fazia seus olhos queimarem.

– Sei que não pensa dessa forma, mas na minha opinião, cada um é livre para escolher o que quer. Estudar dentro daquilo que se indentifica. Minhas mães sempre me ensinarem que devemos seguir nossos sonhos e fazer aquilo que gostamos. Eu gosto de artes e tendo o apoio delas é o que mais importa pra mim. – Beth sorria orgulhosa por ter enfrentado seu avô, enquanto Quinn sorria orgulhosa por ver a filha enfrentando o avô. Algo no qual, nunca teve coragem quando era mais nova.

– Não, não acho. Na verdade, Elizabeth... –

– Oh, nossos pedidos chegaram. – Quinn interrompia seu pai, antes do mesmo criticar sua filha.

O garçom os serviu e enquanto começavam a comer, Quinn podia ver Beth pelo canto de seus olhos. Se preocupava com o momento em que seu pai atacaria sua filha com suas críticas, mas estava pronta para defendê-la. Beth não parecia mais a vontade como há minutos atrás.

A garota sentia seu estômago revirar como modo autoritário como seu avô a olhava. Era como se Russel estivesse tentando lê-la. Como se seus olhos estivesse tentando lhe intimidar. Apesar de estar apavorada por dentro, Beth era uma Fabray-Lopez. Ela não deixaria um estranho possessivo lhe intimidar daquela forma. A garota o enfrentaria no mesmo nível e mostraria que na vida dela, ele não podia se meter. Afinal, sua mãe Quinn estava logo ao seu lado, e sem dúvidas a protegeria.

Após alguns minutos de silêncio, estavam comendo, quando Russel usava o guardanapo para limpar seus lábios.

– Soube do seu acidente. – O avô de Beth falava suavemente, fazendo as duas olhá-lo. – Como aconteceu? – Beth olhava para Quinn, apreensiva. A garota nunca falou como realmente foi seu acidente para ninguém, além de sua terapeuta, e não sabia se sentiria a vontade contar isso para um estranho.

– Mmm...

– Ela sofreu um acidente, Russel. – Quinn respondia. – Enquanto voltava para casa, um carro atravessou o sinal vermelho e bateu no carro onde ela estava com um amigo. – A artista falava suavemente e Beth apenas olhava para seu avô.

– Oh, e eu espero que você e sua esposa tenham feito algo a respeito? – Russel falava em choque. – Ele foi imprudente. Merece estar sofrendo pelo o que fez com sua filha. – O senhor olhava para Beth, que apenas abaixou a cabeça e de repente, sua comida se tornava mais interessante.

– Eu e minha esposa tomamos todas as providências possíveis, Russel. Não se preocupe. Tudo está resolvido. – Quinn tinha intenção de encerrar o assunto, mas aparentemente, seu pai tinha outros planos.

– E como fizeram isso?

– Pai, — Quinn fechava os olhos, respirando fundo, tentando se acalmar. – Esse é um assunto desconfortável para Beth. Será que podemos, por favor, falarmos de outra coisa?

– Claro. – Russel respondia, após olhar alguns minutos para Beth. – Você namora? Acredito que muitos garotos devem ficar loucos por sua beleza. – O avô da garota mudava o tom de voz, tentando não estressar sua neta, mas ao falar sobre garotos, Beth revirava os olhos com toda sua confiança de volta.

– Na verdade, sim, eu namoro. – Beth respondia sorrindo, e Quinn a olhava paralisada, esperando as próximas palavras da filha.

– Oh, isso é ótimo, Elizabeth. – Russel tinha um tom de voz... Feliz. – Espero que seja um garoto que cuide de você. Um rapaz de boa família e que possa te dar um ótimo futuro. – A idéia de ter uma neta lésbica sequer passava pela cabeça de Russel. Era como se essa hipótese estivesse completamente bloqueada e para ele, Beth teria que namorar um garoto.

– Ah sim, a pessoa com quem namoro, é ótima. Me trata muito bem, é carinhosa, atenciosa, e me ama muito. – Beth sorria irônica para seu avô.

– Oh, e vem de uma boa família?

– Claro.

– Qual o nome do sortudo, então? – Russel perguntava animado, fazendo Quinn olhá-lo em choque. Ela nunca tinha visto seu pai tão animado com alguma coisa antes. Não daquela forma.

– Charlie. – Beth falava suavemente, sorrindo. – É Charlie.

– É um belo nome. – Russel assentia. – Espero que ele esteja realmente te fazendo feliz. Aliás, fico aliviado em saber que você está namorando um rapaz. – Russel ria baixo, e Beth semicerrava os olhos.

– Aliviado? – Quinn perguntava.

– Claro, Lucy.

– E posso saber o porque? – Beth perguntava.

– Ora, me desculpe, Elizabeth, mas é alivio para qualquer avô saber que sua neta está namorando um bom rapaz. – Russel dava ênfase em sua última palavra.

– Mmm... Não entendi. – Beth deitava a cabeça para o lado, franzindo o cenho. Sem deixar de ser irônica.

– Pai! – Quinn tentava interrompê-lo.

– Bom, Elizabeth, é ótimo saber que minha neta não é gay. Não seguiu os passos da mãe que tem. – O tom de voz de Russel mudava de dócil, arrogante, para nojo naquele momento ao olhar para Quinn. – É ótimo saber que alguém está saudável e tem a cabeça no lugar dentro daquela casa. Acredito que suas mães sequer lhe ensinaram o quanto isso é errado, não é? O quanto é errado ter relações com pessoas do mesmo sexo? – Russel gesticulava. – Elas te ensinam o que é certo o que é errado? Quando sua mãe e sua tia eram pequenas, sempre a levávamos para a igreja, mas não sei no que deu errado. Sua mãe preferiu... –

– Chega! – Para a surpresa dos dois adultos, Beth foi quem interrompeu Russel, o deixando em choque. Ela estava cansada. Exausta das pessoas homofobicas lhe dizer o que é certo e o que é errado. Lhe dizerem o quanto suas mães são horríveis e odiadas por Deus por estarem juntas. Ela estava cansada de sempre criticarem sua irmã que aos seus olhos era tão perfeita. – Você não faz ideia do que está falando. – A garota falava suavemente.

– Elizabeth, sou seu avô. Sei muito bem do que estou falando. Sua mãe preferiu seguir o caminho errado e . –

– Primeiro que eu odeio quando você me chama de Elizabeth. É Beth. – A garota colocava uma de suas mãos sobre a mesa, e Quinn esperava o momento certo para ajudar a filha, até porque, ela podia ver o quanto a garota estava podendo se defender sozinha. – E não, você não é meu avô. Se você fosse meu avô, teria aceitado minha mãe da forma que ela é. Se você realmente fosse meu avô, teria ficado na minha vida e aceitado a Olivia da forma que ela é. Porque acredite, Russel, Olivia é a garotinha mais carinhosa do mundo. Ela ama abuela e a vovó Judy, e tenho certeza que ela te amaria da mesma forma. Minha mãe adora futebol. Ela e tio Puck sempre assistem aos campeonatos, e se você gosta de futebol, não faz ideia da companheira que está perdendo. – Beth soltava uma risada baixa. – Não venha me dizer o que é certo ou errado, porque entre nós três, você é o único sem moral alguma para falar isso.

– Lucy, você vai deixa-la falar comigo dessa forma? – Russel mantinha sua postura, virando-se para sua filha.

– Bom, ela não estaria falando com você dessa forma, se não tivesse insultado nossa família. Acredite, Beth é protetora exatamente como Santana. – Quinn respondia suavemente, e antes que Russel pudesse dizer mais alguma coisa, Beth continuou.

– E quer saber de mais uma coisa? Eu não namoro um garoto. Charlie é apelido para Charlotte. Sim vovô, eu sou gay e namoro com a garota mais linda do meu colégio. – Beth arqueava sua sobrancelha, e de repente, era possível ver as pupilas de Russel se dilatarem de raiva. Seus olhos olhavam furiosos para Quinn como se estivesse a culpando por algo.

– Isso é tudo culpa sua. – Russel falava entre dentes. – Você não soube educá-la. Eu sabia que deveria ter levado-a para igreja enquanto era pequena, mas é claro que fui um idiota e confiei em você. Ela se tornou você, Lucy. Não está vendo? Quer mesmo que sua filha sofra? Quer que ela sofra tudo aquilo que você sofreu com preconceito? Manchando o nome da família, e. –

– Acredite, Russel, sofrendo é uma coisa na qual a minha filha não está. O que eu e Santana damos a ela e Olivia é algo no qual você nunca me deu. – Quinn pausava, olhando diretamente nos olhos de seu pai. – Nós damos amor, carinho. Ensinamos o certo e o errado. Protegemos... Resumindo, eu e minha esposa somos mães. Nós somos para elas o que você nunca foi para mim. – Quinn tentava manter sua postura, não querendo ser percebida pelas pessoas a sua volta.

– Isso é ridículo. – Russel murmurava, furioso.

– Ridiculo? – Beth se intrometia. – Sabe o que é ridíclo? É um homem que fez tanto mal a família, querer ter moral para ensinar o errado ou o certo. – A garota sentia seu peito apertando, e parecia que as palavras saiam automaticamente. Como se estivessem presas ali há muitos anos. – Não venha falar sobre certo e errado. Se você quer saber, eu e Olivia vamos todos os domingos na igreja com a vovó Judy. Algumas vezes, minhas mães vão também e sabe o que eu aprendi lá dentro? Que não importa quem somos, ou quem escolhemos ser, porque Deus nos ama de qualquer forma. Não importa se somos lésbicas, transformistas ou bi. Porque Ele nos ama e nos respeita. A única coisa que o entritece, é pessoas como você, que maltratam outros serem humanos. Que usam pessoas. Que matam, que tiram a felicidade dos outros. Ele se entristece, mas acredite vovô, ele nunca te odiaria por ter sido tão infiel a sua família por todos aqueles anos. – Beth sentia uma lágrima escorrer por sua bochecha, e Quinn não estava diferente. Suas emoções estavam afloradas. — Se Ele nos ama, por que então você nos odeia tanto? – A garota perguntava suavemente, fazendo Quinn olhar para seu pai. – Você cometeu um adultério e acha que tem moral para dizer que a minha vida é errada? Se odiar é forte até mesmo para Deus, por que você acha que tem o direito de nos odiar? Acredite, Russel, você não é nada perto daqueles que realmente sabem o que é certo ou errado. – Beth falava furiosa, e mesmo as palavras da neta sendo as piores que já ouviu, Russel não se deixou abater e muito menos demonstrou arrependimento.

– Você realmente não é nada daquilo que pensei. – A voz do pai de Quinn era fria, fazendo Beth olhá-lo. – É uma corrompida como sua mãe. Sinto muito por sua vida, Elizabeth, mas querida, artes não é profissão, e, namorar uma garota só vai te levar para o fundo do poço. – Russel continuava com sua cabeça erguida, enquanto Beth sentia seu peito sendo esmagado.

– Não. – Quinn o interrompia. – Não vou deixar que você a machuque da mesma forma que me machucou. A vida da minha filha é perfeita. Ela tem duas mães que a amam, uma irmã que a idolatra, e duas avós e tios que fariam qualquer coisa por ela. Amigos que ela traz desde quando tinha cinco anos. Uma namorada na qual eu rezo todos os dias para que seja perfeita para ela, porque não quero ver minha filha de coração partido. – Quinn falava furiosa, sem se importar mais com as pessoas que começavam a olhar. – Igreja não nos faz boas pessoas, mas sim o que ouvimos quando estamos dentro dela. Minhas filhas aprenderem desde cedo que precisam respeitar os mais velhos e que não importa o que digam, somos amadas por Ele, e por toda a nossa família. Que vamos sempre ter uma a outra. Coisa que em toda a minha vida ao seu lado eu nunca tive. – A loira apontava para seu pai, sem perceber que lágrimas escorriam por sua bochecha. – Olivia é minha filha, assim como Beth, mas nenhuma delas... Nenhuma delas são suas netas, Russel. Elas só tiveram um avô e o nome dele é Alejandro Lopez.

– Não, isso é. –

– Sério? – Beth o interrompia. – Você ainda acha que tem o que argumentar? Eu fico feliz em não ter uma pessoa tão negativa como você na minha vida. Obrigada por ter se afastado, assim pude ser uma pessoa melhor e mente aberta. – A garota passava as mãos sobre suas bochechas. – Nunca mais fale das minhas mães ou da minha irmã, e muito menos do meu relacionamento. Você não conhece 1/3 sobre a nossa vida. Fica longe de mim e da minha irmã. – Beth empurrava a cadeira para trás e Quinn se levantava, pegando as bolsas.

– Você já teve o que queria. Teve seu encontro com Beth, agora me deixa em paz, ou eu juro que abro uma ordem de restrição contra você. – Quinn se virava, e antes que pudesse colocar as mãos na cadeira de Beth, Russel a segurou pelo braço, fazendo-a se virar.

– Nunca imaginei que conseguiria ficar tão decepcionado com você, Lucy. E muito menos com a minha própria neta. – Russel falava suavamente, porém, sem tom assustador era evidente. – Sinto pena pelo o que Elizabeth se tornou. Continua envergonhando a família.

– Família? – Quinn sussurrava. – Não, Russel, a minha família, ela nunca envergonha, já a sua... Bom, vamos ser sinceros, você não tem mais nenhuma. A não ser que ainda esteja com a vagabunda da sua secretária... Não somos mais uma família há muito tempo. Beth, Olivia ou Henry jamais envergonharia a minha família e a de Frannie. Já a sua... Tudo vai depender da mulher que tiver. – A loira soltou seu braço das mãos de Russel e rapidamente saiu do restaurante levando Beth para fora.

Quinn parou a cadeira de Beth de frente para porta e parecia ter paralisado. As lágrimas de raiva caiam por sua bochecha sem parar e o peso de culpa invadia seu corpo. Se ela não tivesse concordado com tudo isso, Beth não teria ouvido nada daquilo. Elas estariam bem e as palavras e o olhar frio de Russel não as atormentariam. A artista se sentia péssima e enquanto chorava, Beth virava sua cadeira, segurando na mão de sua mãe, depositando um beijo carinhoso.

– Mãe? – A garota falava suavemente. – Não fica assim. Não deixa aquele monstro nos afetar novamente. – Beth já não estava chorando mais, mas seu peito se apertava ao ver sua mãe daquela forma. – Ele não vale a pena. Nunca valeu. Nada daquilo me afeitou, está bem? Sei o quanto somos amadas por todos a nossa volta e inclusive por aquele que está sempre nos olhando. Não é atoa que somos as garotas mais sortudas do mundo. – Beth brincava, tentando fazer sua mãe rir.

– Filha... – Quinn sussurrava.

– Não, mamãe. Está tudo bem. Acho que esse encontro foi um encerramento para nós duas, está bem? Não precisamos dele e nunca vamos precisar. Ele te falou tantas coisas ruins e olha onde você está agora, mãe. Tem um relacionamento perfeito e lindo com a mami. É uma mãe maravilhosa... – Beth sorria, balançando a mão de sua mãe. – E se tornou uma das melhores artistas de Nova York. Tem a vovó Judy, tia Frannie... Não perdeu sua família e sequer desistiu dos seus sonhos. É forte, inteligente, e quando eu crescer quero ser igual a você... Com um pouco da mamãe Tana também, claro. – Beth brincava novamente e agora podia ouvir a risada suave de sua mãe. – Eu te amo. A mami te ama e a Olivia também te ama. Você e a mama nos fez ser quem somos hoje. Acredite, aprendemos muito com vocês e sei que ainda temos muito o que aprender. Você é ótima, mamãe Q. – Uma lágrima escorreu pela bochecha de Beth, e, os braços de sua mãe agora estavam em volta de seu pescoço lhe abraçando com força.

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– Eu te amo, muito little one. Não sabe como estou orgulhosa pela forma que enfrentou Russel. – Quinn sussurrava. – Você me fez lembrar a sua mama e ugh! Estou tão orgulhosa. – A loira depositava um beijo contra a cabeça de Beth, a fazendo sorrir.

– Quando se sentir triste, lembre-se dessas palavras. – Beth comentava. – Até porque, não vou repeti-lás. – A garota fazia careta, fazendo sua mãe rir.

– Eu te amo, little one.

– Eu também te amo, mãe. Não deixa ele te afetar, está bem? Somos fortes, e vamos esquecer que esse dia aconteceu. Ele nunca existiu nas nossas vidas e não vai ser agora que irá aparecer.

– Você tem razão. – Quinn comentava. – Ele não faz falta. Mmmm... Que tal ligarmos para sua mami e nos encontrarmos para tomar um delicioso sorvete? Só nós quatro?

– Acho uma ótima ideia, mãe. Só nós quatro, como sempre foi. – Beth franzia o nariz e Quinn depositava um beijo no nariz da filha, antes de ajudá-la a entrar no carro.

Quinn se sentia aliviada. Apesar do medo, não imaginou que Beth teria tanta coragem para enfretar Russel daquela forma e não podia negar do quão orgulhosa estava. E mesmo com aquelas palavras horríveis de seu pai, Quinn não se deixaria abater. Ela continuaria vivendo sua vida como se aquele dia nunca tivesse existido. Russel viraria um fantasma, como sempre foi.

Notas finais
E então, o que acharam? Espero que tenham gostado!!! Review? xxxx